quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Educação inclusiva e os cinco passos básicos da coordenação

Em matéria de Educação Inclusiva, as dúvidas continuam e, pior que isso, a má vontade supera todas as capacitações, treinamentos e ensinamentos, por melhores que sejam.

Vamos enfocar, hoje, o papel do coordenador escolar no processo de Educação Inclusiva, em alguns passos bem definitivos e que espero que sejam fáceis de seguir:

Passo um – análise e formação da equipe:

O coordenador deve, antes de qualquer coisa, analisar a equipe existente, os serviços que poderão ser executados e planejar a capacitação de toda ela.

Para a escola ideal, a equipe consiste de:

01-Todos os professores regulares da escola;

02-Profissionais de apoio escolar de cada aluno especial ou de cada grupo de alunos, e demais acompanhantes dos alunos especiais que assim necessitarem, como tradutores e intérpretes, por exemplo;

03-Professores de AEE, ou equipe de AEE (Atendimento Educacional Especializado).

Passo dois – motivação de toda a equipe já mostrando as funções básicas de cada um:

Primeiro o coordenador deve motivar os componentes da equipe para a importância desse trabalho e, principalmente, mostrar que só conseguiremos sucesso no processo se aprendermos, todos, a gostar de verdade, de cada um dos alunos que estiverem sob nosso acompanhamento.

A partir daí o coordenador deve deixar bem claro, para toda a equipe da escola, quais são as funções de cada um desses profissionais, para evitar que haja falha no processo de Educação Inclusiva.

Para ajudar o coordenador nessa tarefa aqui vão as dicas:

Vamos começar pela síntese das funções:

Funções do professor regular:

Desenvolvimento intelectual, inclusão social e elevação da autoestima do aluno – realizada na sala de aula regular sob a sua responsabilidade.

No artigo Educação Inclusiva 03 – Dinâmica grupal em sala e no Educação Inclusiva 05 – Tarefas e avaliações, nós discutimos a melhor forma de fazer isso.

Profissionais de AEE:

Desenvolvimento cognitivo, ou seja, desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, estímulo das habilidades e elevação da autoestima do aluno.

Profissional de apoio escolar:

Acompanha o aluno nas suas necessidades de alimentação, higiene e locomoção e o ajuda nas atividades escolares em que isso seja necessário, conforme determina a Lei Brasileira de Inclusão da 
Pessoa com Deficiência.

Esse profissional não é para fazer o papel de professor nem de profissional de AEE, como alguns professores regulares acham, ou gostariam que assim fosse.

Passo três – os profissionais de AEE ou a equipe de AEE

Nessa etapa a coordenação deve providenciar a capacitação da equipe de AEE, de preferência com visitas às APAEs locais, e outras escolas de educação especial, como escola para surdos e instituições de apoio a deficientes visuais.

Funções principais do profissional de AEE:

A capacitação é o que vai servir para que essa equipe tente, com o máximo esforço e dedicação possível, substituir a escola especializada, em um ambiente dentro da própria escola ou em outro ambiente em convênio com a escola, para aplicar técnicas que desenvolvam a capacidade cognitiva, ou seja, a capacidade de aprender.

Nessa sala serão aplicados os métodos específicos de desenvolvimento pessoal dos alunos especiais daquela escola, mas esses profissionais podem recorrer a todas as técnicas pedagógicas já existentes, independentemente de seus teóricos, ou seja, usar Piaget, Wygotsky, Montessori, e também as ideias publicadas nos portais, no facebook, das Professoras Criativas, da Psicopedagoga Valéria e muito mais.

Os profissionais terão que ser especializados em cada uma das características encontradas nos alunos especiais da escola: autistas, tdah, disléxico, discalcúlico, retardo mental, síndrome de down, surdos, cegos, etc.

Lógico que será muito difícil substituir, dessa forma, uma escola especializada como a APAE, mas a ideia é tentar se aproximar disso.

A coordenação deverá, também, organizar quantas vezes por semana cada aluno terá esse atendimento e como ele será realizado, de preferência no turno oposto.

O coordenador deverá organizar como será a troca de informações entre a equipe de AEE e os professores regulares, para que esses possam preparar seus planos de aula inclusiva.

Isso porque é a equipe de AEE que vai informar aos professores regulares qual o nível intelectual e quais as características cognitivas do aluno especial, para que esse possa preparar seus planos de aula devidamente adaptados, como determina a Educação Inclusiva.

O coordenador deve certificar-se de que está sendo passada a informação completa sobre o aluno especial, pela equipe de AEE e que o professor regular está adaptando sua aula, seus planos de aula, suas tarefas e suas avaliações, de acordo com as informações de nível intelectual e características cognitivas informadas.

Mais uma vez lembro que temos já dois artigos explicando a forma de fazer isso tudo Educação inclusiva 03 e 05.

Passo quatro – o professor regular:

O coordenador deve providenciar a capacitação continuada dos professores regulares para que suas aulas sejam realmente aulas inclusivas produtivas e eficazes.

É comum percebermos professores dando aula para uma turma e, lá no fundo, isolado em uma carteira, e completamente abandonado, está depositado o aluno especial, como se essa atitude fosse uma atitude de educação inclusiva.

A desculpa que mais tenho ouvido é a de que não houve nenhuma instrução sobre isso em sua formação e que ele não sabe o que deve fazer.

Mais absurdo ainda é quando esse aluno depositado na sala é de nível intelectual muito abaixo do de seus colegas e o professor entrega para ele as mesmas tarefas, as mesmas avaliações e as corrige da mesma forma, ou seja, sua nota será sempre zero!

Pior ainda é quando eles dizem que isso é inclusão! Para evitar esse verdadeiro crime moral contra essas crianças, leiam o artigo Educação Inclusiva 03 e 05, como tenho repetido desde o início dessa nossa conversa.

O coordenador deve estudar a técnica dos grupos operativos de Pichon Riviére, para fazer a devida adaptação a uma sala de aula regular com alunos com diferentes níveis intelectuais e diferentes características cognitivas.

As dicas para a utilização dessas técnicas estão nos meus artigos anteriores, como já comentei.

Passo cinco – a Assembleia de Classe para formar o aluno inclusivo:

Estando devidamente “engrenados” os passos anteriores, agora é o momento de planejar e executar as 
Assembleias de Classe.

O que é isso?

São reuniões dos alunos de uma turma, orientados por algum professor, preferencialmente um psicopedagogo, para que eles sejam motivados para o entendimento, a aceitação e a compreensão dos seus colegas especiais e, em seguida, para que planejem a forma como cada um deles, individualmente e em grupo, possam contribuir para o desenvolvimento de seu colega e para a sua inclusão na turma.

Precisamos estar cientes de que a verdadeira inclusão só ocorrerá se for realizada pelos colegas do aluno especial, e não pelos seus professores.

