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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Síndrome amotivacional com Roberto Andersen em IUPE Educação

Pode parecer que estar sem disposição para fazer as coisas é algo normal, mas, na realidade, pode ser um indício de algo que precise de uma atenção especial.

Pode estar havendo uma alteração no equilíbrio dos neurotransmissores, por exemplo. Esse equilíbrio é básico para nosso estado emocional como um todo!

Os neurotransmissores mais ligados à motivação são a dopamina e a noradrenalina.

A dopamina, por sua vez, além da motivação em conjunto com a noradrenalina, se liga também ao prazer e a iniciativa, logo, nossa preocupação mais imediata passa a ser a elevação dos níveis de dopamina.

Então, se o que sentimos é falta de disposição, falta de ânimo ou falta de motivação, vamos partir para a elevação dos níveis de dopamina, até que nosso estado emocional esteja todo equilibrado novamente.

O que precisamos, então, é saber quais as dicas para provocar a elevação desses níveis.

Há muitos estudos sobre isso, mas como nossa preocupação não é com trabalho acadêmico, e sim com a prática do dia-a-dia, vamos a síntese de tudo o que já chegou a nós sobre isso, envolvendo cinco áreas principais, que são:

Alimentação, atividade física, meditação, uso do sistema de recompensa cerebral e redução do estresse.

A todo momento que estivermos buscando cumprir cada uma das dicas, é importante estarmos atentos à elevação da autoestima!

E isso deve ser feito tanto pelo reconhecimento positivo de tudo o que você tem, como também de tudo o que você é, iniciando pela satisfação de estar vivo.

Essa parte é importante porque o efeito psicossomático é primordial para a saúde do nosso corpo e da nossa mente.

Mas vamos às dicas:

Alimentação

A nutrição correta é primordial para possibilitar a produção equilibrada de todos os neurotransmissores.

Mas, além disso, vamos dar importância a alguns que são mais ligados à dopamina e aos melhores métodos para a absorção dos nutrientes.

Coma frutas entre as refeições. Há uma divulgação pela internet que o ideal é comer frutas de estômago vazio. Não sei se é verdade. Sei que frutas são importantes. Se comer entre as refeições estará se alimentando corretamente e, se essa história de estômago vazio tiver algum sentido, estaremos cumprindo essa parte também.

Após as refeições só bebida quente, tipo chá, por exemplo. Nunca bebida gelada. Isso já é um conhecimento antigo na Rússia. Eles também recomendam nunca beber água gelada, mas essa parte ainda é muito polêmica. Eu não bebo água gelada. Me acostumei assim e acho a água natural deliciosa!

E, inclua em sua dieta, sempre que possível:

Chá verde
Gérmen de trigo
Farinha de aveia
Ovos
Beterraba
Iogurtes, coalhadas e outros probióticos

Atividade Física

Sempre se soube que as atividades físicas provocam a neurogênese, melhorando o fluxo de nutrientes para o cérebro.

Mas, além disso, essas atividades provocam o aumento dos níveis basais de dopamina, provocando o crescimento de novos receptores nos neurônios.

Novos receptores significam maior tráfego sináptico, ou seja, maior intercomunicação entre todos os nossos neurônios, o que significa muito mais eficácia nas nossas atividades cerebrais.

Além da dopamina, os exercícios aumentam também os níveis da serotonina e noradrenalina, que são exatamente os três mais importantes neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio emocional.

Então, o recomendado é que se faça meia hora diária de atividade física, que pode ser uma caminhada com alongamento, por exemplo. Eu faço mais do que isso, mas em dias alternados. Todos os dias faço apenas um alongamento completo.

Meditação

A meditação regular aumenta os níveis de dopamina e, por isso, melhora a atenção e a capacidade de concentração.

Use qualquer processo de meditação ou mentalização ou concentração de forma que você esteja ligado a você mesmo.

Quem for religioso, como eu, pode aproveitar para juntar a meditação, ou mentalização, às suas orações de rotina.

Alguns efeitos desse processo, como o acréscimo considerável na espessura da massa cinzenta cerebral, foram observados por meio de ressonância magnética.

Ou seja: funciona mesmo!

Eu faço isso diariamente assim que acordo. Levo mais ou menos uma meia hora. E me sinto muito bem o dia todo!

Uso do sistema de recompensa cerebral

Nosso sistema de recompensa cerebral atua no sentido de provocar sentimentos de muita satisfação emocional, aumentando os níveis da dopamina.

Para isso ocorrer precisamos planejar, buscar e realizar coisas que provoquem satisfações, por menores que sejam, já que são elas que ativam os circuitos dopaminérgicos.

Esse planejamento pode ser, por exemplo:

Criar metas diárias, de curto prazo, que você possa realizar e ficar satisfeito com isso.

Transformar suas metas de longo prazo em várias metas intermediárias de curto prazo, para ter a dopamina estimulada todo o tempo.

E essas metas podem ser:

Uma aventura diferente, encontrar uma especiaria para comer, provocar um abraço amoroso em um amigo, criar um programa de atividades físicas, etc.

Para quem já assistiu ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, a recomendação do professor para seus alunos foi uma forma bastante interessante de se cumprir essa parte.

Ele disse “Carpe Diem”!

No fundo esse termo mostra que devemos aproveitar cada momento da nossa vida como se ele fosse o mais importante de toda a nossa existência, focando apenas no momento presente e sentindo o prazer daquele instante, aproveitando cada segundo dessa relação entre nós e o ambiente, as pessoas presentes, o momento, o espaço e o tempo!

É a criação instantânea de uma meta imediata! A de sentir prazer naquele momento, naquela relação com o mundo, naquela sensação de estar presente em nossa própria vida!

Faço isso sempre!

Redução do estresse

Planeje seu dia e sua noite sem estresses, da seguinte forma:

Redes sociais – o ideal é planejar horários fixos para acessar as redes e respeitar tal planejamento. 

Seus amigos dirão que você os deixou no vácuo...

Acostume seus amigos a respeitar seus “vácuos”! Mostre que não são vácuos! São momentos em que você está se tornando melhor ainda e fazendo crescer seu amor interior, para poder compartilhar, depois, com eles!

Jogos eletrônicos, exposição ao computador, jogos pelo celular, etc. – planejar horário para isso, com limitação de tempo (uma hora de cada vez).

E planeje seus intervalos para fazer algo mecânico, crie algum hobbie, alguma pintura para fazer, algum desenho, alguma poesia a escrever com papel e caneta, ou um passeio lá fora...

Sono – planeje seu sono para estar dormindo antes da meia noite, sempre que possível, e programe a sua hora de acordar.

O momento do sono é o momento mais importante para a nossa mente, já que é o momento em que ela vai trabalhar, incessantemente, para reorganizar todas as nossas redes neurais e recuperar a energia de todas as células do corpo!

Prepare-se, antes, para esse período tão importante para a vida!

Elimine as interferências externas ao sono desligando todos os equipamentos (TV, computador, etc.) pelo menos meia hora antes de dormir. O processo de sono é um processo eletromagnético que, se sofrer interferências, nunca será tão perfeito.

Deixe o celular em outro cômodo da casa. A proximidade dele prejudica seu processo de recuperação cerebral. O celular é um grande vilão! Acredito que ele seja um dos principais responsáveis pela intolerância social tão comum hoje nas ruas! Ele estressa nossas redes neurais!

Pronto!

Vimos a alimentação, atividade física, meditação, uso do sistema de recompensa cerebral e redução do estresse.E vimos também que todas as dicas devem sempre estar acompanhadas da elevação da nossa autoestima! Tudo deve ser feito visando o prazer de fazer, o prazer do momento, o prazer da relação para com o ambiente, as pessoas e as atitudes, ou seja, o prazer de ser você mesmo!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

IUPE Educação: Formação da personalidade da criança - Manipulação mental e suas consequências

Hoje nosso tema continua abordando a formação da personalidade da criança e do adolescente, mas vamos pegar uma carona na dúvida de Sthéphanny, minha amiga adolescente, do Rio de Janeiro.

