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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Devaneios de Andersen: Agnóstico, ateu ou religioso?



Acredito que minha inquietação pelo conhecimento causou um certo estardalhaço em minha caixa de entrada de mensagens no G-Mail.

Tudo começou com a minha dedicação sincera e honesta a todos os estudos que realizo, principalmente àqueles que divergem um pouco de meus pontos de vista atuais.

É bom explicar que tenho meus pontos de vista, sempre os tive, mas: a vida, o conhecimento adquirido, as experiências vividas, os sofrimentos, as ansiedades, as expectativas, as decepções e mais uma série infindável de influências, acabam dando contornos diferentes, modelando e alterando essas visões e criando outras mais de acordo com a realidade atual.

Acho até que isso aconteça com todos, mas como não gosto de generalizar, tenho apenas certeza de que acontece comigo!

E, por causa disso, eu acho, recebo, vez por outra, críticas vorazes a comentários que faço ou a artigos que escrevo.

Não vou mentir dizendo que não gosto dessas críticas! Meus amigos sabem que gosto delas. Até trabalho em cima delas. Acho que uma crítica sincera nos ajuda a consertar uma opinião mal formada, ou um estudo que caminhou por uma estrada errada. Então analiso todas.

Essa semana o número de críticas, com teor muito semelhante, engordou a caixa de entrada do meu G-Mail! A maioria delas perguntava a razão de eu estar participando de grupos de discussão de ateus e agnósticos, assim como de grupos religiosos de todas as denominações, de cristãos a budistas, incluindo todas as espiritualistas!

Então sou obrigado a dar uma explicação que é, ao mesmo tempo, uma sugestão de procedimento de vida, já que agindo assim me considero uma pessoa muito bem resolvida comigo mesmo e com o mundo à minha volta! E desejo que isso aconteça na vida de todos os meus amigos!

É muito importante que cada as pessoas parem de ser simples marionetes nas mãos das influências sociais. Essas influências, que chegam por todos os meios de comunicação, tentam manipular as mentes, criando novos e diferentes desejos, criando necessidades nunca existiram e criando insatisfações para com tudo o que se é e para com tudo o que se tem, para que, o mais rapidamente possível, as pessoas passem a pensar e sentir da forma que o sistema deseja, sem a menor possibilidade de construírem sua própria personalidade real.

Todos precisam, então, refletir sobre suas próprias convicções. Começa por aí! Elas são reais mesmo? Elas fazem parte de um sentimento interno pessoal ou foram montadas de fora para dentro? Eles são sentidas naturalmente ou há alguma angústia inexplicável ao assumir tais convicções?

Se, a partir dessas reflexões, descobre-se que algumas dessas convicções são diferentes do padrão aceito socialmente, ou do padrão determinado por uma linha de pensamentos do grupo social, não há razão para querer que todos os amigos e conhecidos passem a ser iguais! As convicções são exclusivamente pessoais! E os elementos que cada uma das mentes dos indivíduos está utilizando para chegar a elas podem não existir no universo dos outros indivíduos, ou pelo menos em parte deles. Ou seja, a verdade de cada um pode absolutamente não ser a verdade de muitos outros.

Nesse momento vejo na crença e na sexualidade o mesmo tipo de dilema social, o que me permite fazer uma comparação.

Todos são obrigados a aparentar o que o grupo social aceita! E o mais interessante é que a sociedade cobra, das pessoas, respostas sobre assuntos que são exclusivamente pessoais como, por exemplo, crença e sexualidade!

O sistema quer interferir, por exemplo, num dos sentimentos mais íntimos e pessoais que é o sentimento da sexualidade! Ela só tem a ver com a própria pessoa e em sua total intimidade! Não há o que tornar público nesse sentimento senão o seu resultado e somente com a pessoa que complementa o que pode-se chamar de amor.

Da mesma forma a crença. Se crença significa acreditar (o nome crença diz tudo), como uma pessoa pode ser forçada a acreditar em algo que os outros querem que ela acredite! As pessoas podem ser forçadas a dizer que acreditam, mas entre dizer e realmente estar sentindo aquela convicção, está uma imensa diferença!

Tenho minhas próprias crenças, mas elas só interessam a mim mesmo! Cada pessoa pode ter suas próprias crenças, como eu as tenho, mas isso só interessa a elas mesmas!

Mas não se deve confundir crenças com trabalhos, pesquisas, estudos, análises, relacionamentos, criação de perspectivas, elaboração de projetos, e tudo o mais.

No dia-a-dia trabalho com minhas próprias mãos e meu próprio cérebro. Cada tarefa que realizo é planejada, elaborada e realizada, independente de haver ou não Deus ou qualquer religião na face da Terra! Portanto, nesse momento, reúno todas as características de um agnóstico. Sou um agnóstico feliz!