Conclusão:

Seguindo esses cinco passos eu acredito que, nessa escola, o processo de Educação Inclusiva funcione de verdade.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Estudos sobre a consciência humana

Estudos sobre a consciência humana

Para que se preocupar com limites entre realidade, sonho e ilusão, se tudo isso é criado da mesma forma, em nosso cérebro?

Vamos iniciar, então, analisando a conscientização da realidade.

Olhamos um objeto. O reflexo da luz que incide sobre ele vai direto para nossa retina.

Na retina milhares de células, que são chamadas de cones, as que percebem as cores, e bastonetes, as que percebem a luminosidade, se sensibilizam com esse reflexo e geram pulsos elétricos.

Esses pulsos vão para o cérebro, por um nervo chamado nervo ótimo, direto para a área que processa esse tipo de percepção.

Nesse caso do exemplo, que é uma imagem visual, vai para o lobo occipital, na parte de trás da cabeça.

No cérebro o processador começa o processo de construção de uma imagem que deve corresponder ao objeto real.

Para essa construção ele utiliza os sinais elétricos recebidos e os compara com todos os demais arquivos de imagens já memorizados, para que haja a compreensão do que está sendo visualizado.

A compreensão correta do que a gente vê depende de já termos alguma referência anterior memorizada.

Quando todas as partes dessa imagem foram comparadas com nossa memória, a imagem é formada e só agora, ela se torna consciente em nosso cérebro.

Até esse ponto podemos concluir que a imagem que vemos ao olhar o objeto, corresponde exatamente aquele objeto, ou seja, a imagem conscientizada é a representação exata do real.

É mesmo? Mas veja o seguinte:

Todos sabemos o que é hipnose, certo?

A coisa começa a complicar quando constatamos que qualquer bom hipnotizador pode pular todas as etapas iniciais da percepção e ir direto para os processadores mentais, sugestionando-os para gerarem uma imagem que, na verdade, não existe.

Temos, então, uma imagem, essa de um objeto inexistente, construído mentalmente na área consciente do cérebro, exatamente da mesma fora que a outra imagem, que acreditamos ser de um objeto real, só que não há qualquer objeto ali.

Como a conscientização é feita exatamente da mesma forma, nunca teremos condições de saber se aquilo que se tornou consciente é fruto da realidade ou de uma sugestão hipnótica.

Vamos complicar um pouco mais?

Analisemos um paciente esquizofrênico. Esse nem precisa do hipnotizador para ver o que não existe! 

Sua patologia se encarrega, sozinha, de criar imagens, sons, sabores e cheiros, apenas com base nos arquivos mentais, sem que nada disso seja real!

O caso mais conhecido mundialmente é o de John Nash, o cientista que deu origem ao filme “Uma Mente Brilhante”.

Ele nunca conseguia diferenciar as pessoas reais das pessoas criadas pela sua mente! As imagens, os fatos, os sons e as sensações eram idênticas, fossem elas reais ou frutos da sua alucinação esquizofrênica.

E os sonhos?

Saindo da esquizofrenia e indo para um sonho normal, constatamos, também, que nossos arquivos constroem verdadeiros roteiros de filmes, sem que precisemos estar vendo nem ouvindo nada daquilo!

E há sonhos que nos parecem totalmente reais!

Então, pelo que estamos percebendo, o fato de estarmos conscientes de alguma coisa, seja a imagem de um objeto, um som, um acontecimento, uma sensação, ou até você estar mesmo lendo esse artigo ou assistindo a esse vídeo, não nos garante que isso esteja acontecendo de verdade!

E, logicamente, se quisermos ir um pouco mais longe, basta lembrar do filme Matrix, e a dúvida passa a ser: existe mesmo o real, ou tudo, na nossa vida, nada mais é do que fruto da nossa imaginação?

Depois dessa sacudida em nossa mente vamos, agora, ao assunto de hoje, que é: como trabalha a nossa conscientização de mundo!

Quando chegamos ao mundo “damos de cara” com uma infinidade de informações, todas recebidas como sensações, que nos chegam por meio de imagens, sons, cheiros, sabores, diferenças de temperaturas, humidade e secura, atrito e pressão.

Percebemos outras, também, que parecem vir pelo pensamento, imaginação ou ilusão, como se estivéssemos em um sonho, mesmo que estejamos acordados.

E cada uma dessas imagens (percebam que estou falando imagens, mas que podem ser sons, cheiros, sabores e demais sensações captadas por nossos elementos sensores) pode provocar sentimentos de curiosidade, medo, tristeza, raiva, satisfação, insatisfação, prazer, dor, ansiedade, angústia, embora algumas nos passem despercebidas ou somos nós mesmos que as desprezamos.

Mas é com essas percepções que vamos formando a nossa “base de dados”, que são os nossos arquivos cerebrais.

É com base nessa base de dados que poderemos entender o que nos cerca, sejam objetos, pessoas, ambientes, imagens, sons, fatos, acontecimentos, atitudes das pessoas, carinhos, agressões, violências, emoções, sentimentos e tudo o mais.

E, para não esquecer o que dissemos no início, essa mesma base de dados também serve para apoiar a formação dos sonhos, a realização do surto hipnótico e a criação das alucinações esquizofrênicas.

Mas, como ocorrem essas gravações, ou seja, como são formados esses arquivos?

Esse conjunto de informações vai sendo registrado em cada uma das nossas redes neurais e passam, aos poucos, a fazer parte da nossa memória definitiva, como elementos fundamentais para o nosso entendimento de mundo.

Na medida em que essas informações são transformadas em memória, em cada uma das nossas redes neurais, é como se estivéssemos programando o nosso computador mental.

Quando uma rede neural guarda uma informação significa que essa rede criou um conjunto de regras internas, que podemos chamar de um algoritmo.

Essa rede já programada com esse algoritmo transforma a comunicação entre seus neurônios (sinapses) nas atividades conscientes que temos, como as diferentes percepções, os pensamentos, as lembranças, os sentimentos e as emoções.

Francis Crick[i] e Christof Koch[ii] concluíram que deve haver uma infinidade de códigos neurais (algoritmos) operando em diferentes escalas, por todo o cérebro, e que a própria mente deve inventar novos códigos em resposta a todas as diferentes experiências que temos em nosso dia-a-dia.

Isso não é difícil de concluir, ainda mais hoje, quando a informática faz isso em todos os computadores.

Hoje confirmamos que esses códigos existem e que, certamente, são muito mais complexos do que o próprio código genético, como Christof Koch já havia dito.

Nossas atitudes, nossos pensamentos, nossos desejos, nossos sentimentos e nossas emoções são, então, o produto de uma série de equações (códigos ou algoritmos), contidas nessas redes neurais.

Francis Crick vai mais longe ainda quando nos diz, em sua obra “The Astonishing Hypothesis” (a espantosa hipótese), que nós, nossas brincadeiras, nossos sofrimentos, nossas memórias e nossas ambições, nossa personalidade e o livre arbítrio, nada mais são do que o resultado do comportamento de um imenso conjunto de neurônios.