A mesma pergunta, de forma muito semelhante, foi feita por Marcos, de Niterói e Raul de São Paulo. Ambos adolescentes, como tem sido a grande maioria das dúvidas que recebo.

Pelo que eu entendi de sua mensagem, Sthéphanny, que foi a mensagem mais completa, seu interesse é pelos efeitos, na formação da personalidade do indivíduo, das manipulações mentais que essa pessoa sofreu quando criança, ou quando adolescente, e também em relação as manipulações exercidas por ela mesma, quando ainda criança, em relação aos adultos.

São dois tipos de manipulação mental. Uma sofrida pela criança e outra exercida por ela.

Vamos começar pela segunda parte da pergunta: Criança exercendo o seu poder de manipulação mental em relação aos adultos.

Lembrem que a criança, em cada fase da sua formação, seja ela oral, anal, fálica ou latente, ela precisa estar tendo as suas necessidades satisfeitas, principalmente para evitar a formação de neuroses que possam trazer sérios problemas futuros.

Já analisamos duas dessas fases, a oral e a anal, em outros artigos, mas todas elas são analisadas, detalhadamente, em meu livro “Afetividade na Educação”, a partir da página 56.

Por que precisamos desse conhecimento?

Esse conhecimento é fundamental para distinguir o que é necessidade real, daquilo que pode ser considerado como manipulação mental, exercida pela criança.

Essa manipulação tem, normalmente, o objetivo de sondar seus limites, para ampliá-los, mas pode ser também uma forma de ter o controle dos seus pais em suas mãos, ou até a satisfação de uma necessidade emocional que foi construída de forma incorreta durante uma dessas fases.

Vamos ver algumas dicas para esse entendimento, visando a fase oral, que vai do nascimento até aproximadamente um ano e meio:

Se a maior parte da relação afetiva dos pais para com seus filhos bebês for feita com o bebê no berço ou no carrinho, essa criança estará sentindo o afeto dos pais e, ao mesmo tempo, registrando o seu contato seguro e confiante com o mundo à sua volta, já que estará recebendo o carinho dos pais e apoiado no colchão do berço.

O prazer afetivo que esse bebê estará sentindo e registrando será do carinho dos pais junto com o apoio do berço.

Essa criança estará construindo uma personalidade segura e confiante, o que significa o estabelecimento de sua estabilidade emocional.

Se essa criança, toda vez que recebe algum carinho, está no colo de alguém, da forma que as avós adoram, ela se acostumará a precisar, sempre, estar totalmente envolvida pelo corpo de um adulto para sentir segurança emocional.

Essa criança, então, vai sempre desejar sair de seu berço ou de seu carrinho, aplicando, então, o golpe da manipulação via choro sem motivo.

Na realidade esse choro manipulador foi criado pela atitude incorreta de quem insistiu em estar com ela no colo.

Ou seja, a atitude manipuladora dessa criança foi criada por quem a carregou no colo desnecessariamente.

O choro, nesse caso, caso a criança não esteja com algum tipo de desconforto físico ou orgânico, é parte do seu exercício de manipulação.

Se os adultos correm para leva-la ao colo, a criança sentirá que venceu e que, sempre que desejar ampliar seus limites, bastará aplicar esse mesmo golpe: o choro.

As consequências da atitude incorreta dos adultos, aceitando a manipulação e levando-a sempre ao colo, é a formação, nessa criança, de uma personalidade insegura e insatisfeita para com o ambiente à sua volta.

Então, os pais têm duas opções nesse caso:

Primeira opção, totalmente incorreta, mas infelizmente, a mais comum:

Aceitar a manipulação do choro e saber que essa criança será um adulto inseguro e emocionalmente instável e, toda vez que a criança chorar leva-la ao colo para que ela se acalme e durma.

Segunda opção, a mais correta, mas a que dá mais trabalho:

Fazer todo tipo de carinho, afago e atitudes de afeto, com a criança em seu berço ou em seu carrinho, para construir novamente a relação entre o afeto dos pais, que representa o amor paternal, e a segurança de seu berço, que representa a sua segurança física no mundo à sua volta.

Lendo as páginas 56 a 69 do Afetividade você poderá identificar com muita facilidade o que é necessidade real e o que pode ser simples manipulação.

O importante é estar ciente desses desafios, para evitar as sérias consequências futuras na formação da personalidade dessa criança, principalmente a criação de uma personalidade insegura e totalmente dependente.

Vamos agora a primeira pergunta, que foi sobre a manipulação exercida sobre a mente da criança.

Essa traz consequências ainda mais graves para a formação da sua personalidade.

Mas o pior é que sabemos que essa manipulação mental está sendo realizada a todo momento, principalmente pela mídia e pelo comportamento do grupo ao qual pertencemos, aqui em nosso país, e de forma pior ainda nos EUA, por meio da mesma mídia, mas acrescida de um elevadíssimo poder de manipulação exercido pelas propagandas subliminares.

Nós também sofremos as consequências dessas propagandas subliminares, mas em nosso país elas não estão tão ativas como lá.

Podemos dar aqui dezenas de exemplos, mas vamos nos concentrar nos mais evidentes:

Consumismo e infelicidade
Opção sexual e infelicidade

Vamos ao consumismo:

A mídia é a principal vilã nessa manipulação, criando na criança e no adolescente uma personalidade consumista que vai necessitar, para sua satisfação pessoal, estar sempre procurando ter aquilo que suas condições não alcançam.

O indivíduo assim formado estará sempre se sentindo insatisfeito com o que é e com o que tem, sempre achando que sua infelicidade decorre da falta de recursos para adquirir o que deseja.

E cada vez que esse indivíduo consegue adquirir, mesmo com muito sacrifício, um bem desejado, ele experimenta uma imensa alegria, só que temporária, trazendo-o de volta à sua infelicidade assim que a novidade deixa de satisfazê-lo.

Vamos à opção sexual:

Para quem já leu meu livro “Sexo: a escolha é sua”, releia as páginas 53 a 67 e relembre o significado de orientação sexual, atração afetiva e física e opção sexual.

Analisando nossos estudos e aquilo que publicamos, vemos que existe, em cada um de nós, uma programação muito bem definida em relação a atração afetiva e física que vamos sentir a partir da puberdade.

Mas para que essa atração seja corretamente satisfeita, ela não deveria sofrer influências externas contrárias à naturalidade da personalidade sexual já formada.

No vídeo Formação da Personalidade Sexual, já publicado, detalhamos esse processo cientificamente.

A explosão de hormônios na fase adolescente deverá ser o momento de entendimento, satisfatório e saudável, da atração afetiva e física que esteja sentindo, reforçando a construção da sua personalidade sexual.

Mas para aqueles que estão sofrendo pressões contrárias à sua orientação já definida, os resultados na formação de sua personalidade poderão ser catastróficos.

Vejamos, por exemplo, crianças e adolescentes cuja orientação sexual seja heterossexual, mas que estejam mergulhados em comunidades gays ou assistindo a novelas e programas que fazem propaganda explícita de amor homossexual.

A natural curiosidade e confusão mental de um adolescente em formação e, principalmente dos pré-adolescentes que já estão envolvidos em atitudes sensuais e até sexuais, devido aos programas que assistem e cultura local, poderá levá-lo a experimentar e assumir uma opção homossexual, por influência externa, diferente da sua orientação real, sem que se dê conta do erro, devido a influência externa.

O resultado será a formação de neuroses sérias, impedindo a sua satisfação real e trazendo permanente sentimento de infelicidade, mesmo que esteja experimentando alegrias temporárias em prazeres momentâneos, já que esses relacionamentos, mesmo trazendo sensações de prazer, não estão de acordo com a programação da sua personalidade.

