quarta-feira, 17 de agosto de 2016
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Sabedoria na busca do conhecimento e na construção da inteligência
Fico perplexo quando me deparo com o desprezo, por parte de
alguns acadêmicos, fechados em sua redoma metodológica, em relação ao
conhecimento “out-lab”, ou seja, ao conhecimento adquirido fora das experimentações
controladas pelo rigor da metodologia científica oficial.
Relendo “O Princípio da Totalidade”, de Anna Freifeld
Lemkow, esbarrei mais uma vez na sua afirmação de que “(...) limitar o real
apenas ao quantificável não é científico, é cientístico – uma perversão da
ciência (...)”.
Não que o rigor acadêmico seja desnecessário. Não é isso. O
que não devemos é fechar os olhos para o conhecimento extra academia. Esse
conhecimento pode mostrar novos caminhos para velhos problemas e até abordagens
luminares para desafios atuais!
Nessas horas sempre lembro de meus diversos encontros com um
xamã aborígene, em pleno deserto australiano, na década de setenta, ainda no
século passado.
Ele afirmava que nossa mente possui uma antena interna
poderosa.
Essa mente, segundo ele, seria capaz de captar o pensamento
transmitido por todas as pessoas que viveram em nosso planeta, desde o início
da civilização.
Segundo eles, todo conhecimento do mundo, captado por essas
antenas, seria arquivado, não em cada pessoa, mas em alguma área comum, externa
ao nosso corpo, e que todos teriam acesso.
Para acessar tais conhecimentos o homem teria que estar
sintonizado com essa frequência, processo que eu entendi como sendo semelhante
ao da meditação.
Imaginei algo como o inconsciente coletivo definido por Carl
Gustav Jung, mas meu interesse, naquela época, estava focado apenas no
processamento cerebral. A ciência neurológica me fascinava, como até hoje!
Só mais tarde resolvi estudar a ciência psicanalítica de
Freud, a Psicologia Analítica de Jung, e as ciências psicológicas em geral, que
acabaram sendo minhas paixões complementares.
Mas antes, para tentar entender o que os xamãs me diziam,
fui obrigado a frequentar, como ouvinte, um curso noturno de neurologia de uma
das faculdades de medicina de Melbourne.
Nada do que eu ouvia no deserto, entretanto, era confirmado
pelos livros, nem pelos professores. Esse conhecimento era considerado como
alucinações xamãnicas por todos. Menos por mim, claro...
O tempo passou e aquele conhecimento me intrigava, mas nada
era comprovado cientificamente.
Só que, aos poucos, cada uma daquelas informações acabam
sendo “descobertas” pela ciência, como por exemplo, o funcionamento do sistema
límbico, no centro do cérebro.
É ele que coordena a captação, arquivamento e acesso às
informações que nos chegam por todos os elementos sensores e, inclusive, pelas
ondas cerebrais que nos alcançam... A tal da antena está no sistema límbico,
com certeza.
E ainda hoje, passados mais de quarenta anos, a ciência vai
descobrindo mais coisa já sabida por aqueles sábios, como a capacidade quase
infinita de memória.
Não exatamente fora do corpo, mas dentro de cada DNA. Cada
grama de nosso DNA possui a capacidade de arquivar cerca de 700 tera de
memória! Isso pode ser considerado uma capacidade quase infinita!
Mas ainda restam dúvidas. Afinal: se existe essa imensa
capacidade de memória, ela está sendo utilizada para quê?
Eu não diria, jamais, que deveríamos considerar escritos
tradicionais ou religiosos como verdade sem necessidade de comprovação. Essa
parte é a que chamamos de crença. Não é ciência.
Mas desprezá-los sem a preocupação de um estudo que o
constate ou o conteste, pode significar um grande atraso para a própria ciência
mundial.
Cada uma dessas análises, seja ela positiva ou negativa,
pode abrir caminho para mais um desafio científico importante.
Lembremos sempre de não estagnar na ideia de que só o
quantificável e visualizável é científico...
Quando Philip Low começou a estudar as ondas cerebrais
emitidas pela área de Broca, que é a responsável pela articulação dos músculos
para permitir a fala, sofreu bullying, não só de seus colegas, mas também de
seus professores do curso de neurologia na Faculdade de Medicina.
A mensuração dessas ondas só foi conseguida muito mais
tarde, embora ele estivesse certo disso!
Agora ele já está desenvolvendo os equipamentos para
captação dessas ondas e sua transformação em sinais digitais. Esses sinais
serão enviados a um computador, representando a “fala” da pessoa.
Seu desenvolvimento já está sendo testado por ninguém menos
que Stephen Hawking, o grande físico inglês.
Breve os paralíticos cerebrais mudos poderão se comunicar!
Haverá a possibilidade de verdadeira inclusão escolar, de
uma imensidão de crianças com esclerose lateral amiotrófica ou com paralisias
não progressivas.
Essas ondas geradas são produto da elaboração do nosso
pensamento. Isso significa que outros cérebros poderão captá-las e tornar seus
sinais conscientes. É a telepatia em desenvolvimento tecnológico.
Cada uma dessas constatações e desenvolvimentos nos
impulsiona a estudos muito mais profundos, sobre o funcionamento dos elementos
primordiais da nossa formação orgânica: as nossas células.
Seu funcionamento é, como podemos perceber, muito mais
complexo e muito mais abrangente do que o conhecimento anterior mostrava e,
além disso, sua energia pode ter efeitos muito mais importantes e objetivos
muito mais nobres.
Essas mesmas ondas podem trazer mais surpresas para os
céticos acomodados a uma ciência do que já existe!
Hoje temos referência ilustres, como o físico quântico Amit
Goswami, que apresenta essa realidade em sua obra: “Universo: Como a
consciência cria o mundo material”.
O estudo quântico da consciência e de sua energia em forma
de ondas, realizado por Goswami, nos leva a um momento intermediário, em que as
constatações da energia gerada por nossas células e seus efeitos no mundo
material externo ao nosso corpo, aproximam a ciência da fé, provocando os
céticos e empolgando os pesquisadores mais abertos ao novo!
E mais que isso: Estamos mesmo em um cosmos com início, meio
e fim? Estamos mesmo em uma realidade com passado, presente e futuro?
Em “O Grande Projeto”, Stephen Hawking e Leonard Mlodinow
mostram, entre outras declarações “alucinantes”, que o cosmos não possui uma
realidade única, mas que cada realidade possível do universo coexiste com as
demais, ou seja, existem todas simultaneamente!
Se isso é verdade, nem o materialismo é real. Dizer que a
matéria existe pode ser, também, uma forma de crença...
Então amigos, vamos abrir nossas mentes para o novo, mesmo
que o novo não nos pareça real!
E vamos eliminar a terrível acomodação a tudo aquilo que já
foi cientificamente comprovado! A tradição pode nos surpreender!
Forte abraço!
Para saber mais:
Amit Goswami. Universo: Como a consciência cria o mundo
material.
Anna Freifeld Lemkow. O Princípio da Totalidade.
Stephen Hawking. O Grande Projeto.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Educação inclusiva: O ideal e o legal nem sempre são reais
Amigos,
No artigo anterior sobre Educação Inclusiva
abordamos alguns detalhes que estão sendo muito mal interpretados. Vamos ver
mais alguns hoje.
Sou o professor Roberto Andersen e me
dedico ao estudo da forma neuropsíquica de se obter o aprendizado. Tenho alguns
livros publicados e que podem ser adquiridos acessando-se nosso portal ou nosso
blog e clicando na imagem dos livros.
Nós já falamos sobre:
- A falta de comprometimento de alguns
professores em relação ao aluno especial incluído em sua sala;
- A tendência do professor regular de
deixar toda a responsabilidade do desenvolvimento do aluno e da inclusão com o professor
de AEE (Atendimento Educacional Especializado) ou do cuidador (pior ainda).
- As desculpas dadas por esses professores
de que não aprenderam isso na Faculdade;
- O desconhecimento dos objetivos de uma
escola e de um professor em relação a cada aluno;
- A falta de preparação de material
adequado para os estudos dirigidos de todos os alunos, normais e especiais,
para que a aprendizagem e a inclusão sejam reais para todos;
E mostramos como:
- Escolher a turma para incluir o aluno;
- Escolher a turma para incluir o aluno;
- Fazer o acompanhamento e garantir a
aprendizagem do aluno especial;
- Fazer o acompanhamento e garantir o
interesse do aluno superdotado;
- Fazer as avaliações dos alunos especiais
incluídos;
- Como dar uma aula inclusiva e conseguir
aprendizagem de todos.
