quarta-feira, 20 de maio de 2015

IUPE Educação: Dicas sobre Dificuldades de Aprendizagem

A constatação, pelos pais ou pelos professores, de algum tipo de dificuldade de aprendizagem, nem sempre é uma coisa muito tranquila.
Há pais que, por falta total de conhecimento, se negam a acreditar na existência de um problema real, que pode ser até um transtorno ou síndrome neuropsíquica, rotulando seu próprio filho de preguiçoso ou desinteressado.
Mas também há professores, profissão que exige esse tipo de conhecimento, que incorrem exatamente nesse mesmo erro! Insistem com o aluno para que ele realize algum tipo de atividade, rotulando-o de preguiçoso ou relapso, sem procurar identificar se existe algo a mais, além de uma aparente falta de vontade de raciocinar, estudar ou escrever...
Até mesmo a preguiça contumaz ou a aparente desatenção pode estar escondendo alguma espécie de mecanismo de defesa para camuflar uma dificuldade real. E essa dificuldade, que tanto pode ter origem em simples bloqueio emocional, como em alguma patologia neuropsíquica, precisa ser descoberta, identificada e acompanhada.
Se isso não é feito, os resultados são os piores possíveis para essa criança. A partir do rótulo de preguiçoso, desatento ou, pior ainda, burro, ela pode assumir forte sentimento de inferioridade perante seus irmãos, primos e colegas de rua e de escola, piorando ainda mais essa sua dificuldade.
O período escolar passa a ser um período de desespero, sacrifício, tristeza e revolta. Está criado um aluno cujas perspectivas de vida são as piores possíveis.
Ou ele vai apresentar uma característica de total apatia em sala de aula, ou vai tentar camuflar sua dificuldade, se mostrando inquieto, bagunceiro ou agressivo, mas dificilmente conseguirá, sozinho, vencer suas dificuldades para poder crescer intelectual ou emocionalmente.
Muitos desses alunos desistem de estudar e abandonam a escola, porque se sentem incapazes de aprender alguma coisa.
As consequências nós vemos todos os dias: o crescimento da população marginalizada, o aumento da criminalidade, o consumo e o tráfico de drogas, e muito mais.
O que precisamos, todos, entender, é que essa realidade pode ser revertida de forma muito simples, embora trabalhosa.
O segredo está na dedicação que nós, pais e professores, precisamos ter para entender cada uma das crianças em sua individualidade. Só assim poderemos identificar as características específicas de cada um e a forma que cada um deles apresenta para entender e compreender a nossa fala e os ensinamentos que queremos passar.
Quando, nesse processo de entendimento individual, encontramos dificuldades acima da média, está na hora de iniciarmos o processo de identificação dessas dificuldades, procurar ajuda dos profissionais adequados e iniciarmos a fase de acompanhamento especial, em casa e na escola.
A partir desse ponto, a depender do tipo de dificuldade, surgem diversos caminhos a percorrer:
Ao médico interessa identificar e iniciar o tratamento de alguma possível anomalia neuropsíquica, se houver.
Ao psicólogo interessa identificar e tratar alguma dificuldade comportamental, se houver.
Outros profissionais podem ser necessários, como o fonoaudiólogo e o nutricionista, por exemplo.
E a nós, pais e professores, interessa o seu desenvolvimento pessoal, emocional e intelectual.
Nosso ponto de partida é a identificação de suas habilidades atuais, mostrando ao aluno, a cada momento, do que ele é capaz, para elevar a sua autoestima, desenvolver a sua autoconfiança e criar força de vontade.
Em seguida o processo é, basicamente, utilizar essas habilidades para descobrir e estimular o desenvolvimento de suas potencialidades.
A continuidade desse processo permitirá a redução ou até a eliminação dos sintomas impeditivos de seu desenvolvimento, abrindo caminho para a construção da sua autonomia e o seu sucesso pessoal e profissional.
É muito importante que todos lembrem que, casos considerados perdidos, pela medicina, tornaram-se sucesso mundial, como, por exemplo a autista Temple Grandin, que continua autista, mas que é, hoje, pós doutora em ciência animal, cientista reconhecida mundialmente, palestrante internacional e professora universitária.
A ciência médica ainda não entende o que ocorre nesses casos, mas o esforço dos pais e professores é a grande diferença!
Dúvidas? Comentários? Críticas? Escreva para mim. robertoandersen@gmail.com
Mais detalhes? Leia meu BLOG:  robertoandersen.blogspot.com

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quinta-feira, 23 de abril de 2015

IUPE Educação: Mal de Alzheimer - dicas para evitá-lo

Amigos: Vamos fazer uma pausa nas dicas de educação infantil e vamos dar atenção aos adultos e idosos em um assunto que está preocupando muita gente, que é o MAL DE ALZHEIMER.

Os caminhos para o entendimento desse mal e, logicamente, para o desenvolvimento dos meios para a sua cura, estão aparecendo.

Num desses caminhos alguns pesquisadores já conseguiram meio de recuperar a bainha de mielina, na substância branca cerebral, enquanto outros conseguiram eliminar placas de uma proteína chamada de BETA AMILÓIDE, nos vasos sanguíneos do cérebro.

Ainda não se sabe qual desses caminhos será o mais correto, mas as pesquisas continuam.

Mas o nosso foco não é a cura. Nosso foco está em divulgar algumas dicas que, segundo outras linhas de pesquisa, podem evitar que o Alzheimer seja iniciado.

Então, vamos lá:

Três fatores estiveram sempre presentes na vida da imensa maioria dos pacientes que desenvolveram o Mal de Alzheimer:

- A predisposição genética

- O estresse

- A ociosidade neural

Não podemos eliminar a predisposição genética enquanto os estudos sobre o epigenoma humano (assunto interessantíssimo) ainda não apontar para essa possibilidade.

Mas podemos atacar, tranquilamente, os outros dois fatores:

Estresse, por exemplo, precisa que você:

- Primeiro: reorganize a sua vida, eliminando coisas inúteis da sua rotina e alterando todas as formas de cumprir suas obrigações de maneira a transformá-las em prazer;

- Segundo: crie seus próprios momentos de lazer e de nada fazer!

E a Ociosidade Neural?

Ou seja: Tem parte do cérebro que está com teia de aranha de tanto ficar parada.

Então:

- Leia qualquer livro.

- Compre um caderno de anotações e escreva sobre o que está lendo.

- Aproveite um momento de refeição em família e crie conversas e debates sobre os assuntos que você está lendo.

- Vá passear e depois escreva sobre tudo o que viu e sentiu. Se conseguir, faça isso em forma de poesias.

