quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Felicidade Relativa X Felicidade Absoluta

Há algum tempo fiz uma crítica sobre uma reportagem que divulgava, em termos mundiais, parâmetros para mensurar a felicidade dos povos. Naquela oportunidade vimos que os países apontados pela reportagem como mais felizes eram, coincidentemente, os que apresentavam os maiores índices de suicídio.
Comentei, então, que a pesquisa realizada por meio de preenchimento de questionários, nem sempre nos mostra a realidade do sentimento das pessoas, mas sim o que as pessoas gostariam de sentir.
Há pessoas com renda individual ou familiar muito elevada que não conseguiram construir verdadeiros relacionamentos afetivos, principalmente por estarem totalmente envolvidos com o aumento de seu capital. Essas pessoas, embora tenham ficado ricas não conseguem entender as razões de se sentir insatisfeitas para com a vida. Elas acabam respondendo que são felizes, simplesmente porque acham que essa é a lógica, embora não sintam isso como sua realidade pessoal.
Da mesma forma há pessoas com renda familiar baixa, mas que convivem satisfatoriamente com os filhos e amigos, sentem amor um pelo outro, ajudam-se mutuamente e não passam necessidades. Essas, muitas vezes, são levadas a entender que não são felizes, já que a mídia mostra que ser feliz é ter o poder do consumo, é comprar carro novo, é ter roupas de marca, e outras coisas mais. Elas acabam respondendo que são infelizes.
Com respostas desse tipo nenhuma pesquisa conseguirá mostrar um mapa de felicidade correto, já que sempre haverá a coincidência entre felicidade e maior poder aquisitivo, o que o mapa do índice de suicídios no mundo demonstra não ser verdadeiro.
A reportagem que comentaremos agora, publicada nas páginas 94 e 96 da revista Veja de 15 de setembro de 2010, dá um valor para a felicidade em dólares, mas não diz, absolutamente, que quem tem mais dinheiro é mais feliz. A ideia é outra. Recomendo a sua leitura.
Mas o foco principal de atenção deve estar, agora, no último parágrafo da reportagem, mostrando uma verdadeira doença emocional que deve ser combatida arduamente: a tendência dos ser humano de só ser feliz se o vizinho tem menos do que ele. Considero isso uma doença. Em uma palestra há muitos anos chamei-a de “felicidade relativa”. Talvez fosse o caso de mudar seu nome para “infelicidade relativa”, mas vamos deixar como está mesmo.
Há, na realidade, duas grandes doenças emocionais impeditivas do estado pleno de felicidade. Uma é essa felicidade relativa que vamos comentar agora. Sobre a outra, que é a necessidade do reconhecimento por tudo o que fazemos, comentaremos em outro momento.
A mídia sempre é sempre colocada como o principal vilão de todos os comportamentos inadequados da sociedade. Em parte isso é verdade. A necessidade de estimular o consumo para aumentar os lucros faz com que ela seja utilizada com essa intenção. A partir dessa ideia são produzidas peças publicitárias mostrando a realização pessoal das pessoas que desfilam defronte de seus vizinhos com carros melhores do que os deles ou que seus filhos usem roupas de marcas melhores do que as dos outros.
Ela, a mídia, colabora muito com essa forma negativa de “ver a vida”, mas temos que lembrar, a todo instante, que o principal programador de nossa mente é o nosso próprio pensamento.
Se “nos deixarmos levar” pelos determinismos consumistas do mercado, estaremos construindo dentro de nós um sentimento incontrolável de “querer mais”, mesmo sem saber o porquê e mesmo sem nem sequer precisar. Isso pode causar ansiedade e insatisfação crescente e incontrolável, como uma bola de neve!
A técnica utilizada pelo mercado é essa! Pessoas satisfeitas com o que tem não dão lucro ao mercado! Provocar a insatisfação é uma estratégia de venda que funciona em todos os lugares! Pode ser uma estratégia antiética, mas ela é usada todos os dias e é o que vemos em todos os canais de TV, é a que lemos em todos os jornais e em todas as revistas!
Provocar a insatisfação e oferecer a solução para o resgate da “felicidade relativa”, até que o vizinho consiga superá-lo novamente... E volta tudo ao estado de insatisfação anterior.
Vamos, então, lembrar, que o tratamento adequado, para que todos consigam iniciar o seu processo de “libertação” dessa ansiedade constante e inibidora do estado pleno de felicidade está dentro de nós mesmos! É a força de vontade para criar verdadeiros objetivos de vida e viver para eles.
Tudo passa pela criação desse seu objetivo de vida! Sim! Um objetivo bem pensado, um objetivo criado após reflexões e que preencha as suas reais necessidades e contemple as suas perspectivas atuais de vida. Para quem já conhece o “Diário do Futuro”, que criei há alguns anos e venho ensinando em minhas palestras, isso é fácil de fazer, já que a criação dessas perspectivas passa a fazer parte da rotina diária.
Não quer dizer que esse objetivo tenha que ser imutável a partir dessa criação! Nada disso! Ele poderá ser revisto e ampliado a cada dia, exatamente como fazemos em nosso “diário de futuro”.
Mas o importante é que, após a criação desse objetivo de vida, trabalhemos nas metas práticas para o alcance do que desejamos, fazendo o planejando diário para a realização de cada uma dessas metas.
Qualquer sugestão de consumo fora desses planos deve ser analisada com cuidado para verificar se está dentro da nossa lista de prioridades. A falta dessa análise consciente é o que nos leva a fugir dos objetivos traçados e entrar pela febre do consumo inadequado e angustiante.
E, em paralelo com isso, criar dentro de nós um sentimento de satisfação para com as coisas que temos. Qualquer momento de reflexão voltado para a análise de nossas conquistas mostrará o quanto já produzimos e permitirá que reconheçamos os valores de tudo o que temos e somos.
Assim pensando estaremos desenvolvendo a nossa capacidade de estar feliz com o que temos, juntamente com o discernimento para criar novas perspectivas de vida e novos planejamentos de futuro.
A satisfação pessoal decorrente da análise de nossas conquistas possibilita nossa libertação da tendência de fazer comparações com os outros. Estaremos trabalhando mentalmente centrados em nós mesmos e em nosso núcleo familiar.
Aprendemos assim que a construção de uma estrutura de felicidade será facilitada pelo exercício de uma comparação diferenciada, ou seja: Entre nossos planejamentos de ontem, nossas conquistas de hoje e nossas perspectivas para amanhã.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Exclusão Social