De forma oposta temos o adolescente ou pré-adolescente, cuja orientação sexual programada é homossexual, mas que está sendo criado em um ambiente rigidamente oposto à homossexualidade.

A manipulação mental agora é do próprio meio em que vive, como alguns ambientes religiosos mais radicais, por exemplo, e nesse caso surge a figura, hoje polêmica, do “menino nasce menino” e “menina nasce menina”, seguidos dos jargões disseminados insistentemente pelos educadores religiosos e contestados pelos educadores simpatizantes dos movimentos de liberdade total na educação de gênero.

Mas o que nos interessa é a consequência desses dois casos apresentados.

Nesse segundo caso o adolescente assume uma opção heterossexual, mesmo sentindo que a atração afetiva, física e sexual que sente não é pelo gênero oposto.

O resultado será também a geração de neuroses, já que prazeres íntimos e, principalmente, sexuais, em relacionamentos diferentes daqueles para os quais a mente está programada, podem ser considerados, pela própria consciência, como uma agressão, uma violência ou até uma espécie de prazer masoquista.

Dúvidas? Escreva para mim:

ou mande mensagem pelo WhatsApp:
(71) 9-9913-5956

Para adquirir nossos livros entre em nosso BLOG e clique na capa de um deles:
robertoandersen.blogspot.com

Os livros, com os links para adquiri-los, estão também no portal de nosso colégio:

Lista de LINKs de todos os nossos artigos:

Lista de LINKs de todos os nossos vídeos:

Forte abraço.

Até nosso próximo encontro

terça-feira, 21 de julho de 2015

IUPE Educação: Criando a inteligência


Amigos,

Todos queremos que nossos filhos e alunos sejam inteligentes, tenham boa memória para arquivar conhecimento e saibam utilizar tudo isso com sabedoria.

E a melhor notícia é que todas as pessoas nascem com aproximadamente a mesma potencialidade intelectual e, portanto, todas podem alcançar tudo isso com facilidade!

Entretanto, durante todo o processo de formação do ser humano, cada um vai desenvolver mais ou menos capacidade de raciocínio, memória, atenção, entendimento, compreensão, elaboração e criatividade.

Por que essas diferenças acontecem?

As diferenças são fruto das diferentes formas como essa pessoa se relaciona com o mundo à sua volta e se interessa por ele, incluindo aí a observação do outro, a capacidade de ouvir o outro e, principalmente, a capacidade de compreender as ideias do outro e de analisar essas ideias em relação à sua própria forma de ver o mundo.

Aquilo que vemos, ouvimos e sentimos e, mais ainda, aquilo que o outro diz, faz e até mesmo o que o outro pensa, tudo isso é de fundamental importância para o desenvolvimento de nossa capacidade de percepção dos assuntos e dos fatos ao nosso redor.

Assim ocorre em uma aula, uma palestra, uma conferência, assim como na leitura de um livro ou ao assistirmos a um filme.

Mas perceber é apenas parte do processo. O processo inteiro inclui perceber, entender, compreender e aprender.

Percebemos ao ver, ouvir e sentir. Entendemos ao processar o que é percebido. Compreendemos quando conseguimos fazer comparações com o que já conhecemos. E aprendemos quando a compreensão se transforma em memória definitiva, ou consolidada.

E para todo esse processo funcionar perfeitamente, basta seguir algumas dicas bem simples:

Primeira dica: O SONO

O período do sono é o mais importante para o desenvolvimento da inteligência e, portanto, para o aprendizado e a memória.

É só durante o sono que o ser humano consegue construir a sua memória consolidada, com as informações que ele captou e processou durante o dia.

Esse período do sono, para ser completo, deve ter oito horas de duração, para adolescentes e no mínimo seis horas para adultos.

Mas não é só dormir...

Alguns procedimentos são necessários para que o sono transcorra normalmente. Entre eles:

Desligar TV, computador e smartphone, pelo menos meia hora antes de dormir.

Assegurar-se de que a última refeição foi leve e que já se passou mais de uma hora de seu término.

Olhar a hora que está indo dormir e planejar a hora que você precisa acordar.

Durante o sono a máquina cerebral se encarregará de construir toda a memória consolidada, memorizando todas as informações, que foram consideradas importantes, nas áreas correspondentes do córtex cerebral.

(Os detalhes desse processo, para quem gosta de neurociência, estão à disposição em nossos cursos)

Segunda dica: REGISTRAR O QUE É IMPORTANTE

Conforme você viu, o cérebro arquiva na memória consolidada tudo o que foi considerado importante.

Mas como podemos definir, para nosso cérebro, o que é importante, dentro de tudo o que foi captado durante o dia?

É simples demais!

Basta escrever o que você entendeu sobre os assuntos importantes. Vale também fazer um resumo ou um fichamento.

O importante é que você use as mãos escrevendo alguma coisa relacionada ao que é importante.

Esse comando motor ativa todo o córtex cerebral e define que aquele assunto é importante para ser gravado na memória consolidada.

Terceira dica: LER ANTES O ASSUNTO QUE SERÁ ENSINADO

A leitura, na véspera, dos assuntos que serão tratados em aulas, palestras ou conferências, facilita a percepção, o entendimento e a compreensão, além de possibilitar o aparecimento de dúvidas conscientes.

Não ter lido nada sobre o assunto pode trazer dúvidas sobre a totalidade, do tipo: “Não entendi nada! ” São dúvidas difíceis de serem respondidas pelo professor ou palestrante!

Pronto!

Agora estamos prontos para desenvolver a inteligência!

Leu o assunto antes.

Assistiu à aula ou palestra já com a capacidade de ter dúvidas ou até de interagir.

Escreveu sobre o assunto ou fez um resumo ou fichamento.

Agora o processo não é mais com você, mas sim com o seu cérebro que, durante o sono, automaticamente, vai transferir tudo o que foi considerado importante, para a memória consolidada no córtex cerebral.

Está completo o ciclo da formação da memória, do conhecimento, da inteligência e da sabedoria!

Qualquer dúvida escreva para mim:

Os livros sobre esses assuntos estão à venda em nosso colégio, o COLÉGIO IUPE, na Avenida Monteiro, 19, entre a Liberdade e o Largo do Tanque, em Salvador.

Pode também pedir pelo correio. Basta entrar no nosso BLOG e clique na capa de um deles:
robertoandersen.blogspot.com

Dúvidas urgentes?
Mande pelo whatsapp:
(71) 9913-5956


Forte abraço e até o próximo encontro.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

IUPE Educação: Ideias e opiniões

Vamos conversar, hoje, sobre ideias e opiniões.

Vamos tentar refletir um pouco, não sobre um assunto polêmico qualquer, mas sim sobre a necessidade de respeitar, analisar e procurar compreender as opiniões e ideias que não coincidem com as nossas e, principalmente, aquelas que divergem totalmente da nossa forma de pensar!

O momento é propício, porque as pessoas estão se irritando, de forma quase agressiva, ao discutirem assuntos que estão na mídia, quando encontram alguém que não concorde plenamente com a sua forma de pensar!

Isso ocorre todos os dias em relação a futebol, política e religião, que são os três “carros chefes” das intolerâncias e conflitos e, mais especificamente em ideias sobre desarmamento, maioridade penal, eliminação de manicômios, trabalho infantil e outros assuntos também em pauta.

Para refletir sobre isso, temos que começar por uma virtude muito importante, chamada de humildade!

Humildade é uma palavra fácil de pronunciar, mas difícil de praticar!

E essa prática começa pelo entendimento de que:

- Nós não somos melhores do que ninguém.
- Nosso raciocínio pode não ser o mais correto do mundo.
- Nossos argumentos podem estar equivocados.
- E também que, mesmo se o interlocutor estiver errado, suas ideias sempre têm algum sentido e podem trazer algum ensinamento para nós. Desde que saibamos ouvi-lo atentamente, analisemos a sua fala e compreendamos os seus motivos.