Nós não somos nada mais, nada menos, do que um pacote de neurônios reunidos em grupos e seguindo alguma programação!

Ou seja, o que achamos que é nossa consciência, nada mais é do que a conscientização coletiva de aproximadamente cem bilhões de seres interdependentes, chamados neurônios, compondo milhões de redes neurais, e cada rede seguindo as determinações matemáticas dos algoritmos ali estabelecidos por algum tipo de programação ou por algum programador.

Ufa! Que ducha de água fria em quem se achava que era alguma coisa importante...!

Essa ideia é tão espantosa (por isso o nome do livro), e pode deixar a gente tão “para baixo”, que John Horgan[iii] achou que ele deveria ter dado outro título: “A hipótese depressiva”.

Já vimos, então, que não somos nada mais do que um conjunto de códigos neurais (algoritmos), pré-programados.

Mas isso pode não ser bem assim. São apenas elucubrações científicas e filosóficas sobre a consciência humana.

E agora, uma curiosidade:

Por que as crianças de hoje parecem nascer sabendo?

Nossa mente, ao nascermos, não deveria estar limpa, sem nada na memória, sem qualquer conhecimento prévio? Tudo não deveria ser novidade?

Antes a resposta a ser dada era: sim!

Hoje, pela observação das crianças, desde o seu nascimento, percebemos que não é bem assim. 

Algum conhecimento prévio de mundo já parece existir. Qualquer pai percebe que seu filho parece já saber coisas que não aprendeu com ninguém!

Alguma informação parece já estar em sua mente, e foi isso que Richard Dawkins[iv] chamou de meme, em sua obra; “O Gene Egoista”.

Meme seria, então, a herança cultural, passada de geração a geração, da mesma forma que acontece com os genes. Seria uma explicação para a evolução cultural do homem.

Só não descobrimos, ainda, onde estaria localizado, em nosso corpo, esses memes.

Será na parte do DNA que ainda chamamos de DNA lixo?

Bem. Uma parte desse DNA que era chamado de lixo, está todo o comando dos nossos genes, mas pode sobrar alguma coisa para os memes...

Nada sabemos, então, sobre a localização dos memes, mas sabemos que ele tem tudo para existir!

As crianças não nascem com sua consciência zerada! Já existe um acervo cultural previamente programado, da mesma forma que o acervo genético.

Por isso elas hoje estão espantando a todos, parecendo que já nascem sabendo de tudo!


[i] Francis Harry Compton Crick: Britânico, biólogo, biofísico e neurocientista, descobridor, junto com James Watson, da estrutura da molécula do DNA. Faleceu em 2004. Autor de The Astonishing Hypothesis, As moléculas do homem;
[ii] Christof Koch: Americano, neurocientista. Autor de The Quest for Consciousness, Biophysics of Computation: Information processing in single neurons.
[iii] John Horgan: Jornalista americano especializado em ciências. Publicou The end of Science, The undiscovered mind entre outros.
[iv] Richard Dawkins: Britânico, biólogo, professor da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, autor de The God Delusion, O Gene Egoísta, The Greatest Show on Earth, O relojoeiro cego, A Magia da Realidade, The ancestor’s tale, A escalada do monte improvável e o fenótipo estendido.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Treinamento Parental

Olá amigos,

Hoje vamos enfocar:

- A rebeldia, irritação e agressividade do aluno sem qualquer síndrome, transtorno nem qualquer tipo de doença comportamental;

- O treinamento parental visando corrigir essa tendência de comportamento;

- Uma outra vantagem do Treinamento Parental: A redução das dificuldades de aprendizagem.

Vamos começar pela rebeldia, irritação e agressividade do adolescente:

O que mais ouço de diversos pais é: “eles não nos ouvem mais”, ou “eles não nos respeitam como nós respeitávamos os nossos”

E vem a culpa: Isso é culpa da TV, da mídia, das novelas ou da influência dos colegas da escola.

Não, meu caro pai! Não é bem assim!

A sociedade, a TV, as novelas e os amigos são influências sim, mas para que essa influência transforme o adolescente em um aborrecente irritado, revoltado e agressivo, precisa que a relação familiar esteja incorreta e com algumas falhas.

Vamos analisar o fato?

O adolescente precisa ser ouvido. Se ele não é ouvido com atenção e com respeito, ele aprende a não ouvir mais ninguém.

O adolescente precisa sentir confiança em alguém para relatar seus problemas. Se ele não sente confiança em relatar seus problemas aos pais, ele vai relatar a colegas, e nem sempre as respostas serão as melhores.

O adolescente precisa se sentir seguro, amado e protegido. Se ele faz o que quer sem restrição, se sente abandonado ou rejeitado.

Se ele é proibido de tudo, nada pode fazer, sem receber explicações convincentes, ele se sente perseguido e violentado.

Então se o adolescente percebe que:

Dificilmente será ouvido quando quiser relatar alguma coisa; ou

Não sente confiança em se abrir para os pais; ou

Se sente abandonado ou violentado;

Ele estará, naturalmente, criando uma personalidade apática e depressiva ou, pior ainda: rebelde, irritada e agressiva.

Se sua fuga for para a TV, computador, celular e jogos eletrônicos, esses equipamentos, sozinhos, já ajudam a aumentar bastante o seu índice de irritabilidade.

Como acabar com esses e outros erros na educação doméstica?

Há pais que até sabem educar, mas que dizem não ter tempo para isso.

Largam os filhos aos cuidados de alguém, ou de alguma escola, desde muito cedo.

Poderiam até fazer isso, como eu mesmo fiz com ao meus, desde que dedicassem alguma parte de seu tempo para passar a afetividade e a segurança emocional que eles precisam.

Há pais que nunca aprenderam! E que não fazem a menor ideia do que fazer.

Até tentam mas podem estar agindo de forma totalmente errada.

Muitas vezes apoiam erros dos filhos quando deveriam impor limites e, outras vezes, são rígidos demais, sem qualquer sinal de afetividade, ou seja, não passam o sentimento de amor para o filho.

Então alguém tem que assumir esse treinamento, e não vejo, no momento, quem poderia fazer isso, senão a própria escola, por meio do treinamento parental.

Então vamos passar para o segundo item:

O treinamento parental visando corrigir essa tendência de comportamento

Como realizar esse treinamento de modo a conseguir os resultados esperados!

Não adianta inventar um novo momento na escola chamado de escola de pais, treinamento parental, orientação familiar, ou coisa parecida.

Precisamos utilizar o momento já existente das reuniões de pais, normalmente uma a cada unidade letiva.

Aos poucos, conseguindo que essas reuniões fiquem populares, podemos aumentar sua frequência.

Então vamos esbarrar numa dificuldade que todos já perceberam:

Os pais que mais precisam estar nas reuniões são os que mais faltam!

Feita uma enquete com diversos pais que não comparecem, muitos disseram mais ou menos a mesma coisa, ou seja, que não iriam passar o vexame de estar numa reunião onde a diretora iria reclamar, novamente, do mau comportamento do filho ou falar que ele está mal nas notas.

