sábado, 5 de dezembro de 2009

Anomalia na Memória Lógica de um Menino

Vamos iniciar uma análise de um caso real, ocorrendo nesse momento, onde estamos tomando o cuidado apenas de alterar os nomes e locais.

Marta, professora da quarta série (5º ano), mesmo sabendo que não deve comparar as crianças, que cada uma tem a sua velocidade de desenvolvimento e as suas habilidades específicas, apavorou ao perceber que Jorge destoava muito do conjunto de meninos daquela turma! Sua dificuldade em matemática estava muito grande, apresentando características de falha na memória lógica, classificação, peso, quantidade, etc.

O sistema educacional exige que todos estejam acompanhando o conteúdo da série. Os que não conseguirem repetem o ano, a não ser que sejam de uma escola pública de promoção automática... o que talvez seja ainda pior... já que continuam sua trajetória sem que os professores sequer precisem se preocupar com seu desenvolvimento... é o sistema...

Mas, nesse caso, Marta está preocupada com o desenvolvimento de Jorge. É um desafio para ela!

Marta pede ajuda! Ninguém na escola sabe o que fazer. A maioria dos colegas professores prefere ignorar o fato! Acham uma perda de tempo essa preocupação de Marta. Ela nos procura e nós vamos, com a ajuda de todos, tentar encontrar um caminho para esse menino.

Precisamos, inicialmente, coletar todos os dados possíveis, ou seja, fazer uma anamnese do menino e da família, para podermos encontrar um ponto de partida. No decorrer da análise vamos verificar se há necessidade de estender a anamnese.

a) Jorge tem onze anos. Ele gosta de desenhar (e desenha bem) e gosta de jogar bola (participa de uma escolinha de futebol). Como a maioria dos meninos, ele diz que ser jogador profissional é o seu maior sonho. Sua dificuldade em matemática estava muito grande, apresentando características de falha na memória lógica, classificação, peso, quantidade, etc.

Pelo relato apresentado ele é um menino com desenvolvimento compatível com a idade exceto na memória e raciocínio lógicos. A identificação das suas habilidades é um ponto importante para o desenvolvimento do trabalho de acompanhamento do menino. O ponto que está faltando definir é o das suas habilidades na memória e raciocínio lógicos. O que foi definido foram as suas limitações.

Observem bem: precisamos saber o grau de suas HABILIDADES nessa área e não o grau de suas DIFICULDADES! Se existe uma anomalia temos, IMEDIATAMENTE, que considerar aquele menino no início do desenvolvimento daquela característica específica, como se nenhum menino naquela idade já tivesse aquela característica desenvolvida! Esse é o ponto!

Como seu cérebro, ou mais apropriadamente, suas ligações neuronais, não se desenvolveram de forma apropriada para permitir aquela facilidade de entendimento, compreensão ou cognição, é como se ele estivesse no início dessa fase, enquanto os demais meninos já a completaram há muito mais tempo.

Mas a comparação com os demais meninos só deve ser feita para efeito de estudos de características padrões de desenvolvimento cognitivo, mas jamais para o acompanhamento de um caso específico, já que qualquer comparação tira, do profissional, a sua capacidade de entendimento real do processo de desenvolvimento daquele menino em especial.

As comparações do estado do desenvolvimento da memória e do raciocínio lógico de Jorge no dia de hoje só poderão ser feitas em relação a ele mesmo ontem! Nunca em relação aos demais meninos! E cada passo dado em direção a essa nova realidade, por menor que seja esse passo, deve ser motivo de verdadeira satisfação dos que o acompanham no processo.

Então, o que Marta pode fazer?

Aplicar exercícios de lógica simples e de memorização simples.
Reconhecer cada uma de suas vitórias.
Alegrar-se, de verdade, a cada vitória de Jorge.

Se o processo em desenvolvimento é o de memória e raciocínio lógico, devem ser aplicados a Jorge exercícios de memorização e raciocínio lógico bem elementares e claros, para permitir essa nova programação cerebral.

Essa programação será realizada pelo estímulo de seus neurônios para criarem, gradativamente, novas ligações neuronais para dar suporte a essa nova forma de pensamento, raciocínio e memorização.

Cada vitória que Jorge perceber em cada um desses exercícios determinará a elevação gradual de sua auto-estima e auto-confiança, estimulando mais rapidamente ainda esse desenvolvimento.

b) Pai, separado da mãe, não demonstra qualquer interesse por ele. Jorge mora com a mãe, um padastro e uma irmã, filha dessa segunda união.

Toda criança precisa sempre do amor de ambos (pai e mãe) independente deles estarem juntos ou separados. Para uma criança o pai, por pior que seja, é a fonte de seu amor masculino. A mãe, da mesma forma, é a fonte desse amor feminino. Toda criança e, nesse caso, Jorge, precisa ter elementos para construir dentro de si mesmo o seu amor masculino e o seu amor feminino. A falçta de um desses dois provocará uma desarmonia emocional exatamente no aspecto AMOR.

Substituir o pai ou a mãe por um padrasto ou uma madrasta nem sempre é eficaz. Por melhor que seja esse padrasto ou essa madrasta, não substituirão totalmente a fonte de amor que o menino necessita. O padrasto de Jorge poderá apenas estar exercendo o papel de MENTOR em sua formação. Isso se eles tiverem uma EMPATIA muito boa, ou seja, se Jorge e seu padrasto estiverem se relacionando muito bem. Nesse caso ajudará bastante em todo o seu processo de desenvolvimento. Mas como isso não está aparecendo na sua realidade de desenvolvimento, acredito que esse relacionamento não está alcançando o nível desejado.

Atitudes paralelas necessárias a tal acompanhamento que Marta poderá tentar conseguir, com o apoio de serviços de assistência social da Prefeitura ou Conselho Tutelar ou outro órgão que tenha pessoas interessadas no ser humano:

a) PAI - é conveniente verificar a possibilidade de Jorge ter contato com seu pai, analisando, antes disso, se existe uma forma de se preparar o seu pai para essa responsabilidade afetiva.
b) PADRASTO - é necessário estimular uma relação afetiva entre Jorge e seu padrasto, de modo que ele se sinta amado por um pai substituto, o que poderá reforçar a sua segurança na construção de seu amor masculino.
c) MÃE - um acompanhamento em forma de terapia psíquica (psiquiatria e psicoterapia) é necessário para que ela se afaste totalmente de processos depressivos, já que essa anomalia é a que mais contribui para a destruição da família. Muito importante ensinar a essa mãe os processos de eliminação de tristeza que tanto enfatizo em minhas aulas (caretas e massagens faciais todas as manhãs).
d) IRMÃ - deve ser estimulado em Jorge o amor pela irmã e a responsabilidade para com a realização, por ele, de brincadeiras com ela. É importante que ele se sinta responsável pela felicidade da irmã, porque isso lhe trará uma sensação de satisfação emocional muito interessante. Frases como: "Veja, Jorge,. como sua irmã adora quando você brinca com ela"... etc... "Só você, Jorge, consegue entender tão bem sua irmã!"

c) Ela reclama que seu filho, Jorge, é muito bruto com ela. Que ela tenta dar carinho para ele e ele rejeita. Ela praticamente não consegue se aproximar dele.

A mãe precisa aprender a sentir amor pelo seu filho. Tentar dar carinho e tentar se aproximar demonstra que ela não tem qualquer intimidade com Jorge! Isso significa que suas prioridades não estão em seu filho, mas sim no marido atual. Ela deve ter medo de se dedicar muito ao filho e assim desagradar o marido. Isso é erro muito comum, mas que deve ser corrigido imediatamente por meio de um processo de terapia familiar.

Desafio para Marta: Conseguir uma psicoterapia individual para Marta e, se possível, uma psicoterapia familiar para Jorge, mãe, irmã e padrasto.

Muitas mulheres consideram que não são mais atraentes aos homens e, por isso, acreditam que se não se dedicarem a conquista permanente do que está com elas, nunca mais terão nenhum outro... e assim acabam prejudicando a felicidade de seus filhos. O luta interna (dentro da mente dessa mãe) para poder agradar o marido e ao mesmo tempo dar a atenção que seu filho necessita, pode ser uma das causas de seu estado depressivo.

d) O relacionamento de Jorge com seus colegas na rua e na escola parece ser normal.

É conveniente pedir a todas as pessoas que convivem com Jorge para analisarem o seu relacionamento com colegas e com professores. Desse relacionamento poderemos chegar a outras conclusões que poderão nos ajudar a conhecer melhor o caso e alcançar melhores resultados no processo de acompanhamento.

Desafio para Marta: Analisar sinais no comportamento de Jorge que possam denunciar outros problemas mais graves, como abuso sexual ou outro tipo qualquer de abuso, por parte de colegas ou até familiares.

Esse é o primeiro momento de nossa análise. Aguardo comentários e outros dados. Aqueles que tiverem casos semelhantes poderão enviar mais dados, para que, em cima dessa nova análise, possamos enriquecer nosso conhecimento nessa área, que é de interesse de todos nós.

Seus comentários podem ser enviados diretamente para meu E-Mail: <robertoandersen@gmail.com> colocando em ASSUNTO: BLOG Comentario

Um grande abraço e sucesso para todos

domingo, 29 de novembro de 2009

Educação Infantil: alguns elementos básicos

Amigos,

Nesse final de ano letivo é sempre bom lembrar algumas pequenas, mas importantes, dicas para quem está no processo de educação infantil, seja como pai, como professor, como psicopedagogo ou como terapeuta. Em meu livro "Afetividade na Educação" já toco no assunto em alguns capítulos, embora não concentrando para a Educação Infantil, como: no capítulo EDUCANDO na análise das primeiras fases da criança e suas necessidades (págs. 77 em diante); no capítulo seguinte nas diferenças da formação cerebral entre meninos e meninas (págs. 116 em diante).

Mas vamos a alguns elementos básicos que devem ser analisados cuidadosamente para servir como reflexão para a atividade educacional de cada um de nós, dentro de nossas funções ou até mesmo fora delas!

Lembro que o mais importante ponto a se considerar é a diferença entre cada uma das crianças! Temos a tendência muito incorreta de querer generalizar o grupo de crianças em uma sala de aula. O próprio uso da sala de aula já encerra um ambiente generalizado em que o comportamento deve ser igual para todos sob o risco de alguns serem considerados errados em relação aos outros.

O ideal para um ambiente de educação infantil é uma área em que sejam oferecidos ambientes diversificados, cada canto com um tipo diferente de atrativo, para nos ajudar, inclusive, a começar a identificar as tendências de habilidades intelecto-emocionais a partir dos ensinamentos de Gardner.

Um canto com argila, um canto com materiaçl para desenho, um canto com material para pintura, um canto com recortes, outro com brinquedos de armar, outro com instrumentos de música, etc. etc...

Como nem todas as salas possuem mais do que quatro cantos (rsrsrs) pode-se revesar os cantos em cada dia de trabalho, fazendo com que as crianças fiquem curiosas sobre o tipo de arrumação que terão no dia seguinte! Até isso constitui um estímulo à criatividade e ao questionamento: Por que tal canto foi mudado para esse lado? Por que aquele canto foi substituído por esse?
Qual o melhor ambiente da semana? quem pode sugerir um canto novo? Uma idéia nova? Uma música diferente?

Mas vamos aos pontos a refletir. Esses são básicos na formação do caráter e no desenvolvimento da intelectualidade e emocionalidade:

1. LUDICIDADE - A ludicidade deve ser uma preocupação constante, para que a criança sinta prazer durante todo o período escolar. Prazer significa estar sendo estimulado a todo instante com o reconhecimento daquilo que está produzindo. A criança sente uma imensa satisfação nesses momentos.

2. LIMITES - A todo momento as crianças devem estar aprendendo as suas responsabilidades e a necessidade de todos terem seus limites. isso pode ser feito com brincadeiras e vivências apropriadas. Há os livros do Instituto Vivendo Valores e os do Character Education Initiative, o primeiro da Brahma Kumaris e o segundo da Universal Peace Federation. Mas todos nós podemos desenvolver nossas próprias técnicas e metodologias.
3. COORDENAÇÃO MOTORA - O momento da Educação Infantil é o que está ajudando o cérebro a desenvolver todas as ligações neuronais ligadas às futuras atividades e habilidades técnicas, profissionais e artísticas. Cada passo no estímulo ao desenvolvimento dessa coordenação é importante para essa formação. E nessa hora todos temos que levar em conta que a facilidade de um não significa que será igual para todos. Cada criança tem a sua própria velocidade e a sua prioridade específica na formação dessas habilidades motoras. Para acompanhar o desenvolvimento das crianças devemos aprender a compará-la apenas com ela mesma e mais ainda: devemos desenvolver o hábito de ficarmos realmente satisfeitos com a melhora da habildade de cada uma das crianças, mesmo se essa melhora for mínima e muito menor que de todas as demais.

4. CAPACIDADE SENSORIAL - Nossos elementos sensores não são utilizados na sua íntegra por causa do deslumbramento que a visão nos proporciona! Essa falha é incutida a todos nós durante nossa educação infantil. Por isso exercícios de identificação de sons (intensidade, tipos e direção provável da fonte sonora), de paladar (azedo, doce, ácido, etc.), de aroma e de tato são essenciais a esse desenvolvimento.

Além dessa falha ainda há o direcionamento, nesse período, de sensibilizações específicas para meninas e para meninos. Às meninas é permitido o desenvolvimento das sensibilidades emocionais e aos meninos é permitido apenas a sensibilização de quantidades e tamanhos. O machismo prejudicando o desenvolvimento integral dos dois hemisférios cerebrais. Por isso recomendo exercícios com identificação de aromas pelas diferenças olfativas e pelas qualidades subjetivas (mais agradável, menos agradável, mais intenso, menos intenso), assim como exercícios de identificação, por exemplo, de flores, pelo seu desenho, suas formas e suas cores, sempre enfocando qualidades subjetivas que desenvolvam, no menino, o seu hemisfério direito

A partir desses pontos básicos outros entrarão na lista de prioridades, mas sempre mostrando-se aos profissionais (professores, psicopedagogos e terapeutas) que cada criança deve ser analisada na sua individualidade e nas suas especificidades, inclusive na sua velocidade de desenvolvimento (cada uma tem a sua) e nas suas diferenças de habilidades. Todo cuidado é necessário para se evitar que surjam elementos bloqueadores do desenvolvimento intelecto-emocional.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Entrevista com o presidente da Academia Brasileira de Filosofia

Amigos,


Essa entrevista merece ser lida para reflexões. Como sempre procuro insistir com todos os meus alunos, leiam e questionem, mas leiam sempre tudo. O que ficar em dúvida merece uma boa pesquisa a respeito.



TRADUÇÃO DA ENTREVISTA QUE O PRESIDENTE DA ACADEMIA BRASILEIRA DE FILOSOFIA, PROF DR JOÃO RICARDO MODERNO*, CONCEDEU A PAOLLO DELLA SALA, UM DOS MAIS IMPORTANTES JORNALISTAS POLÍTICOS DA ITÁLIA, DO JORNAL ITALIANO "LIBERAL"


1. Qual é a atividade da Academia Brasileira de Filosofia?

A Academia Brasileira de Filosofia é uma instituição civil sem fins lucrativos que tem por objetivo a memória e divulgação do pensamento brasileiro no Brasil e no exterior, internacionalizando a filosofia brasileira. Nosso esforço tem sido o de desenvolver a sede da Academia do ponto de vista material, e ao mesmo tempo realizar eventos variados, normalmente com parceiros diversificados. As posses dos membros perpétuos são momentos de alta relevância cultural-científica.

A atividade da Academia envolve posses de membros, seminários, colóquios, palestras, cursos, eventos de outras instituições científicas e culturais, lançamentos de livros, reuniões dos acadêmicos, etc. Nós criamos o Centro Cultural da Academia que espera receber patrocínio de grandes empresas. Nós teremos uma galeria de arte, concertos de música erudita e popular brasileira, um restaurante, uma nova revista internacional de filosofia, uma coleção de livros de filosofia brasileira para editoras estrangeiras, cursos de filosofia gratuitos, prêmios variados, alem de outras iniciativas científicas e culturais.

A Academia Brasileira de Filosofia fundou em Moscou em 2009 o Departamento de Filosofia e Cultura Brasileira através do Ministério da Cultura da Rússia, no Instituto Russo de Pesquisa Cultural (Culturologia), chefiado pela professora doutora Irina Malkovskaya. Ela esteve no Rio de Janeiro de 10 a 30 de setembro para estabelecer o conteúdo do programa do Departamento. Pela primeira vez na história da Rússia foi estabelecido um acordo oficial com o Brasil nas áreas científica e cultural. Nós acreditamos que esse acordo será extremamente benéfico para ambos os países, e no nosso caso, que nós poderemos ser muito úteis para a transição russa do totalitarismo comunista em direção à democracia e à liberdade. Eu quero fundar um Carnaval do Rio de Janeiro em Moscou, além de diversas atividades. Nós seremos interlocutores para debates filosóficos, científicos, culturais, econômicos e políticos. O BRIC irá funcionar.

2. Qual é a situação cultural no Brasil e em toda a America Latina? Já não há mais poetas e escritores, samba e bossa nova já se foram (exceto Marisa Monte…). A ciência parece atravessar um impasse, a ler o que escreve Ronaldo Mourão em "Os 50 anos da Nasa e do Brasil"… A filosofia… qual é sua importância?

O Brasil está muito ativo culturalmente. Eu mesmo inscrevi o poeta e romancista Carlos Nejar como candidato ao Prêmio Nobel de Literatura, por ocasião de uma visita minha à Academia Sueca em 2004. É um gênio da literatura mundial, nascido no Rio Grande do Sul e residente atualmente no Rio de Janeiro, embaixo do Pão de Açúcar, frente ao mar da Baía de Guanabara. Ele completou 70 anos este ano. A literatura brasileira está em uma fase excelente. A dança erudita é bastante festejada no mundo, assim como a popular. As artes plásticas hoje estão com nível de qualidade muito abaixo do nível alcançado no século XX. Não vejo muita perspectiva para as artes plásticas brasileiras. A música erudita não apresenta nenhum gênio criador mas nós temos excelentes maestros com concertos pelo mundo todo. A música popular é como o nosso futebol, a cada momento as grandes revelações nos enchem de alegria. Há muitos nomes de grande talento surgindo, sejam cantores ou compositores. Marisa Monte já seria um nome antigo.

A ciência brasileira tem dado saltos de qualidade, apesar dos obstáculos gerados pelos sucessivos governos. O Instituto Oswaldo Cruz é um grande exemplo de sucesso na pesquisa. O Ministério da Educação é o grande responsável pelo atraso em muitas áreas, pois há um órgão do Ministério chamado CAPES que controla a autorização da abertura de mestrado e doutorado nas universidades. É um controle que não tem paralelo no mundo civilizado. Apesar de a Constituição Federal conter um artigo que determina a autonomia acadêmica das universidades, nenhum programa de pós-graduação pode funcionar legalmente sem a autorização da CAPES.

A filosofia é vítima do mesmo sistema repressor. Mesmo assim, a filosofia brasileira evoluiu muito nos últimos 30 anos. Temos filósofos de reconhecido mérito em todas as áreas, com boa aceitação internacional. Em lógica matemática, Newton da Costa é tido como o mais importante no mundo hoje. Ele acaba de completar 80 anos. O que falta é a filosofia brasileira ser aceita como fundamental para o desenvolvimento do Brasil pelo todo da sociedade brasileira. A filosofia é obrigatória em todo o país no ensino médio ou secundário, o chamado segundo grau. A Academia Brasileira de Filosofia tem desempenhado um papel importante nessa conscientização da aceitação da filosofia nas políticas públicas. A filosofia tem assumido uma responsabilidade enorme nos destinos do Brasil, e a Academia Brasileira de Filosofia tem sido líder nesse processo.

3. A América Latina parece ser o último continente onde a esquerda pode viver e governar. Porque este "Back to the future"?

Muito importante a sua pergunta. Cuba e Brasil lideram, no plano teórico, a restauração do totalitarismo comunista mundial. Com o fim da URSS, Cuba desespera. Fidel convoca todas lideranças regionais de extrema esquerda para traçar uma estratégia comum. Cuba perdeu $ 5 bilhões de dólares por ano. A esquerda da América Latina uniu-se às FARC para obter financiamento da cocaína para a sua sobrevivência política. O sonho de mergulhar a America Latina na barbárie comunista foi ressuscitado. Chávez é o novo Carlos, o Chacal. A Revolução Bolivariana vem comprando e seduzindo políticos em toda a América Latina. As FARC são parte do chamado Foro de São Paulo, criado por Fidel Castro e Lula, seu primeiro presidente. Lula não é conhecido mundialmente por esta característica, mas sim pela outra, falsa, de democrata liberal. O Senado brasileiro está sendo pressionado por Chávez para aceitar a Venezuela no Mercosul, mas a associação de Chávez com o Irã agrava a situação. Todo cidadão iraniano ganha um passaporte venezuelano ao desembarcar na Venezuela. Caso ele seja aceito no Mercosul, qualquer iraniano entrará no Brasil legalmente, o que garante ações terroristas em curto prazo.

A esperança do Irã é islamizar a América Latina, único continente majoritariamente cristão, onde o Islã não entrou. Afirmam que Chávez teria se convertido ao islamismo. Carlos, o Chacal, venezuelano, afirma da prisão perpétua em Paris que ele conciliou o comunismo com o islamismo. Talvez seja essa a perspectiva de Chávez. Ele pensa unificar a América Latina sob seu comando, acabando com os Estados nacionais. A UNASUL. Será uma guerra sem precedentes na América Latina, que poderá começar com guerras civis nacionais e estender-se internacionalmente. O acordo nuclear com o Irã tem causado profundas preocupações. O serviço secreto britânico publicou um relatório na Inglaterra acusando Chávez de traficante internacional de cocaína, informando que a Força Aérea Venezuelana busca na selva com as FARC a cocaína que, em seguida, é transportada e distribuída na Europa. Segundo o relatório, 90% da cocaína consumida na Inglaterra e' de responsabilidade de Chávez. Os EUA acabam de divulgar um relatório semelhante sobre a cocaína vendida em seu território.

O Foro de São Paulo tem as FARC como membro fundador. Marulanda era o nome do representante das FARC no Foro de São Paulo. Várias revelações surgirão em breve tiradas do computador de Raúl Reyes, morto pelas Forças Armadas da Colômbia em território equatoriano. Brasil, Cuba, Equador, Venezuela, Bolívia, Argentina, Paraguai e Nicarágua estão unidos no projeto do neototalitarismo comunista. A barbárie não descansa.

Sarkozy, presidente da França, teria viajado para a Venezuela para encontrar-se com Chávez. Segundo fontes venezuelanas, Chávez teria proposto a libertação e extradição de Carlos, o Chacal, em troca de petróleo a preços muito abaixo do mercado. O embaixador da Venezuela em Cuba, por muitos anos, foi o irmão do Chacal. Portanto, há uma movimentação explosiva em curso na América Latina.

4. Lula parece ser, como Bachelet do Chile, um líder de esquerda, porém realista e moderado: muito mais parecido com Obama que com Hugo Chavez, porém isto é o que parece graças à imprensa "mainstream" de todo o mundo. Não é exatamente assim? Por exemplo, li em uma agência de imprensa iraniana que Lula e o Brasil defendem o direito do Irã realizar o programa nuclear. Também o fazem os países "Não aliados". Por que este delírio político?

O presidente do Brasil assumiu a preservação da economia de mercado, pois ele corria o risco de um grande movimento popular para derrubá-lo caso quisesse implantar o comunismo imediatamente. O sucesso da economia brasileira o manteve dentro dos limites do aceitável. Ele não é moderado por natureza mas por conveniência política e esperteza sindical. Ele não pode deixar de ser moderado. Ele tolera a democracia liberal. Ele tem medo de ser visto como radical de esquerda. Daí a dissimulação.

