terça-feira, 4 de março de 2014

Avaliação de alunos em Educação Inclusiva


1.     Qual o objetivo do processo avaliativo para esse aluno?

O principal objetivo é o desenvolvimento de sua estrutura afetiva e cognitiva.
2.     
      Qual a base para o planejamento do processo avaliativo?

O planejamento deve estar baseado nas habilidades individuais de cada um desses alunos.
3.    
      Quais as preocupações durante a aplicação do processo avaliativo?

Durante todo o processo avaliativo os profissionais devem estar atentos ao ritmo individual de cada um desses alunos, respeitar seus limites físicos e intelectuais e, ao mesmo tempo, ir experimentando estímulos periódicos de avanços e de aumento de esforço intelectual, visando quebrar a preguiça mental, mas evitando o estresse, que seria improdutivo.

Com base nesses três pontos, vamos iniciar a prática da inclusão:

Algumas escolas tentam fazer a inclusão social num turno e o acompanhamento pedagógico no outro. 

Isso não tem dado resultado satisfatório, já que o aluno não se sente partícipe da aula na turma de inclusão.

Então o aluno, por exemplo, está se desenvolvendo em nível de 3º ano, mas incluído em turma do 6º ano. 

Seu histórico terá os lançamentos referentes ao 3º ano, e, nas observações, a turma em que está sendo incluído e as razões para essa inclusão.

A turma na qual ele será incluído deverá ser de alunos com idade média próxima à dele.

Para escolher a turma em que ele será incluído faz-se a primeira “rodada” de avaliações prévias, preferencialmente acompanhada pelo Conselho de Classe, onde serão avaliados:
1.   
      Nível de inquietação e agressividade está ainda incompatível com a inclusão em sala regular:

Caso ainda não esteja o aluno deve ser encaminhado para tratamento médico adequado (neuropediatra ou psiquiatra infantil) e para acompanhamento por um neuropedagogo e por um nutricionista. 

A dieta adequada, principalmente a que segue o tratamento biomédico do autismo e TDAH, retirando os elementos que estimulam os sintomas de agressividade, costumam dar bons resultados e conseguem fazer com que o aluno rapidamente esteja em condições de participar do processo de inclusão real.
2.    
      Nível de inquietação e agressividade já permite a inclusão em sala regular:

O aluno não precisa ser incluído, obrigatoriamente, na turma que tenha exatamente a sua idade cronológica nem na turma que tenha exatamente a sua idade mental.

A escolha da turma pode ser feita por experimentação, ou seja, observando com quais grupos de colegas ele se sente melhor.

Entretanto não deve haver uma diferença muito grande entre a sua idade e a idade média da turma de inclusão. A diferença de três a quatro anos é a considerada mais adequada.
3.    
     Escolhida a turma, a avaliação seguinte é a de seu nível de escolaridade, para que sejam providenciados os materiais didáticos específicos ao seu acompanhamento paralelo.

Alguns alunos de inclusão demonstram poder acompanhar, embora com dificuldade, o material didático da sua própria turma. Para esses não haverá necessidade de adaptação, mas apenas de ajuda cognitiva.

Para outros o material será bem diferente, bem abaixo do nível da turma e será utilizado pelo professor assistente, para que o seu desenvolvimento cognitivo seja facilitado.

As tarefas em sala e para casa terão como base esse material, além da adaptação dos temas dados em sala pelos professores regulares da turma.

Como exemplo prático, se a aula é de geografia sobre regiões do Brasil, alguns desses alunos podem estar, de fato, acompanhando o entendimento das características das regiões, outros podem estar apenas desenhando o mapa e outros podem apenas estar colorindo um mapa já desenhado.

Todos se sentem “na mesma aula”, mas com atividades, trabalhos, deveres para casa e avaliações específicas para o seu nível de entendimento.

As avaliações devem ser constantes, para que todos, professores e alunos, se sintam progredindo a cada semana de estudos.

As avaliações do aluno incluído mostrarão o momento de mudar seu material didático para o da série seguinte, o que significa que, embora ele esteja incluído em uma turma regular do 6º ano do Ensino Fundamental, seu acompanhamento é o da série correspondente ao seu nível intelectual atual.

Como exemplo prático, foram incluídos na sala regular do 6º ano, por terem 11 anos de idade, um aluno acompanhando o nível do 3º ano e outro aluno acompanhando o nível de Educação Infantil.

Seus históricos escolares serão os correspondentes ao seu nível intelectual atual, e nas observações constará a inclusão na turma regular do 6º ano.


Ao final do ano letivo o Conselho de Classe analisará tanto a turma regular onde eles serão incluídos como a progressão ou não para a série seguinte de acompanhamento especial.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

IUPE Educação Inclusiva: Prática em sala de aula



Nesse vídeo relatamos as bases preliminares do processo de inclusão de alunos com características neuropsíquicas especiais em sala de aula tradicional, para melhorar a eficácia de seu desenvolvimento cognitivo e também melhorar sua autoestima.

domingo, 3 de novembro de 2013

Evitando a formação de transgressores

Como evitar a formação de transgressores na sociedade

Certa vez, enquanto eu ministrava uma aula de matemática para uma das séries da educação básica, olhei bem para toda a turma, refleti por alguns instantes, e veio, imediatamente, à minha mente, a imagem do futuro que cada um deles estaria traçando para si mesmo.

