quarta-feira, 8 de maio de 2013

IUPE Educação: O Professor e a Escola Ideal


Por maior que seja o esforço do professor, sempre haverá uma imensa diferença entre a escola ideal e a escola real, aquela que é o palco da realização docente.

Essa imensa diferença nem sempre será fruto de incompetência, nem de falta de apoio ou de falta de estrutura física ou material. O principal motivo, para o bom professor, está ligado ao resultado da evolução de suas próprias exigências.

Observem que, a cada resultado positivo alcançado, por melhor que ele seja, vislumbram-se novos caminhos, e com possibilidades ainda melhores!

Mas há armadilhas!

Uma dessas é quando o professor, que é reconhecido em seu primeiro sucesso, acomoda-se, acreditando que alcançou seu objetivo de educador. Ele não acredita que precisa evoluir nem, muito menos, mudar alguma coisa, já que o “seu time está ganhando”...

Essa armadilha pode trazer o declínio da sua capacidade criativa ou de sua força de vontade para evoluir.

Mas se, ao invés da acomodação, leva-se adiante cada novo desafio vislumbrado, estará sendo cumprindo o verdadeiro papel de professor, mesmo sabendo que isso exigirá dele, a cada dia, mais planejamento, mais estudo, mais esforço, mais paciência e mais dedicação.

Falamos de sucesso, mas há também o perigo do fracasso.

Há que se tomar mais cuidado ainda com a forma como são enfrentados os erros! Esses, que também são frequentes, devem ser tão valorizados quanto às vitórias. Eles também apontam para novos caminhos a perseguir para superar as dificuldades encontradas e assim vencer os antigos e os novos desafios.

Os sucessos e os erros, quando bem trabalhados, vão alimentar a criatividade para que, aos poucos, a mente docente elabore novas formas de transformar o espaço existente em um ambiente de aprendizagem verdadeira e prazerosa.

A escola ideal, então, não é um objetivo estático final. Ela deve ser considerada como uma estrada pedagógica dinâmica, construída minuto a minuto na mente do professor, e a ser percorrida durante todo o tempo em que ele estiver se dedicando ao ensino, à aprendizagem e à educação.

Essa forma de ver a escola explica o fato de que dois professores, em uma mesma escola, possam ter visões completamente opostas do seu ambiente de trabalho.

Um exemplo muito simplório, mas elucidativo, é o do professor desestimulado, que reclama da impossibilidade de ele dar aula de geografia sem mapas, enquanto que o outro ensina aos seus alunos a elaboração de mapas, com o material que eles encontrem em casa ou na escola, e os afixa nas paredes da sala.

Além de o segundo ter facilitado a aprendizagem devido ao trabalho prático realizado pelos alunos, há agora, nessa sala, os meios físicos necessários para que a turma consolide o que aprendeu.

Lembremos que nessa escola ideal a estrada existe para que os alunos caminhem nela! Em seu caminho esses alunos são orientados pelo professor.

O professor cria a estrada e orienta seus alunos sobre a forma de percorrê-la. Mas a estrada, mesmo parecendo igual para todos, apresenta desafios diferentes para cada aluno. Muitos desses desafios não haviam sido percebidos pelo professor.

Essa é uma grande realidade: a estrada é a mesma, mas os alunos são diferentes.

E o professor observa que, enquanto alguns alunos passam tranquilos por obstáculos, como se eles não existissem, outros se sentem incapazes de vencê-los!

É nessa hora que o aluno mais precisa do professor.

“Por que algumas coisas tão normais para meus colegas aparecem como desafios imensos só para mim?” – pensa o aluno!

Ao constatar isso, a mente do professor começa a enxergar mais longe e com mais cuidado. 

Agora ele vê desafios que estavam camuflados pela hipocrisia da perfeição.

O que fazer agora na estrada real da escola ideal?

Acompanhar e orientar os alunos que vencem qualquer desafio, para que sigam em frente e vençam, e abandonar os que estão com dificuldades?

Ou dar apoio aos que encontraram dificuldades e deixar os demais seguirem sozinhos?

Nesse momento o professor percebe que a estrada, que é orientada por ele, é composta de várias faixas. São duas, três, quatro ou mais faixas paralelas, com os alunos percorrendo-as, lado a lado, animando, uns aos outros, mesmo que as características de sua caminhada e de seus desafios sejam diferentes.

Estarem caminhando juntos significa também acostumar o aluno com as diferenças e, principalmente, a se sentir responsável pelo entendimento, aceitação e inclusão daquele seu colega com alguma dificuldade.

Na prática do professor em sala de aula, um exemplo também simplório é:

Enquanto que para o aluno sem dificuldades está sendo exigida a conjugação perfeita de todos os tempos verbais, para o aluno com dislexia estaremos muito satisfeitos quando ele consegue aprender como identificar o verbo na frase e como saber que esse é o elemento que denota ação!

Ambos estão caminhando em paralelo, orientados pelo mesmo professor, sempre aprendendo alguma coisa todos os dias, mas cada um dentro da sua possibilidade de aprendizagem e na profundidade adequada.

O desafio nessa orientação de múltiplas faixas duplica, triplica ou quadriplica a depender das diferentes caraterísticas cognitivas encontradas entre os alunos.

O sucesso nessa orientação, em contrapartida, também trará satisfações duplicadas, triplicadas ou quadriplicadas!

A escola ideal, então, é uma estrada dinâmica, que está sendo construída, a cada momento, pelos alunos e pelo professor.

Cada aluno vê, nessa estrada, um caminho ligeiramente diferente daquele visto pelo seu colega ao lado. Desafios encontrados por uns, não são sequer percebidos por outros.

O aluno aprende aquilo que ele pode aprender, caminhando, lado a lado, com seu colega, que aprende um pouco mais ou um pouco menos que ele, já que enfrentam níveis diferentes de dificuldade.

O professor que, além da orientação cuidadosa, estimula, avalia e reconhece cada um dos passos dados por cada um dos alunos em sua respectiva faixa na estrada do conhecimento, esse está na escola ideal.


