Ensaios e crônicas de Roberto Andersen, presidente do Instituto Univérsico de Pesquisa e Educação - Educador e Psicanalista dedicado à pesquisa neuro-psico-cognitiva e voltado para o desenvolvimento de metodologias educacionais transformadoras.
Hoje, devido à situação atual do país, sou obrigado a me
dirigir a todos os meus alunos, desde os da educação básica, até os das pós-graduações,
para dar a minha opinião pessoal sobre o momento que estamos passando.
Serei muito claro e muito direto, e peço que reflitam muito,
principalmente após assistirem a noticiários da mídia e às próprias postagens
pelas redes sociais.
Logo “de cara” peço que não acreditem em nada que estejam
divulgando pelas emissoras de TV, principalmente a Rede Globo, sem pesquisarem
em fontes confiáveis antes.
Eu sou muito direto no que eu falo. E vou ser exatamente
assim nessa nossa conversa!
Estamos, há muitos anos, em um país governado pelo crime
organizado.
As mais diversas atitudes governamentais que vêm sendo tomadas,
nos últimos quinze anos, mostram que, ou existe envolvimento direto ou, no
mínimo, conivência, com os padrões de comportamento do crime organizado.
Estamos em um país onde o crime organizado legisla,
livremente, no Congresso Nacional, produzindo leis que visam apenas a
manutenção de todas as mordomias dos congressistas, além de seu próprio
enriquecimento, tentando criar meios para que tais leis possam ser
interpretadas de forma a que seu enriquecimento ilícito posa ser interpretado
como lícito!
Estamos em um país onde o crime organizado está sendo
representado naquela que todos nós considerávamos como a reserva moral, que é a
mais elevada corte do país.
Estamos num país em que os adolescentes e jovens foram
levados a se envolver com as drogas alucinadoras, e com as músicas e festas
estimuladoras do sexo promíscuo, para que nunca mais tivéssemos a possibilidade
de construir uma juventude como a da revolução francesa, que mudou o mundo.
Hoje, grande parte dos universitários, só conseguem cantar refrãos
idiotas, defender causas sem sentido e se expor em comportamentos ridículos,
porque suas mentes foram manipuladas para não entender nada mais do que isso,
assim deixando livre a continuidade do processo criminoso estabelecido no país.
Estamos em um país em que as Forças Armadas, que deveriam
estar atentas a tudo isso, para dar um basta e recomeçar tudo do zero, nada
podem fazer, já que foram desmoralizadas, durante anos, nas universidades, por
todos esses criminosos, nas docências universitárias e no poder, há cerca de
trinta anos.
Houve uma verdadeira “lavagem cerebral” nos universitários
de forma a terem ojeriza de uma instituição que prima pela honra e patriotismo.
Estamos em um país em que uma classe de trabalhadores de
verdade, a dos caminhoneiros, sem ligação alguma com os criminosos vândalos
extremistas, resolveu mostrar que, se esses corruptos continuarem no poder,
acabará a possibilidade de passarmos para nossos filhos um país de verdade,
onde exista seriedade no poder público e onde não exista mais o exagero das
mordomias e roubos, hoje escancarados, e com os ladrões seguros de que poderão
dar continuidade à sua desonestidade, sem medo de nada!
E estamos num país em que esse movimento, que serve para nos
alertar sobre a nossa incompetência para fazer as coisas mudarem, será abafado
pela mídia corrupta e interesseira, capitaneada pela criminosa REDE GLOBO, sob
a orientação e apoio da criminalidade governante, mantendo tudo exatamente como
está.
Qual será o nosso futuro?
Não sabemos ainda. Pelo menos o futuro imediato.
Devemos estar atentos e refletir sobre cada postagem e cada
notícia divulgada, questionando sempre, para não sermos novamente enganados
como já fomos antes.
Mas, enquanto as Forças Armadas, chamadas pela presidência para
resolver a situação, tentam fazer algo em relação às consequências desses
trilhões roubados, eu procuro as causas.
Como todos vocês sabem, sempre procuro recomendar o estudo
visando solucionar as causas.
E a conclusão que chego é a de que todos esses criminosos que
estão destruindo o país há cerca de trinta anos, foram assim formados por nós,
pais e professores, dentro de nossas próprias casas e escolas.
Isso é uma realidade que incomoda, eu sei, mas é uma
realidade REAL!
Estamos, pais e professores, nos desligando totalmente da
educação moral e de caráter de nossos filhos e alunos, construindo mentes egoístas,
gananciosas, corruptas e criminosas.
O criminoso Congresso Nacional é constituído por mentes que
foram preparadas por todos nós!
E continuamos nós, pais, sem “tempo” para dar aos nossos
filhos as mínimas noções de virtudes e valores humanos, muito menos a criação
de um bom ambiente familiar, onde os filhos, recebendo as doses certas de amor
e limites, conseguiriam construir, com uma base sólida, toda a sua cultura do
caráter.
E continuamos nós, professores, achando que não ganhamos
para isso, mas apenas para ensinar a nossa matéria e pronto.
No dia em que conseguirmos convencer aos pais e professores
da sua verdadeira missão, nossos filhos e alunos estarão tendo suas mentes
desenvolvidas positivamente, com capacidade de entendimento de mundo, com
capacidade de questionamento fundamentado e plenamente “vacinados” contra as influências
malignas das mídias e redes sociais.
Esses mudariam, certamente, os destinos de nosso país, e
nunca deixariam chegarmos a uma situação com a de hoje.
Se nos dedicarmos a construir essa massa positiva de pessoas
de bem, estaremos cumprindo o verdadeiro papel de pai e professor educador,
nunca mais um pai dedicado exclusivamente a prover sua casa, nem um professor
dedicado a exclusivamente prover o ensino de matérias específicas, mas um pai e
professor de vida, de caráter, de moral, de felicidade real.
Essa nossa luta tem que ser diária! Esse nosso objetivo tem,
que ser disseminado! Porque, se o movimento atual, iniciado pelos
caminhoneiros, nada resolver e for abafado por todo esse sistema criminoso,
estará comprovado que a base tem que ser reconstruída, para que resgatemos
todos os verdadeiros valores nas próximas gerações.
Essa é a minha opinião.
Não exijo que ninguém pense como eu, nem aceite minha
opinião como sua.
É apenas a minha, e só a dei por insistência de meus alunos
e amigos.
Meu apoio a quem quer, como os caminhoneiros, alertar a
todos para a corrupção destruidora das nossas famílias e de nosso Brasil.
Meu apoio aos pais e professores que querem mudar o mundo a
partir da sua própria família ou de sua própria sala de aula.
Será que a inteligência das pessoas, ou a sua capacidade
intelectual e de memória, é uma característica própria, determinada
geneticamente, ou é uma característica que pode ser desenvolvida?
Se fosse uma simples determinação genética, a solução para
quem tem alguma dificuldade de raciocínio ou intelectual seria apenas “estar
conformado” com sua incapacidade intelectual!
A sorte de todos nós é que ela, a inteligência, é
desenvolvida o tempo todo, desde o nascimento, impulsionada por uma força
interior, essa sim, que nasce com a gente, e que nos acompanha toda a vida.
Essa força tem sido definida por alguns pensadores como a
força da busca pelo poder, como fez o filósofo Nietzsche, ou a força da busca
pelo prazer (libido), como fez Freud, o criador da psicanálise.
Seja poder ou prazer, o que nos interessa, na prática, é que
é ela quem nos impulsiona para a busca do entendimento do desconhecido, para
tentar entende-lo e criar meios de lidar com ele.
Tudo, no início, nos é desconhecido.
Esse trabalho de entendimento já é o primeiro passo para
provocar o trabalho das nossas redes neurais, tanto para que elas sejam
formadas, criando as famosas substâncias cerebrais, cinzentas e brancas, como
para que elas sejam corretamente programadas, criando algoritmos de raciocínio
que vão constituir toda a nossa capacidade intelectual.
Essas redes, que foram criadas e programadas pela
necessidade de entender o mundo, vão dando, ao ser humano, a capacidade de
entender os sons que ouve, as imagens que vê, as sensações e as emoções que
sente, ou seja, tudo o que ele consegue perceber à sua volta e nele mesmo.
Mas como tudo isso funciona?
Primeiramente vamos ver como somos formados.
Nosso corpo é constituído por quase cem trilhões de células,
e cada uma delas pode ser considerada como um ser vivo, bastante complexo,
seguindo uma programação característica do local onde se encontra e de acordo
com o órgão ao qual faz parte.
As células que nos interessam no momento são especiais, são
as chamadas células neurais, ou neurônios, cerca de 100 bilhões delas, e que
são responsáveis pelo nosso raciocínio e todo o comando motor de nosso
organismo.
Embora nosso estudo esteja ligado ao cérebro craniano, ou
seja, a essas 100 bilhões de células, é bom saber que também existem cerca de
100 milhões delas no intestino, chamado por muitos de segundo cérebro e, além
disso, temos também cerca de 40 mil no coração, constituindo o cérebro
cardíaco.
