sexta-feira, 11 de outubro de 2013

IUPE Educação: Avaliação e Certificação em Educação Inclusiva

IUPE Educação: Avaliação e Certificados de Alunos Especiais
Amigos,
As dúvidas agora são:
1.      Como podemos fazer o acompanhamento dos alunos especiais durante as aulas nas classes regulares?
2.      Como proceder em relação às avaliações periódicas?
3.      Como dar um certificado de conclusão se ele não consegue alcançar o mínimo exigido para uma ou mais disciplinas?

Para começar temos que esvaziar o pote! Isso significa que, enquanto estivermos “amarrados” a certos conceitos simplórios e reducionistas, não daremos um passo sequer em direção à educação inclusiva.

Primeira dúvida: ACOMPANHAMENTO

A primeira dúvida foi a do acompanhamento. Esse vai depender das características especiais de cada aluno. Já estamos publicando artigos e vídeos com procedimentos ligados a algum tipo de inclusão escolar. Os iniciais foram sobre as dificuldades cognitivas que existem, tanto nas crianças normais, como nas crianças com qualquer tipo de anomalia.

Todos os artigos e vídeos baseiam-se em análise de resultados alcançados pelas metodologias desenvolvidas e experimentadas por nós mesmos e pelos professores, e demais profissionais da educação, que fazem parte de nosso grupo de trabalho e de discussão.

Na continuidade de nossa análise teremos: TDAH e semelhantes; Dislexia e semelhantes; Autista e semelhantes; Síndrome de Down e semelhantes; Paralisias cerebrais e doenças degenerativas e assim por diante.

Segunda dúvida: AVALIAÇÃO

Essa dúvida é a da forma de avaliação a ser realizada com os alunos especiais. Vamos começar com o que dizem as normas em vigor.

A Recomendação nº 001/2013 do Ministério Público do Estado da Bahia deixa claro que as escolas devem tornar seu currículo flexível e criar metodologias de ensino, recursos didáticos e processos avaliativos diferenciados para atender às necessidades educacionais específicas de cada aluno.

O processo avaliativo, então, nada tem a ver com as avaliações periódicas do restante da turma.
Essas avaliações específicas devem ser preparadas com base no conhecimento que o aluno especial está demonstrando ser capaz de aprender, com a intenção de:

1.      Provar, para ele mesmo, o desenvolvimento da sua capacidade cognitiva:

Quando o professor prova para o aluno, por meio dessas avaliações, que ele está aprendendo alguma coisa, esse aluno melhora a sua autoestima, reduzindo e até, por vezes, anulando, os possíveis bloqueios emocionais existentes.

2.      Analisar, por meio dos resultados, se o processo utilizado está dando resultados positivos ou se precisa haver alguma modificação na metodologia:

Quando o resultado das avaliações não corresponde ao esperado, o professor deve analisar as seguintes possibilidades: Ou as avaliações foram preparadas fora da realidade cognitiva do aluno; Ou a metodologia precisa ser adequada à dificuldades apresentadas.

Terceira dúvida: CERTIFICAÇÃO

Essa é a referente ao certificado de conclusão de curso ou de terminalidade específica.

Caso o aluno, mesmo com dificuldades, consiga alcançar os níveis mínimos de conhecimento exigidos pelas diversas áreas do conhecimento, o certificado será o de conclusão tradicional.

Caso a anomalia não permita que ele alcance o nível exigido pelos sistema para conclusão daquela etapa de ensino, ele receberá o Certificado de Terminalidade Específica, que é a certificação dos estudos correspondentes à conclusão de ciclo ou determinada série/ano, conforme Lei nº 9.394/1996, art. 59, inciso II.   

No caso de comprometimentos cerebrais mais graves ou múltiplos, caso o currículo da base nacional não seja viável, deverá ser estabelecido um currículo funcional voltado para esse aluno, em especial.

Mas todo esse processo precisa estar sendo registrado, passo a passo, em pasta própria individual, constando de:

Dados individuais do aluno;
Ficha de avaliação;
Relatórios periódicos e contínuos sobre seu desenvolvimento;
Cópia das avaliações de habilidades individuais e das competências alcançadas pelo aluno, especificando todas as áreas do conhecimento em que isso foi constatado;
Histórico escolar contendo todo o conhecimento adquirido pelo aluno, constando as habilidades e competências construídas e, no campo de observações, ressalva quanto à caracterização do aluno como público alvo da Educação Especial;
Cópia do Termo de Certificado de Terminalidade Escolar Específica;
Registro de acompanhamento proposto ao aluno visando ampliar as suas possibilidades de inclusão social e produtiva;
Registro de regularidade de vida escolar.

Conselhos de Classe:

Todo esse processo deve estar sendo acompanhado e registrado nas Assembleias Oficiais dos Conselhos de Classe, para fundamentar as decisões necessárias à continuidade do processo de desenvolvimento do aluno, assim como para fundamentar a elaboração dos Certificados de Terminalidade Escolar Específica futura, caso isso seja necessário.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

IUPE Educação: Necessidade de Treinamento Parental

Dedicar-se a construir a aprendizagem de crianças e de adolescentes em um momento em que as famílias desistiram de dar a educação doméstica essencial aos seus filhos, é algo muito difícil.
Além de não terem a menor noção de, que sem lhes proporcionar limites e afeto, eles estarão criando verdadeiros monstros sociais, ainda tentam “superproteger” suas “pobres crianças” da “perversidade” dos professores e, se duvidar, ainda entram com ação judicial processando a escola por estar “constrangendo” seu pobre “bebê”.
E a aprendizagem fica pela metade! Na escola você orienta, mostra o caminho e determina o que deve ser feito em casa, mas em casa a situação fica mais difícil.
Ou os pais não estão em casa, ou, se estão, não dão qualquer tipo de exemplo de atividade intelectual. Poucos são os que seguem as orientações passadas durante os encontros de pais.
Mas há os que seguem tudo o que é recomendado. Os resultados são claros. Os filhos, além de melhorarem no conhecimento, ainda melhoram em comportamento. Surge a satisfação pessoal por estar se sentindo produtivo.
Ah! Se todos os pais agissem dessa forma! Se todos entendessem que investir na educação do filho é o melhor investimento para o futuro e uma família!
Hoje mesmo, bem cedo, tive que “engolir alguns sapos”! Um advogado me aparece pela frente e exige que, antes de dar uma punição em sua cliente (criança de 12 anos), a escola tem que dar a ela “ampla defesa”. Só depois disso pode ser enviado para casa o comunicado com a advertência.
Depois dessa, pensei, só fechando as portas definitivamente!
Fechar antes que comecem a chegar à porta da escola os ativistas de “Direitos Humanos”, para protestar contra a lista de exercícios de matemática, contra as redações, contra as provas, ou melhor, contra as notas baixas das provas, esses terríveis instrumentos de tortura psicológica que a instituição arcaica (segundo eles), chamada de escola, utiliza para perseguir seus pobres filhinhos!
A escola e seus professores, há muito tempo, já eram obrigados a complementar parte da educação doméstica que era realizada pelas famílias. Isso é perfeitamente natural, numa realidade em que pai e mãe precisam estar fora de casa trabalhando para sustentar o lar.
Depois de algum tempo essa “parte complementar” começou a aumentar de tamanho e, hoje, praticamente toda a educação doméstica tem que ser dada pelos professores, em sala de aula!
Isso seria aceitável, se pelo menos os pais, ao reconhecerem sua impossibilidade de educar, acompanhassem e apoiassem o trabalho feito por aqueles que o estão substituindo durante o dia!
Mas aí vem o “sentimento de culpa” em relação aos filhos e a vontade de “provar” para eles a presença afetiva que está faltando no seio familiar. E a forma que muitos pais acreditam que funcione para provar essa afetividade é apoiar o filho em tudo o que ele faz, mesmo que errado e, mesmo que tenha que ir contra os que estão ocupando o papel de pais, na educação que não está sendo dada em casa.
Esse é o grande perigo na deseducação atual! Esse forma equivocada de os pais tentarem compensar a sua ausência está servindo para piorar ainda mais o seu comportamento e, consequentemente, o seu desempenho escolar.
O resultado é a formação de jovens sem qualquer noção de respeito, de responsabilidade ou de ética, engrossando as fileiras da marginalidade, da corrupção e da desonestidade.
Surge, então, uma dúvida: Isso é uma evolução natural da sociedade ou é um descaminho social por incapacidade de adaptação ao progresso tecnológico e às exigências de mercado de trabalho?
Seja qual for a causa o que nos interessa é tentar, a todo custo, conscientizar as famílias sobre a importância da sua presença afetiva e limitadora na educação doméstica de seus filhos, para reduzir essas consequências destruidoras na sociedade.
Mas, como vamos fazer isso?
A sugestão, a médio prazo, mas que considero a mais eficaz, é o “Treinamento Parental”, encontros de orientação de famílias para o entendimento de seus filhos.
Quando os pais conhecerem as necessidades da criança em suas diversas fases, eles poderão evitar erros que são muito comuns na educação, e assim poderão reduzir, ou até eliminar, problemas emocionais e bloqueios, os mais diversos, que são os principais elementos causadores do comportamento irritado e agressivo do aluno atual.
Então, para concluir:
A maioria dos problemas que as crianças e os adolescentes apresentam em uma escola nada mais são do que consequências diretas ou indiretas de uma educação equivocada.
As famílias são as responsáveis pela educação de princípios de seus filhos, logo, são também responsáveis pelas falhas nessa educação.
As famílias, pais e mães, não aprenderam a educar filhos. Esse conhecimento vai sendo adquirido na prática e, consequentemente, recheado de erros e acertos.
As famílias são, então, responsáveis pela má educação, mas não são “culpadas” disso, já que não tiveram a devida orientação preliminar.
A única forma de tentar reverter esse erro é, então, promover a orientação das famílias por meio de encontros de Treinamento Parental.