domingo, 7 de abril de 2013

IUPE Educação: Inclusão na Escola: Princípios e Caminhos Preliminares

A "febre" da inclusão nas escolas está suscitando técnicas, metodologias, teorias e conceitos os mais diversificados possíveis, todos apresentando vantagens e muitas desvantagens.
Tenho observado que os mesmos métodos com excelentes resultados em  diversas escolas são considerados inadequados ou impossíveis de funcionar em outras.
Até nas minhas palestras de início de treinamentos com novos professores percebo comentários de desaprovação que já considero "padrão", como por exemplo:
"Isso tudo, na teoria é ótimo, mas na prática não funciona. Basta tentar dar aula para uma turma igual a que eu leciono!"
Ou:
"Não há como conseguir bons resultados com alunos que já vêm de casa mal educados, sem limites, irritantes e agressivos"
Percebo, então, que existe uma resistência muito grande à mudança. Os professores, mesmo insatisfeitos com seus resultados, preferem continuar no mesmo processo, sem a menor vontade de, pelo menos, tentar entender que há outras formas de se alcançar o objetivo que ele, pelo método atual, não está conseguindo.
A moda é colocar a culpa nas famílias, na mídia, na sociedade, ou nas autoridades. Lógico que todos têm a sua parcela de responsabilidade nesse descalabro que é a educação do país e na "deformação" das mentes dos nossos jovens.
Mas isso, além de ser óbvio, não ajuda em nada!
Que é uma realidade a necessidade de se exigir atuação menos corrupta e mais responsável das autoridades em função pública, isso é claro!
Só que, além de encontrarmos algum tempo e algum meio para fazer tais exigências, além do voto consciente no dia das eleições, temos que, nesse ínterim, estar fazendo a nossa parte. 
E a nossa parte necessita de muito esforço, muita dedicação, muita observação e muito boa vontade para entender métodos e técnicas que podem nos ajudar em muito a obter melhores resultados com nossos alunos.
A metodologia de inclusão, por exemplo, é uma das mais combatidas pelos professores que não acreditam nem em seu próprio potencial de ensino.
Muitos até acreditam que ensinam bem, embora só consigam bons resultados com os alunos bem educados, estudiosos por natureza ou pelo habito doméstico e cumpridores das tarefas escolares em sala e em casa.
Quanto aos demais, esses professores consideram que os maus resultados provêm apenas da falta de educação doméstica ou por alguma anomalia comportamental, emocional, psíquica ou neurológica do aluno, mas que nada tem a ver com a sua forma de ensinar. "Eu sou competente. O aluno é que não presta!"
Então, visto isso, vamos à inclusão:
Nossos estudos mostram, claramente, que há dois princípios básicos que devem ser respeitados em todo processo inclusivo, independente do método, da técnica ou da teoria a ser aplicada:
1º princípio: É definitivamente impossível incluir, numa turma regular, alguma criança com necessidades especiais. O que pode e deve ser incluída é a inteligência, a habilidade, a potencialidade intelectual, a emocionalidade, a inventividade e a criatividade existente em sua mente.
2º princípio: Por mais que o professor esteja preparado para o processo inclusivo, só quem consegue tornar real essa inclusão, na prática, é a turma regular onde esse aluno está inserido.
Isso nos mostra dois caminhos paralelos e importantíssimos para essa jornada:
1º caminho: Se o que vai ser incluído é a intelectualidade desse aluno, cabe ao professor, sempre com a ajuda de todos os colegas do aluno, identificar, estimular e desenvolver essa inteligência.
2º caminho: Para que os colegas assumam os papeis de inclusores sociais, a turma precisa ser preparada por meio de frequentes Assembleias de Classe.
Muitas metodologias de inclusão utilizadas nos Estados Unidos, como a "mainstream", podem ter sido muito bem elaboradas, mas estão fracassando exatamente devido à rejeição apresentada pelos alunos das classes regulares aos seus colegas incluídos. 
Ocorre, frequentemente, o bullying, destruindo qualquer elevação da autoestima que tenha sido realizada anteriormente com os alunos especiais.
O erro não está no processo, mas na falta de preparação dos alunos da turma regular. É comum para o teórico de educação, acreditar que se um método funciona numa escola, terá que funcionar em outra.
Analisamos o processo de "mainstream" e vimos que ele segue exatamente as mesmas práticas que, há algum tempo, já estávamos orientando em alguns modelos de escolas adequadas a isso.
Basicamente os alunos especiais são acompanhados por pessoal especializado em sala separada. Em algumas aulas mais lúdicas na sala regular, esses alunos são inseridos, principalmente para permitir a socialização.
Mas tanto esse processo como o processo de inclusão total só poderão dar algum resultado positivo, se houver aprovação e participação dos alunos da turma regular, o que só vai ser conseguido por meio de Assembleias de Classe muito bem direcionadas.
Sem a participação efetiva dos colegas não há inclusão real.
Peço que pensem sobre isso, mas antes de pensar, por favor, esvaziem o copo, ou seja, tentem deixar de lado as ideias preconcebidas de que nada vai dar certo...

sábado, 23 de março de 2013

IUPE Educação: Proibição do Trabalho Infantil

Mais uma vez sou levado a comentar sobre um assunto que continua sem solução: A proibição do trabalho infantil.

Podemos iniciar assistindo ao maravilhoso vídeo "Criança não trabalha" que foi assistido por muitas crianças na época e que apareceu novamente nesses dias.

Mas logo depois peço para refletirem sobre alguns pontos:

O vídeo é lindo, sou também contra a EXPLORAÇÃO DO MENOR, mas vamos analisar o que é exploração; o que é dar oportunidade a esse menor; e o que é não dar oportunidade legal a esse menor:

1. Antigamente os jornais empregavam crianças para a entrega diária nas residências (como até hoje é feito nos Estados Unidos e na Europa) e isso não era considerado crime. Por que esse trabalho não pode mais ser feito no Brasil?

2. Antigamente as empresas e os técnicos empregavam menores como aprendizes. Esses menores seriam futuros profissionais naquelas áreas. Hoje as empresas que fizerem isso serão punidas como exploradoras de menores, a não ser que essas empresas sejam as emissoras de TV e as empresas de publicidade, que mostram menores trabalhando todos os dias sem que sejam sequer citadas como exploradoras...

3. Nenhuma empresa legalmente constituída pode dar oportunidade de emprego a nenhum menor, já que essa oportunidade será considerada como exploração.

4. Como não encontra emprego em empresa legalmente constituída o menor que não tem como se alimentar vai comer como?

5. As autoridades que resolveram proibir as empresas de empregar menores resolveram a situação das famílias desses menores ou deram apenas uma bolsa família que acaba viciando a família à acomodação e ao desinteresse pela educação e pelo desenvolvimento de seus filhos?

6. O menor abandonado, que não tem família, que não tem como se alimentar e que não pode se empregar como aprendiz junto a uma oficina, uma pequena fábrica, uma chácara, um criatório de peixes, etc., vai conseguir escapar de arranjar emprego no crime organizado?

7. Por que razão não parece haver nenhum interesse em resolver o problema real, que é a falta de oportunidade real para todos por meio do ensino de qualidade em todas as escolas públicas desse país?