Entretanto, a Casa Civil, que é o ministério que detém de fato o poder político federal, teve José Dirceu como ministro. Dirceu foi terrorista e espião cubano no Brasil, traindo o país. Teve o mandato de deputado federal cassado por corrupção, no episódio conhecido como "mensalão", que era um pagamento ilegal que o governo federal fazia aos deputados e senadores para aprovarem as leis oriundas ou do interesse do poder executivo. Eles eram comprados literalmente. A sua substituta no ministério também é oriunda do terrorismo, Dilma Roussef. Logo, a Casa Civil está entregue ao grupo mais radical de esquerda, o grupo que nasceu no terrorismo das décadas de 1960 e 1970. Isso não é gratuito. Esse fato explica as relações ideológicas xipófagas com o Chávez. Obama é ambíguo, determina a proibição de visto dos EUA aos membros da Suprema Corte de Honduras, que decidiu pela deposição de um presidente-ditador e aliado das FARC, e mantém restrições econômicas contra Cuba. Joga nos dois lados. Bachelet, do Chile, é mais moderada, mas ideologicamente com tendência a apoiar Chávez, conforme suas decisões políticas têm mostrado. Lula - não o Brasil - defende o direito do Irã de realizar o projeto nuclear. O verdadeiro Lula é o Lula de Fidel Castro, Chávez, FARC, Irã, Hamas, Coréia do Norte. O atraso ideológico está no poder. A Europa é muito ingênua quanto a Lula. Eu reconheço que ele engana todo mundo. Um dia ele será descoberto. Aqui, na Europa e no mundo.

5. As relações dos intelectuais esquerdistas revolucionários - italianos, em particular - com o Brasil (e todo o continente): Toni Negri está por trás de todas as invisíveis revoluções latino-americanas, desde Cuba até Bolivia e Brasil? Qual é a penetração cultural dos politicos italianos no Brasil, por exemplo, Cesare Battisti, condenado como assassino na Italia, defendido pela casta dos intelectuales franceses, e abrigado do Brasil?

De fato, nós temos observado uma presença de extremistas italianos nos vários níveis do governo federal brasileiro. Eles têm o mesmo afeto e carinho que recebem os membros das FARC no Brasil. Eles estão unidos pelo mesmo projeto. Eles circulam livremente pela America Latina, em uma internacional bolivariana. Toni Negri é assessor permanente de Chávez, que segue literalmente suas idéias contidas no livro "O Poder Constituinte", traduzido no Brasil, assim como quase todos os livros de Negri. Ele é o mais influente de todos. O mais perigoso. Ele é o grande ideólogo da Revolução Totalitária Comunista da América Latina, intitulada eufemisticamente Bolivariana. Chávez está reunindo extremistas islâmicos, comunistas e nazistas. A comunidade judaica na América Latina está toda em alerta total. Sinagogas foram invadidas na Venezuela e na Bolívia. O Hezbollah está implantado em vários países da America Latina, inclusive no Brasil. Nós temos informações de treinamento de índios-bomba na Venezuela, inclusive crianças.

Battisti não tem nenhuma influência política no Brasil. Ao menos publicamente. É possível que prestasse assessoria esquerdista a setores do governo federal. Carla Bruni foi acusada de ter pedido ao presidente Lula a libertação de Battisti, tentando impedir a sua extradição para a Itália. Esse suposto pedido teve uma grande e negativa repercussão no Brasil. A opinião pública brasileira é majoritariamente a favor da extradição para a Itália. O Supremo Tribunal Federal deve votar pela extradição, ao menos essa é a tendência hoje. A grande maioria dos políticos e democratas brasileiros luta pela extradição. Enquanto eu publico e divulgo as obras do filósofo italiano Luigi Pareyson, a extrema esquerda publica e divulga Toni Negri. Eis a grande diferença, o abismo que me separa dos totalitários de esquerda.

6. Outras argumentações que para o senhor são importantes… Por exemplo, relações econômicas entre Brasil e Itália. O premier esquerdista Romano Prodi foi muito próximo de Lula, creio que por muitos negócios de George Soros (que havia investido muito na América Latina pelo biodiesel)…

Servir a dois senhores, à democracia liberal e ao totalitarismo comunista ao mesmo tempo - uma publica e outro dissimuladamente - não pode resistir muito tempo. As ambigüidades acabam tendo que ter e escolher um só caminho. Lula não está mais conseguindo esconder suas reais intenções e ideologia. Ele é um grande e hábil dissimulador. Suas formas tortuosas de expor as idéias, escondendo, e de esconder ao expor, já está devidamente decodificada pela inteligência brasileira. Ele alimenta a economia de mercado para não despertar suspeitas. Ele irá jogar a última fase da revolução comunista na conta e responsabilidade do novo presidente em 2010, que ele luta por ser uma mulher, Dilma Roussef. Caso eleita, caberá a ela o salto final no escuro. Pular no abismo. Nada une um esquerdista italiano e um brasileiro, a não ser um discurso genérico. O esquerdista brasileiro é um automóvel dos anos 1940, que imagina reinventar a Revolução Russa de 1917, ao som de samba com salsa. Tudo se converte em ideologia. Mesmo a etnia, seja ela qual for. Na falta do ortodoxo proletariado, toma-se um pouco de cada uma das etnias, mistura-se com estudantes vendidos, camponeses profissionais do MST (Movimento dos Sem Terra) e uma boa dose de ódio: o resultado é um extravagante ET desembarcando no mundo contemporâneo.

* JOÃO RICARDO MODERNO

PRESIDENTE DA Academia Brasileira de Filosofia.

DOCTEUR D'ÉTAT EM FILOSOFIA PELA UNIVERSITÉ DE PARIS I – PANTHÉON – SORBONNE

PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

Academia Brasileira de Filosofia
Prof. Dr. João Ricardo Moderno
Presidente
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A ANEXAÇÃO DA COLOMBIA AOS ESTADOS UNIDOS

Retranmsmito abaixo o comunicado que recebi da embaixada de Cuba, escrito por Fidel Castro, sobre o processo atual anter Estados Unidos e Coilômbia, que está preocupando a todos os que estão atentos à soberania nacional.
 
É bom refletirmos sobre o assunto, sempre levando em consideração que a posição de Fidel Castro é sempre totalmente contrária ao que ele chama de "Imperialismo Americano", embora ele mes sejamo tenha se rendido ao "Imperialismo Soviético"...
 
Ou seja: o que Fidel escreve tem sentido, mas pode estar com alguns exageros. Cabe a cada um de nós refletir sem se deixar levar por influências, sejam lá quais forem.
 
Aguardo comentários sobre isso.
 
Um abraço a todos, uma boa leitura e ânimo para debater sobre o tema!

---------- Forwarded message ----------
From: Secretaria <embacuba@uol.com.br>
Date: 2009/11/9
Subject: Reflexões do companheiro Fidel: A ANEXAÇÃO DA COLOMBIA AOS ESTADOS UNIDOS
To: robertoandersen@uol.com.br


Reflexões do companheiro Fidel

A ANEXAÇÃO DA COLOMBIA AOS ESTADOS UNIDOS

Qualquer pessoa medianamente informada compreende de imediato que o adoçado "Acordo Complementar para a Cooperação e a Assistência Técnica em Defesa e Segurança entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos", assinado em 30 de outubro e publicado na tarde do dia 2 de novembro equivale a anexação da Colômbia aos Estados Unidos.

O acordo põe em dificuldades a teóricos e políticos. Não é honesto guardar silêncio agora e falar depois sobre soberania, democracia, direitos humanos, liberdade de opinião e outras delicias, quando um país é devorado pelo império com a mesma facilidade com que um lagarto captura uma mosca. Trata-se do povo colombiano, abnegado, trabalhador e lutador. Procurei no longo calhamaço uma justificação digerível e não encontrei razão alguma.

Nas 48 páginas de 21 linhas, cinco são dedicadas a filosofar sobre os antecedentes da vergonhosa absorção que torna a Colômbia em território de ultramar.  Todas se baseiam nos acordos assinados com os Estados Unidos após o assassinato do prestigioso líder progressista Jorge Eliécer Gaitán no dia 9 de abril de 1948 e a criação da Organização de Estados Americanos em 30 de abril de 1948, discutida pelos Chanceleres do hemisfério, reunidos em Bogotá sob a batuta dos Estados Unidos nos dias trágicos em que a oligarquia colombiana truncou a vida daquele dirigente e desatou a luta armada nesse país.

O Acordo de Assistência Militar entre a República da Colômbia e os Estados Unidos, no mês de abril de 1952; o vinculado à "uma Missão do Exército, uma Missão Naval e uma Missão Aérea das Forças Militares dos Estados Unidos", assinado no dia 7 de outubro de 1974; a Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas, de 1988; a Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Organizada Multinacional, de 2000; a Resolução 1373 do Conselho de Segurança de 2001 e a Carta Democrática Interamericana; a de Política de Defesa e Segurança Democrática, e outras que são invocadas no referido documento. Nenhuma justifica transformar um país de 1 141 748 quilômetros quadrados, situado no coração da América do Sul, em uma base militar dos Estados Unidos. A Colômbia tem 1,6 vezes o território de Texas, segundo Estado da União em extensão territorial, arrebatado ao México, e que mais tarde serviu de base para conquistar a sangue e fogo mais da metade desse irmão país.

Por outro lado, transcorreram já 59 anos desde que soldados colombianos foram enviados até a longínqua Ásia para combaterem junto às tropas ianques contra chineses e coreanos no outubro de 1950. O que o império tenta agora é enviá-los a lutar contra seus irmãos venezuelanos, equatorianos e outros povos bolivarianos e da ALBA para destruir a Revolução Venezuelana, como tentaram fazer com a Revolução Cubana no mês de abril de 1961.

Durante mais de um ano e meio, antes da invasão, o governo ianque promoveu, armou e utilizou os bandos contra-revolucionários do Escambray, como hoje utiliza os paramilitares colombianos contra a Venezuela.

Quando o ataque de Bahia dos Porcos, os B-26 ianques tripulados por mercenários que operaram desde a Nicarágua, seus aviões de combate eram transportados para a zona das operações num porta-aviões e os invasores de origem cubana que desembarcaram naquele ponto vinham escoltados por navios de guerra e pela infantaria de marinha dos Estados Unidos. Hoje seus meios de guerra e suas tropas estarão na Colômbia não apenas como uma ameaça para a Venezuela senão para todos os Estados da América Central e da América do Sul.

É verdadeiramente cínico proclamar que o infame acordo é uma necessidade de combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo internacional. Cuba tem demonstrado que não é preciso a presença de tropas estrangeiras para evitar a cultura e o tráfico de drogas e para manter a ordem interna, apesar de que os Estados Unidos, a potência mais poderosa da terra, promoveu, financiou e armou durante dezenas de anos as ações terroristas contra a Revolução Cubana.

A paz interna é uma prerrogativa elementar de cada Estado; a presença de tropas ianques em qualquer país da América Latina visando esse objetivo é uma descarada intervenção estrangeira em seus assuntos internos, que inevitavelmente provocará a rejeição de sua população.

A leitura do documento demonstra que não apenas as bases aéreas colombianas são postas nas mãos dos ianques, mas também os aeroportos civis e no fim das contas, qualquer instalação útil a suas forças armadas. O espaço radioelétrico fica também à disposição desse país portador doutra cultura e de outros interesses que não têm nada a ver com os da população colombiana.

As Forças Armadas norte-americanas gozarão de prerrogativas excepcionais.

Em qualquer parte de Colômbia os ocupantes podem cometer crimes contra as famílias, os bens e as leis colombianas, sem ter que responder perante as autoridades do país; a não poucos lugares levaram os escândalos e as doenças, como o fizeram com a base militar de Palmerola, nas Honduras. Em Cuba, quando visitavam a neocolônia, sentaram-se escarranchados sobre o colo da estátua de José Martí no Parque Central da capital. A limitação vinculada ao número total de soldados pode ser alterada a pedido dos Estados Unidos, sem restrição alguma. Os porta-aviões e navios de guerra que visitem as bases navais concedidas terão quantos tripulantes precisarem, e podem ser milhares em um só de seus grandes porta-aviões.  

O Acordo será prorrogado por períodos sucessivos de 10 anos e ninguém pode alterá-lo senão no fim de cada período, comunicando-o com um ano de antecedência. O que farão os Estados Unidos se um governo como o de Johnson, Nixon, Reagan, Bush pai ou Bush filho e outros semelhantes recebesse a solicitação de abandonar Colômbia? Os ianques foram capazes de derrocar dezenas de governos em nosso hemisfério. Quanto duraria um governo na Colômbia se anunciasse tais propósitos?

Os políticos da América Latina têm agora perante si um delicado problema: o dever elementar de explicar seus pontos de vista sobre o documento de anexação. Compreendo que o que acontece neste instante decisivo das Honduras ocupe a atenção dos meios de divulgação e dos Ministros das relações Exteriores deste hemisfério, mas o gravíssimo e transcendente problema que acontece na Colômbia não pode passar inadvertido para os governos latino-americanos.

Não tenho a menor dúvida sobre a reação dos povos; sentirão o punhal que se crava no mais profundo de seus sentimentos, especialmente no profundo da Colômbia: eles opor-se-ão, jamais se resignarão a essa infâmia!

O mundo encara hoje graves e urgentes problemas. A mudança climática ameaça a toda a humanidade. Líderes da Europa quase imploram de joelhos algum acordo em Copenhague que evite a catástrofe. Apresentam como realidade que na Cúpula não se alcançará o objetivo de um convênio que reduza drasticamente a emissão de gases estufa. Prometem continuar a luta por consegui-lo antes de 2012; existe o risco real de que não se possa conseguir antes que seja demasiado tarde.

Os países do Terceiro Mundo reclamam com razão dos mais desenvolvidos e ricos centenas de milhares de milhões de dólares anuais para custear as despesas da batalha climática.

Tem algum sentido que o governo dos Estados Unidos dedique tempo e dinheiro na construção de bases militares na Colômbia para impor aos nossos povos sua odiosa tirania? Por esse caminho, se um desastre ameaça o mundo, um desastre maior e mais rápido ameaça o império e tudo seria resultado do mesmo sistema de exploração e saqueio do planeta.

Fidel Castro Ruz

6 de novembro de 2009

10h39

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Memória

Há muita gente que "bebe para esquecer". Alguns desses ainda chamam os colegas para acompanhar... E algumas vezes até para pagar a conta do bar... Há também os que esquecem por conveniência. Esses "esquecem" de pagar uma dívida, de retribuir um favor, de pedir desculpas, de visitar um amigo doente, de dar "bom dia" a uma pessoa que esteja abaixo de seu nível social e outras situações semelhantes. Quando a mídia começou a divulgar o propanolol como um medicamento para apagar memórias inconvenientes, imaginei o início de uma disputa entre laboratórios farmacêuticos e fabricantes de bebidas! Quem será o mais eficaz na luta para apagar lembranças ruins? E há, também, os que fazem questão de não lembrar, por puro raciocínio lógico. Esses costumam manter sua vida pautada na lógica dos resultados e dos rendimentos, ou seja: "Para que preciso prestar atenção à fisionomia e ao nome das pessoas que nada representam para meus interesses atuais?" "Para que perder tempo conversando com pessoas que não interessam aos meus objetivos de vida?" Todas essas pessoas têm algo em comum. Elas estão "programando" seus cérebros para "esquecer", mesmo sem se dar conta disso! E a maioria delas não faz a menor idéia de como essa programação negativa é eficaz! Nosso cérebro atende, com muita eficiência, as determinações que, mesmo de forma inconsciente, passamos para ele. Isso significa "programá-lo". A partir dessas programações o cérebro vai se acomodando a essas vontades. Se o evento, a atividade ou as pessoas não são de nosso interesse, participamos, mas não prestamos a menor atenção. O cérebro, então, se ajusta aos poucos. O aumento ou a redução da capacidade de fixação de imagens, sons e todas as demais sensações provenientes dos órgãos dos sentidos é ajustada à sua utilização diária. Se não achamos importante memorizar, o cérebro se ajusta a isso e reduz essa capacidade a mínima necessária. Surgem, então, esquecimentos inconvenientes provocados pela ociosidade programada das memórias cerebrais. Aí elas começam a se esquecer de coisas que atrapalharão muito sua vida. Esquecem fórmulas durante a realização de provas, esquecem a hora que deveriam estar em um compromisso de seu interesse, esquecem o nome, o endereço e o telefone do único amigo que poderia lhe tirar de uma "enrascada", etc. Quando a pessoa começa a perceber o que está ocorrendo acredita que seja uma deficiência sua. Não compreende que a deficiência não é de seu cérebro, mas sim da forma como o programou para funcionar. No filme Click o personagem principal "esquece", por meio de um controle remoto mágico, todos os momentos que ele considera não importantes ou desagradáveis de sua vida, pulando essas fases e vivenciando apenas as partes que ele considera convenientes e importantes. Ele só se dá conta do imenso erro que está cometendo quando nada mais pode fazer... Recomendo que assistam ao filme e analisem a mensagem. Essa perda de memória não está associada a alguma doença, como por exemplo, o Mal de Alzheimer, que ocorre quando as pessoas juntam ociosidade cerebral, excesso de estresse e predisposição genética. Esse problema está ligado exatamente à "Má Programação Cerebral", ou seja, as pessoas estão sendo mal programadas por elas mesmas, o que as leva a não lembrar nem daquilo que considera muito importante! Como solucionar esse problema, então? Você tem alguma idéia? Envie suas sugestões clicando em comentários abaixo. Analisarei cada resposta para depois publicar a mais completa. O vencedor receberá um exemplar autografado de qualquer um de meus livros: "Afetividade na Educação" ou "Viravolta", à sua escolha. Boa sorte!

domingo, 1 de novembro de 2009

A Fraude do Século Passado!

Amigos,

A NASA informou que o prazo para que seja possível desenvolver a tecnologia necessária para que o homem possa VOLTAR À LUA terá que ser estendido de 2015 para 2020.

Realmente chegamos à conclusão de que os atuais cientistas da NASA não conseguiram ACHAR OS PROJETOS DESENVOLVIDOS PELOS SEUS ANTECESSORES e estão começando de novo o desenvolvimento dessa tecnologia espacial. Essa é a única explicação para quem já fez essa viagem e vai ter que esperar MAIS ONZE anos para lembrar como foi que fez!

E nós continuamos a ensinar aos nossos alunos exatamente como eles querem! Com foto-montagem e tudo!

Agradeço a Yan Rocha o envio desse LINK bastante explanativo sobre o assunto.

Visitem e comentem:

http://www.afraudedoseculo.com.br/

Assistir o filme ou assistir ao filme?

Muitas alterações em nosso idioma decorrem do uso cotidiano de termos que são considerados mais práticos e mais fáceis de entender. Mas muitas outras decorrem da falta total de um ensino de qualidade ou até de professores que realmente conheçam aquilo que ensinam. Acho bastante lógico e natural o uso do "assistir ao filme", pela sua forma gramatical correta. Sempre achei que tal frase "soa" bem, já que tudo o que é praticado como natural acaba soando bem aos ouvidos de quem ouve e de quem fala.

Ao dizer "assistir o filme" o sentido seria o de dar assistência a um pedaço de película que se avariou e precisa de reparo, da mesma forma que um médico assiste o paciente que está doente e precisando de tratamento.

Por que, então, nem todas as pessoas conseguem "sentir" a correção gramatical ao ouvirem alguém falando ou ao lerem um texto publicado? É para isso que chamo a atenção nesse momento.

O problema hoje é que parte dos professores de português não estão sabendo sequer escrever nem falar o seu próprio idioma. Assim sendo nenhum dos alunos desses professores conseguirá "sentir" se sua frase está correta, se não está em contato com frases corretas...

Ouvi professores de Ensino Fundamental I em uma determinada escola dizer em sala, em plena aula:

- "Menina! Eu já havia mando você parar de fazer isso!"

- "Na atividade de amanhã nossa turma não pode plantar menas flores que a turma da quarta série."

E assim por diante! Essas crianças crescerão achando ridículo ter que utilizar MANDADO ao invés de MANDO e também absurdo as pessoas não utilizarem MENAS quando estiver relacionado a feminino. Para elas tais incorreções "soam bem".

E assim o idioma vai se moldando à falta total de educação, ao desinteresse pelo ensino correto e a conveniência de um sistema que deseja a todos a mais completa ignorância... E eles (do sistema...) viverão felizes e corruptos para sempre, sem que o povo, cada vez mais ignorante, tenha condições de sequer entender que está sendo LESADO!

Há solução? Lógico que sim! Mas não pela força... Mas pelo prazer de uma boa comunicação e pelo exemplo de cada uma das pessoas encarregadas da formação das crianças e dos adolescentes. Há que se ter professores entusiasmados pela forma correta de se expressar, pela beleza plástica de um idioma bem escrito, bem falado e bem articulado, pela harmonia das palavras e frases bem elaboradas, não só em versos, mas também em prosa.

Da correção gramatical eu me volto para a correção do caráter. Está tudo ligado! Preocupar-se com a forma correta do aluno escrever, falar e fazer contas é parte da preocupação com a formação de seu caráter. E tudo começa com o exemplo pessoal do mestre.

Sim! O exemplo é a base disso tudo! E temos que mostrar aos professores em formação que moldar sua vida em exemplos positivos e construtivos é encontrar o caminho da satisfação permanente. Um professor que vivencia o que ensina, sente prazer pelo que faz. Ele terá condições de amar cada um de seus alunos. E ao ser capaz de exercer essa forma de amor ele constrói um alicerce tão seguro que seus alunos estarão muito mais bem preparados para escapar da maioria das influências negativas que a sociedade impõe.

sábado, 24 de outubro de 2009

Futuro da humanidade

Amigos,

Desde o final do século passado que estão sendo divulgados alguns estudos mostrando a aproximação de perigos para a sobrevivência da humanidade e do próprio planeta Terra. Entre esses estudos estão os choques de asteróides, aquecimento global, inversão dos pólos magnéticos da Terra, incluindo aí as previsões Maias e outras tantas suposições, muitas catastróficas e fatalistas.
O que há de verdade em tudo isso?

Todos os estudos de que tive conhecimento até hoje tomam como referência observações sobre um período de apenas aproximadamente 12.000 anos, já que extrapolações científicas para além disso são objeto de muita polêmica.

Nos últimos anos as alterações em parâmetros universais ou terrenos, mesmo as mais divulgadas como mudanças determinantes de grandes alterações nas características do planeta e que influenciariam a vida humana, foram consideradas, pela ciência, insignificantes para qualquer influência real sobre o nosso mundo.

Sabemos, entretanto, que a ciência, ou melhor, os cientistas, sempre foram muito incrédulos em alterações de parâmetros tradicionalmente aceitos. Um dos exemplos atuais é o aquecimento global. Mesmo dando mostras de elevação do nível do mar ao ponto de já haver previsão temporal de eliminação de alguns países ilhéus, ainda estão os cientistas ignorando seus futuros efeitos catastróficos.

Declarações consideradas como sendo de Ashtar Sheran, então, não podem ainda ser confirmadas pela ciência atual, tanto pelo elevado grau de ceticismo dos cientistas como (e principalmente) pela atual incompetência científica em entender os mistérios do mundo e do universo.
No entanto existe uma parte da ciência que está no caminho do desenvolvimento dos conceitos do BIOCENTRISMO, que corrobora todas as declarações de Ashtar Sheran no sentido de alertar o ser humano que ele é o principal responsável pela salvação da humanidade, do planeta e, inclusive, pela harmonia de todo o universo.

Isso pode parecer um exagero e até uma supervalorização do ser humano, mas o caminho parece mostrar que os conceitos do biocentrismo estão corretíssimos! Nós, por meio da geração da energia Divina que está dentro de nossas células, ionterferiríamos em todo o universo à nossa volta, determinando o futuro da humanidade.

A preocupação de Ashtar Sheran parece demonstrar que o futuro da humanidade de alguma forma afetaria a existência extra-terrena e a harmonia das demais dimensões universais, podendo gerar algum efeito extremamente nocivo, assemelhado ao caos original ou algo mais sério em termos extra dimensionais.

Esses estudos, embora científicos, ainda estão incipientes demais para serem levados em consideração, ainda em virtude do ceticismo da maioria dos cientistas. Portanto, toda providência para evitar um desastre universal de infinitas proporções está nas mãos dos que acreditam no BIOCENTRISMO, sejam eles cientistas, filósofos, simples pensadores ou seguidores de teorias, religiões, seitas, sociedades de estudos e grupos que se preocupem com a humanidade.