Então, para que essas reuniões ocorram com o público que precisa estar, nossa prática tem que ter início eliminando essa fala, ou seja, vamos cortar de nossas reuniões os comentários sobre comportamentos inadequados e notas baixas dos alunos.

Façamos essas outras comunicações (de comportamento e notas) durante os dias normais de aula, em comunicados via telefone ou por meio de sistemas de informação, hoje bastante comum nas instituições

Vamos então mudar o foco dessas reuniões e já transformá-las em reuniões de pura orientação de pais, escolhendo como temas exatamente as necessidades que são facilmente detectadas em sala de aula.

Os temas, então, devem ser passados de maneira a empolgar os pais, mostrando que vale a pena todo esforço para estimular o filho e para impor os limites que ele precisa.

Tudo isso é muito simples e não demandam muito tempo nem muito conhecimento.

A análise dos temas necessários deve ser realizada em conjunto com todos os professores e funcionários, para que sejam priorizados os mais urgentes.

Em dois de meus livros, tanto o “Afetividade na Educação” como o “Sexo: a escolha é sua”, eu listo alguns temas que podem ajudar muito esses encontros.

A preparação da exposição deve ser de forma que empolgue a plateia e eleve a autoestima de todas as famílias presentes.

Assim elas divulgarão para as que não compareceram, o que vai, certamente, trazer mais gente para a próxima.

Vamos, agora a dois outros pontos, também necessários, para fechar essa orientação sobre Treinamento Parental.

Ambientação agradável.

Os pais devem ser recebidos com afeto e atenção pelos professores e dirigentes, e o ambiente deve ser aconchegante, agradável, com música ambiente leve antes do início da conversa.

Lanche.

Um simples lanche, ao final, com os professores ou funcionários servindo ou levando os pais à mesa para se servirem, ajuda a integração entre pais e professores e vai estimulá-los a voltar para o próximo encontro.

Vamos agora a pergunta final para hoje:

O Treinamento Parental pode reduzir as dificuldades de aprendizagem?

Sim! Com certeza!

Vamos dar alguns exemplos:

Tenho encontrado crianças com dificuldades de leitura e escrita, já no 6º ano, com 10 ou 11 anos, resultado da desinformação em relação às atividades necessárias durante o período da Educação Infantil.

O que houve?

Essa criança, quando estava na fase da Educação Infantil, antes dos seis anos de idade, deve ter sido forçada a aprender a ler e escrever seu nome.

Nessa fase a criança deve estar apenas desenvolvendo as atividades sensório motoras, sem qualquer preocupação com alfabetização.

Por isso a escola deve proporcionar muita ludicidade, muito exercício de coordenação motora, e demais atividades físicas, explorando todos os seus elementos sensores, como visão, audição, tato, paladar e olfato, além de vivências que explorem as sensações e os sentimentos.

Mas os pais, mal informados, tiram seus filhos da escola que faz isso, para matriculá-lo nas que oferecem alfabetização precoce, tudo isso para poderem dizer que seu filho já escreve seu nome ou até que já resolve equações do quinto grau com trezentas incógnitas e recita Camões, mesmo ainda com quatro ou cinco anos de idade!

Esse erro é o mais comum e o que mais traz dificuldades futuras de aprendizagem, com sintomas muito semelhantes aos da dislexia e discalculia.

Outro erro grave, causado por desinformação dos pais, é a comparação de seu filho com o irmão mais habilidoso, ou com um outro parente ou vizinho.

Isso bloqueia emocionalmente a criança e provoca o aparecimento de sintomas semelhantes aos mais diversos transtornos de aprendizagem.

Ou seja:

Pais bem preparados evitam bloqueios emocionais em seus filhos e, por consequência, evitam o surgimento de síndromes e transtornos cuja causa pode estar nesses bloqueios.

Dúvidas, sugestões ou comentários?

Entre em contato por e-mail.

ROBERTOANDERSEN@GMAIL.COM

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Forte abraço a todos.

domingo, 30 de outubro de 2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Memória - dicas para melhorá-la


Aqui vão algumas dicas para melhorar a memória, com base em alguma perguntas recebidas:

Amiga,

Lembre-se que há uma série de causas para esses tipos de esquecimentos, e que é sempre melhor atacá-los antes de entrar em um tratamento medicamentoso.

O elemento mais importante entre as causas prováveis é o estresse! O estresse, na realidade, é o grande vilão de praticamente todos os males!

Então, embora eu recomende a ida a um neurologista para exames mais específicos, já que ele é o profissional especializado em neurônios e redes neurais, sempre é bom fazer a parte que só nós podemos fazer, que é "dar um jeito na nossa rotina de vida".

Lembre-se sempre que cada minuto da sua vida, a partir do momento em que você acorda, está contando para ser entendido pelo seu sistema límbico como minuto de insatisfação, minuto de desprezo ou minuto de satisfação.

Cumprir a rotina diária sem vivenciar com prazer cada momento, significa “perder tempo de vida”.

Realizar as obrigações rotineiras com preocupações diversas, como por exemplo: “tenho que acabar isso logo para fazer o restante das minhas obrigações”; significa “alimentar a energia do estresse”, o que desestabiliza o sistema nervoso e faz surgir ansiedades, angústias e energias que vão perturbar, inicialmente, o raciocínio e a memória de curto prazo, mas que, após algum tempo, estará afetando as demais memórias, além de possibilitar o disparo de uma série de doenças psicossomáticas.

A solução é vivenciar cada minuto da vida como se fosse uma grande oportunidade de criar prazer e sentir emoções positivas.

Lembre-se do famoso “Carpe Diem” ensinado pelo professor aos seus alunos em “Sociedade dos Poetas Mortos”!

Não se vista apenas porque tem que se vestir. Não se alimente apenas porque tem que se alimentar. Vista-se sempre de uma forma que você se sinta bem e se admire. Não interessa o que os outros acharão.

Até nas compras do dia-a-dia procure investir em qualidade em vez de gastar com quantidade.

Procure se alimentar com alimentos que você sabe que serão excelentes para o seu organismo e que, além disso, estejam com o tempero que você mais admira.

Lembre-se que beber água com frequência alimenta a memória. A falta de água prejudica a memória e provoca cansaço. Água pura é importantíssima para o organismo. Não adianta água em sucos, refrigerantes, cervejas, nem, muito menos, nas pedras de gelo colocadas no copo de whisky.

Ao conversar com as pessoas centralize a sua atenção nos assuntos que ela está trazendo, interessando-se mesmo em ouvir e fazer breves comentários positivos, mesmo que ela esteja emitindo uma opinião oposta à sua.

Ao receber uma reclamação, mesmo que você a ache absurda, ouça com atenção e respeito, peça para que repita detalhes e argumentos que você não concordaria, mas como se fosse para você entender melhor e tente acreditar que o idiota está certo.