domingo, 29 de setembro de 2013

IUPE Educação: Dificuldades de Aprendizagem 2


Dificuldades, Distúrbios e Transtornos de Aprendizagem

Uma das mais frequentes reclamações dos pais, nos dias atuais, é a dificuldade de seu filho em aprender alguma matéria e, em alguns casos, todas as matérias.

Junto com essa dificuldade surge também a falta total de interesse e a consequente preguiça para estudar.

Precisamos, então, diferenciar essas dificuldades daquilo que convencionou-se chamar de distúrbios, transtornos e outras anomalias.

Percebe-se, em quase todas as classes, que as dificuldades de aprendizagem, em uma ou mais matérias, estão presentes em mais de setenta por cento dos alunos.

Todos esses setenta por cento, então, possuem alguma espécie de dificuldade de aprendizagem, mas apenas alguns, cerca de sete por cento, possuem, além disso, alguma anomalia no funcionamento de suas redes neurais, o que torna essa dificuldade ainda maior e com características mais específicas.

Essas anomalias mais especiais provenientes de alterações no funcionamento das redes neurais, são: o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade); TDA (O mesmo transtorno, mas sem a hiperatividade); Dislexia; Discalculia; Disgrafia; Disortografia e outros.

Vamos enfocar primeiro as dificuldades presentes na maioria dos alunos, independentemente de terem ou não alguma anomalia de origem neurológica, para depois analisar as características específicas de cada um dos distúrbios e transtornos.

Dificuldade de Aprendizagem

As declarações mais comuns ouvidas em casa ou na escola são: “Não adianta eu estudar porque matemática não entra na minha cabeça!” ou “História eu estudo, estudo, mas na hora da prova não me lembro de nada!” E assim por diante.

Estamos diante de uma dificuldade de aprendizagem tradicional que, muitas vezes, carrega junto uma forte “falta de força de vontade” para tentar vencer esses desafios.

A baixa autoestima é uma das características mais comuns em quase todos esses casos.

Quais são as principais causas dessas dificuldades?

Causas das Dificuldade de Aprendizagem
Entre os principais elementos causadores dessas dificuldades está a comparação, feita por seus pais ou professores, com outras crianças da mesma idade, ou com seu irmão mais velho quando este estava na mesma fase de desenvolvimento cognitivo inicial.

Os adultos (pais e professores) custam a entender que cada criança tem a sua velocidade própria de aprendizagem e que, mais importante ainda, cada uma delas tem a sua própria forma para entender as informações que chegam.

Por não respeitarem essas características, é comum a criança ouvir que seu irmão, seu primo, seu colega ou seu vizinho já aprendeu tudo e ele... Nada!

Uma criança que ouve uma comparação dessas só consegue crescer na aprendizagem se tiver uma forte disposição para enfrentar desafios.

Caso contrário ela vai baixar tanto a sua autoestima ao ponto de criar bloqueios emocionais graves, prejudicando todo o seu desenvolvimento cognitivo.

Outro elemento disparador dessas dificuldades é a falta à aula ou a sonolência em sala, causando a “perda do ritmo” no acompanhamento das explicações de uma determinada matéria, principalmente matemática, fazendo com que lhe faltem bases para o entendimento do assunto atual.

O aluno chega à conclusão de que não entende nada da matéria, em vez de procurar estudar o que ficou para trás e assim poder voltar a acompanhar o ritmo da turma.

Essa perda do ritmo já pode ser, também, consequência de uma rotina inadequada ao período escolar, como: dormir muito tarde ou período de sono irregular ou mal programado; alimentação desbalanceada ou insuficiente ou exagerada; estresse cerebral devido a mais de uma hora seguida de exposição à jogos eletrônicos, computadores, video-games ou mesmo televisão; consumo desnecessário de energéticos e outros tantos fatores.

Superação das Dificuldades de Aprendizagem
Para vencer essas dificuldades deve-se analisar, junto com os pais, os principais elementos perturbadores da aprendizagem, e sugerir para a família:

Observar se o consumo de água está sendo suficiente e se a alimentação está balanceada;
Ajustar a rotina diária, determinando hora para estudo, hora para brincadeiras e hora de descanso;
Ajustar o período de sono para que seja suficiente e bem planejado;
Determinar tempo máximo de exposição à jogos eletrônicos e à programas de televisão;
Criar o ambiente para estudo em casa. O ambiente de estudo ideal é aquele em que o aluno percebe que as demais pessoas da família também estão em atividade semelhante;
Reconhecer o esforço do filho e estimulá-lo a melhorar mais;
Evitar criar expectativa de resultado imediato e ter muita paciência e dedicação.
O ajuste desses pontos precisa do apoio da família e, se bem feito, constituirá a base estrutural da sua recuperação cognitiva que, agora, precisará do apoio do professor para:

Identificar o nível de entendimento do aluno em sua matéria ou assunto;
“Provar” para o aluno que ele entende do assunto, mesmo que, para isso, tenha que voltar a assuntos anteriores que servirão de base para o entendimento da matéria;
Passar questionários ou listas de exercícios ou tarefas do livro ou módulo, dentro do seu nível de entendimento da matéria, mesmo que esteja defasado dos demais alunos da turma;
Estimular o aluno a realizar mais tarefas por meio do reconhecimento do seu esforço pelas que foram cumpridas;
Elogiar os acertos, utilizar a estratégia do “quase acertou” para os erros e passar sempre a imagem do entusiasmo.
Evitar criar expectativa de resultado imediato, para evitar desânimo de ambos, aluno e professor;
Realizar todo esse acompanhamento sem preocupação com o alcance do nível da turma, mas apenas o avanço real da aprendizagem em relação ao dia anterior.
Esse procedimento servirá, não só para os alunos normais com simples dificuldades de aprendizagem, mas também para todos os alunos que, além dessas dificuldades, apresentem características de qualquer anomalia cognitiva, incluindo as de origem neurológica.