Roberto Andersen
Em 24 de outubro de 2009

Construindo a felicidade

Reproduzo o texto integral de nosso colaborador Marco Antônio Fontana de Oliveira sobre a forma de se alcançar a FELICIDADE! Suas palavras são sábias! Analisem e busquem o entendimento interior. Agradeço ao nosso amigo Marco essa colaboração.

---------- Forwarded message ----------
From: Marco Fontana Oliveira <marco.fontanaoliveira@gmail.com>
Date: 2009/10/23
Subject: RES: Humildade
To: Instituto Univérsico de Pesquisa e Educação <iupe@iupe.org.br>


Prezado Roberto Andersen,

Conheci o IUPE de maneira casual navegando nesta maravilhosa ferramenta que é a internet. Não tenho formação intelectual, sou Engenheiro Mecânico sendo durante 24 anos sócio fundador da empresa EPICOM - Máquinas e Equipamentos Ind. e Com. Ltda. Ano passado com 51 anos de idade, resolvi vender minha participação no capital societário da empresa, desligando-me dela no dia 10 de outubro de 2008.

Realizei durante todos esses anos um trabalho competente do qual muito me orgulho, idealizei inúmeras máquinas que proporcionam uma produção de melhor qualidade com maior produtividade. Fiquei rico com isso? Financeiramente não, porém sinto-me em paz comigo mesmo e concluo que enriqueci minha vida.

Para não enferrujar meu cérebro, tenho procurado de maneira autodidática estudar principalmente filosofia. E quanto mais estudo, mais acredito em Deus!

Quando atuava como engenheiro-empresário não me sobrava tempo para reflexões, pois minha atenção estava integralmente voltada para minha família e os negócios da empresa. Depois de poucos meses de descanso, passei a ocupar meu tempo com esses estudos e pensamentos. No mês de maio passado, refletindo sobre a violência, o tráfico e consumo de drogas e de outras mazelas que assombram qualquer pessoa consciente, concluí que a solução para esse problema, está na busca pela felicidade. Quando estamos felizes, amamos de maneira pura, ingênua e profunda! Estudando sobre o dualismo Hermético, tomei conhecimento que todos os seres humanos são constituídos pelo bem e pelo mal, todos possuem bons e maus pensamentos, bons e maus desejos e que ninguém esta imune aos erros.

Concluí que, mesmo sabendo que jamais serei 100% justo e perfeito, tenho que ter como meta esse objetivo. Tenho desde então apresentado aos meus conhecidos essa teoria sobre felicidade:

Para atingirmos a felicidade temos que dar quatro passos em nossa mente e em nossa vida:

  • Primeiro passo: Crer em Deus! Não de maneira fanática nem religiosa. A religião é a parte financeira da crença, ou melhor, a parte humana da crença e nessa cabe o fanatismo. Não interprete como crítica esse pensamento, a parte financeira é importante!
  • Segundo passo: Sempre procurar ser justo! Ser justo não significa ser bom. Se formos 100% bons vamos ser pregados numa cruz, e acho que ninguém em sã consciência gostaria de ser pregado numa cruz. Ser justo é muito importante para nossa paz de espírito, para nossa autoestima.
  • Terceiro passo: Trabalhar com disposição e alegria! Trabalhando dessa maneira, sempre seremos competentes. Competência é a junção de três condições. A condição do Conhecimento, isto nós obtemos pela teoria, pelo estudo. A condição da Habilidade, que obtemos pela prática do conhecimento. E finalmente a condição de uma boa Atitude. Sendo competente automaticamente haverá a recompensa monetária e principalmente a emocional.
  • Quarto passo: Constituir uma boa família! A família, representada pela esposa / marido e filhos, é divina e deve ser cultivada em ambiente de muito amor, com valores de virtudes. Nos dias de hoje com os meios de comunicação (televisão principalmente) é muito difícil nos concentrarmos nesse objetivo. Mas quem disse que tudo tem que ser perfeito?

Desculpe-me se estou sendo pretensioso, mas acredito que a divulgação dessa idéia poderá produzir uma corrente positiva reduzindo à mediocridade, a ganância, a inveja, a cobiça, e outros vícios que levam milhões de pessoas a consumirem drogas (incluindo o álcool), que leva ao crime do tráfico. As pessoas precisam aprender a distinguir prazer de felicidade.

Vocês são os filósofos, possuindo conhecimento em profundidade para analisar esse pensamento, façam uso dele da melhor maneira que julgarem.

Atenciosamente,

Marco Antônio Fontana de Oliveira

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Humildade do Educador

MAIOR VALOR DO EDUCADOR: ASSUMIR A PRÓPRIA INCOMPETÊNCIA

HUMILDADE para assumir a própria incompetência no trato educacional deve ser o maior valor do educador. Sem ela os resultados são catastróficos! E esses resultados estão em todos os lugares, em todas as escolas e em todas as comunidades! Mas esses maus resultados estão camuflados sob as mais diversas capas, entre elas:

a) Culpa da má educação familiar: “A família que conserte a criança ou encontre outro colégio que o aceite. Aqui não dá para continuar. Ou eu ou ele na sala. Punição nele. Suspensão nele. Reprovação e expulsão para ele.”

b) Doença incurável: “Criança é hiperativa ou esquizofrênica ou tem síndrome disso ou daquilo. Procure um médico para mantê-la sob tratamento medicamentoso. Sem dopá-lo não dá. Ou faz um tratamento ou procure outra escola que o aceite.”

c) Má índole da criança: “Percebe-se que essa criança já nasceu assim. Ela não tem jeito. É má índole mesmo! Não há solução. É um caso perdido.” Esses comentários são os mais comuns entre pessoas que se dizem educadores! Acrescente-se a texto: “Eu tenho experiência de muitos anos de ensino! Sei lidar com crianças e adolescentes. Essa criança extrapola todos os limites Nesse caso não é incompetência minha.”

Pois é, amigos. Mas é incompetência sim! Nós jamais teremos a competência necessária para educar corretamente todos os diferentes tipos de crianças e adolescentes. Nosso papel é tentar entender cada uma dessas crianças em sua individualidade e buscar alguma forma de alcançá-la em seu SELF, que até então está escondido dela mesma.

Todos os pensamentos, palavras e atitudes de qualquer pessoa são frutos de uma construção psíquica bastante complexa. Ninguém age por agir. As ações, por mais que pareçam ser “de momento”, são conseqüências de uma formação interna do indivíduo. E essa formação recebe influências de todos os lados.

Algumas dessas ações são provenientes de características biológicas, trazendo os naturais instintos da espécie humana, mas sofrendo interpretações sociais. Outras provêm de herança genética, trazendo características especiais daquela linha familiar e também com influências do comportamento social. A maior parte das ações, entretanto, provém da construção da personalidade pela influência memética, que pode ser entendida como a influência cultural dos meios onde ela está inserida.

Mas todo ser humano, por maiores que tenham sido as influências recebidas, tem a possibilidade de sofrer mudanças psíquicas que resultem em alteração de seu comportamento. Mas para isso esse ser humano tem que, em primeiro lugar, ser compreendido em suas características pessoais. Há que se identificar as razões que o levaram a agir da forma que age.

E isso só pode ser feito se o educador conseguir a competência necessária à prática da empatia analítica, ou seja: conseguir colocar-se no lugar do outro. A partir daí o educador deverá iniciar um processo de aproximação e conquista. Não há como influenciar qualquer mudança se não se alcança o sentimento dessa pessoa de forma positiva.

O educando tem que “gostar” do educador. Essa afinidade educador-educando é a base para qualquer influência positiva poder existir. A palavra chave é então: CONQUISTA! E para essa conquista ser verdadeira não pode haver falha na ligação educador-educando.

A relação deve ser construída dentro das normas mais conhecidas de todo o universo educacional, que é o exercício da afetividade e do controle, binômio mais conhecido como AMOR + LIMITES. Mas para que esse binômio produza efeito ele deve ser natural. Há que se desenvolver essa prática de forma a que ela faça parte da personalidade do educador.

E para que isso se torne natural há que haver treinamento intensivo e permanente! E todo esse treinamento passa pelo desenvolvimento da capacidade de AMAR a todos, sem qualquer exceção! Embora isso deva ser praticado em todos os momentos de nossa vida e para todos os públicos, podemos nos restringir, inicialmente, à sala de aula.

Começando, então, pela sala de aula, temos que analisar cada um de nossos alunos e procura ver a todos como se fossem nossos verdadeiros filhos, independente de terem pais ou não! Isso significa amá-los de verdade, com a responsabilidade que um pai deve ter, sabendo que AMAR significa tanto dar AFETO como exercer o poder do CONTROLE e a ORIENTAÇÃO.

E nesse treinamento está inserido o desenvolvimento da sua CAPACIDADE DE OUVIR o educando, com toda a atenção necessária à sua plena satisfação de sentir-se protegido, sentir-se reconhecido e sentir-se compreendido. SABER OUVIR é uma virtude!

Mas temos diversos outros pontos a discutir, entre eles o fato de considerar os educandos como seus filhos… Será que todos os educadores sabem educar seus próprios filhos? Não seria bom começarmos pela análise do educador em sua própria família?

Mas por enquanto fico por aqui, principalmente para evitar que vocês digam que não seu para comentar porque eu falei tudo sobre o assunto. Ainda dá para dizer muita coisa, principalmente contra minhas idéias. Aguardo ansiosamente seus comentários.

Abaixo reproduzo um trecho que a Professora Monica Costa mandou sobre Habermas, que tem muito a ver com o que estamos discutindo: “Segundo Habermas, a falibilidade possibilita desenvolver capacidades mais complexas de conhecer a realidade, além de representar garantia contra regressões metafísicas, com possíveis desdobramentos autoritários Evolui-se assim através dos erros, entendidos como falhas de coordenação de planos de ação”


Meninas, como entendê-las?

Há todo um estudo em desenvolvimento voltado para o entendimento das meninas, sejam elas crianças ou adolescentes, mas há, entretanto, uma distância muito grande entre as teorias desenvolvidas por tais estudos e a realidade sempre em transformação da nossa sociedade.

A responsabilidade por essa distância (para evitar falarmos de culpa) é a dificuldade dos pais e educadores de praticarem o processo da empatia, ou seja, raciocinar como se fossem elas, com a idade e a maturidade delas, para entender como está a compreensão de mundo delas ao vivenciar:

a) as atuais informações divulgadas por todos os veículos da mídia (radio, televisão, revistas e jornais) mostrando-a como objeto sexual do homem;

b) o descaso que tanto pais como educadores passaram a ter pelas suas filhas em relação ao ensino de jogos, passatempos, diversões e brincadeiras, deixando-as sem qualquer outra opção de lazer;

c) os exemplos que surgem por todos os lados de mulheres submissas ao homem por serem totalmente dependentes deles, achando assim que essa é a sua única opção de futuro;

d) a forma como a mulher está sendo vulgarizada pelas letras das músicas atuais e pelas coreografias preparadas propositadamente para mostrá-la como mulher objeto ou mesmo prostituta e sem qualquer resquício de valor moral;

Como reduzir essa distância e contribuir para a sua melhor formação intelectual e emocional, abrindo para elas as portas do verdadeiro sucesso pessoal, familiar e profissional, se o que estamos vendo é:

- Muitos exemplos de sucesso profissional totalmente desvinculados do sucesso conjugal, como se houvesse um impedimento da mulher ter sucesso e estar feliz em seu casamento.

- Muitos exemplos de mulheres que se dizem satisfeitas com o casamento mostrando submissão ao marido e uma inferioridade intelectual, no mínimo, aparente.

Essa desconstrução da felicidade da mulher está sendo realizada desde a infância da menina, quando ela é impedida de viver todos os estágios da formação de sua personalidade, sendo forçada, pelos próprios pais, a “pular etapas”, vestindo-se e pintando-se como se fosse uma mulher em miniatura, dançando as coreografias preparadas para mostrá-la como uma mulher vulgar…

Precisamos mudar o enfoque na educação das meninas. Sabemos que a melhor eficácia dessa mudança ocorrerá ao realizarmos em conjunto com pais, educadores, sociedade e mídia. Mas não podemos esperar que todos se motivem ao mesmo tempo! Nossa parte deve ser feita já!

Participem de nossos encontros presenciais das tardes de terças feiras no IUPE. Quem desejar participar pela internet pode enviar seus comentários por e-mail. Ou por comentários aqui mesmo no BLOG.

Fuga do estado depressivo

RELATO DO CASO:

"Estou constantemente triste, sem ânimo para nada, acreditando que minha vida não tem nenhum valor nem para mim mesmo nem para a minha família e menos ainda para a sociedade. Sinto-me totalmente desprezível! Não vejo objetivos em nada que faço. Nem sei se tenho algum objetivo de vida. Por causa disso tenho tido pensamentos negativos todo o tempo. Já pensei em abandonar tudo e abandonar até a própria vida. Tenho até medo do que posso vir a fazer por causa desse sentimento tão negativo. Não consigo nem dizer o que se passa comigo para ninguém. Não tenho sequer em quem confiar. Me ajude, por favor!"

Tal relato é uma síntese de diversos relatos que tenho recebido. A impressão que me dá é que está havendo uma certa contaminação de estados depressivos, como se a gripe A estivesse tomando uma forma psíquica. Peço a todos os que me escreveram que analisem minha resposta com cuidado e atenção. Cada passo é importante para recuperar a auto-estima e possibilitar o alcance do estado de felicidade.

RESPOSTA:

1. Análise do fato:

Pensamentos negativos recorrentes são considerados neuroses, assim como toda insatisfação, ansiedade e angústia sentida de forma repetitiva. O pensamento negativo, ao aumentar, dá espaço para a criação de estado depressivo perigoso podendo, logicamente, levar à depressão, o que já passa a ser uma doença psiquiátrica.

Existe sempre uma causa para os pensamentos negativos e normalmente essa causa nada tem a ver com as idéias que passam pela cabeça nos momentos de angústia e tristeza. Essas idéia e fatos são as "desculpas" que nossa mente encontra para justificar nosso estado.

2. Formas de tratamento:

Para eliminar a causa da neurose existe a terapia psicanalítica. Ela consiste em deixar a pessoa falar à vontade sobre si mesma, o que deve ser feito sem nenhuma restrição e nenhum bloqueio. Quando a pessoa consegue ficar falando o que vem à cabeça, durante as sessões de análise, sem medo de ser mal entendida, já que quem está ouvindo é um profissional que não deve ser de sua intimidade, a mente vai liberando tudo o que estava anteriormente preso, causando desconforto psíquico e construindo neuroses.

Psicanálise, entretanto, embora seja a única forma de cura definitiva da neurose, não é um terapia rápida nem barata. Além de estender-se por anos a fio, a depender do profissional ela é bastante cara e não está incluida em planos de saúde, já que essa profissão não é aceita oficialmente pelo nosso sistema.

O tratamento por meio de terapias psicológicas (psicoterapias) é mais rápido, os custos são mais amenos, além de estarem incluidos em planos de saúde. A dificuldade é que essas terapias não curam a neurose. Elas apenas ajudam o paciente a conviver com elas em harmonia, criando compensações emocionais e psíquicas que disfarçam a tristeza e a ansiedade. O paciente passa a viver harmonicamente e acomodado, mas não alcança o estado ideal de felicidade, passando a confundir alegrias com felicidade. Mas escapa do estado depressivo e pode passar a ter mais momentos de alegria do que de tristeza.

3. Enfocando especificamente o CASO RELATADO:

Vamos agora exatamente para o seu caso. Deixo claro que aqui estarão duas opções de atitudes técnicas a tomar. A primeira é a mais acertada. A segunda é a opção mais fácil de encontrar. Mas em seguida estão duas atitudes que devem ser tomadas obrigatoriamente por você desde agora. Não são opcionais. São necessidades diarias importantes e devem ser respeitadas como essenciais para o seu bem estar e a sua plena recuperação, independente da atitude anterior escolhida.

Primeira opção: TERAPIA PSICANALÍTICA

Procurar fazer uma terapia psicanalítica. Essa terapia a levará ao autoconhecimento verdadeiro, sem interferências externas. Todas as demais terapias são interferentes, exceto a analítica. Esse autoconhecimento vai levá-la a encontrar, por si mesma, as causas do desconforto psíquico causador das neuroses. Essa descoberto elimina a razão dessas neuroses e, consequentemente, acabam os motivos das ansiedades, angústias, tristezas e estados depressivos. O estado pleno de felicidade em sua vida passa a ser uma possibilidade real. Os motivos de insatisfações e tristezas passam a gerar apenas estados temporários de tristezas dentro de um clima de felicidade natural.

Segunda opção: PSICOTERAPIA

Procurar um tratamento psicoterápico com profissional da área de psicologia, preferencialmente algum que também esteja ligado a terapias holísticas. O terapeuta holístico sem formação psicológica pode estar atuando sem conhecimento de alguns detalhes importantes da mente humana, podendo até prejudicar o paciente. Por sua vez o psicólogo sem conhecimento de terapias holísticas pode estar deixando de lado estratégias de tratamento que facilitam em muito a eficácia do tratamento. Por isso o ideal nessa segunda opção é um profissional que reúna ambos conhecimentos.

Primeira atitude essencial: PRONTO SOCORRO DA TRISTEZA

Realizar todos os dias, preferencialmente ao acordar, as massagens faciais (caretas, etc.) que costumo ensinar em todas as minhas palestras. Essas massagens provocam a geração do neurotransmissor serotonina e aliviam qualquer estado depressivo, aumentando a potencialidade da alegria e do estado de felicidade.

Segunda atitude essencial: MERGULHO ORACIONAL OU MEDITATIVO

Esse mergulho oracional ou meditativo vai depender de sua crença ou não crença. Não faz a menor diferença se você é ateu ou crente em alguma coisa. Para cada realidade de crença existe uma variante dessa atitude. O importante é que ela é essencial para a felicidade. Ela reforça as bases psíquicas da mente humana de uma forma bastante segura e confiante.

Mas essa opção deve ser muito bem pensada porque não adianta querer seguir uma determinada linha religiosa ou meditativa apenas como opção de tratamento, sem que a pessoa esteja realmente consciente de que aquilo é verdadeiro, ou seja, se não houver verdadeira fé no que se irá fazer.

Nessa opção basta reservar momentos de dedicação exclusiva a tais mergulhos oracionais ou meditativos, estando confiante que estão sendo geradaas ondas de pensamento positivo que irão, certamente, interferir internamente e externamente, transformando sua realidade para uma realidade ideal de paz, conforto, sucesso, prosperidade e aumento de auto-estima.

Tudo o que eu disse acima já está publicado no livro que lancei na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e que estará sendo lançado nesse final de ano em Salvador:

Andersen, Roberto. Afetividade na Educação: Psicopedagogia. São Paulo: All Print Editora, 2009.


Quem sou eu, afinal?

QUEM SOU EU, AFINAL?

Estava lendo a reportagem “Como você virou você” na Super de outubro, quando Irisvan Yuri, um aluno do 9º ano de nosso colégio, entra e pergunta: “Como você pode ter certeza de que você é você mesmo ou se é outro você diferente daquilo que você se imagina ser?”

Ele não tinha visto que reportagem eu estava lendo e, portanto, aquela abordagem foi pura coincidência… se é que coincidências realmente existem! Mas sua pergunta me desconcertou ao ponto de me fazer fechar a revista e pensar sobre o assunto.

A dúvida, então, nos remete à essência da própria reportagem, que está baseada na formação da nossa personalidade, assim como aos desafios que tenho encontrado recentemente, como os pedidos de orientação emergencial para adolescentes em graves crises de identidade!

Sabemos que conhecer a nós mesmos é uma tarefa das mais difíceis para qualquer um de nós, independente de nossa formação, principalmente por estarmos envolvidos em um oceano de influências externas que controla toda a nossa forma de vermos a nossa própria identidade.

Somos manipulados para entender-nos à conveniência da cultura do nosso sistema, criando, então, traumas, ansiedades e angústias toda vez que nossa realidade comportamental e sentimental estiver em desacordo com as normas determinadas pela cultura dominante.

Quanto mais afastado dos padrões culturais vigentes estiver nosso pensamento, palavra ou atitude, maior será o grau de culpabilidade inserida em nossas mentes, contribuindo assim para a formação de uma personalidade neurótica ou até psicótica.

Mas em respeito ao comentário do Professor Átila, que reclamou de meus artigos serem completos e impossibilitar comentários ou reflexões a respeito, apresento agora uma série de questionamentos sobre essa dúvida de personalidade, para que todos possam contribuir com suas idéias a respeito e assim podermos, mais tarde, tentar chegar a alguma conclusão.

Aqui vão os questionamentos para debate:

1. A reportagem comenta a fala de Antônio Damásio dizendo que só aos 18 meses de idade a criança começa a ter o que pode se chamar de “consciência mínima”, distinguindo salgado de doce, liso de áspero, quente de frio, barulhento de silencioso, luminoso de escuro, quando começa a integração entre o lobo frontal e o lobo parietal do cérebro. E que a noção de passado e futuro só aparece entre 3 e 4 anos de idade, com o desenvolvimento da memória de longa duração. Alguém tem alguma evidência que comprove o que contradiga essa fala? Lembrem das observações que todos vocês fazem, em seu dia-a-dia, ou que fizeram ao longo de sua experiência de vida, e mandem suas opiniões.

2. A reportagem dá a entender que a influência da mãe no que você é hoje nada mais é do que um modismo do nosso tempo e cultura. Segundo a revista a forma de vermos os filhos vem mudando a cada momento. Da idade média ao século 18 o filho era posse dos pais e podia ser ignorado ou maltratado à vontade. Até o século 20 recomendava-se aos pais que não demonstrassem amor pelos filhos. E de Freud em diante passou-se a determinar que os problemas de personalidade surjam como consequência de atitudes educacionais equivocadas dos pais. Afinal: os pais influenciam ou não na formação da personalidade?

3. Quem mais influencia a formação da personalidade do adolescente, os pais ou os amigos? A reportagem relata duas experiências sobre o assunto:

a. Uma família criando um chipanzé junto com seu filho, mostrando que, naquele caso, o menino aprendeu mais com o chipanzé do que com os pais. Por sua vez o chipanzé aprendeu os costumes humanos como se sua genética não tivesse grande influência sobre sua personalidade.

b. Uma experiência com 700 filhos adotados e suas famílias, medindo inteligência, auto-estima e ajustamento. A conclusão que chegaram foi de que as crianças pareciam mais com seus pais biológicos do que com as famílias que as adotaram. A casa deixou poucas marcas permanentes. Nesse caso a reportagem quer mostrar que a família tem pouca influência na formação da personalidade da criança. A formação da personalidade está mais ligada à genética (pais biológicos) e aos amigos (influência social) do que ao ambiente familiar.

Dê sua opinião a respeito. Conheço relatos que estão totalmente em desacordo com o que a reportagem mostra, mas aguardo os relatos de vocês.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Mudança de endereço do blog

Acesse o nonvo endereço de nosso BLOG:

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Diagnósticos precipitados

Recebemos uma mensagem da Dra Ana Lúcia Rech sobre nosso artigo de diagnósticos precipitados de TDAH, Narcolepsia e outros. Dra Rech mostrou-se preocupada com uma possível simplificação que estaríamos fazendo do problema, o que poderia levar muitos pais a não acreditarem nem nas doenças nem na necessidade das drogas para seus tratamentos.

Realmente esse risco existe! E precisamos estar muito atentos para não generalizar em cima de pequenas amostragens. As doenças existem e os tratamentos medicamentosos, desde que corretamente prescritos e acompanhados por profissionais com a devida competência, são eficazes.

Precisamos, então, que toda a linha de atendimento à criança esteja bem orientada para a forma correta de se acompanhar todos os casos de anomalias comportamentais e cognitivas, analisando cada criança na sua individualidade e analisando também a sua relação familiar, para evitar a atual "acomodação" de pais e professores que, para eximirem-se da responsabilidade de uma educação equivocada e de uma incompetência pedagógica, levem crianças sadias com bloqueios emocionais graves a terem seus sintomas confundidos com portadores de patologias graves.

domingo, 23 de agosto de 2009

Terapia IUPE básica... para tudo!