É importante ter em mente que, por vezes, o interlocutor está vendo o fato por um ângulo que não havíamos percebido antes.

Como começa esse processo?

Tudo, então, começa pela educação.

Vejo, na maioria das escolas, crianças e adolescentes sendo preparados para responder perguntas e resolver questões, exatamente de acordo com o livro texto, ou conforme a orientação do professor.

Vejo que o estímulo ao questionamento e a criação de ideias próprias é quase inexistente no período escolar.

Esses alunos se formam com ideias “enlatadas” e prontos para seguir outras ideias, mais enlatadas ainda, que lhes serão apresentadas pela sociedade, pela mídia, ou pelo seu grupo social.

A partir do momento em que aprendem (ou decoram) uma opinião dessas, perdem toda a capacidade de questioná-la, assumindo seu aprendizado escolar ou até acadêmico, não como estimulador para a busca do conhecimento, mas como verdades absolutas estanques e definitivas.

Ao se formarem, já se consideram os perfeitos donos do conhecimento!

Mas a realidade é que o mundo muda e a ciência avança.
Isso significa que muitos dos argumentos que eram válidos ontem, já não servem para mais nada hoje.

O aprendizado não pode ficar engessado no ontem!

Vamos, então, ver a parte prática disso que estamos conversando, para evitar que nossos filhos e alunos engrossem a fileira dos incapazes intelectuais: Aqueles que se fecham em suas opiniões preconcebidas e enlatadas; aqueles que se acham os donos da verdade; aqueles que, agindo assim, deixam de contribuir, de forma prática e produtiva, para o bem social!

Ponto um: NÃO REPONDA PERGUNTA DE FILHO OU DE ALUNO

Como é isso? Primeiro devolva a pergunta ou o questionamento. Mande que ele encontre a sua resposta, com seus argumentos, mesmo que ele não se ache capaz disso.

Quando ele responder, reconheça o valor da resposta dada. Analise, com ele, como ele chegou a essa conclusão. E vá mostrando outras formas de ele encontrar argumentos para suas próximas produções intelectuais. Essa já foi uma!

Ponto dois: ENSINE-O A QUESTIONAR

Estimule seus filhos e alunos a questionar as opiniões e ideias, incluindo a de seus pais e professores. Mesmo que ele ache que elas estão certas!

Ensine-os a analisar os argumentos, para tentar encontrar alguma incorreção neles ou na sua interpretação.

Se seus filhos e alunos começarem a concordar muito com tudo o que você diz, crie momentos de exercício de raciocínio por absurdo, que nada mais é do que contestar, de forma absurda, uma opinião que nos parece verdade absoluta.

Estimule-os a criar outras formas de entender o mesmo fato, outras formas de realizar as mesmas tarefas, ou seja, estimule-os a ter criatividade.

Ponto três:

Estimule-os a se interessar em ler livros, artigos e textos que tragam ideias completamente opostas as deles, para que aprendam a entender as razões que levaram aqueles autores a pensar e escrever coisas com ideias completamente opostas aquelas que eles entendem como verdadeira.

Estimule-os a conversar abertamente com colegas de ideias opostas, para que aprendam a entender o contrário e aqu8lo que lhes pareça contraditório, para que compreendam as diferentes formas de raciocínio e as diferentes visões que as pessoas têm de um mesmo fato.

Alerte-los para evitar dar a sua opinião em ambientes de intolerância e incompreensão, já que onde as mentes se encontram, o contrário (ou o diferente) pode provocar conflitos indesejáveis.

Esses três pontos são suficientes para a preparação de mentes abertas ao novo, tolerantes para com o contrário e para com o que nos parece contraditório e, assim, preparar mentes em franco crescimento intelectual, contribuindo para a construção da verdadeira sabedoria.


Essas mentes são as que queremos para nossos filhos e para nossos alunos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Devaneios de Andersen: Nós e a Coréia do Norte nesse primeiro dia do ano

Que sol maravilhoso nessa manhã do dia 1º de janeiro! Pelo menos aqui em minha chácara, em Salvador, quando desde cedo eu e Irani apreciávamos os pássaros e os seus cantos, enquanto ela aparava meu cabelo, para evitar que as crianças e os adolescentes do colégio se divirtam fazendo trancinhas...

Meu filho Erich já ligou! Passou o réveillon na praia de Vilas do Atlântico com minha nora Ivana e devem regressar por volta das onze e meia, para irmos todos almoçar com minha sogra... Programão! Mas, são coisas da vida! Pelo menos Isoli, meu cunhado, deve preparar um de seus maravilhosos pratos especiais, entre eles um saborosíssimo salmão ao molho de maracujá, que ninguém resiste!

Meu filho Caio, como não poderia deixar de ser, ainda dorme tranquilo em seu quarto, mesmo depois da mãe lhe levar uma vitamina, que ele tomou dormindo mesmo...

A noite de passagem de ano foi como todos os anos e, infelizmente, sempre sobram violências, agressões em alguns locais. Numa das ruas próximas a minha chácara uma discussão evoluiu para pancadaria e daí vieram tiros. Resultado: Um morto! Alguns dos meninos que trabalham aqui comigo já relataram tudo, desde o momento do ocorrido, isso às três da manhã.

Leio as notícias e me detenho nas declarações de Kim Jung-Un, o atual ditador da Coréia do Norte, sobre mudanças radicais em seu regime, visando evolução total tecnológica e social! Segundo ele, 2013 será o ano, para a Coréia do Norte, de "grandes criações e mudanças".

Uma das suas frases é de efeito surpreendente: "Devemos realizar uma mudança radical para construir um gigante econômico com o mesmo espírito e valor demonstrados na conquista do espaço: este é o lema que nosso partido e o povo devem apoiar este ano"

Ele também declarou que é importante, para alcançar seus objetivos, que seja eliminado o confronto entre norte e sul.

Aí é que entra a nossa tentativa de análise:

Até que ponto o regime de Kim Jung-Un é o vilão internacional e até que ponto os nossos bloqueios econômicos impostos ao seu país assumem o papel de vilão também?

Lembro que durante uma conferência em que participei na Coreia do Sul, há alguns anos, líderes do sul estavam arquitetando um programa de reaproximação com seus irmãos do norte. Houve, inclusive, uma visita de familiares permitida pelo governo do norte. Na época o governante era o falecido pai de Kim Jung-Un.

As maiores dificuldades eram mostradas como sendo do rigoroso regime de isolamento do norte, ou seja: o norte era o vilão! E assim é passada uma péssima imagem do norte para todo o mundo capitalista! Será totalmente verdade?

Mas vamos deixar de lado um pouco o antigo ditador e fixar nossa análise no atual. Como conseguir governar fazendo algo de útil em seu país se:

Por um lado, precisa estar ligado ao regime "newcomunista" chinês, difícil de entender ainda, mas deixando claro que não abre mão da exploração humana e ignorando qualquer movimento em favor dos mínimos diretos do cidadão. Todos sabemos disso, principalmente porque eles não se preocupam em esconder essa realidade. Nós, os ocidentais, é que ignoramos o que eles fazem com seus habitantes, para poder usufruir dessa exploração, colocando fábricas nossas em seu território, e obter produtos muito mais baratos que os fabricados aqui, onde existem salários, direitos trabalhistas etc...

Por outro lado, o governante tem que procurar atender às famílias de seus habitantes, que precisam reencontrar a parte que foi separada deles. Parte essa que vive no país capitalista meio "americanalhado" do sul e demonstrando a prosperidade econômica que eles, no norte, não podem ter?

Por que manter o bloqueio econômico quase total? Qual a verdadeira motivação que leva a própria ONU a recomendar isso de seus membros?

A desculpa é a mesma utilizada para o regime do Iran. Desenvolvimento de armas nucleares! A terrível desculpa de quem as tem e não abre mão delas, mas quer proibir que todos os demais países as tenham...