Esses dois outros cérebros são também muito importantes para
nós, mas vamos deixar para falar sobre isso em outro momento.
Vamos ao cérebro craniano, então, que a partir de agora
chamaremos apenas de cérebro, mesmo sabendo que existem aqueles outros dois,
para facilitar nossa conversa.
No centro do cérebro é formado um centro de controle e
comando, chamado de sistema límbico.
Esse sistema recebe informações de todo o nosso organismo e
mantém o controle de tudo o que deve ser feito para mantê-lo em funcionamento
perfeito.
Para garantir isso o sistema límbico determina a geração e
liberação de todas as substâncias químicas, entre elas os neurotransmissores e
hormônios, que sejam necessários a cada momento, para que possamos enfrentar
qualquer dificuldade, doença, perigo, etc.
Ele também interfere nas nossa emoções e sentimentos, como a
raiva, a tristeza, a alegria, a satisfação, a insatisfação, o medo, a coragem,
a disposição, a indisposição, a motivação, ou a perda dela, ou seja, ele
controla tudo.
Há muitas coisas que são automáticas e parecem não depender
do sistema límbico, mas sim do cerebelo, do tronco encefálico e de outras áreas
consideradas independentes do raciocínio consciente, mas não veremos agora.
O que precisamos ver agora é, como podemos estimular a
formação e programação das nossas redes neurais, para que a nossa inteligência
seja muito bem desenvolvida, e junto com ela a nossa capacidade de memória, a
nossa velocidade de raciocínio, a capacidade de associação de ideias e, com
isso, alcançarmos a inteligência ideal para:
- Conhecer
- Saber lidar com o conhecimento
- Questionar o conhecimento
- Ampliar ou alterar o conhecimento
E assim construir a inteligência necessária para ser
criativo, inventivo e descobridor.
A máquina está aí, à nossa disposição. Basta estimular seu
desenvolvimento e colocá-la em ação.
Dá trabalho? Não! Tudo o que precisamos é de método. Somente
método. E, para isso, seguir algumas dicas fundamentais em cinco etapas, que
são:
PERCEPÇÃO – PROCESSAMENTO – ENTENDIMENTO – DEFINIÇÃO DE
PRIORIDADES – CONSOLIDAÇÃO DA MEMÓRIA
Fase 1: PERCEPÇÃO
A percepção é um trabalho intenso realizado pelas células
transceptoras existentes em todo o nosso corpo.
Elas transformam a informação externa (ondas luminosas,
ondas sonoras, ondas térmicas, pressão, atrito, substâncias químicas, etc.) em
sinais elétricos para serem enviados aos respectivos processadores.
Assim, são elas que permitirão entender o mundo à nossa
volta, seus sons, suas imagens, os aromas, a humidade, a temperatura e tudo o
mais.
Essas células devem ser estimuladas o tempo todo, para que
estejam sempre em funcionamento perfeito.
DICA PARA ESTIMULAR A PERCEPÇÃO:
Procurar sempre visualizar, ouvir e sentir tudo o que
estiver à disposição, em todos os ambientes em que estiver. Procurar ouvir
todos os sons, procurar perceber aromas, gostos, variações de temperatura,
humidade, textura etc.
Para as escolas de educação infantil devem ser realizados
exercícios de percepção frequentes, revezando os elementos sensores, o que é
imprescindível, por exemplo, para o desenvolvimento da criança com
microcefalia.
Fase 2: PROCESSAMENTO
Cada área do cérebro, Lobo Cerebral, é especialista em
processar sinais de um elemento sensor. Assim tem o processador para imagens,
para sons, para aromas, para gostos, para sensação térmica, para humidade, e
tudo o mais.
Nesses processadores chegam as informações PERCEBIDAS, mas
chegam em forma de pulsos elétricos, para serem processados e “montarem”,
dentro do cérebro, as imagens correspondentes à realidade externa.
Assim as imagens visuais, sonoras, olfativas, gustativas,
etc., passa a ser conscientizadas. É o momento em que vemos, ouvimos, sentimos,
etc.
DICA PARA ESTIMULAR O PROCESSAMENTO:
Concentrar toda a sua atenção em cada sabor, cada imagem,
cada efeito sonoro, cada aroma, procurando sentir o prazer dessa
conscientização.
Essa concentração é o que fez especialistas desenvolverem,
na Europa, o processo de “Mindfull-based stress reduction”, que nada mais é do
que essa concentração com foco permanente em cada momento perceptivo de seu
dia, para desenvolver seu cérebro. Isso provoca o aumento da espessura da massa
cinzenta cerebral.
Fase 3: ENTENDIMENTO
O entendimento de tudo o que está sendo conscientizado é
feito no hipocampo, que é parte do sistema límbico do raciocínio diário,
semelhante à memória de trabalho dos computadores.
Nessa fase ocorre o raciocínio, as comparações, a
atualização das informações já existentes, assim como a criatividade, a
inventividade, o estímulo à descoberta, ou seja, aí está todo o trabalho
intelectual.
Para esse raciocínio ocorrer, o sistema límbico traz, dos
arquivos de memória existentes no córtex cerebral, todas as informações lá
arquivadas e que sejam necessárias ao raciocínio do momento, num sistema
semelhante ao “copiar e colar”.
Nessa fase o maior perigo é o raciocínio ser atrapalhado
pelo disparo do Sistema Nervoso Simpático, já que esse disparo se dá pela
excitação da amígdala cerebral, órgão colado no hipocampo.
Se a pessoa estiver com raiva, medo, muita tristeza, etc.,
significa que a amígdala cerebral está em atividade, atrapalhando o
funcionamento correto do hipocampo, ou seja, perturbando o raciocínio.
Por isso, aqui vai a DICA PARA ESTIMULAR O ENTENDIMENTO:
Evitar estresse, raiva, etc., quando estiver em processo de
estudo e raciocínio, para não disparar a amigdala cerebral.
Importante saber que o suporte da inteligência, que é a
APRENDIZAGEM, ainda não ocorreu. Por enquanto só houve ENTENDIMENTO.
ENTENDIMENTO é a fase de conhecimento temporário, que dura no
máximo uns dois ou três dias, já que está arquivado no hipocampo, que é a
memória de trabalho, ou temporária.
Para a garantia da construção da inteligência, as duas fases
finais são imprescindíveis, que são a fase 4 – definição de prioridades e a
fase 5 – consolidação da memória.
Para que fique bem clara a necessidade da definição de
prioridades, vamos ver, primeiro, como funciona a fase final, que é a
Consolidação da Memória, ou seja, a construção da memória definitiva, para
depois terminarmos a explicação com a fase 4.
Fase 5 – CONSOLIDAÇÃO DA MEMÓRIA
Esse é o processo de transferência de todo o entendimento do
dia, que está no hipocampo, para as suas áreas de arquivamento definitivo, no
córtex cerebral.
Se essa transferência não for realizada em cada noite, o
conhecimento entendido naquele dia acabará sendo “esquecido”, em dois ou três
dias, por falta de espaço suficiente para armazenagem.
Então, por isso, existe o processo de transferência. Como
esse processo utiliza muita energia, ele só pode ser feito durante o sono.
Imaginemos um período de oito horas de sono, que é o mais
recomendado pelos médicos.
Nos primeiros sessenta minutos a frequência cerebral vai
sendo reduzida, levando a pessoa da sonolência ao sono profundo.
Dos sessenta minutos a aproximadamente duas horas, essa
frequência vai aumentando até chegar ao pique máximo conhecido como MRO
(Movimento Rápido dos Olhos), que é o período em que se dá a primeira de uma
série de quatro a cinco períodos de transferência.
Cada período desses leva aproximadamente uns dez a vinte
minutos, entremeado com períodos de redução de frequência, para aliviar o
esforço.
Ao final do período de sono houve quatro a cinco desses
períodos, quando a maior parte de tudo o que foi memorizado durante o dia,
passa a formar a memória definitiva, no córtex cerebral.
Temos três observações importantes para essa fase:
A primeira é que o sono deve ser muito bem planejado, para
que tudo corra muito bem.
Isso significa desligar todos os equipamentos eletrônicos,
principalmente celulares, computadores e televisão, pelo menos meia hora antes
de dormir.
A segunda é que, para o cérebro realizar todo esse processo
dentro do período exato do sono da pessoa, ela precisa, ao se preparar para
dormir, dizer para si mesma a hora que terá que acordar.
Assim o relógio biológico cerebral, o mais preciso do mundo,
ajustará todo o processo de transferência para que ele termine uns dois minutos
antes da hora determinada para acordar.
A terceira é que, se o cérebro não sabe quais são as
informações realmente importantes, ele pode ter perdido muito tempo nesse
processo e consumido muita energia, mas pode ter consolidado na memória
informações totalmente desnecessárias, e pode não ter tido tempo de transferir
as realmente importantes.