- Converse com todos um pouco, todos os dias em que a oportunidade surgir, não muito tempo com cada um, para não perturbar ninguém...

E aproveite cada minuto de sua vida, apreciando todos os detalhes, as imagens, os sons, os aromas, as sensações.

É o famoso CARPE DIEM, para quem assistiu a Sociedade dos Poetas Mortos...


Viva feliz e diga adeus ao Mal de Alzheimer!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

IUPE Educação: Fase oral e a polêmica da chupeta


SEGUNDA DICA DA FASE ORAL - CHUPETA NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA

Nas dicas do encontro anterior, fiz questão de frisar que BEBÊ não pode ser sinônimo de CRIANÇA DE COLO.

Hoje vamos mais além, mas ainda na fase de zero a um ano e meio, que foi chamada por Freud de FASE ORAL.

A criança já nasce trazendo toda uma formação de hábitos que vão aparecer no futuro. Isso significa temperamento, emotividade, intelectualidade e tendências comportamentais. Mas embora toda essa informação já exista em sua memória ela, ao nascer, está fisicamente impotente.

Ela precisa sobreviver! E sua sobrevivência depende da alimentação adequada.

Nessa hora a fabulosa máquina cerebral mostra a sua cara, fazendo surgir a energia do instinto de satisfação oral. Essa satisfação é primordial para evitar a geração de futuras neuroses nessa criança, quando ela vier a se tornar um adolescente ou adulto.

Esse instinto impulsiona a criança a procurar seu alimento. E como o impulso para a alimentação é pelo sugar dos seios da mãe, Freud denominou essa fase de fase oral, ou seja: a libido pela boca.

Há crianças que se sentem totalmente satisfeitas após o ato de mamar, mas há aquelas que sentem necessidade de continuar sugando, mordendo, e levando tudo o que encontra à boca, independentemente de ter fome ou não.

Por isso, uma das dicas mais importantes nessa fase é estar atento aos sinais de que a criança precisa de algo além do simples ato de mamar.

Se isso for constatado, somos obrigados a oferecer-lhe uma chupeta, um mordedor ou coisas semelhantes.

Óbvio que seremos condenados imediatamente pelos fonoaudiólogos. Eles estão certos. Afinal, a preocupação deles é evitar que a arcada dentária seja prejudicada pela chupeta, mesmo aquelas chamadas de ortodônticas.

Mas nós não vamos dar chupeta para a criança que está satisfeita. Apenas para aquela que demonstrar insatisfação, porque insatisfação gera insegurança futura. Então, essa que se mostra insatisfeita, precisa da chupeta.

E eu, pelo menos, prefiro vir a pagar, futuramente, um tratamento ortodôntico para um filho dentuço, mas feliz, do que ser obrigado a pagar um tratamento psicanalítico para um filho com arcada dentária perfeita, mas neurótico...

Posso estar enganado em relação a essa minha recomendação e posso ser muito criticado por isso, mas é exatamente o que acredito!

E por que razão isso é tão importante?

Porque a insatisfação, nessa fase, vai provocar o nascimento de futuras neuroses.

Entre elas estará a desconfiança das pessoas e do ambiente em que ela vive.

A criança satisfeita nessa fase terá mais confiança nas pessoas e no ambiente, além de criar paz interior e ter mais equilíbrio emocional.

A segunda dica da fase oral, então, é a chupeta.

Essa é a fase da chupeta e do mordedor.

Mas, para atender aos fonoaudiólogos, a criança logo deixará essa fase, lá pelos seus dezoito meses... E a chupeta será “jogada fora”!

A dica de hoje, ainda na FASE ORAL, foi sobre a chupeta.

Dúvidas, críticas, questionamentos, sugestões, ou se desejar adquirir um dos meus livros, entre em nosso portal e clique na capa daquele que mais lhe interessa.

IUPE.WEBNODE.COM

É sempre um prazer estar aqui conversando com você!


Um forte abraço e até o nosso próximo encontro.



sábado, 4 de abril de 2015

IUPE Educação: Transtornos de comportamento ou criança superdotada?

SOCIEDADE PRECISA ENTENDER AS CRIANÇAS SUPERDOTADAS

A inteligência superior de uma criança empolga os pais, mas precisamos "jogar um balde de água fria" nessa empolgação, para evitar que essa superinteligência esteja camuflando sintomas de um comportamento pervertido e criminoso, que se não for detetado a tempo, poderá trazer consequências perigosas para a própria criança e para o seu grupo social.

As duas fotos anexas mostram dois extremos de crianças superdotadas.

A de camisa azul quadriculada, com cabelo à "pica-pau", teve afeto e imposição de limites desde o nascimento, com exemplo de caráter dado por seus pais e pelos demais membros de sua família, independentemente de se mostrar superinteligente.

Sua superinteligência nunca fez seus pai esquecerem da sua formação de caráter, nunca foi "apresentado socialmente" como o super inteligente da família, e sua performance educacional está sendo acompanhada pelos seus professores, apresentando excelentes perspectivas de futuro.

Já o de camisa preta, de cabelos loiros, foi criado como o inteligentezinho da família, sempre teve afeto, mas sem qualquer imposição de limites, e sem que houvesse exemplo familiar de caráter. 

Atitudes de características perversas com seus colegas eram consideradas "normais da idade", tanto pelos pais como peplos professores.

Não foi percebido, nessa criança, o desenvolvimento de uma personalidade pervertida, com instintos de crueldade e sintomas psicóticos, já que todo o "foco" estava em sua genialidade.

Matou seu próprio pai, após uma pequena desavença, e está em processo de julgamento e condenação pelo crime de assassinato. Sua personalidade, agora detetada, é de perversidade psicótica grave.