É bom lembrar que o Chefe da Missão para Desarmamento Nuclear da ONU tentou abrir os olhos do mundo para essa farsa de desarmamento de um lado só! Ele era brasileiro! E logo depois dessas suas ideias foi destituído de seu cargo. Lembram as razões? Inventaram um "desvio de verba" na sua administração... Coisa facilmente "montada" pelos técnicos americanos de seu gabinete... Ficou por isso mesmo!

É justo? Existe algo justo nessas decisões internacionais? Ou o que há é fruto de puro interesse econômico? Eu não tenho nenhuma dúvida sobre isso!

Bom deixar claro que sou totalmente contra o regime comunista, principalmente o da China, mas sou realista e procuro ser o mais neutro possível em minhas análises e reflexões. É importante para mim isso por razões óbvias. Sou educador e responsável pela formação de dezenas de crianças...

Então, se Kim Jung-Un diz que quer mudar a realidade de seu país, por que não ajudar? Qual o interesse em deixar uma vasta população na miséria por meio de bloqueios econômicos que incluem remédios importantes para a saúde local?

Haverá medo de um progresso imediato do norte? Ou haverá medo de uma reunificação  muito em breve? A quem interessa manter a miséria do norte ou a separação de um povo? Os japoneses foram os principais vilões no passado, mas isso foi passado remoto!

Como entender isso então? Quem são os verdadeiros vilões?

Melhor acordar meu filho Caio para darmos uma nadada na piscina, aguardar a chegada de meu filho Erich e minha nora Ivana e depois irmos todos almoçar na casa da minha sogra... Acho que ela me lembra um pouco Kim Jong-Un... (brincadeirinha...)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Diferentes formas de TDAH

As diferentes formas de TDAH:
Temos que separar alguns elementos básicos nessa abordagem, para evitar confusões de interpretação que, certamente, prejudicarão o correto acompanhamento e o desenvolvimento das crianças e adolescentes que apresentem os sintomas específicos de TDAH.
Aspecto 1) Hiperatividade verdadeira, que é a doença diagnosticada corretamente, por profissional habilitado.
Aspecto 2) Déficit de atenção verdadeiro, que também é doença, normalmente associada à hiperatividade, desde que diagnosticada corretamente por profissional habilitado.
Aspecto 3) Dificuldade de atenção de um hiperativo, causada apenas pela falta de interesse em determinados assuntos, eventos ou fatos.
Aspecto 4) Inquietação excessiva por parte do aluno com elevada capacidade cognitiva, devido a achar o assunto da aula ou a forma didática muito banal, desinteressante ou desestimulante.
Aspecto 5) Inquietação excessiva por parte do aluno com dificuldade de entendimento, por se achar incapaz de acompanhar as explicações do professor ou o nível da  sua turma.
Aspecto 6) Inquietação excessiva por parte do aluno proveniente de um ambiente familiar com características de educação equivocada, sem imposição de limites, com violência doméstica, abusos diversos ou abandono intelectual, afetivo e emocional.
Aspecto 7) Dificuldade cognitiva por parte de aluno com baixa autoestima, proveniente de ambiente familiar inadequado, sem estímulo cognitivo e sem apoio afetivo e emocional.
Nosso primeira preocupação deve ser: analisar se o aluno está enquadrado em um dos aspectos numerados de 3 a 7. Isso demanda um intenso e cuidadoso trabalho de observação e acompanhamento dos alunos por parte de profissionais de educação, preferencialmente aqueles com conhecimento e prática psicopedagógica ou neuropedagógica. 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

DÊ A SEU FILHO A CHANCE DE SER FELIZ!

Muitos pais desejam a felicidade de seus filhos da mesma forma que desejam um copo de cerveja ou uma xícara de café, ou seja, sem dar a devida importância e sem entender que um desejo desse porte significa uma grande responsabilidade de atitudes e de pensamentos.
Para conseguir essa felicidade estampada para sempre no sorriso e nas atitudes de nossos filhos, devemos, antes de qualquer coisa, entender um pouco do processo de formação da sua mente para interferirmos no momento certo e da forma correta.
Não há qualquer mistério e nem é, absolutamente, complicado, mas precisa de dedicação, sinceridade de propósitos e um elevado grau de responsabilidade. E embora muitas sejam as técnicas e as recomendações, basta seguir uma delas que o resultado será percebido em pouco tempo.
Vamos comentar hoje sobre a necessidade da criança se sentir satisfeita emocionalmente durante sua formação. Mas vamos entender, principalmente, o que significa essa satisfação emocional.
A aparente felicidade que a criança mostra quando todas as suas vontades são satisfeitas é um sentimento de felicidade passageiro, acompanhado de uma ansiedade de insatisfação futura.
Ela se acostumará a se sentir satisfeita a partir da realização de suas vontades pelos outros, ou seja, sempre dependerá da boa vontade dos outros para se sentir feliz.
Essa criança será um adulto cuja satisfação dependerá sempre de ter mais que os outros, criando, em seus objetivos de vida, uma grande dependência material, gerando, como consequência, uma forte insegurança emocional, ao perceber que poderá perder suas posses ou parte delas.
Para obtermos a verdadeira satisfação da criança devemos ensiná-la a entender, controlar e direcionar suas vontades de forma produtiva. E é exatamente quando alguém que a ama, a controla e a ensina a se controlar, que ela começa a construir registros mentais interiores de segurança e satisfação emocional.
A criança precisa estar segura emocionalmente em todos os momentos, e isso só acontece quando ela sente que alguém, que ela ama, está delimitando seus passos e suas percepções, trazendo uma verdadeira sensação de proteção e de amor.
O atendimento de todas as suas vontades e a falta de limites cria na criança a sensação de abandono e perda de referência. O que pode, a princípio, ser entendido como sinal de liberdade e felicidade, cria, na realidade, a perda da vontade de conquistar e a perda do sentido da própria vida. Uma criança sem limites é um adulto sem perspectivas de vida e permanentemente insatisfeito com o mundo.
A criança sem controle é a que, mais tarde, revolta-se exatamente com aqueles que fizeram todas as suas vontades, engrossando os noticiários dos jornais por meio de crimes contra os próprios pais ou avós, abalando a sociedade.
Os limites devem ser sempre claros e bem explicados e as punições jamais devem ser esquecidas. Deixar de cumprir uma promessa de punição tem o mesmo resultado da ausência do próprio limite e os resultados são sempre negativos.
A criança ou o adolescente deve estar seguro também de que, a qualquer momento, ele conta com o amor e a compreensão do pai e da mãe, mesmo que os pais estejam separados. Separados ou não a responsabilidade dos dois é a mesma, assim como são as mesmas as necessidades dos filhos. Para a criança o pai e a mãe são duas partes imprescindíveis de sua segurança emocional, não havendo qualquer possibilidade de escolha. Ela precisa de um e de outro e nunca de um ou de outro!
Se os pais estão separados, o trauma da perda provoca um choque emocional que só pode ser aliviado ou compensado quando ambos, ex-marido e ex-mulher, aprendem que, junto do filho, só devem falar das qualidades do ex-parceiro. Qualquer comentário negativo sobre o ex-cônjuge é sentido pela criança como uma agressão a si mesmo, o que a deixa insegura e infeliz. E para agir corretamente basta fazer o exercício da descoberta de valores e virtudes de seu ex-parceiro. Por pior que as pessoas sejam ou tenham sido, sempre possuem alguma qualidade. Prenda-se nela quando estiver com seu filho. Esqueça os defeitos.
Se os pais estão juntos a preocupação deve ser a de demonstrar permanentemente a segurança da relação conjugal. Nada perturba mais a formação mental de uma criança do que o receio de uma separação ou uma briga entre os pais. Exercícios de tolerância e de compreensão mútua devem ser realizados constantemente, principalmente quando o filho estiver por perto. Os frutos dessas atitudes são os melhores possíveis.
Esse amor deve ser incondicional e sem chantagens emocionais. E esse amor deve ser exercitado, a cada momento, com gestos simples e sinceros que valem muito mais do que qualquer riqueza material. Abraçar, ouvir e criar um ritual! Esses são nossos principais conselhos para esse passo.
Abraçar significa dar um forte e seguro abraço no filho, transmitindo e recebendo a energia mútua do amor existente em ambos. É o alimento da alma.
Ouvir significa estar atento aos momentos em que o filho precisa ser ouvido. Devemos aproveitar cada momento para exercitar essa escuta ativa, ou seja, escutar com atenção e sem interrupções, tudo aquilo que o filho tem a dizer, evitando concluir as frases ou dar conselhos apressados e possivelmente equivocados.
Criar o ritual de segurança emocional é a parte mais importante e eficaz. Pelo menos uma vez por semana, de preferência no mesmo dia e hora, estabeleça o ritual da conversa íntima entre toda a família, sem televisão, sem rádio ou qualquer interferência externa. Todos devem sentir a simples presença da integração familiar. É uma conversa de amigos, livre e descontraída, onde haja ambiente para a liberdade de expressão, onde os pais devem mais ouvir do que falar. A segurança emocional resultante desses rituais é realmente algo inacreditável, principalmente quando se deixa claro que esses momentos serão sempre repetidos e respeitados.
Esses são os principais alicerces da segurança emocional que servem como blocos para a construção da verdadeira cultura do caráter de seu filho e assim garantir a sua felicidade.