domingo, 17 de março de 2013

IUPE Educação: Treinando a empatia do educador

Amigos, o nosso assunto de hoje está ligado ao início do ano letivo e aquela dificuldade que alguns professores têm em entrar em contacto com a turma e se sentir apoiado ou se sentir aceito, por uma turma nova de alunos.
Isso ocorre com muita frequência em turmas de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, principalmente quando o professor do ano anterior foi muito bem aceito pelos seus alunos.
É muito difícil que todos os alunos, logo de início, aceitem o novo professor. Há que haver empatia docente!
Mas como se constrói essa empatia? Como se constrói essa possibilidade do aluno gostar do professor, aceitar o professor, e assim as aulas fluírem de forma positiva?
Antes de mais nada nós temos que entender como se dá a nossa comunicação.
Como é essa forma de nós nos comunicarmos?
A forma de nós nos comunicarmos é através da fala e da linguagem corporal, mas além disso, para complementar essas duas linguagens, existe a linguagem do pensamento.
E essa é fundamental. Essa é primordial para que a nossa fala e a nosso linguagem corporal seja bem aceita pelos alunos.
Tudo será muito bem aceito pelos alunos, se sua mensagem verbal e corporal coincidir com a mensagem que está sendo captada da sua energia, das ondas do seu pensamento, produzidas pela sua mente.
Sabemos que ao elaborarmos a nossa fala, antes de essa elaboração chegar à área de Broca, que é exatamente a área que vai comandar os músculos do aparelho fonador, para sair a fala, e para ajudar na elaboração da linguagem corporal, a mensagem, já está produzida, e sintetizada em pulsos elétricos, ou seja, a mensagem já é uma onda do pensamento, que vai sair da nossa mente e entrar na mente daquelas pessoas que estão nos ouvindo.
Isso, em outras palavras, chama-se telepatia.
Como nós poderemos comandar essas ondas do nosso pensamento para que elas atinjam, de forma positiva, os nossos alunos?
Temos que lembrar que o ponto de partida é o gostar. O gostar de todos os nossos alunos!
Há professores que dizem que, isso na teoria é muito fácil, mas na prática é quase impossível!
E por falar nisso é bom acabarmos, de vez, com essa história de que as coisas na teoria são ótimas, mas na prática são diferentes, porque isso é para quem não quer se dar ao trabalho de se esforçar e conseguir fazer da teoria a sua prática.
Vejo, infelizmente, muitos colegas se acomodarem à mediocridade daquilo que fazem e não desejarem fazer qualquer esforço para conseguir alcançar os resultados que outros conseguem.
O processo é simples.
Começa com o olhar para cada aluno e procurar sentir que gosta de cada um deles. Não interessa se é um aluno malcriado, irritante, agressivo, principalmente porque todas essas características negativas são consequências de alguma programação incorreta feita em sua mente.
Cabe a nós tentar encontrar esse mau programador e tentar modificá-lo. Isso estaremos fazendo mais tarde por meio do "Treinamento Parental".
Mas cabe também a nós, a tentativa de refazer essa programação, como fazem os hackers, tentando modificar a programação original, de forma a consertá-la.
O professor deve ser, então, um hacker, atuando no computador interno da mente de cada aluno.
E essa atuação é realizada por meio da sua empatia, aquela empatia treinada a partir do gostar de cada aluno!
Para entender bem, é bom forçar um pouco a mente para ver que não há como não gostar de alguém. Podemos não gostar das atitudes dessa pessoa, mas ela, por dentro, é essencialmente boa. Todos são.
Há quem diga: Ah! Isso é impossível. Nem de pessoas da família conseguimos gostar...
Não é gostar naturalmente, mas sim treinar gostar!
Todas as pessoas são dignas do nosso amor. Nós só precisamos fazer isso treinando diariamente. 
Olhe para o aluno uma vez. Olhe a segunda vez, a terceira, a quarta, etc... Até conseguir separar suas atitudes de seu eu, e aí gostar dele.
Já houve alunos que eu tive que olhar cinco ou mais vezes para conseguir gostar, mas olhei todas essa vezes até separar sua capa de seu interior e acabar gostando.
E na hora que você gosta tem início o processo de transmissão empática, que alcança o aluno e faz com que ele melhore a relação com você, com sua matéria e com a própria vida dele.
Assim ele estará pronto para estar disposto a aprender sempre. Esse é o seu papel.
Todo esse processo depende de nós.
Nós temos que mudar a má programação dessas mentes, porque se nós não fizermos, quem fará?
Então, professor, está na hora de treinar "gostar" de todos os seus alunos, o tempo todo, mas lembrar que gostar é dar amor e limites, os dois ao mesmo tempo.
Lembremos que quando a criança ou o adolescente sente que há controle sobre ele, vem junto a percepção de que alguém se preocupa com ele. Isso é positivo.
Dar afeto significa controlar, definir normas, definir regras, estipular prazos para tarefas e trabalhos.
Há professores que pensam estar atendendo aos anseios do aluno quando terminam seu assunto antes do término da aula e deixam os alunos à vontade.
O aluno se sente abandonado e desimportante! Embora não declare isso, mas no fundo essa é a verdade.
O tempo deve ser todo aproveitado para tarefas, trabalhos, atividades e o professor deve estar todo o tempo observando e atendendo a todos, gostando e determinando tarefas, gostando e estipulando prazos, gostando e dando a bronca, gostando e punindo, e assim por diante.
É assim que, além de cativar o aluno, consegue-se o aprendizado real.
Vamos, então, aproveitar esse início de ano letivo, para elaborar esse processo de conquista do aluno, para que você se sinta feliz e todos se sintam felizes, facilitando bastante o nosso trabalho.
Depois conversaremos sobre treinamento parental.
Por enquanto é refletir sobre o nosso papel diretamente ligado ao aluno, como se ele não tivesse família.
Reflitam sobre isso e escreva, Mandem sugestões e críticas.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

IUPE Educação: PAZ - Meus valores verdadeiros


MEUS VALORES VERDADEIROS
Acredito que todas as pessoas gostariam de estar vivendo num mundo onde tudo fosse maravilhoso. Nesse mundo ideal estaríamos felizes e satisfeitos conosco mesmo, com as pessoas à nossa volta e com tudo o que somos e com tudo o que temos.
Reflexões filosóficas publicadas ao longo do tempo e pesquisas realizadas com pacientes de terapias psicológicas e psicanalíticas têm mostrado que praticamente tudo nasce na mente das pessoas.
E qualquer pessoa, mesmo sem grandes conhecimentos técnicos sobre o assunto, pode observar que as pessoas parecem ver, ouvir e sentir de forma muito diferente umas das outras, mesmo que elas estejam no mesmo lugar, cercado pelas mesmas coisas, e nas mesmas condições.
Isso pode significar que cada um de nós procura enxergar o mundo à sua volta de acordo com o seu próprio estado de espírito, ou seja, quando estamos muito bem acabamos conseguindo ver coisas positivas e qualidades em tudo e em todos. Já quando estamos mal só conseguimos ver coisas negativas e defeitos em tudo e em todos.
Então é possível que, quando estivermos irritados, nervosos ou ansiosos, esse estado de espírito possa estar sendo produzido, não por alguma razão externa, mas sim por uma opção errada que estamos fazendo, bem no interior da nossa mente, sobre a forma que estamos vendo o mundo.
 As pessoas, as coisas e os problemas levam a culpa, mas na realidade a fonte da nossa insatisfação está dentro de nós mesmos. Nós estamos prestando atenção ao que nos irrita e não as que nos agrada.
Pessoas irritantes, coisas que não gostamos e problemas, tudo isso sempre existiu e sempre existirá! Mas também há pessoas agradáveis, coisas que gostamos e desafios estimulantes. Precisamos então deixar de ver as pessoas irritantes e passar a ver apenas as pessoas agradáveis. Precisamos deixar de ver coisas que não gostamos e passar a ver apenas as coisas que gostamos. Precisamos deixar de ver os problemas e passar a ver apenas desafios estimulantes.  Conseguindo isso estaremos criando um mundo bem melhor!
Agora, vamos à parte prática:
  1. PESSOA AGRADÁVEL OU DESAGRADÁVEL
Procure visualizar a fisionomia de uma pessoa que você não gosta. Se tiver mais que uma, escolha a pior de todas.
Não queira se lembrar dos defeitos. Faça um esforço para encontrar as suas qualidades. Lembre que todas as pessoas, por pior que elas sejam, sempre têm alguma coisa de bom e positivo.
Visualize essa pessoa como se ela só tivesse essas qualidades o tempo todo. Ou seja: crie, em sua mente, a parte apenas positiva dela.
Da próxima vez que você estiver com ela procure mostrar que reconhece esse seu lado positivo e que a admira por isso.
Você vai perceber que, ao longo do tempo, essa qualidade apontada por você aumentará e os defeitos, aos poucos, cessarão.
A partir dessa experiência repita com outra pessoa e assim por diante. Daqui a algum tempo você só terá ao seu lado pessoas que você gosta!
Se prestarmos mais atenção às qualidades de alguém e quando, além disso, mostramos a esse alguém o nosso reconhecimento por suas qualidades, estaremos estimulando essa sua parte positiva a tal ponto que, um dia, seus defeitos desaparecerão por completo! Pelo menos aos nossos olhos!
  1. COISA RUIM OU BOA
Dê uma verificada em tudo o que você tem. Algumas delas você vai descobrir que nem se lembrava de que tinha e passará a usá-las. Há também as que você já não gosta ou não usa. Dentre as coisas que você não gosta, tente alterá-las, modifica-las ou atualizá-las, desde que passem a ser boas para você, faça. Doe as demais, venda ou troque. Não fique mais com o que não gosta. Sucatas materiais criam sucatas na mente...
Se em vez de achar que sua bicicleta está velha você tirar um dia para consertá-la, pintá-la e coloca-la ao seu jeito, aquele objeto passa a fazer parte das coisas que você gosta. E isso pode ser feito com tudo o que você tem.
E quando resolver adquirir alguma coisa adquira apenas aquilo que você realmente precisa, mas escolha muito bem, para ter certeza de que é o que você necessita, é da forma que você gosta e que será verdadeiramente útil durante muito tempo.
  1. SITUAÇÃO PROBLEMA OU DESAFIO
Se ocorrer uma situação problemática em sua vida ela só será um problema se você quiser. Tudo pode ser transformado em desafio estimulante. Basta analisar friamente e calmamente cada parte da situação e iniciar um planejamento diário para ir solucionando parte por parte. Isso transforma o desânimo em estímulo.
Passar de ano, passar num concurso ou passar no vestibular será sempre um problema se visto na sua totalidade. A solução é separar por partes e transformar cada uma delas em desafio estimulante, ou seja: criar a curiosidade e o entusiasmo para aprender cada uma das matérias, para ter conhecimento e vencer qualquer desafio que apareça.
Querer resolver tudo de uma só vez pode ser impossível, mas ir resolvendo parte por parte, além de ser o melhor caminho para a solução, cria os desafios que estimulam a mente e satisfazem o ego.
CONCLUSÃO:
As pessoas, as coisas e as situações são as mesmas sempre! O que muda é a nossa forma de ver e de sentir. E para passar a vida fazendo apenas aquilo que se gosta, basta encontrar em cada obrigação alguma coisa que lhe dê prazer e se dedicar a isso. A obrigação é transformada em prazer.
SUGESTÃO DE PERGUNTAS PARA OS ALUNOS E PARA QUE OS ALUNOS ENTREVISTEM SEUS PAIS:
1. Como eu poderei gostar de quem eu não gosto?
2. Como eu posso gostar de tudo o que eu tenho?
3. O que eu devo fazer antes de comprar alguma coisa para mim?
4. Como posso eliminar meus problemas?
5. Como eu posso fazer apenas o que eu gosto?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