Fala-se muito em psicossomática, força do pensamento, energia positiva, mas na prática vejo as pessoas cada vez mais descrentes de tudo! Está na hora de mudar um pouco essa "acomodação ao nada" e fazer com que a vida tenha mais sentido, contribuindo assim para eliminar todas as doenças de ocasião... a maioria de fundo totalmente emocional!

Vamos começar o tratamento? Esse tratamento de hoje é a TERAPIA IUPE BÁSICA. Depois tem mais...

Para começar vamos ao início do dia, ou seja, o momento do acordar!

1) CARETAS:

O primeiro passo é a sessão de caretas e massagens faciais. O mais que puder! Ajude sua musculatura facial com os dedos, massageando todo o rosto, orelhas, nariz, bochechas e todo o mais. Você estará enviando, nesse momento, um sinal para o cérebro, provocando a liberação do neurotransmissor da felicidade: a serotonina! E isso provoca um fluxo de satisfação e felicidade por todo o seu corpo. É uma verdadeira VACINA contra tristezas e estados depressivos. É o PROZAC natural, sem efeitos colaterais e na dose certa para o melhor rendimento de seu organismo.

2) COÇAR O CHIFRE:

Cuidado com a interpretação que você pode querer dar a esse segundo passo! Você não precisa, de forma alguma tê-los (os chifres), mas precisa coçá-los... Vou explicar, calma! Leia com cuidado... Esse passo é uma GINÁSTICA CEREBRAL muito conhecida e que consiste em fazer uma massagem circular com dois dedos de cada mão, ao mesmo tempo, em sentidos inversos, na testa. São círculos na testa, subindo por fora e descendo por dentro. Esse movimento também deve ser feito durante um bom tempo, preferencialmente enquanto estiver no chuveiro, para que as atividades dos neurônios sejam estimuladas a fazerem uma interligação entre os dois hemisférios. Isso, além distribui toda uma possível

3) ELIMINAR ROTINAS SUPÉRFLUAS

Fazer um levantamento de toda a sua rotina diária e identificar o que poderá ser eliminado, por ser apenas um costume supérfluo. Elimine mesmo! Vai sobrar tempo para coisas mais úteis! Há coisas que fazemos apenas por costume e achamos que não podemos ficar sem elas! Que bobagem! analise friamente e elimine-as!

4) TRANSFORMAR TUDO EM PRAZER

Liste as atividades que sobraram em sua rotina. Analise agora se todas elas são atividades prazerosas ou se alguma delas é estressante ou considerada como uma obrigação. Procure descobrir novas formas de cumprir essas atividades. Essas novas formas devem ser planejadas para que alguma parte delas seja um novo desafio, uma forma de criar algo novo, ou seja, algo que lhe dê a sensação de produtiviodade, utilidade e prazer! PRAZER é a palavra certa! Tudo o que você fizer deve ter o PRAZER envolvido! Muda tudo!

Essa é a terapia básica! Ela, sozinha, já resolve a maioria dos problemas, já que grande parte deles é de origem emocional, principalmente devido ao estresse.

Coloquem em prática e vamos comentar os resultados, comentando aqui mesmo, no BLOG, ou enviando uma mensagem para mim:

robertoandersen@gmail.com e colocando em assunto: TERAPIA IUPE BÁSICA

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Novas crianças e a alteração no DNA

Numa mensagem recebida pelo FACEBOOK, de meu amigo Enéias, psicanalista em formação, ele comentava que leu algo sobre as mudanças nas novas gerações estarem relacionadas ao aumento do n° de hélices no DNA. E me pergunta: Será possível?

Confesso que não li a respeito dessa alteração no DNA, mas acredito que possa ter relação sim, embora essa confirmação possa demorar um pouco. Mas antes disso, porém, precisamos verificar as formas de lidar com essa diferença.

O que temos observado, por enquanto, funciona como se houvesse mais ligações neuronais por quantidade de neurônios, ou seja, uma espécie de aumento da capacidade de diversificação das ligações para o mesmo conjunto.

Isso poderá forçar o aumento da neurogênese, o que pode estar sendo a causa do aumento, em paralelo, da inquietação dessas crianças e a consequente confusão diagnóstica, levando os médicos a rotulá-las de hiperativas.

As pesquisas, então, devem continuar, para que essas crianças não tenham o seu potencial desperdiçado.

E o que mais recomendo é a educação direcionada, com apresentação de desafios crescentes e entusiasmantes, sempre sem deixar de lado o exercício dos limites.

Mas esse é outro assunto. Um assunto para os psicopedagogos, para os educadores de pais e para os professores.

Por falar em professores, estaremos em mais uma reunião de educadores no IUPE, no próximo sábado, a partir das duas da tarde. O assunto é:

1) Treinamento de auto-estima e auto-valorização individual e profissional;
2) A importância da família;
3) Nova visão da avaliação e do calendário acadêmico;
4) A adaptação do conteúdo programático às diferenças individuais;
5) O exercício dos limites comsigo mesmo e com os alunos em sala.

O encontro é para os educadores do colégio,mas está aberto a todos os educadores que desejarem participar. Basta comparecer.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Dia do Estudante: a chave para mudar o mundo

O dia de hoje é dedicado ao ser mais importante para a humanidade! Sim! Não se espantem! O ESTUDANTE é o único ser que poderá, um dia, interferir positivamente em todas as áreas do conhecimento humano de forma a possibilitar uma verdadeira transformação social e permitir ao mundo que seja dada uma definitiva guinada em direção a paz social, a prosperidade dos povos e a felicidade das pessoas.

É com esse estudante de agora, com a potencialidade intelecto-emocional que lhe foi dada de presente ao nascer, que está a chave para construir tudo isso, por meio de seu entusiasmo, de sua dedicação e da transformação de sua potencialidade em capacidade adquirida.

A chave está com ele! Não está mais com os adultos! A nossa chave já não resolve os desafios que a vida está nos apresentando. Os desafios crescem e tornam-se mais complexos a cada dia! As descobertas científicas espantam os próprios cientistas que não foram preparados para tomar conhecimento de tanta coisa diferente.

O mundo multidimensional, por exemplo, que nunca foi corretamente entendido por nenhum dos grandes pesquisadores, já faz parte do universo infanto-juvenil inserido em seus jogos de computador e video-game. Eles já trafegam em universos paralelos, sem sequer se dar conta de que estão imitando uma realidade mal compreendida pela própria ciência de hoje!

Nesse ponto eu dou uma pausa para parabenizar todos os estudantes de hoje e, mais ainda, todos aqueles que me permitem (ou permitiram), que eu tenha (ou tenha tido) o imenso prazer de ser (ou de ter sido) o seu professor!

Está na mão de vocês a construção do seu próprio futuro e também o da própria humanidade. É com a dedicação ao seu próprio crescimento intelecto-emocional e a correta utilização desse conhecimento e dessa capacidade adquirida que vocês vão determinar o seu futuro, o futuro de sua família, de sua comunidade e, inclusive, contribuir para o futuro da humanidade.

Mas a nossa chave, a dos adultos, embora já arcaica, é a única que vai resolver o maior de todos os desafios da humanidade! Só a nossa chave, dos adultos de hoje, resolverá o grande desafio de entusiasmar os donos da chave do futuro, os estudantes de agora, para que adquiram, pela sua própria capacidade inata, todo o conhecimento e toda a determinação necessários ao exercício dessa necessária mudança social.

É a nossa chave que deve ser muito bem utilizada, por meio de exemplo de vida, por meio de compreensão e carinho, por meio de determinação e imposição de limites, por meio de confiança e controle, para que os estudantes que estão sob a nossa responsabilidade (pais e professores), para que eles encontrem a melhor forma de utilizar as suas chaves.

Lembrem, a todo tempo, que se não utilizarmos corretamente nossas chaves, outros estarão direcionando a vida de nossos filhos para a destruição de toda a sua potencialidade nata, por meio da incitação ao lazer fora de hora, do desânimo para com o conhecimento, levando-os ao desperdício de sua potencialidade e à construção de uma total incapacidade, não conseguindo sequer saber para que serve essa tal de chave...

Está em nossas mãos o futuro de nossos estudantes e está nas mãos deles o nossa própria felicidade atual e, principalmente, futura!

Pensem nisso!

sábado, 8 de agosto de 2009

Discriminações destruidoras

Você já conviveu com amigos e parentes brancos que juram não ter preconceito racial e se espantou quando perceberam, em sua casa, seus filhos brancos brincando animadamente com seus colegas negros?

Algum de vocês já participou de algum congresso pela liberdade religiosa e se espantou quando seus dirigentes lhe disseram que não deveriam chamar os católicos porque eles veneram Maria e idolatram santos?

Lembra de ter participado de algum encontro entre professores cujo tema era a necessidade de estimular o super-dotado de forma diferenciada para que todo o seu potencial seja desenvolvido e mais bem aproveitado e, mais tarde, em uma outra reunião desses mesmos professores, alguns comentarem que esses alunos metidos a inteligentes devem ser "colocados em seu lugar" para não atrapalhar a aula e não confundir o professor?

Pois é! Isso tudo e muito mais já me aconteceu e, acredito, também a alguns de vocês. É a hipocrisia das pessoas que sentem uma imensa necessidade de encontrar, nos outros, defeitos que não existem, para poder se autoconvencer de seu próprio valor, já que estão totalmente inseguros quanto a isso.

Mas isso não é o que mais me espanta na sociedade em que vivemos, mas sim um outro tipo de discriminação. É a que ocorre dentro das famílias e voltadas para impedir o desenvolvimento de seus próprios filhos. Quando essas famílias acomodam-se a uma situação de inferioridade social e não acreditam que seus filhos podem superar todas essas dificuldades e alcançar níveis profissionais e sociais muito superiores a todos os seus parentes e amigos. Quando essas famílias nem sequer pensam em investir na educação desses filhos, evitando gastos com livros e computadores, mas gastando em celulares de última geração, carros mais novos, festas, bares e diversões, "porque ninguém é de ferro", como já ouvi muito...

Espanta-me quando a discriminação passa a ser uma autodiscriminação! Essa, acredito, é a pior delas! Porque essa não precisa de ninguém de fora. Essa já está dentro de cada um, construída pelo processo de auto-inferiorização, por famílias acomodadas e desesperançadas. Famílias que sequer ouvem o que falamos, para não se convencer de que seus filhos podem ser melhores do que eles.

E para que o nosso espanto passe a ser um verdadeiro estímulo à continuidade desse trabalho, digo que está na hora de quebrarmos essa auto-discriminação e abrir caminho para o sucesso dessas crianças, independente da cor da sua pele, da crença que tenha ou que não tenha, de ter ou não dificuldades ou deficiências, de ter ou não ter pais juntos ou separados, de estar sofrendo ou não abusos, sejam lá quais forem, porque todas elas, mas todas mesmo, têm o direito de estar conosco nessa maravilhosa caminhada para o seu próprio sucesso em todos os campos de suas vidas.

sábado, 1 de agosto de 2009

Adolescente não quer estudar...

Amigos,

A dúvida recebida foi:

Professor Roberto: meu filho adolescente, apesar de exemplo de estudo, incentivo e cobrança... não gosta de estudar. O que devo fazer?

RESPOSTA:

Todas as possibilidades devem ser estudadas nesses casos. Conforme comentei no artigo publicado no BLOG, o fator mais importante de todos é o exemplo. Vamos começar, então, por ele. Não basta estar estudando, lendo, realizando um trabalho intelectual, para que o filho sinta disposição para fazer o mesmo.
O importante é estar fazendo uma dessas coisas com muito entusiasmo, muita alegria e esbanjando a felicidade de poder estar criando algo a partir do trabalho intelectual.
Esse é o primeiro passo! Ele tem que perceber que isso lhe dá prazer e aos poucos vai ter a possibilidade de desenvolver o mesmo prazer.

Outro aspecto que deve ser considerado: o ambiente de estudos. Não há necessidade nenhuma de luxo, mas é importante que o filho tenha o seu ambiente privativo de estudo, nem que seja uma simples mesinha, mas que seja só dele! Um escritório nem sempre é necessário, porque uma mesa pode ser, inclusive, levada para um outro ambiente onde ele, por algum motivo, deseja estudar naquele momento. Em minha casa, por exemplo, há momentos em que meus filhos estão, cada um, em seu quarto, estudando, lendo e pesquisando em suas mesas de trabalho. Há momentos, entretanto, principalmente nos finais de semana, em que todos levam suas mesas para a varanda ou para o jardim, continuando o estudo perto um do outro, para poderem discutir assuntos de interesse geral. O ambiente inclui ter os elementos necessários ao estudo sempre à mão. Ter que parar um trabalho para procurar uma caneta, uma borracha ou uma folha de papel, acaba desmotivando um pouco.

Outro ponto importante no processo de entusiasmo do filho é o seu interesse real pelos assuntos do estudo dele. Isso significa estar "de olho" nos assuntos que mais ele precisa estudar e investigar alguma matéria de jornal, revista ou documentário que vá passar na TV, para mostrar a ele como aquilo é interessante e importante, que você tem dúvidas e que quer esclarecer junto com ele!

Alimentação é outro ponto básico. É importante que estejam sempre bem planejados os ligeiros lanches entre refeições: sucos, yogurtes, frutas, mas todos na casa fazendo um rápido intervalo para esse momento. Essas interrupções são estimulantes e recuperadoras da energia dispendida no estudo. E o momento em conjunto é sempre um sinal de segurança emocional familiar.

O ponto a seguir é polêmico, mas insisto em sua eficácia! Temos que estar atentos as habilidades de nossos filhos e ignorar suas deficiências e dificuldades. Se ele, por exemplo, diz que nada entendeu de uma determinada matéria, ajude-o a descobrir o que ele entendeu da matéria, até que ponto ele acompanhou e compreendeu com perfeição. O grande problema da educação está exatamente nesse enfoque errado que a maioria dos professores têm em relação às dúvidas. NUNCA ensinaremos nada a ninguém se quisermos saber o que esse alguém não entendeu! Precisamos saber exatamente o que ele entendeu! Só a partir do elemento compreendido (e bem compreendido) poderemos levá-lo a entender o restante.

Então lembre que todas as vezes em que surgir uma dúvida o importante é voltar para assegurar-se até que ponto seu entendimento esteve perfeito. Isso eleva sua auto-estima e permite que acompanhe o rstante da explicação com o verdadeiro desejo de aprender.

O livro "Afetividade na Educação - Psicopedagogia" já traz essas e outras dicas. Mas o lançamento em Salvador só ocorrerá depois do lançamento na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no dia 13 de setembro próximo.

Mandem mais dúvidas para que todos possamos discutir e melhorar a performance de nossos filhos.

Um encontro de pais

Mais um encontro de pais em nossa escola. Um momento de reflexões sobre a relação familiar e a sua influência no desempenho intelectual e comportamental das crianças.

Nesse encontro vamos falar sobre a relação pais-filhos.

Para começar os pais devem partir do princípio de que sua missão é, inicialmente, a CONQUISTA DE SEU FILHO! Sim: conquistar a confiança, a intimidade e a admiração de seus filhos!

E o treinamento deve começar exatamente pelo que mais cria conflitos entre pais e filhos, que é o rsultado do desempenho escolar. A partir da constatação de que seu filho tem receio de lhe mostrar o boletim, o alarme deve ser tocado bem forte! Receio de mostrar boletim significa MEDO DE ENFRENTAR A RELAÇÃO PAI-FILHO!

E esse medo é o início de todos os medos mais importantes, que são os de pedir conselhos ou de contar problemas de relacionamento e de sentimentos e emoções.

Um filho que tem medo de apresentar seu desempenho escolar aos pais terá verdadeiro pavor de conversar sobre sua vida íntima, preferindo tirar todas as suas dúvidas com colegas de rua, o que significa um grande perigo.

Vamos analisar o procedimento da escola e dos pais na maioria dos seus encontros. Os pais recebem os boletins e ficam irritados com o baixo desempenho de seus filhos. Os professores ou coordenadores comentam sobre o mau comportamento dessa criança e os pais se irritam mais ainda, por acharem que estão passando vergonha na reunião.

Os pais não sabem porque seus filhos estão sem vontade de estudar e com comportamento inadequado e resolvem ameaçá-lo com surras, caso esse resultado não melhore.

Os filhos, por sua vez, estão sem disposição para o estudo simplesmente porque não veem qualquer exemplo de "prazer de estudar" em casa! O ser humano precisa ter exemplos para seguir! Os exemplos que mais influenciam a criança são os exemplos dados pelos seus próprios pais.

Para os pais é muito mais fácil ameaçar os filhos com surras do que ter que alterar toda uma rotina de vida, somente para dar exemplo aos filhos! E, então, surge a lógica da força!

Não discordo dos castigos nem da supressão de regalias quando o filho apresenta baixo desempenho, principalmente se esse baixo desempenho está ligado a excesso de jogos no computador, ou excesso de lazer indiscriminado, mas antes de tudo há que se observar com muito cuidado a realidade do exemplo!

Para facilitar o treinamento familiar para o início de uma nova relação, vamos discutir um assunto por dia, nesse BLOG, para permitir o debate e melhorar nosso próprio entendimento sobre o assunto.

Vamos, a partir de hoje, analisar alguns procedimentos que, embora muito simples, precisam ser treinados, para que os resultados sejam eficazes. Peço que leiam, analisem, discutam e enviem seus comentários e outras sugestões sobre o tema do dia.

Os temas de hoje são:

a) o diálogo franco e aberto com os filhos adolescentes.
b) o contato físico entre pais e filhos, para as crianças menores.

Ambos passam por uma análise de sua rotina de vida (dos pais) para verificar em que momentos você está totalmente dedicado a ouvir seu filho, lhe dar afeto e dirimir suas dúvidas. Se não existe esse momento, ele deve ser criado imediatamente! A quantidade de tempo não importa, mas sim a qualidade desse tempo!

Para os adolescentes esse momento do diálogo é importantíssimo. O diálogo deve ser franco e livre, deixando o filho dizer o que quiser e estimulá-lo a falar à vontade, sem medo e sem constrangimento. Tudo deve ser ouvido com total naturalidade. Cada pensamento e cada dúvida que não puder ser tirada significa um bloqueio nessa relação. E essa relação não deve ter bloqueios.

Lembro que adolescentes apresentam uma natural redução na sua capacidade de entendimento. Isso é orgânico! A facilidade que a criança tinha em entender os fatos reduz bastante no momento em que essa criança ingressa na faixa etária do adolescente.

Por essa razão o ato de OUVIR por parte do pai deve ser também um ato de muita PACIÊNCIA, já que muitas idéias poderão estar sem sentido, exatamente pela dificuldade de raciocínio. Ouvir, então, é ouvir mesmo, sem interrupção, deixando-o completar suas frases e aguardando o seu sinal para comentar ou aconselhar.

Para crianças pequenas lembro o que vi e comentei em uma creche-escola, quando percebi que a maioria dos pais deixava seu filho ainda sonolento, às sete da manhã e o recolhia já prontinho para dormir às seis da tarde! O contato com o filho era praticamente virtual! A desculpa era a de necessidade profissional. Não havia tempo para dar mais atenção aos filhos.

Sugeri levarem seus filhos ainda sujos para casa, pedindo na creche que deixassem seus filhos brincando na areia até a hora de buscá-los. Em casa aqueles pais dariam banho em seus filhos! Um banho rápido, mas um banho dado com amor e carinho, para que o filho sentisse o toque das mãos dos pais e compensassem assim todo o período diurno de afastamento. Esse investimento que pode ser de apenas quinze ou vinte minutos trará, certamente, imensos lucros na formação do caráter dessa criança e na construção da sua segurança interior.

Esses foram, os temas de hoje. Reflitam e escrevam, por favor. Sugiram também temas. Tudo é lucro quando se fala em melhorar a educação de nossos próprios filhos.

UM NOVO CAMINHO PSICOPEDAGÓGICO E PSICANALÍTICO

E eis que, repentinamente, a sociedade parece ter mudado! Crianças já nascem com todos os tipos de síndromes e transtornos: hiperatividade, déficit de atenção, déficit cognitivo, esquizofrenia e outros! Desde a mais tenra idade necessitando de tratamento médico especializado e consumindo remédios controlados fortíssimos para que consigam estar em sala de aula sem perturbar seus colegas e professores.

E ao se tornar adolescentes, evitam a companhia de seus pais. É comum o aparecimento de sentimento de revolta. Alguns querem aparecer como transgressores. Outros desejam apenas escandalizar. E, junto com a revolta, surgem as doenças, síndromes e transtornos com características bastante semelhantes às dislexias, discalculias, disgrafias e outras tantas anomalias neuro-cognitivas e, inclusive, psiquiátricas.

O que está havendo, afinal? É o resultado de uma nova ordem social? É a influência da TV, das revistas e jornais? Faz parte de um determinismo evolutivo não previsto por Darwin nem Lamarck? Será falta de religiosidade, segundo Bento XVI? Ou será a existência da religião, segundo Richard Dawkins?

De forma totalmente antagônica percebemos que grande parte das crianças está nascendo com uma elevadíssima potencialidade intelectual, muito acima de todas as gerações anteriores! Estudiosos da mente humana de todas as linhas de pensamento já nomearam essas crianças de "crianças índigo" e "crianças cristal", analisando suas características e realizando previsões sociais relacionadas a essa nova realidade.

As crianças estão com maior potencial intelectual e suas anomalias estão aumentando a cada dia! Como explicar toda essa mudança no intelecto, no emocional e no comportamento infanto-juvenil?Elas estão se perdendo dentro de sua intelectualidade ou o mundo não está preparado para absorvê-las?

Professores, pais, terapeutas, psiquiatras, neurologistas, psicólogos, psicanalistas, psicopedagogos e todos os demais profissionais ligados ao entendimento da formação da criança e do adolescente e, principalmente, aqueles em missão de intervenção nessa formação, precisam estar agora com atenção redobrada e manter-se em atualização constante!

A maioria dessas crianças e adolescentes trouxe, juntamente com essa elevada potencialidade intelectual, um nível tão alto de inquietação que torna difícil a sua satisfação plena! Elas até tentam encontrar explicações para suas angústias, mas não encontram, na maioria das vezes, quem esteja disposto a indicar-lhes o caminho.

Professores e pais, na escola e em casa, apresentam explicações que só satisfazem as crianças que não estão desenvolvendo essa potencialidade. Para as mais desenvolvidas a explicação traz apenas mais angústia pela insatisfação. E essa angústia dispara uma inquietação comportamental inadequada e inconveniente, provocando o aparecimento de sintomas muito semelhantes aos de diversas anomalias cognitivas, neurológicas e psiquiátricas.

Pais, professores e profissionais mal preparados para essa nova realidade, confundem tais sintomas com os das verdadeiras doenças, transtornos e síndromes. Essa confusão tem levado crianças sadias a sofrerem tratamentos equivocados, reduzindo a sua potencialidade intelectual original e limitando a suas perspectivas de crescimento integral.

Anomalias neurológicas, psiquiátricas, psicológicas e comportamentais existem, mas a sua incidência é infinitamente inferior à quantidade apresentada pela sociedade. A maior parte dessas anomalias nada mais é do que o mau entendimento dessa inquietação intelectual ou também resultado de um bloqueio emocional grave, provocado por uma educação equivocada.

No primeiro caso a criança tem potencial intelectual muito elevado e está inquieta com a falta de entendimento do mundo à sua volta. No segundo caso a criança, independente de ter ou não esse nível muito elevado, está sendo criada num ambiente com um relacionamento familiar inadequado, trazendo bloqueios emocionais graves e gerando toda espécie de sintomas, também semelhantes aos de doenças, transtornos e síndromes.

O problema, então, é evidente! Ele existe! O comportamento inadequado e as dificuldades e deficiências são visíveis em toda a sociedade, principalmente nas escolas. E os sintomas dos que apresentam apenas bloqueios são muito semelhantes aos portadores de distúrbios reais. Mas e a forma de tratá-los? É a mesma? Como diferenciá-los?

Muitas crianças com elevados potenciais cognitivos ou com bloqueios psíquicos estão sendo tratadas como doentes ou portadoras das deficiências devido aos sintomas que apresentam. Essas crianças aumentam o seu grau de envolvimento com essa anomalia, tornando-se escravos dela! Eles, praticamente, se escondem por trás da doença, assumindo uma incapacidade intelectual inexistente e perdendo todo o seu entusiasmo pelo aprendizado.