No momento em que o desfile do Sete de Setembro apresenta, em sua formação, um desfile paralelo chamado de “Grito dos Excluídos”, não podemos deixar de comentar sobre outro tipo de exclusão social que está sendo realizado com a nossa participação inconsciente!
Essa exclusão não é a daqueles que estão no desfile dos excluídos, mas sim a exclusão daqueles que nem sabem que estão sofrendo esse tipo de problema, principalmente por estarem sendo “dopados” oficialmente, já que foram rotulados como “doentes” por meio de diagnósticos precipitados.
Enquanto alunos deficientes estão sendo “incluídos” nas escolas normais, mesmo porque hoje isso é lei, alunos normais estão sendo transformados em deficientes, como resultado dos efeitos colaterais de remédios controlados que nunca precisariam ser tomados por eles.
Minha preocupação é que essa exclusão social tem a nossa participação inconsciente, já que é nas escolas que esses alunos são mal compreendidos e rotulados como portadores de anomalias, por nós mesmos!
Nossa ação quase que inconsciente, como professores ou como psicopedagogos, tem sido o envio de relatório de acompanhamento, mostrando ao psiquiatra ou ao neurologista toda a sintomatologia apresentada pela criança, claramente característica de tais anormalidades.
O médico percebe os sintomas e confirma que é um comportamento continuado por meio do relatório da escola, restando a ele apenas confirmar o diagnóstico e receitar o tratamento medicamentoso adequado.
Mas nossa constatação é preocupante:
Mais de oitenta por cento desses alunos com sintomatologia característica de dislexia, discalculia, déficit de atenção com hiperatividade, transtorno de espectro autista, esquizofrenia, déficit cognitivo, memória seletiva e outras anomalias, e que estão ou estiveram sendo acompanhados pelos educadores e psicopedagogos sob a orientação do IUPE, sejam na escola em Salvador (onde é a sede também de nosso instituto de pesquisas) como por professores de outras cidades e países, estão, hoje, apresentando comportamento e características cognitivas perfeitamente normais.
A conclusão que temos chegado é que essas crianças e adolescentes nunca tiveram qualquer dessas anomalias, mas sim bloqueios emocionais graves com causas diversas, provocando o aparecimento de todo um comportamento sintomático característico desses distúrbios, transtornos e doenças.
Só temos conseguido chegar a tais conclusões devido ao nosso processo metodológico de adequar o ensino às habilidades e possibilidades do aluno, independente da série que ele está matriculado, tendo o professor, como única preocupação, entender o seu nível de entendimento cognitivo, a sua habilidade desenvolvida e, a partir daí, elevar a sua autoestima e fazê-lo progredir de onde ele está para mais além.
Esses alunos, aos poucos, foram abandonando os medicamentos e voltando a ter uma vida normal (alguns deles nunca a tiveram antes) e, em pouco tempo, todos já acompanhavam a turma na qual estavam matriculados, com resultados semelhantes à média dos seus colegas ditos “normais”.
Gostaria, nesse ponto, de deixar claro que as anomalias realmente existem, ou seja, há alunos com doenças reais, dislexias e discalculias verdadeiras, esquizofrenias constatadas, déficit de atenção e hiperatividade patogênica e outras.
Mas a nossa preocupação é com aqueles que, sem estarem verdadeiramente acometidos dessas doenças, estão sendo tratados como tal, fazendo uso de medicamentos controlados cujos efeitos colaterais serão extremamente prejudiciais ao seu desenvolvimento intelectual e psíquico.
Para exemplificar já tivemos casos de alunos sendo equivocadamente diagnosticados como portadores de déficit de atenção com hiperatividade e que, na realidade, apresentavam elevado grau de capacidade cognitiva (superdotados).
Alguns deles já faziam uso de medicamentos controlados quando houve a constatação do fato. Todos mudaram seu comportamento em relação aos estudos após passarem por um processo de adequação do método às suas necessidades de enfrentamento de desafios acima de sua capacidade atual.
A Conselheira Theresinha Guimarães Miranda, do Conselho Estadual de Educação do Estado da Bahia, relatou em seu Parecer 170/2009 (referendado pela Resolução CEE 79/2009) procedimentos interessantes e maravilhosos para a adequação das escolas à inclusão social dos deficientes. Já é um excelente passo para mudarmos alguma coisa.
Mas precisa haver um meio de, além de incluir os deficientes, não transformar alunos normais em deficientes, como estamos fazendo. Aos poucos, devido aos efeitos colaterais dos remédios que não precisariam estar sendo tomados, limitamos sua capacidade cognitiva. Mais tarde vamos precisar incluí-los entre os que precisam de atenção especial.
Na mesma Resolução 79 do Conselho Estadual de Educação da Bahia, o art. 15 do cap. IV já determina que “(...) Os professores, diretores, especialistas e outros profissionais da Educação deverão participar de programas de formação continuada, para qualificação específica.” Ou seja: o Conselho está atento a isso e já tem uma forma de possibilitar o treinamento dos professores para evitar tais problemas.
Mas precisa haver um meio desse programa de formação incluir, necessariamente, esse tipo de entendimento, para evitar que mais crianças e adolescentes sejam prejudicados em sua formação intelectual e emocional, simplesmente por não estarem sendo compreendidos em suas carências, nem em suas necessidades básicas de comunicação e entendimento de vida.
Precisamos refletir muito sobre isso e, além de refletir, agir! Tentar, a cada momento, compreender, em cada aluno, qual a verdadeira causa de seu comportamento e de suas características cognitivas e psíquicas. Podemos estar diante de um caso grave de bloqueio emocional, que necessita de um acompanhamento psicopedagógico ou neuropedagógico, ao invés de um caso, também grave, mas de anomalia neurológica ou psiquiátrica.
Antes de enviar um relatório conclusivo com a sintomatologia da doença, precisamos esgotar todas as possibilidades de tais comportamentos ou dificuldades serem fruto de bloqueios emocionais.
Nossa responsabilidade é grande, o trabalho é árduo, a dedicação tem que ser total, tudo isso pode ser até cansativo, mas estamos falando de crianças que poderão ser prejudicadas se não agirmos com total cautela e com total compreensão.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ateísmo pseudo-religioso e ateísmo pseudocientífico