IUPE Educação: Papa renunciante


Vamos aproveitar o momento de um evento que move os noticiários de todo o mundo e que inspira os amantes da Teoria da Conspiração, não para falar que o Papa renunciou por:

1. Não acreditar mais em Deus, como querem alguns ATEUS DESILUDIDOS;
2. Nem para falar que ele era pedófilo, como dizem alguns PEDÓFILOS ENRUSTIDOS;
3. Nem que a Igreja Católica está mergulhando no CAOS, como querem alguns IGREJISTAS QUE PENSAM QUE SÃO CRISTÃOS.

Mas sim para reanalisar nossas crenças e nossos objetivos de vida e procurar transformar as nossas vidas em alguma coisa útil para nós e para a sociedade, sem discriminar quem quer que seja, principalmente se as suas crenças e opções forem diferentes ou até opostas às nossas.

O mundo precisa de menos hipocrisia e mais ação positiva. O mundo precisa de mais amor e menos ódio. O mundo precisa de mais tolerância e menos seleção e exclusão.

A imagem que eu tenho do Papa renunciante nunca foi boa, mas isso é pensamento pessoal meu. A imagem que eu tenho de grande parte dos igrejistas também nunca foi boa, mas continua sendo pensamento e opinião pessoal meus.

Respeito a todos e peço que todos passem a tentar respeitar a todos também.

Vamos deixar o Para renunciante em paz e vamos deixar que a igreja tome o seu rumo como seus cardeias desejarem.

http://robertoandersen.wordpress.com

domingo, 13 de janeiro de 2013

IUPE Educação: Ainda existe alguém normal no mundo?

A chuva suave dessa manhã, contrastando com o dia ensolarado de ontem, acabou provocando um momento de reflexão, onde todos os assuntos, dos mais simples aos mais complexos, passaram a desfilar pelo consciente...

Aproveitei para dar uma visitada na página de Yuri (Facebook.com/irisvan.yuri) e na de Kathlen (Facebook.com/kathlen.oliveira.18) e de Diego Agnelo (Facebook.com/diego.agnelo.9) para ver se algum deles havia publicado alguma das suas elocubrações... Gosto de ler suas dúvidas, suas reflexões e suas postagens...

E o que mais me deixa satisfeito é ver adolescentes e jovens que se entusiasmaram pelo questionamento de mundo, pelos mistérios do ser humano e do universo, pela análise cuidadosa do comportamento de grupos sociais, pela tentativa de entendimento dos conceitos existentes e, ao mesmo tempo, pela disposição para exercitar a polêmica. Esses são assim! 

Fui, então, ao aeroporto, comprar jornais e revistas. Meu interesse era ler a reportagem de Leda Mariza Berbardino, Maria Cristina Kupfer e Christian Ingo Dunker, sobre o austismo e seu tratamento pela psicanálise. Tenho acompanhado essa tendência e ela me interessa muito, já que um de nossos trabalhos é exatamente o acompanhamento e o desenvolvimento integral do autista.

Mas, antes dessa reportagem, tropecei em duas outras excelentes reportagens: A de Jochen Paulus e a outra de Ferris Jabr, sobre as redefinições oficiais das doenças mentais, publicada na Mente e Cérebro nº 240.

Deixei o autismo para mais tarde, para dar oportunidade a todos vocês e, em especial, Yuri, Kathlen e Diego, analisarem e discutirem esse tema sobre doenças mentais.

Os dois artigos falam sobre a nova edição - 5ª - do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, que deve ser publicada em maio próximo.

Nessa nova edição foram incluídos diversos conjuntos de sintomas, que antes não eram considerados importantes, como doenças a serem tratadas pela psiquiatria, ou seja, com o uso de produtos elaborados pela super lucrativa indústria farmacêutica, indústria essa que, só no Brasil, movimenta quase 30 bilhões de dólares!

Três exemplos dessas mudanças são:

Gula:

A partir de maio aqueles "ataques de gula" que ocorrem de vez em quando nas pessoas, passam a ser considerados  como doença, com o novo nome de "Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica".

Jogos e azar, videogame e internet:

Pessoas que passam grande parte de seu tempo em jogos, em videogames e na internet podem ser enquadrados como doentes mentais.

Sexo:

Pessoas que, em certas ocasiões ficam excessivamente excitadas e querem ter uma relação sexual a qualquer custo, também passam a ser consideradas doentes, com o nome de Transtorno Hipersexual".

Riscos futuros:

E para aumentar ainda mais a abrangência dos remédios a serem recomendados, criou-se o termo "Síndrome de Riscos", para definir algumas manifestações que podem estar ocorrendo nas pessoas e que poderiam, a longo prazo, evoluir para alguma síndrome ou transtorno futuro.

Considerando que já estamos acompanhando a exagerada prescrição de RITALINA para qualquer criança mais inquieta que as demais, assim como PROPANOLOL para quem não se livra de memórias inconvenientes, acredito que já dá para imaginar qual a melhor área para se investir no futuro:

Indústria farmacêutica ou rede de drogarias...

E agora?

Como evitar que a população sofra mais esse "ataque" ganancioso dessa indústria? Como evitar que nossos alunos sejam "dopados" por remédios que nunca precisariam tomar?

Será que a mesma disposição que eles estão tendo para desenvolver produtos para tratar a SÍNDROME DE RISCOS estão tendo também para encontrar a cura para o câncer e para a AIDS?

Ou será que a manutenção dos doentes com AIDS com os famosos e caríssimos coquetéis, assim como os tratamentos mantenedores dos doentes com câncer, significam tanto lucro que não convém encontrar cura tão cedo?

Fica a dúvida para reflexão...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Devaneios de Andersen: Nós e a Coréia do Norte nesse primeiro dia do ano

Que sol maravilhoso nessa manhã do dia 1º de janeiro! Pelo menos aqui em minha chácara, em Salvador, quando desde cedo eu e Irani apreciávamos os pássaros e os seus cantos, enquanto ela aparava meu cabelo, para evitar que as crianças e os adolescentes do colégio se divirtam fazendo trancinhas...