ERROS DE ENTENDIMENTO:


As fases de formação da criança nunca devem ser desprezadas. Pais e professores devem se informar das características principais de todas essas fases, tanto para permitir um excelente desenvolvimento de cérebro de seus filhos, como para detetar possíveis sinais de perversão psicológica ou até psíquica, para que sejam tomadas providências imediatas e iniciado os tratamentos adequados.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Arte no riacho

E a água vai, linda, voluntariosa, decidida, mas trazendo a infinita sabedoria que a leva a contornar, com arte e com amor, todos os obstáculos à sua frente.
Mais do que, simplesmente, o ato de contornar, ela consegue, em seu maravilhoso percurso, transformar tudo o que faz em arte.
A primeira, e a que mais nos chama a atenção, é a arte visual, pela beleza cristalina de sua imagem, refletindo raios da luz incidente e recheando de espumas os contornos das pedras.
Em seguida surge a arte auditiva, sentida pela beleza harmônica das ondas sonoras, essas sendo o resultado do agradável roçar de seu curso nas arestas das pedras.
 E, se estivermos parados em sua margem, sentiremos também a sua arte olfativa, provocada pelo estimular da vegetação, banhada pela sua passagem, produzindo uma imensa diversidade de aromas, com a sutileza desse roçar afetivo entre dois reinos distintos, o mineral e o vegetal.
Quanta sabedoria em um simples ato de contornar os obstáculos, mas deixando a sua marca, por meio de seu contato afetivo, repleto de uma energia transformadora, a energia do amor!
Quanta sabedoria ela demonstra, conseguindo, sutilmente, com o passar do tempo, tornar lisas e arredondadas, todas as pedras que, antes, só apresentavam arestas perigosas e ameaçadoras!
Essa é a sabedoria da água do riacho, essa é a sabedoria de uma artista que já nasceu assim, humilde, da nascente à foz, crescendo no percurso, muito forte ao se transformar em cachoeira, e desafiadora ao encontrar a imensidão do mar.


quarta-feira, 11 de março de 2015

IUPE Educação: Dicas sobre avaliação processual

Amigos,

Uma das coisas mais mal entendidas na educação é o processo da avaliação, a começar pelo desentendimento de qual deveria ser o seu objetivo real.

O objetivo da avaliação está diretamente ligado aos objetivos da educação, mas também está diretamente ligado aos objetivos da escola.

Se o objetivo da escola for selecionar os melhores, mais capazes, mais estudiosos e mais inteligentes alunos, para que a escola seja bem vista pelo público em geral, o objetivo das avaliações passam a ser reprovar os que apresentarem dificuldades, para que sobrem apenas os melhores e, com isso, a escola terá sempre os melhores índices de aprovação em provas, concursos e tudo o mais.

Mas se o objetivo da escola for o de garantir aprendizagem real para todos os seus alunos, incluindo aqueles que apresentem dificuldades de aprendizagem e anomalias neuro-psíquicas, o objetivo da avaliação passa a ser a análise permanente das metodologias utilizadas, a adaptação dessas às características cognitivas dos alunos e a criação de novas.

Para esse segundo caso, que é o que eu recomendo, precisamos criar meios de acompanharmos, passo-a-passo, o desenvolvimento de cada aluno, para que as intervenções sejam realizadas imediatamente, sempre que uma dificuldade for detetada.

Para facilitar esse acompanhamento individual, sugerimos que a aula seja dividida em duas etapas:

A primeira etapa é a apresentação do assunto, que deve ser na forma de marketing, propaganda, trailler de filme, etc. Ou seja: O professor estimula os alunos de forma que todos fiquem interessados e curiosos sobre o tema. Nessa apresentação o professor dá os conceitos principais e ensina o básico do assunto.

A segunda etapa, que deve ocupar todo o restante do tempo de aula, o professor coloca os alunos em grupos operativos e distribui, para cada grupo, o estudo dirigido sobre o restante do assunto. Nessa etapa o professor visita cada grupo para observar o trabalho, orientar a sua realização, tirar as dúvidas e, ao mesmo tempo AVALIAR o processo de trabalho em grupo, Essa avaliação já deve ser registrada, para que sejam detetadas as dificuldades cognitivas, as dificuldades criadas por relaxamento e preguiça, e as habilidades que possam surgir.

Na terceira etapa o professor passa tarefa para casa, deixando claro que a tarefa também estará sendo avaliada, só que essa de forma individual.

A quarta etapa é constituída por testes e provas, individuais ou em grupo, sempre que terminar um capítulo do assunto, para que as dúvidas sejam acompanhadas assim que elas surgirem, e nunca ao término de uma unidade letiva.

A coordenação deve reunir todos esses dados e relatos de todos os professores, para que seja realizada a análise das características cognitivas e comportamentais dos alunos e irmos para a quinta etapa, que é:

Quinta etapa: Análise, pelo Conselho de Classe, do desenvolvimento de cada aluno e das alterações que devam ser feitas nas metodologias, visando a aprendizagem real de todos.

Vamos aplicar e vamos discutir os resultados.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Neurociência: Inteligência Espacial

Dê um tempinho em suas atividades rotineiras, para que possamos discutir um pouco sobre uma das diferenças bem interessantes, entre a inteligência espacial do homem e a da mulher.

Imaginem duas situações bem diversificadas para facilitar a nossa análise.

A primeira observação pode ser realizada nos estacionamentos de grandes shoppings, quando a pessoa volta para o carro. .

A segunda pode ser em sua casa mesmo, quando a pessoa procura uma meia na gaveta de seu próprio armário.

Todos os meus alunos em disciplinas ligadas à neurociência já sabem qual o resultado dessas observações.

O homem, ou pelo menos a pessoa que tem seu cérebro com características predominantemente masculinas, passa com nota dez (10,0) na primeira, achando o carro sem qualquer dificuldade, mas é reprovado com zero (0,0) na segunda, nunca conseguindo achar coisa alguma em sua própria gaveta.

A mulher, ou pelo menos a pessoa que tem seu cérebro predominantemente feminino, acha qualquer coisa em qualquer gaveta ou bolsa, mas no shopping center ela é obrigada a pedir carona no carrinho elétrico da segurança, para procurar seu carro em toda a extensão do estacionamento e em todos os andares.

Qual será a causa dessa diferença fundamental entre os gêneros?  

Tenho discutido muito isso com meus colegas de pesquisa, mas só constatamos o fato sem conseguir, até hoje, encontrar alguma causa mais evidente, que deverá estar na formatação das redes neurais de um e de outro.

Um dos "chutes" que eu dei (podemos chamar de hipótese, para ser mais científico), mostra a possibilidade de, no homem, devido à evidência de um desenvolvimento menos harmônico entre os dois hemisférios cerebrais, permitindo um desenvolvimento maior do hemisfério esquerdo em detrimento do direito, ter desenvolvido, como compensação por essa deficiência, uma espécie de GPS automático, que poderia estar localizado no cerebelo ou no tronco encefálico, que são as áreas da parte automatizada de nossa mente.

Já a mulher, por ter seu cérebro desenvolvido harmonicamente, e  tendo uma elevada potencialidade intelectual associativa, não teria necessidade dessa compensação e, portanto, não teria o tal do GPS.

Esse "chute" explicaria a facilidade do homem em encontrar seu carro e, no caso da mulher, a necessidade dos grandes estacionamentos terem seus carrinhos elétricos de "procurar carro de mulher"...

Já para o segundo caso, a procura de objeto na sua própria gaveta, não consegui desenvolver ainda nenhuma hipótese, mas a partir do momento que basta pedir a esposa para procurar a sua meia, não precisamos perder tempo com essas bobagens... Elas são excelentes nisso!