Pode até dizer que vai analisar tudo com calma, porque ele pode estar certo mesmo. Assim você estará se preparando para evitar que ele precise reclamar novamente e você acaba com esse motivo de estresse antes mesmo de ele começar a agir em seu organismo.

Procurar entender que as opiniões contrárias às nossas transforma momentos de irritação em momentos de aprendizagem. Sempre aprendemos um pouco quando tentamos compreender como um idiota pensa, age e fala... (rsrsrsrs)

Ouça mais ainda, e muito, todas as pessoas que você gosta, sem interferir nos seus relatos, apenas estimulando-as a falar mais e dando as opiniões e os conselhos que forem solicitados, quando e se forem solicitados!

Mas antes de tudo isso, escreva em um papel toda a sua rotina, para analisar o seguinte:

- o que eu posso eliminar e que não vai fazer falta nenhuma, mesmo que mais tarde eu chegue a conclusão de que devo fazer de novo;

- o que eu posso fazer de forma diferente, ou em outro momento, só para evitar que caia no automático;

- crie um momento para “nada fazer”. Não é meditação, não é reflexão e não é lazer! É nada fazer mesmo... Quinze minutos ou até cinco, por dia, já resolve!

- crie momentos de lazer, como passear num parque, ver um filme, tomar uma cerveja, ler uma revista, ler um livro de contos ou de poesias, etc...

E, tão importante como todos os anteriores, crie um momento de integração energética entre sua mente e seu corpo, ou seja, estabeleça um momento de integração soma (corpo) e psique (mente), de preferência deitada, relaxada, concentrando seu pensamento em todas as células de seu corpo, até sentir que todas elas vibram em resposta à sua concentração.

Essa ligação é fundamental para o estabelecimento de uma harmonia energética e um equilíbrio celular saudável.

Esse momento deve ser estabelecido de acordo com o seu relógio biológico, ou seja, se você está mais ativa ao deitar, que seja feito antes de dormir. Se está mais ativa ao acordar, que seja feito ao acordar, antes de levantar da cama.


Inicie com essas dicas em aos poucos, vá criando mais momentos de satisfação, compreensão, entendimento, análise, satisfação e, principalmente, prazer!

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Educação inclusiva 05 - Tarefas - avaliações - boletins - histórico escolar

Amigos,

Vamos falar novamente de EDUCAÇÃO INCLUSIVA VERDADEIRA, suas maiores dificuldades e as melhores soluções.

Hoje sobre o assunto que traz as dúvidas mais recorrentes nesse processo e mais desentendidas, que são: TAREFAS, AVALIAÇÕES, BOLETINS E HISTÓRICO ESCOLAR.

Eu sou o professor Roberto Andersen, educador, psicanalista e pesquisador na área da aprendizagem, principalmente na elaboração de metodologias que facilitem a educação inclusiva.

Vamos, então, ao tema de hoje:

Para deixar bem claro, existe toda uma legislação, baseada inicialmente da LDB, bem antiga, mas perfeita, e mais recentemente na Lei 13.146/2015, chamada de Lei Brasileira da Inclusão da Pessoa com Deficiência, ou também, Estatuto da Pessoa com Deficiência.

A partir dessas leis surgem as resoluções dos Conselhos Estaduais e Municipais, para regulamentar a matéria e dar detalhes da sua execução.

Mas mesmo lendo tudo isso, ainda surgem muitas dúvidas, e por isso é bastante conveniente tomarmos muito cuidado para não inverter as coisas!

As leis e resoluções estão sendo feitas para evitar que os alunos com dificuldades de aprendizagem continuem invisíveis aos professores, às escolas e à sociedade, e assim não tenham a menor chance de estarem sendo preparados corretamente para a vida profissional, seja em nível técnico ou superior.

Mas a forma como muitos professores, coordenadores e dirigentes escolares vêm interpretando essas leis e resoluções, estão, em vez de desenvolvendo e incluindo socialmente esses alunos, excluindo-os ainda mais e provocando a eliminação total de sua autoestima, fazendo com que acabem desistindo de frequentar as aulas.

Então, vamos deixar bem claro, em primeiro lugar, que quem conhece o aluno, quem sabe lidar com ele, e quem sabe o que é melhor para ele, é o professor dele, a menos que esse professor esteja considerando esse aluno apenas uma peça do mobiliário da sala, como tenho visto muito frequentemente!

Então quem tem que planejar o que fazer e de que forma fazer, é esse professor desde que esteja consciente de qual é o seu verdadeiro papel como professor, que eu acredito que seja:
Garantir a aprendizagem de todos os seus alunos, a partir daquilo que cada um sabe e respeitando as suas habilidades de entendimento, compreensão e elaboração.

Se as suas atitudes didáticas e metodológicas estiverem alcançando esse objetivo, e se as normas oficiais não estiverem de acordo, o erro está nas normas, e não no método.

Lembrem sempre que as normas foram feitas para facilitar a aprendizagem e, logo, se elas dificultam, estão erradas e precisam ser revisadas.

E só poderão ser revisadas se os Conselhos de Classe apresentarem as razões pelas quais, naquela escola, percebeu-se que para garantir os verdadeiros objetivos da educação inclusiva, tais e tais métodos precisaram ser adaptados.

Uma resolução de Conselho de Classe bem fundamentada é o que vai alimentar todo o sistema educacional, para que as legislações e resoluções educacionais sejam aperfeiçoadas.

Então vamos analisar os fatos:

LEMBREMOS SEMPRE DOS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA:

1-Garantir que todos os dias o aluno especial aprenda mais alguma coisa a partir daquilo que ele já sabe, explorando suas habilidades, visando sua autossuficiência futura.

2-Preparar o aluno especial, assim como seus colegas normais, para que consigam ter uma convivência saudável e respeitosa, independentemente de suas características físicas ou psíquicas.

Vamos ver hoje TAREFAS E AVALIAÇÕES.

Antes de preparar qualquer tarefa, para qualquer aluno, em qualquer turma, ou também, antes de preparar qualquer avaliação, para qualquer aluno, em qualquer turma, o professor deve estar bem atento à finalidade daquela tarefa ou daquela avaliação.

Qual a finalidade da tarefa e qual a finalidade da avaliação?

Finalidades da tarefa:

Possibilitar ao aluno que ele exercite o seu aprendizado e se convença de que está realmente aprendendo alguma coisa daquele assunto e se sinta capaz e produtivo.

Dar oportunidade ao aluno de descobrir a parte do assunto que ele ainda não entendeu corretamente, a partir da dificuldade que ele vai sentir durante a realização dessa tarefa.

PROFESSOR

Ao observar a realização das tarefas, identificar pontos do assunto que devem ser explicados novamente ou de forma diferente.

Facilitar, para o professor, a identificação de alunos com dificuldades de aprendizagem em sua matéria, para fundamentar alterações em seu plano de trabalho, de forma a quebrar possíveis bloqueios emocionais e garantir, para tais alunos, algum tipo de aprendizagem.