O título pode até parecer estranho ou polêmico, mas não é essa a minha intenção! Preciso apenas mostrar uma triste realidade: Existe, e é preocupante, um grande número de intransigentes e extremistas, e que muitas vezes nem se apercebem de seu próprio erro. Esse comportamento é o que chamo de ateísmo em suas duas formas mais perniciosas: de um lado o pseudo-religioso e, do outro, o pseudocientífico.
Se as consequências desse tipo de pensamento obtuso fizessem mal apenas aos próprios, eu não ficaria tão preocupado. Mas as crianças e adolescente que convivem com eles poderão absorver tais atitudes e, infelizmente, terem seu desenvolvimento intelectual prejudicado.
Sabemos que a criança e o adolescente tendem a eleger seu professor como seu mentor, mesmo inconscientemente. Isso significa que suas palavras, suas atitudes e sua forma de pensar podem estar sendo construídas sob a influência desse professor.
E se a intelectualidade plena de nossos alunos, junto com a formação de seu caráter, é o nosso mais importante objetivo, temos que fazer alguma coisa urgente, para evitar a formação de mais uma geração de “limitados”!
Afinal, nossos jovens precisam estar aptos para, a qualquer momento, conseguir compreender o que ouvem e o que leem e, ao mesmo tempo, ter o devido entusiasmo para descobrir fundamentos que os auxiliem a elaborar os necessários questionamentos para quem quer saber mais do que, simplesmente, o conhecimento elementar. Eles precisam ser estimulados a isso! E nunca a atitudes intransigentes...
Mas para conseguir avançar nessa etapa do processo de ensino o educador precisa, antes de qualquer preparação técnica ou metodológica de suas aulas, “se livrar” do que lhe resta desse ateísmo religioso ou científico ou, como eu chamei no título dessa conversa, ateísmo pseudo-religioso e pseudocientífico.

Ateísmo pseudocientífico

E o que é o ateu pseudocientista? É aquela pessoa que se apoia em frágeis conhecimentos científicos para se sentir o “dono da verdade” e contestar tudo o que está fora da sua capacidade de entendimento. Basta observarmos a intransigência de alguns educadores, principalmente acadêmicos recém-formados, no que diz respeito ao olhar da tradição religiosa para os mistérios do mundo! Como acabaram de estudar as maravilhas do rigor científico e a metodologia da pesquisa, acham que conseguiram “entender” uma série de “teorias científicas” explicando praticamente tudo.
São mais realistas do que o rei, pois conseguem ter mais certeza nos resultados científicos do que os próprios cientistas. Já os verdadeiros cientistas, mesmo com todo rigor da pesquisa e com todo conhecimento adquirido ao longo de muitos anos de estudo e experiência de vida, continuam tendo dúvidas sobre a interpretação dos resultados de suas experiências e cálculos. Esses ainda mantém a humildade de respeitar conceitos tradicionais, já que sabem ser muito difícil o domínio da verdade absoluta.
Os pseudocientistas ignoram e negam tudo o que não compreendem, ao invés de assumir a humildade da ignorância. Não defender como verdade aquilo que não esteja provado em laboratório é sua obrigação, mas considerar falsos os conceitos tradicionais por não entendê-los ainda, é uma atitude infantil.
A verdade possui três caminhos de entendimento. O caminho científico é o da experimentação. O caminho filosófico é o da especulação. O caminho teológico é o da tradição. Nenhum dos três deve ser ignorado. Mas nenhum dos três é autossuficiente.
Como bem disse Marcelo Gleiser na página 41 de seu livro “Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código da Natureza” (Rio de Janeiro: Editora Record, 2010), referindo-se ao trabalho contra a religião feito atualmente pelos cientistas, filósofos e jornalistas ateus chamados de “Os quatro cavaleiros do apocalipse”: “(...) Ridicularizar essa necessidade humana, como fazem os “Quatro Cavaleiros” e tantos outros, é demonstrar uma profunda ignorância (ou indiferença?) do que passa pelos corações e mentes de bilhões de pessoas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.” (pg. 41).
Eu ainda digo que ignorar a parte teológica do conhecimento é se achar em um nível de conhecimento superior a todos os demais habitantes desse nosso planeta... Afinal, nossa inteligência e nosso conhecimento ainda estão muito aquém do que precisamos para negar com propriedade qualquer conceito sobre os grandes mistérios do mundo!
Afinal, nossas capacidades de ver e ouvir ainda são muito incipientes. Como disse Maturana: “(...) Não vemos o “espaço” do mundo, vivemos nosso campo visual; não vemos as “cores” do mundo, vivemos nosso espaço cromático (...)” (pg.28 de Maturana, Humberto R. e Varela, Francisco J. “A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana”. São Paulo: Palas Athena, 2001).
Nem Stephen Hawking, um dos mais famosos cientistas britânicos, desprezou a possível interferência de Deus para dar um “empurrãozinho” na compreensão científica do universo. Em seu livro Uma Breve História do Tempo, de 1988, Hawking dizia que a ideia de uma criação divina poderia estar incluída na compreensão científica do Universo: “(...) Se nós descobrirmos uma teoria completa será o triunfo definitivo da razão humana – pois então nós deveremos conhecer a mente de Deus”.
Embora em seu próximo livro (The Great Design) ele tenha mudado um pouco de opinião e diga que Deus não foi obrigatoriamente necessário na criação do universo, Hawking ainda não O descartou completamente. Ele continua mantendo Deus para explicar o inexplicável.