Até aqui todos os meus alunos já sabem, A novidade começa agora:

Esse assunto começa a entrar, a partir de agora, no "rol" das pesquisas científicas sérias, realizadas pelos mais importantes institutos neurocientíficos do planeta, já tendo rendido, inclusive, um prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina, para os cientistas John O'Keefe, May-Britt Moser e Edvard I. Moser.

Eles descobriram as células cerebrais que trabalham exatamente como um "GPS Interno", exatamente com a função de localização espacial. Os estudos deles, para quem deseja ter mais detalhes, foi publicado nas revistas Hippocampus, EMBO Molecular Medicine, Scandinavian Journal of Neuroscience e Encyclopaedia of Cognitive Science. Fica fácil acessar pelo google.

O caminho dessa pesquisa está aberto a todos os interessados e espero que possamos, a partir disso, conseguir descobrir como essas células funcionam em, principalmente, qual a razão de não funcionarem corretamente no cérebro feminino.

Vou ter que terminar esse artigo aqui, para buscar minha esposa no Salvador Shopping. Ela perdeu o carro dela... Mas vou sem meia, porque não consegui achar nenhuma em minha gaveta...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O PERIGO DO FUNDAMENTALISMO

Um parque temático criacionista, com arca de Noé e tudo, não deixa de ser bastante interessante para que as crianças e os adolescentes tomem conhecimento dos conceitos religiosos sobre a vida humana e as origens de nosso universo.

Mas há que se ter muita atenção para o SINAL AMARELO e que pode se tornar SINAL VERMELHO, a qualquer momento, relacionado ao perigo iminente de, mais uma vez, o mundo estar diante de um fanatismo criminoso, gerado pelas exageradas formas de pensar dos fundamentalistas cristãos!

Interrompo aqui para deixar bem claro (e todos os meus amigos e alunos sabem disso) que tenho minhas convicções religiosas e, portanto, não sou contra a religiosidade individual, mas sim, contra qualquer forma de fanatismo, principalmente o fanatismo proveniente do fundamentalismo ortodoxo de alguma religiões.

Vamos ficar atentos ao que está ocorrendo e fazer um paralelo com o que pode vir a ocorrer se ficarmos aceitando o crescimento do fundamentalismo cristão:

Quando as pessoas leem as notícias sobre as barbaridades cometidas “em nome de Alá” pelos radicais islâmicos autodenominados Estado Islâmico do Iraque e Síria (ISIS), podem ser levados a acreditar que a cultura islâmica sempre esteve nesse patamar de radicalismo fundamentalista, negando toda a evolução científica e abominando a construção do conhecimento.

Não é nada disso!

Quando Maomé, o profeta, fez surgir a religião muçulmana na Península Arábica no século VII, além de não ir contra a ciência já desenvolvida pelos Egípcios dos Ptolomeus e os Persas dos Sassânidas, ainda estimulou o seu desenvolvimento.

O próprio Alcorão, utilizado incorretamente hoje para justificar o assassinato daqueles que tentam evoluir culturalmente, é claro na valorização que faz da ciência, principalmente da ciência médica, considerando-a como arte próxima de Deus.

A evolução do conhecimento pelo mundo islâmico foi tal que, não só absorveu o pensamento grego, traduzindo para o árabe os escritos de Platão e Aristóteles, como partiram para o questionamento das especulações filosóficas gregas, enveredando para a observação dos fatos e a experimentação científica.

Assim surgiu a álgebra, assim surgiu o zero na numeração e a consequente evolução da matemática, assim evoluiu o estudo da trigonometria e com isso houve grande avanço nas aplicações práticas desses estudos, como ocorreu na geografia, na cartografia e na astronomia.

Esse avanço cultural foi obra de diversos cientistas, como: Al-Biruni (973-1050), que já havia concluído, de forma empírica, que o universo todo está sujeito às mesmas leis naturais, seiscentos anos antes de Galileu Galilei dizer isso; Al Hayzam (965-1040), que foi precursor nos estudos de ótica, observando, experimentando e concluindo a forma da propagação dos raios de luz, muitos séculos antes dos físicos reconhecidos pela ciência atual; Al-Khwarizmi (780-850), que foi um dos cientistas mais famosos nos estudos da álgebra; Omar Khayyam (1048-1131), poeta e matemático encontrando soluções geométricas para todas as formas de equações cúbicas; e muito mais.

Mas houve o declínio rápido de tudo isso, no final do século XI, e esse é o ponto importante de nossa questão.

Houve as invasões mongóis que, de certa forma, provocaram um certo desânimo entre os sábios da época.

Mas o elemento mais importante para que fosse iniciado um verdadeiro retrocesso na produção intelectual islâmica foi, sem dúvida alguma, a ascensão, ao poder, das dinastias islâmicas conservadoras, fundamentalistas e radicais.

Elas começaram a conseguir mudar a própria forma de pensar de grande parte do povo e, uma das “chaves” para provocar o rápido declínio do pensamento científico, foi a interpretação que esses ortodoxos deram ao Alcorão, considerando a ciência como inimiga da crença em Alá!

Hoje acompanhamos as notícias de crianças sendo assassinadas nas escolas pelo simples fato de estarem ali para aprender! Aprender é pecado contra Deus!

E o que tem o cristianismo e os Estados Unidos com tudo isso?

A ciência está evoluindo bastante nos países ocidentais cuja predominância religiosa é o cristianismo.

A ciência nesses países não evolui devido ao cristianismo, nem do budismo, nem do espiritismo, nem do bramanismo, mas sim de forma independente, sem sofrer limitações de nenhuma delas.

Há cientistas de todas as religiões, assim como há os materialistas, os ateus, os agnósticos, os panteístas e mais uma série infindável de crenças e descrenças, mas todos produzindo conhecimento, sem qualquer interferência religiosa.

O respeito entre ciência e religião se dá quando:

1. A sociedade compreende que crença é produto do sentimento e da emoção interior de cada pessoa;

2. O desenvolvimento científico é uma necessidade da humanidade para fazer frente aos desafios enfrentados a todo momento;

Um parque temático desses é maravilhoso, para mostrar às crianças, a forma religiosa de entender a evolução da humanidade.

O perigo é não permitir o ensino das origens do ser humano nem do universo segundo as demais linhas do pensamento científico, como assim fizeram os fundamentalistas do Islã.