Então, exatamente para que o cérebro não perca tempo, e para
que nessa transferência esteja garantida a consolidação do conhecimento que
precisa ser aprendido, é que vem a necessidade da quarta fase, que é a
DEFINIÇÃO DE PRIORIDADES.
Fase 4: DEFINIÇÃO DE PRIORIDADES
Para entender essa fase precisamos entender como se dá a
elaboração de nosso raciocínio, da área de Vernicke, que é o processamento dos
sons, caminhando para a nuca e passando pela área de Geschwind, que é onde
sons, imagens, aromas e todas os demais percepções são associadas, e retornando
em direção à parte frontal da cabeça, até a área de Broca, onde a musculatura
da boca é acionada para podermos comunicar o que raciocinamos.
Todo esse trajeto de nosso raciocínio é feito por meio de
sinais elétricos (pulsos elétricos) trafegando por um feixe de neurônios, como
se fosse um feixe de fios elétricos
Antes da área de Broca, quando a elaboração de nosso
pensamento ou raciocínio estiver em andamento, esses feixes de sinais elétricos
se cruzam com os feixes elétricos do córtex motor.
Embora ainda não se tenha a evidência científica, em
laboratório, de que é esse processo de cruzamento de pulsos elétricos quem
alerta o sistema límbico sobre as prioridades de memórias a serem consolidadas,
o resultado disso é fato comprovado.
Então, se estivermos escrevendo ao mesmo tempo em que
estamos estudando ou raciocinando ou elaborando nossos pensamentos, nosso
raciocínio, associado ao comando da escrita, mostra ao cérebro a importância desses
arquivos.
Experiências realizadas em algumas universidades americanas
mostraram que isso ainda não ocorre quando, em vez da escrita manual, o aluno
estiver digitando em um computador.
Por enquanto, pelo menos, isso só é verdadeiro, para quem
escreve à mão.
Dessa forma fica definida a importância dos arquivos que
passarão a ter prioridade na transferência durante o sono, e as primeiras
memórias a serem consolidadas serão as que, realmente, nos interessam arquivar.
Isso significa construção da memória definitiva.
Ter acesso a essa memória significa aprendizagem real.
Inteligência é a capacidade de acessar a memória, sintetizar
o conhecimento e elaborar o raciocínio.
A partir daí surge a sabedoria, que é a utilização da
inteligência para desenvolver a criatividade, estimular a inventividade e
provocar a descoberta.
(...) cada palavra que sai dessa pena vem molhada com a
tinta de uma paixão cada dia mais forte, nunca menos real, sempre mais
verdadeira (...)
É! Há momentos em que, mesmo sem querer, lembro-me das
melhores coisas que tenho e que tive em minha vida, como as fortes amizades que
surgiram, sem qualquer interesse, e que perduram, aumentando de intensidade a
cada novo contato, a cada nova palavra, a cada novo encontro.
Algumas dessas amizades são sempre lembradas... elas são
especiais! Essas começaram envolvidas em uma espécie de amor puro, e surgiram com
força total, se agigantado com o passar dos anos.
Mas assim como o fácil retorno desses momentos de belas recordações,
há momentos de esquecimento...
Mas como posso esquecer, mesmo que por instantes, o prazer
compartilhado em cada uma dessas amizades?
Esquecer pode significar que a vida, por vezes, se consome,
não pelo prazer de curtir cada minuto, mas sim em uma rotina mecânica,
desgastante e castradora.
Por vezes tento analisar, também, se teria havido tanta
experiência afetiva e prazerosa a recordar, se esses sentimentos recíprocos não
tivessem sido corajosamente declarados, quando surgiu a oportunidade.
E é nessa hora que percebo uma realidade angustiante: Será que
essas recordações poderiam estar mais completas? Será que houve momentos de
afeto não declarado, resultando em abandono de emoções?
Emoções que,
certamente, ampliariam o prazer dessas lembranças?
Sim poderiam, com certeza! O medo de não ser compreendido
pode ter eliminado a coragem de uma declaração mais profunda...
A falta de coragem pode ter significado o abandono de boas
emoções. Haveria um amor contido, fechado, camuflado, não declarado!
Por que deixei, por tantas vezes, escapar momentos que
poderiam ter sido sublimes? Surgiram muitas oportunidades. Elas surgiam e eu as
perdia...
Mas hoje, por sorte, surgiu uma nova oportunidade!
Hoje posso aproveitar o momento do seu aniversário para,
enfim, dedicar-lhe a minha amizade, o meu afeto e o imenso desejo de sentir seu
amor e sua energia, sempre que estiver com você ao meu lado.
Mas essa declaração eu faço aqui, na abertura desse livro.
Você o estará lendo, eu sei, e espero que “se toque” ...
E aproveito para falar da paixão que começou já forte, mesmo
que você não tenha percebido isso, e que, misturada com um elevado grau de
amizade, veio aos poucos se intensificar. Houve ansiedade.
Há, ainda,
ansiedade!
E hoje é o seu dia.
Aproveito, então, para me transformar em cada palavra desse
livro e me dedicar, por inteiro, a você.
Me aproveito da data para sentir sua presença e para dizer
que o livro é seu, que o amor está em nós, que a vida é o nosso complemento.
Digo, também, que cada palavra que sai dessa pena vem
molhada com a tinta de uma paixão cada dia mais forte, nunca menos real, sempre
mais verdadeira.
Hoje é seu dia.
Receba essas palavras, receba esse livro, receba a certeza
de um pensamento voltado apenas em uma direção:
A direção sempre certa e imutável do desejo de que esse amor
permaneça real e se torne recíproco...
Implantação de uma metodologia transformadora – parte dos
pais
Olá, amigos,
Na educação nada deve ser implantado “por decreto”, já que estamos
trabalhando com pessoas, emoções, culturas pré-estabelecidas, etc.
Mas há pressa!
Todos sabemos disso!
Afinal, por algum motivo, nosso país é o pior do mundo em
nível de aprendizagem!
Podemos até já saber que existe a Metodologia IUPE de
Dinâmica Grupal, e que ela é eficaz, para que o professor consiga garantir a
aprendizagem real de todos os seus alunos, em uma sala regular, mesmo quando os
alunos estiverem em diferentes níveis de compreensão e intelectualidade.
Podemos até saber que essa Metodologia leva à construção, de
forma sutil e natural, do Sistema de Sala de Aula Invertida, método tão
propagado em países nórdicos com resultados educacionais exemplares.
Mas as pessoas, ou sejam: professores, alunos e pais de
alunos, precisam sentir a realidade e perceber que é esse o caminho para quem
quer, não a aprendizagem enganosa, onde, apesar de haver notas ótimas, o
assunto aprendido tem data de validade, mas sim aprendizagem real, onde o
conhecimento é construído com segurança e de forma definitiva, na mente de cada
aluno.
Por isso que, para a implantação foi necessária uma
experiência real, em sala de aula, para mostrar que a aprendizagem não existe
no sistema tradicional.
Parte 1: A experiência metodológica e o resultado alcançado
Começamos antes do início do ano letivo, quando mostramos
aos professores que o sistema de prova marcada, ou seja, qualquer tipo de
avaliação com data marcada, cria no aluno uma programação cerebral totalmente negativa
para sua aprendizagem e, como consequência, destrutiva para a formação da sua
inteligência.
Explicação que dei, na época:
O aluno se esforça como pode, ou até mais que isso, por
vezes “varando a noite”, para que consiga, no dia seguinte, “tirar uma boa nota”
na prova, e assim “se livrar” daquele assunto para sempre!
Algumas escolas fazem isso todo sábado, criando uma
ansiedade estressante, já que o aluno faz esse tipo de “estudo” toda sexta-feira,
para que, após as provas, se sinta “livre” daqueles assuntos para sempre.
O estresse desses alunos deve-se ao fato de eles, por não
seguirem um método correto, estarem utilizando apenas a sua memória temporária,
numa área do cérebro chamada de hipocampo, e que não comporta muita informação.
Já atendi muitos alunos desses colégios, todos em nível
perigoso de estresse, alguns já tendo desistido de estudar e outros ainda em
estado depressivo.
Naquele momento todos os professores ouviram a explicação,
mas poucos acreditaram, já que todos passaram pelo mesmo tipo de ensino no seu
tempo de Educação Básica e sempre acharam que era assim mesmo e não tinha o que
mudar.
Iniciado o ano letivo tivemos, no primeiro dia, uma
avaliação diagnóstica, em forma de prova surpresa, para todos os alunos, onde pude
constatar quem estava realmente “estudando para aprender” e quem estava no
padrão brasileiro de “decorar para a prova”.
Arquivei os resultados comigo, para fazer a comparação mais
tarde. Os que realmente “estudam para aprender” obtiveram bons resultados e sempre
os terão, independentemente da escola, dos professores, etc.
Iniciado o ano letivo expliquei a todos os alunos, de sala
em sala, em todas as turmas, como estudar com método, diariamente, sem se
estressar, para conseguir aprender de verdade e para sempre, em vez de apenas decorar
para a prova.
Dei exemplos vivos, e os resultados que esses ex-alunos
alcançaram.