Confesso que fiquei um pouco transtornado ao perceber que, por mais que eu estivesse tentando construir, na mente de cada um deles, um alicerce para uma vida de sucesso e de caráter, havia influências que poderiam estar sendo muito mais fortes do que a minha, e que poderiam servir para desviá-los totalmente do caminho que eu, arduamente, insistia em indicar como o mais correto.

No final de semana seguinte, ao dar uma palestra para psicanalistas em formação, comentei sobre a minha observação e como estava fácil identificar, com pequena margem de erro, quais desses alunos teriam sucesso profissional e pessoal com caráter, quais poderiam ter sucesso, mas sem escrúpulos e sem ética alguma, quais se acomodariam em um emprego qualquer, apenas para ter o básico para seu sustento, e quais possivelmente entrariam em uma vida de transgressão e, possivelmente, criminosa.

Fui duramente criticado por alguns dos participantes, mas mostrei, depois de alguns exemplos concretos, que não adianta querer visualizar uma realidade inexistente e tentarmos nos iludir com um resultado diferente do que qualquer um de nós, a partir de uma análise fria, consegue visualizar em um grupo de jovens em uma sala de aula.
Hoje, lendo a entrevista com o psicólogo Stanton Samenow na Veja (edição 2346, ano 46, nº45, de 6 de novembro de 2013, páginas amarelas), encontrei os elementos teóricos que eu precisava para embasar aquelas minhas observações.

Depois de entrevistar criminosos durante mais de quarenta anos de sua vida, as suas conclusões reforçam as minhas observações, mostram que a sala de aula é o local onde todas essas tendências podem ser observadas e, melhor ainda, indicam que o único caminho para reverter esse processo (a menos que haja alguma doença psicogênica associada) é o da educação de valores humanos.

Alguns dos sintomas que indicam a tendência criminosa são, segundo Samenow:

1.     Mentem, não para escapar de situações embaraçosas, mas porque obtêm disso uma sensação de poder.

2.     Sentem prazer em machucar o outro, não só fisicamente.

3.     Para eles ser alguém é ser o centro das atenções.

4.     Se os outros não agem da forma que ele espera, ele os culpa. A sua forma de agir é a única certa.

Para conseguir mudar alguma coisa, então, só por meio das vivências de valores. 
Lembrei-me, então, da magnífica conversa que mantive com Diane Tillman, em Nuneham Courtenay, perto de Oxford, na Grã-Bretanha, sobre os resultados surpreendentes que o programa criado por ela, chamado de Vivendo Valores na Educação, estava apresentando em todos os lugares onde estava sendo aplicado.
Essa é a luz que pode ser utilizada para a reversão de um processo que, à primeira vista, parece impossível de ser revertido!

Mas precisamos juntar todas essas contribuições para que os resultados sejam os mais eficazes possíveis, iniciando, é claro, com um bom planejamento de educação de valores, já que não devemos direcionar nossos esforços apenas para aqueles que estão demonstrando tais tendências. Poderíamos estar deixando alguns “de lado”. O processo deve ser feito de forma geral, para toda a turma.

Por experiência própria recomendo, primeiro, que seja escolhido um valor humano para cada mês. Isso facilita o trabalho constante, o ano inteiro, sem dar a impressão de monotonia.

Além disso é importante que todas as vivências, exercícios, palestras, redações e tudo o mais que for realizado sobre o valor trabalhado naquele mês, aborde apenas exemplos positivos daqueles valores.

Nunca dar exemplos de anti-valores, nem com a desculpa de que os alunos devem conhecer o errado para se proteger dele! O errado eles conhecem muito bem, já que são bombardeados por eles todos os dias por meio da mídia manipuladora. E os exemplo com anti-valores acabam servindo como uma programação negativa na mente de alguns deles.

E agora, depois de vir aplicando e recomendando a aplicação dessa metodologia, percebi que alguns casos merecem uma atenção mais direta, havendo necessidade, então, de uma observação mais minuciosa, levando em consideração alguns elementos comentados pelo psicólogo Stanton Samenow na entrevista publicada na Veja.

Para esses é conveniente um tratamento psicológico em paralelo, se for observado que o problema é comportamental, ou um tratamento terapêutico mais apropriado, como a psicanálise, por exemplo, se o problema estiver relacionado a alguma neurose.

O que não podemos é seguir adiante o processo educacional e escolar sem levar em consideração essa realidade, porque, nesse caso, estaremos apenas melhorando, ainda mais, a capacidade criminosa daqueles que estiverem apresentando tais tendências.