No próximo texto analisaremos alguns dos mais frequentes distúrbios e transtornos de aprendizagem.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

IUPE Educação: A polêmica sobre a Ritalina e a hiperatividade

Amigos,
Cuidado com as dezenas de artigos “a favor” ou “contra” a Ritalina e, mais ainda, com os comentários sobre o TDAH como “doença fabricada” ou “doença real”.
Não deixem de ler tudo o que se publica a respeito, mas analisem com cuidado se há alguma intenção camuflada nas entrelinhas, incluindo aí os meus próprios pronunciamentos, já que posso também estar errando em alguma coisa.
Na dúvida, vamos provocar um debate com profissionais sérios que estejam desvinculados de obrigações antiéticas com fornecedores ou autoridades corrompidas pelo sistema.
No final desse texto eu informo o endereço de dois links importantes:
O primeiro enviando para um blog de Selma Carvalho, onde ela apresenta as razões para duvidar até da existência do TDAH como doença séria. De acordo com suas fontes o TDAH foi uma doença fabricada pelo neurologista Leon Eisenberg. O mesmo Dr Eisenberg teria se arrependido do que fez e divulgou algumas declarações bombásticas antes de morrer.
O segundo envia para um trabalho acadêmico da UFRJ  sobre os efeitos colaterais do metilfenidato, onde os articulistas defendem a ideia de que não há qualquer perigo real na aplicação do remédio e           que seus efeitos principais são excelentes.
Temos, então, aí, dois extremos. O extremo assustador, colocando o metilfenidato como um grande vilão, e o extremo de uma área científica, minimizando os efeitos colaterais do remédio.
Como lidar com isso?
Vamos começar pela parte que mais nos interessa, como educadores e como pais, que são os sintomas que surgem nas crianças.
O sintoma ligado ao TDAH que mais preocupa e incomoda a todos é a hiperatividade. O outro, o déficit de atenção, só preocupa, já que pode significar o fracasso escolar.
Hiperatividade, quando existe realmente, é um sintoma de alguma doença. Entre essas doenças está o TDAH. Mas quem vai definir a doença é o neuropediatra ou o psiquiatra infantil. Algumas das doenças que apresentam tal sintoma podem não ter qualquer relação com o TDAH e, portanto, pode ser até que o remédio utilizado para TDAH, que é à base de metilfenidato, não funcione ou dê efeitos indesejáveis.
Então, se a criança apresenta sintoma de inquietação exagerada, chamemos de inquietação exagerada, mas nunca de hiperatividade. Não é da nossa competência, como educadores e pais, a elaboração de algum tipo de diagnóstico! A não ser que sejamos médicos dessa área de atuação.
Temos, sim, a obrigação de observar, analisar e pesquisar se a inquietação exagerada está na nossa área de atuação, e é exatamente aí que está um dos maiores problemas da educação atual: Todos querendo “livrar-se da sua responsabilidade”, transferindo o problema para a área médica!
Antes de sugerir aos pais o encaminhamento para um neuropediatra ou para um psiquiatra infantil é obrigação nossa verificar se a inquietação é proveniente de:
1.       Alimentação inadequada;
2.       Falta de proteção pró-biótica;
3.       Educação equivocada;
4.       Trauma emocional;
5.       Rotina estressante;
6.       Exposição exagerada ao computador, vídeo game ou televisão.
Ou seja, vamos analisar toda a rotina e forma de relacionamento da criança, para ir corrigindo, aos poucos, esses elementos provocadores da inquietação.
Além disso, os professores devem estar cientes de que, acompanhar uma criança que apresenta alguma característica especial de comportamento ou cognição, significa um desafio que tanto pode ser estimulante como pode ser estressante, a depender da forma como nos entregamos ao trabalho.
As principais virtudes necessárias para esse professor e esses pais são entusiasmo, dedicação, atenção, paciência e perseverança, para permitir uma permanente análise das alterações comportamentais e cognitivas que estiverem ocorrendo, para que sejam tomadas as decisões adequadas. A seguir vamos analisar alguns dados mais evidentes.
1.       ALIMENTAÇÃO INADEQUADA:
O excesso de alimentos contendo glúten, guloseimas, salgadinhos, refrigerantes, são todos elementos suspeitos de causar inquietação e, inclusive, déficit de atenção.
O costume de dar um copo de achocolatado à criança antes de dormir é outro elemento causador da inquietação da manhã seguinte.
A falta dos nutrientes adequados à formação integral da criança, principalmente os encontrados nos legumes, frutas e verduras, é também causa de falha no funcionamento normal do organismo, podendo estimular tais sintomas ou até provocar o seu surgimento.
2.       FALTA DE PROTEÇÃO PRÓ-BIÓTICA:
A falta de probióticos no organismo, o que pode ocorrer pelo uso frequente de antibióticos orais, também é um elemento considerado de primordial importância na saúde física e mental da criança. Estudos profundos realizados pelo Dr William Shaw mostra uma relação muito séria entre a falta dos probióticos e uma série de doenças que afetam o cérebro da criança, entre elas o autismo e o TDAH.
Se houver necessidade de dar antibiótico oral à criança é recomendável solicitar, do próprio médico, a orientação sobre o tipo e a quantidade de probióticos que deve ser consumido pela criança, para compensar os efeitos do remédio.
3.       EDUCAÇÃO EQUIVOCADA:
Percebe-se que grande parte das inquietações das crianças está ligada a ausência de um processo educacional adequado em casa. Ou se exagera no rigor educacional sem qualquer laço de afetividade, ou se exagera na afetividade sem qualquer controle disciplinar.
Uma criança sem limites certamente entenderá que pode fazer tudo o que ela quiser. Isso significará, na escola, uma inquietação toda vez que for obrigada a fazer uma atividade que não gosta. É o que normalmente chamamos de “falta de surra”!
Não que concordemos com “espancamentos”. Claro que não! Mas o limite é a única forma que a mente em formação entende para construir o autocontrole nos lóbulos pré-frontais. A falta de limites acomoda os elementos que deveriam servir, no cérebro, para controlar os sistemas motores.
4.       TRAUMA EMOCIONAL:
Traumas emocionais podem ocorrer em todas as fases da formação da criança. Alguns desses traumas nunca serão conscientes, já que a mente tenta esconder da pessoa aquilo que poderá fazê-la sofrer.
Mas mesmo de forma inconsciente esses traumas trazem bloqueios emocionais graves que, certamente, poderão provocar sintomas muito semelhantes às mais diversas doenças, síndromes e transtornos.
A existência de alguns traumas pode ser descoberta por meio de entrevistas com os pais, ou em conversa descontraída com a criança, ou apenas por meio de uma terapia analítica.
5.       ROTINA ESTRESSANTE:
A análise criteriosa da rotina da criança também é importante devido a tendência dos pais em criar atividades extras para os filhos, com a intenção de compensar a sua ausência no seu processo de formação.
Deixar o filho ocupado o dia inteiro (banca, esporte, dança, idiomas, etc.) pode parecer produtivo, mas pode trazer um estresse cumulativo, extravasando por meio de inquietação exagerada.
6.       EXPOSIÇÃO EXAGERADA AO COMPUTADOR, VÍDEO GAME OU TELEVISÃO:
Estudos publicados na Revista Science, já há alguns anos, mostram o aumento do índice de agressividade em adolescentes que, quando crianças, passavam mais de uma hora por dia em frente a um aparelho de TV ligado.
Os jogos em computador são, hoje em dia, os maiores vilões provocadores da inquietação exagerada e, principalmente, da agressividade infantil.
Analisando-se cada um desses elementos geradores de inquietação exagerada, o papel do educador passa a ser o de encontrar os meios necessários para tentar eliminar as causas possíveis de eliminação, reduzir os efeitos das que persistirem e desenvolver constantes atividades estimuladoras de atenção e aprendizagem.
As crianças que não melhoram seu comportamento nem sua atenção depois de passarem por todo esse processo devem ser encaminhadas para o profissional médico, sempre com o relato mais detalhado possível de seu acompanhamento, sem que seja sugerido qualquer laudo. O encarregado disso é exclusivamente o médico.
Sugiro a leitura desses dois textos, cujos links estão inseridos abaixo, para sua reflexão.
1.       Comentário sobre Leon Eisenberg
2.       Estudo sobre os efeitos colaterais do metilfenidato (IPUB/UFRJ)
http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol31/n2/100.html

quarta-feira, 8 de maio de 2013

IUPE Educação: O Professor e a Escola Ideal


Por maior que seja o esforço do professor, sempre haverá uma imensa diferença entre a escola ideal e a escola real, aquela que é o palco da realização docente.

Essa imensa diferença nem sempre será fruto de incompetência, nem de falta de apoio ou de falta de estrutura física ou material. O principal motivo, para o bom professor, está ligado ao resultado da evolução de suas próprias exigências.