Nessas explicações em sala dei as seguintes dicas básicas:
Assista às aulas escrevendo, em seu caderno da matéria, tópicos,
resumos, palavras-chave, ou seja, aquilo que der para escrever enquanto assiste
à aula;
Após as aulas do dia, estude escrevendo, no caderno da
matéria, ou a tarefa passada para casa (caso o professor tenha passado), ou o resumo
do assunto dado, ou um texto com o que o aluno entendeu de cada ponto do
assunto, sempre acrescentando algo a mais pesquisado pela internet ou outros
livros;
Após esse estudo, leia os assuntos que serão dados nas aulas
do dia seguinte. Só leia! Não precisa estudar! A menos que sobre tempo para
isso.
Use o tempo que resta para fazer algo que goste, tipo
brincar, jogar um jogo, conversar com colegas e, principalmente, conversar com
os pais sobre o assunto que aprendeu naquele dia;
Se prepare para dormir o mais cedo possível, de forma que
tenha a possibilidade de ter 8 horas de sono, no mínimo, até a hora de acordar
no dia seguinte.
Pronto!
Estavam dadas as instruções aos professores e aos alunos.
Mas, para garantir que não haveria prova marcada, já que
isso atrapalharia toda a experiência e permitiria que houvesse notas altas sem
aprendizagem, determinei que todas as avaliações seriam aplicadas por mim
mesmo, ou pela coordenação, em momento surpresa.
Ou seja: tudo continuou como sempre foi, exceto pelas provas
que não mais seriam aplicadas pelos professores, mas sim por mim, e de
surpresa!
O resultado alcançado foi exatamente o que eu esperava, ou
seja, só conseguiram bons resultados nas avaliações aqueles alunos que, desde a
avaliação diagnóstica, mostraram que seguiam o método correto de estudo.
Houve, na realidade, alguns casos novos, de alunos que
seguiram todas as orientações que eu havia ensinado. Os demais, como é comum,
apenas me ouviram, mas continuaram apenas brincando de estudar...
Todas as notas, com as exceções que comentei, foram péssimas,
o que não me surpreendeu!
Alguns alunos novos, vindo de outros colégios, acostumados a
só terem notas excelentes, ficaram surpresos quando viram que nunca aprenderam
nada em momento algum! Só estavam “se enganando” todo o tempo, mas mostrando
notas ótimas em casa!
Terminado o teste e constatada a realidade da aprendizagem
enganosa, todas as provas e testes foram entregues aos alunos para que
começassem, a partir de agora, a construir a sua aprendizagem, começando por
estudar, de verdade, todos os assuntos das questões que erraram nas avaliações.
Parte 2: A participação dos pais para garantir a
aprendizagem e o sucesso de seus filhos
Na reunião de pais, logo após o final da experiência,
traçamos os planos a serem seguidos pelos pais, para que tenhamos a garantia
absoluta de que todos os nossos alunos estarão no caminho do sucesso, e que nenhum
deles vá, sequer, ao período de recuperação nem, muito menos, seja reprovado.
Os pais precisam, então, observar três pontos básicos, que
são:
-ESTIMULAR, DE FORMA CORRETA, O FILHO
-ACOMPANHAR E CONTROLAR O MÉTODO DE ESTUDO ATIVO EM CASA
-PROPORCIONAR A ORGANIZAÇÃO DE SEUS CADERNOS PARA O ESTUDO
ATIVO
Vamos ao primeiro:
Estimular, de forma correta, seu filho:
Ação 1: Aprendizagem X Notas
Nunca pergunte ao seu filho que nota ele tirou, mas sempre “o
que ele aprendeu hoje”, e se interesse, de verdade, pelo que ele disser sobre
os assuntos aprendidos.
Isso vai fazer ele ter, cada dia, mais interesse em seu
aprendizado, para poder compartilhar com você em casa.
Ação 2: Exemplo
Sempre que possível esteja lendo ou escrevendo perto de seu
filho, nos momentos de estudo dele. Isso o estimula.
Estar assistindo à TV ou fazendo qualquer outra coisa, no
momento do estudo do filho, só serve para desanimá-lo.
Acompanhar e controlar o método de estudo ativo em casa:
Ação 3: Controle
Peça, todos os dias, para ele lhe mostrar as páginas que ele
escreveu, durante o “estudo ativo” do dia. Rubrique no final de cada estudo de
cada matéria do dia. Assim ele se sentirá importante para você! Caso você não
faça isso ele sente, mesmo que inconscientemente, que o futuro dele não faz a
menor diferença para você.
Perceba que eu não disse “dever de casa”, mas sim “estudo
ativo”, que poderá ser o dever de casa, se passado pelo professor, como resumo,
textos, etc., como eu comentei nas explicações para os alunos.
Ação 4: Conhecimento geral
Esteja sempre se atualizando com os acontecimentos
importantes locais ou até mundiais, para conversar com seu filho e analisarem,
juntos, com qual matéria o acontecimento se relaciona.
Pergunte se a escola tocou nessa relação ou se não deu
importância.
Caso negativo peça a ele que leve a sugestão ao professor.
Isso estimula o conhecimento como um todo.
Proporcionar a organização de seus cadernos para o estudo
ativo.
Ação 5: Cadernos e apetrechos escolares
Verifique, sempre, se ele está com todos os apetrechos
necessários ao estudo, e se os cadernos estão bem organizados.
Um caderno bem organizado significa uma mente bem organizada
e proporciona aprendizagem para sempre.
Parte 3: Avaliações
A partir da implantação definitiva da metodologia, a
avaliação no IUPE segue os ensinamentos de Cipriano Luckesi, ou seja, os
processos avaliativos são diários e processuais, realizados pelos professores,
em todas as suas aulas, ao observarem o trabalho de cada aluno durante a
realização das tarefas em dinâmica grupal.
Essas avaliações, assim como as tarefas e demais provas e
testes de oportunidade, são feitas estritamente dentro do nível intelectual e
de conhecimento de cada aluno, principalmente os que possuem NEE (Necessidades
Educacionais Específicas), como os autistas e demais síndromes e transtornos.
Essas avaliações vão sendo registradas nas observações das
cadernetas, para que haja a possibilidade de serem corrigidos os rumos daqueles
que estiverem com dificuldades, ou até aqueles que estiverem com resistência
por preguiça ou qualquer outro motivo.
Em momentos não divulgados serão aplicadas avaliações do
tipo de simulados, para que os próprios alunos percebam se o seu método de
estudo está correto ou se precisa mudar.
Todas as avaliações, após a correção feita pelos
professores, são devolvidas aos alunos, para que estudem os erros cometidos, e
apresentem, ao professor, a comprovação de que já aprenderam o assunto, ou
então, apresentem a dúvida que ficou, para que seja recuperada toda a aprendizagem
perdida.
Durante cada unidade letiva não serão divulgadas, aos alunos,
notas nem pontuações, para que sejam eliminadas todas as possibilidades de
comparações entre colegas, o que tem servido para baixar a autoestima de muitos
e desanimá-los para o estudo.
Em relação ao registro de notas e médias, para poder cumprir
o tradicionalismo, ainda presente, de histórico e boletins com notas, o
registro é feito dessa forma:
Notas e médias acima de 7,0, são registradas normalmente.
Alunos que não obtiveram essa nota mínima, terão essa
aproximação assim que comprovarem, aos professores, a aprendizagem do assunto que
errou.
Os pais dos alunos que insistirem em não querer recuperar a
aprendizagem perdida serão chamados para que, juntos, escola e pais, encontremos
uma solução para o estímulo do filho.
Conclusão
A partir dessa implantação temos absoluta convicção de que a
aprendizagem real estará sendo desenvolvida em todos os nossos alunos, fazendo
com que, pelo menos de nossa parte, não exista mais a tradicional aprendizagem
enganosa tão comum em nosso país.
Outros assuntos importantes
Para que tudo dê certo é preciso ambiente afetivo em casa,
eliminando a carência afetiva.
A carência afetiva é um mal que se alastra por todo o mundo
e que tem provocado, inclusive, as automutilações, a busca das drogas, e tudo o
mais que não presta.
Para evitar essa carência, a dica é muito simples:
Crie o momento de diálogo aberto, amplo e livre, em casa,
sem a presença de celulares, computadores, TVs, etc.
Nesse momento a conversa inicia com “o que você aprendeu
hoje” ou o debate sobre um acontecimento atual qualquer.
Os filhos devem ser encorajados, aos poucos, a confiar nos
pais e sentirem segurança para estender essa conversa para contarem seus
sentimentos e emoções.
Essa conversa sendo bem frequente elimina, também, a tendência
dos filhos, de esconderem coisa erradas que fizeram, e também de mentir sobre algum
assunto importante ou mesmo sobre assuntos da escola, o que tem sido muito
comum atualmente.
E, para terminar, vamos falar sobre carência afetiva
paterna!
Sim! Essa é perigosíssima para os filhos do sexo masculino.