Meu filho Erich já ligou! Passou o réveillon na praia de Vilas do Atlântico com minha nora Ivana e devem regressar por volta das onze e meia, para irmos todos almoçar com minha sogra... Programão! Mas, são coisas da vida! Pelo menos Isoli, meu cunhado, deve preparar um de seus maravilhosos pratos especiais, entre eles um saborosíssimo salmão ao molho de maracujá, que ninguém resiste!

Meu filho Caio, como não poderia deixar de ser, ainda dorme tranquilo em seu quarto, mesmo depois da mãe lhe levar uma vitamina, que ele tomou dormindo mesmo...

A noite de passagem de ano foi como todos os anos e, infelizmente, sempre sobram violências, agressões em alguns locais. Numa das ruas próximas a minha chácara uma discussão evoluiu para pancadaria e daí vieram tiros. Resultado: Um morto! Alguns dos meninos que trabalham aqui comigo já relataram tudo, desde o momento do ocorrido, isso às três da manhã.

Leio as notícias e me detenho nas declarações de Kim Jung-Un, o atual ditador da Coréia do Norte, sobre mudanças radicais em seu regime, visando evolução total tecnológica e social! Segundo ele, 2013 será o ano, para a Coréia do Norte, de "grandes criações e mudanças".

Uma das suas frases é de efeito surpreendente: "Devemos realizar uma mudança radical para construir um gigante econômico com o mesmo espírito e valor demonstrados na conquista do espaço: este é o lema que nosso partido e o povo devem apoiar este ano"

Ele também declarou que é importante, para alcançar seus objetivos, que seja eliminado o confronto entre norte e sul.

Aí é que entra a nossa tentativa de análise:

Até que ponto o regime de Kim Jung-Un é o vilão internacional e até que ponto os nossos bloqueios econômicos impostos ao seu país assumem o papel de vilão também?

Lembro que durante uma conferência em que participei na Coreia do Sul, há alguns anos, líderes do sul estavam arquitetando um programa de reaproximação com seus irmãos do norte. Houve, inclusive, uma visita de familiares permitida pelo governo do norte. Na época o governante era o falecido pai de Kim Jung-Un.

As maiores dificuldades eram mostradas como sendo do rigoroso regime de isolamento do norte, ou seja: o norte era o vilão! E assim é passada uma péssima imagem do norte para todo o mundo capitalista! Será totalmente verdade?

Mas vamos deixar de lado um pouco o antigo ditador e fixar nossa análise no atual. Como conseguir governar fazendo algo de útil em seu país se:

Por um lado, precisa estar ligado ao regime "newcomunista" chinês, difícil de entender ainda, mas deixando claro que não abre mão da exploração humana e ignorando qualquer movimento em favor dos mínimos diretos do cidadão. Todos sabemos disso, principalmente porque eles não se preocupam em esconder essa realidade. Nós, os ocidentais, é que ignoramos o que eles fazem com seus habitantes, para poder usufruir dessa exploração, colocando fábricas nossas em seu território, e obter produtos muito mais baratos que os fabricados aqui, onde existem salários, direitos trabalhistas etc...

Por outro lado, o governante tem que procurar atender às famílias de seus habitantes, que precisam reencontrar a parte que foi separada deles. Parte essa que vive no país capitalista meio "americanalhado" do sul e demonstrando a prosperidade econômica que eles, no norte, não podem ter?

Por que manter o bloqueio econômico quase total? Qual a verdadeira motivação que leva a própria ONU a recomendar isso de seus membros?

A desculpa é a mesma utilizada para o regime do Iran. Desenvolvimento de armas nucleares! A terrível desculpa de quem as tem e não abre mão delas, mas quer proibir que todos os demais países as tenham...

É bom lembrar que o Chefe da Missão para Desarmamento Nuclear da ONU tentou abrir os olhos do mundo para essa farsa de desarmamento de um lado só! Ele era brasileiro! E logo depois dessas suas ideias foi destituído de seu cargo. Lembram as razões? Inventaram um "desvio de verba" na sua administração... Coisa facilmente "montada" pelos técnicos americanos de seu gabinete... Ficou por isso mesmo!

É justo? Existe algo justo nessas decisões internacionais? Ou o que há é fruto de puro interesse econômico? Eu não tenho nenhuma dúvida sobre isso!

Bom deixar claro que sou totalmente contra o regime comunista, principalmente o da China, mas sou realista e procuro ser o mais neutro possível em minhas análises e reflexões. É importante para mim isso por razões óbvias. Sou educador e responsável pela formação de dezenas de crianças...

Então, se Kim Jung-Un diz que quer mudar a realidade de seu país, por que não ajudar? Qual o interesse em deixar uma vasta população na miséria por meio de bloqueios econômicos que incluem remédios importantes para a saúde local?

Haverá medo de um progresso imediato do norte? Ou haverá medo de uma reunificação  muito em breve? A quem interessa manter a miséria do norte ou a separação de um povo? Os japoneses foram os principais vilões no passado, mas isso foi passado remoto!

Como entender isso então? Quem são os verdadeiros vilões?

Melhor acordar meu filho Caio para darmos uma nadada na piscina, aguardar a chegada de meu filho Erich e minha nora Ivana e depois irmos todos almoçar na casa da minha sogra... Acho que ela me lembra um pouco Kim Jong-Un... (brincadeirinha...)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

IUPE Educação: Adolescentes inquietos

O que mais ouço de parte dos professores é sobre a inquietação adolescente ou até a agressividade aumentando a cada dia!

É real a observação, mas é importante analisar as causas, todas elas, uma por uma, com o maior rigor possível, para evitar que sejamos levados a consertar a consequência de um problema, em vez de consertar a sua principal causa.

Erros como esses são comuns, como foi o da proibição de crianças serem utilizadas como entregadores de jornais. Proibiu-se o trabalho infantil, o que parece ser uma atitude correta, mas não se proibiu que essas crianças sentissem fome, principalmente aquelas que fazem parte de famílias miseráveis ou até aquelas que nem família possuem.

Criou-se o bolsa família para a crianças poderem estar na escola, mas quando fui verificar de que forma elas estariam conseguindo aprender de verdade, confirmei que a maioria trabalha no turno oposto, ou seja, a escola serve apenas como local para almoçar, mas nunca para aprender.

Por que falo isso? Porque para aprender não adianta apenas estar assistindo a uma aula. Existe necessidade da criança reforçar o que aprendeu, realizando uma tarefa no turno oposto. Só assim ela constrói sua memória cognitiva real. Com essas crianças nada disso ocorre.

Ela precisa ser estimulada a estudar, mas para isso tem que estar feliz e satisfeita com a escola e ser orientada de forma rígida porém afetiva, mas...

...Voltemos a falar, como começamos, da inquietação e agressividade. Já estávamos entrando em outro assunto que, embora seja importante, deve ser tratado mais tarde.

Inquietação e agressividade!

Não tenho dúvidas! Quando uma criança ou um adolescente age de forma inquieta ou agressiva existe uma razão forte que independe dessa criança ou desse adolescente.

Os motivos, então, devem ser encontrados, para que nossas atitudes tenham resultado prático e eficaz.

Um dos elementos alimentadores dessa inquietação, estresse e agressividade é a exposição, por tempo muito  prolongado, a um aparelho de TV, a um computador ou a um jogo de videogame. Até uma hore esses equipamentos são até bons para estimular o raciocínio, tanto em memória como em velocidade de processamento. Mas a partir de uma hora os neurônios começam a ficar estressados e a inquietação aparece, junto com o estresse e a agressividade.

Mas como resolver esse problema se os pais consideram "um verdadeiro achado" a TV, o computador e o videogame, já que evita que seu filho esteja "na rua"...

Nem precisamos responder mais essa pergunta. Todos já sabem dos malefícios da exposição exagerada a esses equipamentos.