Ateísmo pseudo-religioso

Mas vamos agora ao ateísmo pseudo-religioso. Esse é o praticado pelos religiosos que não acreditam na ciência. Ora! Como entender o mundo se não o trabalharmos de forma prática? Para que serve nossa inteligência, nossa criatividade, nossa capacidade de raciocínio, se não for para produzirmos algo em prol da melhoria das condições de nossa própria sobrevivência?
Como poderá um religioso contribuir para o bem da humanidade se ele se mantém de “braços cruzados” aguardando a providência Divina. É preciso lembrar que temos pernas para andar, braços para carregar as coisas, cérebro para raciocinar, criar, descobrir e inventar... E também, eventualmente, até para orar... Mas... Só para orar?
Onde está a nossa responsabilidade para realizar as tarefas do mundo, para criar novas formas de tratamento médico, para reduzir a mortalidade infantil? Será que toda essa nossa capacidade intelectual foi criada para aprendermos a “cruzar os braços” e esperar que a providência Divina cure nossos enfermos, pague nossas dívidas, forneça a nossa comida e construa nossas casas?
Nossa capacidade intelectual existe para ser utilizada em prol da humanidade e, para isso, precisamos estimular a pesquisa, o conhecimento científico, o questionamento de mundo, sem medo de tais atitudes eliminarem nossas crenças. Quem perde sua crença ao avançar nos estudos, nunca teve crença real nenhuma. Foi apenas acostumado a acreditar em algo que nunca entendeu como verdade! Isso é uma ignorância teológica e nunca religiosidade!
Portanto, não permitir o estudo dos resultados das pesquisas científicas é um radicalismo destruidor da inteligência humana. Ignorar a seleção natural observada por Darwin, assim como não permitir o estudo das novas teorias sobre a origem do universo, é um verdadeiro retrocesso na caminhada do conhecimento!

Como anda esse ateísmo no mundo

O ateísmo pseudocientífico tem um propagandista atuante muito famoso, Richard Dawkins, autor de “Deus, um delírio”. Sua maior preocupação é insistir na eliminação das religiões e da crença em Deus, elementos que ele considera os responsáveis pelo atraso da humanidade e o maior causador de todos os males do mundo!
O ateísmo pseudo-religioso tem propagandistas em todas as esquinas onde se instala uma igreja de “fundo de quintal”. Religiosos evoluídos sabem que ciência e religião não se contradizem, mas se complementam enquanto não surgem as comprovações científicas dos eventos ainda na esfera do incompreensível.
Cientistas evoluídos sabem que há fatos ainda incompreensíveis, e sempre os haverá. E entendem, também, que alguns desses fatos podem vir a causar angústias e, por isso mesmo, precisam de dogmas religiosos para trazer a paz aos corações de grande parte da humanidade.
Esses cientistas sabem, também, que o conhecimento tradicional (religiões antigas) apresenta explicações teológicas que precisam ser periodicamente analisadas pela ciência, tanto para encontrar razões científicas para os fatos, como para encontrar razões contestatórias. Tudo é lucro para a humanidade. Ignorar é um atraso de vida!
Nossas faculdades de sociologia, filosofia e história concentram os maiores índices de ateísmo pseudocientífico. Alguns desses formandos licenciados já vão para as escolas com uma bagagem pesadíssima de materialismo atuante!
Os que escorregam nas calçadas e acabam entrando nessa igrejas de “fundo de quintal” já chegam nas escolas munidos de todo um aparato moralista-religioso mais intransigente ainda do que os materialistas, tentando impingir nas crianças a ideia de que tudo é proibido e que todos precisam se converter para conseguir a “salvação”.
No mundo a divisão maior está claramente definida entre Europa: materialismo exacerbado; e Estados Unidos: religiosidade intransigente. Enquanto grande parte das escolas europeias proíbe o ensino dos conceitos religiosos, nos Estados Unidos se dá o inverso, havendo movimentos grandes para negar o estudo do evolucionismo e da criação do universo a partir do Big Bang!
Quanta intransigência! Precisamos eliminar esses extremismos e dar oportunidade a nossas crianças e adolescentes de estudar todas as faces da mesma verdade, principalmente para que sempre saibam que, por mais que nós estejamos certos de nossas opiniões, sempre poderá haver outras verdades, mais verdadeiras ou menos verdadeiras do que a nossa, a depender do ponto de vista, mas que todas precisam ser respeitadas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Resposta a um comentarista anônimo

Num comentário sobre um artigo sobre o cérebro humano e a inexistência do tempo, um anônimo disse:

"De qual tempo você está falando, do psicológico ou físico?
Como você pode dizer que dois eventos são ou não simultâneos se tempo não existe? é o mesmo que dizer que dois corpos estão no mesmo lugar, mas espaço não existe...
Na minha opinião, uma teoria só é boa o bastante se é válida sempre e para tudo, sem qualquer contra exemplo, daí eu te pergunto como você explicaria a deformação espaço temporal devido à presença de um corpo massivo? Como o tempo, assim como a massa e o espaço, são compreendidos da mesma forma nas transformações de Lorentz? Por fim, como você explica o fato da teoria da relatividade inserir o tempo como mais uma dimensão da nossa existência? Ou seja, vivemos num mundo de 4 dimensões, e não de três.
Se tempo não existir, então o GPS não poderia funcionar (são nesessárias correções levando em conta a teoria da relatividade geral, por exemplo). Conclusão: trata-se no artigo acima do tempo psicológico, e não físico!" 