Se esse radicalismo fundamentalista cristão sair vencedor, o que lemos hoje sobre as barbaridades cometidas pelo Estado Islâmico, leremos amanhã com outros personagens, dessa vez, os Estados Unidos Fundamentalistas Cristãos...

http://noticias.gospelprime.com.br/parque-tematico-do-cria…/

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

Afetividade Adolescente (reedição)

Em dezembro de 2008, ao  ler um artigo de Márcio Ferrari na Revista Nova Escola, onde ele lembrava idéias de Winnicott sobre a brincadeira e a criatividade, lembrei-me que essas duas necessidades, brincar e criar, estavam, e ainda estão, desprezados pelos pais e pelos professores.

Pais e professores andam tão ocupados com o seu dia-a-dia que esquecem que são eles os responsáveis pelo ensino dos jogos, dos passatempos e das diversões sadias para seus filhos e alunos.

Já não se ensina praticamente nada à criança, deixando essa função ao encargo da televisão e dos jogos no computador.

Para o adolescente, então, é que esses ensinamentos mais fracassam, pois é o momento em que essa criança, já alcançando a puberdade, passa a ser encarada como um quase adulto! Eles passam a ter nas redes sociais os seus professores e mestres.
Sempre soubemos que é primordial o afeto, o controle e o respeito durante a educação da criança, mas isso passa a ser mais importante ainda no momento em que essa criança se torna um adolescente, que é o período em que as mudanças naturais trazem conflitos dificílimos e, para piorar as coisas,  sua capacidade intelectual cai a níveis baixíssimos.
Exatamente nesse momento os pais começam a abandoná-los, alguns com a desculpa de que eles não admitem mais controle e não gostam de muita afetividade. Mas, na realidade, eles querem e precisam tanto da afetividade como do controle, mas não têm escolha, já que a mãe perde a coragem de ouvir os segredos da filha e o pai acha que o filho, sendo homem, já sabe tudo da vida e não precisa de sua ajuda.
Professores e pais transformam esses adolescentes em adultos antes do tempo, induzindo-os a largar as brincadeiras juvenis e a pensar como eles, em família, em trabalho e em sexualidade, sem que estejam no momento certo para assumir tais responsabilidades.
A mídia enfatiza apenas o namoro e a prevaricação, abandonando qualquer referência a jogos e brincadeiras para essa idade, eliminando totalmente as opções de lazer e atividades lúdicas. Sobram apenas os jogos nos computadores e videogames, elementos que ajudam no desenvolvimento da velocidade de raciocínio, se limitado em uma hora por dia, mas que trazem danos graves e definitivos na capacidade de raciocínio futura, quando excedido esse limite.
Esses adolescentes "precocemente adultecidos" criam um "self" totalmente falso, construindo uma personalidade ansiosa e angustiada, cujas consequências podem ser desastrosas para eles e para seus pais. A falta da criatividade proveniente da falta de brincadeiras, jogos e diversões, somada a ausência de afetividade e controle, provoca o nascimento de distúrbios emocionais graves e a consequente procura por "tribos" que os acolham.
Surgem, então, as drogas, a banalização da sexualidade, a revolta social e a agressividade, que são apenas algumas dessas consequências, fruto da busca por alguém ou algum grupo que o ampare nesse período de necessidade afetiva insatisfeita.
A solução está no oferecimento de opções prazerosas e construtivas: opções de jogos ao ar livre, preferencialmente vôlei, basquete e natação, que alongam, satisfazem a liberação de energia e acalmam; opções de jogos de mesa e tabuleiro, preferencialmente xadrez, que junta o lúdico com o estímulo ao desenvolvimento do raciocínio lógico (hemisfério esquerdo cerebral); opções de passeios por parques, zoológicos e campos, provocando o contato com a natureza e o despertar da mentalidade social e ecológica; opções de idas a teatros, exposições de arte, apresentações de orquestras e espetáculos de dança, estimulando o hemisfério direito cerebral e facilitando a harmonia intelecto-emocional e criativa.
Tudo isso é possível e eu digo mais: é nossa obrigação, como pais e professores. Afinal ninguém, além de nós (nem governo, nem mídia, nem ninguém), está interessado em formar cidadãos verdadeiramente felizes e satisfeitos consigo mesmos e, conseqüentemente, livres de ansiedades e angústias.

Não há esse interesse porque esse tipo sadio de gente não dá lucro consumista, já que estão satisfeitos e felizes em suas brincadeiras, seus jogos ao ar livre e suas diversões em passeios aos parques, sem necessidade de completar suas angústias por meio de excesso de consumo.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Science: Talking about some challenges


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

ELITE OU POVÃO?


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sexualidade Humana - parte 1

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domingo, 7 de setembro de 2014

FREUD X Academicismo retrógrado e monopolista

A cada descoberta de um texto de Freud que não havia sido amplamente divulgado, mais fica evidente a sua genialidade!
Ainda esse ano, quando tive a oportunidade de proferir um curso de extensão sobre "Interpretaão dos Sonhos" pude mostrar aos alunos que:
O atual avanço da neurociência rumo ap entendimento dos conceitos freudianos, já estava previsto por ele, antes msmo do início de sua maior obra, que foi "Interpretação dos Sonhos".
Mesmo sem ter acesso aos equipamentos neurocientíficos que só hoje encontram-se disponíveis para os estudos das intrincadas relações entre os processos eletroquímicos das nossas redes neurais e as sensações e sentimentos de nossa psique, ele já delineava tudo isso em seu "Projeto para uma Psicologia Científica".
E hoje surge mais uma excelente lembrança sobre essa genialidade, agora na defesa da psicanálise praticada por leigos.