Hoje vamos tratar da Lei de Inclusão (Lei
13.146 de 6 de julho de 2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência), e da
Resolução CEE-BA 14/2014 (Atendimento Educacional Especializado) e demais
dispositivos legais que determinam o que deve ser feito na escola.
Vamos analisar com bastante atenção!
Temos a sala de aula regular.
Nela estará depositado o aluno deficiente.
Para que ele não esteja apenas depositado,
a legislação determina:
- Temos todos a obrigação de oferecer um
“(...) sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como
o aprendizado ao longo de toda a vida. (...)” (conforme alínea I, Art. 28, Lei
de Inclusão).
Nesse caso a legislação diz que, em vez de depositar
o aluno, temos que garantir sua inclusão e sua aprendizagem.
Nessa sala de aula regular, comandada pelo professor
regular, o objetivo deverá ser:
- Promover o aprendizado de todos,
incluindo o deficiente, e
- Promover a inclusão social do deficiente
junto com seus colegas de sala.
Quem vai fazer isso é o professor regular
da turma, auxiliado ou orientado pelo professor especializado em AEE (conforme
parágrafo único do Art. 7º Resolução AEE).
O mesmo parágrafo único do Art. 7º
determina que o professor de AEE deverá “(...) atuar com os educandos
público-alvo da educação especial em todas as atividades escolares nas quais se
fizerem necessárias (...)”.
Isso faz com que esse professor deva estar também
na aula regular, acompanhando esse aluno, para ajudá-lo em seu aprendizado e em
sua inclusão, mas a responsabilidade dessa aprendizagem e dessa inclusão
continua sendo principalmente do professor regular.
A legislação determina que, havendo
necessidade, haverá também o intérprete ou tradutor de LIBRAS e outros códigos,
e também o profissional de apoio, para atividades de alimentação, higiene e
locomoção.
Então está bem claro que
- Temos o AEE (Atendimento Educacional
Especializado) realizado, preferencialmente, em uma sala de recursos
multifuncionais, para que o aluno deficiente frequente em turno oposto ao de
sua aula regular. Esse professor de AEE terá que acompanhar o aluno no turno
regular também, para orientar o professor regular e ajuda-lo na aprendizagem e
inclusão.
- Caso haja necessidade, temos também a
obrigação de oferecer o Profissional de apoio escolar: “(...) pessoa que exerce
atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e
atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos
os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas,
excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões
legalmente estabelecidas(...)” (conforme alínea XIII, Art. 3º, Lei de Inclusão).
- E havendo necessidade ainda temos que
oferecer o tradutor/intérprete de LIBRAS ou outros códigos.
Será que todos estamos fazendo isso tudo
corretamente?
Pelo que tenho observado, tem sido muito
difícil, para a maioria das escolas, cumprir rigorosamente essas determinações,
sejam elas públicas ou particulares.
Precisamos, então, urgentemente, preparar
os professores regulares e os de AEE, que são os personagens mais importantes
nesse desafio, para que:
- Aprendam a gostar do que precisam fazer;
- Entendam que cada criança, mesmo as
normais, percebem as informações de forma diferente, processam de forma
diferente, memorizam e aprendem de forma diferente, e elaboram suas conclusões
e suas respostas de forma diferente;
- Percebam que o único manual de instruções
que ensina a entender essas diferenças está contido na mente de cada uma dessas
crianças, ou seja, cada uma delas tem o seu próprio manual interno;
- Tenham toda paciência do mundo para
repetir os ensinamentos já realizados, alterando os métodos, criando
estratégias diferentes, e sempre mostrando a essas crianças que você está
alegre com o progresso dela, mesmo que não tenha havido progresso algum, já que
a elevação da autoestima é um a das mais importantes alavancas para a redução
dos sintomas e o início do processo de aprendizagem;
- Se atualizem frequentemente, sobre as
características das dificuldades e dos transtornos, as formas de cooperar para
que seus sintomas sejam reduzidos, os profissionais para os quais algumas
crianças devam ser encaminhadas para tratamento ou acompanhamento, e tudo o
mais.
É por aí, amigos!
Espero não ouvir nunca mais em minha vida,
a declaração de uma professora em uma de minhas palestras, quando ela disse em
alto e bom som:
“Quem tem filhos deficientes que cuidem deles. Estou aqui para dar aula aos
normais. ”
O final dessa história vocês já podem
imaginar. O castigo chegou, mas não foi nem a cavalo, como diziam as avós, foi
de jato mesmo...
Estou sempre à disposição para esses
treinamentos. Basta entrar em contato com nosso instituto,
pelo e-mail:
robertoandersen@gmail.com
pelo whatsapp
(71) 9-9913-5956
pelo telegram de mesmo número ou
#Robertoandersen
Responderei as demais perguntas no próximo
vídeo.
Prazer estar com vocês.
Forte abraço e até o próximo encontro.
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Fase fálica (3 aos 7 anos) na formação da personalidade da criança
Conversamos sobre as duas primeiras fases, oral e anal, e
agora vamos a terceira, que vai aproximadamente dos 3 aos 7 anos, a fase
fálica.
Vamos à fase fálica. Essa fase é entendida, de forma
incorreta, como a fase onde as variações nas orientações sexuais são definidas.
Vamos logo entender que não é isso! Aquilo que hoje chamamos
de definição sexual, orientação sexual e opção sexual, não tem relação direta
com essa fase.
A definição, que é a estrutura do menino ou da menina,
obviamente já foi definida entre o primeiro e trigésimo dia após a fecundação.
Veremos no vídeo “Sexualidade na Formação da Personalidade”, que virá a seguir.
A orientação sexual, que é o que define a atração sexual que
a pessoa terá ao alcançar a adolescência, também já tem suas bases principais
definidas durante a gestação, entre 30 e 60 dias após a fecundação.
Tudo isso veremos no próximo vídeo, conforme eu disse.
E a opção sexual será trabalhada a partir da fase da
adolescência, conforme veremos também.
Nessa fase, a fálica, haverá influências, conforme relatou
Freud, mas não será a origem daquilo que chamamos de orientação sexual.
Na fase fálica, a criança começa a ter um melhor
entendimento do que seja o outro. Ela vai agora iniciar a criação da sua
própria personalidade, começa o desenvolvimento de características de sua
personalidade, começa a sentir a necessidade de ter iniciativas e surge o
sentimento de culpa.
A criança entra em seu mundo virtual, aprende a imaginar e a
brincar no mundo imaginário e aparecem as fantasias. Isso é necessário para o
desenvolvimento do senso de cooperação. Como as crianças isoladas de outras
crianças conseguiriam passar por isso? Mas é aí que entra, mais uma vez, a
estratégia de nossa mente! Se não tivermos amigos, devemos criar amigos
imaginários...
Ela aprende, assim, a dar e receber ordens e a fazer um
equilíbrio entre os momentos de diversão e os de responsabilidade. Nessa mesma
época, ela começa a perceber que existe diferença entre o papel do homem e o da
mulher na sociedade.
Segundo Freud, essa observação causará os conflitos de
identificação de gênero, que ele chamou de conflitos edipianos (Complexo de
Édipo), baseado na tragédia “Édipo Rei”, escrita por Sófocles, quatro séculos
antes de Cristo. Nessa peça, um clássico da mitologia grega, Édipo matou seu
pai, Laio, sem saber que era seu pai e, em seguida, casou-se com sua própria
mãe, Jocasta, sem saber que ela era sua mãe. Ao descobrir que ela era sua mãe,
Édipo fura seus próprios olhos e Jocasta se suicida.
Freud baseia seu entendimento da criança nessa fase para
mostrar a tentativa de entendimento de seu próprio gênero, tomando atitudes de
aproximação afetiva da mãe como sua preferida e desprezando o pai, que
considera seu concorrente nesse amor.
Sófocles, em sua peça, remete a uma reflexão sobre a questão
da culpa em relação a comportamentos fora das normas éticas e dos tabus
estabelecidos pelos grupos sociais em suas culturas.
Freud pretende mostrar que existe uma necessidade de
satisfação da curiosidade sexual e intelectual, pela criança, principalmente
por causa de sua “fixação” na libido como elemento impulsionador da psique
humana.
Nessa faixa etária, segundo Freud, a libido está diretamente
ligada à sexualidade e é assim que ele entende a busca da mãe pela criança.
Essa sexualidade vai aflorar durante a busca do amor da mãe.
Se essa
necessidade não for satisfeita e se a criança entender que está sendo reprimida
ou castigada, ela poderá desenvolver um forte sentimento de culpa que vai diminuir
seu estímulo para tomar iniciativas e poderá reduzir sua vontade de explorar
novas situações ou de buscar novos conhecimentos.
No que diz respeito ao entendimento psicopedagógico da
criança, é nessa fase que ela consegue adquirir confiança no contato inicial
com a mãe. Também nessa fase é desenvolvida a sua autonomia, já que surge a
expansão motora e o autocontrole. Se essa relação da criança com sua mãe
ocorrer sem transtornos, ela vai, a partir daí, estar apta a desenvolver a
iniciativa, por causa do aumento de sua intelectualidade.
Essa ideia sexualizada de Freud, embora pareça meio
exagerada, ajuda bastante no entendimento do desenvolvimento infantil. As
crianças já sentem confiança e autonomia. Mas pela sua compreensão de mundo
percebem que a razão de sua existência, sua mãe, também dedica um pouco de seu
tempo a alguém, seu pai. Isso começa a ser visto como um perigo nessa relação.
É uma concorrência!
A criança, então, precisa provar a si mesma que não existe o
perigo de uma perda, ou seja, o amor de sua mãe é seu e assim continuará. Ela,
então, em uma determinada noite, acorda e resolve tomar a iniciativa de
apossar-se do que é seu. Assim sendo, vai para a cama da mãe com a intenção de
abraçá-la, marcando sua presença e, se houver alguém por lá, mesmo que seja seu
pai, a intenção é empurrá-lo para fora da cama.
Segundo Freud, a criança deseja transar com a mãe e matar o
pai. E durante essa tentativa, ela passa por diversos estágios de satisfação e
culpa que vão construir toda uma personalidade neurótica, quando mal
satisfeita, ou de saúde psíquica, quando tudo dá certo.
É comum nessa idade a criança que, passados alguns minutos,
a criança deve ser levada de volta para sua própria cama em seu próprio quarto.
A não observância desse detalhe pode provocar o aparecimento, mais tarde, de
neuroses típicas de insegurança.
Alguns casos especiais devem ser considerados, como por
exemplo, as mães solteiras criando seus filhos.
O medo de perder a mãe continua valendo! Ou seja: a
necessidade de ter certeza de que a mãe é sua ainda ocorrerá.
A criança pode ter a mesma necessidade e tomar a mesma
atitude, de ir para a cama da mãe e querer ficar abraçada com ela.
Apenas ela não terá que disputar com um concorrente, já que
não há pai presente.
A falta do amor do pai, seja pai “existente, mas ausente”,
ou pai falecido, separado ou desconhecido, colabora para a formação de uma
carência afetiva masculina prejudicial ao seu desenvolvimento.
As crianças precisam, para sua formação plena e
emocionalmente equilibrada, de participação afetiva masculina e feminina.
A falta afetiva de um deles pode fazer surgir algum tipo de
neurose futura.
O que se deve tomar muito cuidado, em ambos os casos,
principalmente no da mãe solteira, é não deixar os filhos dormirem em sua cama.
Essa prática, que é comum em mães sozinhas, contribui
fortemente para que essa criança, no futuro, desenvolva um senso de insegurança
muito forte.
Outro caso especial importante é o casal homo afetivo
adotando crianças e que precisam saber como funciona essa fase nessa situação.
Nessa relação homo afetiva, sejam dois homens ou duas
mulheres, o que vai importar mesmo é a qualidade do afeto passado por cada um.
A qualidade masculina de afeto preenche algumas necessidades
emocionais e psíquicas da criança, enquanto que a feminina preenche outras.
Então, para a formação psíquica e emocional equilibrada, não
depende exatamente dos pais serem um casal heterossexual (isso para desespero
dos que lutam contra casais homo afetivos...), mas sim de que seja garantido à
criança a afetividade característica feminina e a afetividade característica
masculina, completando o par formador de sua personalidade afeto-psíquica
equilibrada.
Em muitas famílias com pais tradicionais existe a falta do
afeto característico masculino, mesmo havendo pai e sendo pai heterossexual.
E o resultado, na formação da personalidade dessa criança é
que, na adolescência, se for uma menina, ela terá grandes chances de confundir
suas paixões com falta de afeto paternal.
A consequência mais comum é apaixonar-se por alguém que,
inconscientemente, significa o pai que estava ausente.
O erro nesse relacionamento só trará consequências mais tarde,
quando a mente dela rejeitará o relacionamento, criando um complexo de culpa
que, sem esse entendimento, parecerá injustificado.
Então, os problemas emocionais e psíquicos futuros nada têm a ver com pais heterossexuais ou casais homo afetivos, mas sim com a falta de afeto com características masculinas e femininas.
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Fase anal na formação da personalidade da criança
Na conversa anterior conversamos sobre a
primeira fase do desenvolvimento, a fase oral. Hoje vamos enfocar a fase anal
da criança, que vai de um ano e meio a três anos, aproximadamente.
Sou
o professor Roberto Andersen, pesquisador, educador e psicanalista. Minha área
de pesquisa é a neuropsicoeducação. Tenho três livros publicados e que podem
ser adquiridos acessando-se nosso portal ou nosso blog e clicando na minha foto
com os livros.
Vamos
à fase anal, mas lembrem que, na conversa sobre fase oral, eu comentei que há
estudos de economia, mostrando que cada dólar investido da educação representa
um retorno de sete dólares na vida dessa criança quando for um adulto. Isso é
importante!
A
fase anal é quando os pais mais erram! Meu esforço com essa nossa conversa é
para que vocês não errem! E não é difícil, como vocês vão ver, a partir de
agora.
Freud a chamou de fase anal e é a fase em que ela começa a
aprender a pensar. Enfim, essa fase não tem o problema da chupeta, mas, em
compensação, como ela sente necessidade de mexer sempre com as mãos para
agarrar coisas que se amoldem, se transformem ao seu toque, se modele ao seu
comando, ela faz isso com argila, com massa de modelar, com barro, lama e, se
nada disso estiver à sua disposição, com as próprias fezes.
A própria criança mostra que mudou de fase. Mas nem sempre
de uma forma tranquila, já que o mais comum é dando um verdadeiro susto nos
pais ao levar as fezes à boca! E é nesse momento que são cometidos todos os
maiores erros de quem está junto às crianças! E, mais grave ainda, esses erros
trarão consequências terríveis para toda a vida dessa criança que está sendo
formada!
Os erros dos adultos ocorrem de diversas formas. Uma delas é
o tradicional: “Que fedor!”. Outra forma é dando um “tapa” na mão da criança
quando ela pega nas fezes. Também existe o célebre: “Vamos limpar toda essa
sujeira!” E assim por diante! Eles sempre deixam claro para a criança que o que
ela fez não foi uma boa coisa...
A mente dessa criança analisa o ocorrido e conclui que “se o
que ela está fazendo é errado, feio, sujo e fedorento, devo parar de fazer!” E
surge, inicialmente, a prisão de ventre!
Agora, são os pais que, desesperados, correm com a criança
para o médico, exigindo que ele conserte um mal provocado por eles mesmos! E
começam os supositórios de glicerina e laxantes infantis, totalmente
inadequados a essa tenra idade e que poderia ter sido evitado com o simples
entendimento dessa fase. É claro que nenhum pai quer ver seu filho comendo as
fezes... Mas um pouco de criatividade soluciona totalmente esses instintos
necessários ao bom desenvolvimento de seu sistema digestivo, sem que seja
necessário proibir a criança de se sujar.
Uma dessas soluções é a massa de modelar da cor das fezes,
para que a criança possa manipulá-la em substituição. A criança substitui com a
maior naturalidade. Outro substituto perfeitamente à altura é a argila. Uma
caixa de argila para que a criança possa brincar e se lambuzar é um excelente
artifício.
Mas temos que entender que ela precisa se lambuzar, se sujar, se
divertir... Mais tarde dá-se um banho, ora! O importante é ser feliz!
Por que será que a criança gosta tanto de brincar com as
fezes? É mais uma maravilhosa programação mental! Seu sistema digestivo está em
franco desenvolvimento e ela já tem algum domínio de seus movimentos
musculares, achando interessante o autocontrole do ato de defecar.
É um momento de raro prazer o da produção das fezes. Por
isso, elas são tão importantes e exercem sobre a criança uma grande atração. Porém,
se no momento desse namoro entre a criança e suas fezes aparece um adulto
“estragando” o prazer, a criança nada entende e um forte sentimento de dúvida
substitui o necessário sentimento de autonomia.
É nessa fase que ela direciona sua energia para experiências
exploratórias. Ela precisa desenvolver o seu senso de autonomia. E como ela vai
perceber que não pode usar sua energia exploratória de forma totalmente livre,
mas que existem regras sociais para serem respeitadas e que devem fazer parte
de seu raciocínio, ela começa a construir sua autonomia entendendo os limites.
O aprendizado social começa aí. Surge o entendimento
relacionado ao que os adultos e as outras crianças esperam dela. Surgem os
conceitos de limitações, de obrigações e de direitos, e aparece a sua
capacidade de realizar certos julgamentos.
Os adultos atrapalham muito, como podemos observar, mas também
podem ajudar de vez em quando! O problema é que não existe uma escola para
ensinar pais a serem pais, pelo menos não as conheço ainda. Eu soube que
existia na Alemanha ou na Suíça, mas não aqui... Mas, dentro de nossas
possibilidades e limitações, tenho tentado fazer exatamente isso, em todas as
oportunidades em que me reúno com pais e professores.
Depois que li, em um trabalho de psiquiatria, a recomendação
de treinamento parental como elemento redutor de sintomas patológicos, passei a
recomendar às escolas uma total mudança nas reuniões de pais e mestres,
conforme já relatei no capítulo ESCOLA.
Minha ideia é enfatizar nessas reuniões o treinamento
parental, com vivência de valores humanos, debate sobre relacionamento familiar
e tudo o mais. Afinal, para que serve falar mal de seus filhos se esses são o
reflexo de uma educação equivocada em casa? Melhor então é fazer o treinamento
dos pais! Os filhos melhorarão naturalmente na medida em que os pais melhorarem
o entendimento da criança, o entendimento das necessidades de cada fase e o
relacionamento familiar.
Mas agora vem a parte boa para os profissionais de
fonoaudiologia. É nessa fase que podemos, sem qualquer medo, afastar a criança
da chupeta, caso ela esteja fazendo uso. Mesmo que isso provoque choro e manha,
a necessidade vital já não é o sugar, logo, qualquer imposição de limites no
que diz respeito à chupeta é perfeitamente aceitável e não vai provocar
qualquer neurose futura.
Mais do que isso, eu insisto que nessa fase DEVEMOS afastar
a chupeta da criança. O que antes era uma necessidade, agora passa a ser um
grande erro. Isso porque a partir do início dessa fase ela abandona o instinto
da satisfação oral e o desloca para o ânus. Esse deslocamento vai facilitar, no
momento certo, a formação correta de todo o processo digestivo. Essa fase
coincide com o início da mudança alimentar, que faz com que o sistema digestivo
(ou digestório como querem os filólogos) e o intestino comecem a ser mais
exigidos. Não existe mais a necessidade do prazer oral e, por isso mesmo, da
chupeta.
Então, se a fase anterior era a da chupeta, do mordedor, da
presença afetiva e do exercício dos limites, nessa fase a chupeta deve ser
eliminada. O mordedor nem tanto. A presença afetiva continua muito necessária, contudo,
já se deve dar mais liberdade, mas com controle. Os limites continuam sendo uma
grande necessidade por toda a vida. Mas o mais importante é entender que existe
o prazer de defecar e que esse prazer constitui a base do correto
desenvolvimento psico-emocional-cognitivo.
Mandem seus questionamentos, perguntas, comentários e
sugestões para meu e-mail:
robertoandersen@gmail.com
Ou para meu whatsapp 71 9-9913-5956
Responderei as demais perguntas no próximo vídeo.
Prazer estar com vocês.
Forte abraço e até o próximo encontro.
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Educação Inclusiva 01
Amigos,
Vamos tentar deixar bem claro como devemos
lidar, na escola regular, com a Educação Inclusiva, já que ela está determinada
como obrigatória, por lei.
Sou o professor Roberto Andersen e me
dedico ao estudo da forma neuropsíquica de se obter o aprendizado. Tenho alguns
livros publicados e que podem ser adquiridos acessando-se nosso portal ou nosso
blog e clicando na imagem dos livros.
As dúvidas que tenho recebido mostram, bem
claramente, que há, na maioria dos professores regulares, nenhum comprometimento
em relação à aprendizagem do aluno especial que está em sua classe, e nem,
muito menos, comprometimento com a sua inclusão social entre seus colegas.
Os professores estão simplesmente ignorando
a presença em sala desses alunos e, quando existe um cuidador, desligam-se
totalmente dele, como se existissem dois ambientes distintos na sala: o dos
alunos regulares, com ele, professor regular, e o dos alunos especiais, com
seus cuidadores.
Para facilitar a compreensão, vamos
organizar esse tema aproveitando as perguntas, os questionamentos e as
reclamações feitas pelos professores, que estão se sentindo obrigados a fazer
algo para o qual, eles acham, que não foram contratados.
A célebre declaração de que “Não aprendi a
lidar com educação inclusiva na faculdade! ”, é falsa, porque aprendeu sim! Todos
os teóricos estudados em pedagogia ou nas matérias de licenciatura disseram que
o ensino-aprendizagem tem como base o aluno.
E você aprendeu isso e deve ter respondido
dessa forma nas provas. Mas depois de se formar e entrar em uma sala, pode ter
esquecido desse pressuposto básico e fundamental para que exista, de fato, o
processo verdadeiro do ensino-aprendizagem.
Para começar, então, tenha sempre em mente
quais são os principais objetivos da escola, das aulas e seus, como professor,
que são:
Garantir a evolução intelectual do aluno
por meio da aprendizagem real, visando a sua autossuficiência futura;
Criar a cultura do respeito mútuo e da
interação e cooperação social entre os alunos, visando a construção da
cidadania.
Analise a sua prática em uma sala de aula,
mesmo que lá só existam alunos regulares, sem nenhum aluno autista, nem
disléxico, nem discalcúlico, nem com retardo mental.
Pergunte a você mesmo como você preparou a
aula daquele dia: De acordo com o tema e o conteúdo do livro texto, mas com
base nas características de aprendizagem de seus alunos? Ou com base no que
você quer ensinar a eles?
Se foi com base no que você acha que tem
que ensinar a eles, é muito bom lembrar de Comenius, na sua Didática Magna,
quando ele disse: “Idiota é aquele que quer ensinar ao aluno, não o que ele
pode aprender, mas aquilo que ele próprio deseja. ”
Seria bom que essa frase estivesse bem
grande em todas as salas de professores de todas as escolas a partir de hoje.
Então, para você saber se está no caminho
certo ou se precisa mudar alguma coisa, pergunte-se, primeiro, se durante a sua
aula você tem certeza de que todos os alunos estão entendendo o assunto.
Pergunte-se, também, se ao final de sua
aula você tem certeza de que todos tiveram proveito do que você acredita ter
ensinado e que todos evoluíram da forma que você planejou, no conhecimento
daquele assunto de sua matéria.
Se suas respostas forem SIM, você está
realmente fazendo o papel do professor de verdade. Se a resposta for qualquer
outra, você não está cumprindo o que aprendeu de educação, na faculdade.
Vamos ver como fazer, então, em qualquer sala
de aula regular, com ou sem qualquer aluno considerado “de inclusão”, porque a
existência do aluno de inclusão, apenas evidencia, com muito mais clareza, as
diferenças no nível de entendimento que já existem em qualquer sala de aula.
Infelizmente grande parte dos professores
entram e saem das suas salas de aula sem conseguirem perceber que, naquela
sala, há alunos que entendem o que ele fala, mas que há alunos que não
conseguem acompanhar seu raciocínio ao explicar os assuntos.
Nessas análises o foco tem que estar sempre
em TODOS os alunos! Quem são esses todos?
Os alunos regulares que estão
verdadeiramente no nível intelectual daquela série escolar.
Os alunos regulares que estão naquela
série, mas com dificuldades imensas de entendimento, como se tivessem sido
passados “na marra”.
Os alunos de inclusão com nível de
entendimento muito abaixo do nível da série.
Os alunos superdotados ou de altas
habilidades, principalmente aqueles que ficam rapidamente entediados em ter que
acompanhar explicações que são totalmente desnecessárias para eles.
Para ter certeza disso, se a sua observação
não for suficiente, basta você fazer pequenas avaliações frequentes, sejam
orais ou escritas, preferencialmente ao final de cada aula, ou a cada duas
aulas, ou até durante as próprias aulas.
Essas avaliações servem para mensurar a
eficácia do seu processo de ensino-aprendizagem, e não para classificar os
alunos. Aliás é assim que toda a avaliação deveria ser.
Ou seja, se o aluno não obtiver bom
resultado significa que o seu método de ensino está precisando ser alterado, ou
seja, muda-se o método, em vez de fazer o que os professores desejam, que é mudar
de aluno.
Lembre-se que há diferenças imensas na
capacidade de aprender dos alunos. Meninos, por exemplo, entendem de forma
diferente das meninas. Isso sem contar com as dificuldades específicas de cada
menino e de cada menina.
Sejamos muito sinceros então. Se não
estivermos alcançando aprendizagem total, temos que experimentar algum outro
método para o nosso ensino.
Agora vamos dar a primeira sugestão para
socorrer o professor que percebeu que não está alcançando sucesso com a
aprendizagem de todos os seus alunos.
Planejar sua aula em duas ou três etapas.
Na primeira você apresenta o tema da aula, de forma que chame a atenção e
desperte a curiosidade de todos os seus alunos.
Para isso precisa apenas que você ligue o
assunto da aula a algum assunto de interesse de todos os alunos. Isso vai
exigir de você, tanto o pleno conhecimento do assunto a ser dado, como a sua
dedicação ao conhecimento geral, ouvindo ou assistindo aos noticiários e lendo
jornais e revistas.
Embora eu goste, tanto de assistir aos noticiários,
como ler revistas e jornais, eu uso, para isso, diariamente, o twitter, onde
acompanho todas as agências de notícias de todos os assuntos que leciono e que
me interessam. Economiza muito o meu tempo.
Lá mesmo surgem os links que me trazem os
artigos completos para meu estudo diário, com as referências oficiais para
consultas, permitindo que eu entre em contato com os pesquisadores autores dos
respectivos estudos para dirimir algumas dúvidas.
Isso que eu estou dizendo é apenas para
preparar a primeira parte da aula, que á a mais importante, já que é a que
precisa despertar o interesse, a curiosidade, a empolgação de todos os alunos
em relação ao assunto da aula.
Durante essa parte da aula, que serve
praticamente como um MARKETING do assunto, você deve estar atento a todos os
alunos, para que todos se sintam “alvo” de seu interesse pessoal, ou seja,
todos sintam que são importantes para você, em sua aula.
Nesse momento temos que tomar cuidado com a
presença do “aluno ímã”, que é aquele aluno que, por algum motivo, prende seu
olhar nele, e você, sem sentir, acaba dando essa parte da aula como se só
existisse ele em sala.
O “aluno ímã” é frequentemente, o que mais
participa e o que mais pergunta, provocando, no professor, essa tendência de
exclusividade que é prejudicial ao resto da turma.
Segunda parte da aula:
Colocar o aluno para trabalhar no assunto.
A maioria dos alunos prefere ficar
passivamente na carteira assistindo à fala do professor, alguns até estão
acompanhando mesmo, outros estão desligados e outros dormindo.
Coloque, então, todos para trabalharem o
assunto, por meio de estudo dirigido, que pode ser individual ou em grupos.
Os questionários para esse estudo devem ser
elaborados respeitando-se sempre aqueles objetivos que comentamos anteriormente.
Nada, na aula, pode fugir daqueles dois
objetivos principais.
Se alguma atividade não atender a eles, ela
deve ser adaptada.
Então haverá tantos tipos de questionários
quantos forem os diferentes níveis de entendimento daquela turma. Numa turma
regular do 8º ano em que não exista qualquer discrepância em níveis de
entendimento, o questionário será o padrão do 8º ano.
Se nessa turma houver um aluno autista no
nível de 2º ano, seu questionário será sobre o mesmo tema da aula, mas com
atividades adaptadas ao seu nível de entendimento atual, visando sempre o seu
desenvolvimento, do ponto em que ele está para mais além.
Havendo aluno superdotado, seu questionário
deve exigir pesquisa na biblioteca ou na sala de informática, que sirvam para
ele como desafio. Essa é a sua forma de se satisfazer com o assunto dado. A
forma de fazer isso dependerá das condições da escola.
Durante essa parte da aula o professor
estará visitando cada grupo (se o estudo dirigido for em grupo) ou cada
carteira, para observar as dificuldades e analisar em que momentos precisa
chamar a atenção de todos para uma explicação específica e de interesse geral.
Esse passeio do professor pelos grupos já
serve como uma forma de avaliar quais os pontos que precisam ser alterados,
sempre visando garantir a aprendizagem de todos e, em paralelo, construir a
cultura do respeito, interação social e cooperação.
Mandem seus questionamentos, perguntas,
comentários e sugestões para meu e-mail.
Ou para meu whatsapp.
Responderei as demais perguntas no próximo
vídeo.
Prazer estar com vocês.
Forte abraço e até o próximo encontro.
sexta-feira, 8 de julho de 2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Formação da personalidade da criança atual - fase oral
Hoje estou aqui para
conversar com vocês sobre a criança em sua primeira fase de desenvolvimento.
Acabo de ler mais um
estudo de especialistas em economia, mostrando que cada dólar investido no
ensino e na educação correta de uma criança significa um retorno positivo sete
vezes maior no resultado alcançado por essa criança quando for um adulto!
Mas não é só no ensino
e na educação que esse investimento é lucrativo. Há também complementos que
contribuem significativamente para que esse resultado seja mais lucrativo
ainda, como, por exemplo, na nutrição adequada, na afetividade responsável, na
imposição de limites e no entendimento correto de todas as necessidades reais
da criança em cada uma das suas fases de desenvolvimento.
Então, amigos, vamos
investir corretamente, com vontade e com responsabilidade, porque os resultados
serão, certamente, espetaculares, podem estar certos disso!
E para que possamos estar
investindo de maneira correta, procurando errar cada vez menos, vamos iniciar
um bate-papo sobre o entendimento dessa criança, as características de cada
fase de seu desenvolvimento, e as mudanças que estão ocorrendo nessas novas
gerações.
Afinal sempre há
mudanças, tanto na criança, como na sociedade, e por isso precisamos tentar entender
todas elas, para que tenhamos uma sociedade melhor.
Nossa conversa vai
estar baseada, tanto em alguns teóricos, como Freud, Wallon, Erik Erikson,
Piaget, Wygotsky entre outros, como também nas nossas próprias pesquisas e,
principalmente, no exercício prático de tudo isso.
Vamos levar em
consideração os resultados de mudanças na criança de hoje, nas ausências
afetivas provocadas pela vida profissional dos pais, nas formas diferenciadas
de se criar uma criança, criança sem um dos pais, criança com pais homo
afetivos, crianças criadas pelos avós, ou seja, todas as situações que já estão
surgindo como dúvidas, nos questionamentos que estou recebendo.
Para começar essa
conversa eu tive a ajuda de Reginaldo Neto, matemático e filósofo, e de Ruan
Vieira, futuro engenheiro mecânico, ambos meus amigos.
Ambos me ajudaram
enviando alguns questionamentos muito importantes e fundamentais para o
entendimento da criança atual e do que podemos fazer para reduzir os problemas
futuros em seu desenvolvimento.
Os questionamentos que
eles mandaram foram tão abrangentes que vou ter que responder aos poucos.
Hoje vamos enfocar os
relacionados à fase oral, aquela que vai do nascimento até aproximadamente um
ano e meio, ou seja, antes de a criança começar a andar.
FASE ORAL
Nessa primeira fase
aparece uma das grandes diferenças entre o ser humano e os outros animais.
O ser humano, ao
nascer, estará totalmente dependente de quem o cria.
Só isso já constitui
um mistério!
Afinal, esse ser já
traz toda uma formação de hábitos que aparecerão no futuro, incluindo
temperamento, emotividade, intelectualidade, tendências comportamentais e até
orientação sexual pré-definida, mas, ao nascer, está totalmente impotente
fisicamente, ou seja, dependente do outro para sobreviver!
E a criança precisa
sobreviver! Mas só sobreviverá se houver alimentação adequada.
E é aí que nos
espantamos com as estratégias dessa fabulosa máquina cerebral, toda programada
para que nada lhe falte, em cada momento do seu desenvolvimento.
Essa máquina cerebral
cria o instinto de satisfação oral!
Segundo Freud é um
impulso da libido (para Freud tudo provém da libido).
A criança precisa
satisfazer esse instinto, que é a necessidade de sentir prazer pela boca, e
assim a leva a consumir o leite materno.
Esse leite, além de
alimentá-la, vai defende-la, com todos os anticorpos nele contidos, de centenas
de problemas de saúde.
Essa fase traz
diversas necessidades fundamentais. Vamos ver as mais importantes, que são:
SUGAR – Satisfazer o prazer
pela boca;
ANTICORPOS – Proteção
do organismo por meio do leite materno;
SEGURANÇA e CONFIANÇA
– Segurança pessoal e confiança no mundo por meio do afeto dos pais.
SUGAR
Se a criança mama no peito
e fica satisfeita, ótimo! Essa não precisará de chupeta, para alegria dos
fonoaudiólogos!
Se ela mama no peito,
mas demonstra necessidade de estar sugando o tempo todo, como se o peito não
fosse suficiente, a chupeta passa a ser indicada. Chupeta, mordedor etc. Mas
isso só enquanto ela estiver nessa fase. Ao passar para a fase seguinte a
necessidade acaba e a chupeta deve ser eliminada.
Se a criança não tem
mãe, nem ama de leite, ou por falecimento, ou por ser filha de uma relação homo
afetiva, essa necessidade do prazer de sugar deverá ser muito bem observada.
Inicialmente tenta-se
só a mamadeira, mas se for insuficiente, vem a necessidade da chupeta, mordedor
etc.
Satisfazendo
corretamente essa necessidade, a criança estará livre de diversos problemas
neuróticos e psicossomáticos no futuro.
ANTICORPOS
O leite materno é o
alimento perfeito para criar os anticorpos necessários à proteção dessa criança
contra doenças de oportunidade.
Além disso é ele que
elimina a tendência natural de algumas crianças em desenvolver algum tipo de
intolerância ou alergia alimentar, segundo os estudos de Aderbal Sabrá.
Então, caso a criança
não tenha a presença da mãe por algum dos motivos que já comentamos, a
mamadeira de leite materno é a solução.
Nenhum outro tipo de
leite substitui o materno. Mesmo que muita gente faça propaganda do leite de
cabra ou leite em pó com todas as características do leite materno, não
acredite!
E já existe,
atualmente, banco de leite materno para suprir essa necessidade.
SEGURANÇA e CONFIANÇA
Henri Wallon deixa
claro que a criança precisa se sentir protegida por quem a recebe no mundo,
para que se sinta segura.
Erik Erikson mostra
que, além dessa dependência afetiva, o fato da criança sentir que a mãe se
afasta mas volta, cria nela a força básica dessa fase, que ele chamou de
esperança.
E quando a criança
percebe que, sempre que precisa, a mãe está por perto, surge a confiança
básica, que é fundamental para sua felicidade futura, sem neuroses.
Quando ela não percebe
essa presença vem a desconfiança básica, com resultados futuros muito ruins
para sua formação, tornando-se desconfiada e, por vezes, até agressiva.
Nossas observações, e
nossa prática, mostram um caminho simples e muito eficaz para superar esses
problemas nessa fase.
Precisamos entender
que, para a criança, tudo é novidade. Então ela precisa entender que está
segura e que pode confiar no ambiente e nas pessoas à sua volta.
Mas ela tem que se
sentir segura e confiante tanto em relação às pessoas quanto em relação ao
mundo, e nunca apenas às pessoas.
Se seguirmos as
orientações que uma reportagem da Globo apresentou, de que nessa fase a criança
deve ficar todo o tempo no colo da mãe, porque precisa do afeto materno,
estaremos criando uma criança problemática, insegura e desconfiada do mundo!
Cuidado, muito
cuidado, com essas reportagens...
Por esse motivo
procuro enfatizar para todos os pais que entendam a função do “colo” como
função de transporte! Colo é transporte!
Se a criança se sente
o tempo todo envolvida pelo corpo da mãe, significa que nunca terá confiança no
mundo, sua confiança será construída apenas em relação ao corpo da mãe.
Como a mãe não pode
viver grudada nela, quando houver qualquer afastamento, mesmo que por pouco
tempo, a criança se sentirá abandonada!
Ela vai chorar,
berrar, espernear e tudo o mais, mostrando sua insatisfação com a ausência do
ambiente acolhedor ao qual ela se acostumou.
Como evitar isso?
Simples: Acostumar-se e
acostumar os parentes, a dar afeto, dar amor, dar carinho, dar massagens
afetivas, dar todo dengo que quiser, mas sempre com a criança no berço ou no
carrinho, de forma que ela sinta toda a afetividade do adulto, mas esteja, ao
mesmo tempo, sentindo-se apoiada no seu colchão, que é o que representa o
mundo.
Na mente dessa criança
as duas coisas se combinam e se completam, ao ponto de que, na ausência da mãe
o simples contato com seu colchão já lembra o afeto da mãe e já a satisfaz.
Essa criança não se
sentirá abandonada durante ausências da mãe e construirá uma sensação de
confiança no mundo, que vai significar segurança emocional para toda a vida.
O que nós vimos,
então, foi a primeira fase de desenvolvimento, que é a fase oral, que vai do
nascimento até aproximadamente um ano e meio.
A partir daí terá
início a fase anal, com outras necessidades, outras características e que vai
necessitar de tanta atenção como a da fase oral.
Nós vamos ver essa
outra fase em detalhes no próximo vídeo.
Havendo mais
questionamentos, dúvidas ou comentários, mande para mim por e-mail – robertoandersen@gmail.com ou pelo
whatsapp 71 9-9913-5956 ou no espaço de comentários, aqui mesmo.
Saibam que é sempre um
imenso prazer poder conversar com vocês sobre esses assuntos tão importantes
para todos nós.
Um forte abraço e até
o nosso próximo encontro!
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Maconha e a formação cerebral dos adolescentes
Um assunto que muito nos preocupa é a propaganda
acintosa e irresponsável sobre a maconha, feita por algumas revistas e outras
mídias em geral.
Antes de nossa conversa é bom deixar claro
que eu não estou aqui para tentar dizer a ninguém que não faça uso dela ou daquela
droga. Não é esse o caso!
Estou apenas alertando para essas
propagandas irresponsáveis que chegaram a me assustar, tal a estratégia da
colocação da mentira em forma de manchete bem chamativa!
A manchete diz que a maconha só faz mal a
pessoa se o cigarro queimar seus lábios... OU seja: não faz mal algum!
Partindo do princípio de que grande parte
das pessoas só leem as manchetes dos artigos, já dá para imaginar que, se a
intenção era a de aumentar o consumo para que os traficantes obtenham mais
lucro, esse objetivo já vai ser alcançado.
Um outro grupo de pessoas chega a ler o
artigo, mas desses, uma grande parte não chega até o final, parando antes do
último parágrafo.
Pois bem: o próprio artigo publicado nessa
revista, artigo esse sério e com referências reais a institutos de pesquisa de
credibilidade, mostra, em seus últimos parágrafos, exatamente o mal que a
maconha faz.
A conclusão desse artigo é que existe
suspeita de que o aumento de número de casos de doenças psiquiátricas, ente
elas a esquizofrenia, está associado ao uso continuado da maconha.
Isso é muito sério e deve ser divulgado. Ou
seja: Quer continuar fazendo uso da maconha ou de outras drogas? Faça! Mas é
importante que todos saibam o risco que estão correndo. Que existe a
possibilidade de que o uso continuado possa trazer doenças psicogênicas, e que
essas doenças não têm cura! E que elas destroem a mente da pessoa e destroem,
por isso, a sua vida!
Na penúltima quarta-feira tivemos uma
reunião na Academia de Ciências de Nova York exatamente sobre a relação entre a
maconha e a formação cerebral dos adolescentes.
A conclusão do encontro foi a de que está
confirmada a possibilidade do desenvolvimento da esquizofrenia, assim como a
incidência de AVC, ou seja, infarto, em adolescentes ou jovens com histórico de
uso continuado da droga.
A dificuldade que os pesquisadores tinham
em fazer a relação entre AVC precoce e maconha estava no fato de que as pessoas
não confessavam o uso da droga. Como hoje as pessoas se sentem mais livres para
comentar sobre isso, a relação ficou mais evidente.
Mas isso é para todas as pessoas que
consomem a maconha? Não! Cada organismo reage de forma diferente em relação ao
consumo de qualquer substância, incluindo as drogas. Para umas os efeitos
danosos surgem muito rapidamente, enquanto que para outras pessoas esses tais
efeitos só aparecerão muito mais tarde.
Isso ocorre também com alimentos e com
remédios. Algumas pessoas não toleram alguns tipos de alimentos. Outras reagem
negativamente a alguns medicamentos, e assim por diante.
Mas vamos a mais uma “bomba”!
Um estudo publicado hoje, dia 8 de junho de
2016, pela Neuroscience News, intitulado: “Como o uso continuado da maconha
altera os circuitos de satisfação cerebral” (sob a responsabilidade da Dra.
Francesca Filbey, diretora de pesquisas em neurociência cognitiva e professora no
Centro de saúde Cerebral da Escola de Ciências Cerebrais e do Comportamento), mostra
mais um danoso efeito colateral da maconha. Esse passa a ser o terceiro efeito
danoso comprovado.
O estudo foi publicado originalmente na
revista Human Brain Mapping e seu resumo está na Neuroscience News de hoje.
Após experimentações realizadas pela
primeira vez, com imagens de ressonância magnética funcional, concluiu-se que o
uso contínuo de maconha altera os circuitos de satisfação natural do cérebro,
praticamente eliminando as demais formas de satisfação, em detrimento à satisfação
obtida pelo uso da droga.
A ocorrência dessa alteração indica
exatamente o ponto de transição entre o uso recreativo da
maconha e o seu uso
problemático e perigoso.
Agora
atentem para esse detalhe nessa última descoberta:
Nós sentimos satisfação natural devido a
uma série de fatores, como por exemplo: diversas atividades físicas, atividades
lúdicas, passeios, relações afetivas, abraços, amor, sexualidade, etc.
Tudo isso nos traz a alegria de viver, ou
seja, a parte mais agradável da vida!
Pois bem: com o uso continuado da maconha
haverá a alteração desses circuitos cerebrais de satisfação natural,
praticamente eliminando todas as demais formas de excitação natural dessa
satisfação pessoal, emocional e psíquica, ficando tais satisfações atreladas
exclusivamente ao uso da droga.
A pessoa passa a não se satisfazer com mais
coisa alguma que não seja a própria droga. Isso é bom? Claro que não! Então é
muito importante que todos saibam disso, para evitar que sejam surpreendidos
com uma ausência total de excitação que estimule os seus canais de satisfação
emocional e psíquica.
Acredito que o que mais precisamos fazer
agora é analisar o que leva tantos jovens e adolescentes a necessitar de algo
diferente para sua satisfação, embarcando no consumo de drogas que acabam
destruindo a sua felicidade afetiva e sexual futura.
Esses motivos são os que devem ser analisados
com muito cuidado porque, simplesmente insistir para que não usem drogas não dá
resultado algum!
Analisar as carências, as insatisfações, as
ansiedades, para tentar encontrar estímulos para que a pessoa comece a
aproveitar as maravilhosas formas de satisfação natural à nossa disposição
todos os dias!
As carências afetivas são as que mais levam
crianças, adolescentes e jovens a procurar artifícios que supram suas
necessidades. Alguns precisam apenas se sentir parte e um grupo que os acolha e
que os aceite como ele é, ou como ele acha que é.
Muitas vezes todos os componentes desses
grupos estão na mesma situação de carência, o que faz com que não haja
satisfação mútua, mas sim a procura de artifícios, entre eles a maconha, para a
satisfação temporária de todos.
Uma terapia de grupo poderia ajudar muito,
evitando a apelação para o uso de substâncias que tanto prejudicam a felicidade
futura desses jovens, ainda mais quando se sabe que isso afetará a sua saúde
sexual.
Mas a maconha não é usada como remédio?
Sim! Não só elas como todas as demais drogas são utilizadas como medicamento.
Assim é com a maconha, com a cocaína, com a morfina, etc.
Todo remédio é uma droga!
E assim como as drogas ilícitas, os
remédios também têm efeitos colaterais danosos ao organismo e, por isso mesmo,
não devem ser tomados sem que haja real necessidade.
Nós não vamos tomar um remédio simplesmente
por recreação! Mas sim porque precisamos dele para curar algum tipo de enfermidade.
A Ritalina, a Risperidona, o Gardenal, o
Tegretol e todos os demais, todos são danosos ao organismo, mas se forem
necessários serão prescritos e deverão ser consumidos.
Aproveito para deixar claro que estou à
disposição para qualquer dúvida ou orientação. Mandem suas críticas ou
sugestões.
Forte abraço!
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Existe relação entre o tumor cerebral e o uso do celular?
Amigos,
Tenho alertado a todos, sempre que posso,
sobre o perigo da radiação emitida pelo celular, já que há evidências claras de
que existe uma relação com o aparecimento do câncer tipo glioma, no cérebro.
Sempre que alerto aos pais para tentarem
criar em seus filhos a cultura de usar o celular afastado o máximo possível do
corpo, aparece algum desavisado, normalmente daqueles que acreditam em tudo o
que as máfias industriais gananciosas publicam na mídia, dizendo que isso é
bobagem e que o celular não causa nenhum mal a ninguém.
Pois bem! Ricardo Teixeira, neurocientista,
acaba de mostrar em seu blog dessa semana, exatamente o que eu sempre digo.
Como não é artigo meu, eu aproveito para mostrar que não sou só eu quem diz
isso!
E ele faz referência ao estudo
(http://biorxiv.org/content/early/2016/05/26/055699) publicado agora, mostrando
essa relação evidente.
Ricardo Teixeira teve o trabalho de pesquisar quais são os estudos que dizem exatamente o inverso, ou seja, que o celular nada provoca de mal. O estudo principal foi publicado em 2010, (estudo multicêntrico INTERPHONE). Embora o resultado que o estudo evidencie em suas conclusões tenha sido o de que não havia associação entre o uso do celular e as chances de apresentar tumores cerebrais, o próprio trabalho aponta para a tendência de surgimento de tumores tipo glioma em 10% dos indivíduos que mais usavam celular.
Ricardo Teixeira teve o trabalho de pesquisar quais são os estudos que dizem exatamente o inverso, ou seja, que o celular nada provoca de mal. O estudo principal foi publicado em 2010, (estudo multicêntrico INTERPHONE). Embora o resultado que o estudo evidencie em suas conclusões tenha sido o de que não havia associação entre o uso do celular e as chances de apresentar tumores cerebrais, o próprio trabalho aponta para a tendência de surgimento de tumores tipo glioma em 10% dos indivíduos que mais usavam celular.
Pois é: é exatamente esse tipo de câncer
que estamos falando!
Ainda no seu BLOG Ricardo Teixeira mostra
um trabalho de 2008, um balanço geral de todos os estudos sobre isso,
evidenciando que o uso do celular aumenta o risco, sim, de tumores cerebrais
(Hardell et al., Int J Oncol 2008).
Eu lembro, mais uma vez, desde a primeira
vez que comentei sobre isso, que o trabalho de 2010 pode ter sido financiado
para tentar contestar essa metanálise feita em 2008, para evitar prejuízos na
indústria do celular.
Ricardo Teixeira ainda lembra que em 2008,
depois dessa metanálise, "(...) uma série de neurocirurgiões de grande
renome mundial passou a se manifestar afirmando que a tarefa de provar
definitivamente que o celular causa tumor cerebral é só uma questão de tempo,
já que uma lesão dessa natureza precisa de pelo menos dez anos para se
desenvolver(...)"
Portanto:
1. Use a função telefone de seu celular
apenas para recados rápidos e, se possível, afastado de seu corpo e em viva
voz;
2. Deixe-o sempre em local afastado do
corpo, e se precisar usá-lo na função despertador, que ele esteja em uma
mesinha afastada de seu corpo, e nunca embaixo do travesseiro;
3. Para usá-lo na função música, melhor
será usar um fone de ouvido.
Referência:
Blog de Ricardo Teixeira
(www.consciencianodiaadia.com)
terça-feira, 10 de maio de 2016
Avaliação e Aula Inclusiva - proposta IUPE
Proposta de diretriz para a avaliação dos
alunos especiais
Desde quando parte da sociedade começou a
entender que era necessário respeitar as crianças e os adolescentes que
tivessem algum tipo de dificuldade neuropsíquica de aprendizagem em seus
direitos de desenvolverem sua inteligência, seu conhecimento de mundo e suas
habilidades, surgiram as leis e regulamentos determinando a inclusão escolar.
Infelizmente, nem a elaboração dessas leis,
nem as regulamentações posteriores, estão sendo suficientes para alcançar os
verdadeiros objetivos da inclusão que são, principalmente, o desenvolvimento da
inteligência, do conhecimento de mundo e das habilidades, em paralelo com a sua
inclusão social.
Essa proposta do IUPE tem como objetivo
principal evitar que essas crianças e esses adolescentes continuem sendo apenas
“acolhidos” em uma sala de aula, sem qualquer acompanhamento metodológico
especial.
Eles acabam sendo reprovados nas avaliações
padronizadas passadas para aquela turma que o “acolheu” e, ao final do ano, são
“promovidos” por serem especiais, baixando ainda mais a sua autoestima,
convencendo-o de sua incapacidade de aprender e de progredir na vida.
Não há qualquer mistério nem dificuldade de
entendimento no cumprimento dessas diretrizes aqui propostas,
Tudo depende da boa vontade dos dirigentes
escolares, dos coordenadores pedagógicos e, principalmente, dos professores e
demais profissionais envolvidos com os alunos em uma instituição de ensino.
Vamos, então, por partes:
Objetivos da Educação Inclusiva –
entendimento humanístico:
Matricular uma criança ou um adolescente
com qualquer tipo de dificuldade neuropsíquica de aprendizagem como aluno em uma
escola regular, tem como objetivo principal prepará-lo para a sua AUTOSSUFICIÊNCIA
FUTURA e como objetivos paralelos imprescindíveis:
ELEVAR AUTOESTIMA:
Criar ou elevar a sua autoestima, mostrando
que ele é capaz de conviver socialmente com seus colegas de mesma faixa etária,
preparando-o assim para a convivência social nos diversos ambientes em que ele
vier a frequentar;
DESENVOLVER HABILIDADES:
Criar oportunidades, nas diversas
disciplinas, e com a ajuda dos demais profissionais da escola, para que sejam identificadas
as habilidades do aluno especial e, assim, estimular o seu desenvolvimento;
ESTIMULAR INTELECTUALIDADE:
Identificar o seu nível intelectual e
cognitivo para adaptar os conteúdos disciplinares e as metodologias
ensino-aprendizagem, de forma que, em todas as aulas, o aluno sempre aprenda um
pouco a mais do que sabia, sempre visando o seu avanço gradual, respeitando a
sua velocidade de raciocínio e a sua capacidade de memória e aprendizado;
A aula inclusiva – parte intelectual e
cognitiva
A aula inclusiva deve ser proferida pelo
professor regular e assemelha-se a aula em classe multisseriada.
Uma das metodologias mais eficazes que já
utilizei foi a de, inicialmente, fazer uma apresentação conceitual básica,
preparada como uma peça de marketing, apresentando o assunto a ser tratado,
para entusiasmar o público (alunos), com uma linguagem que alcance toda a
turma.
Em seguida o professor passa para a
primeira fase parte dos estudos dirigidos, reunindo os alunos em grupos
operativos, técnica que foi muito bem desenvolvida por Pichon Riviere em sua
obra de psicoterapia grupal.
Cada grupo, inicialmente, é composto por
alunos com níveis intelectuais e cognitivos semelhantes, e os estudos dirigidos
são preparados rigorosamente dentro do nível de entendimento desses
participantes.
O professor, então, visita cada um dos
grupos, durante todo o restante da aula, verificando as dificuldades e
esclarecendo as dúvidas.
A qualquer momento, quando o professor achar
necessário e conveniente, ele pede a atenção de toda a classe, para passar
alguma informação de interesse geral.
Nas semanas posteriores o professor já
analisa se pode mesclar os grupos com alunos em diferentes níveis de
intelectualidade e entendimento, para que todos possam aprender a ajudar a
todos.
A aula inclusiva – parte inclusiva
Sempre que houver uma oportunidade o
professor deverá programar atividades lúdicas pedagógicas, dentro de seus
assuntos, de forma que os alunos especiais tenham praticamente a mesma
facilidade que os alunos ditos normais.
Isso pode ser feito em forma de jogos,
brincadeiras, desenhos, pinturas, etc.
Para preparar os alunos regulares para essa
parte da inclusão propriamente dita, é necessário a realização de Assembleias
de Classe, quando os alunos são levados a entender as dificuldades do colega
especial e são estimulados a colaborar com o seu aprendizado e com a sua
inclusão no grupo.
A aula inclusiva – a avaliação
A avaliação do aluno especial tem que ser
preparada de forma que o professor tenha certeza de que ele saberá responder a
todas as questões, porque essa avaliação servirá, principalmente, para dois
objetivos:
Elevar a autoestima do aluno e quebrar os
bloqueios impostos pela violência simbólica sofrida durante toda a sua vida;
Mostrar para o professor se o seu método de
ensino está correto ou se precisa ser alterado.
Isso significa que se o aluno não obtiver
bom resultado na avaliação preparada pelo professor, a avaliação é que está
incorreta, e não o aluno!
A nota baixa significa que o aluno não foi
devidamente preparado para o nível avaliativo que o professor preparou. Nesse
caso o professor refaz a avaliação no nível que o aluno possa responder.
O aluno especial, então, chegará ao final
do ano letivo, com notas que mostrem a eficácia do trabalho realizado pelo
professor em cada etapa do seu desenvolvimento intelectual e cognitivo.
Essas notas são sempre acima da média
mínima para aprovação daquela escola, já que a evolução desse aluno é medida em
comparação com o nível dele mesmo no mês anterior.
Haverá, obrigatoriamente, um relatório em
anexo com todos os detalhes importantes do acompanhamento realizado durante
todo o ano letivo, para facilitar a continuidade do trabalho pela próxima
escola ou pelo próximo professor.
Casos especiais
Há alunos que apresentem falha na memória
de longa duração, ou seja, lembram do que está sendo ensinado naquele momento,
mas não são capazes de gravar na memória de longa duração, o que significa que
amanhã terão que aprender tudo novamente.
As avaliações desses alunos devem ser
realizadas no mesmo dia do aprendizado, e as suas respostas corretas devem ser
reconhecidas com alegria, pelo professor, para que a autoestima elevada
possibilite o trabalho interno do cérebro, no sentido de ir corrigindo esse
bloqueio emocional ou até, quem sabe, uma possível falha neurológica.
Exemplo de abordagens em diferentes níveis
na mesma classe
Classe oitavo ano Ensino Fundamental.
Matéria: Geografia
Assunto: Vizinhos dos Estados Unidos
Enquanto os alunos do nível 8º ano estão
estudando as diferenças econômicas e sociais dos vizinhos dos EUA, os de nível
intelectual de 1º ano estão grifando os nomes dos países e copiando em outra
folha, e os de nível de educação infantil estão pintando os mapas para
desenvolver a coordenação motora.
Para as avaliações, os de nível de 8º ano
responderão as perguntas previstas no livro, enquanto os de nível de 1º ano
farão cópias das frases com os nomes dos países ou exercícios de associação
entre mapas e nomes, e os de nível de educação infantil terão mais mapas para
colorir.
As notas dos do nível 8º ano serão as que
os alunos obtiverem mesmo, mas as de outros níveis serão sempre acima do
mínimo, para elevar a sua autoestima e facilitar a quebra dos bloqueios
emocionais sempre existentes nos alunos com dificuldades de aprendizagem.
Conclusão
Para saber como acompanhar o aluno
especial, como escolher a turma que ele vai estar incluído e como fazer suas
avaliações, basta que o professor tenha a boa vontade de entender qual a
finalidade de esse aluno estar na escola, e o que ele (professor) pode fazer
para ajudar esse aluno a aprender sempre alguma coisa a mais e desenvolver
habilidades que o permitam alcançar sua autossuficiência pessoal e profissional.
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