sábado, 25 de junho de 2011

sábado, 4 de junho de 2011

Ao Professor

Uma citação causou polêmica: "Não existe mau aluno. Existe mau professor."

Foi para refletir mesmo e para causar polêmica! Afinal, a maioria dos professores prefere colocar a responsabilidade da falta de educação doméstica, ou em alguma doença, ou até na índole desse aluno, do que ter que repensar sua forma de lidar com eles de maneira a contribuir para seu processo de transformação comportamental.

Vamos aos fatos:

A) O procedimento mais comum:

Constata-se a existência do aluno mau. Se ele está se comportando assim na escola, é porque não houve a educação doméstica adequada. É verdade! Os professores, então, para poder "dar sua aula" para os alunos bons, mandam avisos para casa, advertências e suspensões, até o extremo da expulsão desse aluno. A turma passa a ser constituída apenas dos alunos bons e daqueles que, com receio de serem excluídos, passam a se comportar de forma semelhante aos bons.

O aluno mau não existe mais. Ele agora vai atrapalhar outro professor e outros alunos em outra escola, ou vai fazer parte de alguma gangue de rua, aumentando o índice de menores na criminalidade. Estamos livres dele! Melhoramos o nosso ambiente educacional! Nossa escola agora é uma escola modelo! Todos educados, estudiosos, todos sendo aprovados nos vestibulares e nos concursos. Nossa vida de educador passou a ser um paraíso!

Tudo ótimo até que, um dia, quem sabe, sejamos assaltados por ele na rua. Mas, mesmo nesse caso, dificilmente acharemos que a existência daquele marginal tem a ver com a atitude que tomamos de simplesmente o excluirmos de nossa sala. Colocaremos a culpa no sistema, nos dirigentes escolares, nos governantes ou nas famílias e continuaremos nossa vida normal, dando aulas para os alunos bons e sendo assaltados pelos nossos ex-alunos maus.

B) A fuga da responsabilidade:

Quando analisamos o mau resultado do procedimento mais comum, ao invés de vermos professores preocupados em encontrar soluções adequadas, constatamos uma forte tendência para fugir da responsabilidade, principalmente quando alguém, como eu, insiste em dizer que nós somos os principais responsáveis pelo resgate desses alunos perdidos!

Mais interessante ainda, e também comum, é quando esses professores que desejam "lavar as mãos", passando a culpa para o sistema, declaram em alto e bom som: "Suas ideias são muito boas na teoria. Na prática não funciona".

A educação nunca se livrará de seus problemas enquanto os educadores estiverem convencidos de que não são capazes de mudar alguma coisa, nem de provocar a transformação de alunos maus em alunos bons.

Nossas ideias não são teorias, mas resultado de aplicação prática, em sala de aula, com todos os tipos de alunos, principalmente aqueles considerados irritantes, inquietos, agressivos ou desinteressados. Não procure encontrar impecilhos em tudo o que você encontra pela frente.

C) Procedimento ideal:

Constata-se a existência do aluno mau. Se ele está se comportando assim na escola, é porque não houve a educação doméstica adequada. É verdade! Tudo igual até aqui. Agora vamos dar alguns passos importantes, todos necessários, mesmo que trabalhosos, mas vamos apenas apresentar seis passos, para que cada um, inicialmente, planeje a sua forma de enfrentar cada desafio:

1º) Procurar identificar as causas externas (ausência dos pais, educação equivocada, abuso físico ou sexual, abuso psicológico, mau exemplo, etc.);
2º) Procurar meios de interferir nessas causas (com auxílio do Conselho Tutelar ou outro organismo qualquer);
3º) Procurar encontrar, no aluno, o seu foco de interesse, para ganhar sua confiança;
4º) Estimulá-lo a partir da descoberta de seu foco de interesse;
5º) Reconhecer seu trabalho para aumentar sua autoestima;
6º) Criar métodos para incluí-lo no grupo de colegas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Neuropedagogia: o estágio neuropedagógico