É uma realidade assustadora, mas é uma realidade!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

IUPE Educação: Formação da personalidade da criança - fase anal

Freud a chamou de fase anal e é a fase em que ela começa a aprender a pensar. Enfim, essa fase não tem o problema da chupeta, mas, em compensação, como ela sente necessidade de mexer sempre com as mãos para agarrar coisas que se amoldem, se transformem ao seu toque, se modele ao seu comando, ela faz isso com argila, com massa de modelar, com barro, lama e, se nada disso estiver à sua disposição, com as próprias fezes.
A própria criança mostra que mudou de fase. Mas nem sempre de uma forma tranquila, já que o mais comum é dando um verdadeiro susto nos pais ao levar as fezes à boca! E é nesse momento que são cometidos todos os maiores erros de quem está junto às crianças! E, mais grave ainda, esses erros trarão consequências terríveis para toda a vida dessa criança que está sendo formada!
Os erros dos adultos ocorrem de diversas formas. Uma delas é o tradicional: “Que fedor!”. Outra forma é dando um “tapa” na mão da criança quando ela pega nas fezes. Também existe o célebre: “Vamos limpar toda essa sujeira!” E assim por diante! Eles sempre deixam claro para a criança que o que ela fez não foi uma boa coisa...
A mente dessa criança analisa o ocorrido e conclui que “se o que ela está fazendo é errado, feio, sujo e fedorento, devo parar de fazer!” E surge, inicialmente, a prisão de ventre!
Agora, são os pais que, desesperados, correm com a criança para o médico, exigindo que ele conserte um mal provocado por eles mesmos! E começam os supositórios de glicerina e laxantes infantis, totalmente inadequados a essa tenra idade e que poderia ter sido evitado com o simples entendimento dessa fase. É claro que nenhum pai quer ver seu filho comendo as fezes... Mas um pouco de criatividade soluciona totalmente esses instintos necessários ao bom desenvolvimento de seu sistema digestivo, sem que seja necessário proibir a criança de se sujar.
Uma dessas soluções é a massa de modelar da cor das fezes, para que a criança possa manipulá-la em substituição. A criança substitui com a maior naturalidade. Outro substituto perfeitamente à altura é a argila. Uma caixa de argila para que a criança possa brincar e se lambuzar é um excelente artifício. Mas temos que entender que ela precisa se lambuzar, se sujar, se divertir... Mais tarde dá-se um banho, ora! O importante é ser feliz!
Por que será que a criança gosta tanto de brincar com as fezes? É mais uma maravilhosa programação mental! Seu sistema digestivo está em franco desenvolvimento e ela já tem algum domínio de seus movimentos musculares, achando interessante o autocontrole do ato de defecar.
É um momento de raro prazer o da produção das fezes. Por isso, elas são tão importantes e exercem sobre a criança uma grande atração. Porém, se no momento desse namoro entre a criança e suas fezes aparece um adulto “estragando” o prazer, a criança nada entende e um forte sentimento de dúvida substitui o necessário sentimento de autonomia.
É nessa fase que ela direciona sua energia para experiências exploratórias. Ela precisa desenvolver o seu senso de autonomia. E como ela vai perceber que não pode usar sua energia exploratória de forma totalmente livre, mas que existem regras sociais para serem respeitadas e que devem fazer parte de seu raciocínio, ela começa a construir sua autonomia entendendo os limites.
O aprendizado social começa aí. Surge o entendimento relacionado ao que os adultos e as outras crianças esperam dela. Surgem os conceitos de limitações, de obrigações e de direitos, e aparece a sua capacidade de realizar certos julgamentos.
Os adultos atrapalham muito, como podemos observar, mas também podem ajudar de vez em quando! O problema é que não existe uma escola para ensinar pais a serem pais, pelo menos não as conheço ainda. Eu soube que existia na Alemanha ou na Suíça, mas não aqui... Mas, dentro de nossas possibilidades e limitações, tenho tentado fazer exatamente isso, em todas as oportunidades em que me reúno com pais e professores.
Depois que li, em um trabalho de psiquiatria, a recomendação de treinamento parental como elemento redutor de sintomas patológicos, passei a recomendar às escolas uma total mudança nas reuniões de pais e mestres, conforme já relatei no capítulo ESCOLA.
Minha ideia é enfatizar nessas reuniões o treinamento parental, com vivência de valores humanos, debate sobre relacionamento familiar e tudo o mais. Afinal, para que serve falar mal de seus filhos se esses são o reflexo de uma educação equivocada em casa? Melhor então é fazer o treinamento dos pais! Os filhos melhorarão naturalmente na medida em que os pais melhorarem o entendimento da criança, o entendimento das necessidades de cada fase e o relacionamento familiar.
Ainda comentando sobre essa fase anal, caracterizada também pela luta entre a autonomia e a dúvida, ela tenta se libertar da total dependência tomando conta de si mesma, já que percebe ter algum controle sobre suas necessidades fisiológicas. Isso é uma vitória!