Para as meninas, a carência afetiva paterna é ruim, mas para
os meninos ela é muito perigosa, porque pode construir uma personalidade
psicopata no menino, coisa que está sendo estudada agora, depois que se
constatou que o único ponto em comum entre todos os school shooters, que são
aqueles adolescentes que entraram atirando nas escolas, é a carência afetiva
paterna!
Por que o
nível de aprendizagem no Brasil é o pior do mundo?
Vamos
analisar?
Prova
marcada para terça-feira!
Em casa, na
segunda: Pais e alunos se dedicam a memorizar os assuntos, pais desesperados
“tomando a lição” dos filhos diversas vezes, até que se sentem satisfeitos
porque os filhos estão “afiadíssimos” para a prova do dia seguinte.
Mas, se a
prova for transferida para dois dias depois, o prazo de validade se esgota e o
aluno terá que estudar tudo outra vez!
Ou seja:
esse aluno nunca aprendeu nada, apenas “decorou” para ter nota, nunca para
aprender.
Algumas
escolas chegam ao absurdo de entregarem questionários para que os alunos
decorem, sabendo que algumas daquelas perguntas estarão na prova do dia
seguinte!
Mas, qual o
método correto de estudo e por que a maioria dos alunos não consegue segui-lo?
Método
correto:
Basta estudar,
no mesmo dia, os assuntos dados, escrevendo, resumindo ou resenhando. É de suma
importância que todo estudo seja acompanhado de atividade escrita, mas não
digitada!
O estudo da
neuroaprendizagem mostra que, fazendo assim, tudo o que foi estudado vai ser
consolidado na memória definitiva, durante o sono.
Mas se é tão
fácil assim, porque os alunos não fazem?
Tudo começa
com a nossa cultura da tirar nota para passar de ano, em vez de estudar para
aprender!
Com isso, os
alunos só fazem memorizar os assuntos, sem qualquer método e, portanto, essa
memória tem prazo de validade muito curto.
Boas notas e
nenhuma aprendizagem! Esse é o retrato de nossa aprendizagem e é exatamente por
isso que somos o pior país do mundo em nível de aprendizagem!!
O desafio é
fazer com que os alunos mudem seus focos de “nota” para “aprendizagem”, ou
seja, em vez de buscarem nota para aquela prova, buscarem conhecimento para sempre
e, principalmente, para os vestibulares, ENEMs e concursos que terão pela
frente!
Para isso
temos que eliminar o medo da nota, o medo da prova e o medo da reprovação,
iniciando com a eliminação completa de provas e avaliações com data marcada e
mais:
- Usar as avaliações
para analisar, junto com os alunos, as causas dos erros e discutir as melhores
formas para recuperar o conhecimento perdido.
Isso
significa tirar o medo do aluno de errar, já que os erros passam a ser o nosso
elemento de trabalho principal, mostrando o ponto que ainda não foi alcançado
e, naturalmente, a necessidade de rever os métodos de ensino e de estudo.
Provas a
avaliações passam a ser entendidas como o momento em que o aluno vai mostrar,
para ele mesmo, aquilo que aprendeu e mostrar para seus professores onde estão
as falhas, ou no seu estudo, ou na forma de ele entender o que foi explicado.
E para quem,
mesmo assim, ainda quer saber como registrar notas, médias, e como aprovar ou
reprovar os alunos, aguarde o nosso minuto de educação com o tema AVALIAÇÃO.
E aguardo
todos vocês em nossa “live” de quarta-feira, às oito da noite, no
facebook.com/andersen.roberto, onde esse tema também será debatido “ao vivo”.
Vamos começar pelo entendimento, de forma bem rápida, de
nossa mente e nosso estado emocional.
Nossa mente, que envolve, no mínimo, cérebro e coração, é
responsável pelo equilíbrio de nosso estado emocional.
Toda essa estrutura vai sendo formada, desde o nascimento, de
acordo com uma programação original, determinada pelo DNA, mas alterada e
complementada pela programação social e familiar.
Todo ser humano precisa, durante essa formação, da presença efetiva
e afetiva do pai e da mãe, já que, biologicamente, essas duas influências interferem
na formação de programações específicas.
A mãe, na construção do funcionamento associativo do cérebro,
e o pai no seu funcionamento lógico.
A ausência afetiva da mãe traz grandes prejuízos para todos
os filhos, mas a do pai tem sido identificada como a que mais desestrutura o
emocional do menino, chegando ao ponto de ele não conseguir suportar
brincadeiras inconvenientes, como por exemplo, o bullying.
Numa entrevista recente um psicólogo americano comentou que
encontrou um único ponto comum em todos os adolescentes assassinos em escolas,
ou seja, os tais “school killers”: todos tinham carência afetiva paterna!
A carência afetiva paterna, que durante muito tempo, não era
vista como tão perigosa, tem sido observada, hoje, como origem de fortes desequilíbrios
emocionais do menino.
Isso fica muito evidente em vários tipos de comportamentos,
como os de agressividade, revolta, apatia, ansiedade, estado depressivo etc.
É hora, então, de refletir bastante sobre a participação
afetiva do homem, como pai, na educação de seus filhos.
O trabalho, as obrigações, os compromissos, etc., não pode
limitar a presença do homem, como pai, na relação afetiva com seus filhos,
principalmente com o menino!
Momentos a sós são importantes, para que ele se sinta
encorajado para perguntar suas dúvidas, falar sobre seus sentimentos e emoções,
contar suas aventuras, iniciando com a demonstração de interesse até pelas suas
brincadeiras com seus carrinhos e tudo o mais.
Planejar esses momentos, para que sejam frequentes, é a
mesma coisa que vacinar o filho contra toda e qualquer influência externa.
E nunca é tarde para começar essa relação. Lembre que agora
é ele quem precisa desse seu apoio emocional.
Mas, mais tarde somos nós que precisamos do apoio deles.
Ainda sobre autismo, tenho recebido ataques e críticas de
profissionais médicos e terapeutas, dizendo que, condenar a utilização dos
medicamentos controlados para reduzir seus sintomas, significa não conhecer o
desespero por que passam as suas famílias.
Segundo eles há medicamentos que os acalmam bastante, e sem
apresentar muitos efeitos colaterais.
Vamos, então, tecer algumas considerações:
Não há, ainda, qualquer medicamento para a cura do autismo.
Os pesquisadores mais próximos de conseguirem isso são a Dra
Karina Griese Oliveira e o Dr Alisson Muotri, com estudos na área da
Epigenética.
O tratamento atual mais eficiente é o da área da nutrologia,
tendo o Dr Aderbal Sabrá, como um dos maiores experts no assunto.
Médicos neurologistas e psiquiatras aprendem, nas suas
formações, a reduzir os sintomas dos autistas, utilizando drogas indicadas para
comorbidades psicogênicas.
Tais medicamentos, embora reduzam a agressividade e outros
sintomas, trazem efeitos colaterais sérios, alguns até podendo prejudicar,
severamente, o desenvolvimento intelectual e cognitivo dessas crianças.
Essas especialidades médicas não aprendem, durante sua
formação, que os sintomas do autismo podem ser reduzidos, e alguns até
eliminados, por meio do tratamento de diversos outros fatores, como por exemplo:
Baixo nível de ômega-3
Problemas de tireóide
Infecção por cândida
Intolerância ao glúten, caseína, lactose, açúcares e
farinhas brancas, etc.
Já os médicos nutrólogos, sim, aprendem a relação direta
entre todos esses fatores e o autismo, sendo, então, os profissionais ideais
para tratarem essas crianças.
Os laboratórios farmacêuticos, entretanto, não apoiam a ação
dos nutrólogos, já que esses não prescrevem os medicamentos que são as maiores
fontes de lucro dessas empresas.
Concluindo, temos duas opções:
1ª) Se dedicar com paciência e perseverança, ao tratamento
nutricional de seu filho, com o auxílio de médico nutrólogo,
gastrenterologista, imunologista e com apoio de nutricionista.
Embora essa opção seja trabalhosa, esses pais vão constatar
a evolução intelectual, comportamental e emocional de seu filho a cada dia; ou
2ª) Se livrar de todo esse trabalho e tratá-lo com drogas a
vida inteira, mas sabendo que eles dependerão eternamente de alguém, a menos
que, de repente, surja um medicamento que traga a cura.
Quer saber mais sobre isso?
Leia os trabalhos do Dr Aderbal Sabrá, da Dra Karina Griese
Oliveira e do Dr Alisson Muotri.
Educar nunca foi fácil. Educar um autista é mais difícil
ainda. Mas é nossa obrigação moral!
Em relação aos alunos especiais o que mais se ouve são
detalhes das deficiências, dos impedimentos, da falta de capacidade cognitiva,
da baixa intelectualidade, do mau comportamento, da agressividade, ou seja: Para
quem escuta pela primeira vez, parece que esse aluno é constituído
exclusivamente de problemas em forma de síndromes, transtornos, bloqueios,
dificuldades e patologias!