Finalidade da avaliação:

Verificar, com registro de pontuação, se houve aprendizagem real dentro daquilo que foi ensinado nas aulas e treinado nas tarefas realizadas anteriormente.

OK?

Se nós entendemos as finalidades, vamos, então, à prática:

Tarefa em classe – reflexão sobre as tarefas:

Se você entregar ao aluno especial a mesma tarefa que entregou aos alunos regulares, na hora que ele olhar a tarefa e verificar que nada entende, você acredita mesmo que ele vai se sentir um aluno normal como os colegas?

Ou será que ele vai se sentir inferiorizado e excluído, ficando cada vez mais triste e sofrendo isso como mais uma violência simbólica em sua vida? 

Então:

A tarefa feita em classe deve ser elaborada dentro do nível de entendimento do aluno de forma que ele consiga resolvê-la, mesmo que, para isso, precise do apoio do professor ou de algum colega.

O mais importante é que, mesmo ajudado, ele perceba que conseguiu realiza-la, para que seja alcançado o ponto principal de toda a sua evolução, que é a elevação de sua autoestima.

O aumento da dificuldade das tarefas deve ser feito com muito cuidado, para evitar que surjam dificuldades além das que o aluno está preparado para enfrentar, evitando assim o seu desânimo ou sentimento de incapacidade, reduzindo sua autoestima.

Os professores deverão elaborar as tarefas com muita criatividade, para que o tema seja o mesmo e a aparência seja semelhante às tarefas dos demais alunos, embora o conteúdo seja específico.

Vamos a um exemplo:

Uma aula de matemática em que esteja sendo ensinado seno e cosseno de ângulos, a figura ilustrativa de um observador, a uma distância conhecida de uma grande árvore, olhando para o seu topo, pode muito bem ser exatamente a mesma figura do aluno em nível de alfabetização, só que esse estará colorindo as figuras, registrando os nomes da árvore e os números correspondentes à distância, etc., enquanto aquele estará calculando a altura da árvore utilizando senos e cossenos.

Observação:

Importante sempre analisar a possibilidade de uma questão da tarefa de classe ser no nível dos alunos especiais, mas para todos resolverem em conjunto. Serve como ludicidade para o aluno normal e como estímulo e elevação da autoestima para os alunos especiais.

Tarefa para casa - reflexão:

Se você mandar, como dever de casa, para o aluno especial, o mesmo dever que mandou para os demais alunos, quando os pais perceberem que seu filho não sabe nem do que trata o dever, você acha mesmo que esses pais vão ficar satisfeitos, felizes e alegres sabendo que seu filho, mesmo nada entendendo, está sendo incluído naquela escola?

Ou será que esses pais vão achar que você, como professor, é um fracasso, e que não consegue ensinar nada ao filho deles?

Então:

Cada dever de casa deve ser elaborado de forma que você, como professor dele, tenha certeza de que esse aluno conseguirá realiza-lo sozinho em casa!

Assim você estará colaborando para elevar a autoestima do aluno e também satisfazendo a expectativa dos pais, que verão o filho avançando pouco a pouco.

Grande parte dos bloqueios emocionais que prejudicam ainda mais a evolução dos alunos especiais está na forma como sua família o trata, principalmente na comparação que naturalmente é feita entre os irmãos, primos, etc.

Por esse motivo que a tarefa para casa desses alunos acaba tendo dupla finalidade, uma para o próprio aluno, que deve se sentir capaz de resolver a tarefa sozinho, e outra para a sua família, que deve perceber que seu filho está evoluindo.

Essa tarefa, então, deve ser preparada com questões que o professor tenha absoluta certeza de que esse aluno consegue entender e resolver sozinho, mesmo que, para isso, ela tenha que ser quase a cópia das tarefas realizadas por ele em classe.

Só assim não haverá interferência negativa da família na autoestima desse aluno e ele se sentirá capaz e com estímulo para evoluir ainda mais.

Avaliações – reflexão:

Se você entregar para o aluno especial a mesma avaliação que entregou aos alunos regulares, você acha mesmo que ele vai ficar satisfeito e animado por ter tirado zero por não ter entendido nada das questões?

Ou será que ele vai desanimar, baixar a sua autoestima e nunca mais querer voltar para a escola por se sentir inferior e excluído?

Então:

A avaliação do aluno especial incluído deve ter a mesma aparência, os mesmos desenhos e o mesmo tema da dos demais alunos, mas as questões devem ser elaboradas dentro daquilo que o professor está certo de que conseguiu durante seu processo de acompanhamento.

O professor prepara uma prova estando seguro de que, se sua expectativa estiver correta, o aluno terá nota 10,0!

Qualquer nota abaixo disso mostrará ao professor que houve erro na sua expectativa e que sua forma de ensinar a esse aluno deverá ser alterada.

Vamos analisar com mais detalhes?

A finalidade da avaliação para esses alunos é sempre garantir, para o professor, que a forma e a metodologia que ele está utilizando para garantir a aprendizagem desse aluno está dando certo.

Assim sendo, as questões dessa avaliação deverão estar todas exatamente dentro do nível de aprendizagem que o professor acredita que o aluno tenha alcançado.

Se a nota do aluno for boa significa que o professor conseguiu o seu objetivo principal, que é fazer o aluno aprender algo a mais do que já sabia e está evoluindo rumo à sua futura autossuficiência.

Se a nota do aluno for baixa significa que o professor deverá analisar seus métodos e rever sua forma de ensino. O mais importante, entretanto, é que ele deve elaborar outra prova, urgentemente, essa já no nível mais baixo, para que o aluno a consiga resolver a contento e assim evite baixar a sua autoestima.

Boletins e históricos – reflexão:

Se as avaliações foram feitas iguais às dos alunos regulares e, naturalmente, os resultados dos alunos especiais foram todos ZERADOS, e você colocar no HISTÓRICO ESCOLAR todas as notas ZERO e na observação:

ALUNO PROMOVIDO À SERIE SEGUINTE POR SER ESPECIAL

Você acha mesmo que o aluno e seus pais vão ficar alegres e felizes com o HISTÓRICO ZERADO e com essa observação?

Ou vão achar que ele está apenas sendo ACOLHIDO por que a escola é boazinha, mas não tem nenhuma possibilidade de se desenvolver na vida?

Então:

No histórico serão lançadas exatamente as notas obtidas de acordo com as avaliações realizadas da forma correta, dentro de seu nível de entendimento, compreensão e elaboração, e, agora sim, nas observações:

Aluno especial incluído: “Aluno em acompanhamento especial: O conteúdo aprendido em cada matéria, assim como as metodologias utilizadas, estão descritas no relatório em anexo a esse documento”

Ou seja:

Dessa forma o aluno especial, quando bem desenvolvido pelo professor, terá sempre notas boas em seu histórico e, ao ler isso, todos, aluno e pais, estarão conscientes de que a criança está em desenvolvimento, independentemente do seu nível de entendimento, compreensão e elaboração.

As próximas escolas que o receberem terão todos os dados necessários para darem continuidade ao processo de desenvolvimento e inclusão.