Observem que, a cada resultado positivo alcançado, por melhor que ele seja, vislumbram-se novos caminhos, e com possibilidades ainda melhores!

Mas há armadilhas!

Uma dessas é quando o professor, que é reconhecido em seu primeiro sucesso, acomoda-se, acreditando que alcançou seu objetivo de educador. Ele não acredita que precisa evoluir nem, muito menos, mudar alguma coisa, já que o “seu time está ganhando”...

Essa armadilha pode trazer o declínio da sua capacidade criativa ou de sua força de vontade para evoluir.

Mas se, ao invés da acomodação, leva-se adiante cada novo desafio vislumbrado, estará sendo cumprindo o verdadeiro papel de professor, mesmo sabendo que isso exigirá dele, a cada dia, mais planejamento, mais estudo, mais esforço, mais paciência e mais dedicação.

Falamos de sucesso, mas há também o perigo do fracasso.

Há que se tomar mais cuidado ainda com a forma como são enfrentados os erros! Esses, que também são frequentes, devem ser tão valorizados quanto às vitórias. Eles também apontam para novos caminhos a perseguir para superar as dificuldades encontradas e assim vencer os antigos e os novos desafios.

Os sucessos e os erros, quando bem trabalhados, vão alimentar a criatividade para que, aos poucos, a mente docente elabore novas formas de transformar o espaço existente em um ambiente de aprendizagem verdadeira e prazerosa.

A escola ideal, então, não é um objetivo estático final. Ela deve ser considerada como uma estrada pedagógica dinâmica, construída minuto a minuto na mente do professor, e a ser percorrida durante todo o tempo em que ele estiver se dedicando ao ensino, à aprendizagem e à educação.

Essa forma de ver a escola explica o fato de que dois professores, em uma mesma escola, possam ter visões completamente opostas do seu ambiente de trabalho.

Um exemplo muito simplório, mas elucidativo, é o do professor desestimulado, que reclama da impossibilidade de ele dar aula de geografia sem mapas, enquanto que o outro ensina aos seus alunos a elaboração de mapas, com o material que eles encontrem em casa ou na escola, e os afixa nas paredes da sala.

Além de o segundo ter facilitado a aprendizagem devido ao trabalho prático realizado pelos alunos, há agora, nessa sala, os meios físicos necessários para que a turma consolide o que aprendeu.

Lembremos que nessa escola ideal a estrada existe para que os alunos caminhem nela! Em seu caminho esses alunos são orientados pelo professor.

O professor cria a estrada e orienta seus alunos sobre a forma de percorrê-la. Mas a estrada, mesmo parecendo igual para todos, apresenta desafios diferentes para cada aluno. Muitos desses desafios não haviam sido percebidos pelo professor.

Essa é uma grande realidade: a estrada é a mesma, mas os alunos são diferentes.

E o professor observa que, enquanto alguns alunos passam tranquilos por obstáculos, como se eles não existissem, outros se sentem incapazes de vencê-los!

É nessa hora que o aluno mais precisa do professor.

“Por que algumas coisas tão normais para meus colegas aparecem como desafios imensos só para mim?” – pensa o aluno!

Ao constatar isso, a mente do professor começa a enxergar mais longe e com mais cuidado. 

Agora ele vê desafios que estavam camuflados pela hipocrisia da perfeição.

O que fazer agora na estrada real da escola ideal?

Acompanhar e orientar os alunos que vencem qualquer desafio, para que sigam em frente e vençam, e abandonar os que estão com dificuldades?

Ou dar apoio aos que encontraram dificuldades e deixar os demais seguirem sozinhos?

Nesse momento o professor percebe que a estrada, que é orientada por ele, é composta de várias faixas. São duas, três, quatro ou mais faixas paralelas, com os alunos percorrendo-as, lado a lado, animando, uns aos outros, mesmo que as características de sua caminhada e de seus desafios sejam diferentes.

Estarem caminhando juntos significa também acostumar o aluno com as diferenças e, principalmente, a se sentir responsável pelo entendimento, aceitação e inclusão daquele seu colega com alguma dificuldade.

Na prática do professor em sala de aula, um exemplo também simplório é:

Enquanto que para o aluno sem dificuldades está sendo exigida a conjugação perfeita de todos os tempos verbais, para o aluno com dislexia estaremos muito satisfeitos quando ele consegue aprender como identificar o verbo na frase e como saber que esse é o elemento que denota ação!

Ambos estão caminhando em paralelo, orientados pelo mesmo professor, sempre aprendendo alguma coisa todos os dias, mas cada um dentro da sua possibilidade de aprendizagem e na profundidade adequada.

O desafio nessa orientação de múltiplas faixas duplica, triplica ou quadriplica a depender das diferentes caraterísticas cognitivas encontradas entre os alunos.

O sucesso nessa orientação, em contrapartida, também trará satisfações duplicadas, triplicadas ou quadriplicadas!

A escola ideal, então, é uma estrada dinâmica, que está sendo construída, a cada momento, pelos alunos e pelo professor.

Cada aluno vê, nessa estrada, um caminho ligeiramente diferente daquele visto pelo seu colega ao lado. Desafios encontrados por uns, não são sequer percebidos por outros.

O aluno aprende aquilo que ele pode aprender, caminhando, lado a lado, com seu colega, que aprende um pouco mais ou um pouco menos que ele, já que enfrentam níveis diferentes de dificuldade.

O professor que, além da orientação cuidadosa, estimula, avalia e reconhece cada um dos passos dados por cada um dos alunos em sua respectiva faixa na estrada do conhecimento, esse está na escola ideal.