Aqui vão algumas considerações:
Quanto à pergunta (tempo psicológico ou físico) o que o autor se refere é o psicológico. Aquela impressão de que o tempo não passou ou a impressão de que ele voou!
Sem dúvida falar de eventos simultâneos na inexistência temporal seria uma redundância. Todos os eventos serão simultâneos havendo essa inexistência.
Sua declaração de que “uma teoria só é boa o bastante se é válida sempre e para tudo, sem qualquer contra exemplo” me leva a entender que você considera a inexistência de teorias, certo? Digo isso porque até hoje, em todos os estudos que tenho feito, todas as grandes teorias foram invalidadas mais tarde a partir do aparecimento de novas premissas ou da descoberta de novas variáveis.
Um bom exemplo é a física newtoniana que, embora estudada em todos os cursos de física em todas as escolas e universidades, já é sabidamente incorreta em muitos de seus aspectos.
Outro exemplo constantemente em mutação: as teorias de formação do universo.
“As “verdades” que obtemos como a lei da gravitação universal de Newton ou a teoria de relatividade de Einstein, apesar de brilhantes, funcionam apenas dentro de certos limites.” (pg. 25 de Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código da Natureza. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010, de Marcelo Gleiser). E todas são teorias científicas!
Exemplos de teorias que poderão sofrer mudanças: aspectos da teoria da relatividade de Einstein. João Maqueijo, por exemplo, um dos físicos de grande proeminência nas pesquisas atuais, Cientista português radicado na Inglaterra, defende a ideia da velocidade da luz variável e prova isso por meio de teorias da física teórica, mas ainda sem comprovação na física prática. E pelas teorias de Einstein a velocidade da luz é constante.
Quanto ao tempo ser considerado a quarta dimensão, isso realmente é uma prática utilizada por diversos estudiosos. Polêmico seria dar uma opinião conclusiva nesse assunto, já que a própria ciência continua com resultados diferentes, contrários e contraditórios em diversos trabalhos, sejam eles teóricos ou práticos.
Considerando o tempo uma existência, podemos considerar as dimensões em que vivemos com ela (quarta) ou sem ela. Mesmo assim não vivemos em um mundo com três dimensões. Hoje sabemos que existe a possibilidade de estarmos em um mundo de, no mínimo, nove dimensões. O desafio científico é provar essa realidade em laboratório, já que teoricamente existe essa conclusão.
Cada uma das suas outras perguntas deve servir como elemento instigador das pesquisas que concluiram por algo incompatível com elas. Mas sabemos que a ciência funciona assim. Observamos o fato. Analisamos o fato em todos os aspectos que pudermos no estágio atual da nossa tecnologia. Criamos, então, uma teoria para esse fato. O problema é quando alguns cientistas, após elaborarem uma teoria, teimam em considera-la verdadeira para sempre e para qualquer condição. Isso não existe.
Lembre que “(...) não podemos ter certeza se nossas extrapolações estão corretas – e cientistas não deveriam afirmar o contrário – até termos confirmação experimental.” (pg.24 de Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código da Natureza. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010, de Marcelo Gleiser).
O GPS funciona. É fato. Não podemos negar fatos, mas tentar entender se estamos usando uma teoria inadequada para explicá-lo. Então o GPS não parará de funcionar porque o conceito de tempo que utilizamos está errado. A maçã continua caindo da árvore e muitos estudiosos continuam sem ter dúvida nenhuma das razões que a levam para baixo! Mas muitos cientistas ainda não conseguiram entender as razões reais da existência da força da gravidade! Serão eles “burros”? Ou existe, realmente, alguma dúvida a respeito?
Não podemos abandonar uma teoria só porque ela não funciona para explicar alguns fatos. E também não podemos achar que para ser uma teoria válida precisa de comprovação prática. Até hoje a ciência usa o BOZON DE HIGGS e até hoje ninguém descobriu se ele existe mesmo!
Como disse Marcelo Gleiser: “(...) o que importa não é chegar a verdades absolutas, mas ao conhecimento.” Afinal, verdades absolutas estão longe da nossa capacidade de entendimento, mesmo que sejam bastante óbvias! E isso me faz lembrar uma aula que dei sobre humildade, em nossa escola, quando um aluno me perguntou se um cientista, com todo o seu conhecimento, pode ser humilde. Ao que eu respondi: A humildade verdadeira chega exatamente quando o conhecimento começa a se transformar em sabedoria. Enquanto estamos no início do caminho tudo, para nós, é certeza absoluta e contestamos quem nos contradiz. Quando o conhecimento começa a tomar forma é que “caímos na real” e vemos que precisamos das teorias e das conclusões, mas que temos que estar prontos para mudá-las a cada momento em que novos conceitos e novas premissas aparecem.

sábado, 17 de abril de 2010

MUDANÇA DE ENDEREÇO

MUDEI DE ENDEREÇO:

robertoandersen.wordpress.com

quinta-feira, 15 de abril de 2010

CURSO TRANSFERIDO

TRANSFERIDO PARA O SÁBADO DIA 24/04 O CURSO DE ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO E TREINAMENTO PARENTAL DEVIDO A PREVISÃO DE FORTES CHUVAS

domingo, 11 de abril de 2010

Idade do amor, da experiência e da felicidade

"Teve um dia aí" que completei sessenta anos... Nem me lembro direito quando, mas isso é o que menos me interessa... Afinal nunca consegui me sentir inserido num rótulo restrito, seja ele faixa etária, círculo social, nacionalidade, regionalismo, meio cultural ou qualquer outro.
Quando viajo para a Inglaterra, Coréia do Sul, Estados Unidos ou qualquer outro país me sinto como se estivesse em Niterói ou em Salvador, ou seja: em casa!
Quando converso com meus empregados sinto-me como se vivesse em seu próprio meio cultural, compartilho das suas idéias, vivencio suas histórias.
Quando faço um debate com meus alunos sinto-me como se fosse da sua idade, sentindo as mesmas emoções e compartilhando os mesmos sentimentos.
Mas há momentos em que surgem as reflexões, principalmente aquelas referentes ao "passar do tempo".
É nesses momentos que minha auto-estima se eleva tanto que nem tenho como evitar e exagero da felicidade!
Há pessoas que comentam: "Eu era feliz e não sabia". Eu já digo o inverso: "Nunca fui tão feliz como agora".

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Felicidade existe?

Para quem costuma se deliciar com as palavras de Nietzsche fica fácil ligar as angústias do homem à interminável busca pelo exercício do poder.
A natureza dessa busca, segundo Nietzsche, já está inserida em cada uma das células humanas, todas sempre ávidas pelo exercício desse poder dentro de cada parte do organismo ao qual pertencem.
Da individualidade de cada uma dessas células essa ânsia é transmitida para a totalidade do corpo, sob o orquestrado domínio da mente.
E o homem busca obter a sua satisfação através do exercício do poder.
Mas o homem nem sempre percebe que o poder, sozinho, não é suficiente para trazer sua verdadeira felicidade. Essa exige a satisfação completa ou, pelo menos, o encontro do caminho da sua verdadeira satisfação.
Sem essa percepção o homem busca e alcança o poder, encontrando, com ele, satisfações pontuais que lhe trazem uma falsa sensação de felicidade.
Surge o sucesso material e financeiro; surgem amigos e amantes por conveniência; surgem paixões arrebatadoras, cujo prazer consiste apenas em estar junto do poderoso ou usufruindo de seus recursos materiais e financeiros; mas surge mais forte do que tudo isso, um vazio angustiante, maior que o vazio da falta de poder, já que agora não são encontrados, com facilidade, os seus motivos.
É esse vazio que dá ao homem a sensação de incompletude e que ele vai procurar saciar com a busca de mais poder, mais dinheiro, mais ações exibicionistas, um novo carro, uma nova amante, drogas e mais tentativas frustradas de demonstrar uma felicidade enganosa e inexistente.
Esses poderosos acreditam que o que sentem é felicidade, embora não passe de alegria temporária. Essa falsa felicidade está tão frequente em nossos dias que é comum encontrarmos pessoas que desacreditam a existência da verdadeira.
Um grande escritor, de sucesso mundial, respondeu a um repórter que "(...) felicidade não existe. Existem momentos de alegria (...)". Um doutor em filosofia conversando sobre felicidade me disse que "(...) ser feliz é acomodar-se ao sofrimento (...)". Por que tanta gente desacredita na felicidade? A razão é simples: nunca a encontraram.
Se o homem não se torna feliz pelo exercício do poder isso significa um erro de Nietzsche?
Nada disso. Nietzsche estava certo. O poder é uma necessidade desde a formação da primeira célula no embrião que se tornará um ser humano. Mas esse poder tem que estar lado a lado com outra necessidade básica do homem, que é o amor.
O poder sem o amor pode levar a neuroses, patologias psicossomáticas e até anomalias psicogênicas.
O amor sem o poder pode levar a tristezas, acomodações, decepções e estados depressivos.
O homem precisa, então, montar seu alicerce intelecto-emocional em bases sustentadas pelo poder e pelo amor, que são os elementos imprescindíveis ao exercício da verdadeira liderança.
Só com o exercício dessa verdadeira liderança o homem pode se sentir satisfeito, porque é quando estão envolvidos amor e limites no relacionamento entre pessoas.
Mas esse amor deve ser criado, primeiro, dentro de si mesmo. O processo é simples, pois, afinal, o amor está em cada um dos valores humanos como se fosse uma de suas principais células. Desenvolver cada um deles significará alimentar e fazer crescer o amor interior.