Exatamente por isso que novos caminhos no entendimento neuropedagógico e psicanalítico se fazem necessários nesse momento! Todos os que estão em contato com essa nova geração precisam estar atentos às mudanças e, principalmente, aos bloqueios que surgem a partir da nova relação familiar na sociedade atual e à incompreensão da inquietação daqueles que apresentam elevado potencial cognitivo.

E essa atenção deve estar voltada principalmente para a própria sociedade formadora (ou deformadora) das crianças e adolescentes, já que o permanente estado de estresse está levando pais a esquecerem a sua obrigação educacional e afetiva, escondidos que ficam na capa da "falta de tempo", justificando-a com a necessidade de garantir um futuro melhor para seus filhos...

Além de não entenderem que tempo para dar afeto e limites "se cria" com facilidade e independe de compromissos profissionais ou sociais, esses pais fogem da relação com seus filhos, com medo de não entenderem as suas angústias e com verdadeiro pavor de ter que admitir sua responsabilidade na sua deseducação.

Esses bloqueios em forma de resistências e mecanismos de defesa construídos pelas crianças aparecem, de forma bastante clara, durante o processo ensino-aprendizagem. Alguns desses sintomas já podem até estar evidentes em casa, mas é na escola que eles tomam maior importância, já que esse é o ambiente do trabalho cognitivo, exigindo um esforço mental direcionado e um maior equilíbrio emocional.

A divulgação constante, por meio de palestras, seminários e portais na internet, de questionários avaliativos para indicar a existência ou não de alguma dessas síndromes, faz com que todos os envolvidos com a criança e o adolescente sintam-se competentes o suficiente para diagnosticar tais doenças. Essa competência é perigosa! Ela, na realidade, não existe sequer entre os profissionais mais experientes! Nossa ciência não está avançada a esse ponto. Os cientistas menos ainda!

Mas os pais já chegam ao consultório com a certeza do diagnóstico! Esperam, do médico, apenas a prescrição do medicamento, para começar o tratamento. Os pais já sabem, inclusive, o nome dos medicamentos e as suas dosagens padronizadas!

Exatamente para evitar que tais diagnósticos precipitados continuem a destruir o cérebro e o futuro dessas crianças é que há necessidade de se informar pais e profissionais sobre tais assuntos e de forma bastante abrangente, possibilitando um melhor conhecimento interdisciplinar entre a neuropsicologia, as neurociências, a neurodidática, a psicopedagogia e a psicanálise.

A ampliação do horizonte dos pais e educadores levará a um maior entendimento da criança no processo de sua evolução intelectual, emocional e cognitiva e evitará que diagnósticos precipitados impeçam o seu correto desenvolvimento.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Imparcialidade, uma virtude difícil de alcançar!

Essa mensagem é para vocês refletirem um pouco e envarem suas opiniõe a respeito:

Se existe uma virtude difícil de alcançar é a imparcialidade! A todo momento, se não estivermos bem atentos ao nosso próprio processo de raciocínio, embarcamos numa opinião "montada pela mídia" e, muitas dessas vezes, sem sequer dar importância a falsidade dos argumentos apresentados!

No trabalho de educação sou muito insistente junto aos professores no sentido de tentarem ser o mais imparcial possível, evitar e impedir todo tipo de discriminação, montar seus argumentos com muito cuidado, analisar sem preconceitos todas as opiniões diferentes das deles, principalmente as contrárias e tudo o mais.

Mas falar ou mesmo saber qual o procedimento certo não é suficiente! É necessário agir com essa racionalidade para obter os resultados que se deseja!
Em assuntos como futebol, religião e política, por exemplo, as pessoas conseguem alcançar o seu mais elevado grau de intolerância para com as opiniões contrárias! Em religião, então, mata-se com justificativas divinas...

Proponho que os jornais e as revistas semanais passem a ser analisados em sala de aula, na tentativa de se criar uma mentalidade verdadeiramente questionadora, iniciando com a identificação dos erros graves de parcialidade que muitos jornalistas tem no trato com as matérias.

Mas é importante que, antes de iniciarmos tal processo, cada um de nós tente encontrar, nessas notícias, o ponto em que poderíamos estar sendo manipulados e o ponto em que não aceitamos como verdade por estarmos intolerantes até para raciocinar e contra-argumentar!

Um exemplo interessante de manipulação pela mídia aconteceu agora com os principais elementos da mídia escrita e televisiva ignorando uma premiação importantíssima do presidente. Não podemos ignorar os fatos negativos como a corrupção, os desvios de verba, o enriquecimento ilícito, o acobertamento de transgressões graves que ocorrem a todo tempo em diversos setores da sociedade, mas também nãpo podemos ignorar os fatos positivos, para não acabar sendo conhecido como o único povo que dá mais valor que é de fora e despreza o que é de seu próprio país.

Lembro-me que meus vizinhos ingleses, quando eu morava no sul da Inglaterra, reclamaram quando eu os ofereci água mineral Perrier (francesa), sugerindo que eu passasse a comprar a inglesa mesmo ou trouxesse a brasileira, mas francesa não... Ou seja: mesmo sabendo que Perrier é a melhor água mineral do mundo, eles fazem questão de prestigiar o produto deles! E nós?

A propósito disso e até para exemplificar o que falei, aqui vai um texto que acabo de receber sobre essapremiação importantíssima recebida por Lula e ignorada pela nossa mídia:

O terxto foi enviado por Ricardo Kotscho:

Prêmio de Lula orgulha o País, mas imprensa esconde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em
Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco
(Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a
cultura).

Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados
Unidos, o júri premiou Lula "por sua atuação na promoção da paz e da
igualdade de direitos".

Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que
receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _
, estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin,
ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade
Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.

Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a
cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores
ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.

Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores
políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.

Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, "o senhor assume
novas responsabilidades na história".

Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões
paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas
primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo
destacou a entrega do prêmio no alto da capa.

Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi
a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas
conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. "Ambientalistas
protestam durante premiação de Lula", foi o título da página A7 do
Estadão.

O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias
publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão
registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com
truculência pela segurança, e "reverteu o constragimento a seu favor,
sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório".

"O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amaz}ônia tem
que ser realmente preservada", afirmou Lula em seu discurso, ao longo
do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba
e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.

"Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em
nome das conquistas recentes do povo brasileiro", afirmou Lula para os
convidados das Nações Unidas.

A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de
orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de
manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no
principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de
Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.

É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de
Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no
noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado
neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em
que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar
Lula.

Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste
episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender
porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar
com a população fora da grande mídia.

Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí,
discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto
de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.

Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais
prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que
Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa
mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma
banana para os escrúpulos.

"O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga", parece
ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um
estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e
minimizando as coisas boas que também acontecem no país.

Valeu, Lula. Parabéns!

domingo, 5 de julho de 2009

Sobre a aula de linguagem

Amigos,

Em nosso Grupo IUPE de discussão foi publicado um texto sobre erros graves cometidos no uso de nosso idioma. Temos recebido muitos textos desses, principalmente de resultados de exames vestibulares, o que já faz parte do repertório de piadas nacionais. O assunto é polêmico, porque envolve tanto o desastre linguístico sendo proliferado pelos discursos em nosso país, como a exclusão social a partir dessa constatação.

Angela Cristina, psicopedagoga, preocupada com a má preparação do nosso povo, encaminhopu o e-mail que recebeu sobre o assunto.

Moacir Eduão, poeta, preocupado com a exclusão social desses seres humanos que, em grande parte de sua comunicação verbal, expressam a sua cultura regional, com uma linguagem característica de seu povoado, de sua comunidade e que deveria também ser respeitada e incluída no universo linguístico e cultural do nosso país.

O debate é maravilhoso em nosso convívio, porque conseguimos ter, sobre o mesmo assunto, interpretações e opiniões praticamente contrárias, embora nenhuma contraditória! Fico feliz com isso, principalmente porque me "dá pena" quando os grupos são unânimes em suas interpretações...

Pode até coincidir que todos comunguem das mesmas opiniões, mas o que tenho observado em entrevistas e mesas redondas disseminadas em nossa mídia, mais parece uma acomodação à opinião do outros ou a insegurança em colocar em público o seu próprio trabalho de análise, realizado por meio da interpretação pessoal das premissas oferecidas pelo mundo.

Nós temos o direito de escolher nossas premissas e até de entender algumas delas como axiomas! Se outros substituem nossas premissas por falácias ou as interpretam como tal, é também um direito dele.

Já tive a oportunidade de ver contestado um raciocínio meu, em que eu acreditava estar baseado em axiomas! E eu realmente estava errado! Meus axiomas eram premissas mal entendidas durante décadas e que, a partir da evolução de equipamentos de medidas neuro-eletrônicas, mostraram-se incorreções de raciocínio básico.

Mas o assunto é sério: nosso idioma

E os acontecimentos mais ainda. E aqui vão alguns:

1) Preocupação com o idioma: Na última resolução do MEC resolveu-se acabar com o ensino de PORTUGUÊS, MATEMÁTICA E GEOGRAFIA no Ensino Médio. Pelo que entendi os demais professores terão que inserir, em suas disciplinas, os conceitos hoje ensinados em disciplinas exclusivas, já que tais conceitos são parte das outras matérias. A idéia pode até ser louvável, mas há que se analisar se o caminho é esse mesmo e se os professores das outras disciplinas estarão aptos a assumir tais funções. E quanto aos professores formados para essas disciplinas? Mas isso já é um outro debate. Por enquanto vejo (e posso estar redondamente enganado) mais um passo para a redução da capacidade de expressão do povo e, consequentemente, fazer com que eles se sintam felizes na ignorância pela incapacidade de questionar o sistema corrupto que aí está. Aliás nem entendendo o que a corrupção tem a ver com ele...

2) Preocupação com a exclusão: Por outro lado, a exclusão social de pessoas que, por não terem acesso a uma educação de mínima qualidade, não conseguem expressar-se de forma correta, não conseguem um bom emprego e não conseguem condições boas de sobrevivência. Embora saibamos que uma dá origem da outra, pois é o ensino de má qualidade que impede as pessoas de consiguirem argumentar corretamente para conseguir vencer na vida. Assim são ultrapassados pelos que, por terem nascido em berço mais privilegiado, conseguem um ensino de qualidade um pouco melhor e assim ocupam as melhores posições nos empregos.

A posição do poeta Moacir Eduão é de revolta pela exclusão. Concordo plenamente que essa forma de tratar a consequência de um erro social deveria ser considerado um crime! Se o erro existe temos que consertá-lo e não excluir o seu resultado, ainda mais que o seu resultado é um ser humano mal preparado, como por exemplo o meu caseiro que, esforçado pelos estudos, não consegue escrever bem uma frase em português, já que a última vez que sua professora apareceu no colégio foi no ano passado para dizer que todos haviam sido aprovados para o ano seguinte!

A posição da psicopedagoga Ana Cristina é de revolta também, pelo resultado que está sendo imposto pelo sistema educacional vigente, construindo seres humanos sem qualquer condição de montar argumentos convincentes, nem sequer de saber quais são os seus direitos para isso, já que a grande maioria acaba aprovada no Ensino Médio sem saber interpretar o que leu... Isso para os que saem sabendo ler, o que também é uma minoria...

A outra preocupação do poeta Moacir Eduão é com o abandono da cultura regional. Isso é também um problema gravíssimo! O erro começou com o advento da TV e das novelas. Muitas dessas características anteriormente claras nos costumes dos povoados e municípios acabaram sendo "engolidas" pela manipulação mental exercida pelas grandes redes. Até as diferenças de sotaques estão sendo reduzidas! Não se dá a menor importância às expressões locais e elas não são registradas, a menos que escritores regionais as coloquem em seus contos... Mas se a população local não sabe ler... E se os que se dizem letrados não se preocupam em absorver tais conhecimentoe e repassá-los, é essa maravilhosa cultura linguística regional que vai se esvaindo até a eliminação completa de quaisquer vestígios... E todos continuarão a falar: "Eu vou encontrá-lo tipo duas horas da tarde... Ou: "Dormir na beliche de cima é treva mamãe..." (...) que são novos elementos anticulturais de quem não tem qualquer noção de vocabulário... mas que assistem as novelas da Rede Globo de televisão. Beliche é substantivo masculino, ou melhor, era até o capítulo de ontem da novela "Caras e Bocas"... Treva realmente existe (e o reino delas é o inferno...) (...) e assim sucessivamente.

A outra preocupação da psicopedagoga Ana Cristina também é importante: se não alertarmos o povo para os erros no trato linguístico eles não poderão evoluir nem no entendimento, nem na compreensão e, muito menos na elaboração de suas próprias idéias, já que grande parte do sistema está amarrado no formal. E se a exclusão, por mais que a combatamos, continuará existindo por muito tempo, independente de queremos ou não, precisamos reduzir as dificuldades dos menos favorecidos ajudando-os a corrigir aqueles vícios que podem ser entendidos pelos empregadores como falhas na comunicação. Assim poderemos, no mínimo, contribuir para a sua empregabilidade.

No fundo ambos estão no mesmo barco mas precisam manter opiniões contrárias o tempo todo, porque só assim nós conseguiremos enxergar mais além do que aquilo que a GLOBO nos mostra...

Peço ao poeta Eduão que, se tiver alguma coletânea de termos e expressões regionais ligadas a algum povoado que, assim que tiver horas vagas, coloque-as em um novo livro, logicamente com o romanceamento que lhe é peculiar. Nós precisamos disso para registrar essa maravilhosa cultura linguística que se esvai... E pode desaparecer para sempre...

Peço a psicopedagoga Ana Cristina que envie sempre seus textos para o deleite de nossos amigos leitores.

E peço a todos os demais amigos que façam seus comentários visitando o nosso BLOG (robertoandersen.blogspot.com) e clicando logo abaixo desse texto em comentários.

Antes de me despedir por hoje rettransmisto, abaixo, o texto de Moacir Eduão em relação ao e-mail sobre a aula de português:

Fico triste ao perceber que ainda há e-mails e pensamentos tão excludentes quanto os do e-mail enviado por Angela Cristina. A forma de falar de uma pessoa não é nada "de matar", como aparece lá. Terrivelmente, alguns(mas) escritoristas ainda negam o fato de que o Brasil, por anos e anos negou direitos básicos à seu povo. Entre esses direitos estão, justamente, os direitos à alfabetização. Mesmo sabendo dessa negativa, o povo consegue se expressar, de forma muito bela, seja com seu português arcaico, seja com os atuais (e tecnológicos, encontrados em textos da internet). O que nos sugere cada slide é que, por mais que se fale em construção de caráter, passa pela cabeça de muitos que o conteúdo há muito escondido desde a idade média ainda está com cicuta entre as páginas da História. É comovente ter que ver alguma pessoa chocada com a simplicidade das gentes, Brasil a fora. É como se se pudesse redomar um organismo vivo como o idioma e suas variações. É como se, pensando em flores, fossem flores apenas rosa, margarida, o cravo que brigou com a primeira... Para conhecer as gentes, é preciso sair dos livros, é preciso ir à Grécia, à Oiapoque, e ao interior do interior do Brasil, para entender o fenômeno de que, mesmo sendo o país com menores índices de leitura do mundo, todo seu território consegue se comunicar, a não ser quando se "peita" ou se "entropica" com a incoerêno, ou uma insegurança em colocar a oúblico suas cia de críticos mal vividos fora dos livros e bibliotecas, ou com aqueles cuja solidão se apresenta tão feroz que não dá por si, e que deveriam se encontrar, mesmo às vezes, que fosse, em becos, guetos, esquinas, onde está o mundo o qual eles não vivem. Ali, vive gente que fala. Se não fala como quem teve livros, fala como quem teve vícios, arranhões de unha-de-gato, sustos com corre-campo, cordéis lidos sob a luz de uma fogueira, quando não seus filhos presos na cadeia ou no tráfico, seu pai detento no álcool ou no jogo do bicho.
Companheiros, companheiros, e companheiras...
A vida é feita aqui fora. E aqui fora, a língua talvez seja outra, como o é, para os daqui de fora, o português padrão e o chamado português culto.
"A gente não quer só comida..."

Abraços.

Moacir Eduão - 74 9998-7919
Poeta
Coordenador do Ponto de Leitura Solar da Boa Vista Castro Alves




--
Professor Roberto Emilio Bailly Andersen Cavalcanti
Instituto Univérsico de Pesquisa e Educação (Salvador) - Presidente
Federação para a Paz Universal - Presidente do Conselho na Bahia
Academia de Ciências de Nova Iorque - Cientista Membro
www.iupe.org.br robertoandersen@gmail.com
Celular: 55 71 9198-5489
Instituto: 71 3389-8232

terça-feira, 30 de junho de 2009

Exercícios físicos e a longevidade

Amigos,

Recebemos de Sandra Regina essa mensagem abaixo bastante interessante e que, portanto, retransmito.
Mas para evitar interpretações incorretas, peço que, depois de ler e rir, leiam também o meu comentário logo após:


BARRIGA É BARRIGA...
por Arnaldo Jabour

Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais.
Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa
do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte.
Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um
atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas
que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e
jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o
humorista arrematou com um exemplo da fauna: A tartaruga com toda
aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha
vivido 15 anos?

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O
letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da
preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede,bebendo, fumando e
mastigando. Autêntico marcha-lenta, levava 10 segundos para percorrer
um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito
exercício físico viveu 90 anos.

Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai
dessa enquanto você ainda tem saúde.... E viva o sedentarismo ocioso!!!
Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda
a eternidade para ser só osso!!!

Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!! Afinal, a baleia bebe
só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é
GORDA!!!
O elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO! !!

VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!!
Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem!

E nunca se esqueçam: 'Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal'


Meus amigos,

Só peço que analisem o seguinte:

O que mata cedo é o excesso de estresse! Grande parte das pessoas que está fazendo caminhadas e exercícios físicos está desesperada para perder peso ou para manter um corpo "sarado" e faz isso, não pelo prazer de se exercitar e se sentir bem, mas pela preocupação em perder peso ou manter uma imagem perfeita! Isso é puro estresse!

Dorival Caymmi, mesmo que fizesse caminhadas, faria para se deleitar com a paisagem, apreciar as belas meninas na praia e encontrar mais uma barraca para tomar cerveja com os amigos... e poderia viver até mais!

Então, gente, o colesterol, o excesso de peso, o sedentarismo não devem ser combatidos com a preocupação de eliminá-los, porque isso sim traz estresse e pode matar!

O ideal é tentar desenvolver o prazer pela alimentação saudável, mas prazer mesmo! O prazer pelas caminhadas com vista para o mar... nunca com vista para a parede em frente à esteira... E, principalmente, curtir muito TODOS os momentos do seu dia e TODAS as pessoas de seu relacionamento. Você viverá muito e será sempre feliz.

Sucesso para todos vocês!

domingo, 28 de junho de 2009

Próximo livro

Informo a meus amigos que as considerações que estamos discutindo nesse BLOG estão já constam do meu próximo livro, já no prelo, devendo ser publicado a partir do próximo mês.
Caso a editora consiga cumprir os prazos acertados, o lançamento do livro será realizado na BIENAL DO LIVRO no Rio de Janeiro.
Assim que eu tiver essa confirmação avisarei por esse canal de comunicação.

Um abraço a todos,

Roberto Andersen
71 9198-5489

Sobre o artigo de hoje no A Tarde: Sono ajuda o cérebro a resolver problemas

Quando o artigo em A Tarde, na página B13 (Ciência e Vida), diz que "(...)o sono estimula a criatividade e a solução de problemas(..)" ele está se referindo ao sono REM (sono paradoxal), como se fosse a única fase em que o processo criativo é estimulado.

Nos testes que realizaram os voluntários eram apresentados pela manhã e ao final da tarde a múltiplos grupos de três palavras, tendo que falar uma quarta palavra que poderia estar associada as demais.
Entre um teste e outro os grupos de voluntários foram divididos entre:

Grupo A) dormir a tarde o suficiente para alcançar o sono REM;

Grupo B) dormir a tarde sem alcançar o sono REM (apenas cochilar);

Grupo C) não dormir à tarde.

Segundo os pesquisadores o único grupo que apresentou melhora considerável em sua performance foi o Grupo A. Isso foi suficiente para que chegassem à conclusão de que é o sono REM quem ajuda a criatividade e a memória.

Não vou entrar no mérito da conclusão ter sido ou não precipitada, conforme um comentário que acabei de receber de colegas da Inglaterra, nem tampouco se a forma de elaboração do teste foi ou não simplória, conforme acabei de discutir via MSN com outros colegas.

A pesquisa, mesmo que possa ter sido realizada de forma simplória ou mesmo que a conclusão tenha sido precipitada, TEM SENTIDO!

Estudando um pouco de neurociência sabemos que toda informação recebida durante o dia fica sendo processada pelas ligações neuronais do hipocampo, que faz parte do sistema límbico cerebral e cuja memória é caracterizada como memória de curta duração.

Se ainda durante esse mesmo dia precisarmos utilizar esse conhecimento adquirido, ele estará pronto, mas não com a mesma eficácia que teremos após uma noite completa de sono.

Uma noite completa de sono significa: primeiro o sono inicial, onde todas as informações são enviadas do hipocampo para o córtex cerebral (onde está a memória de longa duração); depois o sono paradoxal (REM), quando todas as informações são comparadas e arquivadas já nos lobos correspondentes do córtex cerebral, deixando tudo pronto para utilização no dia seguinte; e por último o sono final, quando são preparados os índices que direcionarão corretamente as solicitações do dia seguinte para as memórias correspondentes.

No teste realizado as pessoas não tiveram o sono noturno, que seria o mais eficaz, mas o grupo que teve um sono mais prolongado e alcançou o sono REM  foi o único que melhorou sua performance e não poderia deixar de ser, já que foi o único que já pode trabalhar a memória de longa duração, utilizando o conhecimento adquirido já transferido para o córtex cerebral, ou seja, já em condições de realizar asssociações e comparações que muito ajudam a criatividade e a própria memória em si.

Conclusão sobre o assunto e que o artigo vem reforçar:

Todo conhecimento adquirido precisa de uma noite completa de sono para ser transferido para a sua área correta de arquivamento e processamento e que fica no córtex cerebral.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Anomalia cognitiva

Relato recebido:


"Tenho dois alunos (irmãos) com dificuldade na aprendizagem, principalmente na memorização e na captação dos sons das letras iniciais das palavras. Quando pergunto qual a letra inicial da palavra "elefante", eles dizem: letra "o" ou outra letra qualquer. Até mesmo em relação ao próprio nome eles não conseguem diferenciar o som da letra inicial. Essas crianças, seis e oito anos, são de família muito carente, com mais cinco irmãos e com diferença de um ano entre eles. Quando eram bebes, na fase de começar a caminhar, não tiveram o estímulo dos pais para iniciar o processo. Eles ficavam o tempo todo sentados e sofriam de desnutrição. Só começaram a andar a partir dos três anos, depois de serem levadas ao médico. Gostaria de saber se esse desenvolvimento tardio pode ter tido alguma influência na aprendizagem deles. Estou muito preocupada com ambos e quero buscar todas as alternativas para descobrir um meio mais fácil de ajudá-los a construir o aprendizado. Eram alunos matriculados na 1ª série. Voltaram para a pré-escola porque não conseguiam acompanhar os colegas."

Resposta:

O cérebro de uma criança em desenvolvimento normal já apresenta, aos seis anos, 95% de seu peso final e praticamente já utiliza, para seu funcionamento, a maior parte da energia do organismo. A criança precisa desse desenvolvimento e da utilização dessa energia para aplicação do raciocínio lógico e elaborar seus pensamentos de forma adequada. Lógico que tudo vai sofrer mudança, novamente, ao iniciar a adolescência, mas as compensações necessárias dever ser efetuadas agora.

O relato mostra que essas crianças, possivelmente devido aos acontecimentos também ali narrados, podem estar com sua capacidade cognitiva alterada. Mas o que nos interessa nesse caso (e na maioria dos casos semelhantes) não é bem a razão do surgimento da anomalia, mas a forma de as encaramos para planejar a realização de nosso trabalho, que deve estar todo voltado para o seu desenvolvimento.