domingo, 7 de abril de 2013

IUPE Educação: Inclusão na Escola: Princípios e Caminhos Preliminares

A "febre" da inclusão nas escolas está suscitando técnicas, metodologias, teorias e conceitos os mais diversificados possíveis, todos apresentando vantagens e muitas desvantagens.
Tenho observado que os mesmos métodos com excelentes resultados em  diversas escolas são considerados inadequados ou impossíveis de funcionar em outras.
Até nas minhas palestras de início de treinamentos com novos professores percebo comentários de desaprovação que já considero "padrão", como por exemplo:
"Isso tudo, na teoria é ótimo, mas na prática não funciona. Basta tentar dar aula para uma turma igual a que eu leciono!"
Ou:
"Não há como conseguir bons resultados com alunos que já vêm de casa mal educados, sem limites, irritantes e agressivos"
Percebo, então, que existe uma resistência muito grande à mudança. Os professores, mesmo insatisfeitos com seus resultados, preferem continuar no mesmo processo, sem a menor vontade de, pelo menos, tentar entender que há outras formas de se alcançar o objetivo que ele, pelo método atual, não está conseguindo.
A moda é colocar a culpa nas famílias, na mídia, na sociedade, ou nas autoridades. Lógico que todos têm a sua parcela de responsabilidade nesse descalabro que é a educação do país e na "deformação" das mentes dos nossos jovens.
Mas isso, além de ser óbvio, não ajuda em nada!
Que é uma realidade a necessidade de se exigir atuação menos corrupta e mais responsável das autoridades em função pública, isso é claro!
Só que, além de encontrarmos algum tempo e algum meio para fazer tais exigências, além do voto consciente no dia das eleições, temos que, nesse ínterim, estar fazendo a nossa parte. 
E a nossa parte necessita de muito esforço, muita dedicação, muita observação e muito boa vontade para entender métodos e técnicas que podem nos ajudar em muito a obter melhores resultados com nossos alunos.
A metodologia de inclusão, por exemplo, é uma das mais combatidas pelos professores que não acreditam nem em seu próprio potencial de ensino.
Muitos até acreditam que ensinam bem, embora só consigam bons resultados com os alunos bem educados, estudiosos por natureza ou pelo habito doméstico e cumpridores das tarefas escolares em sala e em casa.
Quanto aos demais, esses professores consideram que os maus resultados provêm apenas da falta de educação doméstica ou por alguma anomalia comportamental, emocional, psíquica ou neurológica do aluno, mas que nada tem a ver com a sua forma de ensinar. "Eu sou competente. O aluno é que não presta!"
Então, visto isso, vamos à inclusão:
Nossos estudos mostram, claramente, que há dois princípios básicos que devem ser respeitados em todo processo inclusivo, independente do método, da técnica ou da teoria a ser aplicada:
1º princípio: É definitivamente impossível incluir, numa turma regular, alguma criança com necessidades especiais. O que pode e deve ser incluída é a inteligência, a habilidade, a potencialidade intelectual, a emocionalidade, a inventividade e a criatividade existente em sua mente.
2º princípio: Por mais que o professor esteja preparado para o processo inclusivo, só quem consegue tornar real essa inclusão, na prática, é a turma regular onde esse aluno está inserido.
Isso nos mostra dois caminhos paralelos e importantíssimos para essa jornada:
1º caminho: Se o que vai ser incluído é a intelectualidade desse aluno, cabe ao professor, sempre com a ajuda de todos os colegas do aluno, identificar, estimular e desenvolver essa inteligência.
2º caminho: Para que os colegas assumam os papeis de inclusores sociais, a turma precisa ser preparada por meio de frequentes Assembleias de Classe.
Muitas metodologias de inclusão utilizadas nos Estados Unidos, como a "mainstream", podem ter sido muito bem elaboradas, mas estão fracassando exatamente devido à rejeição apresentada pelos alunos das classes regulares aos seus colegas incluídos. 
Ocorre, frequentemente, o bullying, destruindo qualquer elevação da autoestima que tenha sido realizada anteriormente com os alunos especiais.
O erro não está no processo, mas na falta de preparação dos alunos da turma regular. É comum para o teórico de educação, acreditar que se um método funciona numa escola, terá que funcionar em outra.
Analisamos o processo de "mainstream" e vimos que ele segue exatamente as mesmas práticas que, há algum tempo, já estávamos orientando em alguns modelos de escolas adequadas a isso.
Basicamente os alunos especiais são acompanhados por pessoal especializado em sala separada. Em algumas aulas mais lúdicas na sala regular, esses alunos são inseridos, principalmente para permitir a socialização.
Mas tanto esse processo como o processo de inclusão total só poderão dar algum resultado positivo, se houver aprovação e participação dos alunos da turma regular, o que só vai ser conseguido por meio de Assembleias de Classe muito bem direcionadas.
Sem a participação efetiva dos colegas não há inclusão real.
Peço que pensem sobre isso, mas antes de pensar, por favor, esvaziem o copo, ou seja, tentem deixar de lado as ideias preconcebidas de que nada vai dar certo...

sábado, 23 de março de 2013

IUPE Educação: Proibição do Trabalho Infantil

Mais uma vez sou levado a comentar sobre um assunto que continua sem solução: A proibição do trabalho infantil.

Podemos iniciar assistindo ao maravilhoso vídeo "Criança não trabalha" que foi assistido por muitas crianças na época e que apareceu novamente nesses dias.

Mas logo depois peço para refletirem sobre alguns pontos:

O vídeo é lindo, sou também contra a EXPLORAÇÃO DO MENOR, mas vamos analisar o que é exploração; o que é dar oportunidade a esse menor; e o que é não dar oportunidade legal a esse menor:

1. Antigamente os jornais empregavam crianças para a entrega diária nas residências (como até hoje é feito nos Estados Unidos e na Europa) e isso não era considerado crime. Por que esse trabalho não pode mais ser feito no Brasil?

2. Antigamente as empresas e os técnicos empregavam menores como aprendizes. Esses menores seriam futuros profissionais naquelas áreas. Hoje as empresas que fizerem isso serão punidas como exploradoras de menores, a não ser que essas empresas sejam as emissoras de TV e as empresas de publicidade, que mostram menores trabalhando todos os dias sem que sejam sequer citadas como exploradoras...

3. Nenhuma empresa legalmente constituída pode dar oportunidade de emprego a nenhum menor, já que essa oportunidade será considerada como exploração.

4. Como não encontra emprego em empresa legalmente constituída o menor que não tem como se alimentar vai comer como?

5. As autoridades que resolveram proibir as empresas de empregar menores resolveram a situação das famílias desses menores ou deram apenas uma bolsa família que acaba viciando a família à acomodação e ao desinteresse pela educação e pelo desenvolvimento de seus filhos?

6. O menor abandonado, que não tem família, que não tem como se alimentar e que não pode se empregar como aprendiz junto a uma oficina, uma pequena fábrica, uma chácara, um criatório de peixes, etc., vai conseguir escapar de arranjar emprego no crime organizado?

7. Por que razão não parece haver nenhum interesse em resolver o problema real, que é a falta de oportunidade real para todos por meio do ensino de qualidade em todas as escolas públicas desse país?

domingo, 17 de março de 2013

IUPE Educação: Treinando a empatia do educador

Amigos, o nosso assunto de hoje está ligado ao início do ano letivo e aquela dificuldade que alguns professores têm em entrar em contacto com a turma e se sentir apoiado ou se sentir aceito, por uma turma nova de alunos.
Isso ocorre com muita frequência em turmas de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, principalmente quando o professor do ano anterior foi muito bem aceito pelos seus alunos.
É muito difícil que todos os alunos, logo de início, aceitem o novo professor. Há que haver empatia docente!
Mas como se constrói essa empatia? Como se constrói essa possibilidade do aluno gostar do professor, aceitar o professor, e assim as aulas fluírem de forma positiva?
Antes de mais nada nós temos que entender como se dá a nossa comunicação.
Como é essa forma de nós nos comunicarmos?
A forma de nós nos comunicarmos é através da fala e da linguagem corporal, mas além disso, para complementar essas duas linguagens, existe a linguagem do pensamento.
E essa é fundamental. Essa é primordial para que a nossa fala e a nosso linguagem corporal seja bem aceita pelos alunos.
Tudo será muito bem aceito pelos alunos, se sua mensagem verbal e corporal coincidir com a mensagem que está sendo captada da sua energia, das ondas do seu pensamento, produzidas pela sua mente.
Sabemos que ao elaborarmos a nossa fala, antes de essa elaboração chegar à área de Broca, que é exatamente a área que vai comandar os músculos do aparelho fonador, para sair a fala, e para ajudar na elaboração da linguagem corporal, a mensagem, já está produzida, e sintetizada em pulsos elétricos, ou seja, a mensagem já é uma onda do pensamento, que vai sair da nossa mente e entrar na mente daquelas pessoas que estão nos ouvindo.
Isso, em outras palavras, chama-se telepatia.
Como nós poderemos comandar essas ondas do nosso pensamento para que elas atinjam, de forma positiva, os nossos alunos?
Temos que lembrar que o ponto de partida é o gostar. O gostar de todos os nossos alunos!
Há professores que dizem que, isso na teoria é muito fácil, mas na prática é quase impossível!
E por falar nisso é bom acabarmos, de vez, com essa história de que as coisas na teoria são ótimas, mas na prática são diferentes, porque isso é para quem não quer se dar ao trabalho de se esforçar e conseguir fazer da teoria a sua prática.
Vejo, infelizmente, muitos colegas se acomodarem à mediocridade daquilo que fazem e não desejarem fazer qualquer esforço para conseguir alcançar os resultados que outros conseguem.
O processo é simples.
Começa com o olhar para cada aluno e procurar sentir que gosta de cada um deles. Não interessa se é um aluno malcriado, irritante, agressivo, principalmente porque todas essas características negativas são consequências de alguma programação incorreta feita em sua mente.
Cabe a nós tentar encontrar esse mau programador e tentar modificá-lo. Isso estaremos fazendo mais tarde por meio do "Treinamento Parental".
Mas cabe também a nós, a tentativa de refazer essa programação, como fazem os hackers, tentando modificar a programação original, de forma a consertá-la.
O professor deve ser, então, um hacker, atuando no computador interno da mente de cada aluno.
E essa atuação é realizada por meio da sua empatia, aquela empatia treinada a partir do gostar de cada aluno!
Para entender bem, é bom forçar um pouco a mente para ver que não há como não gostar de alguém. Podemos não gostar das atitudes dessa pessoa, mas ela, por dentro, é essencialmente boa. Todos são.
Há quem diga: Ah! Isso é impossível. Nem de pessoas da família conseguimos gostar...
Não é gostar naturalmente, mas sim treinar gostar!
Todas as pessoas são dignas do nosso amor. Nós só precisamos fazer isso treinando diariamente. 
Olhe para o aluno uma vez. Olhe a segunda vez, a terceira, a quarta, etc... Até conseguir separar suas atitudes de seu eu, e aí gostar dele.
Já houve alunos que eu tive que olhar cinco ou mais vezes para conseguir gostar, mas olhei todas essa vezes até separar sua capa de seu interior e acabar gostando.
E na hora que você gosta tem início o processo de transmissão empática, que alcança o aluno e faz com que ele melhore a relação com você, com sua matéria e com a própria vida dele.
Assim ele estará pronto para estar disposto a aprender sempre. Esse é o seu papel.
Todo esse processo depende de nós.
Nós temos que mudar a má programação dessas mentes, porque se nós não fizermos, quem fará?
Então, professor, está na hora de treinar "gostar" de todos os seus alunos, o tempo todo, mas lembrar que gostar é dar amor e limites, os dois ao mesmo tempo.
Lembremos que quando a criança ou o adolescente sente que há controle sobre ele, vem junto a percepção de que alguém se preocupa com ele. Isso é positivo.
Dar afeto significa controlar, definir normas, definir regras, estipular prazos para tarefas e trabalhos.
Há professores que pensam estar atendendo aos anseios do aluno quando terminam seu assunto antes do término da aula e deixam os alunos à vontade.
O aluno se sente abandonado e desimportante! Embora não declare isso, mas no fundo essa é a verdade.
O tempo deve ser todo aproveitado para tarefas, trabalhos, atividades e o professor deve estar todo o tempo observando e atendendo a todos, gostando e determinando tarefas, gostando e estipulando prazos, gostando e dando a bronca, gostando e punindo, e assim por diante.
É assim que, além de cativar o aluno, consegue-se o aprendizado real.
Vamos, então, aproveitar esse início de ano letivo, para elaborar esse processo de conquista do aluno, para que você se sinta feliz e todos se sintam felizes, facilitando bastante o nosso trabalho.
Depois conversaremos sobre treinamento parental.
Por enquanto é refletir sobre o nosso papel diretamente ligado ao aluno, como se ele não tivesse família.
Reflitam sobre isso e escreva, Mandem sugestões e críticas.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