Conclusão importante:

Para o aluno especial tanto as tarefas, como as avaliações, e até o seu boletim e histórico escolar, devem servir para:

Em primeiro lugar, para mostrar ao próprio aluno de que ele é capaz e que está evoluindo em seu aprendizado.

Em segundo lugar, para mostrar ao professor se seu método de ensino voltado para esse aluno está correto ou se deve ser modificado.

Fazendo tudo dessa forma estaremos realmente cumprindo os objetivos principais da educação inclusiva verdadeira.

É isso, amigos.

Qualquer questionamento, dúvidas ou sugestões, entrem em contato pelo e-mail

Ou pelo whatsapp ou telegram
(71) 9-9913-5956

Pelo facebook
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Os livros podem ser adquiridos pelo mercado livre, clicando na capa de um deles em nosso BLOG
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Ou no nosso portal

É sempre um prazer poder conversar com vocês sobre esses assuntos.


Um forte abraço e até nosso próximo encontro

sábado, 15 de outubro de 2016

Educação inclusiva: vamos parar de destruir o aluno especial


PARABÉNS A TODOS OS PROFESSORES QUE NASCERAM PARA ISSO E JÁ SE DEDICAM AO ALUNO ESPECIAL DA FORMA COMO RELATO A SEGUIR:

Sei que o texto é longo, mas não posso deixar de alertar pais, professores e escolas para que PAREM 
DE DESTRUIR O ALUNO ESPECIAL em vez de AJUDÁ-LO A ALCANÇAR A SUA AUTOSSUFICIÊNCIA UM DIA!

REFLITA:

Reflexão 1:

Se você entregar a esse aluno especial a mesma tarefa que entregou aos alunos regulares, ele vai se sentir um aluno normal como os outros ou vai se sentir inferiorizado e excluído?

Então:

Cada tarefa para o aluno especial incluído deve ter o mesmo tema das tarefas dos demais e a mesma aparência, mas as questões devem ser exatamente dentro de seu nível, para garantir que, com a resolução dessa tarefa, ele avance mais um pouco dentro de seu entendimento sobre o assunto, sempre em seu nível.

Reflexão 2:

Se você mandar como dever de casa para o aluno especial a mesma tarefa que mandou para os alunos regulares, quando os pais perceberem que ele não entende nada do que está escrito vão achar que seu filho está se desenvolvendo ou vão achar que você não está fazendo o seu papel de ensinar?

Então:

Cada tarefa para casa, além das observações da de classe, o professor deve ter a certeza de que o aluno conseguirá resolvê-la sozinho, sem a ajuda dos pais.

Isso é para evitar que os pais acabem resolvendo a tarefa do filho, o que só vai servir para baixar a autoestima da criança e prejudicar todo o trabalho de seu desenvolvimento.

Reflexão 3:

Se você entregar para o aluno especial a mesma avaliação que entregou aos alunos regulares, ele vai ficar satisfeito e animado por ter tirado zero por não ter entendido nada das questões ou vai desanimar, baixar a autoestima e nunca mais querer voltar para a escola por se sentir inferior e excluído?

Então:

Avaliação do aluno especial incluído deve ter a mesma aparência, o mesmo tema, mas as questões devem ser elaboradas dentro daquilo que o professor está certo de que conseguiu durante seu processo de acompanhamento.

Reflexão 4:

Se a média da escola é 6 e o aluno especial obteve nota 4 numa avaliação, ele vai ficar alegre e feliz ou vai desanimar e se sentir inferiorizado e sem capacidade para aprender nada?

Então:

Se o aluno não obtiver bom resultado significa que a prova foi mal elaborada e deve ser reelaborada, analisando-se o nível que ele realmente alcançou, até que o aluno tenha bom resultado.

Assim a prova, além de estar produzindo nota quantitativa, está servindo para mostrar ao aluno que ele pode continuar aprendendo e tendo sucesso, com isso aumentando a sua autoestima, que é essencial para a continuidade de seu desenvolvimento

Reflexão 5:

Se as avaliações foram feitas iguais às dos alunos regulares e, naturalmente, os resultados dos alunos especiais foram todos ZERADOS, e você colocar no HISTÓRICO ESCOLAR notas todas ZERO e na observação: ALUNO PROMOVIDO À SERIE SEGUINTE POR SER ESPECIAL o aluno e seus pais vão ficar alegres e felizes com o HISTÓRICO ZERADO e com essa observação. ou vão achar que ele está apenas sendo ACOLHIDO por que a escola é boazinha?

Então:

No histórico serão lançadas as notas obtidas de acordo com o item 4, e nas observações:
Aluno especial incluído: O nível de aprendizado adquirido em cada uma das matérias e as formas como foi realizado o seu desenvolvimento estão registrados no relatório em anexo a esse documento.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Educação inclusiva 04 - relato de caso

Relato de caso:

Menino de 11 anos com maturidade de 7 anos, diagnosticado com uma espécie de estenose pulmonar. 
Fez correção cirúrgica e passou a apresentar comportamento agitado. Pelos resultados de exames de ressonância apresenta lesão no lobo temporal esquerdo.

O maior desafio que apresenta hoje é não querer estar na escola por se sentir excluído e ser dependente em quase tudo.

Vamos a análise e às sugestões:

Tenha seu filho o que tiver, a determinação legal da realização da educação inclusiva tem que ser cumprida pela escola.

Esse cumprimento significa, em primeiro lugar, prover o desenvolvimento intelectual da criança a partir do seu nível de entendimento e, em segundo lugar, prover a sua socialização com colegas de mesma faixa etária.

A única preocupação que os pais devem ter antes de exigirem a matrícula e o respectivo atendimento é tratar a inquietação excessiva e, principalmente, a agressividade, se houver.

Isso é para evitar prejuízos físicos e prevenir acidentes graves tanto para ele mesmo como para seus colegas.

Embora a legislação não diga que o aluno especial só deve estar em sala de aula se estiver com a agressividade controlada, sabemos que isso é necessário.

Até mesmo porque, embora a escola não possa recusá-lo, os pais dos demais podem processar os pais do incluído, por todas as lesões causadas pela agressividade descontrolada de seu filho.

Algumas sugestões para isso estão em meu artigo e vídeo sobre agressividade, já publicado anteriormente.

Agora vamos a análise do que fazer em relação ao seu filho:

Alguns procedimentos podem ser realizados em casa e outros devem ser realizados na escola, mas para isso a escola e, principalmente, os professores, precisam ter a boa vontade e dedicação para essa realização.

Se a escola não tem esse tipo de profissional, não haverá progresso para a criança e ela será apenas “depositada” em uma sala de aula e, no máximo, “acolhida” pelos professores e colegas, mas nunca desenvolvida nem incluída.

Tendo 11 anos de idade ela deveria iniciar seu acompanhamento em uma turma do 5º ano, embora essa turma seja de alunos com 10 anos, mas para que facilite o processo inicial de educação inclusiva real.