As razões do surgimento da anomalia são importantes, não para essas crianças, mas sim para evitarmos outras com as mesmas dificuldades. Esse estudo, então, deve ser feito também, em paralelo com o dessas crianças. Mas agora vamos dar atenção apenas ao tratamento dessas duas crianças.

Primeiro passo: laudo médico

Para evitar atrasos em tratamentos que possam ajudar possíveis anomalias é conveniente solicitarmos aos responsáveis laudos avaliativos realizados por um neuropediatra ou um pediatra, ou um psiquiatra especialista em crianças.

Segundo passo: entendimento do laudo médico

O laudo médico deve ser analisado para encontramos, não as deficiências, mas sim as suas capacidades, as suas possibilidades e as suas habilidades. O que precisamos saber não são suas deficiências, mas sim suas capacidades. Não precisamos saber o que a criança não pode fazer ou não consegue, mas sim aquilo que ela pode fazer e já consegue. Se o laudo só contiver impossibilidades e anomalias solicite outro apenas com possibilidades, capacidades e habilidades.

Terceiro passo: planejar atividades

A partir dessas capacidades e habilidades devem ser planejadas as atividades cognitivas, emocionais e comportamentais. Esse planejamento deve introduzir a afetividade, o lúdico, o prazer e o reconhecimento.

Os professores, terapeutas e familiares dessa criança deverão trabalhar a partir da descoberta dessas capacidades e habilidades, independente se são ínfimas ou se são importantes. As incapacidades e os erros não devem jamais ser levados em consideração, mas sempre os acertos e as habilidades.

Os exercícios, os jogos e os ensinamentos devem ser todos lúdicos e prazerosos, sempre num ambiente de descontração e liberdade, embora sempre com determinação e limites.

Quarto passo: reconhecimento e satisfação

Todas as atividades apresentadas devem estar dentro da habilidade da criança, mesmo que isso seja muito pouco! Ou seja: se ela só consegue desenhar uma linha, que sejam dadas muitas linhas para ela desenhar e que cada desenho seja motivo de VERDADEIRA ALEGRIA do professor, terapeuta ou familiar dessa criança.

Quinto passo: acompanhar a turma

Não nos interessa, para esses casos, se a criança está acompanhando ou não a sua turma. O que interessa é se ela está conseguindo ou não uma melhoria no seu desenvolvimento, mas em relação a ela mesma em um momento anterior, ou seja, a comparação será realizada com ela mesma e nunca com os demais colegas.

Quanto a estarem ou não no 1º ano ou na Educação Infantil, isso deve ser tema de discussão com o Conselho Escolar, a partir da análise da verdadeira função da escola, ou seja: a escola tem como função desenvolver o cognitivo e o emocional da criança ou sua função é selecionar os melhores e reprovar os piores?

Se a resposta é a primeira opção então temos que ignorar o acompanhamento da turma e enfocar cada aluno como um caso especial a ser desenvolvido de seu ponto inicial para um ponto mais além, objetivando lucro cognitivo, emocional e comportamental.

Sexto passo: quebra do bloqueio emocional

Esse trabalho terapêutico, pedagógico e psicopedagógico deve ser realizado todo o tempo pelo simples prazer de realizá-lo! E isso é muito importante! Não podemos criar expectativas de resultados maiores porque isso só atrapalhará a nossa performance nesse acompanhamento. Todo trabalho deve ser feito pelo simples prazer de realizá-lo e cada progresso alcançado deve ser comemorado com uma verdadeira satisfação, para assim acelerar a quebra de algum bloqueio psicológico nessas crianças.

Isso é importante porque muitas das anomalias apresentadas por crianças e adolescentes nada mais são do que anomalias de oportunidade, ou seja, resultantes de bloqueios emocionais indefinidos, trazendo uma sintomatologia muito semelhante a anomalias psíquicas, neurológicas ou orgânicas existentes.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Programando a inteligência, a saúde e a sexualidade para toda a vida

Em Seabra poderemos estar realizando no próximo sábado, dia 23 de maio, mais uma edição do encontro para treinamento de "autoprogramação mental", que já realizamos em Seul, na Coréia do Sul, em Oxford, na Inglaterra e em Washington, nos Estados Unidos, cujo sub tema é: Programando a inteligência, a saúde e a sexualidade para toda a vida.

Esse tema é uma necessidade, nos dias de hoje, já que as crianças e os adolescentes estão sendo "programados" pela mídia e pela sociedade para serem adultos infelizes, insatisfeitos e angustiados, além de serem incapazes de manter qualquer tipo de relacionamento afetivo por muito tempo.

É o consumismo desenfreado sendo levado ao próprio relacionamento afetivo, tal a ganância dos exageros capitalistas totalmente anti-éticos, amorais e até imorais! Isso faz com que sejam deixados de lado todos os valores relacionados a uma estabilidade amorosa e afetiva, falando mais alto a disputa pelo maior número de parceiros, sem qualquer preocupação com a sua própria saúde física ou psíquica.

Não é fácil entender onde querem chegar os detentores do poder da mídia, já que os resultados alcançarão também seus próprios filhos e netos. Não é fácil entender os motivos que levam os produtores de programas de TV, jogos de computador e jogos de video-game, quando colocam no mercado elementos que estimulam os anti-valores e o comportamento criminoso. Não foi fácil entender os motivos que levaram a MTV a divulgar durante meses, em horário vespertino, uma "chamada" repleta de cenas de sexo explícito e pedofilia ocultados inteligentemente em forma de propaganda subliminar.

Esse universo pornográfico, corrupto e irresponsável está alcançando nossos filhos e nossos alunos a todo tempo!  E a técnica perfeita aliada as mais novas tecnologias fazem com que os resultados sejam super eficazes.

Existe vacina para isso! Essa vacina se chama "educação com responsabilidade"! É a educação trabalhando a programação mental das crianças e adolescentes de forma a estarem prontos para resistir a todos esses "ataques" psico-destrutivos.

Nosso corpo e nossa mente, se bem programados, são praticamente autosuficientes em termos de qualidade de vida, permitindo a construção de um seguro e firme alicerce intelecto-emocional com elevado senso de cultura do caráter.

Mas, devido ao que muitos chamam de "falta de tempo", estamos deixando nossos adolescentes destruirem a sua possibilidade de serem felizes!

Precisamos ajudá-los! Ainda há tempo! Mostrar que existem caminhos maravilhosos no universo da afetividade e do amor e que esses caminhos estão muito longe dos "ficares" do dia-a-dia e da falta total de responsabilidade para consigo e para o outro.

Mas não são apenas os adolescentes que precisam disso. Nós adultos também. E tudo é possível, independente da idade cronológica! O exemplo que me vem sempre à cabeça é a conferência de orientação sexual para adolescentes que realizei no ano 2000, quando dois cientistas chineses, ambos com oitenta anos de idade, me pediram para participar e, no final do primeiro encontro estavam quase em depressão, por acharem que haviam perdido a oportunidade que aqueles adolescentes passariam a ter para toda a vida. O tempo deles havia passado, segundo suas próprias palavras.

Lembro perfeitamente que insisti para que assistissem todo o restante dos encontros e que seguissem cada uma daquelas recomendações, independente da idade que tinham. No ano seguinte já estavam completamente mudados e hoje, nove anos depois, continuam esbanjando felicidade com suas esposas, coisa que nunca imaginavam ser possível!

Então tudo é realmente possível!

Precisamos mostrar a nossos filhos e alunos que os melhores caminhos apontam, inicialmente, para o auto-conhecimento, quando eles poderão, aos poucos, descobrir sua verdadeira identidade, seja ela qual for, para construir,a partir dessa verdade, os alicerces de uma vida feliz.

Em seguida mostrar que a compreensão do outro complementa essa estrutura de caráter, transformando inveja em admiração, desprezo em atenção, raiva em tolerância, submissão em auto-valorização, orgulho em humildade e assim por diante, criando uma estrutura sólida, indestrutível e livre de ansiedades e angústias.

E que a cada momento precisam ser criadas novas perspectivas de vida, com a convicção dessas realizações e eliminando todas as expectativas. Isso vai trazer a eles o sentimento de produtividade e de realização, possibilitando a visualização do sucesso.

Vamos fazer alguma coisa! Vamos transformar essa nossa sociedade iniciando pela nossa comunidade.

Nesse sábado estaremos em Seabra. Poderemos aproveitar esse momento.


Para quem estiver em Salvador:

No sábado dia 30 de maio, das três às cinco da tarde, estaremos reunindo o Conselho da UPF na Bahia (Universal Peace Federation) junto com professores e pais interessados, para traçar planos de transformação pela educação. Será numa sala do curso de inglês SKILL, da Pituba. Quem desejar se juntar ao trabalho, aqui vai o convite:

 Federação Universal  para A Paz Mundial

CONVITE

               Temos a honra  em convidá-lo(a) para nossa  reunião mensal, intitulada "A Educação do Caráter "

com palestra proferida pelo

Prof. Roberto Emilio Bailly Andersen Cavalcanti.


DATA:30/05/2009

HORÁRIO: 15:00-17:00

LOCAL :SKILL IDIOMAS PITUBA

Endereço:Rua Rio Grande do Sul ,356 Pituba

Presidente do Conselho Regional do UPF

Prof. Roberto Emilio Bailly Andersen Cavalcanti

Cientista pela Academia de Ciências dos EUA

Comitê dos eventos UPF da Bahia

Secretária

Hisae Takahashi Santos

Pedimos a confirmação prévia para melhor recebê-los, pelo e-mail: "hisae takahashi" <santosmus@gmail.com>

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Adoção: quando contar?

Pergunta:

Qual seria a idade para uma criança saber que foi adotada? Existe uma idade certa? A mãe poderá contar quando surgirem as perguntas partindo da criança com apenas 3 anos de idade ou não? Estou muito ansiosa para resolver esse problema!

Resposta:

A maior preocupação quando se adota uma criança não deve ser como ou quando contar, mas como acompanhar cada etapa de seu desenvolvimento, para que ela esteja sendo satisfeita corretamente em todas as fases.

Se cada etapa estiver sendo cumprida corretamente a criança não desenvolverá qualquer tipo de neurose e, assim sendo, não estará sujeita a traumas ao saber que foi adotada.

Então o primeiro passo é procurar entender cada uma das fases de desenvolvimento e o que deve ser realizado em cada uma delas. Essa parte é a que os psicopedagogos mais podem ajudar. Aliás esse é o profissional indicado para essa consulta!

Isso porque os psicopedagogos estudam as fases segundo Freud e todos os demais teóricos, não havendo qualquer dúvida a respeito.

Essa criança, por exemplo, já passou pela fase oral e deve estar em plena fase anal. O processo agora é muita brincadeira com massa de modelar, argila, barro, deixar ela se lambuzar bastante, sujar mesmo, e depois fazer uma verdadeira brincadeira no banho. Ela estará sendo satisfeita nessa fase.

Quanto mais opção de brincadeira e atividade lúdica ela tiver melhor será para sua correta formação. O que não pode acontecer nessa fase é tirar a ludicidade e a brincadeira com lama, argila, massa de modelar ou qualquer coisa que ela possa manipular e se sentir lambuzada. Deixá-la sem isso certamente vai atrapalhar sua formação e fazer com que ela pule etapas, principalmente se estiver trocando essa diversão por uma sala limpinha, com um aparelho de TV ligado em frente!!!!!

Perguntas sobre isso nessa idade só aparecem se ela estiver "pulando etapas", o que é muito perigoso porque estará sendo formado um caráter neurótico que trará problemas futuros e incompreensões.

A qualquer momento a não aceitação da realidade adotiva ocorre quando a criança não está satisfeita emocionalmente e sente-se insegura em relação aos seus pais adotivos e ao ambiente em que vive.

Contar nessa fase não parece ser necessário, mesmo porque não ajuda em nada e, pelo contrário, pode despertar curiosidades inadequadas para a idade.

Mas se, mesmo assim, ela perguntar, então tem que haver um processo natural para isso. E o processo passa antes pelo convencimento dos próprios pais adotivos de que ela é sua filha de verdade! Enquanto eles tiverem dúvidas emocionais a respeito, não conseguirão contar corretamente.

Normalmente o que se recomenda é que seja respondido que ela é filha verdadeira, com a diferença de que foi escolhida por amor, enquanto os filhos naturais vem sem que os pais possam escolher.

Suspeita de Transtorno Bipolar Infantil

Transtorno bipolar infantil (suspeita) em criança com dois anos: um relato. Preservando o nome da relatora, segue-se a pergunta: 

Pergunta:

A menina altera seu humor constantemente. Pode estar brincando que, sem motivo aparente começa a chorar. À noite chora dormindo. Qual o profissional a procurar? Há momentos, entretanto, em que brinca e conversa normalmente
 
Resposta: 

Em primeiro lugar temos que levar em conta que todas as anomalias comportamentais em crianças e adolescentes devem ser analisadas, inicialmente, como se fossem consequência de uma educação equivocada, exemplos negativos em casa, insegurança emocional etc. Identificando uma dessas causas nosso trabalho começa por esse lado, ou seja, a Terapia Parental.

Uma anamnese com os pais e com quem mora na mesma casa, como avós, irmãos, etc., é de fundamental importância para essa análise preliminar. Se na casa, por exemplo, residem também os avós, existe a possibilidade dessa criança vir a desenvolver uma instabilidade na identidade paterna ou materna. Todas essas possibilidades surgem com a anamnese.

Não descartamos a possibilidade dessa criança trazer a predisposição genética para a doença, mas os caminhos iniciais são de descobrir causas emocionais para o distúrbio. Hoje já sabemos que existe toda uma sintomatologia emocional, ou seja, as crianças apresentam sintomas de todas as doenças possíveis, principalmente as comportamentais, apenas como reação inconsciente à alguma insatisfação resultante de equívocos na educação ou na relação parental.

E a relação parental sempre pode ser otimizada! Nossa recomendação é iniciar por esse trabalho. Verificar rigorosamente como está a relação da menina com as pessoas à sua volta e, consequentemente, com o mundo que conhece. 

Esse trabalho é o inicial, mas é sempre necessário. Mais tarde, confirmando que os sintomas persistem, o médico a ser consultado é o psiquiatra infantil.

domingo, 26 de abril de 2009

UNIVERSO EMOCIONAL E BIOCENTRISMO

Emoções, sentimentos e pensamentos são causas ou consequências dos intrincados processamentos neurológicos e sinápticos no interior de nosso cérebro? É o pensamento que determina a existência e a realidade ou é a existência real que permite o pensamento e as emoções? Existe alguma possibilidade de tais perguntas serem respondidas hoje com a devida precisão ou pode-se apenas escolher uma resposta da mesma forma que se escolhe uma verdade religiosa ou espiritual?

Para podermos divagar com mais tranqüilidade nessa área é bom lembrar que existem conjecturas e certezas científicas. Embora a maioria das certezas científicas venha sendo contestada, a cada dia, por certezas mais atualizadas, na medida em novos parâmetros são descobertos.

A certeza científica vem da análise metodológica do fato ou do evento com os meios que nossos laboratórios dispõem. Por isso mesmo estamos ainda muito aquém do necessário para o encontro dessas respostas. Isso não impede a divulgação de muita "certeza científica", como se já fossemos os donos da verdade universal. Louvamos o esforço dos cientistas, mas nos assusta muito a divulgação de certezas em assuntos tão acima de nossa atual capacidade de pesquisa.

Já na religiosidade temos total liberdade para escolher nossas crenças sem qualquer necessidade de comprovação laboratorial. Não se procura isso! Procura-se apenas alcançar um estado de paz interior que faz bem ao ser humano e à sua saúde neuropsíquica.

Judeus escolhem acreditar no Torá com fonte de toda verdade universal, mas rejeitam o Novo Testamento, por negarem a importância dada pelo cristianismo a Jesus. Muçulmanos e Cristãos escolhem acreditar nas compilações realizadas depois de Cristo e pouca importância dão ao Velho Testamento. Muçulmanos ficam com a verdade compilada por Maomé e os cristãos ficam com a verdade compilada a partir de escritos de pessoas que ouviram os apóstolos, muitos anos depois da morte de cristo e dos próprios apóstolos. E todos têm o direito de acreditar nessas fontes como fonte da verdade absoluta e inquestionável. Isso porque estamos falando de religião! Isso é crença. É verdade dogmática!

São duas áreas completamente distintas, embora uma deva sempre recorrer a outra para aumentar o seu conhecimento de mundo e de vida, mas nunca para denegrir a sua importância. A tradição é original, sempre existiu. A ciência surgiu de dentro de própria tradição, para encontrar meios de interferir no ambiente e facilitar a nossa vida.

Mas há aqueles que, na religião, combatem o progresso científico, com argumentos totalmente alicerçados em seus próprios dogmas, assim como há os que, na ciência, tentam desmistificar a tradição, utilizando-se de meios tão desprovidos de precisão científica quanto os das idéias que pretende combater.

Não devemos ignorar qualquer hipótese ou tese apenas pelo fato de não acreditarmos em sua veracidade. Muito pelo contrário devemos abraçar todas as idéias contrárias ou diferentes das nossas e analisá-las com total isenção, exatamente por ser esse o melhor meio de ampliar nosso conheci mento real sobre qualquer assunto.

Voltando agora para nossas perguntas, vamos analisar o que passava pela cabeça de alguns pensadores em relação a mente, cérebro, pensamentos, emoções e sentimentos.

Platão, por exemplo, dizia que a mente estaria na cabeça. Até hoje os estudos neuropsíquicos procuram mostrar isso como verdade. Aristóteles, entretanto, defendia a mente no coração. Platão venceu até o final do século passado, mas foi quando começaram a aparecer evidências de transferências de memórias através do transplante de órgãos, principalmente o coração! Aristóteles ficaria satisfeitíssimo se soubesse disso!

Então não sabemos ainda sequer onde está a nossa mente! Mas lembro que, na década de setenta, em contato com um grupo de aborígenes em plena Austrália, um Xamã me passou a sua convicção de que nossa mente é externa ao corpo, mas inerente a nossa identidade como pessoa. Ela interfere em todas as células de nosso organismo, principalmente nas células cerebrais, mas, de alguma forma muito especial, ela também interfere no meio ao nosso redor e essa interferência pode ser muito mais ampla do que possamos imaginar.

Mente externa ao corpo ainda não responde a nossa indagação principal sobre quem determina o que, mas ao falar sobre interferência começamos a chegar mais perto de alguma trilha sobre o assunto, cujo tema é: pensamos sobre a realidade pré-existente e a sentimos como ela é em sua forma absoluta, ou a realidade se configura a partir de nossos pensamentos, sentimentos e emoções?

Sentimentos e emoções individuais determinados por uma mente externa ao corpo nos leva ao conceito do inconsciente coletivo de Jung. Comportamentos sociais também determinados por uma mente externa ao corpo nos leva ao conceito de consciência coletiva de Durkhéim. Lembrem que nosso interlocutor era um sacerdote aborígene totalmente analfabeto, sem qualquer tipo de tradição escrita, em pleno deserto Australiano, em 1975. Isso merece uma análise bem criteriosa e certa reflexão.

Os estudantes de sociologia durkheiniana e psicologia junguiana sabem que a consciência e o inconsciente coletivos interferem na mente coletiva da sociedade e na mente individual do homem. Mas o momento é mais para contestadores do que para quem estudou o assunto para fazer prova.

Isso porque a evidência que está para aparecer é no sentido oposto, ou seja: que alguma força biológica gerada a partir das nossas células determina a formação dessa onda do pensamento interferente no meio à nossa volta. Essa interferência determina alterações na estrutura do meio de forma a permitir a nossa sobrevivência.

Essa interferência pode vir a mudar o próprio entendimento de mundo, como procuram demonstrar Robert Lanza e Bob Berman em sua obra BIOCENTRISMO publicada em abril de 2009. A proposta deles é que as leis que regem o universo são determinadas pela vida e pela consciência. Assim o universo, como um todo, é modelado pelas nossas próprias mentes, mesmo inconscientemente, para nos acolher. A idéia tradicional de um universo exterior pronto, independente de existirmos ou não, seguindo leis físicas inquestionáveis, parece estar chegando ao fim.

Segundo eles e os aborígenes não somos apenas um visitante ocasional de um planeta cuja existência independe de nós. Somos os elementos geradores e transformadores da própria estrutura desse planeta ou, mais ainda, de todo o universo.

Pode parecer muita pretensão da raça humana, mas as pedras começam a se encaixar. Vejam a célula universal, chamada de célula tronco embrionária. Uma mesma célula que toma a forma do que quiser, a partir de uma programação biológica que não temos acesso ainda. Ela se modela para criar todos os diferentes órgãos de nosso corpo.

Vejam agora a idéia de Stephen Hawking, um dos maiores físicos atuais da humanidade e que sempre se disse materialista e ateu, sobre a Teoria Unificada do Universo. Ele declarou estar perto de encontrar a lei que mostra todo o universo totalmente ligado entre si e dependente de uma fonte energética biológica única e fundamental. Uma só lei biológica controlando todo o universo conhecido.

Nosso caminho mostra a existência da unicidade e, mais ainda, que essa unicidade está centrada na mente individual e no self! Mas como entender isso se o modelo científico ao qual estamos acostumados mostra um universo composto por partículas sem vida colidindo entre si e obedecendo a regras predeterminadas e misteriosas?

Nosso primeiro passo é quebrar esse paradigma e reconstruir tudo a partir do elemento consciência biológica. A consciência biológica seria a verdadeira matriz a partir da qual o cosmos é compreendido. É a tela por meio da qual nossa visão de mundo é projetada. Se ela estivar torta ou distorcida ou contiver alguma característica estranha, então toda a nossa percepção do cosmos estará fundamentalmente errada.

Reforçando essa idéia é bom lembrar que a presença de um observador, segundo Werner Heisenberg e Niels Born, determina o resultado da experiência. No mínimo a criatura biológica é quem dá forma a história, faz as observações e nomeia as coisas. Ou seja, a vida e a consciência estão no centro do entendimento do universo.

Estudando o sistema perceptivo vemos que toda a realidade exterior é criada dentro de nosso cérebro. Nós criamos a realidade, o que nos leva a discutir se o filme Matrix é uma obra de ficção ou se existe a possibilidade de estar representando parte da nossa realidade.

Afinal, desde George Berkeley, filósofo irlandês, que a idéia de criarmos a realidade vem se somando a idéia de que as experiências subjetivas interagem com a realidade física. É a percepção que determina a realidade.

No estudo astronômico percebemos que existe uma longa lista de traços mostrando que tudo no universo, dos átomos às estrelas, parece ter sido feito exatamente para nós. Cerca de duzentos parâmetros físicos são tão exatos que seria estranho aceitarmos como obra do acaso. E nenhuma delas é previsível por nenhuma teoria conhecida! Elas parecem ter sido cuidadosamente escolhidas e, freqüentemente, apresentam uma precisão milimétrica, ou talvez até nanométrica, apenas para permitir a existência de vida. Modifique-se qualquer uma delas e nós jamais teríamos existido!

Alguns cientistas estão dando nome a esse princípio, tentando encontrar uma razão que não os obrigue a ter que aceitar a possibilidade da existência de uma "Vontade Divina". Isso é muito bem definido, ou seja, para o cosmos não existe um "muito isso" ou "muito aquilo", mas todas as medidas que encontramos são "exatamente a necessária à vida".

Para evitar explicações teleológicas e também evitar entrar pelo dogmatismo religioso, o biocentrismo define que o universo é criado pela vida! Segundo esse conceito um universo que não suportasse vidas possivelmente não existiria.

Toda a realidade quântica, que hoje já se delineia como a verdadeira conceitualidade histórica do universo, mostra que os resultados dependem da observação de alguém. Ela não faz sentido se não houver uma base biocêntrica para o cosmos. Espaço e tempo, de acordo com o biocentrismo, são formas do senso perceptivo animal.

Vejam os conceitos de tempo e espaço. Vemos tempo como mudança. Mas será a realidade? São coisas distintas. Tudo o que percebemos está ativamente sendo reconstruído no interior de nossas cabeças independente da conceituação temporal. O tempo, dessa forma, pode ser definido como o somatório dos espaços ou dimensões, como em um filme, ocorrendo dentro de nossas mentes. Então o que é real? Se a próxima imagem mental for diferente da anterior, então estamos em um período diferente. Podemos atribuir essa mudança ao tempo no mundo, mas isso não significa que exista uma matriz invisível em que o tempo se modifique. Isso é apenas a maneira de fazermos com que as coisas tenham sentido para nós.