Ao sentir que está tendo sucesso em fazer mais coisas sem medo de errar, ela constrói a sua autoestima e passa a ter mais disposição para escolher e agir por conta própria. Contudo, se percebe algum sentimento de desprezo ou de fortes críticas, essa criança não consegue criar autoestima suficiente para ter segurança sobre seus atos, nascendo um sentimento de dúvida sobre si mesmo e sobre os outros. Isso é percebido como uma derrota! Ela poderá regredir ao estágio da insegurança, desistindo de pensar e agir por conta própria e voltando a ser totalmente dependente.
Outro erro comum nessa fase (e que se repete em outras mais tarde) é quando o pai que faz questão de deixar a criança um pouco envergonhada, justificando sua atitude com a ideia de que, assim fazendo, estará estimulando-a para aprender a seguir determinações e ordens dos adultos.
Se isso ocorrer de forma frequente, essa criança poderá desenvolver um comportamento cínico, fingido e camuflado, sempre com a intenção de se defender dessas atitudes de seus pais. E a criança sempre tende a projetar o que seus pais fazem na imagem dos adultos em geral e do próprio mundo à sua volta. Ou seja: as reações dessa criança não ficam restritas ao ambiente familiar, mas serão levadas ao ambiente externo, mais tarde, construindo uma personalidade cheia de desfaçatez, cinismo, dissimulação e descaramento.
Por dentro, ela vai se limitando e deixando de desenvolver suas potencialidades porque ele tem vergonha de aparecer como errada. Ela passa a duvidar de suas próprias capacidades.
A força considerada básica na fase anal é a vontade, segundo Erikson. A vontade, que é colocada em prática por meio da livre escolha na manipulação das coisas, na conversa, no andar e no explorar e que resulta na construção da autonomia.
Educar, nessa fase, significa dar liberdade vigiada, para que a criança tenha condições de desenvolver sua independência, mas percebendo a atenção e o cuidado dos pais, desde que não haja exageros, nem na liberdade total, nem no controle total.
A todo o momento, eu procuro lembrar que a liberdade sem limites faz com que a criança se sinta abandonada e insatisfeita! Também lembro que o limite exagerado a torna sem vontade de desenvolver sua autonomia e fica insegura e insatisfeita. Ou seja, os extremos levam à insatisfação. E, embora isso comece a ser percebido nessa fase, continua ocorrendo durante toda a vida, mesmo depois da adolescência!
A fase anal é também a fase em que a criança começa a andar com mais facilidade e, por isso mesmo, tem mais facilidade na exploração do mundo à sua volta. A descoberta de que ela pode controlar sua marcha e a forma de pressionar os objetos despertam o sentimento de autonomia necessário à construção da sua segurança.
Wallon foi quem mais desenvolveu os estudos voltados para essa característica, apontando para o entendimento de que os atos mentais da criança são desenvolvidos a partir dos seus atos motores. Isso traz mais uma responsabilidade para a educação, já que os atos motores não devem ser cerceados ou impedidos, a menos que traga alguma espécie de perigo iminente.
A grande dificuldade dos adultos está em não conseguir se colocar no lugar da criança, bem como com suas competências desenvolvidas. Cada vez que ela movimenta seus braços e pernas com controle adequado, ela registra esse fato como uma vitória que vai servir para impulsionar todo o seu desenvolvimento cognitivo.
O mesmo processo se dá, ainda nessa fase, com a linguagem. As mãos e os braços ajudam bastante no desenvolvimento das funções simbólicas da linguagem. Cada pensamento, para ser exteriorizado, precisa, nessa fase, de muitos gestos. E para entender isso basta lembrar como faz o próprio adulto em um país estrangeiro, sem conseguir falar direito aquele idioma. Ou mesmo nós, aqui no Brasil, quando queremos falar com um estrangeiro que nada entende de português. Os gestos são a nossa salvação... Assim faz a criança no desenvolvimento da função simbólica de sua linguagem. 
Mas agora vem a parte boa para os profissionais de fonoaudiologia. É nessa fase que podemos, sem qualquer medo, afastar a criança da chupeta, caso ela esteja fazendo uso. Mesmo que isso provoque choro e manha, a necessidade vital já não é o sugar, logo, qualquer imposição de limites no que diz respeito à chupeta é perfeitamente aceitável e não vai provocar qualquer neurose futura.
Mais do que isso, eu insisto que nessa fase DEVEMOS afastar a chupeta da criança. O que antes era uma necessidade, agora passa a ser um grande erro. Isso porque a partir do início dessa fase ela abandona o instinto da satisfação oral e o desloca para o ânus. Esse deslocamento vai facilitar, no momento certo, a formação correta de todo o processo digestivo. Essa fase coincide com o início da mudança alimentar, que faz com que o sistema digestivo (ou digestório como querem os filólogos) e o intestino comecem a ser mais exigidos. Não existe mais a necessidade do prazer oral e, por isso mesmo, da chupeta.
Então, se a fase anterior era a da chupeta, do mordedor, da presença afetiva e do exercício dos limites, nessa fase a chupeta deve ser eliminada. O mordedor nem tanto. A presença afetiva continua muito necessária, contudo, já se deve dar mais liberdade, mas com controle. Os limites continuam sendo uma grande necessidade por toda a vida. Mas o mais importante é entender que existe o prazer de defecar e que esse prazer constitui a base do correto desenvolvimento psico-emocional-cognitivo.

