Essa pergunta foi recebida em quase quinze mensagens, tendo ocorrido com crianças da mesma faixa etária! Praticamente todas com as mesmas características, variando apenas o gênero da criança e a cidade. Vamos a pergunta, devidamente editada, para generalizar a dúvida:
PERGUNTA:
Meu filho, na faixa dos 2 a 3 anos de idade, já está na escola, andou muito cedo, já fala praticamente tudo e bem explicado, dando a impressão de ter um desenvolvimento intelectual bem adiantado para sua idade. Procura ter iniciativas em casa, mas não aceita a opinião dos adultos. Quando quer uma coisa e não pode ele não aceita e se joga no chão, grita, chora convulsivamente. Eu, imediatamente, corro para ele, tento explicar o porque da proibição, me irrito quando ele continua gritando, brigo, dou palmadas, ponho de castigo, mas nada adianta! No dia seguinte ele repete a atitude toda vez que é impedido de fazer o que quer. Como posso proceder?
RESPOSTA:
Cada criança tem a sua forma de ver o mundo e de reagir ao que acha necessário para sua satisfação. Para cumprir isso sem erro lembre de seguir os conceitos de Freud, Wallon e Erikson no entendimento das fases que ela está passando. Esses teóricos, embora teóricos, montaram suas teorias a partir de observações práticas da vida.
A fase dela agora é a de utilizar sua energia para experiências exploratórias. Ela precisa desenvolver o seu senso de autonomia. E ela tem que perceber que não pode usar sua energia exploratória de forma totalmente livre, mas que existem regras sociais para serem respeitadas e que devem fazer parte de seu raciocínio. Nesse momento ela vai começar a testar os adultos à sua volta!
Quanto maior for o seu desenvolvimento criativo e a sua capacidade cognitiva, mais facilmente ela vai procurar encontrar artifícios para burlar a imposição de limites que deve iniciar exatamente agora! Mas é exatamente nesse instante que você terá que se impor utilizando, também, estratégias. Será uma batalha de estrategistas!
Tudo dando certo ela construirá sua autonomia com o perfeito entendimento de limites, pois é aí que começa o aprendizado social da criança. Surge o entendimento relacionado ao que os adultos e as outras crianças esperam dela. Surgem os conceitos de limitações, de obrigações e de direitos e aparece a sua capacidade de realizar certos julgamentos.
Para lidar com a tática do "chorar, gritar e de se jogar no chão" a tática que eu já utilizei com um dos meus seis filhos foi o de "ignorar sua atitude", fingindo estar ocupado com coisa mais importante, do tipo: ler um livro. Depois que ela se cansar de gritar você dá um tempo, passa por ela para ir pegar alguma coisa, sai do campo visual dela e, na volta, a "encontra"!
Nessa hora aproxime-se como se nada tivesse acontecido e brinca um pouco com ela de verdade, com um brinquedo qualquer que ela goste e que nada tenha a ver como assunto da "birra". Ela vai registrar que os gritos não fizeram nenhum efeito. E a os poucos essa tática vai sendo abandonada e o entendimento de limites começa a ser incorporado na sua mente.
Essa é uma idéia. O que não se deve, em hipótese alguma, é dar importância ao fato no momento da birra, mesmo que seja para insistir no erro, porque no momento da irritação ela não compreenderá absolutamente nada. Apenas que a birra deu certo!
Sucesso para você e para seu filho!
2 comentários:
Veio a calhar esse seu artigo! A Época publicou "Eles são uns capetas" sobre o mesmo caso!
O problema é que na página 65 dá para perceber a tendência da revista em achar que os pais devem dar remédio tarja preta a essas crianças, trsnaformando o problema de educacional para médico!
Na página seguinte, quando fala do TOD - Transtorno opositivo desafiador, a revista já leva a causa para a pre-disposição genética, mais uma vez tirando qualquer responsabilidade da educação equivocada que está sendo dada hoje às crianças e adolescentes.
Já na página 66 o comentário é correto: "(...) partir para os berros e palmadas(...) o resultado é uma criança ainda mais desafiadora (...)", mas esquece de dizer que a imposição dos limites deve ser feita de alguma forma, porque a criança necessitam de regras para aprender a conviver em sociedade.
Sou divorciado e sempre que vou levar minha filha de 3 anos no fim do sábado á casa da mãe ela faz um escandâlo: chora, grita e muitas vezes fica a força e outra não conseguimos e ela volta comigo, assim como quando vou pega-la , ela faz exatamente o mesmo. Já não sabemos o que fazer?????
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