Segundo as palavras de Freud:
“Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopolizá-la.”
E para explicar melhor a sua afirmativa, Freud completou:
“Os médicos nos Estados Unidos, e ocasionalmente também na Europa, procuram monopolizar para si a psicanálise. Mas seria um perigo deixa-la exclusivamente nas mãos dos médicos, pois uma formação estritamente médica é, com frequência, um empecilho para o psicanalista. É sempre um empecilho, quando certas concepções científicas tradicionais ficam arraigadas no cérebro do estudioso.”
Precisamos trazer essa genialidade Freudiana para alertar os nossos atuais doutores de todas as áreas científicas que:
Em primeiro lugar, é necessário reconhecer a nossa real incompetência na compreensão verdadeira de todos os detalhes de nossos próprios estudos e pesquisas.
Sempre haverá algo a mais a aprender, já que sempre surgirá mais um elemento, antes desconhecido, que mudará o nosso próprio entendimento de cada um desses assuntos.
Em segundo lugar, é importante ter sempre a humildade para ouvir e procurar compreender os resultados apontados pelos pesquisadores das demais áreas científicas, mesmo que sejam áreas consideradas menos nobres, pela academia tradicional.
No momento em que “(...) certas concepções científicas tradicionais ficam arraigadas no cérebro do estudioso (...)”, surge uma espécie de “cegueira para a transdisciplinaridade”.
Essa “cegueira” impede a observação de fatos e evidências que, se fossem levadas em consideração, poderiam acelerar bastante a descoberta de soluções para os sérios desafios que a sociedade enfrenta todos os dias.
Freud reconheceu a incompetência da neurologia da época, para o encontro de solução para as neuroses. Partiu, então, para o entendimento psicológico da doença, saindo das garras da medicina tradicional.
Ele conseguiu se libertar do raciocínio lógico da medicina tradicional e adentrar o raciocínio típico da psicologia e das ciências sociais, encontrando o caminho para a criação da psicanálise.
A psicanálise, então, não se prende a raciocínio tradicionalmente médicos. Muito pelo contrário, liga-se ao entendimento global da psique humana, o que envolve todas as ciências.
E hoje não é só a medicina tradicional quem quer monopolizar a psicanálise, mas sim a psicologia e a psiquiatria. Mas, para desespero de todos eles, quem está chegando mais perto do entendimento da psique é a neurologia, formação primeira de Freud, tornando realidade o seu “Projeto para uma Psicologia Científica”.
Ou seja: Fechar uma área acadêmica em redor de si mesmo emburrece a academia e dificulta a eficácia de seus resultados. Abrir-se para a multidisciplinaridade, amplia os horizontes e permite o verdadeiro avanço da função social das universidades.

Freud explica...


sábado, 19 de julho de 2014

A índole perversa de uma criança com quatro anos de idade

Abrir um "link" de vídeo, no facebook, e assistir a uma criança de quatro anos cometer frequentes atos de pura perversidade com crianças ainda mais novas, é algo que me deixa perplexo e revoltado!
Talvez alguns de vocês já tenham assistido a algum desses vídeos, onde uma menina americana é mostrada como assassina em potencial.

Pior quando recebemos relatos de colegas, comentando casos semelhantes ocorridos nas suas escolas. Isso mostra que, ou tais fatos estão se tornando mais frequentes, ou a instalação de câmeras de segurança passou a permitir a constatação do que já existia, mas que não tomávamos conhecimento.

Num desses relatos mais recentes, um menino de quatro anos mantém algumas características que precisam de análise:

Ele ainda se diverte, no banheiro, brincando com as  próprias fezes, espalhando-as por todas as paredes;
Ele  mostra comportamento muito agressivo.
Ele tem um irmão mais novo que age da mesma forma.
A mãe está grávida de mais um.

Os comportamentos inadequados existem. A agressividade, infelizmente, está mais comum do que o minimamente aceitável como exceção.  que precisamos, então, é o entendimento básico dessas situações, para tentar reduzir a sua incidência nas comunidades onde estamos trabalhando.

Fica muito difícil partir do zero, ou seja, sem recorrer ao conhecimento já analisado e divulgado por alguns dos teóricos, como Freud, Wallon, Erikson, Piaget, Wygotsky, Richard Dawkins e vários outros. Além disso precisamos, é claro, adaptar essas teorias ao nosso público alvo em seu contexto atual.

Nossas conclusões, mesmo assim, poderão estar incorretas, já que cada criança tem suas particularidades, o que torna algumas delas únicas em sua característica comportamental.

Sabemos, como base psíquica, que todas recebem, no momento da fecundação, uma programação original composta de determinantes genéticos (genes) e determinantes meméticos (memes). Essa herança já pode estar trazendo componentes importantes para o desenvolvimento de anomalias psíquicas e comportamentais.

Os genes continum sendo estudados e, a cada dia, surgem mais descobertas, mas quase todas relacionadas ao desenvolvimento orgânico. É a análise do SOMA.

Os memes (que foram apresentados por Dawkins em sua obra: "O gene egoísta") seriam os responsáveis pela herança culrtural, passada de geração em geração, independente da influência do maio. É a análise da PSIQUE.

Soma e psique, em sua formatação original, são alteradas, a partir da fecundação, pelos diversos fatores externos, muitos durante a gravidez e outros a partir do nascimento.

Violências físicas, sexuais ou mesmo violências simbólicas, são importantes elementos na alteração de toda a programação original e, também, da provocação do momento do disparo de alguma anomalia psíquica pré-existente.

Teremos, então, alguns caminhos a seguir, e eu destaco dois:

Um deles é o entendimento das causas e a análise da possibilidade de elas serem eliminadas ou reduzidas, não somente para reduzir o problema da criança em observação, mas para evitar que outras sofram a mesma influência.

Outro é o processo de tentativa de recuperação dessa criança. Em caso de esses comportamentos serem característicos de neuroses, os caminhos mais adequados são as terapias comportamentais, terapias ocupacionais, terapias psicanalíticas e, principalmente, exercícios de vivências de valores humanos.

Alguns desses procedimentos podem, e devem, ser realizados na própria escola, como as terapias ocupacionais e a vivência de valores humanos, preferencialmente por profissionais de psicopedagogia.

Outros devem ser realizados em atendimento específico, preferencialmente por psicólogos (quando for constatado que o problema é comportamental), ou por psicanalistas (quando for constatada uma neurose), ou por psiquiatra infantil (quando estiver caracterizada, na criança, uma realidade distante do real).

Para saber em que caso a criança se enquadra, é bom que os psicopedagogos da escola tomem o devido cuidado para não entender que todas as crianças devem apresentar o mesmo padrão de comportamento. Isso nunca será verdade!

Há crianças que gostam de brincar com as fezes. Se ela estiver na faixa etária da fase anal (aproximadamente entre um ano e meio e três anos), essa paixão pelo cocô é perfeitamente normal, para desespero dos pais... (Veja as explicações nas páginas 81 em diante do meu livro "Afetividade na Educação - Psicopedagogia"). Só precisamos dar a ela a oportunidade de se lambuzar com argila molhada, por exemplo, o que será mais tranquilo para os pais e substituirá a paixão pelo cocô, com a maior naturalidade.

Esse menino, do relato, já tem quatro anos, mas pode estar ainda nessa fase. A experiência da argila ou coisa semelhante poderá eliminar a paixão pelo cocô.

Se não eliminar, nem essa paixão, nem a sua agressividades, o ato de se sujar (e sujar o banheiro) pode estar sendo o extravasar de um sentimento de sadismo. Esse sadismo pode estar relacionado a alguma violência sofrida quando mais novo (ou que ainda está sofrendo).

Nesse caso se torna necessária a descoberta das origens do problema, ao mesmo tempo em que deve-se encaminhá-lo para tratamento psicológico (em caso de não apresentar sintomas de estar fora da realidade) ou para o psiquiatra infantil (caso haja sinais de estar criando a sua própria realidade).