IUPE Educação: PAZ - Meus valores verdadeiros


MEUS VALORES VERDADEIROS
Acredito que todas as pessoas gostariam de estar vivendo num mundo onde tudo fosse maravilhoso. Nesse mundo ideal estaríamos felizes e satisfeitos conosco mesmo, com as pessoas à nossa volta e com tudo o que somos e com tudo o que temos.
Reflexões filosóficas publicadas ao longo do tempo e pesquisas realizadas com pacientes de terapias psicológicas e psicanalíticas têm mostrado que praticamente tudo nasce na mente das pessoas.
E qualquer pessoa, mesmo sem grandes conhecimentos técnicos sobre o assunto, pode observar que as pessoas parecem ver, ouvir e sentir de forma muito diferente umas das outras, mesmo que elas estejam no mesmo lugar, cercado pelas mesmas coisas, e nas mesmas condições.
Isso pode significar que cada um de nós procura enxergar o mundo à sua volta de acordo com o seu próprio estado de espírito, ou seja, quando estamos muito bem acabamos conseguindo ver coisas positivas e qualidades em tudo e em todos. Já quando estamos mal só conseguimos ver coisas negativas e defeitos em tudo e em todos.
Então é possível que, quando estivermos irritados, nervosos ou ansiosos, esse estado de espírito possa estar sendo produzido, não por alguma razão externa, mas sim por uma opção errada que estamos fazendo, bem no interior da nossa mente, sobre a forma que estamos vendo o mundo.
 As pessoas, as coisas e os problemas levam a culpa, mas na realidade a fonte da nossa insatisfação está dentro de nós mesmos. Nós estamos prestando atenção ao que nos irrita e não as que nos agrada.
Pessoas irritantes, coisas que não gostamos e problemas, tudo isso sempre existiu e sempre existirá! Mas também há pessoas agradáveis, coisas que gostamos e desafios estimulantes. Precisamos então deixar de ver as pessoas irritantes e passar a ver apenas as pessoas agradáveis. Precisamos deixar de ver coisas que não gostamos e passar a ver apenas as coisas que gostamos. Precisamos deixar de ver os problemas e passar a ver apenas desafios estimulantes.  Conseguindo isso estaremos criando um mundo bem melhor!
Agora, vamos à parte prática:
  1. PESSOA AGRADÁVEL OU DESAGRADÁVEL
Procure visualizar a fisionomia de uma pessoa que você não gosta. Se tiver mais que uma, escolha a pior de todas.
Não queira se lembrar dos defeitos. Faça um esforço para encontrar as suas qualidades. Lembre que todas as pessoas, por pior que elas sejam, sempre têm alguma coisa de bom e positivo.
Visualize essa pessoa como se ela só tivesse essas qualidades o tempo todo. Ou seja: crie, em sua mente, a parte apenas positiva dela.
Da próxima vez que você estiver com ela procure mostrar que reconhece esse seu lado positivo e que a admira por isso.
Você vai perceber que, ao longo do tempo, essa qualidade apontada por você aumentará e os defeitos, aos poucos, cessarão.
A partir dessa experiência repita com outra pessoa e assim por diante. Daqui a algum tempo você só terá ao seu lado pessoas que você gosta!
Se prestarmos mais atenção às qualidades de alguém e quando, além disso, mostramos a esse alguém o nosso reconhecimento por suas qualidades, estaremos estimulando essa sua parte positiva a tal ponto que, um dia, seus defeitos desaparecerão por completo! Pelo menos aos nossos olhos!
  1. COISA RUIM OU BOA
Dê uma verificada em tudo o que você tem. Algumas delas você vai descobrir que nem se lembrava de que tinha e passará a usá-las. Há também as que você já não gosta ou não usa. Dentre as coisas que você não gosta, tente alterá-las, modifica-las ou atualizá-las, desde que passem a ser boas para você, faça. Doe as demais, venda ou troque. Não fique mais com o que não gosta. Sucatas materiais criam sucatas na mente...
Se em vez de achar que sua bicicleta está velha você tirar um dia para consertá-la, pintá-la e coloca-la ao seu jeito, aquele objeto passa a fazer parte das coisas que você gosta. E isso pode ser feito com tudo o que você tem.
E quando resolver adquirir alguma coisa adquira apenas aquilo que você realmente precisa, mas escolha muito bem, para ter certeza de que é o que você necessita, é da forma que você gosta e que será verdadeiramente útil durante muito tempo.
  1. SITUAÇÃO PROBLEMA OU DESAFIO
Se ocorrer uma situação problemática em sua vida ela só será um problema se você quiser. Tudo pode ser transformado em desafio estimulante. Basta analisar friamente e calmamente cada parte da situação e iniciar um planejamento diário para ir solucionando parte por parte. Isso transforma o desânimo em estímulo.
Passar de ano, passar num concurso ou passar no vestibular será sempre um problema se visto na sua totalidade. A solução é separar por partes e transformar cada uma delas em desafio estimulante, ou seja: criar a curiosidade e o entusiasmo para aprender cada uma das matérias, para ter conhecimento e vencer qualquer desafio que apareça.
Querer resolver tudo de uma só vez pode ser impossível, mas ir resolvendo parte por parte, além de ser o melhor caminho para a solução, cria os desafios que estimulam a mente e satisfazem o ego.
CONCLUSÃO:
As pessoas, as coisas e as situações são as mesmas sempre! O que muda é a nossa forma de ver e de sentir. E para passar a vida fazendo apenas aquilo que se gosta, basta encontrar em cada obrigação alguma coisa que lhe dê prazer e se dedicar a isso. A obrigação é transformada em prazer.
SUGESTÃO DE PERGUNTAS PARA OS ALUNOS E PARA QUE OS ALUNOS ENTREVISTEM SEUS PAIS:
1. Como eu poderei gostar de quem eu não gosto?
2. Como eu posso gostar de tudo o que eu tenho?
3. O que eu devo fazer antes de comprar alguma coisa para mim?
4. Como posso eliminar meus problemas?
5. Como eu posso fazer apenas o que eu gosto?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

IUPE Educação: Papa renunciante


Vamos aproveitar o momento de um evento que move os noticiários de todo o mundo e que inspira os amantes da Teoria da Conspiração, não para falar que o Papa renunciou por:

1. Não acreditar mais em Deus, como querem alguns ATEUS DESILUDIDOS;
2. Nem para falar que ele era pedófilo, como dizem alguns PEDÓFILOS ENRUSTIDOS;
3. Nem que a Igreja Católica está mergulhando no CAOS, como querem alguns IGREJISTAS QUE PENSAM QUE SÃO CRISTÃOS.