O estágio neuropedagógico
A neuropedagogia é o ramo da pedagogia que visa compatibilizar o “software cognitivo” (técnicas de ensino) com o “hardware cognitivo” (cérebro humano).
O neuropedagogo é o profissional que vai integrar à sua formação pedagógica o conhecimento adequado do funcionamento do cérebro, para melhor entender a forma como esse cérebro recebe, seleciona, transforma, memoriza, arquiva, processa e elabora todas as sensações captadas pelos diversos elementos sensores para, a partir desse entendimento, poder adaptar as metodologias e técnicas educacionais a todas as crianças e, principalmente, aquelas com características cognitivas e emocionais diferenciadas.
O neuropedagogo terá que estar em busca constante dos necessários conhecimentos sobre as anomalias neurológicas (da neurologia), psiquiátricas (da psiquiatria), neuróticas (da psicanálise) e comportamentais (da psicologia) existentes, para desenvolver seu trabalho de acompanhamento pedagógico, desenvolvimento cognitivo e harmonização emocional das crianças que apresentem os sintomas dessas anomalias.
O profissional de neuropedagogia, portanto, é um dos elementos mais importantes para as instituições que desejam desenvolver um verdadeiro e harmonioso processo ensino-aprendizagem.
A primeira etapa de seu estágio, que na realidade será uma amostra do trabalho que desenvolverá, consiste na identificação das crianças que apresentem tais sintomatologias para escolher a que será acompanhada.
Escolhida a criança, o registro de todo o acompanhamento deve ser feito desde o início, com uma anamnese a mais completa possível. Isso deve ser efetuado por meio de entrevista com a criança ou: por observação própria; por exame de relatório de professores e coordenadores; pela leitura de laudos médicos; por entrevistas com os familiares e todos os que com ela convivem e todos os demais meios que estiveram à sua disposição.
Cópias dos laudos médicos devem fazer parte dessa pasta. Entre os detalhes a observar estão as suas características cognitivas, emocionais, psíquicas e comportamentais.
A segunda etapa consiste na análise de todas as habilidades e possibilidades já desenvolvidas pela criança. Para essa etapa há necessidade de se preparar os pais, familiares, professores e todas as pessoas que lidam com a criança, incluindo os médicos, para o que chamamos de observação positiva.
Normalmente observamos que todos comentam apenas as deficiências e as dificuldades da criança, fazendo comparações com as crianças consideradas normais. Para o trabalho neuropedagógico precisamos apenas dos aspectos positivos de seu comportamento e habilidades, já que todo trabalho se baseia no desenvolvimento dessas habilidades do estado em que estiverem.
Assim sendo todos os entrevistados devem ser orientados a relatar apenas todas as habilidades que já foram observadas nessa criança, ignorando suas deficiências ou inabilidades.
Laudos médicos devem ser vistos pela sua parte positiva, mesmo que tenhamos que solicitar daqueles profissionais uma nova análise da criança. O profissional médico precisa estar ciente de que as anomalias, as dificuldades e as impossibilidades só interessam à medicina para efeito de tratamento.
O processo de acompanhamento neuropedagógico só leva em consideração as possibilidades e habilidades da criança, já que todo o trabalho parte da identificação e desenvolvimento dessas habilidades para que, a partir delas, tenha início o caminho de sua recuperação plena e integração ao grupo social de forma produtiva.
A terceira etapa prevê o contato com o médico, com o psicólogo, com o psicanalista ou com o fonoaudiólogo, caso isso seja possível. Em algumas cidades do interior essa etapa não terá condições de ser realizada. O neuropedagogo deve apresentar-se para discutir com esse profissional alguma sugestão de acompanhamento que possa vir a auxiliar o tratamento neurológico, psiquiátrico, psicológico, psicanalítico ou fonoaudiológico que está sendo realizado.
A partir dessas três etapas iniciais o neuropedagogo inicia o trabalho de acompanhamento terapêutico sempre voltado para a orientação dos pais e professores na forma correta de se conseguir o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental, colocando em prática os ensinamentos absorvidos durante os módulos e, principalmente, em debates e estudos em grupo ou individuais realizados com base no aprendido.
É importante que durante todos os momentos desse acompanhamento o neuropedagogo e todas as pessoas envolvidas com a criança estejam conscientes de que:
1) Cada criança deve ser vista como um ser humano diferente de todos, quase um extra-terrestre, cujas características não podem e não devem ser comparadas às de nenhuma outra criança. A observação deve ser feita com base no aprendizado de suas características como sendo únicas no mundo.
2) As únicas comparações permitidas são entre a criança hoje e ela mesma ontem, para efeito de análise da eficácia do processo neuropedagógico.
3) Todo resultado positivo alcançado pela criança, por menor que seja, deve ser verdadeiramente “sentido com alegria” pelo neuropedagogo e por todos os que a acompanham.
Registro:
O acompanhamento da criança ou do adolescente deve estar sendo registrada desde o primeiro encontro, enfatizando-se cada mínima habilidade detectada, a forma de estimular seu desenvolvimento a os resultados positivos alcançados, por menores que sejam.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

School Killer: ainda a forma de evitar sua formação

Ainda sobre o SHOOL KILLER e a forma de evitá-lo:

domingo, 13 de março de 2011

Sintomas Hiperativos e de Déficit de Atenção

CRIANÇA COM SINTOMAS DE HIPERATIVIDADE E DÉFICIT DE ATENÇÃO

RESPOSTA A DÚVIDA DE UMA PROFESSORA PARA FAZER O ACOMPANHAMENTO CORRETO


Inicialmente veja que cada criança tem a sua particularidade, o que significa que o que é bom para uma nem sempre é para a outra.

Mas se essa criança toma remédio controlado e continua assim, já dá para perceber que o remédio pode estar incorreto e o médico deve ser alertado para isso.

1ª parte: LAUDO MÉDICO

O acompanhamento correto e completo deveria iniciar com a leitura do laudo médico, primeiro para saber se o médico é o profissional correto, ou seja, um neuropediatra ou um psiquiatra infantil ou, pelo menos um pediatra. Se for um neurologista ou um psiquiatra, sugiro levar ao profissional correto imediatamente.

Mesmo sendo um profissional correto, é importante conversar com quem levou a criança, para saber quais foram as informações e exames que o médico fez para chegar a conclusão da necessidade daqueles remédios. 

A consulta a um outro profissional da mesma especialidade é recomendável e nenhum profissional sério ficaria incomodado com isso, mas até gostaria de ver a opinião de um outro colega. Isso porque o que está em risco é a felicidade e o desenvolvimento de uma criança.

2ª parte: FOCO DE INTERESSE DA CRIANÇA

Independente das providências recomendadas na 1ª parte, vamos agora ao procedimento em sala, a ser realizado pela professora, assim como pelos pais, em casa.

O importante é encontrar o "foco de interesse" da criança. Assista a esse vídeo meu, que está publicado no Youtube:


A descoberta do foco de interesse é o caminho que vai fazer com que a professora possa preparar estratégias de aprendizagem totalmente voltadas para esse foco. Isso tem sido super eficaz até com crianças autistas!

Agora é com a professora, ou seja: todos os dias entusiasmar a criança com atividades ligadas ao seu foco de interesse, para que a sua atenção seja despertada e o cérebro dela, por si só, começa a "se consertar" aos poucos.

3ª parte: AMBIENTE

Em paralelo com tudo isso é bom analisar também a forma como a criança reage ao ambiente em que está estudando. A mudança de ambiente para outras áreas, ou mesmo até uma alteração na decoração ou ambientação da própria sala, pode ajudar sobremaneira no desenvolvimento de sua capacidade de concentração.

4ª parte: DISCUTIR RESULTADOS

Não é conveniente criar expectativas de obtenção de resultados imediatos! Cada  pequeno resultado alcançado deve ser comemorado, junto com a criança, como se fosse uma tremenda vitória. A criança pode não ter qualquer tipo de doença, ou seja, os sintomas podem ser todos fruto de bloqueio emocional, mas pode ser que tenha doença verdadeira, o que obrigará a continuidade dos remédios. Mas isso será avaliado pelo médico no decorrer do acompanhamento, que deve ser feito em conjunto pelos professores, familiares e médico.

Mas na escola é importante que seja criada imediatamente a ficha de acompanhamento dessa criança, relatando todos os pormenores observados agora e, a cada alteração, deve ser feito novo registro, incluindo aí cópias dos laudos e dos relatos de quem está no processo de acompanhamento.

Isso vai ajudar bastante, não só essa criança, mas todas as demais que apareçam com problemas semelhantes, a partir do momento em que os professores possam ter acesso a essas fichas para estudo.

5ª parte: CONTATO COM NOSSO INSTITUTO (IUPE)

Peço que me mandem os relatos desse acompanhamento, se for possível, com todos os dados possiveis, incluindo copias de laudos, para que nosso instituto possa inclui-lo nos dados de casos semelhantes, e assim possamos estar contribuindo para ajudar a outros professores de outras escolas em qualquer lugar do mundo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Câmeras nas salas - aulas show

Alguns professores, quando souberam que todas as escolas estão envidando seus esforços para a instalação de câmeras em suas salas de aula, entraram em verdadeiro "desespero", chegando a ensaiar movimentos de contestação. Alguns chegaram a considerar um verdadeiro absurdo esse procedimento.

Vamos, então, analisar o fato segundo alguns aspectos:

Primeiramente a segurança do próprio professor e dos alunos, em relação aos fatos que estão ocorrendo com freqüência em diversas salas de aula por todo o mundo, a começar pelos Estados Unidos.

Muitos pais já procuram, para seus filhos, escolas que estejam com câmeras instaladas e, preferencialmente, ligadas à NET, para que, de casa, possam ver seu filho em sala.

Em segundo lugar para a constatação de que o mau resultado do aluno A ou B deve-se, não à falta de competência do professor, mas sim ao comportamento inadequado e incorrigível desses alunos A e B em sala.