sábado, 12 de outubro de 2013

IUPE Educação: Ciência descobre fase crítica de aprendizagem na criança entre 2 e 4 anos de idade

Amigos,
Essa semana obtivemos mais uma confirmação científica importante sobre a necessidade de se ter toda uma atenção especial à criança, durante o seu processo de formação cerebral inicial, principalmente entre os dois e os quatro anos de idade.
Durante esse período a criança está, ou em casa, acompanhado por um dos familiares ou por uma babá, ou está em uma creche.
Respeito a opinião das avós que não querem desgrudar do neto ou que acham uma “atrocidade” levar seu netinho para uma creche, mas a minha opinião é de que o ambiente da creche é o ideal para o seu correto acompanhamento e desenvolvimento, desde que os profissionais que ali trabalham estejam devidamente qualificados para isso.
Os estudos que estão sendo divulgados essa semana mostram que esse período é exatamente quando o ambiente externo exerce a maior influência na formação cerebral da criança e que, se for bem planejado, construirá uma forte base intelectual, uma forte estrutura de controle emocional, psíquico e motor, além de criar a capacidade de julgamento e de entendimento do mundo e do outro.    
Se o ambiente da creche ou em casa for bilíngue, por exemplo, o lucro para o seu desenvolvimento futuro será imenso, já que a criança construirá, em seu cérebro, as estruturas de linguagem dos dois idiomas, como se fosse nativo em ambos.
Mas o mais importante de tudo isso está na identificação de anomalias de desenvolvimento, como o autismo, por exemplo.
Qualquer anomalia intelectual ou motora percebida nessa fase poderá ter seus sintomas reduzidos ou até revertidos, já que nessa fase as intervenções pedagógicas terão muito mais efeito.
Esses estudos estão sendo divulgados aos poucos, parte deles sendo publicados no The Journal of Neuroscience e nos boletins da Brown University e do Kings College.

Para os estudiosos de neurociência e neuropedagogia, esses estudos apresentam uma nova forma de entender como as redes neurais da criança estabelecem, com mais facilidade, nessa fase, programações básicas e essenciais que definirão grande parte de sua vida futura.

Essa observação está sendo feita, principalmente, na formatação inicial das redes que estabelecerão as funções gerais da linguagem e as bases do entendimento e da elaboração da fala no idioma considerado nativo
.
Foram analisadas 108 crianças consideradas normais, todas entre um ano e seis anos de idade.

A pesquisa estava voltada para a identificação da distribuição da mielina em seus cérebros.

A mielina é a substância que serve, entre outras coisas, para proteger os circuitos neurais.

Para quem estudou alguma coisa de biologia e neurociência podemos ir mais adiante e comentar que é a mielina quem isola, eletricamente, os axônios, possibilitando mais velocidade na transmissão dos sinais elétricos para as sinapses.

Os resultados mostraram que a mielina só começa a se fixar no cérebro a partir dos quatro anos.

Antes disso as redes neurais estão mais livres para serem reagrupadas, significando que existe uma excelente plasticidade cerebral, permitindo diversos tipos de reorganização.

Nesse período, devido a essa grande plasticidade, essa formatação original pode sofrer fortes influências do ambiente externo. 
 
Uma das influências muito interessantes será em relação ao estabelecimento do processo da linguagem.

Uma criança, nessa fase, convivendo em um ambiente bilíngue, desenvolverá estruturas linguísticas perfeitas para os dois idiomas, tornando-a fluente, como se fosse nativa em ambos. Isso poderá acontecer, também, para o ambiente trilíngue.

Mas podemos ir mais além nesse entendimento, a partir da análise do que ocorre nessa fase, principalmente, agora, para os educadores e estudiosos de psicopedagogia:

É bom lembrar que Henri Wallon conceituou essa fase de sensório motora, quando ela adquire a marcha, ganhando autonomia para manipular objetos e explorar espaços.

Se a criança estiver livre para experimentar suas sensações e seus movimentos, ela construirá redes neurais adequadas ao seu melhor controle motor, incluindo aí a segurança e o equilíbrio.

Se essa liberdade só ocorrer após os quatro anos, após o estabelecimento das bainhas de mielina, a segurança na coordenação motora e no equilíbrio já terão mais dificuldade em ser estabelecida.

Quando Erik Erikson analisa essa fase ele aponta para o momento em que a criança começa a compreender que não pode simplesmente explorar à vontade, mas que há regras a respeitar.

Essas regras são incorporadas à sua programação com muito mais facilidade antes dos quatro anos.

A razão disso também pode estar na mielina que, quando formada, dificulta a alteração das redes para estabelecer novos conceitos.

Erikson também se refere à construção da capacidade de julgamento que aparece nessa fase. 

E podemos extrapolar daí que, inclusive a construção original de todos os conceitos básicos de pensamento estarão estabelecidos nessa fase.
Quem desejar ler os estudos sobre a fixação da mielina, eles foram publicados pela Brown University em 08/10/2013 em:
Recapitulando o que mais interessa aos educadores:
A criança entre os dois e quatro anos de idade deve estar sendo acompanhada e observada de forma muito bem planejada, para permitir a construção correta da sua base intelectual, emocional, psíquica e motora.
O ambiente rico em recursos didáticos com diversidade de formas, cores, movimentos, objetos, sons e imagens facilitará a formatação original de seu entendimento de mundo.
O ambiente bilíngue construirá, em seu cérebro, a estrutura linguística dupla, tornando-a fluente nesses dois idiomas, como se fosse nativa em ambos. Isso poderá ocorrer também para três idiomas.
Mas, volto a reforçar que:
O mais importante de tudo isso está na identificação de anomalias de desenvolvimento, como o TEA (Transtorno de Espectro Autista), por exemplo.
Essas anomalias poderão ter seus sintomas reduzidos ou até revertidos, já que nessa fase as intervenções pedagógicas terão muito mais efeito.