Mas, lembrem-se, que é muito importante que os terapeutas indicados tenham se especializado em crianças, já que há comportamentos infantis perfeitamente normais que se parecem com alucinações de adultos! Um psiquiatra ou um neurologista não está preparado para entender a mente de uma criança. Para isso existe o neuropediatra e o psiquiatra infantil.

Um dos exemplos  mais claros dessa realidade é a fase em que a criança cria o "amigo imaginário" que, para um olhar psiquiátrico de adulto, constitui um processo de alucinação, mas que para o psiquiatra infantil, não existe nenhuma anormalidade psíquica. É uma criança perfeitamente normal.

E, para fechar essa conversa de hoje, aproveito para reforçar um dos detalhes que considero dos mais importantes no entendimento e acompanhamento de qualquer criança:

Para acompanhar, tratar, ou educar qualquer criança, desenvolva, antes, um verdadeiro sentimento de amor por ela.

domingo, 15 de junho de 2014

IUPE Educação: Fé e Razão


Oi, amigos!

Entre as mensagens recebidas ontem, havia um tema recorrente: a relação entre fé e razão.

Pensei, então, numa pesquisa que iniciei há algum tempo, visando descobrir o que as pessoas sentem, de verdade, quando dizem “ter fé”.

O que, afinal, pode significar tal afirmação?

Analisei o termo: “Ter Fé”. Analisei, também, diversas pessoas que se dizem “crentes” em algo superior e transcendente.

Ter fé é, segundo grande parte delas, acreditar em algo, preferencialmente sobrenatural, que provoque alguma transformação, que permita uma realização, que traga soluções, principalmente em relação a objetivos considerados quase impossíveis e, normalmente, de uma forma transcendente ou metafísica, muito além do que pode ser considerado como um acontecimento lógico normal.

Acreditar dessa forma parece ser, sem dúvida alguma, ter fé. Mas isso significa que a pessoa deixa de ser racional? Ou seja: a crença em algo sobrenatural pode eliminar a necessidade de raciocinar logicamente sobre o assunto?

A resposta é não! Não há qualquer necessidade disso!

Mas, na verdade, Fé e razão estão, e estiveram, em alguns momentos e em alguns lugares, dissociadas. Há períodos históricos longos em que isso foi uma característica social marcante, assim como há regiões do planeta em que essa separação sempre foi, e continua sendo, a tônica!

Acreditar em algo sobrenatural, para alguns grupos sociais, necessita que seja eliminada a possibilidade de se vivenciar coisas terrenas. Nesses grupos sociais a “fé oficial” é uma necessidade, fazendo surgir a crença imposta, de fora para dentro, sem qualquer sustentabilidade racional.

Essa “fé por acomodação” não resiste ao debate e fragiliza a mente, provocando a insegurança em relação aos seus próprios valores. Esse tipo de fé imposta, impede o raciocínio lógico, dificulta a tolerância e impossibilita a compreensão verdadeira das crenças alheias.

Dogmas são impostos à força. Surge aí a lavagem cerebral, a hipnose coletiva e coisas semelhantes. É a fé cega, podendo alcançar níveis de radicalismo exagerado e fanatismo criminoso.

Como consequência surgem guerras, massacres e demais conflitos.
São crimes que observamos ocorrer em todas as partes do mundo, em nome de uma fé equivocada ou de um Deus particular, exclusivo daquele grupo ao qual pertence...

Saindo da parte doentia da fé, vamos a parte mais racional:

A crença consciente, no entanto, significa a construção de um acreditar, de dentro para fora. Essa fé é antiga e continua sendo encontrada nos estudos de todos os povos, incluindo as primeiras civilizações em nosso planeta, quando as pessoas elegiam, como deuses, as energias responsáveis pela sua sobrevivência.

A fé, inicialmente, visava algo externo, algo compreensível, ou algo sobrenatural. Muito tempo depois começou a surgir a fé na energia interior, no poder da sua própria mente, como é comum observarmos nos dias atuais.

E o avanço do conhecimento científico não mudou muito a forma de as pessoas acreditarem em algo superior, ou em alguma energia voluntariosa além da compreendida fisicamente. Ainda sobrevivem todos os tipos de fé.

Há os que buscam comprovações totalmente materialistas, sem acreditar em algo fora do exclusivamente científico. Tenho muitos amigos nesse caminho, cujas ideias e conclusões são fantásticas e dignas de todo respeito.

Há os que buscam as mesmas comprovações, sem, entretanto, duvidarem da existência de uma energia superior voluntariosa e criadora. Eu me incluo nesse grupo.

E há os que ignoram qualquer pesquisa científica, montando seu conhecimento de mundo exclusivamente no entendimento religioso, a partir da fé em algo superior.

Os primeiros são os materialistas e ateus, que constroem seus argumentos com base no conhecimento científico, procurando comprovar que o universo e a vida não necessitam nem necessitaram, em momento algum, de alguma interferência superior, como fez Richard Dawkins em sua obra: “Deus, um Delírio”; e como disse Stephen Hawking, certa vez, em uma conferência: “Deus pode até existir, mas nunca foi necessário”.

Para essa parcela da população mundial, a fé está dirigida à capacidade inventiva e produtiva de cada um de nós, mas também da sociedade, como um todo, não havendo interferência de nada além daquilo o que entendemos como matéria.

O segundo modelo de pesquisador se utiliza dos mesmos argumentos dos primeiros, analisando-os criteriosamente, de forma neutra, sem qualquer interferência de sua fé, na busca de explicações científicas para todos os mistérios da natureza e da vida.

Eles procuram encontrar meios de obter tais explicações sem, entretanto, duvidar da existência de uma energia superior, que pode ser a responsável por toda a arquitetura e programação dinâmica do universo. Mas suas pesquisas nunca são interrompidas por conclusões teológicas.

A diferença está no fato de que, mesmo acreditando que possa existir tal energia, essa parcela da população busca incessantemente, na ciência, explicações específicas para cada mistério encontrado. Isso é saudável!

O terceiro modelo de pesquisador limita-se aos ensinamentos a partir da sua fé, acreditando nada haver fora dela e se sentindo muito bem assim. Esse também é digno de todo o respeito, principalmente porque, na realidade, nenhum dos três pode afirmar, convictamente, que a sua forma de pensar é a única correta.

É por essa razão que sempre procuro colocar, em uma mesa redonda, para efeito didático, debatedores dos mais diferentes pontos de vista, visando esclarecer, aos participantes, as diferentes formas de entendimento de mundo.