E o espaço? Já o espaço nos apresenta uma realidade de intangibilidade peculiar, já que não podemos pegá-lo e trazer para o laboratório. Ele não é um objeto externo, mas parte de uma programação mental que modela, em formas multidimensionais, as nossas sensações. Tempo e espaço são realidades criadas pela nossa mente e dependentes dela.

Então emoções, sentimentos e pensamentos não são apenas os causadores dos processos neurológicos e sinápticos no interior de nosso cérebro, mas sim os elementos determinantes da realidade externa, incluindo aí os conceitos de espaço e tempo, a harmonia do meio à nossa volta e a estética estrutural do próprio universo que nos acolhe.

Nosso universo é um UNIVERSO EMOCIONAL, comandado pelos conceitos do BIOCENTRISMO.

Bibliografia complementar:

Maturana, Humberto R. A árvore do conhecimento. São Paulo: Palas Athena, 2001.

Carter, Rita. O livro de ouro da mente. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

Lemkow, Anna Freifeld. O princípio da totalidade. São Paulo: Aquariana, 1992.

Nicholson, Shirley. Sabedoria antiga e visão moderna. Brasília: Editora Teosófica, 1991.

Andrade, Vivian Maria. Neuropsicologia hoje. São Paulo: Artes Médicas, 2004.

domingo, 19 de abril de 2009

Biocentrismo

Cientistas estão encontrando na biologia o caminho para a Teoria Unificada do Universo.

Robert Lanza e Bob Berman tentam mostrar em sua obra BIOCENTRISMO, publicada em abril/2009, que o entendimento correto de mundo não pode ser baseado na física, mas sim na vida e na consciência.

Em seu passeio pelos mistérios do mundo, eles lembram que a biologia já está desvendando os mistérios da célula universal, a célula tronco embrionária, e que cientistas, como Stephen Hawking, antevêem uma teoria unificada do universo. É hora, então, de percebermos que a unicidade existe e ela, além de não ser obra do acaso, está centrada na mente individual e no self. Mas como chegar a essa conclusão?

O modelo científico ao qual estamos acostumados mostra um universo composto por partículas sem vida colidindo entre si e obedecendo a regras predeterminadas e misteriosas. Nessa visão a idéia de vida abrigando consciência não é bem entendida pela ciência, embora seja relevante para a descrição do universo.

Mas o que seria a consciência? Ela é a verdadeira matriz a partir da qual o cosmos é compreendido. É a tela por meio da qual nossa visão de mundo é projetada. Se ela estivar torta ou distorcida ou contiver alguma cor estranha, então toda a nossa percepção do cosmos estará fundamentalmente errada.

Eles lembram que, desde maio de 1926, Werner Heisenberg e Niels Born apresentaram a idéia de que a presença do observador determina o resultado da experiência. No mínimo a criatura biológica é quem dá forma a história, faz as observações e dá nome as coisas.

Em "Experiência" Ralph Waldo Emerson afirma que não vemos as coisas diretamente, mas de uma forma mediada. Nossas lentes distorcem a realidade e não temos condições de entender-la exatamente como deve ser.

O filósofo irlandês George Berkeley disse que só percebemos as nossas próprias percepções! E é aí que o biocentrismo se baseia. Somos nós que criamos a nossa realidade. A vida e a consciência estão no centro do entendimento do universo, As experiências subjetivas interagem com a realidade física. É a percepção que determina a realidade.

A acomodação a um determinismo fora de nossa capacidade de interferência é o primeiro desafio. Enquanto os materialistas estão acomodados a uma realidade externa autônoma e imutável, os religiosos acomodam-se a um determinismo Divino, ambos eliminando a possibilidade da sua intervenção em todo o processo externo.

Antes de aplicar os conceitos biocentristas em escala universal precisamos aprender a utilizá-lo dentro de uma realidade local bem próxima a nós. O exemplo dado pelos autores da obra foi interessante: "(...) considere você em sua cozinha. Seu conteúdo assume todas as formas familiares, desenhos e cores, com ou sem a nossa presença. Será que assumem mesmo? Á noite você desliga a luz e vai para o seu quarto. Sua cozinha permanece a mesma durante toda a noite. Certo? Errado! O refrigerador, fogão e tudo o mais são compostos de matéria e energia. A teoria quântica nos diz que nenhuma parte, por mais simples que seja, dessas partículas subatômicas existe em um espaço definido. Ou melhor, eles existem apenas como uma probabilidade. Na presença do observador – ou seja, quando você resolve voltar para tomar uma água, cada onda dessas partículas entra em colapso e ela assume uma posição, uma realidade física. Além disso, as formas e cores conhecidas como sua cozinha são vistas como elas são porque os fótons de luz, que não têm qualquer propriedade visual inerente, retornam as imagens desses objetos e interagem com seu sistema sensorial."

A dificuldade das pessoas em entender dessa forma deve-se a forma como fomos educados, ou seja, percebendo uma realidade externa totalmente alheia a nossa presença, existindo independente de nossa existência e sobre a qual nossa interferência é praticamente nula. A aparência desse mundo exterior é exatamente a aparência que temos registrado por nossos órgãos sensores, sem qualquer interferência nossa. Nossos olhos e nossa mente só nos permitem ver as coisas exatamente como elas são sem alterar nada. O biocentrismo mostra exatamente o inverso!

Analisando mais detalhadamente os argumentos biocêntricos encontramos uma longa lista de traços mostrando que tudo no universo, dos átomos às estrelas, parece ter sido feito exatamente para nós. Cerca de duzentos parâmetros físicos são tão exatos que seria estranho aceitarmos como obra do acaso. E nenhuma delas é previsíveis por nenhuma teoria conhecida! Elas parecem ter sido cuidadosamente escolhidas e, freqüentemente, apresentam uma precisão milimática, ou talvez até nanométrica, apenas para permitir a existência de vida. Modifique-se qualquer uma delas e nós jamais teríamos existido!

Alguns cientistas estão dando nome a esse princípio, tentando encontrar uma razão que não os obrigue a ter que aceitar a possibilidade da existência de uma "Vontade Divina". Isso é muito bem definido, ou seja, para o cosmos não existe um "muito isso" ou "muito aquilo", mas todas as medidas que encontramos são "exatamente a necessária à vida".

Para evitar explicações teleológicas e também evitar entrar pelo dogmatismo religioso, o biocentrismo define que o universo é criado pela vida! Segundo esse conceito um universo que não suportasse vidas possivelmente não existiria.

Toda a realidade quântica, que hoje já se delineia como a verdadeira conceitualidade histórica do universo, mostra que os resultados dependem da observação de alguém. Ela não faz sentido se não houver uma base biocêntrica para o cosmos. Espaço e tempo, de acordo com o biocentrismo, são formas do senso perceptivo animal.

O tempo, por exemplo, é muito confundido com mudança! Mas mudanças não são o mesmo que tempo. Tudo o que percebemos está ativamente sendo reconstruído no interior de nossas cabeças independente da conceituação temporal. O tempo, dessa forma, pode ser definido como o somatório dos espaços ou dimensões, como em um filme, ocorrendo dentro de nossas mentes. Então o que é real? Se a próxima imagem mental for diferente da anterior, então estamos em um período diferente. Podemos atribuir essa mudança ao tempo no mundo, mas isso não significa que exista uma matriz invisível em que o tempo se modifique. Isso é apenas a maneira de fazermos com que as coisas tenham sentido para nós.

O espaço nos apresenta uma realidade de intangibilidade peculiar, já que não podemos pegá-lo e trazer para o laboratório. Ele não é um objeto externo, mas parte de uma programação mental que modela, em formas multidimensionais, as nossas sensações.

A idéia de espaço como um imenso container sem paredes e independente de nossa vontade é totalmente falsa! Espaço e tempo não devem ser tratados como coisas independentes e fundamentais. São realidades criadas pela nossa mente e dependentes dela. O biocentrismo traz esse sentido biológico integrado ao físico para a correta compreensão de mundo.

Esse é o início da compreensão do universo a partir de uma realidade biocêntrica e que pode abrir caminho para a unificação de toda a ciência. Mas para isso ser possível há que se abandonar os incertos conceitos do entendimento histórico do universo.

O século XXI pode vir a ser o século da biologia, uma mudança radical no foco que o século XX deu à física.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Adolescente médico AKRIT JASWAL

Amigos,

Dra Penha me enviou a reportagem abaixo sobre AKRIT JASWAL, o adolescente indiano de 15 anos que está revolucionando o mundo com sua superinteligência. Meu interesse não é mostrar sua superioridade, mas alertar a todos os pais e professores que esse tipo de criança e adolescente pode estar na sua própria casa ou na sua sala de aula!

Estamos num momento em que essas inteligências estão nascendo a cada dia, mas a educação equivocada que alguns pais estão dando e a falta de visão, paciência e energia de alguns professores, está deixando essas inteligências atrofiarem!

Meu primeiro alerta é para PAIS e PROFESSORES.

Akrit, de família pobre, teve a mesma oportunidade que todos os nossos filhos e alunos estão tendo, mas teve pais presentes, amáveis e rigorosos, aprendendo a valorizar-se, a criar e elevar sua auto-estima e a entender a convivência social, sempre com o espírito de colaboração, respeito e um elevado sentimento de amor para com o outro. Exatamente por isso sempre desejou CURAR AS PESSOAS e quer solucionar os problemas mais graves dessa área no mundo, que são o câncer e a AIDS.

Lembrem dessa atenção de seus pais toda vez que olharem para seus filhos e alunos! Dêem muito mais atenção a seus filhos e a cada um de seus alunos com MUITO AMOR e com MUITO RIGOR NAS ATIVIDADES E DISCIPLINA! É as partir daí que suas qualidades poderão vir à tona sem dispersar para brincadeiras idiotas, agressividades baratas, transgressões apenas pelo prazer de ser "do contra", etc.

E evitem colocar a culpa dessas atitudes na sociedade, na TV, nas novelas, na natureza deles, em doenças pré-fabricadas (TDAH, etc.), tirando a verdadeira responsabilidade que é NOSSA! PAIS E PROFESSORES! O resto existe e influencia porque NÓS DEIXAMOS A PORTA ABERTA!

Estou à disposição para conversarmos, discutirmos, debatermos e, principalmente, para tirarmos as dúvidas e tentarmos encontrar soluções para todos os casos que encontrarmos, mas não podemos é: "DEIXAR ROLAR PORQUE NÃO TEM JEITO MESMO".


Infelizmente existe outro detalhe a comentar e que está sendo "esquecido propositadamente " pela mídia americana:


Esse detalhe está diretamente relacionado a AKRIT. O mundo da máfia capitalista gananciosa está tentando eliminar o valor de AKRIT, comprando-o com a FORTUNA que sua família nunca imaginou poder ter um dia (entrevistas em todas as TVs), assim como matriculando-o numa UNIVERSIDADE (HARVARD) que nunca sonharam que seu filho estudasse, mas não no curso que ele deseja, mas em BOTÂNICA E ZOOLOGIA, para levar mais tempo sem perturbar a LUCRO CRESCENTE DESSAS MULTINACIONAIS com a manutenção dos doentes terminais através de remédios caríssimos que apenas ampliam seu tempo de vida, o suficiente para terem muito lucro...


Aqui vai a reportagem:



Akrit Jaswal

" O mais jovem cirurgião do Mundo ".


AKRIT JASWAL

"O MAIS JOVEM CIRURGIÃO DO MUNDO".

Akrit tem hoje 15 anos de idade.


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PARA-HABILIDADES: SUPERMEMÓRIA , INTELIGÊNCIA AMPLIFICADA e DONS DE CURA !


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Akrit nasceu em 23/04/1993 , numa famí lia pobre Rajput da cidade de HIMACHAL PRADESH, na INDIA.
Desde a sua infância, Akrit demonstrou habilidades incomuns: começou à falar no 10° mês de idade; aos 2 anos de idade começou a escrever e a ler, apenas olhando as páginas dos livros; começou a ler ávidamente tudo o que chegava as suas mãos;
aos 5 anos começou a ler livros de poesia e peças de Shakespeare; depois desenvolveu uma paixão precoce por livros de Medicina,Anatomia e Cirurgia.


Os professores da sua Aldeia descobriram que Akrit possuía a formidável capacidade da MEMÓRIA FOTOGRÁFICA, jamais esquecia nada e possuía uma voracidade fantástica em aprender cada vez mais..


Aos 6 anos, fazia discursos altamente complexos sobre temas de Medicina, Biologia e Cirurgia, e debatia com médicos adultos qualquer tipo de tema ligado à Ciência Médica.


ELE MEMORIZOU DEZENAS DE TRATADOS MÉDICOS DE: MEDICINA, ANATOMIA , FISIOLOGIA E CIRURGIA , que são difíceis de ler, até mesmo para os Especialistas veteranos destas áreas !



Akrit solicitou e obteve uma autorização especial para acompanhar e assistir às Cirurgias feitas no Hospital de HIMACHAL.

Aos 7 anos de idade, tornou- se o cirurgião mais jovem do mundo, quando a famí lia de uma menina da sua aldeia solicitou a sua ajuda para realizar uma cirurgia.
A Menina havia sofrido um acidente e queimado os dedos, que acabaram colando uns nos outros; Akrit apiedou-se da menina e realizou uma Cirurgia extremamente bem-sucedida, que foi filmada e surpreendeu os médicos de todo o Mundo.




Tornou-se uma celebridade em toda a India, e os cientistas começaram a realizar testes em Akrit para desvendar os segredos da sua inteligência , e ele espantou a todos ao obter o grau
146 de QI no seu primeiro teste !!!

Foi convidado pelo Governo Hindu para estudar na PUNJAB UNIVERSITY aos 11 anos de idade, em 2004.


Akrit logo demonstrou outros poderes como o Dom de Curar as pessoas apenas colocando as mãos sobre os seus ferimentos, que ele diagnostifica instantâneamente as causas, graças a sua Memória Fotográfica que identifica os sintomas psicobiofísicos de qualquer enfermidade, apenas olhando de relance os pacientes.

Hoje, ele é estudante da UNIVERSIDADE DE HARVARD nos EUA onde está no 2º ano de um curso de Bacharelado em Zoologia e Botânica ; ao mesmo tempo continua com seus estudos autodidáticos sobre Medicina e outras areas da Saúde.


O Sonho de AKRIT é encontrar a Cura definitiva para o Câncer e a AIDS. Ele declara em suas palestras que já possui milhares de idéias extremamente criativas para a renovação completa da Medicina atual e para o Tratamento do Câncer.

Akrit surpreendeu o mundo ao dizer no programa televisivo da apresentadora OPRAH que, com sua SUPERINTELIGÊNCIA , ele leu todos os Tratados atuais de Oncologia e descobriu as falhas e limitações da atual pesquisa do Câncer; afirmou que ele possui a solução do Problema e que pode criar NOVOS REMÉDIOS e NOVAS TECNOLOGIAS de tratamento oncológico, mas que para isso precisa antes formar-se oficialmente como Médico e criar um CENTRO FILANTRÓPICO DE ESTUDOS, para tratar gratuitamente os milhares de doentes da Índia. Com estas afirmações, tornou- se uma CELEBRIDADE nos EUA, conseguindo grandes doações e apoios para as suas pesquisas.




" AKRIT é reconhecido hoje como um verdadeiro AVATAR DA MEDICINA na Índia , é visto como um grande MAHATMA que encarnou na matéria para revolucionar completamente a Medicina ".


***
" Os Parapsicólogos consideram Akrit um dos mais evoluídos MUTANTES PSIÔNICOS da atualidade e a mais famosa das CRIANÇAS ÍNDIGO (Crianças que nascem com Superinteligência Criativa , como Akiane Kramarik e Boriska) que estão nascendo em todo o mundo para provocar uma mudança radical na Ciência humana".










REFERENCIAS SOBRE AKRIT JASWAL :

TEXTOS:

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Professor Roberto Emilio Bailly Andersen Cavalcanti
Instituto Univérsico de Pesquisa e Educação (Salvador) - Presidente
Federação para a Paz Universal (Nova Iorque) - Presidente do Conselho na Bahia
Academia de Ciências de Nova Iorque - Cientista Membro
www.iupe.org.br robertoandersen@gmail.com Celular: 55 71 9198-5489

domingo, 12 de abril de 2009

Limites para crianças entre 2 e 3 anos

Essa pergunta foi recebida em quase quinze mensagens, tendo ocorrido com crianças da mesma faixa etária! Praticamente todas com as mesmas características, variando apenas o gênero da criança e a cidade. Vamos a pergunta, devidamente editada, para generalizar a dúvida:  

PERGUNTA:

Meu filho, na faixa dos 2 a 3 anos de idade, já está na escola, andou muito cedo, já fala praticamente tudo e bem explicado, dando a impressão de ter um desenvolvimento intelectual bem adiantado para sua idade. Procura ter iniciativas em casa, mas não aceita a opinião dos adultos. Quando quer uma coisa e não pode ele não aceita e se joga no chão, grita, chora convulsivamente. Eu, imediatamente, corro para ele, tento explicar o porque da proibição, me irrito quando ele continua gritando, brigo, dou palmadas, ponho de castigo, mas nada adianta! No dia seguinte ele repete a atitude toda vez que é impedido de fazer o que quer. Como posso proceder?  

RESPOSTA: 

Cada criança tem a sua forma de ver o mundo e de reagir ao que acha necessário para sua satisfação. Para cumprir isso sem erro lembre de seguir os conceitos de Freud, Wallon e Erikson no entendimento das fases que ela está passando. Esses teóricos, embora teóricos, montaram suas teorias a partir de observações práticas da vida.

A fase dela agora é a de utilizar sua energia para experiências exploratórias. Ela precisa desenvolver o seu senso de autonomia. E ela tem que perceber que não pode usar sua energia exploratória de forma totalmente livre, mas que existem regras sociais para serem respeitadas e que devem fazer parte de seu raciocínio. Nesse momento ela vai começar a testar os adultos à sua volta!

Quanto maior for o seu desenvolvimento criativo e a sua capacidade cognitiva, mais facilmente ela vai procurar encontrar artifícios para burlar a imposição de limites que deve iniciar exatamente agora! Mas é exatamente nesse instante que você terá que se impor utilizando, também, estratégias. Será uma batalha de estrategistas!

Tudo dando certo ela construirá sua autonomia com o perfeito entendimento de limites, pois é aí que começa o aprendizado social da criança. Surge o entendimento relacionado ao que os adultos e as outras crianças esperam dela. Surgem os conceitos de limitações, de obrigações e de direitos e aparece a sua capacidade de realizar certos julgamentos.

Para lidar com a tática do "chorar, gritar e de se jogar no chão" a tática que eu já utilizei com um dos meus seis filhos foi o de "ignorar sua atitude", fingindo estar ocupado com coisa mais importante, do tipo: ler um livro. Depois que ela se cansar de gritar você dá um tempo, passa por ela para ir pegar alguma coisa, sai do campo visual dela e, na volta, a "encontra"! 

Nessa hora aproxime-se como se nada tivesse acontecido e brinca um pouco com ela de verdade, com um brinquedo qualquer que ela goste e que nada tenha a ver como assunto da "birra". Ela vai registrar que os gritos não fizeram nenhum efeito. E a os poucos essa tática vai sendo abandonada e o entendimento de limites começa a ser incorporado na sua mente.

Essa é uma idéia. O que não se deve, em hipótese alguma, é dar importância ao fato no momento da birra, mesmo que seja para insistir no erro, porque no momento da irritação ela não compreenderá absolutamente nada. Apenas que a birra deu certo!

Sucesso para você e para seu filho!

sábado, 4 de abril de 2009

DISTEMIA

DISTIMIA (ou Distemia)

Que doença é essa? Pelas características podem-se definir nomes e apelidos, mas é um transtorno neurocomportamental sério, principalmente devido às suas conseqüências psíquicas e psicossomáticas.

O primeiro sintoma do distímico é o mau humor constante. Segue-se a fácil irritabilidade, o emburramento, a intolerância e a mania de só ver o lado ruim de todas as coisas. E isso de forma permanente. O distímico consegue transformar tudo o que faz em obrigação e sacrifício.

Exatamente devido a estar “de mal com a vida”, ele pode entrar em processo depressivo com facilidade, sendo essa, aliás, uma das possíveis evoluções da doença. Outras conseqüências desse transtorno neurocomportamental são as cefaléias, baixa imunidade, dores pelo corpo, gastrites e pressão arterial elevada. Outras possíveis evoluções psicossomáticas estão sendo analisadas pelos pesquisadores.

Na criança e no adolescente a distimia causa uma grande queda no rendimento escolar, principalmente devido a sua dificuldade de aceitação social. Eles têm dificuldade de se divertir e problemas de relacionamento, causando também a baixa de sua auto-estima.

Embora o distímico possa vir a ser um depressivo na evolução de seu transtorno, parte dos depressivos veio de outra realidade neuro-psico-comportamental. Existe, inclusive, uma diferença grande entre o distímico e o depressivo. Enquanto o comportamento do depressivo é mais apático e acomodado, o distímico é mais ativo e quase agressivo, devido ao seu estado de mau humor.

A família do distímico deve tomar precauções em relação a uma possível tendência ao abuso de álcool e drogas, principalmente tranqüilizantes, assim como ao exagero no tratamento medicamentoso com antidepressivos.

Para que as atitudes, os sentimentos e as emoções dos distímicos ocorram precisa que haja uma redução no nível de produção dos neurotransmissores serotonina e noradrenalina em seu cérebro, pois são exatamente esses dois neurotransmissores os responsáveis pela excitação física e mental, energia, disposição e bom humor (noradrenalina) e pelo bem estar e calma (serotonina).

As razões do déficit de produção desses neurotransmissores são interpretadas diferentemente por diversos pesquisadores e o maior perigo é quando isso nos leva ao uso desnecessário de medicamentos.

No caso da serotonina, existe um processo natural para manter seus níveis corretos: é a atuação física nos músculos zigomáticos, risórios e orbicular dos olhos. Isso significa mexer com todos os músculos da face por meio de caretas, ajudando com os dedos, puxando as orelhas, bochechas, nariz, queixo testa etc.

Fazendo isso todos os dias pela manhã a pessoa mantém seus corretos níveis de serotonina, mantendo o bom humor e o bem estar durante bastante tempo. Essa é a recomendação adequada para todos diariamente, tenham ou não ataques de tristeza.
Alimentos como bananas, tomates e chocolates são ricos em triptofano, que é um precursor da serotonina. Tomar banho de sol e fazer sexo também são atividades liberadoras de serotonina.
O perigo é que existe também um processo químico para ter o mesmo efeito. É a administração do Cloridato de Fluoxetina (PROZAC). Embora sua utilização seja recomendada apenas para casos graves de depressão, transtorno obsessivo compulsivo e graves alterações de humor, o medicamento está sendo largamente utilizado para simples casos de tristeza, como a droga da felicidade. Temos observado um verdadeiro trabalho de merchandising sobre a droga... (como a droga da felicidade...) .

O caminho para o tratamento das pessoas acometidas desse transtorno deve ser, então:

1) Massagem facial todas as manhãs, ao acordar;
2) Incentivar hábitos saudáveis, como exercícios físicos regulares;
3) Inserir banana e tomates na alimentação. O chocolate, embora seja também rico em triptofano pode trazer efeitos colaterais indesejáveis;
4) Tomar banho de sol e, para os casados, manter uma vida sexual regular e saudável.

A recomendação para os familiares dessas pessoas é: não dar a menor importância aos momentos de reclamação da vida! Ouvir apenas aguardando a oportunidade de uma “vírgula” em seu texto para, imediatamente “mudar de assunto” para um tema agradável e interessante.

Essas pessoas precisam de platéia para exercitar a sua irritação para com a vida e, se essa platéia inexiste, o mal começa a ser minimizado aos poucos.

Ou seja, mais um mal que pode ser tratado sem o uso indiscriminado de produtos farmacêuticos...

sábado, 28 de março de 2009

Trabalhando com Valores Humanos

Trabalhando com Valores Humanos

RESPEITO:

O trabalho com esse valor (RESPEITO) vai de 30/03 a 24/04/2009.