Precisamos, sim, apresentar opções. E há muitas opções de diversão. Opções bem escolhidas e bem planejadas satisfazem as crianças e os adolescentes de tal forma que, de repente, descobre-se que eles são ótimos, e que só precisavam de atividades lúdicas e prazerosas para manter um comportamento estável e se relacionar corretamente com colegas, professores, pais, familiares etc...

Estamos preparando o planejamento 2013 para o IUPE e para todas as escolas orientadas por nós, onde essas opções estão todas inseridas. Mas precisamos que todos vocês analisem, pensem, relembrem, para sugerir novas opções, novos jogos, passatempos e diversões, para enriquecer a lista de sugestões para 2013.

Aqui vai um exemplo, como sugestão:

Para o IUPE hoje é um dia especial. Por que? 

Hoje é dia de pura diversão para os alunos do IUPE na chácara! Tudo começou no colégio, às oito da manhã, cada um trazendo uma bandeja de comida e um refrigerante, para que o momento da fome fosse também de fartura.

A vice-diretora Linda coordenando o transporte, ajudada pela auxiliar de coordenação Sueli.

Assim que chegou o transporte foram, todos, pela Avenida Paralela rumo ao bairro do Cassange, próximo ao aeroporto.

Chegaram todos, sendo recebidos pela diretora Irani e por Caio, recém passado para o 2º ano do Ensino Médio.

Em pouco tempo os meninos já estavam na piscina e as meninas, como sempre, ainda se preparando para "aparecer".

Quando elas surgiram na piscina eles já estavam na quadra jogando futebol.

Mais tarde todos regressaram à piscina, já que a temperatura hoje recomenda muita água mesmo!

A forma deles se divertirem mostra exatamente o que dissemos antes. Basta ter opção de diversão que as mentes aquietam e a diversão passa a ser totalmente sadia.

Essa é uma ideia. E não é dispendiosa. Cada um traz uma bandeja de comida e algo para beber. Sobre de despesa o aluguel do espaço, embora hoje seja gratuito, já que é a minha própria casa. O transporte pode ser dividido por todos, o que facilita bastante até para alunos carentes. O de hoje foi meu presente de Natal para meus alunos.

E assim muda-se a mentalidade de um grupo, transforma-se uma comunidade, algo de útil se faz pela sociedade...

Assista ao VIDEO DO PASSEIO

Abaixo estão duas fotos do passeio:




terça-feira, 30 de outubro de 2012

IUPE Educação: Hipocrisia na Educação


Cerca de quatrocentos anos antes de Cristo um general chamado Sun Tzu escreveu uma obra de recomendações ao Príncipe, chamada “A Arte da Guerra”.

Entre as recomendações estavam as que mostravam como dominar, explorar, iludir, desrespeitar e roubar o povo e, ao mesmo tempo fazer com que esse mesmo povo ame-o, adore-o e, em alguns casos até divinize-o!

No século XVII um padre jesuíta, Baltasar Gracián, escreveu “A Arte da Prudência”, com recomendações semelhantes, só que essas para as pessoas que desejarem “subir na vida” sem escrúpulos, ou seja, sem se preocupar com qualquer tipo de comportamento ético.

As duas obras parecem terem sido escritas hoje, já que o comportamento das pessoas continua exatamente igual e a facilidade com que se manipula seus pensamentos e vontades é a mesma!

Vemos isso claramente e diariamente ser feito pela principal rede de TV do nosso país.

Ela achou que Collor seria um bom aliado e criou o “Caçador de Marajás”! Ela convenceu o povo que o elegeu com grande maioria de votos!

Collor não cumpriu a promessa que fez a Roberto Marinho porque tinha a pretensão de criar a sua própria rede nacional de TV a partir de uma emissora de Curitiba.

Por causa disso ela, a Globo, fez aparecer para o povo, a corrupção governamental que sempre existiu e continua existindo, como coisa exclusiva do Governo Collor.

Criou os “adolescentes caras pintadas” e manipulou o povo de tal forma que o impeachment do presidente foi inevitável!

Mas por que estou falando disso? Porque quero chegar na educação e no processo de manipulação negativa que está sendo feito pelo nosso sistema contra a verdadeira educação nesse país.

Sabemos todos que as famílias têm jogado toda a responsabilidade da educação em cima dos professores e das escolas. Isso é verdade!

Mas o que muita gente não está percebendo é que o sistema educacional, em vez de procurar meios de treinar as famílias na educação de seus filhos, está se aproveitando dessa inversão de papéis para punir, não as famílias que abandonaram emocional e  intelectualmente seus filhos, mas punir os filhos, selecionando os melhores e excluindo os piores ou os que apresentam algum tipo de dificuldade ou anomalia.

A ideia básica é dar oportunidade apenas aos que já têm essa oportunidade, ou seja, aqueles que nasceram em berço de ouro e tiveram todas as facilidades do mundo para desenvolver seu conhecimento.

Esse procedimento pode ser observado claramente em grande parte das escolas, tanto públicas como particulares.

E a manipulação feita pelo sistema faz com que as famílias não se deem conta disso e acreditem que seus filhos sejam realmente inferiores aos filhos dos

Para facilitar a análise vamos entender alguns casos reais:

Caso 1 em escola pública:

Adolescente, dezesseis anos, desde pequeno apresentando elevadíssima capacidade intelectual, inquieto em sala por não conseguir paciência para ouvir o professor ensinar vagarosamente e repetidamente coisas que já está cansado de saber.

Sua natural inquietação faz com que ele se negue a participar das aulas. Com isso foi reprovado repetidamente por faltas e está, agora, em classe de Educação de Jovens e Adultos, repetindo uma das séries do Ensino Fundamental I.

No decorrer das “repetências” alguns professores mostraram que capacidade intelectual ele tem, já que bastava dar-lhe um pequeno tempo para estudar e ele tirava excelente nota em qualquer matéria.

Mas a escola acredita que não pode deixar de seguir a determinação de reprovar quem tem menos de setenta por cento de presenças.

Menino reprovado e pais desesperados, mas não com o sistema educacional, mas sim com o menino, que é logo rotulado como preguiçoso, relapso, relaxado, etc...

“A escola deve estar certa.” – dizem os pais! “Meu filho é que está errado”.

Resultado: O menino perde a autoestima e desiste de estudar.

Caso 2 em escola particular:

Pais de adolescente leram que a escola X é a que mais aprova no vestibular, logo, segundo a mídia, é a melhor escola da região. Como eles querem o filho na Faculdade, matricularam nessa escola.

Os professores chamam os pais e dizem que seu filho não veio de uma boa escola e que ele está muito fraco em matemática.

A solução que sugerem é a dos pais procurarem professores particulares especializados, para que o menino pudesse alcançar o “nível da turma”.

Caso o menino não alcançasse esse nível, teria que ser excluído, porque a escola só aceita alunos do mesmo padrão de entendimento.

Isso é real! Esse procedimento e essa declaração são comuns na maioria das escolas consideradas como de 1ª linha!

Pais ficam desesperados e desiludidos, não com a escola, mas sim com o seu filho, achando que a escola está certa e que seu filho é que é um relapso, retardado, relaxado, ou qualquer outra coisa do gênero!

“A escola está certa! Meu filho é que está errado!” – dizem esses pais - “Eu gastei “uma nota” para matriculá-lo na melhor escola e ele me decepciona assim!”

Resultado: O menino perde a autoestima e desiste de estudar.

Caso3 em escola pública:

Menina, diagnosticada como disléxica, tem muita dificuldade em escrever, mas foi conseguindo passar com muita dificuldade em todas as matérias, chegando ao final do Ensino Médio.

Durante toda a sua trajetória educacional descobriu-se amante da medicina, entendendo, com muita facilidade, tudo o que está relacionado com a ciência médica.

Em conversa com profissionais de medicina ela é facilmente confundida com médico formado, tal a desenvoltura com que fala sobre tudo relacionado a essa ciência.

Nunca a teremos como médica, já que ela não tem a menor condição de ser aprovada num exame vestibular.