Isso mostra a necessidade de procurar entender os argumentos do outro, principalmente se esses forem diferentes ou até opostos ao seu. Isso amplia o nosso conhecimento de mundo e aperfeiçoa a nossa forma de compreendê-lo.

Bem a propósito, ao reler a obra “Deus único, mito e realidade”, de Luiz Henrique Almeida, deparei-me com sua afirmativa de que: “(...) Cada célula do nosso corpo contém todas as informações acerca da história de cada um de nós, neste planeta (...)”

Isso me remeteu, imediatamente, aos xamãs aborígenes, com quem tive a oportunidade de dialogar por diversas vezes, ainda na década de setenta, em pleno deserto australiano.

Esses iam um pouco mais além. Afirmavam que nossa mente possui uma antena interna, capaz de captar as ondas do pensamento de todas as pessoas que viveram em nosso planeta, desde o início da civilização.

Então, segundo eles, as células conteriam informações da história de toda a humanidade!

Com base na afirmação de Almeida e no conhecimento dos xamãs, percebemos que será um imenso atraso de vida ou, melhor dizendo, um atraso para o conhecimento científico, se evitarmos analisar textos provenientes das diversas tradições religiosas.

A análise e o questionamento de afirmações dogmáticas podem, sim, abrir novos caminhos para conhecimentos ainda distantes da nossa atual capacidade de compreensão. Ignorá-las, por serem do domínio da fé, pode constituir um grande atraso para o desenvolvimento científico.

Isso me lembra um trecho de “O Princípio da Totalidade”, de Anna Freifeld Lemkow, quando ela diz: “(...) limitar o real apenas ao quantificável não é científico, é cientístico – uma perversão da ciência (...)”

Vamos dar uma ligeira olhada em alguns momentos científicos de hoje e o que podemos esperar a mais, desde que não estagnemos na ideia de que só o quantificável e visualizável  é científico...

Em primeiro lugar, nesse passeio, vamos à memória. Sua capacidade é quase infinita na tarefa de arquivar todos os conhecimentos que processa. A dinâmica de funcionamento das redes neurais é algo assustadoramente admirável! Nossa capacidade para gravar informações ainda não foi superada por nenhum equipamento cibernético.

Por que tanta memória? Qual a finalidade real de tanta potencialidade? Haverá alguma outra função que não estamos exercendo com deveríamos? Nossas trilhões de conexões neurais estarão à nossa disposição apenas para jogarmos dominó e levantarmos um copo de cerveja? E toda essa capacidade ou potencialidade “se acaba” simplesmente com a morte?

Em segundo lugar vamos analisar a constatação, pelos psicólogos e terapeutas, de transferência de memórias do doador para o receptor, nos casos de transplante de coração. 
Há, hoje em dia, diversos relatos de transplantados que mudaram totalmente o seu comportamento e estilo de vida, assumindo os de seu doador, mesmo sem ter conhecimento disso! Essas memórias só poderiam estar nas células do órgão transplantado.

Mas, se já temos constatações de que todas as nossas memórias localizam-se no cérebro, essas memórias seriam back-ups nas células do coração? Uma célula não dependeria de uma rede neural para arquivar uma informação?  Então, mais uma vez, a declaração de Almeida faz todo sentido!

E, em terceiro lugar, a identificação feita por Philip Low, das ondas cerebrais emitidas pela área de Broca, área que elabora a fala. Ele, em seguida, desenvolveu os equipamentos para a sua captação e transformação em sinais digitais. Esses sinais serão enviados a um computador, representando a “fala” da pessoa.

Seu desenvolvimento já está sendo testado por Stephen Hawking que, assim que o equipamento estiver pronto, voltará a comandar seu sintetizador de voz em tempo real! Os paralíticos cerebrais poderão se comunicar! Haverá a possibilidade de verdadeira inclusão escolar de uma imensidão de crianças com esclerose lateral amiotrófica ou com paralisias não progressivas.

Essas ondas geradas são produto de nosso pensamento. Isso significa que outros cérebros poderão captá-las e tornar seus sinais conscientes. É a telepatia em desenvolvimento tecnológico.

Mas, a telepatia existe? Só existe para quem acredita (tem fé) que se “pensarmos forte” alguma mensagem dirigida à pessoa que está à nossa frente, principalmente um paralítico cerebral mudo, nossa mensagem estará chegando a essa pessoa. Mas precisa haver fé. Precisa haver ciência e fé.

Cada uma dessas constatações e desenvolvimentos nos impulsiona a estudos muito mais profundos sobre o funcionamento dos elementos primordiais da nossa formação orgânica: as nossas células.

Seu funcionamento é, como podemos perceber, muito mais complexo e muito mais abrangente do que o conhecimento anterior mostrava e, além disso, sua energia pode ter efeitos muito mais importantes e objetivos muito mais nobres.

Os estudos dos idealizadores da neurolinguística apontam para isso desde a década de setenta. Lembro que eu não acreditei nas suas propostas e, devido a essa descrença, escrevi um artigo criticando a ideia. Sorte que o artigo “se perdeu” no tempo...

Hoje temos referência ilustres, como o físico quântico Amit Goswami, que apresenta essa realidade em sua obra: “Universo: Como a consciência cria o mundo material”.

O estudo quântico da consciência e de sua energia em forma de ondas, realizado por Goswami, nos leva a um momento intermediário em que as constatações da energia gerada por nossas células e seus efeitos no mundo material externo ao nosso corpo, aproximam a ciência da fé, provocando os céticos e empolgando os pesquisadores mais complacentes.

E mais que isso: Estamos mesmo em um cosmos com início, meio e fim? Estamos mesmo em uma realidade com passado, presente e futuro? Em “O Grande Projeto”, Stephen Hawking e Leonard Mlodinow mostram, entre outras declarações “alucinantes”, que o cosmos não possui uma realidade única, mas que cada realidade possível do universo coexiste com as demais, ou seja, existem simultaneamente!

Se é assim, nem o materialismo é real. Dizer que a matéria existe pode ser uma forma de crença...

Vamos conversar mais sobre isso assim que chegarem os seus comentários.

Para os amigos que desejam mais informações e mais debate sobre o tema, recomendo a leitura das obras citadas, repetindo:

Amit Goswami. Universo: Como a consciência cria o mundo material.
Anna Freifeld Lemkow. O Princípio da Totalidade.
Luiz Henrique Almeida. Deus único, mito e realidade.
Richard Dawkins. Deus, um Delírio.
Stephen Hawking. O Grande Projeto.


Mas recomendo, também, que mantenham o número telefônico de um bom psiquiatra, em mãos... Nunca se sabe...