E como somos acostumados a entregar aos médicos a
responsabilidade pela cura de todos os nossos males, incluindo males que, na
realidade, são da nossa própria competência, como baixa autoestima, preguiça de
realizar atividades físicas, falta de controle com o que come e com o que bebe,
falta de planejamento de uma rotina saudável, e outras coisas, fazemos a mesma
coisa com esse tipo de aluno, e exigimos que a família nos traga o seu “laudo
médico”.
É óbvio que, havendo um acompanhamento médico e que
necessite cuidados especiais na escola, precisamos ter o laudo, ou um relatório
para tomar conhecimento disso e dar a devida atenção.
Mas o nosso foco principal não pode ser a doença, o
transtorno, ou a síndrome já identificada ou diagnosticada, mas sim a atenta
observação e análise de todas as características que possam interferir na sua
aprendizagem, no seu comportamento, no seu estado emocional e no seu
desenvolvimento como um todo, independentemente de qualquer laudo ou
diagnóstico que nos seja apresentado.
Nossos objetivos principais, então, são: a garantia da
aprendizagem; do desenvolvimento de autonomia; e da elevação da autoestima de
cada um dos nossos alunos.
Para isso teremos uma infinidade de metas, entre elas a
cautelosa identificação de todas as características importantes para o seu
desenvolvimento integral, como as percepções, equilíbrio, comando motor,
entendimento geral e capacidade de elaboração.
Para tudo isso há testes específicos e protocolos
pedagógicos, identificando os níveis de percepção e entendimento: visual;
auditivo; táctil; gustativo; e olfativo.
Em audição e visão é importante realizar, também, testes
telemétricos, para identificar possíveis desequilíbrio de lateralidade.
Os testes de equilíbrio e comando motor podem identificar,
desde cedo, anomalias no cerebelo. Hoje isso está aparecendo com mais
frequência em crianças com microcefalia, por exemplo.
Os testes de entendimento podem mostrar bloqueios de
raciocínio lógico ou linguístico importantes.
Aí teremos que nos aprofundar um
pouco mais, mas continua sendo nossa área, a de aprendizagem.
Outra meta, a partir dessa fase de identificação, é o
desenvolvimento e aplicação de metodologias e técnicas didáticas que reduzam,
superem ou até eliminem as dificuldades de aprendizagem.
Nesse ponto, se a dificuldade mostrar sintomas claros de
síndromes, transtornos ou patologias, aí sim, além de continuar o
desenvolvimento e aplicação de metodologias e técnicas didáticas que reduzam,
superem ou até eliminem tais dificuldades, o educador deve preparar um
relatório específico, para encaminhar o aluno para atendimento especializado.
Esse encaminhamento, parte importante das metas do educador,
é crítico, e nunca deve ser realizado sem conhecimento básico da relação entre
os sintomas observados e a especialidade que detenha a devida competência.
Os atendimentos iniciais devem ser realizados,
preferencialmente, pelo psicopedagogo, que analisa se o procedimento está em
sua competência ou o encaminha ao demais profissionais, entre eles: psicólogo,
neuropsicopedagogo, nutricionista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e, na
área médica, o pediatra. O encaminhamento para a área médica deve sempre ser
para o pediatra. A partir dele virão os demais profissionais.
É importante eliminar a tendência de pais e professores em
“diagnosticar” seus filhos e alunos, encaminhando-os diretamente a um
neurologista, por exemplo!
O especialista fica sem a possibilidade de realizar um
acompanhamento mais demorado, e acaba prescrevendo medicamentos ligados ao
sintoma, mas sem condições de analisar as suas origens. Isso, frequentemente,
prejudica mais a criança do que ajuda.
Então, estamos vendo que, até a responsabilidade de
encaminhar corretamente o aluno para acompanhamento terapêutico, é uma das
metas que compõe nosso objetivo principal.
É bom sempre lembrar que o acompanhamento médico ou o
tratamento terapêutico é a parte clínica do processo, que corre em paralelo com
o processo educacional.
A aprendizagem continua, todo o tempo, sob a nossa
responsabilidade, e isso significa que o educador não depende de laudo médico
algum para o desenvolvimento e aplicação das suas metodologias, visando a
aprendizagem e o desenvolvimento do aluno!
O ideal, em todos os casos de patologias mais sérias, é que
o educador, responsável pelo desenvolvimento do aluno, mantenha contato com o
terapeuta, responsável pela parte clínica, tanto para analisar se deve adequar
alguma metodologia, como para dar informações sobre a redução ou não dos sintomas.
É bom lembrar sempre de nossos objetivos. “Dar aula” é uma
parte de uma das nossas metas, mas nunca objetivo! Garantir aprendizagem, sim,
é objetivo!
Por isso que o desenvolvimento de metodologias apropriadas à
realidade de nossos alunos é de suma importância!
Esse detalhe está muito mal-entendido, provoca muita
polêmica e gera um verdadeiro “exército” de sabotadores!
Sabotadores não querem alterar sua metodologia e não se
acham obrigados a isso!
Tais profissionais sabotadores, ao receberem alunos especiais
em suas turmas, quando muito acabam concordando em “acolhê-los”, deixando-os
“depositados” em um canto da sala e, mesmo assim, ainda acham que estão fazendo
um grande favor ao aluno e à sua família.
Voltando às nossas metas vamos proceder, então, a
observação, identificação e análise do nível de inteligência e da capacidade
cognitiva existente em cada um dos alunos, sejam eles especiais ou não, já que
precisamos disso para garantir a realização de nossa missão principal.
Nessas nossas observações, nosso interesse estará na
inteligência existente (sempre há), no conhecimento já adquirido, nas
habilidades potenciais ou em desenvolvimento, ou seja, em toda a parte positiva
ligada ao seu processo de aprendizagem.
Um detalhe primordial, mas frequentemente esquecido por
muitos professores, é a necessidade de se encontrar o “ponto de entendimento”
do aluno naquela matéria ou naquele assunto.
Nunca teremos sucesso na realização de nossas metas rumo ao
objetivo principal, se ignorarmos o tal “ponto de entendimento” do aluno!
Tentar ensinar a um aluno algo além de seu ponto de
entendimento é total “perda de tempo”. Seu cérebro jamais conseguirá acompanhar
o raciocínio de quem explica e, muitas vezes, isso faz com que o cérebro do
aluno seja totalmente bloqueado para qualquer outro tipo de entendimento
naquela matéria, ou até nas demais!
Com isso traçamos, imediatamente, os principais objetivos da
educação responsável, que são:
Proporcionar a aprendizagem real de todos os alunos;
Desenvolver e estimular a intelectualidade, o conhecimento e
as habilidades para que ele alcance a sua autonomia, com autoestima elevada;
Prepará-lo para uma convivência social saudável e produtiva,
juntamente com a formação do caráter.
Traçados os objetivos poderemos desenvolver, com
tranquilidade, todo o nosso trabalho.
Mas é importante que, a cada dúvida sobre a atividade a ser
apresentada ao aluno, sobre a forma de estimulá-lo ou, principalmente, sobre a
forma de avaliar seu desempenho, voltemos sempre a análise dos objetivos, para
termos certeza de que não estamos fugindo deles!
Refletir
sobre isso é fundamental para desenvolver a nossa própria criatividade, e para
que nosso trabalho seja muito mais eficaz.
(…)nos iludimos com uma realidade que é apenas parte do
real, que é apenas uma representação particular, só nossa, do imenso
desconhecido que nos cerca(…)
(na página 127 de O Menino dos Jornais)
Há quem diga, com muita frequência, que ser professor é um
grande sacrifício e que não vê a hora de se aposentar!
Sinto muita pena dessas pessoas!
Ou erraram muito no momento em que escolheram a profissão,
ou acharam que a pedagogia ou as licenciaturas eram os cursos superiores mais
fáceis para ingressar e para conseguir emprego, ou foram “jogados” nela por
perversidade dos pais ou, quem sabe, lá estão para resolver algum karma gerado
em uma das suas vidas passadas...
O fato é que esses estão na profissão errada, principalmente
porque, em qualquer dessas situações, quem vai “pagar o pato” é a educação e,
principalmente, os alunos, provocando o que hoje estamos vendo claramente, que
é a péssima situação de nossa realidade de aprendizagem, ou melhor, de não
aprendizagem!
Há, na realidade, toda uma forma de entendermos a tarefa
docente como uma tarefa produtiva e prazerosa.
Tudo depende de, primeiramente, estarmos bem conosco mesmo, o
que significa estar “bem resolvido” de forma pessoal, conosco mesmo, e
conjugalmente, com nosso cônjuge.
Essa profissão exige que estejamos psicologicamente e
emocionalmente bem estruturados, porque estamos lidando com crianças,
adolescentes e jovens provenientes de todo tipo de realidade social e familiar!
Já conversamos sobre tudo isso desde a página 17 até a
página 30, em nosso livro “Afetividade na Educação-Psicopedagogia”.