Isso porque no 6º ano, por já ser uma série de Ensino Fundamental II, aumenta o número de disciplinas e professores, o que significa que é muito mais difícil convencê-los, a todos, a serem educadores inclusivos.

Conseguindo uma escola que o aceite com boa vontade para a educação inclusiva real, é bom conversar com a coordenação e com os professores para relatar as características de seu filho e sinta se eles estão mesmo interessados em ajudar seu desenvolvimento e sua socialização.

Se não sentir essa disposição, mude de escola!

Professores acomodados ao tradicional só atrapalham o desenvolvimento da criança especial e ainda contribuem para baixar ainda mais a sua autoestima, provocando o desejo de não ir mais para a escola, por se sentir excluído e incapaz.

Numa escola que coordenação e professores se mostrem interessados em ajudar o aluno, basta acompanhar o processo e conversar frequentemente com toda a equipe, tanto para analisar o que está sendo feito, como para ver o que você pode fazer em casa para que seu desenvolvimento seja mais eficaz.

O procedimento para os professores tem sido abordado em vários artigos e vídeos meus, já publicados.

Vamos agora ao que pode ser feito em casa:

Você deve sempre analisar quais as habilidades de seu filho, ou até testar quais seriam elas, para estimular esse desenvolvimento.

Todos na família devem estar atentos ao aparecimento de alguma habilidade mais específica, porque isso é importante.

Sempre que a criança fizer qualquer coisa, seja mecânica, seja intelectual, os familiares devem estar preparados para gostarem e ficarem alegres com sua realização.

O reconhecimento é parte importante para o seu desenvolvimento como um todo, porque eleva a sua autoestima e facilita todo o trabalho de sua própria mente.

Nosso cérebro está sempre se esforçando para curar todas as nossas doenças e eliminar todas as nossas dificuldades. Só precisamos dar a ele essa oportunidade. E essa oportunidade surge quando a autoestima está elevada.

Outra necessidade é que sejam feitos, em casa, estímulos de todos os seus elementos sensores, mesmo que só pareça haver lesão no processamento do som, que é o lobo temporal.

Como todos os elementos sensores interagem entre si, estimular um deles significa estar alcançando um pouco do outro também.

Esses estímulos devem ser feitos como brincadeiras com imagens (formas, cores, movimentos), com sons (vendar os olhos para ele identificar e onde vem os sons, etc.), massagens corporais (para trazer calma, afetividade e paz), exercícios de identificação de objetos pelo tato (olhos vendados ou mão dentro de um saco), olfato (aroma de diferentes flores), paladar (provar alimentos com diferentes sabores) e muito mais. Tudo depende da criatividade de quem está com ele.

A depender das características cerebrais da criança, os exercícios podem deixa-lo cansado. Devemos sempre estar atentos a isso para que ele nunca exagere ao ponto de chegar ao estresse.

O mais importante de tudo é que todos, na família, estejam atentos às suas habilidades e reconhecendo cada avanço que ele tiver.

Todos devem ser alertados para NUNCA chamar a atenção para suas dificuldades, já que não é com as dificuldades que conseguiremos ajuda-lo a nada!

Só podemos ajuda-lo a partir daquilo que ele entende, daquilo que ele pode fazer e daquilo que nós conseguimos estimulá-lo a desejar fazer.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Educação inclusiva 03 - dinâmica grupal em sala de aula

Amigos,

Vamos falar de EDUCAÇÃO INCLUSIVA VERDADEIRA, suas maiores dificuldades e as melhores soluções.

LEMBREMOS SEMPRE DOS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA:

1-Garantir que todos os dias o aluno especial aprenda mais alguma coisa a partir daquilo que ele já sabe, explorando suas habilidades, visando sua autossuficiência futura.

2-Preparar o aluno especial, assim como seus colegas normais, para que consigam ter uma convivência saudável e respeitosa, independentemente de suas características físicas ou psíquicas.

HOJE VEREMOS A DINÂMICA GRUPAL EM SALA:

Toda aula deve ser dada como se fosse uma aula para turmas multisseriadas em forma integrada, nunca em forma dividida, ou seja, nada de cada série virada para uma parede com um quadro, com professor se revezando, ora num quadro, ora em outro...

Multisseriada real, onde o tema é o mesmo para todos, mas a abordagem do tema é que estará dentro do nível de cada um dos alunos.

Os desenhos são os mesmos, assim como as ilustrações, e a importância do tema também deve ser apresentada de forma que seja bem entendido por todos os níveis.

Obviamente já se percebe que o professor não poderá dar essa aula inteira de forma expositiva, já que assim ele só alcançara uma parte da turma.

Por isso, vamos ver por partes:

Parte 1 da aula:

O professor faz o marketing do assunto da aula, para toda a turma, inclusive os especiais, em uma linguagem que todos entendam e de forma que todos se entusiasmem pelo assunto.

Parte 2 da aula:

O professor separa os alunos em grupos operativos, entregando para cada grupo o questionário do estudo dirigido a ser executado a partir daquele momento.

Os grupos iniciam a resolução dos seus questionários.

Parte 3 da aula:

O professor visita cada grupo para estimular o trabalho, observar o desempenho de cada aluno em seu grupo e identificar as dificuldades e dúvidas.

Parte 4 da aula:

A cada dificuldade encontrada por um grupo o professor interrompe o trabalho de todos, vai para o quadro, e explica a dúvida de um grupo para toda a turma.

Se a dificuldade encontrada for no grupo de alunos especiais o professor tanto pode tirar a dúvida no próprio grupo, como pode, a depender da dúvida, também socializá-la para a turma toda.

Observação importante:

O estudo dirigido deve ser preparado de tal forma que ocupe todo o tempo da aula, para que os alunos se sintam produtivos durante todo esse período.

Detalhes:

-Os estudos dirigidos para os alunos especiais deverão ter o mesmo formato e os mesmos desenhos, de forma que pareçam com os dos demais alunos, mas com as questões dentro de seus respectivos níveis de entendimento.

-No grupo dos alunos especiais serão sempre inseridos alunos “normais”, em revezamento, escolhidos entre os melhores daquela matéria, mas que receberão o mesmo questionário dos incluídos, para que todos, no grupo, se sintam realizando a mesma tarefa.

-Esses alunos são os alunos agentes de inclusão do dia, e serão preparados para isso pelo professor ou pelo psicopedagogo da escola.

-Esses alunos “normais” deverão ser escolhidos entre aqueles que já têm o hábito de estudar em casa e de pesquisar e que, portanto, estarem dedicados a acompanhar seus colegas especiais em uma aula, não fará nenhuma diferença para eles.


-Para facilitar a inclusão social dos especiais em relação a todos os seus colegas de sala, uma questão final do estudo dirigido poderá ser uma questão lúdica igual para todos, sejam alunos especiais ou normais, para que haja a possibilidade de que, todos, sem exceção, possam realiza-la divertidamente, em total congraçamento.