Primeira etapa - Momentos de Reflexão

Para quem ainda não pratica a meditação ou a reflexão, basta escolher um momento de seu dia para "mergulhar" dentro de si, desligando-se do mundo exterior, preferencialmente num ambiente agradável, com uma música lenta apropriada.

Segunda etapa - Resgate do Valor Humano do dia

Nesse momento procure visualizar frases ou imagens que representem o valor que você está resgatando. Procure sentir, virtualmente, o prazer de praticar esse valor e o bem que ele faz a seu estado emocional. Você pode escolher o valor observando, por exemplo, a sequência sugerida pelo IUPE, já que nesse caso até nossos alunos podem sugerir temas, frases e imagens.

Terceira etapa - Pratica do valor escolhido

Planeje pensamentos e atitudes vivenciando o valor resgatado. Coloque em prática essas ações. Cada vez que esse processo for realizado a pessoa estará aumentando a intensidade de seu amor interior e começa a estar pronto para compartilhá-lo com as pessoas e com o mundo. Lembre de vivenciar sentindo, de verdade, o prazer do exercício daquele valor.

As pessoas, ao exercitarem essa vivência, começam a irradiar a energia da felicidade. Essa energia nada mais é do que sentir o prazer de cada emoção positiva que estiver transmitindo. E esse prazer, uma vez experimentado, passa a fazer parte da vida de cada um de nós.

Felicidade, então, não é um objetivo final, mas uma forma de caminhar pela vida. Ela existe e está disponível para cada um de nós. Basta querermos!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pulseiras do sexo

Iniciado o ano escolar verifiquei que uma grande parte das meninas estava utilizando as pulseirinhas coloridas do sexo. Todas diziam a mesma coisa: "eu sei o significado, mas uso porque acho bonitinhas..."

A bijuteria polêmica, hoje utilizada por grande parte das meninas, está servindo apenas para mostrar o caminho que as famílias estão apontando para suas filhas seguirem. Mais tarde, quando constatarem o erro cometido, esses pais vão culpar a todos: mídia, sociedade, televisão... mas nunca assumirão que a maior parte da culpa é deles mesmos, por terem se descuidado totalmente da educação correta, dos limites e da afetividade que evitaria toda e qualquer atitude de revolta ou de preenchimento de carências...

A bijuteria é composta de pulseiras coloridas, cada cor significando uma atitude que a menina se compromete a realizar com o rapaz que a arrebentar. Ou seja: ela nem precisa mais se preocupar em "paquerar" ninguém. Ela apenas anda com as pulseiras para que qualquer rapaz interessado arrebente aquela que significa o ato que ele deseja realizar com ela.

Como a maioria das escolas já está proibindo o uso dessas pulseiras, as meninas estão mudando as formas delas, mas sempre com os mesmos significados, ligados às suas cores.

Para os pais desavisados aqui vai o significado das "ingênuas pulseiras":

Amarelo: dar um abraço no rapaz
Laranja: dentadinha do amor
Roxa: beijo de língua
Cor-de-rosa: mostrar os seios
Vermelha: fazer lap-dance
Azul: fazer sexo oral no rapaz
Verde: chupão no pescoço
Preta: fazer sexo
Dourada: todas as opções

No "A Tarde" de quinta feira passada é apresentada a reportagem sobre uma menina de 13 anos, em Londrina, no Paraná, que, segundo o jornalista, foi estuprada por quatro rapazes, três menores e um com 18 anos.

Ela estava no ponto de ônibus usando as pulseiras quando quatro rapazes apareceram, romperam sua pulseira de cor preta ou dourada e cobraram: "Vai ter que pagar, vai ter que pagar" e, ainda segundo o jornalista, foi "constrangida" a ir a casa de um deles.

Esse é exatamente o acordo tácito que está sendo feito entre as meninas que utilizam tais pulseiras e todos os rapazes que tenham algum desejo sexual para com elas. Esses rapazes apenas cumpriram o que ela estava desejando de forma clara, a menos que ela não soubesse o significado do que estava fazendo. Mas ela mesma relatou que sempre soube o seu significado.

Segundo o delegado que acompanhou o caso, a menina foi para casa de um deles e, durante o ato sexual com dois, tentou resistir, sofrendo escoriações pelo corpo, mas isso depois de estar lá. Os meninos estão na Vara da Infância e Juventude e o que completou 18 anos está indiciado por estupro.

O termo "estuprada" está juridicamente correto, já que a lei não considera a possibilidade de uma menina com menos de quatorze anos ser a responsável pelo ato sexual, mesmo o tendo provocado. Ela é considerada legalmente ingênua... Mas o caso merece uma atenção especial, não jurídica, porque a lei é clara, mas moral. Será que os meninos são realmente culpados de algum tipo de crime (juridicamente não há dúvida) ou será que eles estão sendo levados a isso por provocações cada vez mais claras, a todo momento e em todo lugar?