Mas sim para reanalisar nossas crenças e nossos objetivos de vida e procurar transformar as nossas vidas em alguma coisa útil para nós e para a sociedade, sem discriminar quem quer que seja, principalmente se as suas crenças e opções forem diferentes ou até opostas às nossas.

O mundo precisa de menos hipocrisia e mais ação positiva. O mundo precisa de mais amor e menos ódio. O mundo precisa de mais tolerância e menos seleção e exclusão.

A imagem que eu tenho do Papa renunciante nunca foi boa, mas isso é pensamento pessoal meu. A imagem que eu tenho de grande parte dos igrejistas também nunca foi boa, mas continua sendo pensamento e opinião pessoal meus.

Respeito a todos e peço que todos passem a tentar respeitar a todos também.

Vamos deixar o Para renunciante em paz e vamos deixar que a igreja tome o seu rumo como seus cardeias desejarem.

http://robertoandersen.wordpress.com

domingo, 13 de janeiro de 2013

IUPE Educação: Ainda existe alguém normal no mundo?

A chuva suave dessa manhã, contrastando com o dia ensolarado de ontem, acabou provocando um momento de reflexão, onde todos os assuntos, dos mais simples aos mais complexos, passaram a desfilar pelo consciente...

Aproveitei para dar uma visitada na página de Yuri (Facebook.com/irisvan.yuri) e na de Kathlen (Facebook.com/kathlen.oliveira.18) e de Diego Agnelo (Facebook.com/diego.agnelo.9) para ver se algum deles havia publicado alguma das suas elocubrações... Gosto de ler suas dúvidas, suas reflexões e suas postagens...

E o que mais me deixa satisfeito é ver adolescentes e jovens que se entusiasmaram pelo questionamento de mundo, pelos mistérios do ser humano e do universo, pela análise cuidadosa do comportamento de grupos sociais, pela tentativa de entendimento dos conceitos existentes e, ao mesmo tempo, pela disposição para exercitar a polêmica. Esses são assim! 

Fui, então, ao aeroporto, comprar jornais e revistas. Meu interesse era ler a reportagem de Leda Mariza Berbardino, Maria Cristina Kupfer e Christian Ingo Dunker, sobre o austismo e seu tratamento pela psicanálise. Tenho acompanhado essa tendência e ela me interessa muito, já que um de nossos trabalhos é exatamente o acompanhamento e o desenvolvimento integral do autista.

Mas, antes dessa reportagem, tropecei em duas outras excelentes reportagens: A de Jochen Paulus e a outra de Ferris Jabr, sobre as redefinições oficiais das doenças mentais, publicada na Mente e Cérebro nº 240.

Deixei o autismo para mais tarde, para dar oportunidade a todos vocês e, em especial, Yuri, Kathlen e Diego, analisarem e discutirem esse tema sobre doenças mentais.

Os dois artigos falam sobre a nova edição - 5ª - do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, que deve ser publicada em maio próximo.

Nessa nova edição foram incluídos diversos conjuntos de sintomas, que antes não eram considerados importantes, como doenças a serem tratadas pela psiquiatria, ou seja, com o uso de produtos elaborados pela super lucrativa indústria farmacêutica, indústria essa que, só no Brasil, movimenta quase 30 bilhões de dólares!

Três exemplos dessas mudanças são:

Gula:

A partir de maio aqueles "ataques de gula" que ocorrem de vez em quando nas pessoas, passam a ser considerados  como doença, com o novo nome de "Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica".

Jogos e azar, videogame e internet:

Pessoas que passam grande parte de seu tempo em jogos, em videogames e na internet podem ser enquadrados como doentes mentais.

Sexo:

Pessoas que, em certas ocasiões ficam excessivamente excitadas e querem ter uma relação sexual a qualquer custo, também passam a ser consideradas doentes, com o nome de Transtorno Hipersexual".

Riscos futuros:

E para aumentar ainda mais a abrangência dos remédios a serem recomendados, criou-se o termo "Síndrome de Riscos", para definir algumas manifestações que podem estar ocorrendo nas pessoas e que poderiam, a longo prazo, evoluir para alguma síndrome ou transtorno futuro.

Considerando que já estamos acompanhando a exagerada prescrição de RITALINA para qualquer criança mais inquieta que as demais, assim como PROPANOLOL para quem não se livra de memórias inconvenientes, acredito que já dá para imaginar qual a melhor área para se investir no futuro:

Indústria farmacêutica ou rede de drogarias...

E agora?

Como evitar que a população sofra mais esse "ataque" ganancioso dessa indústria? Como evitar que nossos alunos sejam "dopados" por remédios que nunca precisariam tomar?

Será que a mesma disposição que eles estão tendo para desenvolver produtos para tratar a SÍNDROME DE RISCOS estão tendo também para encontrar a cura para o câncer e para a AIDS?

Ou será que a manutenção dos doentes com AIDS com os famosos e caríssimos coquetéis, assim como os tratamentos mantenedores dos doentes com câncer, significam tanto lucro que não convém encontrar cura tão cedo?

Fica a dúvida para reflexão...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Devaneios de Andersen: Nós e a Coréia do Norte nesse primeiro dia do ano

Que sol maravilhoso nessa manhã do dia 1º de janeiro! Pelo menos aqui em minha chácara, em Salvador, quando desde cedo eu e Irani apreciávamos os pássaros e os seus cantos, enquanto ela aparava meu cabelo, para evitar que as crianças e os adolescentes do colégio se divirtam fazendo trancinhas...

Meu filho Erich já ligou! Passou o réveillon na praia de Vilas do Atlântico com minha nora Ivana e devem regressar por volta das onze e meia, para irmos todos almoçar com minha sogra... Programão! Mas, são coisas da vida! Pelo menos Isoli, meu cunhado, deve preparar um de seus maravilhosos pratos especiais, entre eles um saborosíssimo salmão ao molho de maracujá, que ninguém resiste!

Meu filho Caio, como não poderia deixar de ser, ainda dorme tranquilo em seu quarto, mesmo depois da mãe lhe levar uma vitamina, que ele tomou dormindo mesmo...

A noite de passagem de ano foi como todos os anos e, infelizmente, sempre sobram violências, agressões em alguns locais. Numa das ruas próximas a minha chácara uma discussão evoluiu para pancadaria e daí vieram tiros. Resultado: Um morto! Alguns dos meninos que trabalham aqui comigo já relataram tudo, desde o momento do ocorrido, isso às três da manhã.

Leio as notícias e me detenho nas declarações de Kim Jung-Un, o atual ditador da Coréia do Norte, sobre mudanças radicais em seu regime, visando evolução total tecnológica e social! Segundo ele, 2013 será o ano, para a Coréia do Norte, de "grandes criações e mudanças".

Uma das suas frases é de efeito surpreendente: "Devemos realizar uma mudança radical para construir um gigante econômico com o mesmo espírito e valor demonstrados na conquista do espaço: este é o lema que nosso partido e o povo devem apoiar este ano"

Ele também declarou que é importante, para alcançar seus objetivos, que seja eliminado o confronto entre norte e sul.

Aí é que entra a nossa tentativa de análise:

Até que ponto o regime de Kim Jung-Un é o vilão internacional e até que ponto os nossos bloqueios econômicos impostos ao seu país assumem o papel de vilão também?

Lembro que durante uma conferência em que participei na Coreia do Sul, há alguns anos, líderes do sul estavam arquitetando um programa de reaproximação com seus irmãos do norte. Houve, inclusive, uma visita de familiares permitida pelo governo do norte. Na época o governante era o falecido pai de Kim Jung-Un.