Nos Estados Unidos temos a Pós Doutora Temple Grandin, professora universitária, uma das grandes cientistas mundiais especializada em Ciência Animal, que embora seja portadora de uma anomalia neurológica (Autista) foi encaminhada para a Faculdade e hoje contribui para a ciência da mesma forma que essa nossa aluna poderia vir a contribuir para a medicina.

A Dra Temple Grandin não precisou fazer exame vestibular. O MEC, no Brasil, só deixará a nossa aluna ser médica, se for aprovada nesse exame.

O MEC deve estar certo. A aluna é que nasceu no país errado!

Esses três relatos, todos verdadeiros, são apenas um pequeno exemplo do que está ocorrendo em todas as nossas escolas.

Como mudar?

A solução é muito simples, mas precisa de muita dedicação e muito trabalho, por isso muitos preferem acreditar que não há como mudar!

A mudança começa na alteração do próprio conceito de educação verdadeira e também no significado que desejamos dar ao verbo educar.

Nos próximos artigos vamos analisar cada caso e de que forma podemos contribuir para o sucesso de todos os nossos alunos, tenham eles as dificuldades ou anomalias que tiverem. 

domingo, 21 de outubro de 2012

IUPE Educação: Droga para remover medo enquanto você dorme


DROGA PARA REMOVER MEDO ENQUANTO VOCÊ DORME

A reportagem que indico abaixo é uma das que devem ser lidas com o cuidado da reflexão sobre intenções e consequências.

A princípio mostra um avanço científico possibilitando melhorar a vida de pessoas que não se livram de seus medos.

Mas, por outro lado, esse avanço leva à produção e o consumo de mais uma droga, entrando na seara da indústria mais lucrativa e mais antiética do mundo: a indústria farmacêutica.

O artigo mostra, inicialmente, o uso da sonoterapia, que é eficaz, mas consegue identificar uma situação em que o problema volta a ocorrer.

Ora! Sabemos que tratamentos não medicamentosos precisam de muita paciência e repetição, mas em compensação, o único efeito colateral conhecido não ocorre no paciente, mas sim na indústria farmacêutica, que perde lucro, já que não vende remédio.

O artigo, então, mostra a experiência feita com modificações químicas na parte biológica da pessoa, aplicando injeção de substância que interfere no funcionamento natural da amígdala basolateral.

Isso provoca consequências.

A consequência conhecida (e, segundo os pesquisadores, desejada) é o bloqueio da síntese de proteínas que seriam responsáveis pela armazenagem das memórias ruins e do medo.

Pode haver consequências negativas, já que está sendo modificado o funcionamento normal de uma parte do cérebro.

Sugiro, então, que se tenha muito discernimento no momento de se tentar tratar com medicamentos um problema que pode ser resolvido de forma mais natural e com menos possibilidade de efeitos colaterais.

Leia a REPORTAGEM

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

IUPE Educação: Dia do Professor


Colegas,

Dessa vez estou me dirigindo, principalmente, aos meus colegas professores.

Sabemos o quanto é difícil:

- Ter que estar muito bem emocionalmente todos os dias.
- Ignorar, por algumas horas, todos os problemas pessoais.
- Ter criatividade para alterar os planejamentos das aulas sempre que a situação exigir.
- Ter força para manter o domínio de classe, e ao mesmo tempo, irradiar afeto.
- Conseguir gostar de todos os seus alunos, sem exceção, como se fossem seus próprios filhos.
- Conseguir identificar cada dificuldade, de cada um dos alunos, antes que ela se agigante.
- Conseguir identificar a mínima habilidade do aluno com anomalias, para poder desenvolvê-lo.
- E trabalhar mais ainda, em casa, para preparar tudo de novo para o dia seguinte.

Mas sabemos, também, o quanto é gratificante:

- Ver o progresso, mesmo pequeno, no desenvolvimento de cada aluno.
- Ver o sorriso do aluno mudo e com paralisia cerebral, quando ele percebe que você sabe que ele existe e que você lhe transmite entendimento e afeto.
- Ver a alegria do autista ao perceber a sua entrada na sala, aquele mesmo autista que antes não parecia prestar atenção a nada.
- Ver a satisfação do aluno-problema, quando ele faz questão de lhe dizer que está melhorando seu comportamento, mesmo que ainda não esteja.
- E tantas outras alegrias mais.

Não há, colegas, profissão nenhuma que nos dê tanta alegria de poder modificar, para melhor, a vida de alguém.

Não há, no mundo, profissão que se compare a essa.

Precisamos, apenas, ter em mente, que todos os problemas que enfrentamos, sejam de falta de reconhecimento, sejam de falta de condições, só serão alterados quando os alunos que passarem por nós, se tiverem sido muito bem preparados, estiverem exercendo as funções que hoje ignoram a nossa existência, ou nos desprezam.

Até para isso nós dependemos de nós mesmos... Só que em longo prazo! Mas essa é a maior das realidades que temos que enfrentar, para que, no futuro, estejamos semelhantes à Singapura, Coréia do Norte e outros, que já foram até piores que nosso país.

Parabenizo a todos os que, hoje, trabalham com esse objetivo, porque assim estarão contribuindo para melhorar alguma coisa em algum lugar em algum momento.

Felicidades no Dia do Professor!

sábado, 13 de outubro de 2012

IUPE Educação: Entender o aluno-problema


Embora o aluno da foto não seja um aluno-problema, muito pelo contrário, é um de meus melhores alunos, preferi inserir essa foto do que a de algum que não se sentisse bem em ser assim rotulado.

Vamos tentar entender de forma muito simples, sem a hipocrisia da sociedade atual, como funciona a mente das crianças e dos adolescentes, para compreender os motivos de seus diferentes comportamentos e a melhor maneira de contribuir para a sua educação.

O enfoque desse artigo é a realidade na escola, ou seja, o papel do educador nesse entendimento e nessa formação, visando principalmente os alunos rotulados como “alunos-problema”.

Mas para podermos compartilhar melhor esse momento é importantíssimo que todos “se desarmem” das suas ideias preconcebidas para:
    
    1.   Lembrar que muitas vezes ouvimos verdades importantes provenientes de fontes que nunca imaginaríamos ouvir.

    2.   Que só exercitando com seriedade e dedicação o que se propõe é que podemos confirmar ou contestar as verdades ouvidas.

Precisamos também de muita reflexão e muita sinceridade para identificar quem somos nós, ou seja:
    
    1. Tenho competência para gostar de todos os meus alunos, sinto-me responsável por eles como se fossem meus filhos e consigo estar sempre fazendo com que eles fiquem satisfeitos comigo e assim poder intervir na sua educação?

    2.   Tenho competência para dar ótimas aulas e explicar de forma clara e dedicada os assuntos referentes ao conteúdo de minha disciplina, mas me irrito com as provocações e agressões verbais de meus alunos?

Se você se enquadra no item 1) eu o chamo de educador. Se se enquadra no item 2) eu o chamo de professor. Ambos são necessários, mas para os chamados alunos-problema o 2º pode não conseguir bons resultados.

Lembro, para evitar polêmica, que essa é a minha definição de educador e professor! Ninguém precisa concordar comigo, ainda mais que tudo passa por um problema de semântica.

Mas vamos aos pontos que realmente interessam para nossa reflexão:

Primeiro ponto a refletir: ALUNO MAL COMPORTADO

Todo comportamento inadequado da criança ou do adolescente, tanto apatia como irritação e agressividade, é consequência de algum tipo de sofrimento psíquico pelo qual ele está passando. Nenhum aluno se comporta mal simplesmente porque resolveu se comportar mal. Se ele se comporta mal é porque ele está mal, e isso pode ter diversas causas:
    1. Ele está mal porque não está satisfeito com ele mesmo, ou não está satisfeito com algum dos ambientes em que ele vive e por vezes nem sabe, direito, a razão disso.
  