Na maioria dos colégios os meninos estão sendo insistentemente provocados pelas meninas, não só com o artifício das pulseiras, mas também com outras atitudes, algumas bem claras e outras mais disfarçadas.

A necessidade dessas provocações deve-se ao fato de que a maioria dos meninos gosta e se dedica muito aos jogos, esportes, leituras, estudos e, de vez em quando, também às meninas.

No caso da maioria das meninas, temos observado que a dedicação está sendo quase que exclusivamente aos meninos...

Então, para provocar mais ainda, os meninos que resistem estão sofrendo uma espécie de bullying, sendo "tachados" de gays. Aqueles que não querem ser vistos dessa forma preferem fazer o jogo delas e levar adiante a provocação.

Nas dependências das escolas elas se sentem seguras em relação às consequências mais graves, como o ocorrido com a menina do Paraná, mas mesmo assim não deixam de usar o mesmo artifício no caminho de casa, abrindo espaço para o ocorrido em Londrina.

A Justiça de Londrina proibiu a venda e o uso de tais pulseiras e, caso haja reincidência no uso, os pais poderão ser punidos por crime, com pena de quinze dias a seis meses de detenção. Ou seja: os pais estão tão desligados de suas funções orientadoras e limitadoras que a justiça terá que puni-los para que aprendam a educar suas filhas. Que maravilha...

Eu puniria, sim, os meninos, mas para que eles aprendessem a evitar relacionamentos inseguros com meninas sem que saibam a procedência, seus costumes e seus relacionamentos anteriores, por menos idade que possa ter.

Mas puniria com muito mais dureza os pais da menina, por estarem contribuindo para a criação de mais uma futura mulher infeliz e eternamente insatisfeita. Essa futura mulher infeliz será a consequência natural desse descaso dos pais com a sua educação ou, quem sabe, a tradicional "falta de tempo" para cuidar de seus filhos... Afinal o dinheiro, o trabalho e o lazer são muito mais importantes do que "educar filhos"... Deixa essa coisa para as escolas... Afinal estamos pagando para isso... As escolas que "se virem"...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Curso de Acompanhamento Pedagógico e Treinamento Parental

Todas as informações sobre o curso estão em:

http://iupe.webnode.com/novidades/

Participe do curso de "Acompanhamento Pedagógico e Treinamento Parental", que será ministrado pelo Professor Roberto Andersen, em nove (9) encontros mensais, a partir de 20 de março de 2010, sempre das três às seis horas da tarde, na sede do IUPE em Salvador. Todos os que tiverem mais de 75% de presença receberão Certificado de Participação. Todos os temas a serem debatidos são baseados no livro "Afetividade na Educação – Psicopedagogia", de autoria do palestrante.

Inscrições por E-mail (iupe@iupe.org.br) ou pelo telefone (71) 3389-8232.

Os encontros serão sempre aos sábados, das 15 às 18 horas, nas datas abaixo especificadas:

a) Março – sábado, dia 20, das 15 às 18 horas.

b) Abril – sábado, dia 17, das 15 às 18 horas.

c) Maio – sábado, dia 15, das 15 às 18 horas.

d) Junho – sábado, dia 19, das 15 às 18 horas.

e) Julho – sábado, dia 17, das 15 às 18 horas.

f) Agosto – sábado, dia 14, das 15 às 18 horas.

g) Setembro – sábado, dia 18, das 15 às 18 horas.

h) Outubro – sábado, dia 16, das 15 às 18 horas.

i) Novembro – sábado, dia 13, das 15 às 18 horas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ciclo de debates IUPE 2010

Está iniciado o Ciclo de Debates IUPE 2010.

Como participar:

1. Sugestão de temas: Mande uma mensagem por e-mail para mim (robertoandersen@gmail.com) sugerindo temas.

2. Envio de opiniões sobre o tema: Envie sua opinião, sua crítica ou seu comentário sobre o tema entrando em nosso site (www.iupe.org.br) e clicando em FORUM.

3. Crítica, sugestão ou comentários sobre as opiniões dos debatedores: Mande também pelos mesmos canais as suas críticas, sugestões ou comentários sobre as opiniões dos debatedores.

Temas já agendados:

1º tema IUPE 2010: DEUS EXISTE?

Apresentação do tema:

Cada pessoa em nosso planeta nasce e é criado em uma cultura diferente. Mesmo em culturas semelhantes o processo de criação (educação) provoca, no educando, o surgimento de idéias próprias, sempre com base no que aprendeu e no que observa do mundo à sua volta.

Aos poucos, na medida em que esse indivíduo cresce, as pessoas vão reunindo informações que reforçam os conceitos que aprenderam ou então que trazem dúvidas para esses mesmos conceitos.

Muitas vezes esse indivíduo cria uma convicção própria sobre um determinado assunto, mas essa sua conclusão não coincide com o conceito aceito pela maioria dos integrantes de sua comunidade.

Isso, muito frequentemente, faz com que o indivíduo "anule" sua convicção, para evitar ser visto como o único diferente do grupo social a que pertence, embora, em alguns casos, estimule-o a lutar pelas suas idéias, mesmo sabendo que não são aceitas pelos demais.

Nosso tema inicial (DEUS EXISTE?), longe de ser uma tentativa de chegar a uma resposta científica, filosófica ou religiosa, é um exercício de auto análise que pretendemos estimular em cada um de nossos debatedores.

É um exercício mesmo! Tipo ginástica cerebral! Todas as opiniões são livres. Vale raciocínio por absurdo! Vale elocubração fantasiosa! Vale tudo exceto evangelização, já que não podemos, de forma alguma, interferir na fé que cada um de nós pratica, independente do debate que agora provocamos.