Um forte abraço.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

IUPE Educação: Avaliação e Certificação em Educação Inclusiva

IUPE Educação: Avaliação e Certificados de Alunos Especiais
Amigos,
As dúvidas agora são:
1.      Como podemos fazer o acompanhamento dos alunos especiais durante as aulas nas classes regulares?
2.      Como proceder em relação às avaliações periódicas?
3.      Como dar um certificado de conclusão se ele não consegue alcançar o mínimo exigido para uma ou mais disciplinas?

Para começar temos que esvaziar o pote! Isso significa que, enquanto estivermos “amarrados” a certos conceitos simplórios e reducionistas, não daremos um passo sequer em direção à educação inclusiva.

Primeira dúvida: ACOMPANHAMENTO

A primeira dúvida foi a do acompanhamento. Esse vai depender das características especiais de cada aluno. Já estamos publicando artigos e vídeos com procedimentos ligados a algum tipo de inclusão escolar. Os iniciais foram sobre as dificuldades cognitivas que existem, tanto nas crianças normais, como nas crianças com qualquer tipo de anomalia.

Todos os artigos e vídeos baseiam-se em análise de resultados alcançados pelas metodologias desenvolvidas e experimentadas por nós mesmos e pelos professores, e demais profissionais da educação, que fazem parte de nosso grupo de trabalho e de discussão.

Na continuidade de nossa análise teremos: TDAH e semelhantes; Dislexia e semelhantes; Autista e semelhantes; Síndrome de Down e semelhantes; Paralisias cerebrais e doenças degenerativas e assim por diante.

Segunda dúvida: AVALIAÇÃO

Essa dúvida é a da forma de avaliação a ser realizada com os alunos especiais. Vamos começar com o que dizem as normas em vigor.

A Recomendação nº 001/2013 do Ministério Público do Estado da Bahia deixa claro que as escolas devem tornar seu currículo flexível e criar metodologias de ensino, recursos didáticos e processos avaliativos diferenciados para atender às necessidades educacionais específicas de cada aluno.

O processo avaliativo, então, nada tem a ver com as avaliações periódicas do restante da turma.
Essas avaliações específicas devem ser preparadas com base no conhecimento que o aluno especial está demonstrando ser capaz de aprender, com a intenção de:

1.      Provar, para ele mesmo, o desenvolvimento da sua capacidade cognitiva:

Quando o professor prova para o aluno, por meio dessas avaliações, que ele está aprendendo alguma coisa, esse aluno melhora a sua autoestima, reduzindo e até, por vezes, anulando, os possíveis bloqueios emocionais existentes.

2.      Analisar, por meio dos resultados, se o processo utilizado está dando resultados positivos ou se precisa haver alguma modificação na metodologia:

Quando o resultado das avaliações não corresponde ao esperado, o professor deve analisar as seguintes possibilidades: Ou as avaliações foram preparadas fora da realidade cognitiva do aluno; Ou a metodologia precisa ser adequada à dificuldades apresentadas.

Terceira dúvida: CERTIFICAÇÃO

Essa é a referente ao certificado de conclusão de curso ou de terminalidade específica.

Caso o aluno, mesmo com dificuldades, consiga alcançar os níveis mínimos de conhecimento exigidos pelas diversas áreas do conhecimento, o certificado será o de conclusão tradicional.

Caso a anomalia não permita que ele alcance o nível exigido pelos sistema para conclusão daquela etapa de ensino, ele receberá o Certificado de Terminalidade Específica, que é a certificação dos estudos correspondentes à conclusão de ciclo ou determinada série/ano, conforme Lei nº 9.394/1996, art. 59, inciso II.   

No caso de comprometimentos cerebrais mais graves ou múltiplos, caso o currículo da base nacional não seja viável, deverá ser estabelecido um currículo funcional voltado para esse aluno, em especial.

Mas todo esse processo precisa estar sendo registrado, passo a passo, em pasta própria individual, constando de:

Dados individuais do aluno;
Ficha de avaliação;
Relatórios periódicos e contínuos sobre seu desenvolvimento;
Cópia das avaliações de habilidades individuais e das competências alcançadas pelo aluno, especificando todas as áreas do conhecimento em que isso foi constatado;
Histórico escolar contendo todo o conhecimento adquirido pelo aluno, constando as habilidades e competências construídas e, no campo de observações, ressalva quanto à caracterização do aluno como público alvo da Educação Especial;
Cópia do Termo de Certificado de Terminalidade Escolar Específica;
Registro de acompanhamento proposto ao aluno visando ampliar as suas possibilidades de inclusão social e produtiva;
Registro de regularidade de vida escolar.

Conselhos de Classe:

Todo esse processo deve estar sendo acompanhado e registrado nas Assembleias Oficiais dos Conselhos de Classe, para fundamentar as decisões necessárias à continuidade do processo de desenvolvimento do aluno, assim como para fundamentar a elaboração dos Certificados de Terminalidade Escolar Específica futura, caso isso seja necessário.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