Estando “bem resolvidos” teremos condição de entender que
cada um de nossos alunos deve ser assumido como um projeto pessoal de nossa
vida profissional.
O fracasso de qualquer um deles, mesmo que esteja claro que
os motivos fugiram de nossa alçada, significará uma mancha em nosso projeto de
vida, já que passaram por nós!
Mas como poderemos estar preparados para assumir esses
projetos, se são tantas as diferenças comportamentais, intelectuais,
cognitivas, emocionais, temperamentais e tudo o mais?
Bem! Aqui vai uma dica, que é apenas uma das ideias que eu mais
gosto, só para ajudar na montagem inicial de tais projetos, mas que pode ajudar
bastante. Sempre deu certo para mim e para todos os colegas que experimentaram!
É, na realidade, mais um dos muitos exercícios de imaginação
criativa, no qual vamos transformar nossa sala de aula em um palco e nossos
alunos em atores de uma peça teatral.
A ideias é enxergar todos os alunos da sua turma como se
fossem atores de uma peça teatral, peça essa da qual você tentará ser o diretor.
Essa peça terá início no seu primeiro dia de aula e só
terminará no final do ano letivo, com um pequeno recesso para as férias do meio
do ano.
Cada um dos seus alunos representa um personagem diferente,
fruto da reação psíquica e emocional ao ambiente em que ele está inserido,
tanto em casa, na sua família, como na rua, com seus amigos, e também na
própria escola, com seus colegas.
Eles tentam assumir personagens próprios, diferentes
daqueles que você gostaria de ter criado para eles, porque sempre procuram, em
seus personagens, reduzir suas carências afetivas, ou até demonstrá-las.
Alguns personagens servem para demonstrar, até para eles
mesmos, que eles existem, já que alguns são ignorados por suas famílias, outros
sofrem discriminações em seu próprio meio, e também há os que são violentados,
mesmo que simbolicamente.
E não existe ambiente mais propício do que o da escola, para
dar vida a esses personagens! Há toda uma plateia à disposição, que são os seus
colegas, os colegas de outras turmas, os professores e os funcionários.
E as características de seus personagens podem até ser
fortalecidas, muitas vezes negativamente, quando passam a atuar em grupo,
devido à forte influência da consciência coletiva, muito bem analisada por
Émile Durkeim.
Está montado, então, o teatro!
Quem entende de arte teatral sabe que o ator precisa estar
preparado para não confundir sua identidade com a de seu personagem, para não
viver uma vida que não é sua.
Para isso existe a escola de teatro e todos os seus
exercícios de arte dramática.
Mas nossos alunos-atores não tiveram esse treinamento, logo
não foram preparados para o exercício da arte dramática.
Isso significa que facilmente confundem seus personagens com
sua própria personalidade!
Aí então começa uma das primeiras tarefas do professor, que
é a tentativa de identificar o que é personagem e o que é real no comportamento
do aluno.
Agora é só planejar uma primeira reunião do Conselho de
Classe, para que seja iniciado o acompanhamento de cada aluno, visando o
alcance do objetivo principal da educação escolar, que é a aprendizagem e a
formação do caráter.
Para essa primeira reunião é importante que todos os
profissionais da escola participem, para identificar se há mudanças
comportamentais nos diferentes ambientes.
A partir dessa análise inicia-se a identificação das causas,
para traçar o planejamento das estratégias necessárias.
Um professor sozinho poderá até realizar esse trabalho, mas
a parceria com os demais é sempre muito mais proveitosa.
Embora na maioria das vezes o aluno seja o reflexo da realidade
comportamental de seus pais, há muitas exceções.
Identificadas as causas temos alguns caminhos a percorrer.
Um deles é a tentativa de anular a causa, que frequentemente está no ambiente
familiar. Se isso for possível podemos ter certeza de que os resultados serão
os mais eficazes.
Caso isso seja muito difícil, a opção é anular o personagem,
antes que esse anule a real identidade do aluno!
Há diversos caminhos para isso:
O primeiro é recorrer ao acompanhamento psicopedagógico que,
caso identifique a necessidade de outro profissional, vai fazer esse
encaminhamento.
Outro, muito eficaz, é a utilização de exercícios de
vivência de virtudes e valores humanos.
Há vários livros no mercado com esse tema, alguns deles com
exercícios específicos para determinadas faixas etárias e outros específicos
para situações sociais diferenciadas, como refugiados de guerra, meninos de
rua, etc... Os que eu mais utilizei, até hoje, foram os do Instituto Vivendo Valores, escritos pela educadora Diane Tilman.
Realizando esse trabalho teremos de volta o aluno normal, livre
de seu personagem, podendo, agora, aprender com mais facilidade e construir o
seu caráter como desejamos.
Essa é uma das dicas.
Mais uma vez recomendo a todos que assistam ao filme
“Escritores da Liberdade”.
São ideias que ajudam muito a nossa necessária
criatividade.
DIÁLOGO TEORIA-PRÁTICA Importância do diálogo teórico-prático e histórico-filosófico
na formação do educador
Um dos comentários mais “sabotadores” que encontro, em todos
os meios profissionais, é o que considera “perda de tempo” estudar os teóricos,
com a afirmação de que as teorias são lindas, mas na prática, não funcionam!
Dá pena das pessoas que dependem desses profissionais!
Dá pena das pessoas que são obrigadas a confiar em
profissionais cuja prática não se sustenta em nenhuma teoria, mas apenas em
suposições pessoais, em experimentações aleatórias, sem a menor preocupação em
pesquisar estudos anteriores, como se tais estudos de nada valessem.
Como se não fossem esses estudos os responsáveis pela origem
de conceitos que ajudam, a todo momento, a evolução de qualquer ciência.
Na educação é a mesma coisa. Há professores que combatem
ideias, metodologias, propostas e estudos que lhe são apresentados, sem que se
deem ao trabalho de, sequer, analisa-los, muito menos ainda, praticá-los!
Preferem dizer que não dá certo! Que quem desenvolveu tais
estudos, não conhece sala de aula como a sua! Que na prática nada disso dá resultado!
Se queremos uma educação que mude a realidade brasileira, ou
que, pelo menos, mude a nossa satisfação em garantir uma educação com qualidade
e com boa formação de caráter, precisamos analisar tudo, desde os mais antigos
escritos, como os de Iohannis Amos Comenius, na sua “Didática Magna”, do século
XVII, até os atuais educadores, passando por Piaget, Vygotsky e todos os
demais.
Todas as teorias vieram de observações e experimentações.
Portanto, afirmar que, na prática, não funcionam, precisa
que não tenham sido estudadas corretamente, ou que haja uma resistência muito
grande em aplicá-las.
O que vejo é muita acomodação a uma “zona de conforto”
totalmente retrógrada, ineficiente e, pior ainda, irresponsável!
Se nem um vendedor de chuchu na feira consegue manter sua
freguesia, se não mudar o layout de sua barraca, ou a sua forma de mostrar o
produto ou de estimular o comprador, como um professor conseguirá manter a
atenção e garantir a aprendizagem de todos os seus alunos, se não estudar metodologias,
teorias e experimentações, para poder criar algo novo com base em tudo isso?
E criar algo novo não significa, de forma alguma, abandonar
o antigo, mas sim, se basear no antigo, para mudar para melhor! Os exemplos
estão aí, bem claros!
Quando Comenius, em pleno séc. XVII, escreveu que “Age
idiotamente aquele que pretende ensinar aos alunos não quanto eles podem
aprender, mas quanto ele próprio deseja”, ele estava sendo mais atual do que
muitos professores hoje, em relação a uma educação responsável, principalmente
na época da educação inclusiva!
Infelizmente estamos vendo, diariamente, em muitas escolas,
professores agindo idiotamente, e se achando certos, mas insatisfeitos com a
sua profissão, revoltados com tudo, ou seja, “de mal” com a vida...
Estão na profissão errada!
Nem sequer procuram saber as razões pelas quais alguns de
seus alunos não aprendem com a mesma facilidade que os demais, preferindo
excluí-los, por meio de reprovações, e manter apenas os que estiverem no mesmo
nível.
“Eu dou a minha aula para quem quer aprender. Os demais que
se virem para passar! Minha obrigação é dar a aula. Nada tenho a ver com
estimular aluno relapso”
Lembro a tais professores que, se em minha escola, eu só
tivesse esse tipo de aluno interessado, eu não precisaria contratar nenhum
professor! Bastaria dar aos alunos acesso à internet e orientá-los nas
pesquisas. Eu sozinho faria isso!
Nós, professores, somos necessários exatamente para o aluno
com dificuldades de aprendizagem, desestimulado para o estudo, acomodado à
incapacidade de entendimento e aprendizagem, ou seja, para aqueles que não
conseguem acompanhar o nível dos colegas, sejam quais forem os motivos. Os
demais não precisam de nós!