    2.   Ele está mal porque está estressado devido a excesso de exposição à TV, ou ao computador ou ao videogame, mas não se dá conta disso.

    3.   Ele está mal porque se sente rejeitado, desprezado, ignorado, abusado fisicamente, abusado sexualmente ou esquecido, mas nesse caso, ele tem plena consciência disso.

Essas causas vão provocar no aluno:
    
    1. Uma acomodação e uma apatia em alto grau, perdendo todo o ânimo para o estudo e os trabalhos escolares, podendo evoluir para o estado depressivo e, em alguns casos, o “suicídio inconsciente”.

Toda escola tem alunos nessa fase. Só não percebe quem “fecha os olhos” para o grupo que está à sua frente.

O aluno que suicidou jogando-se da janela de um colégio recentemente é um exemplo. Não havia presença afetiva em sua família nem na escola, embora houvesse presença física, financeira e material de sobra em ambos os lugares.

     2.   Uma necessidade neurótica de “aparecer como transgressor”, apresentando comportamento agressivo na escola ou na rua, já que essa é a forma mais fácil de ter alguma importância para o grupo no qual ele está inserido.

Toda escola também tem alunos nessa fase. A punição é, para esses alunos, apenas mais um motivo para aumentar a revolta para com a sociedade em geral.

O papel do verdadeiro educador é procurar identificar a causa principal desse mau comportamento em cada um dos alunos para planejar a forma mais correta de intervir para ajudar.

Se um professor não se sente capaz de exercer esse papel deve, pelo menos, evitar reagir às suas provocações e pedir ajuda aos outros profissionais da escola, para tentar exercer o domínio de classe sem provocar aumento da revolta desses alunos.

Ficar irritado com o aluno ou com raiva dele só serve para aumentar o problema e dificultar o seu processo de evolução na escola.

Há necessidade de muita competência educacional, não apenas pedagógica, para lidar com esses casos. Mas todos podem contribuir identificando cada um desses alunos e pedindo ajuda aos profissionais adequados para saber como lidar com eles.

Para isso o professor deve sentir que está “do mesmo lado do aluno”, entusiasmando-o pelos estudos e compartilhando conhecimento para o seu futuro sucesso, mas nunca em oposição a ele, para julgá-lo, puni-lo e reprová-lo.

Se o aluno precisa “aparecer” que criemos meios sadios e produtivos para que ele apareça! Lidar com gente em fase de formação exige criatividade, além do conhecimento da sua matéria! Há uma infinidade de sugestões de professores para se conseguir isso!

Entre elas: auxiliar de classe, líder de tarefa, encarregado de grupo, ou até utilizar frases dele como exemplo nas explicações do dia, etc...

Se o aluno quer se isolar, que criemos um ambiente para ele, na própria sala, durante a realização de trabalhos em grupo, onde ele e o professor estarão juntos na realização de uma tarefa. O professor passa por todos os grupos e se detém um pouco mais no acompanhamento desse aluno isolado.

Aos poucos, no decorrer do tempo, o professor deve criar alguma estratégia para ir aproximando desse aluno um ou mais colegas que sejam bem aceitos por ele.

Essa sugestão já foi utilizada com muito sucesso em alunos que chegaram à escola com laudo médico de esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade e transtorno de espectro autista.

Dois deles, inicialmente isolados de todos os colegas, antes de três anos de convivência já realizavam trabalhos em grupo e apresentavam seminário sozinho! Passaram em exames vestibulares “verdadeiros” sem fazer qualquer tipo de cursinho preparatório.

Para evitar que eu seja mal interpretado, essas doenças realmente existem! 

Mas os mesmos sintomas também aparecem em alunos que não as têm. E esses alunos que não as têm, mas apresentam tais sintomas, já somam mais de oitenta por cento dos que chegaram à nossa escola.

Segundo ponto a refletir: ALUNO PRECOCEMENTE SEXUALIZADO

Todo aluno que pertence a uma família onde a sexualidade é clara e aberta, como no caso de famílias que vivem em um só cômodo e onde as mães mantêm relações com seus parceiros na frente dos filhos, criam, nesses filhos, uma precocidade sexual perfeitamente natural, difícil de ser contida em algum outro ambiente, como no caso, por exemplo, da escola.

Lares em que isso não ocorre, mas que os filhos assistem livremente, sem qualquer limitação, a qualquer programa, novela ou filme na TV, o efeito é semelhante.

Falta total de liberdade para qualquer tipo de conversa entre pais e filhos, fazendo com que os filhos tenham que recorrer à orientação de estranhos, também pode provocar o mesmo resultado.

O papel da escola, nesse caso, é o de apresentar todas as demais opções saudáveis e apropriadas de obtenção de prazer, por meio de entusiasmo pela pesquisa, participação em jogos, ensino de passatempos, opção de diversões, promoção de disputas em sala, exercício de debates sobre assuntos de muito interesse e ensino de brincadeiras adequadas à idade, para preencher o vazio que estaria sendo ocupado pela sexualidade precoce.

Dizer, simplesmente, para o aluno, que não é hora de namorar, é algo simplesmente ridículo e beira à hipocrisia.

Terceiro ponto a refletir: ALUNO NORMAL QUE NÃO ENTENDE O ASSUNTO

Todo aluno que, num momento de comparação com um irmão, um primo ou um colega, sente inferioridade em compreensão ou em habilidade, pode desenvolver um bloqueio emocional grave ao ponto de apresentar sintomas semelhantes aos da dislexia, da discalculia, do déficit cognitivo, e de outras tantas síndromes, dificuldades e demais anomalias neurológicas e psíquicas.

Como esses sintomas são imediatamente detectados na escola, cabe aos professores o papel de convencimento de sua competência compreensiva ou de sua habilidade. Cabe também, à escola, orientar os pais sobre a melhor maneira de lidar com essa dificuldade de seus filhos.

Uma forma que tem sido observada como bastante produtiva é fazer o aluno voltar, no livro ou módulo, ao ponto em que ele conseguiu entender, mesmo que isso tenha sido assunto da unidade anterior.

Ao identificar esse ponto, o professor deve ignorar o nível do resto da turma, e passar para esse aluno em especial, exercícios e atividades que ele saiba e possa realizar.

A realização de cada uma dessas atividades deve ser vista pelo professor como sucesso do aluno, para provar a ele que tem competência e assim aumentar a sua autoestima.

Esse aluno deverá ter acompanhamento especial, até que esteja acompanhando a turma. Mas o professor deve fazer isso por prazer, sem criar nenhuma expectativa de grandes resultados.

A expectativa não satisfeita traz decepções ao professor e isso é percebido pelo aluno, baixando a sua autoestima e aumentando seus bloqueios.

Todo esse acompanhamento especial deve ser registrado pelo professor e transcrito para as atas de Conselho de Classe, para facilitar decisões futuras sobre a forma de ajudar no desenvolvimento da vida escolar do aluno.

Essa sugestão já foi utilizada, com total sucesso, em alunos que chegaram à escola, não só com laudo médico de déficit cognitivo, mas também com laudos de Dislexia e Discalculia.

Conclusão e relato de caso

Para concluir preciso lembrar apenas algumas sugestões para ser um bom professor-educador:

    1.   Gostar do aluno, como se fosse seu próprio filho, e assim sentir-se responsável pela sua formação integral.

    2.   Entender o mau comportamento como sintoma (alarme) mostrando que ali existe um aluno necessitando ajuda.

    3.   Assumir que, em vez de proibir alguma coisa errada, é nossa a responsabilidade de encontrar opções de atividades empolgantes e produtivas, mas prazerosas, lúdicas, distrativas e divertidas.

E que, para todas as três etapas terem pleno sucesso, exercitar a afetividade, a compreensão e a paciência. Muita paciência!