Quando estou mergulhado em minhas pesquisas e chego aos estudos das causas e consequências de um determinado evento, fato ou objeto, não interrompo meu raciocínio por levar em consideração conceitos sobre criação ou interferência Divina! Portanto, nesse momento, reúno todas as características de um ateu! Sou um ateu feliz!

Na minha intimidade, muitas vezes em pensamentos leves e descontraídos, em minha varanda, observando a beleza da floresta que me cerca, ouvindo os sons dos bichos ao meu redor, como exatamente agora, ao escrever essas palavras, reflito sobre os mistérios que ainda precisam ser entendidos, sobre as maravilhas da natureza, sobre os intrincados mecanismos da mente humana, e sobre as energias acima da minha de meu entendimento, mas que sinto muito próximas a mim, reúno todas as características de um religioso! Sou um religioso feliz!

E é exatamente dessa forma que crio meus filhos, que oriento meus alunos e que sugiro aos meus amigos. Meus amigos me conhecem muito bem e sabem que é exatamente assim que vivo minha vida.

Sejamos agnósticos felizes! Sejamos ateus felizes! Sejamos religiosos felizes! E vamos contribuir para que todos os nossos amigos também o sejam.

Afinal, a felicidade está em você poder ser, na intimidade, tudo o que você realmente é em seu interior. Seu SELF, seu EGO, seu ID, tudo junto... E, de preferência, tapando a boca do SUPEREGO.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Devaneios de Andersen: Moralidade e Religiosidade - Existe alguma relação?

MORALIDADE E RELIGIOSIDADE: Existe alguma relação?
Temos ouvido muito falar que o nível de moralidade na sociedade caiu muito como consequência da redução do ensino religioso nas escolas. Muitos acreditam que devemos analisar essa questão a fundo, para rever as decisões dessa eliminação. Eu não condeno essa ideia, mas acredito que precisamos fazer uma pesquisa um pouco diferente antes de tomarmos qualquer decisão a respeito. E essa pesquisa deve ser iniciada com a conduta moral dos religiosos, principalmente os ministros religiosos, em sua vida prática, tanto em relação à sua família, como em relação ao seu relacionamento social, afetivo, político, profissional e comercial, já que o exemplo é o verdadeiro caminho para uma melhor educação em todos os níveis.
Numa entrevista no Emory University em 2010, Dalai Lama disse que, para ele, a moralidade tem tudo a ver com a compaixão, com o altruísmo. Já Richard Dawkins diz que nós, humanos, somos melhores do que os nossos “genes egoístas” gostariam que fossemos, já que a nossa evolução está ligada a essa natureza egoísta. Dalai Lama é um dos grandes símbolos da religiosidade mundial não cristã. Richard Dawkins, por sua vez, é um dos grandes símbolos do ateísmo mundial e prega a eliminação de todas as formas de religiosidade, tentando provar que é a religião quem estraga a sociedade! Seu livro: “Deus: um delírio” diz tudo!
Logo após darmos início às nossas pesquisas verificamos que, na teoria, todas as religiões pregam o altruísmo, independente da denominação, incluindo todas as ramificações, desde as monoteístas, representadas principalmente pelos judeus, cristãos e muçulmanos, com entre as politeístas, representadas principalmente pelos budistas.
Mas nossa dúvida é a parte prática desses religiosos, principalmente a prática daqueles que representam suas denominações e pregam tais valores em público. Como entender o comportamento egoísta, corrupto e amoral, muitas vezes até imoral, de pessoas em posições tão influentes em suas comunidades religiosas, não no momento em que estão em púlpito, mas em sua prática diária, fora das suas igrejas?
Tenho observado comportamentos perversos, atitudes intolerantes, práticas imorais, declarações levianas e muito mais, por parte de representantes de algumas comunidades religiosas que se dizem cristãs, fazendo com que toda a pregação teórica se torne uma grande mentira!
Será que Dawkins tinha razão, ou seja, será que o homem nasce com características egoísta e amoral, por força do tal “gene egoísta” e só evolui por causa disso? Será que não há lugar para a compaixão para uma mente em evolução?
Será que a religiosidade tentaria reverter esse processo, tentando transformar o ser humano em um ser altruísta e moral, mas a força de seus genes seria tão forte que nem os líderes dessas religiosidades conseguiriam vencer seus genes durante as vinte e quatro horas de seus dias, explicando assim as atitudes contrárias ao que pregam? Mandem suas observações. Vamos discutir o assunto?
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1. Dalai Lama na Emory University: (http://dalailama.emory.edu/2010/compassion.html)
2. Dawkins, Richard. O Gene Egoísta. Companhia das Letras, 2007.