Para termos uma educação de qualidade precisamos, então, estudar
os teóricos, analisar a sua evolução histórica, e desenvolver a nossa
capacidade de questionamento filosófico, levando em consideração as mudanças no
meio, as mudanças na cultura e, principalmente, a evolução da mente da própria
criança e as suas dificuldades de aprendizagem, tanto as antigas (dislexia,
discalculia, TEA, TDAH), como as novas, como por exemplo, a microcefalia.
Sei que o simples estudo histórico pode criar a sensação de
que aquela metodologia é única e que qualquer desvio de sua originalidade vai
fazer com que perca a sua validade.
Da mesma forma o simples questionamento, sem uma boa análise
cuidadosa, pode eliminar as possíveis qualidades do processo criado pelo
educador, mesmo que não escrito, mas sim despertado, ao leitor atento, devido
ao que foi escrito.
Mas num diálogo histórico-filosófico juntamos a análise de
algo já criado, com todas as suas possibilidades alternativas e, a partir do
exercício do questionamento, podemos fazer surgir ideias novas, que nem sequer
foram pensadas pelos autores, mas que, em suas entrelinhas, as tenham
despertado em nós, leitores.
E, lembrando sempre: manter as observações em relação às características
de cada aluno, ou seja: suas dificuldades; suas habilidades; seus interesses e suas
diferentes formas de entendimento de mundo.
Tudo isso passa a constituir a base desse estudo.
A base para a construção, dentro de cada um de nós, de um
educador responsável!
NOVA VISÃO EDUCACIONAL
UM DESAFIO E UMA PROPOSTA PARA O EDUCADOR RESPONSÁVEL
Vamos começar logo com dois choques de realidade na educação
de nosso país, um decorrente do outro:
Estamos classificados, atualmente, como o pior país do mundo
em educação! Há, no máximo, dois ou três ainda piores que nós...
E nossas metodologias educacionais estão contribuindo,
diariamente, para aumentar a exclusão social e, consequentemente, aumentar o
número de pessoas medíocres e alimentar o efetivo dos exércitos do crime
organizado.
É de suma importância, então, procurarmos novos caminhos que
garantam a aprendizagem real de todos os alunos, em conjunto com a sua formação
de caráter, mas não apenas de alguns, mas sim de todos, respeitando as suas
diferenças cognitivas, comportamentais e emocionais, sejam elas quais forem.
O atual processo educacional tradicional realizado em uma
escola, onde as aulas são dadas de acordo com o nível intelectual e capacidade
cognitiva média dos alunos de uma determinada série escolar, pode até trazer
resultados muito bons, mas apenas para um grupo seleto de alunos.
Que alunos são esses?
Aqueles que já vem de um histórico familiar de permanente
apoio intelectual, exemplo em casa, estímulo à leitura, estímulo à pesquisa, ou
aqueles que, apesar de não ter nada disso, conseguiram superar suas
dificuldades de forma pessoal e se esforçaram para seguir adiante com muito
esforço e muita força de vontade.
Os demais estarão em sala de aula apenas “para garantir
presença”, enquanto não forem excluídos, e logo estarão se transformando em
futuros párias sociais, uns acomodando-se à mediocridade, enquanto outros
procurarão sucesso no mundo da criminalidade.
E não vamos nos enganar com instituições de ensino que dizem
garantir o sucesso de todos, porque, na realidade, o que essas estão fazendo, é
excluindo, desde os primeiros anos escolares, os alunos que, por algum motivo,
não conseguem acompanhar o nível dos colegas.
Assim fazendo essas escolas ficam apenas com os alunos que
nem de escola precisariam, para terem seu sucesso garantido...
Como mudar isso?
Primeiramente precisamos enxergar, claramente, que manter o
método de ensino atual significa continuar a manter o atual processo de
exclusão social e de contribuição para com a criminalidade.
Em seguida precisamos analisar se as nossas metodologias
pessoais em sala de aula estão, também, contribuindo para esse triste
resultado, ou se em nosso caso, já superamos essa fase e já podemos dizer que
garantimos, para todos os nossos alunos, aprendizagem real e formação de
caráter.
Para essa análise temos que ser bastante humildes, e evitar
que os nossos fracassos sejam entendidos por nós como “problemas de falta ade
educação doméstica”, falta de apoio do sistema educacional, falta de tecnologia
em sala de aula, falta de verba, etc...
Todas essas faltas pesam, sim, é claro, e a batalha para que
esses pontos sejam resolvidos, deve existir. Há necessidade de se exigir
atuação dos Conselhos Tutelares, das secretarias de ação ou serviço social, das
secretarias de educação e, inclusive, das secretarias de saúde, já que parte
das dificuldades são provenientes de falta de tratamento ou acompanhamento
médico adequado.
Mas essa batalha não pode eliminar a outra, que é a atuação
imediata do professor em sala de aula, com os atuais meios que tiverem à sua disposição,
enquanto outro grupo exige as providências externas à sala de aula.
Em sala de aula precisamos encontrar metodologias que, além
de manter os alunos estimulados e esforçados em seu caminho, também consigam
estimular os desestimulados, apoiar os que não têm apoio familiar, recuperar o
caráter daqueles que já dão sinais de desvios de conduta, e assim por diante.
Bom lembrar que ainda estamos falando de alunos que não
trazem nenhuma dificuldade neuropsíquica de aprendizagem, nem síndromes nem
transtornos que dificultem a aprendizagem.
Ou seja: a preocupação com a inclusão, que ainda não é uma
realidade para os alunos especiais, está mais longe ainda de ser realidade para
alunos ditos normais, mas com desvios de conduta, desestímulo escolar, falta de
ânimo, preguiça crônica, etc...
Vamos tentar entender como começar?
Já vimos que a diversidade de características encontradas
entre os alunos é imensa!
Precisamos entender que isso é normal, ou seja, cada ser
humano, por mais que ele seja semelhante aos demais, traz características só
suas que, certamente, influenciarão a sua forma de percepção, processamento e
conscientização do mundo à sua volta.
Algumas dessas características decorrentes da evolução
social e antropológica, podem até trazer traços comuns, mas há muitas variantes
na forma como cada pessoa sente e internaliza os mesmos fatos e os mesmos
eventos.
E essas diferenças, mesmo entre as pessoas ditas “normais”,
provocam diversas formas de percepção, entendimento, aprendizagem e elaboração.
Por isso que, em uma mesma família onde não exista apoio
emocional dos pais, podemos ter um filho com tendência a desvios de conduta e
outro com força de vontade para vencer e boa formação de caráter!
E quando, além dessas naturais diferenças, o ser humano traz
consigo alguma dificuldade de ordem neuropsíquica, como os sintomas de
síndromes, transtornos, deficiências e dificuldades intelectuais ou cognitivas,
a construção da sua identidade e personalidade sofre influências maiores ainda.
O primeiro grande desafio, enfrentado por quem tem qualquer
dificuldade, está relacionado à velocidade de aprendizagem, já que o sistema
escolar está todo elaborado para que todos os alunos estejam no mesmo ritmo de
leitura, de entendimento e de elaboração oral ou escrita, o que é um verdadeiro
absurdo!
O segundo grande desafio é quando a sociedade não consegue
perceber a violência simbólica sofrida por esses alunos e os trata com
indiferença ou até com discriminação.
Esses alunos começam a sofrer essa violência, a partir do
momento em que percebem as diferenças entre eles e seus colegas.
Essa violência simbólica, que muitas vezes se torna
violência real, por meio de bullying realizado por colegas e até por
professores, trabalha no sentido de baixar a sua autoestima, aumentando suas dificuldades
e criando outras, que poderiam nem sequer existir.
Temos, então, que encontrar uma forma prática ideal para o
exercício da docência, respeitando todas essas características.
Temos que criar metodologias que alcancem a todos, em uma
mesma sala, estimulando-os a partir dos seus respectivos níveis de entendimento
e de suas capacidades cognitivas.
Essas metodologias devem garantir que todos se sintam em
processo de aprendizagem real, a todo momento, e que sintam que têm capacidade
de aprender.
Essa sensação de ter capacidade de aprender é o que vai
servir para a parte mais importante de todo o processo intelectual e emocional
de cada pessoa, que é a elevação da sua autoestima.
A partir do momento em que a autoestima de uma pessoa se
eleva, o seu próprio cérebro começa a trabalhar, incessantemente, de forma a
eliminar todas as suas dificuldades, reduzir seus sintomas, e melhorar sua
percepção, sua memória e seu raciocínio.
Só o próprio cérebro consegue fazer isso de forma eficiente,
e ele só precisa de autoestima elevada.
Pronto: aí está o desafio!
Criar uma metodologia que alcance todos esses objetivos.
Tenho duas dicas:
Primeira: assistir ao filme “Escritores da Liberdade”
Segunda: participar da palestra sobre a “Metodologia IUPE de
Dinâmica Grupal” no dia 18 de janeiro, das 8h às 12h, na sede do IUPE na
Liberdade, em Salvador.
E, em seguida, preparar a sua própria metodologia, com base
nesses dois exemplos e compartilhar conosco.
O que não podemos é ficar de braços cruzados vendo nosso
país continuar como o pior do mundo em educação!