IUPE Educação: Necessidade de Treinamento Parental

Dedicar-se a construir a aprendizagem de crianças e de adolescentes em um momento em que as famílias desistiram de dar a educação doméstica essencial aos seus filhos, é algo muito difícil.
Além de não terem a menor noção de, que sem lhes proporcionar limites e afeto, eles estarão criando verdadeiros monstros sociais, ainda tentam “superproteger” suas “pobres crianças” da “perversidade” dos professores e, se duvidar, ainda entram com ação judicial processando a escola por estar “constrangendo” seu pobre “bebê”.
E a aprendizagem fica pela metade! Na escola você orienta, mostra o caminho e determina o que deve ser feito em casa, mas em casa a situação fica mais difícil.
Ou os pais não estão em casa, ou, se estão, não dão qualquer tipo de exemplo de atividade intelectual. Poucos são os que seguem as orientações passadas durante os encontros de pais.
Mas há os que seguem tudo o que é recomendado. Os resultados são claros. Os filhos, além de melhorarem no conhecimento, ainda melhoram em comportamento. Surge a satisfação pessoal por estar se sentindo produtivo.
Ah! Se todos os pais agissem dessa forma! Se todos entendessem que investir na educação do filho é o melhor investimento para o futuro e uma família!
Hoje mesmo, bem cedo, tive que “engolir alguns sapos”! Um advogado me aparece pela frente e exige que, antes de dar uma punição em sua cliente (criança de 12 anos), a escola tem que dar a ela “ampla defesa”. Só depois disso pode ser enviado para casa o comunicado com a advertência.
Depois dessa, pensei, só fechando as portas definitivamente!
Fechar antes que comecem a chegar à porta da escola os ativistas de “Direitos Humanos”, para protestar contra a lista de exercícios de matemática, contra as redações, contra as provas, ou melhor, contra as notas baixas das provas, esses terríveis instrumentos de tortura psicológica que a instituição arcaica (segundo eles), chamada de escola, utiliza para perseguir seus pobres filhinhos!
A escola e seus professores, há muito tempo, já eram obrigados a complementar parte da educação doméstica que era realizada pelas famílias. Isso é perfeitamente natural, numa realidade em que pai e mãe precisam estar fora de casa trabalhando para sustentar o lar.
Depois de algum tempo essa “parte complementar” começou a aumentar de tamanho e, hoje, praticamente toda a educação doméstica tem que ser dada pelos professores, em sala de aula!
Isso seria aceitável, se pelo menos os pais, ao reconhecerem sua impossibilidade de educar, acompanhassem e apoiassem o trabalho feito por aqueles que o estão substituindo durante o dia!
Mas aí vem o “sentimento de culpa” em relação aos filhos e a vontade de “provar” para eles a presença afetiva que está faltando no seio familiar. E a forma que muitos pais acreditam que funcione para provar essa afetividade é apoiar o filho em tudo o que ele faz, mesmo que errado e, mesmo que tenha que ir contra os que estão ocupando o papel de pais, na educação que não está sendo dada em casa.
Esse é o grande perigo na deseducação atual! Esse forma equivocada de os pais tentarem compensar a sua ausência está servindo para piorar ainda mais o seu comportamento e, consequentemente, o seu desempenho escolar.
O resultado é a formação de jovens sem qualquer noção de respeito, de responsabilidade ou de ética, engrossando as fileiras da marginalidade, da corrupção e da desonestidade.
Surge, então, uma dúvida: Isso é uma evolução natural da sociedade ou é um descaminho social por incapacidade de adaptação ao progresso tecnológico e às exigências de mercado de trabalho?
Seja qual for a causa o que nos interessa é tentar, a todo custo, conscientizar as famílias sobre a importância da sua presença afetiva e limitadora na educação doméstica de seus filhos, para reduzir essas consequências destruidoras na sociedade.
Mas, como vamos fazer isso?
A sugestão, a médio prazo, mas que considero a mais eficaz, é o “Treinamento Parental”, encontros de orientação de famílias para o entendimento de seus filhos.
Quando os pais conhecerem as necessidades da criança em suas diversas fases, eles poderão evitar erros que são muito comuns na educação, e assim poderão reduzir, ou até eliminar, problemas emocionais e bloqueios, os mais diversos, que são os principais elementos causadores do comportamento irritado e agressivo do aluno atual.
Então, para concluir:
A maioria dos problemas que as crianças e os adolescentes apresentam em uma escola nada mais são do que consequências diretas ou indiretas de uma educação equivocada.
As famílias são as responsáveis pela educação de princípios de seus filhos, logo, são também responsáveis pelas falhas nessa educação.
As famílias, pais e mães, não aprenderam a educar filhos. Esse conhecimento vai sendo adquirido na prática e, consequentemente, recheado de erros e acertos.
As famílias são, então, responsáveis pela má educação, mas não são “culpadas” disso, já que não tiveram a devida orientação preliminar.
A única forma de tentar reverter esse erro é, então, promover a orientação das famílias por meio de encontros de Treinamento Parental.

domingo, 29 de setembro de 2013

IUPE Educação: Dificuldades de Aprendizagem 2


Dificuldades, Distúrbios e Transtornos de Aprendizagem

Uma das mais frequentes reclamações dos pais, nos dias atuais, é a dificuldade de seu filho em aprender alguma matéria e, em alguns casos, todas as matérias.

Junto com essa dificuldade surge também a falta total de interesse e a consequente preguiça para estudar.

Precisamos, então, diferenciar essas dificuldades daquilo que convencionou-se chamar de distúrbios, transtornos e outras anomalias.

Percebe-se, em quase todas as classes, que as dificuldades de aprendizagem, em uma ou mais matérias, estão presentes em mais de setenta por cento dos alunos.