As maiores dificuldades eram mostradas como sendo do rigoroso regime de isolamento do norte, ou seja: o norte era o vilão! E assim é passada uma péssima imagem do norte para todo o mundo capitalista! Será totalmente verdade?

Mas vamos deixar de lado um pouco o antigo ditador e fixar nossa análise no atual. Como conseguir governar fazendo algo de útil em seu país se:

Por um lado, precisa estar ligado ao regime "newcomunista" chinês, difícil de entender ainda, mas deixando claro que não abre mão da exploração humana e ignorando qualquer movimento em favor dos mínimos diretos do cidadão. Todos sabemos disso, principalmente porque eles não se preocupam em esconder essa realidade. Nós, os ocidentais, é que ignoramos o que eles fazem com seus habitantes, para poder usufruir dessa exploração, colocando fábricas nossas em seu território, e obter produtos muito mais baratos que os fabricados aqui, onde existem salários, direitos trabalhistas etc...

Por outro lado, o governante tem que procurar atender às famílias de seus habitantes, que precisam reencontrar a parte que foi separada deles. Parte essa que vive no país capitalista meio "americanalhado" do sul e demonstrando a prosperidade econômica que eles, no norte, não podem ter?

Por que manter o bloqueio econômico quase total? Qual a verdadeira motivação que leva a própria ONU a recomendar isso de seus membros?

A desculpa é a mesma utilizada para o regime do Iran. Desenvolvimento de armas nucleares! A terrível desculpa de quem as tem e não abre mão delas, mas quer proibir que todos os demais países as tenham...

É bom lembrar que o Chefe da Missão para Desarmamento Nuclear da ONU tentou abrir os olhos do mundo para essa farsa de desarmamento de um lado só! Ele era brasileiro! E logo depois dessas suas ideias foi destituído de seu cargo. Lembram as razões? Inventaram um "desvio de verba" na sua administração... Coisa facilmente "montada" pelos técnicos americanos de seu gabinete... Ficou por isso mesmo!

É justo? Existe algo justo nessas decisões internacionais? Ou o que há é fruto de puro interesse econômico? Eu não tenho nenhuma dúvida sobre isso!

Bom deixar claro que sou totalmente contra o regime comunista, principalmente o da China, mas sou realista e procuro ser o mais neutro possível em minhas análises e reflexões. É importante para mim isso por razões óbvias. Sou educador e responsável pela formação de dezenas de crianças...

Então, se Kim Jung-Un diz que quer mudar a realidade de seu país, por que não ajudar? Qual o interesse em deixar uma vasta população na miséria por meio de bloqueios econômicos que incluem remédios importantes para a saúde local?

Haverá medo de um progresso imediato do norte? Ou haverá medo de uma reunificação  muito em breve? A quem interessa manter a miséria do norte ou a separação de um povo? Os japoneses foram os principais vilões no passado, mas isso foi passado remoto!

Como entender isso então? Quem são os verdadeiros vilões?

Melhor acordar meu filho Caio para darmos uma nadada na piscina, aguardar a chegada de meu filho Erich e minha nora Ivana e depois irmos todos almoçar na casa da minha sogra... Acho que ela me lembra um pouco Kim Jong-Un... (brincadeirinha...)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

IUPE Educação: Adolescentes inquietos

O que mais ouço de parte dos professores é sobre a inquietação adolescente ou até a agressividade aumentando a cada dia!

É real a observação, mas é importante analisar as causas, todas elas, uma por uma, com o maior rigor possível, para evitar que sejamos levados a consertar a consequência de um problema, em vez de consertar a sua principal causa.

Erros como esses são comuns, como foi o da proibição de crianças serem utilizadas como entregadores de jornais. Proibiu-se o trabalho infantil, o que parece ser uma atitude correta, mas não se proibiu que essas crianças sentissem fome, principalmente aquelas que fazem parte de famílias miseráveis ou até aquelas que nem família possuem.

Criou-se o bolsa família para a crianças poderem estar na escola, mas quando fui verificar de que forma elas estariam conseguindo aprender de verdade, confirmei que a maioria trabalha no turno oposto, ou seja, a escola serve apenas como local para almoçar, mas nunca para aprender.

Por que falo isso? Porque para aprender não adianta apenas estar assistindo a uma aula. Existe necessidade da criança reforçar o que aprendeu, realizando uma tarefa no turno oposto. Só assim ela constrói sua memória cognitiva real. Com essas crianças nada disso ocorre.

Ela precisa ser estimulada a estudar, mas para isso tem que estar feliz e satisfeita com a escola e ser orientada de forma rígida porém afetiva, mas...

...Voltemos a falar, como começamos, da inquietação e agressividade. Já estávamos entrando em outro assunto que, embora seja importante, deve ser tratado mais tarde.

Inquietação e agressividade!

Não tenho dúvidas! Quando uma criança ou um adolescente age de forma inquieta ou agressiva existe uma razão forte que independe dessa criança ou desse adolescente.

Os motivos, então, devem ser encontrados, para que nossas atitudes tenham resultado prático e eficaz.

Um dos elementos alimentadores dessa inquietação, estresse e agressividade é a exposição, por tempo muito  prolongado, a um aparelho de TV, a um computador ou a um jogo de videogame. Até uma hore esses equipamentos são até bons para estimular o raciocínio, tanto em memória como em velocidade de processamento. Mas a partir de uma hora os neurônios começam a ficar estressados e a inquietação aparece, junto com o estresse e a agressividade.

Mas como resolver esse problema se os pais consideram "um verdadeiro achado" a TV, o computador e o videogame, já que evita que seu filho esteja "na rua"...

Nem precisamos responder mais essa pergunta. Todos já sabem dos malefícios da exposição exagerada a esses equipamentos.

Precisamos, sim, apresentar opções. E há muitas opções de diversão. Opções bem escolhidas e bem planejadas satisfazem as crianças e os adolescentes de tal forma que, de repente, descobre-se que eles são ótimos, e que só precisavam de atividades lúdicas e prazerosas para manter um comportamento estável e se relacionar corretamente com colegas, professores, pais, familiares etc...

Estamos preparando o planejamento 2013 para o IUPE e para todas as escolas orientadas por nós, onde essas opções estão todas inseridas. Mas precisamos que todos vocês analisem, pensem, relembrem, para sugerir novas opções, novos jogos, passatempos e diversões, para enriquecer a lista de sugestões para 2013.

Aqui vai um exemplo, como sugestão:

Para o IUPE hoje é um dia especial. Por que? 

Hoje é dia de pura diversão para os alunos do IUPE na chácara! Tudo começou no colégio, às oito da manhã, cada um trazendo uma bandeja de comida e um refrigerante, para que o momento da fome fosse também de fartura.

A vice-diretora Linda coordenando o transporte, ajudada pela auxiliar de coordenação Sueli.

Assim que chegou o transporte foram, todos, pela Avenida Paralela rumo ao bairro do Cassange, próximo ao aeroporto.

Chegaram todos, sendo recebidos pela diretora Irani e por Caio, recém passado para o 2º ano do Ensino Médio.

Em pouco tempo os meninos já estavam na piscina e as meninas, como sempre, ainda se preparando para "aparecer".

Quando elas surgiram na piscina eles já estavam na quadra jogando futebol.

Mais tarde todos regressaram à piscina, já que a temperatura hoje recomenda muita água mesmo!

A forma deles se divertirem mostra exatamente o que dissemos antes. Basta ter opção de diversão que as mentes aquietam e a diversão passa a ser totalmente sadia.

Essa é uma ideia. E não é dispendiosa. Cada um traz uma bandeja de comida e algo para beber. Sobre de despesa o aluguel do espaço, embora hoje seja gratuito, já que é a minha própria casa. O transporte pode ser dividido por todos, o que facilita bastante até para alunos carentes. O de hoje foi meu presente de Natal para meus alunos.

E assim muda-se a mentalidade de um grupo, transforma-se uma comunidade, algo de útil se faz pela sociedade...

Assista ao VIDEO DO PASSEIO

Abaixo estão duas fotos do passeio: