segunda-feira, 6 de março de 2017

Reflexões sobre um menino na escola

De repente surge, na escola, um menino!

Todos olham espantados!

Vejam aquilo: um menino!

Como será que ele nos ouve? Como será que ele nos enxerga? Como será que ele nos compreende? O que será que ele sabe da vida? Quais são os conhecimentos que ele tem? Será que ele fala? Como ele se comunica? Como será que nós poderemos entende-lo? O que será que ele pode aprender conosco? 

O que será que poderemos aprender com ele?

Pois é! Parece estranho o que eu disse?

Pode parecer estranho, mas esse procedimento deveria ser o certo!

Mas, pena que isso não aconteça em nossas escolas.

Isso talvez acontecesse em Antares, ou em algum outro sistema estelar, se um menino do nosso planeta tivesse sido abduzido por uma nave espacial alienígena e levado para lá.

Aí sim, esse menino seria analisado em suas habilidades e conhecimentos para que, a partir daí ele começasse a ser instruído com os conhecimentos que, aos poucos, ele fosse sendo capaz de entender.

Mas estamos no planeta Terra!

Aqui em nossas escolas os meninos ao entrarem em uma escola são considerados todos iguais, com as mesmas habilidades, com a mesma capacidade de aprender, com os mesmos conhecimentos básicos, mesmo que esse menino seja autista, seja disléxico, seja discalcúlico, seja microcéfalo, ou tenha lá a característica intelectual ou cognitiva que tiver.

Suas diferenças serão ignoradas e ele vai ter que aprender da mesma forma que todos os outros, ou melhor, ele vai receber as mesmas instruções que todos os outros, mesmo que não esteja entendendo uma só palavra daquilo que está sendo mostrado a ele.

Mas não faz mal. A escola, ao final do ano, vai colocar em seu histórico escolar:

Notas obtidas: 0,0 (zero)

Aprovado por ser aluno especial.

E pronto!

Nossa obrigação está cumprida, lavamos as mãos, e vamos para casa satisfeitos com o dever cumprido.

Mas, quanto ao aluno?

Ah, bom! Faltou pensar no tal menino.

Esse, que já vem sofrendo uma violência simbólica desde que nasceu, vai perder tudo o que restava da sua autoestima, vai se considerar inferior a todo o resto da humanidade, nunca mais vai conseguir aprender coisa alguma, vai desistir da escola e ficará eternamente na dependência de alguém para sobreviver.

Então nossa escola é assim?

Sim! Infelizmente é exatamente assim que pensam muitos professores, coordenadores e dirigentes escolares por esse nosso mundo...

Não bastou Comenius, em sua Didática Magna, escrita e publicada ainda no século XVII, dizer bem claro que:

“Age idiotamente aquele que pretende ensinar aos alunos não quanto eles podem aprender, mas quanto ele próprio deseja”

Então, vamos refletir um pouco:

Antes de decidirmos o que devemos fazer com algum menino na nossa sala de aula, vamos tentar entender quem é ele, como ele nos entende, como ele lê, como ele ouve, como ele processa as informações, como ele raciocina, quais os seus conhecimentos básicos, quais as suas habilidades e tudo o mais, para, aí sim, começarmos a trabalhar com ele.

Partir do princípio que todos são iguais seria muito prático para nossa atividade docente, mas, na realidade, poderemos estar cometendo um verdadeiro crime de abandono intelectual!

E o mais interessante é que, quando estávamos estudando os teóricos da educação, todos diziam que a educação, a aula, os conteúdos, as tarefas e as avaliações devem tomar como centro o aluno!

Só esqueceram de nos avisar, com mais clareza, que esse “o aluno” não é uma padronização de cérebros com o mesmo conhecimento e as mesmas habilidades, mas que cada aluno tem as suas características especiais, e que assim, cada um deverá receber uma atenção de acordo com as suas características específicas.

Então, seguir um cronograma educacional padronizado para uma série escolar só funciona para os alunos, daquela sala de aula, que estiverem no mesmo nível cognitivo e intelectual.

Os demais precisam que esse conteúdo esteja adaptado à sua realidade de entendimento, raciocínio e elaboração.

Assim sendo, ao dar uma aula para os alunos de sua sala de aula, esteja seguro de que suas palavras e seu ensinamento está sendo entendido por todos, incluindo o autista, o disléxico, o discalcúlico, o microcéfalo e todos os demais.

Como dar uma aula assim?

Experimente a aula por dinâmica grupal, que serve tanto para uma sala com todos os alunos no mesmo nível, como para alunos em diferentes situações de aprendizagem.

Assista o vídeo sobre o assunto e experimente. Se quiser mais detalhes, escreva para nós. Essa metodologia foi baseada nos Grupos Operativos, de Pichon Riviere.

Como passar tarefas e avaliações em sala com alunos especiais incluídos? As tarefas têm a mesma capa, as mesmas figuras, os mesmos desenhos, mas os conteúdos terão que estar exatamente dentro da capacidade de entendimento e elaboração de cada um dos alunos com dificuldades de aprendizagem.

Se não for assim, de que vai adiantar passar uma tarefa para um aluno que, ao tentar lê-la, nada entende do que está ali escrito?

Mas se o conteúdo estiver adaptado à sua compreensão, embora com o mesmo formato, os alunos especiais não se sentirão diferentes.

Se eles perceberem que as tarefas ou avaliações são diferentes, a resposta é bem simples:

Todas são diferentes, para evitar que um copie a do outro! Só isso!

E as tarefas para casa?

Infelizmente os pais de grande parte dos alunos especiais não aceitam a deficiência do próprio filho, e assim só atrapalham o seu desenvolvimento.

Por isso, o professor só deve passar para casa, as tarefas que ele tem certeza absoluta de que o aluno especial saberá resolver sozinho!

De preferência esse aluno já deve ter resolvido tarefa semelhante na sala e, assim, a tarefa para casa servirá para elevar a sua autoestima, já que os pais ficarão espantados positivamente, por ele resolver sozinho, além de elevar a autoestima dos próprios pais, que assim não atrapalharão o desenvolvimento de seu filho.

No mais, o que precisamos ter bem claro em nossa mente, todas as vezes em que temos um aluno de inclusão, é que o ponto principal de todo o processo é elevar, e manter elevada, a sua autoestima, todo o tempo.

Fazendo assim teremos certeza de que o cérebro desse menino estará trabalhando a favor do seu desenvolvimento, reduzindo as suas deficiências e aumentando a sua capacidade cognitiva e intelectual.

Mas para que isso dê certo, é melhor que coloquemos um quadro bem grande na sala dos professores, nas secretarias de educação, nos conselhos municipais e estaduais de educação e no MEC, com a frase que Comenius criou, em sua Didática Magna, do século XVII, e que repetimos aqui:


“Age idiotamente aquele que pretende ensinar aos alunos não quanto eles podem aprender, mas quanto ele próprio deseja”

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Reflexões sobre o Sentido da Vida


Amigos,

Qual o sentido da vida? O que somos? Quem somos? Por que somos? Temos uma missão ou estamos aqui por mero acaso? Somos uma evolução ou somos uma criação?

Dar uma resposta para isso é o desejo de muitos cientistas, entre eles Stephen Hawking, em seu livro “O Grande Projeto”, quando ele disse que, em sua obra, essa resposta não será “42”!

“42”?

Sim! Quem leu o “Guia do Mochileiro das Galáxias” de Douglas Adams, sabe que, ao perguntarem ao robô sobre o sentido da vida, do universo e tudo mais, ele deu um prazo de milhares de anos para realizar os cálculos e descobrir a resposta. Ao final, sua resposta foi: “42”!

Mas não pretendemos ir tão longe! Nem imitar Douglas Adams, nem tentar explicar as ideias de Stephen Hawking!

Queremos coisa mais leve, coisa mais dentro de um entendimento normal, bem próximo de nossos sentimentos e emoções.

E para isso vamos procurar entender, inicialmente:

Quem você é, ou o que você é, de fato para, em seguida, entender como fazer para se comunicar com o seu próprio eu!

Sempre acreditamos que somos uma unidade única, que somos donos de nós mesmos, e que controlamos nossas ideias, nossos pensamentos e nossos impulsos.

Nada disso!

Somos um imenso conjunto de quase 100 trilhões de seres vivos, vivos mesmo, e que chamamos de células.

E tem mais!

Tudo o que pensamos, fazemos, falamos e decidimos, nada mais é do que o resultado de uma infinidade de cálculos, realizados por uma programação de algoritmos complicadíssima, tudo isso processado por milhões de redes neurais, em parceria com essas trilhões de células espalhadas por todo o nosso corpo!

Isso tudo somos nós! Ou seja: gerenciamos essa infinidade de seres, cada um deles com sua própria programação de vida e todos imprescindíveis, para que o conjunto, ou seja, aquilo que chamamos de “eu”, em cada um de nós, possa existir!

Para controlar tudo isso existe um comando central. A ciência médica, contestando alguns filósofos, tirou esse controle do coração e o levou para o cérebro.

Mas parece que os filósofos estavam certos... Pesquisas recentes contestam os contestadores e levam o controle central de volta para o coração.

Essa é a nova realidade, que vem sendo estudada desde que foram identificadas sérias mudanças de comportamento, personalidade e temperamento, por parte de pessoas que receberam um coração transplantado.

Em outro momento falaremos sobre isso.

Nosso cérebro, então, pode ser entendido como?

A fabulosa máquina que processa todas os comandos motores, pensamentos, raciocínios, decisões e tudo o mais.

Tudo, entretanto, de acordo com uma característica pessoal, uma identidade real, um eu verdadeiro que, ao que tudo indica, está no coração.

E imaginem que no coração temos apenas 40.000 células neurais, mas essas 40.000 emitem um campo magnético 5.000 vezes mais intenso que todo o campo magnético emitido pelas quase 100 bilhões de células neurais existentes em nosso cérebro!

Ou seja, o coração tem uma importância fundamental no comando da nossa mente, embora ele tenha sido estudado, durante tanto tempo, como uma simples bomba para fazer circular o sangue pelo corpo...

Somos, então, o que nosso coração é!

Saber disso já é um bom começo, para darmos a devida importância a esse órgão.

Sabemos que nossas emoções são sentidas pelo coração. Isso é muito claro para nós.

Então, estarmos bem, emocionalmente, pode ser a chave para que toda a nossa mente, que engloba o coração, o cérebro e todo o DNA espalhado por cada parte do nosso corpo, funcione em toda a sua plenitude!

Mas quem, ou o que, vai estimular toda essa máquina, composta por corpo e mente, a cumprir corretamente suas programações, evitando assim todos os males comuns em nosso dia-a-dia, incluindo doenças, neuroses, tristezas, angústias, estados depressivos, e tudo o mais?

É exatamente aí que entra a nossa consciência! A consciência programadora.

Se nos dedicarmos a dar o devido valor ao coração e a todas as nossas células, estaremos programando uma vida mais saudável e mais feliz.

E se fizermos isso diariamente, teremos vida mais saudável e mais feliz, diariamente!

Então basta começar o dia com uma concentração mental forte, direcionada ao coração e a todas as células do corpo, procurando sentir a sua vibração.

Isso pode ser feito a qualquer momento, mas minha preferência é logo após acordar. Acordar, ir ao banheiro, beber um copo d’água e deitar novamente.

Nessa posição, sem precisar forçar qualquer músculo, em relaxamento total.

Mentalizar até sentir a vibração das células, como se todas elas estivessem respondendo ao nosso chamado.

Sentir a geração das suas energias por todo o nosso corpo.

No início pode ser que sejam sentidas poucas vibrações. Por vezes sente-se apenas a vibração das células dos pés. Mas com o passar dos dias o efeito já é sentido por todo o corpo.

E durante essa vibração mentalize seus melhores desejos, porque essa energia transpassa o corpo e se projeta no ambiente e nas pessoas.

Imagine sua saúde perfeita, sua memória perfeita, sua capacidade de amar a si mesmo e sua capacidade de compartilhar seu amor com os outros e com o mundo, etc. Imagine tudo de bom!

Imagine sua prosperidade, o sucesso de todos os seus empreendimentos, estudo, trabalho, família, amigos.

Lembre-se de passar alguns minutos em silencio, curtindo essa vibração celular, cujo prazer se torna mais intenso a cada dia.

É você se comunicando com todo o seu ser, com a verdadeira essência de sua vida.

É você gerando, com a parceria de todas as células, a energia do seu amor interior.

Esse amor que traz sentido à sua própria vida e que, ao ser compartilhado, levará também mais sentido à vida dos que convivem com você.

Esse é o primeiro passo para a construção do amor interior, que vai ser imprescindível, para a harmonia entre mente e corpo.

Essa harmonia vai ajudar bastante na compreensão de todos os desafios que possam aparecer daqui por diante.

A partir dessa sensação de prazer diária, suas próprias células estarão agradecendo essa parceria, e o conjunto corpo e mente estará trabalhando a seu favor.

Esse processo pode ser entendido como o da construção do verbo fundamental, que traz, como sentido da vida, amar e conhecer.

Amar, porque você cria, de forma permanente, o seu amor interior.

Conhecer, porque com a energia do amor você tem mais disposição e empolgação para praticar o conhecer.

E com amor verdadeiro e conhecimento de mundo, surge a sabedoria.

Essa sabedoria se desenvolve quando ao verbo original se junta o compartilhar.

Amar – conhecer – compartilhar

Fazendo isso a cada dia, como se fosse o único, a construção da felicidade passa a ser o sentido da vida.

Pensem muito nisso, amigos!

E sejam felizes!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Escola invertida - implantação por dinâmica grupal

Conceito de Escola Invertida

A metodologia difundida como sendo de uma “sala de aula invertida” nada mais é do que uma sala de aula comum onde os alunos, ao chegarem para a aula, já fizeram uma leitura prévia na véspera.

Aos poucos, essa leitura prévia, a depender das condições de cada aluno ou da própria escola, pode significar que o aluno assistiu a vídeo-aulas sobre o assunto, pesquisou em biblioteca física ou virtual, debateu com colegas em estudos em grupo ou via redes sociais, e tudo o mais que possa dar a ele uma boa noção do assunto, antes mesmo que o professor o apresente em sala.

Quando tudo isso ocorre, o momento da aula passa a ser um momento de debate entre alunos e professor, transformando o tradicional aluno passivo, característico de uma aula regular meramente expositiva, em um interessado aluno ativo em uma aula onde o ponto alto é o diálogo aluno-professor, onde o aluno mostra o que entendeu, permitindo ao professor, com muito mais facilidade, ampliar a compreensão e garantir melhor aprendizagem.

Dificuldades de implantação “por decreto”

Diversas escolas têm tentado implantar essa metodologia, ao longo de muitos anos, mas muitas não tiveram o sucesso esperado, principalmente por não terem conseguido convencer a totalidade dos alunos a realizarem essa leitura prévia.

Em algumas universidades americanas a solução foi divulgar a metodologia e criar turmas regulares e invertidas para que os alunos escolhessem em qual desejariam se matricular.

Ao final de um período de testes sempre se verifica melhor aproveitamento entre os alunos que optaram pelo método invertido.

Mas o que se percebe é que esses alunos, mesmo em sala regular, já trazem o costume da leitura prévia, independentemente de o professor adotar ou não tal método.

Mais uma vez, então, percebe-se que não houve sucesso, porque não se conseguiu convencer os demais alunos a adotarem tal processo de estudo, o que seria uma garantia na melhoria do aprendizado de todos os alunos de uma instituição.

Então, algo precisa ser feito, para que esse método seja implantado, mas não “por decreto”, pois já se viu que não dá resultado, mas por alguma estratégia de convencimento coletivo, que é o que vamos ver no método da “dinâmica grupal”.

Processo de implantação – conhecimentos básicos necessários

Para analisar a estratégia que mais tem dado certo até hoje durante todas as experimentações realizadas pelos professores-pesquisadores ligados ao IUPE, precisamos lembrar algum conhecimento básico sobre o processo de aprendizagem.

Aprendizagem

Aspectos psicológicos

Toda pessoa precisa estar bem equilibrada emocionalmente para que o processo de aprendizagem funcione de forma eficaz.

E é importante que todo educador saiba que, para o aluno alcançar esse equilíbrio emocional, ou seja, estar livre de neuroses, ele precisa estar satisfeito na sua fase de desenvolvimento orgânico e psíquico.

Como a satisfação correta dessas fases depende da família, surge a necessidade de ser planejado pela escola um programa de Treinamento Parental.

Os elementos para esse treinamento podem ser encontrados no meu livro Afetividade na Educação, da página 77 à página 99.

Aspectos neurofisiológicos

Além disso existem as características naturais de desenvolvimento, tanto da substância branca como da substância cinzenta, que são as redes neurais responsáveis por todo o comando cerebral do nosso organismo.

Em alguns momentos, como na adolescência, a energia necessária ao desenvolvimento das características sexuais reduz a energia que antes estava toda direcionada para o desenvolvimento intelectual.

Com isso, o aumento da massa cinzenta no controle de desenvolvimento sexual pode significar uma redução considerável na massa do intelecto, a menos que esse aluno esteja com uma boa ativação intelectual por meio da uma rotina prazerosa de estudos e pesquisas.

Elementos para esse entendimento poderão ser encontrados em nossos artigos sobre neurofisiologia da aprendizagem no portal IUPE – pesquisas - artigos.

Aspectos neurológicos

O principal dos aspectos neurológicos são os que mostram como se dá o processo da aprendizagem, ou seja, inicia com o registro diário das informações pelas redes neurais localizadas no hipocampo, para mais tarde, durante o sono, essas informações serem transportadas para as para as áreas corticais correspondentes, configurando a memória consolidada.

Esse processo pode ser mais bem entendido pela leitura do nosso artigo neurologia da aprendizagem no portal IUPE – pesquisas – artigos.

Dinâmica Grupal em Sala de Aula

Com esse conhecimento prévio podemos, então, analisar cada passo a ser dado na implantação, pelos professores, da metodologia de “Dinâmica Grupal em Sala de Aula”, que é o que vai, de forma muito sutil, levar os alunos a perceberem que, se fizerem uma leitura prévia dos assuntos dados em aula, terão muito mais tranquilidade e aprendizagem.

Marketing do assunto (estimular o interesse)

Toda aula deve ser iniciada com um “marketing” do assunto, para aguçar a curiosidade e, assim, estimular o interesse e despertar a atenção.

Para isso é sempre bom que o professor esteja se atualizando com as notícias da semana, principalmente aquelas que são do conhecimento dos alunos.

Esse marketing deve ser feito em uma linguagem que alcance todos os alunos da turma, incluindo aí os alunos especiais que porventura houver na sala.

Divisão da turma em Grupos Operativos

Feito o marketing, parte-se para a transformação do aluno, antes passivo, agora em ativo, quando ele vai trabalhar, em seu caderno, respondendo ao roteiro ou questionário ou lista de exercícios, referente ao assunto, consultando, em grupo, o livro texto.

Para isso os alunos são distribuídos em grupos de trabalho, uma adaptação dos “Grupos Operativos” criados por Pichon Riviere.

A composição dos grupos deve variar, a depender das observações do professor, para que se obtenha bons resultados nesse estudo dirigido. A frequência e a forma de se fazer essa variação vai depender das características de cada turma e das observações do professor.

Os roteiros ou questionários ou lista de exercícios

A preparação desse roteiro deve ser feita de forma que, ao responder, o aluno estará mostrando que realmente aprendeu o assunto.

Para isso o roteiro deve abranger a totalidade dos conceitos apresentados no capítulo ou parte do capítulo do livro, cujo tema seja o assunto dessa aula.

Havendo aluno especial em sala, seu roteiro deverá ter o mesmo título, os mesmos desenhos, as mesmas cores, mas as questões deverão ser preparadas rigorosamente dentro da sua capacidade de entendimento.

Acompanhamento de cada grupo com registro de performance pessoal

Durante o trabalho dos grupos o professor visita cada um deles, procurando analisar a performance de cada um, registrando as características de cada componente dos grupos e identificando dúvidas que possam constituir uma dúvida geral.

Nesse caso o professor interrompe o estudo de todos os grupos e chama a atenção de todos para a explicação, agora sim, expositiva, que ele dará para todos.

Essa é a segunda parte expositiva da aula, mas somente no momento em que surgirem as dúvidas.

Dessa forma essa parte expositiva terá muito mais atenção de toda a turma do que as tradicionais aulas expositivas de todo o assunto.

Terminada a explanação os grupos voltam ao seu trabalho ativo seguindo o roteiro.

Dica sobre explanação de dúvidas

O professor pode, em vez de dar a explicação da dúvida, designar algum aluno para isso, tornando, assim, a aula mais dinâmica ainda.

“Dica” inclusiva no caso de haver aluno especial

Havendo alunos especiais na turma, uma boa dica para facilitar a inclusão, é a inserção de uma questão final, no roteiro, que seja de entendimento geral, inclusive dos especiais, para que todos possam resolver, de forma lúdica, misturando todos os alunos, sejam eles especiais ou não.

Um bom exemplo foi dado em uma aula de geografia para uma turma do 8º ano sobre Continente Americano, quando a última questão do roteiro era um mapa para ser colorido.

Nesse momento todos os alunos foram para o chão, misturando-se com os especiais, colorindo seus mapas.

Avaliações - Preparação para Sala de Aula Invertida

Pontuação processual em grupo

Em cada uma dessas aulas o professor pode, ao terminar, dar uma nota para cada grupo e, até, caso em algum grupo tenha um componente sem muita dedicação, uma nota para esse grupo diferente da nota do componente, assim estimulando todos ao trabalho.

Lembrem que em todos os cursos de pedagogia e matérias de licenciatura é ensinado que as avaliações mais eficazes são as avaliações processuais.

Na realidade sabemos que isso é ensinado e, embora todos os professores respondam dizendo que suas avaliações são dessa forma, é muito comum vermos apenas provas padronizadas em dois momentos. Uma no meio da unidade letiva e outra no final da unidade.

Nessa metodologia as avaliações são, verdadeiramente, processuais, como todos os professores dizem fazer.

Grupos que demonstraram leitura prévia são reconhecidos publicamente e recebem maior pontuação

Para começar a estimular os alunos à leitura prévia (característica principal da escola invertida) o professor pode, ao dar uma boa nota para um determinado grupo, reconhecer em público que eles alcançaram aquela nota por terem feito a leitura prévia do assunto trabalhado.

Avaliações individuais tradicionais confirmam a aprendizagem ou indicam a necessidade de mudança de procedimento

Em diversos momentos devem ser realizados testes ou provas individuais, com os alunos distribuídos de forma tradicional, para que sejam verificadas as dificuldades que porventura não tenham sido detectadas durante os trabalhos em grupo.

Ao detectarmos, por meio dessas avaliações individuais, alguma discrepância de aprendizagem, é o momento de esses alunos serem analisados em suas dificuldades para o planejamento de providências específicas.

Observação importante:

Os professores poderão inserir, em seu planejamento, aulas lúdicas, debates, jogos, passatempos e diversões, tudo sempre com conteúdo do assunto da matéria, para evitar que o processo do “aluno ativo” no estudo dirigido fique muito cansativo.


Essas aulas lúdicas podem servir como uma avaliação por meio de disputa de grupos, após o estudo e um capítulo de cada unidade letiva, por exemplo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Amor adolescente X ódio social

Amigos,

Os bárbaros crimes que estamos observando hoje entre presidiários de alta periculosidade parecem estar espantando a todos.

Eu, na realidade, já esperava por isso! Não exatamente nesse nível de barbaridades, com detalhes piores do que muitos filmes de terror!

Mas é óbvio que, se há ódio na sociedade aqui fora, entre pessoas consideradas normais, como achar que esse ódio não será pior e mais forte ainda entre pessoas que escolheram o mundo dos crimes?

Só que acaba existindo uma relação entre a intolerância aqui fora e a barbaridade dos crimes lá dentro, aumentando, aqui e lá, esse clima de insegurança e agressividade gratuita!

Os fatos estão se somando!

Por isso que, a partir desses fatos, precisamos todos estar muito atentos aos fatores que estão permitindo a construção do ódio social, essa construção que está ocorrendo principalmente entre adultos, e que está trazendo insegurança a todos nós.

Essa atenção deve começar dentro de nós mesmos, para evitar que sejamos contaminados por essa intolerância crescente e agressiva.

Esse mal está tão disseminado que é muito comum percebermos que simples opiniões diferentes estão transformando amigos em inimigos!

A partir disso é bom começarmos a tomar um certo cuidado, não ao ponto de ficar neurótico, mas tomar um certo cuidado, com os ambientes que frequentamos, com o comportamento das pessoas que nos cercam e com a maneira como procedemos em relação a pessoas desconhecidas, para evitar que atitudes nossas possam sejam entendidas como atitudes de provocação.

Agindo dessa forma estaremos evitando que essa verdadeira “onda agressiva” chegue até nós.

Embora esse clima esteja sendo montado há muitos anos em nosso país, principalmente devido a uma, nem sempre sutil, parceria entre Estado e o Crime Organizado, não é hora de falar das responsabilidades do que está havendo, mas sim da forma como podemos tentar sobreviver a isso.

Quando falo “Estado” estou me referindo ao sistema governamental como um todo, envolvendo autoridades do executivo, do judiciário e, mais evidente ainda, do legislativo, com congressistas totalmente patrocinados pelo tráfico de drogas.

Mas vou me concentrar em nós, pessoas normais e, mais importante ainda, falo para meus amigos e alunos adolescentes, seus pais e seus professores, para que a nossa parte seja feita imediatamente, e assim, aos poucos, construirmos uma sociedade mais humana, mais responsável, mais honesta e com mais caráter!

Se vocês repararem bem, a solução existe, porque, ao mesmo tempo em que se constrói o ódio (mais frequente entre adultos), está havendo, também, a construção do amor, só que esse amor mais concentrado na faixa etária da adolescência!  

E é aí que se encontra a solução! O foco deve ser o adolescente, onde a cultura do amor já existe naturalmente e ainda não foi deformada pela má influência do adulto mal resolvido!

Focando nesse amor como cultura social a ser implantada, estaremos reduzindo, ou até eliminando, o espaço que hoje está sendo utilizado como cultura do ódio!

Vamos analisar?

ADULTOS

Entre os adultos está frequente a parte da construção do ódio!

Observamos desavenças sérias e discussões acaloradas entre amigos (que acabam se tornando ex-amigos ou inimigos) por causa de opiniões diferentes em relação a um mesmo assunto.

Ninguém aceita que um amigo possa discordar de suas opiniões políticas, esportivas, religiosas, ou sobre qualquer outro assunto. Se alguém tem opinião diferente é considerada ignorante, desinformada, mal caráter.

Principalmente entre recém-formados em diversos cursos universitários, o que se percebe é a adoção de extremismos e radicalismos, formando-se grupos de combate à opinião diferente, como se essas fossem estragar a sua ilusão de mundo...

Há um fechamento mental seríssimo, impedindo as pessoas de analisar argumentos que poderiam fazer com que entendessem as opiniões diferentes. Só aceitam a unanimidade. Esquecem que a unanimidade já foi muito bem definida, por Nelson Rodrigues, como burra!

O exemplo diário dessa intolerância que alimenta o ódio pode ser visto no trânsito dos grandes centros urbanos.

ADOLESCENTES

Já entre adolescentes, entretanto, existe a construção natural do amor, e que hoje está muito mais livre e em níveis nunca percebidos antes!

Observem que a relação de amizade com declaração de sentimentos positivos, que antes só era percebido entre meninas, hoje é comum também entre meninos.

Não há mais o receio, que antes havia,  de um menino elogiar um colega pela sua beleza física ou pela sua forma de se vestir e de se portar, embora com a utilização de termos menos melosos do que os utilizados pelas meninas, mas ainda assim bem afetivos.

Entre as meninas são os “linda”, “amo você”, etc...

E entre os meninos estão os “tá top mano”, “gatão cara”, etc...

É uma relação afetiva sem medo de discriminações nem de mal-entendido.

Isso mostra que é possível se construir um clima de afeto entre todos, independentemente de serem meninos ou meninas e independentemente de qualquer tipo de atração física ou sexual, coisa que poderá até surgir a partir daí ou bem mais tarde.

Lembrem que estamos falando de afeto e de amor fraternal. Não estamos falando de sexualidade.

Mas o problema vai aparecer quando esses meninos, ao evoluírem academicamente, se deixarem regredir mentalmente, eliminando essa afetividade pura, ingênua e positiva e criando pensamentos extremistas que trocarão, aos poucos, a construção desse amor, pela construção das raízes do ódio social!

A partir do momento em que surge essa troca de objetivos, emoções e sentimentos, tudo fica mais difícil, fazendo surgir a intolerância, a irritabilidade e a agressividade gratuita!

Por isso existe a necessidade de ação imediata, ação interior em cada um de nós, para que a cultura da afetividade, por meio do amor fraternal, seja nosso objetivo de cada dia!

Não interessa se parentes, amigos ou colegas estejam no caminho inverso, porque é o exemplo dado por cada um de nós, por nossas atitudes, que vai acabar estimulando a mudança dessa mentalidade tacanha.

A estratégia para essa construção consiste em aproveitar todas as oportunidades que você tiver para fazer um elogiar a um amigo, para comentar sobre as qualidades dele, para estimulá-lo a desenvolver os seus talentos e, se houver clima, para abraçá-lo!

Nada forçado, por isso o “se houver clima”, mas nada de deixar passar as oportunidades que surgirem, porque o abraço sempre é uma troca de energia afetiva que amplifica e dá sentido ao amor interior de cada um de nós.

Nesse mesmo sentido é importante ouvir o amigo. Simplesmente ouvir, mas com atenção e dedicação, sem interrompê-lo, procurando se interessar pelo que ele quer expressar.

Esses momentos podem ser definitivos na eliminação de uma carência afetiva de muitos anos! Ter alguém para nos ouvir é o melhor remédio para ansiedades, angústias e estados depressivos!

Se dedicar a ouvir também faz bem a cada um de nós, principalmente quando percebemos o quanto fomos úteis aquele amigo.

Abraçar, ouvir, compreender, estimular e elogiar o amigo traz satisfação para quem recebe, mas também para que faz!

E isso constrói uma segurança emocional que vai servir para aumentar a autoestima e o equilíbrio emocional, não só dele, mas também seu.

Pessoas com autoestima elevada, satisfeitas com a vida e equilibradas emocionalmente, são pessoas que mais facilmente se tornam inteligentes e sábias.

E essa inteligência e essa sabedoria aumentarão ainda mais na medida em que for desenvolvida, não só a capacidade de ouvir o amigo, mas principalmente de ouvir as opiniões diferentes e até contrárias às suas e de analisar todos os argumentos com muita neutralidade.

E não é só pelo fato de ser tolerante com o oposto, mas sim de compreender as razões dessas opiniões e aprender a respeitá-las, mesmo que a sua opinião continue completamente diferente.

É importante estar ciente de que todos têm o direito de ter opiniões diferentes e é bom aprender a respeitar isso em qualquer um.

Agindo assim estaremos construindo um clima de compreensão mútua, que aos poucos poderá reduzir, ou até eliminar, esse clima intolerante e agressivo que estamos vivenciando à nossa volta.


Essa é a minha opinião!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Adolescência II - dúvidas e questionamentos


Hoje vamos tentar esclarecer duas das dúvidas que meus amigos, adolescentes, estão enviando:

1ª pergunta:

“Sou hiperativo e me disseram para gastar energia praticando esportes. Jogo futebol e fico mais impulsivo e inquieto ainda depois que jogo! O que está acontecendo? Já me disseram que só mesmo tomando remédio resolve. É verdade? ”

Resposta:

Fazer uso de qualquer medicamento é uma coisa muito perigosa e que deve ser bem analisado, já que todos eles têm efeitos colaterais que, algumas vezes, podem ser até piores do que o sintoma que a pessoa estava sentindo.

Então, antes de pensar em remédios, vamos às atividades físicas.

Elas todas consomem energia, isso está claro!

Mas cada uma delas produz um tipo de efeito diferente no nosso organismo.

Você está praticando exatamente a que mais provoca a agressividade e, portanto, aumenta os sintomas hiperativos!

O futebol tem mais efeito de contração muscular do que de alongamento.

Nesse caso esse efeito é detectado pelo cérebro como uma necessidade de reação, como se você estivesse sendo agredido.

Aí, então, o cérebro provoca uma espécie de sentimento de raiva, fazendo com que você fique mais inquieto, mais explosivo e mais agressivo ainda. Ou seja: aumenta os sintomas hiperativos!

Observe que os jogos de futebol são aqueles em que os jogadores são mais agressivos entre si, coisa muito difícil de acontecer na maioria dos jogos de vôlei, por exemplo, cujo efeito no organismo é exatamente o inverso.

Já nas atividades cujo efeito principal é o alongamento, como o vôlei (que falamos agora mesmo), o basquete, a natação, a corrida, o salto em altura, o salto em distância e o polo aquático, esse alongamento é sentido como satisfação, reduzindo a inquietação, a impulsividade e a agressividade.

Mas se a sua única opção de atividade é o futebol, ou essa é a única que você gosta, procure aprender e praticar um bom exercício de alongamento quando terminar.

Certamente os efeitos da impulsividade serão mais reduzidos e sua inquietação poderá melhorar, mesmo jogando futebol.

Mas, além da atividade física com caraterísticas mais de alongamento do que de contração, é importante reorganizar a sua dieta, se isso for possível, com o auxílio de um nutricionista, para manter todos os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento corporal e cerebral, mas reduzindo os alimentos que provoquem muita energia, como achocolatados, cafés e energizantes em geral.

Vamos a outra pergunta;

2ª pergunta:

Eu passo a maior parte do meu tempo jogando em meu computador ou no celular. Isso pode trazer problema para mim em que?

Resposta:

Há vantagens e desvantagens.

A vantagem dos jogos eletrônicos está no aumento da velocidade de raciocínio.

Mas isso só funciona se não extrapolarmos o limite de tempo seguro para evitar o estresse cerebral, porque ao extrapolar esse limite, toda a vantagem acaba e começa a desvantagem, que é o estresse.

Não isso não acontece só pelo fato de estarmos em um jogo eletrônico ou mergulhado em um computador ou celular não!

Isso acontece com qualquer atividade em que nos dedicamos por tempo muito longo sem intervalo para relaxar.

A emissão de frequências visuais e radiofrequências pela TV, pelo computador e pelo celular apenas intensifica muito mais um problema que ocorre com quando passamos muito tempo em um único tipo de atividade, mesmo que a gente goste muito do quer está fazendo.

Aliás, o fato de gostar ainda piora mais as coisas, porque dificilmente vamos acreditar que estamos ficando estressados devido a uma coisa que a gente goste!

O problema não está em um estresse fácil de ser percebido, porque é um estresse cerebral, que ocorre nas redes neurais que estão ativadas para o exercício daquela atividade.

Faça uma experiência, por exemplo, durante a realização de um trabalho escolar. Se o trabalho é longo e você deixou para fazer tudo de uma só vez, sem intervalo, para dar tempo, a partir de uma hora e meia seu raciocínio já estará muito mais lento do que no início e, além de poder estar errando, está alimentando um estresse que pode trazer ansiedade, angústia, irritação e muito mais.

Se, no entanto, você dá um intervalo a cada hora, usando esse intervalo para fazer algo diferente, o cérebro relaxa aquela área que estava ativa, permitindo que, ao retomar à tarefa, você estará raciocinando mais rápido e melhor.

Então o mesmo acontece se você passa mais de uma hora seguida em um jogo desses (e você comentou sobre o dia todo!).

O certo é dar intervalos regulares e, de preferência, intervalos bem longos, fazendo outra atividade qualquer que não seja no computador nem no celular.

O prejuízo desse excesso começa com estresse cerebral, mas aos poucos vai afetar a sua capacidade de aprendizagem, sua memória, e, aos poucos, pode provocar ansiedades, angústias e insatisfações “por nada”, trazendo, ou irritação e agressividade, ou o inverso, que seria apatia total, falta de vontade de fazer qualquer coisa.

Então a solução é dar intervalos e criar atividades que não precisem do celular nem do computador nem da TV.

Hoje foram essa duas. Em outro vídeo e texto responderei a outras.

Para dar continuidade a nosso assunto, mandem seus relatos, suas dúvidas e seus questionamentos para mim, pelo meu e-mail,


 ou pelo whatsapp

71 9-9624-1011.

O texto desse vídeo vai ser digitado e logo em seguida será publicado no nosso blog:

robertoandersen.blogspot.com

Um forte abraço,

Até nosso próximo encontro.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Felicidade conjugal em "O Livro de uma Sogra"

Amigos,

Sempre que eu reúno professores, a cada início de ano letivo, deixo claro que, para termos sucesso em nossos objetivos precisamos aprender a gostar do aluno e gostar de ensinar.

Mas sempre lembro que nenhum de nós conseguirá fazer isso se não estiver bem resolvido emocionalmente, o que passa obrigatoriamente com estar bem resolvido na relação conjugal.

Mas isso não é apenas para professores. Todos os profissionais estarão melhores em seus objetivos se estiverem bem resolvidos.

Por causa disso, hoje, a nossa conversa é dirigida a nós, adultos, e o tema é:

Como garantir a felicidade conjugal, para sempre!

E não apenas enquanto os corpos estão jovens e cheios de energia!

O assunto é difícil e polêmico, ainda mais em um período em que o amor está sendo confundido com sexo e em que a felicidade tem sido apontada como uma utopia!

Mas nessa abordagem de hoje vamos analisar o que diz Olímpia, na obra de Aluísio Azevedo, “O livro de uma sogra”.

Quem não lembra ou não leu, pode baixa-lo gratuitamente em nossa biblioteca virtual: iupe.webnode.com/biblioteca

Esse é o livro de número 308.

Sabemos que, nos dias atuais, a separação de casais é uma prática tão constante e tão frequente que se tornou tão comum como o desvio de verbas públicas realizados por alguns congressistas. A gente já acha quase uma coisa normal!

Sentir "felicidade conjugal" passou a ser, para muita gente, o momento de uma relação sexual. Mais que isso está sendo visto como uma utopia!

Mas o pior é que essa carência vai afetar todas as demais atividades da pessoa, porque não há como estar bem com as pessoas se não se está bem resolvido em casa!

Então, acho que podemos começar com a análise dos conselhos que Olímpia deixou escrito em seu diário, para ser lido por sua filha Palmira e ao seu genro Leandro.

Olímpia foi bem clara quando disse que a felicidade material, aquela que se funda na vida orgânica da nossa espécie, essa pode ser alcançada em qualquer relacionamento afetivo e sexual. É o que mais se estimula hoje. Sexo pelo sexo! Amor descartável!
Casamento como resultado de simples atração sexual, etc. etc.

Só que essa não garante a continuidade desse sentimento.

Essa é a tal felicidade dos quarenta minutos...

A felicidade mais alta e mais perfeita, a que durará para sempre, e a que ela, Olímpia, só conheceu quando se juntou ao segundo esposo, essa precisa de muito mais do que isso.

Essa, que é, segundo Olímpia, a que se baseia e garante o verdadeiro prazer da vida moral, precisa que cada um dos cônjuges tenha, além do cônjuge, um amigo, um amado de espírito, um eleito da inteligência.

Segundo ela todo homem e toda mulher precisa, não só de um companheiro para sua carne, mas também de um companheiro para sua alma!

Pode parecer estranho, mas o ser humano é um animal social, e precisa satisfazer, também, a sua necessidade de relacionamento afetivo fraternal e intelectual.

Esse é o amor que Olímpia chama de amor da alma, sem relação com o amor conjugal!
“(...)A vida é o amor e o amor não é só a procriação(...)! ”

Olímpia diz que um dos maiores perigos da carne é que ela é egoísta e ainda afirma: “(...)temam o despotismo da carne! A carne é irmã degenerada — é o Caim da alma!
Afastem um do outro, esses dois irmãos irreconciliáveis, para que o ideal não caia assassinado pela besta(...)! ”

Olímpia recomendou aos dois, então, que buscassem o esposo das suas almas, bem longe do leito matrimonial “(...)com os olhos bem limpos de luxúria, com a boca despreocupada de beijos terrenos, com o sangue tranquilo e o corpo deslodado das lubrificações carnais! Minha filha — toma um amante — para teu espírito! Meu filho — elege uma amiga — para o teu coração de homem(...)! ”

E nossa reflexão começa aqui.

Há quem diga que essa neurose da busca pela felicidade estressa muito mais a pessoa do que acomodar-se ao sofrimento.

Realmente! Acomodar-se pode até estressar menos, mas destrói todas as expectativas de vida!

Mas o que pretendo nessa conversa de hoje, é lançar essa reflexão sobre esse pensamento de Olímpia.

Juntar em uma mesma pessoa o amor conjugal, o amor fraternal e o amor intelectual pode ser, mesmo, uma carga muito grande, levando a relação a um sufocamento!

Talvez ela tenha exagerado ao dizer que juntar todos esses amores em uma só pessoa possa fazer com que “(...)o ideal caia assassinado pela besta(...)”

Mas, assim como Freud exagerava muito nas suas interpretações das emoções e sentimentos das crianças, Olímpia pode ter exagerado na interpretação do amor da alma.

Mas vemos que muita coisa tem sentido quando analisamos as brigas conjugais provocadas por praticamente nada!

E briga por nada significa que a relação está desgastada.

E esse desgaste pode ter como causa o sufocamento provocado pela sobrecarga de amores em uma só pessoa.

Pelo que pode ser deduzido do pensamento de Olímpia, a dedicação exclusiva ao cônjuge, fazendo dele o representante de todas as satisfações necessárias, da carnal à intelectual e fraternal, mistura emoções incompatíveis e irreconciliáveis, e pode destruir qualquer casamento!

E ainda segundo essa mesma linha de pensamento, essa destruição tanto pode ser emocional, transformando o casamento em um fardo pesado a ser carregado pelos dois, como pode provocar intolerâncias perigosas, transformadas até em atos de violência doméstica.

Vamos refletir sobre isso?  

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Adolescência: mudanças no corpo e na mente

Amigos,

A partir de agora vamos publicar a série ADOLESCENTES, iniciando com esse vídeo onde comento sobre as três mudanças básicas no corpo e na mente.

Nos próximos iremos direto às perguntas que já estou recebendo por E-Mail, WhatsApp e Face.

Fiquem tranquilos porque as perguntas serão consideradas anônimas, ou seja, anotarei as perguntas e apagarei as fontes, para que todos possam perguntar com total privacidade.


Aqui vai o primeiro da série: Adolescência I – mudanças no corpo e na mente

Essa nossa conversa é com você, adolescente!

A cada dúvida recebida tentaremos explicar da melhor forma possível, para que sirva como uma ajuda a quem não está tendo o apoio necessário nessa fase da vida.

Afinal, quando se passa dos doze ou treze anos, ocorre tanta mudança no corpo e na mente, que muitas delas podem trazer uma série de dúvidas e inquietações.

Se você tem a sorte de ter pais atentos, disponíveis e abertos ao diálogo, maravilha!

É a hora de pedir a eles para reservarem um tempo só para ouvi-lo, para que você possa colocar para fora tudo o que sente, tudo o que pensa sobre o que sente, e assim poderem, você e eles, analisarem o que está ocorrendo e, aos poucos, chegarem a alguma conclusão que o ajude a enfrentar tantas mudanças.

Mas se isso não é a sua realidade, vamos analisar com muito cuidado o que está ocorrendo.

Primeira mudança - aprendizagem

Até agora toda a energia sua estava sendo utilizada para o seu crescimento corporal e para a formação de sua inteligência.

A partir de agora uma grande parte dessa energia está dedicada ao desenvolvimento das suas características sexuais, reduzindo bastante a parte que era usada para a inteligência.

Isso não significa que você emburreceu totalmente, mas, na realidade, significa que algumas dificuldades de raciocínio e de aprendizagem podem ocorrer sim!

Então, é o momento de ter alguns cuidados. Vamos a eles:

Primeiro cuidado:

Não se espantar com a dificuldade de entender os assuntos das aulas, já que isso é natural.

Você não perdeu a capacidade de aprender. Você apenas precisa entender quais são as dificuldades que apareceram, para ver se consegue resolver isso sozinho ou se precisa de ajuda.

Para começar a resolver sozinho, vamos ao segundo cuidado:

Segundo cuidado:

Criar estratégias para que essa dificuldade não lhe atrapalhe e você aprenda tão bem como antes.

Então, para evitar que as dificuldades aumentem, basta que você mude sua rotina de estudos, e siga alguns pequenos detalhes, que vamos definir como técnicas que, embora sejam poucos e simples, mudam tudo e só ajudam!

Vamos ver o que fazer durante a aula e no estudo em casa:

Primeira técnica – anotar ao estudar:

Toda vez que você estiver assistindo a uma aula ou estudando em casa ou em qualquer lugar, esteja sempre com um caderno aberto e anotando.

Essas anotações podem ser de palavras importantes que estão sendo faladas, ou pequenos resumos, ou até uma espécie de fichamento.

O importante é estar escrevendo e, se possível, com uma letra que seja fácil para você mesmo ler depois, para fazer um estudo mais detalhado.

Esse caderno, que serve para anotar durante a aula e serve para anotar durante o estudo, vai ser a base do seu aprendizado.

Por que escrever sempre? Porque o nosso cérebro precisa ser programado para levar para a memória definitiva apenas os assuntos mais importantes do dia.

E a forma de programarmos isso é estarmos ativando a musculatura das mãos durante a escrita ao mesmo tempo em que ouvimos e procuramos entender o assunto dado pelo professor ou lido em um livro.

Segunda técnica – ler o assunto da aula na véspera:

A segunda técnica é a que os países mais adiantados do mundo estão fazendo atualmente, e que se chama de escola invertida.

A coisa é muito simples. Basta ler, na véspera da aula, o assunto que será dado no dia seguinte.

Se, além de ler, você conseguir arranjar tempo para assistir a uma vídeo-aula sobre esse assunto, melhor ainda!

Isso faz com que, na aula do dia seguinte, além de você entender tudo com muito mais facilidade, ainda poderá tirar dúvidas sobre o assunto que, se você não tivesse feito isso, nem saberia que teria tais dúvidas!

Resultado:

Com esses dois cuidados e com essas duas técnicas, você nem perceberá qualquer redução na sua capacidade de entendimento e terá uma adolescência muito mais tranquila e sem estresses.

Em um outro momento nós vamos falar mais detalhes sobre aprendizagem e, principalmente, sobre a forma de desenvolver a inteligência.

Segunda mudança – amor e paixão

Nessa idade a forma de se gostar dos amigos e amigas começa a mudar um pouco. Surgem emoções mais fortes ligadas a alguns deles, e uns passam a ser mais importantes que outros.

E quando essas emoções e os sentimentos começam a ter algum significado, isso pode confundir muito a sua cabeça.

Isso é por causa do desenvolvimento das suas características sexuais. Surgem atrações afetivas mais bem definidas, fazendo com que a presença de algumas pessoas faça o seu coração bater mais forte.

Você tem que estar preparado para saber que isso vai começar a acontecer agora, mas vai continuar acontecendo cada vez mais, para que seu cérebro continue construindo a sua capacidade de relacionamento afetivo.

Quando o adolescente tem alguma carência afetiva em casa é comum ele confundir esses sentimentos com paixão ou amor!

Não é nada disso ainda! Por mais forte que o coração bata, ainda é cedo para isso poder ser visto como paixão ou amor!

Então, para evitar que você sofra à toa, nada deve ser considerado definitivo ainda!

Se você se jogar a um relacionamento desses, pode ter certeza de que poderá se arrepender mais tarde.

Agora o momento é para se dedicar a muitas brincadeiras, atividades físicas, jogos, passatempos e diversões, procurando sempre estar mais ao vivo, ao ar livre, do que mergulhado na virtualidade de um computador ou smartphone.

É o momento de se divertir, brincar, passear, conhecer pessoas novas, mas nada de se prender a alguém, já que tudo está em mudança dentro de sua mente.

Se você tem um hobby, como por exemplo, jogos eletrônicos ou desenvolvimento de programas de computador ou outra coisa qualquer, lembre-se sempre de incluir muita atividade física e muito estudo, para garantir seu desenvolvimento mais equilibrado e sem estresse.

Resultado:

Fazendo isso você terá um desenvolvimento físico e emocional perfeito, estará sempre se sentindo muito bem consigo mesmo e estará livre de um monte de complicações, preocupações e estresses que surgem com as pessoas que se lançam muito cedo em relacionamentos afetivos como namoro, por exemplo.

Terceira mudança – heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade

Nessa fase, como as atrações afetivas estão em pleno despertar e desenvolvimento, é muito comum haver uma grande confusão nesses sentimentos.

E essa confusão, se não for bem esclarecida, pode causar grandes sofrimentos e estragar toda a vida afetiva de uma pessoa.

Se a primeira pessoa a despertar essa batida do coração for um colega do sexo oposto, nenhum espanto ocorrerá, apenas aquela confusão que já falamos, de achar que essa é a única e verdadeira paixão se sua vida, o que já é um grande perigo para a sua felicidade futura, já que é hora de se divertir, mas nunca de se amarrar a alguém!

Mas as coisas ficam ainda piores se essa primeira pessoa é um colega do mesmo sexo!

E como existe uma propaganda muito forte, embora de forma disfarçada, em relação à homossexualidade, é fácil, para o adolescente, ser influenciado.

A confusão na cabeça estará formada, porque isso vai dar oportunidade a você se rotular de homossexual ou bissexual, sem que, na realidade, isso seja obrigatoriamente verdadeiro.

Sabemos todos que a discriminação em relação a isso existe e é muito forte. Não adianta querer “tapar o sol com a peneira”. Sentimentos assim exigem muito cuidado e muita reflexão.

Para começar, caso isso ocorra com você, nunca se rotule disso nem daquilo! Primeiro porque isso vai bloquear a sua própria mente em relação aos outros sentimentos que virão e que, muitas vezes, poderão ser completamente diferentes desses.

A atitude a tomar é exatamente a mesma que comentamos antes, ou seja, o momento é o de se dedicar a muitas atividades físicas e aos seus estudos visando uma profissão que lhe dê futuro e:

Se divertir, brincar, passear, conhecer pessoas novas, mas nada de se prender a alguém, já que tudo está em mudança dentro de sua mente.

Logo de cara saiba que você não tem que se definir heterossexual, homossexual nem bissexual!

Além de ser muito cedo para saber exatamente qual é a sua verdadeira orientação, você não tem obrigação de dar satisfação alguma disso para ninguém!

Aos poucos você vai amadurecer seus sentimentos e perceber qual a sua verdadeira orientação sexual, mas nada disso é definitivo agora.

E no caso de, após o amadurecimento, você chegar a conclusão de que sua orientação não é heterossexual, lembre-se sempre que sua vida afetiva só interessa a você!

O que você deve mostrar para o mundo é a qualidade de seus trabalhos, a qualidade de sua profissão e o valor daquilo que você faz!

A melhor recomendação para se ter uma vida tranquila e feliz, sem interferências externas, é manter em sigilo absoluto três coisas:

- Como é a sua vida afetiva

- Quanto você ganha

- Quais são os seus próximos passos

Divulgar essas três coisas significa dar oportunidade a que todos deem palpites e atrapalharem a sua felicidade.

Para dar continuidade a nosso assunto, mandem seus relatos, suas dúvidas e seus questionamentos para mim, pelo meu e-mail, ou pelo whatsapp.

O texto desse vídeo vai ser digitado e logo em seguida será publicado no nosso blog:

robertoandersen.blogspot.com

Um forte abraço,


Até nosso próximo encontro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Educação Inclusiva - detalhe importante! Não pode ser exigido LAUDO MÉDICO para que o aluno especial frequente o AEE (Atendimento Educacional Especializado)!

Tenho comentado isso em todas as minhas palestras, mas até os fiscais das Secretarias de Educação parecem não saber disso!

Tenham sempre em mãos a NOTA TÉCNICA Nº 04/ 2014/ MEC/ SECADI/DPEE de 23/01/2014, que diz claramente:

"(...)Neste liame não se pode considerar imprescindível a apresentação de laudo médico (diagnóstico clínico) por parte do aluno com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação, uma vez que o AEE caracteriza-se por atendimento pedagógico e não clínico.

Durante o estudo de caso, primeira etapa da elaboração do Plano de AEE, se for necessário, o professor do AEE, poderá articular-se com profissionais da área da saúde, tornando-se o laudo médico, neste caso, um documento anexo ao Plano de AEE.

Por isso, não se trata de documento obrigatório, mas, complementar, quando a escola julgar necessário.

O importante é que o direito das pessoas com deficiência à educação não poderá ser cerceado pela exigência de laudo médico.


A exigência de diagnóstico clínico dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação, para declará-lo, no Censo Escolar, público alvo da educação especial e, por conseguinte, garantir-lhes o atendimento de suas especificidades educacionais, denotaria imposição de barreiras ao seu acesso aos sistemas de ensino, configurando-se em discriminação e cerceamento de direito(...)"

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Família e escola - dicas importantes para pais e professores


Família e escola

Educar nunca foi fácil!

Se a criança fosse uma máquina cibernética, como os robôs produzidos pelos laboratórios de inteligência artificial, bastaria implantar uma boa programação no seu cérebro e ligar a chave.

Na hora de dormir, em vez de tentar convencê-lo a desligar o celular, ou a parar de jogar no computador, bastaria desligar a chave.

Mas nossos filhos ainda são biológicos, com cérebros que se desenvolvem sozinhos, embora sejam tão programáveis como os robôs, mas com diferenças fundamentais:

Uma delas é o componente emocional, que não existe no robô;

Outro é o fato de sua programação ser realizada o tempo todo, durante toda a vida, e por uma infinidade de programadores!

Podemos comparar dizendo que o robô é o sistema Windows e nosso filho é o Linux.

O Windows já vem com programação de fábrica e ninguém altera.

O Linux é de programação livre e todo mundo mete a mão.

Essa programação é realizada, ao mesmo tempo, pelas informações genéticas e biológicas, mas, principalmente, pela forma como ele percebe e sente todo o mundo que está à sua volta.

Isso significa que a programação do nosso filho é feita tanto pelos genes recebidos por herança biológica, como também por:

- A forma como ele percebe e sente o relacionamento conosco;
- A forma como ele percebe e sente o mundo à sua volta;
- A forma como ele se relaciona com o resto da família e amigos;
- A forma como ele percebe e sente a relação com os professores e colegas;
- A forma como ele se emociona com os programas de TV, com os jogos pelo computador, com as conversas pelas redes sociais;
- A forma como ele se entusiasma ou despreza os livros que lê, os conteúdos das aulas as quais assiste, e tudo o mais.

E como os cérebros são diferentes, isso significa que a forma de eles perceberem, sentirem, se emocionarem, se entusiasmarem ou desprezarem varia muito, de um para outro.

Não existe um padrão de comportamento emocional.

Isso a gente percebe ao analisar a diferença de comportamento entre irmãos, mesmo vivendo na mesma casa e sujeitos à mesma educação.

Mas nem tudo é desesperador, já que sempre existe algo em comum em todos eles.

E é esse algo em comum que devemos buscar para interferirmos, de forma positiva, nessa programação, para que seja construído nele um equilíbrio emocional e uma segurança afetiva que vai defende-lo de quaisquer sentimentos ruins, emoções negativas, tristezas, ansiedades e angústias.

Como fazer isso?

Primeiramente fazer uma aliança entre a família e a escola.

Sabemos que a parte da educação em casa é diferente da parte da educação na escola, mas são áreas complementares. Uma não funciona sem a outra.

Sabemos também que pais não aprenderam a serem pais nem a educar seus filhos.

Pais tentam fazer sua parte por intuição. Essa educação doméstica visa formar pessoas equilibradas emocionalmente e com a segurança afetiva necessária para estar de bem com a vida.

Professores aprenderam, nas faculdades, a educar, mas essa educação visa desenvolver o conhecimento e a intelectualidade visando o sucesso profissional.

E agora?

Primeiro de tudo, a família deve entender que muitas das características de seus filhos só serão percebidos pelos professores, na escola.

Então é importantíssimo ouvir o que cada professor pode dizer do filho, sem aquela de “quem conhece muito bem meu filho sou eu! ”

Nada disso!

Nós conhecemos as características que nossos filhos apresentam em nossa casa e na nossa frente, mas não as que ele só apresentará ao se ver livre e solto entre colegas de sua turma e sem a observação dos pais.

E para que possamos garantir seu desenvolvimento correto precisamos ouvir os professores e buscar dicas para a nossa parte da educação.

Lembrem que a nossa, em casa, é a que garante a felicidade, desde que sejam construídos o equilíbrio emocional e a segurança afetiva que só nós, em casa podemos dar.

Nesse nosso encontro de hoje vamos apresentar algumas dicas que podem ajudar na parte da construção de equilíbrio emocional e segurança afetiva.

Vamos a elas:

Dica 1 - Escuta ativa

Pare tudo para ouvir o filho, quando você perceber que ele precisa dizer algo.

Nem sempre será fácil ele conseguir dizer algo, mesmo que ele sinta que você não vai criticá-lo nem o punir.

Há assuntos, principalmente na adolescência, como sentimentos, emoções e atrações, que nem ele mesmo está entendendo e que precisa de apoio emocional e afetivo para isso.

Então a ESCUTA ATIVA significa escutar e estimulá-lo a falar ainda mais e com mais liberdade, tudo o que ele está sentindo, sem que precise medir as palavras nem esconder seus verdadeiros sentimentos ou emoções.

ESCUTA ATIVA significa não interromper sua frase no meio, mesmo que já saibamos o que ele vai dizer.

ESCUTA ATIVA significa procurar entender o que ele está sentindo, mesmo que ele não consiga se expressar, e dar todo o apoio emocional que ele precisa nesse momento.

Dica 2 - Afeto paternal e maternal e limites

Os pais costumam abraçar, beijar, dar carinho e afagar seus filhos e ir mostrando o que é certo e o que é errado, enquanto são bebês.

Isso reduz um pouco na fase da infância.

E, infelizmente reduz mais ainda e quase se anula, a partir da adolescência.

Dar amor verdadeiro significa dar afeto e impor limites o tempo toda e para toda a vida!

Afeto preenche a necessidade de satisfação emocional.

Limites preenche a necessidade de segurança emocional.

Não é por acaso que o consumo de maconha e a procura de atitudes de risco ou de autopunição aumentam na mesma proporção em que o afeto paternal e maternal e a imposição de limites são reduzidos.

Mas é muito clara essa relação! Qualquer pesquisa séria nesses campos mostra isso!

O ser humano, como falemos no início, difere muito do robô, exatamente por ser constituído de uma parte emocional dominante!

Sem o preenchimento dessa parte emocional surge a carência afetiva e a falta de segurança.

E na medida que essa carência afetiva e essa insegurança emocional aumentam, surgem ansiedades, angústias e até estados depressivos que podem ser muito graves!

Então a afetividade e os limites no relacionamento entre pais e filhos devem ser constantemente praticados, para que não sejam deixados espaços em branco, mal preenchidos, e que acabarão dando margem a serem preenchidos por influências negativas destruidoras!

Dedique sempre algum tempo para estar com ele, mesmo sem falar nada, só estar junto dele, observando o que ele faz, mostrando que está à sua disposição e que sele sempre terá momentos como esse, por mais ocupado que você seja não resto todo da semana.

Um abraço em cada um desses momentos é uma troca de afeto que só constrói toda essa segurança emocional que ele precisa.

Dida 3 - Sobre a escola e os estudos

Não pergunte de aulas, provas, notas, nada disso! Se ele falar, tudo bem.

A conversa diária após as aulas deve incluir apenas um tipo de pergunta:

Me diga o que você tem aprendido!
Me mostre o que você tem descoberto nos estudos.
Me mostre o que você está conseguindo produzir nos trabalhos.
Me ensine algo interessante que você aprendeu! Afinal, tem muita coisa nova que eu não sei ainda...

E sempre que perceber algum erro ou que ele lhe mostrar que errou alguma coisa, o comentário deve ser estimulante, ou seja:

É, mas você quase acertou! Daqui a pouco você vai estar dominando o assunto! Errar é parte importante do processo de aprender.

Se você perguntar por notas ele só vai se interessar por elas, e nunca pela aprendizagem dos assuntos.

E a cada fracasso virá a ansiedade, que pode levar a angústias e em seguida a todas as atitudes destruidoras buscando uma compensação pelo seu erro ou uma autopunição por ter fracassado.

Observação importante - Pais separados

Se os pais forem separados, tudo isso tem que ser feito por cada um dos dois.

E, o mais importante de tudo, no caso de pais separados é que cada um SÓ DEVE FALAR SOBRE AS QUALIDADES DO OUTRO!

O filho precisa gostar e sentir amor pelos dois, nunca apenas por um e jamais ser levado a desprezar o outro.

Concluindo nosso encontro de hoje:

Dedique tempo para ouvir seu filho e mostre que ele pode dizer tudo o que sente, sempre que desejar, e sem ter receio de ser mal-entendido nem criticado.

Abrace-o sempre e mostre sua preocupação com sua segurança, sua saúde e sua felicidade. Por isso você quer saber onde ele vai com quem anda e o que faz. Porque você sente amor por ele, de verdade!

Estimule-o a querer aprender cada vez mais, independentemente de notas, provas, resultados, etc. 

Erros fazem parte do aprendizado e ajudam a construir o sucesso com mais segurança.


E podem ter certeza de que, agindo assim, resgataremos para nosso filho o amor que ele precisa sentir por ele mesmo, a autoconfiança e a satisfação e a segurança emocional que vão resultar em felicidade, para ele e para você.