Todos esses setenta por cento, então, possuem alguma espécie de dificuldade de aprendizagem, mas apenas alguns, cerca de sete por cento, possuem, além disso, alguma anomalia no funcionamento de suas redes neurais, o que torna essa dificuldade ainda maior e com características mais específicas.

Essas anomalias mais especiais provenientes de alterações no funcionamento das redes neurais, são: o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade); TDA (O mesmo transtorno, mas sem a hiperatividade); Dislexia; Discalculia; Disgrafia; Disortografia e outros.

Vamos enfocar primeiro as dificuldades presentes na maioria dos alunos, independentemente de terem ou não alguma anomalia de origem neurológica, para depois analisar as características específicas de cada um dos distúrbios e transtornos.

Dificuldade de Aprendizagem

As declarações mais comuns ouvidas em casa ou na escola são: “Não adianta eu estudar porque matemática não entra na minha cabeça!” ou “História eu estudo, estudo, mas na hora da prova não me lembro de nada!” E assim por diante.

Estamos diante de uma dificuldade de aprendizagem tradicional que, muitas vezes, carrega junto uma forte “falta de força de vontade” para tentar vencer esses desafios.

A baixa autoestima é uma das características mais comuns em quase todos esses casos.

Quais são as principais causas dessas dificuldades?

Causas das Dificuldade de Aprendizagem
Entre os principais elementos causadores dessas dificuldades está a comparação, feita por seus pais ou professores, com outras crianças da mesma idade, ou com seu irmão mais velho quando este estava na mesma fase de desenvolvimento cognitivo inicial.

Os adultos (pais e professores) custam a entender que cada criança tem a sua velocidade própria de aprendizagem e que, mais importante ainda, cada uma delas tem a sua própria forma para entender as informações que chegam.

Por não respeitarem essas características, é comum a criança ouvir que seu irmão, seu primo, seu colega ou seu vizinho já aprendeu tudo e ele... Nada!

Uma criança que ouve uma comparação dessas só consegue crescer na aprendizagem se tiver uma forte disposição para enfrentar desafios.

Caso contrário ela vai baixar tanto a sua autoestima ao ponto de criar bloqueios emocionais graves, prejudicando todo o seu desenvolvimento cognitivo.

Outro elemento disparador dessas dificuldades é a falta à aula ou a sonolência em sala, causando a “perda do ritmo” no acompanhamento das explicações de uma determinada matéria, principalmente matemática, fazendo com que lhe faltem bases para o entendimento do assunto atual.

O aluno chega à conclusão de que não entende nada da matéria, em vez de procurar estudar o que ficou para trás e assim poder voltar a acompanhar o ritmo da turma.

Essa perda do ritmo já pode ser, também, consequência de uma rotina inadequada ao período escolar, como: dormir muito tarde ou período de sono irregular ou mal programado; alimentação desbalanceada ou insuficiente ou exagerada; estresse cerebral devido a mais de uma hora seguida de exposição à jogos eletrônicos, computadores, video-games ou mesmo televisão; consumo desnecessário de energéticos e outros tantos fatores.

Superação das Dificuldades de Aprendizagem
Para vencer essas dificuldades deve-se analisar, junto com os pais, os principais elementos perturbadores da aprendizagem, e sugerir para a família:

Observar se o consumo de água está sendo suficiente e se a alimentação está balanceada;
Ajustar a rotina diária, determinando hora para estudo, hora para brincadeiras e hora de descanso;
Ajustar o período de sono para que seja suficiente e bem planejado;
Determinar tempo máximo de exposição à jogos eletrônicos e à programas de televisão;
Criar o ambiente para estudo em casa. O ambiente de estudo ideal é aquele em que o aluno percebe que as demais pessoas da família também estão em atividade semelhante;
Reconhecer o esforço do filho e estimulá-lo a melhorar mais;
Evitar criar expectativa de resultado imediato e ter muita paciência e dedicação.
O ajuste desses pontos precisa do apoio da família e, se bem feito, constituirá a base estrutural da sua recuperação cognitiva que, agora, precisará do apoio do professor para:

Identificar o nível de entendimento do aluno em sua matéria ou assunto;
“Provar” para o aluno que ele entende do assunto, mesmo que, para isso, tenha que voltar a assuntos anteriores que servirão de base para o entendimento da matéria;
Passar questionários ou listas de exercícios ou tarefas do livro ou módulo, dentro do seu nível de entendimento da matéria, mesmo que esteja defasado dos demais alunos da turma;
Estimular o aluno a realizar mais tarefas por meio do reconhecimento do seu esforço pelas que foram cumpridas;
Elogiar os acertos, utilizar a estratégia do “quase acertou” para os erros e passar sempre a imagem do entusiasmo.
Evitar criar expectativa de resultado imediato, para evitar desânimo de ambos, aluno e professor;
Realizar todo esse acompanhamento sem preocupação com o alcance do nível da turma, mas apenas o avanço real da aprendizagem em relação ao dia anterior.
Esse procedimento servirá, não só para os alunos normais com simples dificuldades de aprendizagem, mas também para todos os alunos que, além dessas dificuldades, apresentem características de qualquer anomalia cognitiva, incluindo as de origem neurológica.

No próximo texto analisaremos alguns dos mais frequentes distúrbios e transtornos de aprendizagem.