Para o primeiro caso basta lermos os jornais diários ou assistirmos aos telejornais. Os crimes em sala não estão ocorrendo apenas em escolas de baixíssimo nível social, mas em qualquer escola, sejam elas públicas ou privadas. Mas se, ao invés de esperarmos para ler os crimes pelos jornais, nos detivermos para ler os relatórios de ocorrências disciplinares das escolas, veremos que é freqüente o encontro de alunos portanto armas brancas e até armas de fogo com intenções de revidar ameaças sofridas no ambiente escolar. A sorte dessas escolas têm sido a descoberta das armas e das intenções antes dos eventos ocorrerem! Câmeras de segurança ajudam nessa prevenção.

Embora o primeiro caso seja mais do que evidente em sua importância em aspectos de segurança dos alunos e dos professores, o segundo caso também é muito sério, embora mais ligado ao aspecto educacional propriamente dito.

Todos sabemos que muitos pais estão completamente "perdidos" em matéria de educação dos filhos. Essa realidade está fazendo com que tentem encontrar um outro "culpado" pelo mau resultado de seus filhos na escola e no mundo. Os "eleitos" são: a) professores e escolas; b) mídia; e c) sociedade.

Analisando friamente todos os três "eleitos" concluimos que todos têm sua parcela de responsabilidade, mas a principal é a dos pais, que é a mais forte e mais decisiva em todo processo educacional.

A realidade, entretanto, nos mostra que não há escola de formação de pais, pelo menos não nos moldes das antidas escolas de formação de pais da Alemanha, para onde eram enviados adolescentes que pretendiam se casar, como foi o caso, por exemplo, da mãe de Norberto Odebrecht e de outros tantos ilustres personagens de nosso país, cujo resultado educacional está acima de qualquer "má influência"...

Já que inexistem essas escolas, os únicos profissionais que teoricamente estão recebendo formação de educador são os professores. Isso faz com que a responsabilidade de suas funções acabe extrapolando os limites da sala de aula, entrando fundo na necessária interferência na educação doméstica das famílias dos alunos.

Nossos esforços educacionais passam a ser, então, muito mais abrangentes do que simplesmente ensinar o aluno a entender a nossa matéria. Temos que entrar pelo campo da educação doméstica, pelo ensino dos valores humanos que muitas vezes inexistem em casa, e assim por diante.

Mas mesmo com todo esse esforço precisamos que, pelo menos, as famílias não atrapalhem o processo! Constantemente observo que, para alguns alunos nossos esforços só dariam resultado em um regime de semi-internato, quando eles deixariam de sofrer a má influência de seus pais...

Esses pais, não sei se por coincidência ou se por qualquer outro fator, são os que mais reclamam da péssima qualidade dos professores atuais! Insistem em dizer que seu filho é perfeito e que os professores é que não sabem ensinar e não lhe dão a atenção devida ou até que seu filho está sofrendo "perseguição" de algum docente.

Essa é a hora em que as câmeras em sala de aula nos servem para tirar todas as dúvidas e colocarmos tais pais de frente com a realidade de seus filhos! Não que eles não saibam, mas para que tirem, definitivamente o véu que colocaram em suas próprias mentes para não enxergar o resultado da falta de educação e de presença em casa.

Quando uma escola estadual localizada num bairro popular de Salvador convocou os pais dos alunos para assistirem ao filme "estrelado" por seus filhos no interior da escola, todos ficaram chocados!

Pais que reclamavam insistentemente da escola viram que eram seus filhos que já entravam na instituição trazendo, da rua, drogas, armas brancas e, inclusive de fogo em dois casos, e comportavam-se na escola como verdadeiros marginais, arregimentando colegas para a formação de suas futuras "gangues" de rua...

Só o filme, produto das gravações das câmeras de segurança, conseguiu fazer com que esses pais "caissem na real" e entendessem as razões da direção da escola estar insistindo em sua presença na instituição, para que, juntos, tentassem encontrar uma solução educativa eficaz para seus próprios filhos.

O aspecto final é o da qualidade da aula dada!

Se precisamos "esconder" de uma câmera ou de algum publico, seja ele qual for, a forma como "damos nossas aulas", precisamos urgentemente rever nossa forma de trabalhar.

Uma aula, para ser eficaz, precisa ser envolvente, empolgante e entusiasmadora. Isso significa que o professor é um verdadeiro ator social, atuando no palco da sala, apresentando um show de entusiasmo para a platéia, que são seus alunos.

Isso não é para ser escondido de ninguém, muito menos de uma câmera, já que servirá, inclusive, como comprovação da excelente performance que todos os professores buscam ter em sua sublime tarefa de ensinar.

As gravações servem, inclusive, para que analisemos nossos próprios erros e omissões, para buscarmos a cada dia a melhoria de nossa performance em sala. Afinal, precisamos entender que um momento de aula é um momento que poucos profissionais têm para conseguir influenciar pessoas.

É pela análise das gravações que poderemos tentar encontrar incorreções na nossa forma de tratar os alunos que mais necessitam de nossa atenção especial. E é a forma de verificarmos se algo nos passou despercebido!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Por que não gosto de Piaget?

Na realidade o título deveria ser um pouco diferente, já que nossa metodologia prevê a utilização de cada pensador educacional no momento certo, ou seja: para cada desafio existe uma forma mais apropriada de enfrentamento.
Vários conceitos de Piaget, por exemplo, nos ajudam a desenvolver trabalhos maravilhosos de recuperação de disléxicos e portadores de discalculia, mas para os super-dotados os conceitos de Vygotsky funcionam bem melhor, evitando o natural desinteresse pelas aulas convencionais.
Da mesma forma, enquanto Pichon-Riviére nos ensina a interferir para manter um clima de entusiasmo cognitivo com alunos de diferentes níveis de conhecimento, utilizando suas técnicas de Grupos Operativos adaptados à sala de aula, Paulo Freire estimula uma atmosfera de liberdade criativa sem muita interferência externa, nos moldes anarquistas da Escola da Ponte, de Portugal ou da Escola Summerhill na Escócia.
Gardner ajuda bastante mostrando como estimular aqueles alunos considerados de baixo nível cognitivo por meio do enfoque do trabalho do grupo na sua inteligência predominante, enquanto Golleman aposta tudo no emocional que, embora seja muito importante, não deveria desprezar o desenvolvimento lógico matemático, principalmente por ser necessário à recuperação do hemisfério esquerdo cerebral das crianças que sofreram abuso sexual.
Freud, Wallon e Erikson mostram, cada um, a sua observância do desenvolvimento do caráter da criança a partir da satisfação de cada uma das fases, mesmo que cada um tenha tido uma visão própria para essas fases. Um correto sistema educacional deve manter seus professores atentos às características apontadas pelos três, além de manter seus pais informados das verdadeiras necessidades temporais de seus filhos.
E o clima de valores humanos para dar apoio a toda a formação do caráter dos alunos poderá vir de Diane Tillman ou de Alan Saunders, a depender do estado cultural desses alunos. Se forem alunos de países em conflito, refugiados de guerra ou vítimas de discriminações fortes, Diane Tillman apresenta melhores soluções. Para religiosos, entretanto, Alan Saunders é a melhor solução.
É por causa dessa maravilhosa diversidade de conceitos que discordo totalmente de uma escola que adota uma linha única educacional, já que, para isso, ela terá também que adotar um tipo único de aluno para freqüentar suas aulas.
O que não concordo, então, é com a aplicação indiscriminada de Piaget em qualquer caso nas escolas, nem também com a mesma forma de aplicação de todas as teorias de Vygotsky. Cada caso exige uma teoria ou a soma de ambas ou nenhuma delas.
Tento passar para meus alunos que todas as teorias devem ser muito bem estudadas e muito bem entendidas, mas para serem colocadas em um arquivo consciente de fácil acesso para possibilitar a nossa tomada de decisões por nossa própria construção do conhecimento.
E que a cada momento e para cada caso especial precisaremos lançar mão desses conceitos, não para aplicá-los indiscriminadamente, mas para analisarmos a aplicabilidade de cada um deles em seus adequados momentos.