Entre nossos debatedores estão religiosos de todas as crenças e suas diferentes denominações, filósofos, pensadores, estudiosos do assunto, curiosos, pesquisadores e nós, participantes do Grupo IUPE de discussão, que reunimos todas essas vertentes do pensamento universal, já que na imensa maioria, somos professores ou, no mínimo, educadores, praticando o mais importante exercício intelectual do mundo, que é EDUCAR O PRÓXIMO!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Boletim IUPE 2010-001

Atenção:

1. CALENDÁRIO E HORÁRIO IUPE 2010: 

No site do IUPE (www.iupe.org.br) clicando em COLÉGIO estão publicados os HORÁRIOS e os CALENDÁRIOS IUPE 2010

2. CURSO DE TREINAMENTO CONTINUADO NO IUPE: 

Ainda no site do IUPE estão agendados os nove (9) encontros de PAIS e EDUCADORES, abertos ao público, no IUPE. Esses encontros, além de constituirem o momento de integração entre a escola, as famílias e a comunidade, será também um momento de Orientação para o Acompanhamento Pedagógico e o Treinamento Parental. Todos aqueles que comparecerem a, pelo menos, 75% dos encontros, receberão, ao final do ano letivo, um CERTIFICADO DE PARTICIPAÇÃO a título de EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA.

Os encontros serão sempre aos sábados, das 15 às 18 horas, nas datas abaixo especificadas:

a) Março - sábado, dia 20, das 15 às 18 horas.

b) Abril -  sábado, dia 17, das 15 às 18 horas.

c) Maio -  sábado, dia 15, das 15 às 18 horas.

d) Junho - sábado, dia 12, das 15 às 18 horas.

e) Julho -  sábado, dia 17, das 15 às 18 horas.

f) Agosto - sábado, dia 14, das 15 às 18 horas.

g) Setembro - sábado, dia 11, das 15 às 18 horas.

h) Outubro - sábado, dia 09, das 15 às 18 horas.

i) Novembro - sábado, dia 06, das 15 às 18 horas.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dois BRASIS completamente diferentes

"E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade."

Há, na realidade, dois Brasis! Um deles vergonhoso! O outro estimulante! Há realmente duas faces na governança do país: uma delas detestável! A outra, simplesmente, louvável! Como entender essas duas faces da mesma moeda? Como desvendar esse mistério? Vamos começar pela parte pior, que todos temos conhecimento, mas vamos também apresentar a parte boa. Cabe a cada um de nós tentar entender o que se passa, mas, antes de tudo, é nossa responsabilidade construir perspectivas de melhora permanente na nossa própria vida e contribuir sempre de forma positiva e produtiva na melhora da vida de nossa comunidade, independente de acharmos que podemos estar sozinhos nisso ou não! Nossa parte tem que ser realizada por menor que sejam os resultados, já que o exemplo pode estimular outros a fazerem o mesmo e, assim, os resultados começam a ser mais eficazes...

Há, realmente, problemas sérios em nosso país. Há problemas, inclusive, que nos deixam em estado de questionamento permanente e até de angústia política! Podemos citar, entre muitos, o farto financiamento, claro e aberto, com nosso dinheiro, de instituições que desvirtuaram completamente os seus objetivos, como o atual MST.

Há também a farta contribuição dos cofres públicos (nosso dinheiro, de novo) para centenas de ONGs criadas exclusivamente para enriquecer seus dirigentes, ONGs essas com seus reais objetivos camuflados em objetivos sociais, mas que, na realidade, apenas servem para o desvio de verbas públicas para os bolsos dos que se dizem "espertos".

Vez por outra surgem notícias que nos animam... Mas, de repente, caímos "na real" e constatamos mais uma falcatrua, mais um ato de pura corrupção, mas uma "enganação" social travestida de ação social...

Não comentamos apenas por ouvir dizer... Comentamos por também sentir na "própria pele" as consequências de algumas dessas irregularidades sociais. Alguns de nossos colegas de trabalho no IUPE devem lembrar do treinamento de professores realizado durante três meses, em uma determinada unidade escolar pública de um certo município. Naquela época oferecemos aos professores e à direção da escola que, após o término do período de treinamento oficial os professores teriam todo nosso apoio gratuitamente, bastando comparecer às reuniões mensais de treinamento em nossa sede.

Qual não foi nossa surpresa ao ouvir da diretora: "Roberto! Não se engane! Seu treinamento, embora tenha trazido uma verdadeira revolução nos nossos conhecimentos didáticos, foi apenas mais um treinamento para justificar a utilização de verbas públicas. Não há qualquer interesse do sistema em implantar qualquer tipo de melhoria real em nosso ensino..." O resultado é que alguns dos professores daquela escola optaram por matricular seus filhos em nossa escola...

Outra fantástica experiência veio de um profissional representante de uma instituição de fomento, da área federal, exigindo a entrega de 20% da verba destinada ao financiamento do Centro Mundial de Treinamento Continuado de Professores, para que tal verba, já praticamente aprovada, fosse liberada... Como o nome de nosso projeto é "Construção da Cultura do Caráter" não consegui ter o mesmo "desprendimento moral" que estamos vendo todos os dias na mídia. Fui obrigado a recusar a entrega da propina e, logicamente, a verba tomou outro rumo...

Mas agora vamos a parte positiva. Essa nos anima! E para essa parte eu nãopreciso escrever nada. Basta ler o discurso que Lula faria em Davos, mas que foi lido por Celso Amorim, devido a crise de hipertensão do nosso presidente:

Em repouso após passar por uma crise de hipertensão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, leu o disicurso de Lula na cerimônia de entrega do prêmio "Estadista Global". O discurso descreve os avanços obtidos pelo Brasil nos últimos anos.

Leia abaixo a íntegra do discurso.

"Minhas senhoras e meus senhores,

Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo.

Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida.

Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado.

Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.

Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial.

Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo.

O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo.

O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

Meus senhores e minhas senhoras,

O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos.

Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical.

Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.

No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos.

Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações.

Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática.

E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.

Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos.

Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu.

Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.

Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial.

Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.

O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza.

Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga.

Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte?

É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família.

Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.

Minhas senhoras e meus senhores,

O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou?

Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil.

Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta.

Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?

Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente?

Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral?

Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos.

E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora.

E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.

Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.

Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto?

Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?

Meus senhores e minhas senhoras,

Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso?

Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas.

Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia.

Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham?

Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?

O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas?

Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.

Meus senhores e minhas senhoras,

Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise.

Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre.

Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.

Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado.

Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.

O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social.

E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.

Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil.

Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.

Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão.

Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.

Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros.

Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.

Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.

As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito.

Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de "crédito consignado", que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.

Minhas senhoras e meus senhores,

Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil.

Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país.

O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora.

O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.

Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global.

A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação.

Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.

Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias.

É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar.

Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar.

Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde.

Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos.

E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Muito obrigado."