Quando estamos conscientes de nossos valores e os colocamos em prática permanente, temos condições de honrar os valores das outras pessoas e é esse o melhor meio de se obter respeito.

Quando não conseguimos entender nossos próprios valores ocorre o perigo de vermos os valores dos outros como um perigo para nossa auto-estima, o que poderá transformar os sentimentos positivos de admiração e respeito em sentimentos negativos de inveja, desprezo e desrespeito.

Nosso trabalho, então, deve começar por nós mesmos, ou seja, trabalhar a reflexão do educador estimulando-o a buscar o autoconhecimento e assim descobrir os seus próprios valores.

REFLEXÃO SOBRE O VALOR RESPEITO:

Após esse ou outro exercício de reflexão, está na hora de trabalharmos o valor das próximas quatro semanas, que é o RESPEITO, começando por questionar se:

· A atitude que estou tendo em sala de aula, do momento em que entro na sala e até o momento em que saio dela estimula um clima de respeito e compreensão mútuo?

Em seguida passamos a lista de comportamentos que o educador deve assumir para ter certeza de que suas atitudes estimulam o respeito mútuo:

· Exercitar a escuta ativa: ouvir cuidadosamente e atentamente o que cada aluno diz, tenta dizer ou quer dizer (as emoções escondidas por trás das palavras nos ajudam a entender o que ele quer dizer, mas nem sempre consegue).

· Fazer com que os alunos estabeleçam normas de classe (semelhante aos "combinados") para que eles se sintam estimulados a respeitar regras.

· Fazer com que eles mesmos definam limites, identifiquem transgressões e estabeleçam atitudes punitivas, que serão adotadas pelo professor ou pelo líder da sala.

· Lembrar que o tom de voz deve ser coerente com a atmosfera que se deseja criar, podendo ser carinhoso, entusiasmado, incentivador, claro, firme ou sério, dependendo do momento ou do objetivo.

PAIS E FAMILIARES – ABERTURA DO ENCONTRO:

O ambiente deve ser sempre um ambiente de valores humanos, com uma música suave ao fundo, antes de se iniciar o encontro.

Abre-se o encontro com a explicação sobre o trabalho do valor RESPEITO que será realizado com seus filhos nas próximas semanas e o objetivo principal.

Em seguida apresentam-se os pontos básicos de reflexão sobre RESPEITO, que serão trabalhados com seus filhos:

· Respeito por mim mesmo: Saber que sou naturalmente único e valioso e que tenho confiança em mim.

· Parte do auto-respeito é conhecer minhas próprias qualidades.

· Respeito é saber que sou amável e capaz.

· Respeito é escutar atentamente os outros.

· Respeito é saber que os outros também são valiosos.

· Quando eu me respeito eu consigo respeitar os outros.

· Quem respeita será respeitado.

· Conhecer e honrar o valor do outro e a melhor forma de se ganhar respeito.

PAIS E FAMILIARES – VIVÊNCIA:

O ambiente deve ser sempre um ambiente de valores humanos, com uma música suave ao Uma vivência semelhante aquela dos educadores pode ser feita com os pais. Vou sugerir a de "Construção positiva do comportamento através do elogio".

Crianças precisam da atenção dos pais e quando não a têm procurarão consegui-la por meio de atitudes erradas. Para evitar que isso ocorra e para se obter melhores resultados, utilizem o método do reforço positivo.

Reflita sobre o seguinte:

· O que seu filho faz bem?

· O que ele faz de positivo e corretamente sem precisar se lembrado?

· Você costuma dar valor a esse feito e elogiá-lo, ou simplesmente ignora

O elogio é algo positivo para a maioria das crianças e adolescentes. Mas não são todas as crianças que gostam de elogios. Algumas se sentem constrangidas. Procure descobrir como ele é nesse aspecto.

Sempre que elogiar seu filho, acrescente o valor humano que ele está praticando. Por exemplo:

"Você não revidou quando ele o xingou. Você manteve o auto-respeito e poder! Que bom para você!"

"Gostei do jeito que você ajudou na cozinha. Foi mesmo uma grande cooperação."

E assim por diante.

Alguns adolescentes são duros por fora, mas moles por dentro, ou seja: não parecem estar se importando com elogios, mas você percebe que gostaram quando repetem o comportamento elogiado.

Mas cuidado para não estragar o elogio com um elemento "estragador", como por exemplo:

"Parabéns pelo belo trabalho! Por que você não passa a fazer isso sempre e acaba com a preguiça?"

Cuidado também para não exagerar em elogios contínuos. Isso pode parecer forçado. Tem que ser uma atitude natural.

PAIS E FAMILIARES – DEVER PARA CASA:

· Faça um elogio a seu filho incentivando seu comportamento positivo e sua qualidade.

· Sempre que estiver com ele procure dar alguns minutos de atenção total, escutando-o atentamente. Esse é o melhor meio de demonstrar respeito e fazer com que ele sinta-se valorizado.

· Conte alguma história sobre o respeito por si mesmo (pode ser uma que você ouviu no grupo de pais).

· Diga a seu filho qual a qualidade que você mais reconhece nele.

· Quando ele estiver ajudando em casa fique feliz! Demonstre isso!

· Quando houver desrespeito, sente-se com ele e converse sobre o fato, mas sempre depois de estar calmo e sem qualquer irritação. Esse momento é importante para que ele realmente compreenda o que fez de errado.

· Abrace seu filho mesmo que não tenha qualquer motivo para isso. Procure fazer isso todos os dias.

ALUNOS:

Para cada faixa etária desenvolva atividades específicas, sempre procurando enfatizar o respeito por si mesmo e pelos outros. Essas atividades devem ser criadas dentro de cada disciplina, da seguinte forma:

· O professor deve reler seu plano de aula e o assunto a ser ministrado, procurando identificar o valor RESPEITO nesse conteúdo.

· Também deve ligar as notícias de jornais e revistas da semana que tenham a ver com o assunto, mas sempre procurando identificar o valor RESPEITO nessas relações.

· Esse valor deve ser visto sob a forma de RESPEITO A SI MESMO, ou na forma de RESPEITO AO OUTRO, ou de RESPEITO À NATUREZA, À SOCIEDADE, Á FAMÍLIA, etc.

· Deve ser evitado, A TODO CUSTO, dar exemplos do anti-valor, ou seja, do desrespeito. Por experiência própria já identificamos uma total retrocesso no comportamento ético e moral de alunos de turmas inteiras, depois de terem participado de aulas de valores humanos em que se mostravam filmes e exemplos de anti-valores, mesmo com a preocupação do professor em mostrar que tais atitudes seriam erradas.

· Havendo aula específica de Educação Emocional ou Valores Humanos

As vivências mais interessantes estão nos livros:

"Atividades com valores para estudantes", do Instituto Vivendo Valores.

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PAZ

Quanto aos resultados alcançados pelo valor anterior, temos que ter paciência. Isso vai acontecendo a médio e longo prazo.
Quanto a resistência de alguns profissionais, basta eles irem percebendo que os resultados alcançados pelos professores que estão engajados no processo são reais! E eles vão perceber que até a harmonia emocional desses professores passa a ser evidente!!!
Aí, aos poucos, eles vão querendo aplicar o mesmo em si mesmos e em suas turmas.
Alguns parecem terem nascido para sofrer... E preferem continuar "dando aula" ao invés de trabalhar por um objetivo de transformação social...
Mas esses acabam sucumbindo no meio...
Tenho observado muito esses aspectos.

terça-feira, 24 de março de 2009

Respeito: o valor a ser trabalhado de 30/03 a 24/04/2009

"Conhecer o seu próprio valor e honrar o valor dos outros é o verdadeiro meio para obter respeito" (da obra: "Vivendo Valores, um manual", do Instituto Vivendo Valores).
Existe uma transformação fantástica "no ar": Sentimentos torpes de inveja e despeito são transformados em elevados sentimentos de admiração e respeito para com o outro.
Quando isso ocorre? A partir do momento em que esses adolescentes começam a se conscientizar de suas qualidades, percebem sua importância como pessoa e descobrem que suas palavras, pensamentos e ações podem mudar a realidade do mundo à sua volta.
Como isso ocorre? Os estudos de Skiner mostrando a realidade do estímulo-resposta explica porque as pessoas estão sempre reagindo a alguma atitude alheia. Mostram também que a reação é quase sempre negativa se o estímulo for negativo, a não ser que a pessoa esteja preparada para reverter o processo e transformar uma relação. Essa preparação é a base de toda a transformação. Reagir de forma positiva a um estímulo negativo! A reação seguinte já será positiva e surge uma verdadeira "corrente do bem". É uma corrente de tolerância, de compreensão do erro dos outros e, acima de tudo, o entendimento de que todos nós somos responsáveis pela construção de um ambiente de respeito mútuo.
Por que isso ocorre? Porque o ser humano tem uma natureza original perfeita. Atitudes comportamentais negativas são manifestações equivocadas de ansiedades e angústias que precisam ser eliminadas. Quando qualquer um de nós reage de forma atenciosa, tolerante, compreensiva e respeitosa a uma atitude grosseira ou agressiva de alguém, esse alguém é imediatamente estimulado a resgatar a sua natureza original. Nesse momento começa a se tornar manifesto o conteúdo latente de sua natureza original perfeita.
Lembro que, dirigindo meu carro pela Avenida Paralela em uma noite de grande movimento, um motorista com semblante irritado aproximou-se numa tentativa de ultrapassar meu carro e "cortar" a minha frente. Ele deveria estar preparado para alguma reação negativa, mas o que recebeu foi um sorriso meu e um gesto, com a mão, dando-lhe passagem, respeitando sua pressa. Por algum motivo ele precisava chegar mais cedo ao destino.
Ele nada entendeu, mas ultrapassou e seguiu "cortando" outros carros numa correria meio sem sentido.
Uns dois ou três minutos depois qual não foi a minha surpresa quando o mesmo motorista aparece da mesma forma, ou seja, ainda irritado, ainda atrás de mim e, pasmem, tentando novamente outro "corte".
Recebeu o mesmo tratamento que antes e levou um certo susto quando percebeu que o carro que estava ultrapassando era o mesmo anterior...
Parece mentira! Ele voltou pela terceira vez! Só que dessa vez, quando me viu, desistiu de ultrapassar e acabou "quebrando" o semblante irritado de antes, devolvendo o sorriso.
Resultado: Um irritado a menos, uma briga a menos e, quem sabe, um acidente a menos.
A vivência dos valores humanos, a título de exercício, trambém desperta essa natureza existente dentro de cada um e faz com que a pessoa se sinta muito bem praticando o ato positivo.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Tarde (Ensaio em Londres, 1977)

Era tarde... Tarde repleta de hinos e vozes... Tarde envolvida pelo correr de crianças, jovens, todos... Alegrias, correrias, diversões ordenadas... Era tarde...
Nos imensos salões o ambiente normal e já bastante conhecido... Cheirava a antigo. As amplidões dos ginásios como que se entregavam aos que desejassem fazer de seu tempo o aproveitar de uma vida saudável.
Fim de uma tarde cansativa e bem aproveitada... Fim de um momento igual ao de todos os dias!
Dessa vez o sol ajudava o mundo! Seu calor emprestava vida... Sua luz se entregava... Seus raios se perdiam...
Ao atravessar o pequeno pátio gramado que separava os prédios, um só pensamento surgiu em minha mente: aproximava-se o momento mais aguardado, mais desejado, mais presente... Era o intervalo que aparecia... Pequeno intervalo entre os esportes e o jantar.
Intervalo de minutos que se transformava em tortura de milhares de anos! Intervalo que, por si só, valia pela razão de viver! Intervalo em que o coração dava saltos, a mente rodava em turbilhões, os pensamentos se dirigiam em uma só direção. E meus passos, lentos pelo cansaço dos exercícios, levavam-me inconscientemente ao mesmo local.
Subi os primeiros degraus... Lentamente, para não ser ouvido... Parei no terceiro, espreitando a vinda de alguém.
Subi mais alguns que rangiam... Velhos que eram... Uma porta semi-aberta com um pedaço de papel por baixo – era o sinal. Abri-a e entrei.
Assoalho que rangia a cada passo... Era um martírio!
Cuidadosamente alcancei o corredor superior do prédio. Bastante abandonado por sinal. Sentia-se abandono pelo clima...
Por vezes senti-me seguro ali. Outras vezes os ruídos que ouvia criavam em mim um estado de medo de ser descoberto.
Outra porta... A última... Entrei com cuidado. Encostei-a procurando impossibilitar uma espreita alheia... Pura inocência! Se alguém, porventura, surgisse nada conseguiria impedir a abertura de tão velha e encarquilhada porta de madeira.
O quarto... Vazio. Vazio de móveis, vazio de lustres, vazio de quase tudo... Alguns cobertores velhos jogados pelo chão. As janelas, cobertas por tábuas pregadas, permitiam a invasão de raios de luz pelas mínimas frestas. Eram resquícios da tarde... Tarde que aos poucos se alongava pelo dia...
Meu coração já batia mais forte a partir do momento em que subi o primeiro degrau. Agora, dentro do quarto, ele parecia querer disparar!
Foi no instante em que confirmei a presença que eu mais desejava.
Foi então que ambos paramos. Lembro-me que ficamos imóveis e sem palavras, como costumava acontecer. Por alguns momentos procuramos ouvir sons denunciadores... Mas não ouvimos.
Bem longe reconheci as vozes dos outros que em brincadeiras diversas, procuravam aproveitar a folga da tarde.
Um pouco de alívio, mas a tensão aumentou. Um cigarro, aceso já queimado jazia ao lado da caixa de fósforos. Um cigarro aceso denunciava-se entre os dedos daquela mão.
Meu coração disparava por nada... Ou por tudo... E eu me aproximei. Dessa vez senti mais forte do que nunca o sentimento que já me era conhecido!
Sentei-me ao seu lado. Sem dizer uma só palavra olhamo-nos bem fundo nos olhos... Era o momento em que nos identificávamos em quase tudo.
Havia sido uma aventura o chegar até ali, assim como estávamos alimentando uma perigosa aventura cada vez que tornávamos mais forte nosso relacionamento.
O cigarro foi mais uma vez tragado quando, então, trocou de lábios. Minha tragada foi mais forte... Tensão...
Apagamos o cigarro. Os fracos raios de sol que, filtrados pelas frestas das madeiras da janela conseguiam penetrar no quarto, davam um colorido todo especial ao seu corpo. Eu amava aquele corpo...
Hoje nossos olhares iam mais longe...
Sem palavras nós dois nos entediamos e nos comunicávamos, fazendo dessa tarde a mais importante de todas.
Estávamos prontos para nos entregar um ao outro.
O receio de amassarmos e sujarmos nossas roupas fez com que delas nos livrássemos com cuidado. Foram colocadas por cima de um dos cobertores.
Estávamos nus. Livres das roupas e do mundo... Livres dos olhares invejosos e incriminadores... Livres...
Estávamos prontos para tudo, ávidos de fortes emoções, desejando nada menos do que o outro por inteiro!
Nossos olhares se olhavam, fundiam-se em um só. Nossas mãos tocavam-se levemente a medida que o corpo inteiro iniciava a procura do outro.
Em nossos outros encontros procurávamos evitar, a todo custo, atitudes que viessem a marcar o final de uma longa procura. Avançávamos sem que alcançássemos o termo final.
Hoje tudo me pareceu mais difícil. Nossos olhares olhavam-se diferente... Nossas mãos sentiam-se mais atraentes... Os corpos e as mentes desejaram-se demais para que uma voz do consciente conseguisse que recuássemos.
Era tarde. Lançamo-nos enfim ao domínio um do outro e os momentos que se sucederam foram alvos de expansão de sentimentos.
Sua pele muito macia, corpo bastante jovem; descobrimos aos poucos os prazeres mais escondidos... As regiões mais sensíveis, as emoções mais reais...
O tempo lutava contra nós! Avançava mais que o normal, levando tão bela tarde e trazendo o início da noite.
O escurecimento das frestas não nos perturbou. Estávamos agora lado a lado, mãos entrelaçadas, corpos se tocando levemente.
Havia sido a primeira vez que sentíamos a profundidade de um amor completo. Havíamos alcançado juntos os momentos de maior satisfação no amor. Sentíamos como se lançados fossemos em gigantescas ondas de um imenso oceano... Sentíamos-nos brincando em um veloz e inimitável balanço da natureza.
Foi a primeira vez que chegamos a tal ponto. Foi a descoberta do que sempre procurávamos. Foi o revelar de uma verdade escondida e proibida... Era o aparecer da vida... O surgir do amor... A descoberta do prazer...
A escuridão nos alcançou e acordamos desse sonho de olhos abertos. Era hora de estarmos longe dali! Chegara a hora de estarmos novamente juntos dos outros!
Um beijo prolongado ainda sobre os cobertos... Um abraço que se negava a terminar... Mas era chegado o instante da volta.
Vestíamos as roupas silenciosamente para tentar ouvir possíveis barulhos... Iniciamos a descida.
Os degraus pareciam, agora, diferentes. As portas e as paredes mais alegres e felizes... O medo normal de ser descoberto parecia não mais existir.
O próprio prédio aparentava ser mais novo e conservado... Mas na realidade tudo era como antes... Nós é que havíamos mudado...
Ao entrarmos na sala de jantar, a mesa já estava posta. Alguns olhares pareciam estar querendo dizer algo... Talvez fosse impressão... Talvez fosse verdade...
Mesa posta... Dois lugares vagos... Sentamo-nos. O ambiente era de festa... O jantar era de festa...
Da cabeceira veio o brinde. Brinde pelo meu aniversário. No centro da mesa, quinze velas se espetavam em um bolo...
Olhei em seus olhos... Seus olhos me olharam... Devemos ter corado, não sei... e jantamos...

Roberto Andersen (Londres, Primavera, 1977)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Harmonia Self-Mente-Cérebro

Entender a espiritualidade e sua ligação com a ciência é entender a mente humana e, consequentemente, entender essa complicadíssima obra de arte que nós chamamos de Ser Humano, cuja diversidade é tão grande quanto o número de indivíduos existentes.

 

Cada um de nós constitui uma individualidade: um SELF. Mas como explicar a diferença tão grande existente entre cada Ser Humano. Como explicar essa riqueza incomensurável de pequenas características de sentimento, de sensibilidade e de entendimento das emoções?

 

Somos formados de matéria e espírito. Será? Somos energia sintetizada em forma de matéria. Será? Somos matéria e reações químicas produzindo energia. Será? Será que pelo menos SOMOS alguma coisa?

 

Não vamos entrar pelos questionamentos de nossas origens, o que por si só já nos levaria a infindáveis questionamentos, vamos nos deter ao que somos para, mais tarde, quem sabe, tentar entender o “por que” somos...

 

Por milhares de anos estamos tentando encontrar soluções para as dúvidas e questionamentos sobre nós mesmos, invocando conhecimentos que já foram profundos e transcendentes, mas que, com o passar dos tempos, reduziu-se ao estudo empírico da matéria visível e analisável, possivelmente devido a incapacidade de visualização do universo exógeno que habita no interior de nossa própria mente.

 

Achávamos que entendíamos o ponto de vista de Descartes quando ele nos disse: "Penso, logo, existo". Mas ficamos surpresos com as evidências mostradas por Damásio quando ele retrucou: "Existo e sinto, logo, penso". E aos poucos nossas dúvidas vão aumentando, na medida em que os quânticos nos falam que: "Existo e não existo ao mesmo tempo, mesmo sem sequer pensar sobre isso!"...

 

Freud tentou nos entender... Criou uma estrutura topográfica que explicaria como somos: consciente, inconsciente e pré-consciente. O gênio, de repente, viu que não funcionava bem... Criou outra e a chamou de estrutural: ego, id e superego. Até hoje é esse o tripé que consideramos mais próximos do entendimento humano, explicando nossos impulsos e emoções.

 

Em nossos estudos nas áreas psíquicas e pedagógicas tentamos, inicialmente, o auto-entendimento para, a partir daí, extrapolarmos para o outro e assim para a humanidade. Mas não é fácil! Principalmente pelo simples fato de todos sermos diferentes.

 

"Se quisermos realmente entender a natureza da mente, temos que entender a natureza do cérebro" - foi o que disse Patrícia Churchland, professora de Filosofia da Universidade da Califórnia, em 2002, numa das reuniões da Academia de Ciências de Nova Iorque. Naquele encontro discutíamos a relação mente-cérebro.

 

"E para entender o Ser Humano e o seu SELF” – continuava ela: “temos que recorrer hoje, não só a filosofia, mas aos métodos analíticos mais modernos, passando pelos instrumentos de laboratório e pelas sofisticadas técnicas de imagem que, aos poucos, tentam fazer uma ligação entre o SELF - nossas paixões, nossas animosidades e nossos temperamentos - às conexões físicas e ao funcionamento fisiológico do cérebro."

 

Paixões, animosidades e temperamentos! Isso é a nossa mola mestra. Vivemos estimulados por tais sentimentos. Eles geram uma energia interior que nos impele a atitudes corajosas e arrojadas.

 

“...aquilo que nós nos tornamos e a personalidade que desenvolvemos é uma combinação da natureza - influência genética - e do meio - experiências que encontramos no decorrer de nossas vidas...", segundo Patrícia. Mas tudo isso exercendo uma influência definitiva no desenvolvimento dos circuitos neurais cerebrais que constituirão o nosso SELF, como se fossem a própria programação do nosso software cerebral, ou seja, uma montagem interior do nosso coeficiente de absorção cultural.

 

Essa programação apresenta parâmetros que distinguem, claramente, os agentes que estão sob nosso controle daqueles que estão fora de controle. Essa distinção tanto é realizada pelas organizações neuronais do hipotálamo, da amígdala e do córtex, como também pelos hormônios e neuromoduladores a nível molecular e também pelas proteínas sintetizadas ou absorvidas pelo organismo.

 

Essas descobertas mostram as bases biológicas da formação do consciente do Ser Humano e levaram nosso grupo a concluir que a ética, estudada segundo tais pesquisas, nada mais é do que o resultado de uma programação do software coletivo do Ser Humano a partir da influência educacional do meio.

 

Revisitando Aristóteles, Karl Popper (“O self e o cérebro” escrito em parceria com J.C.Eccles) e agora Richard Dawkins (O gene egoísta), constatamos que tudo isso pode agora ser explicado pelos memes, uma unidade de transferência cultural agindo sobre a mente coletiva de forma semelhante aos genes na biologia humana.

 

Os conceitos de Consciência Coletiva de Emile Durkhéim e os do Inconsciente Coletivo de Jung, embora muito diferentes, podem estar relacionados a essa influência memética hoje estudada a partir de Dawkins.

 

Joseph LeDoux, professor de ciência no Centro de Ciência Natural da Universidade de Nova Iorque, converge com as idéias de Patrícia dizendo que, ao contrário do que muitos genéticos afirmam, nem tudo o que é biológico é genético. A experiência de vida também é muito importante para modelar as conexões neuronais do Ser Humano. Mas tudo continua sendo entendido como uma programação de software (ou seja: memético) atuando por meio de direcionamento de ligações neuronais provocadas parte por influência da herança genética e parte pela influência do meio.

 

Antônio Damásio, Chefe de Neurologia da Universidade de Iowa, complementa que, todas essas influências formam nos Seres Humanos dois SELFS: um SELF central e um SELF expandido. O central está em permanente formação ou transformação, fruto da interação do organismo com o meio, quando são gerados os sensos de conhecimento imediato e requer apenas de uma memória muito simples de curta duração. O expandido constitui um processo mais complexo e é construído gradualmente pela memória autobiográfica, que tanto é influenciada pelas experiências passadas como pelas esperadas, o que requer a existência de uma memória mais convencional.

 

Todos falam de programações da mente, de estruturas químicas, de ligações neuronais, de determinismo genético, ou seja, de uma série de diferentes fatores que influenciariam a formação do caráter do Ser Humano e o seu conseqüente comportamento ético. É a era da ciência no determinismo comportamental da sociedade. Um determinismo previsível, criando uma consciência coletiva já pronta, independente de nossa vontade individual que, na realidade, talvez nem exista...

 

Mas acredito que procurar entender o funcionamento da mente deve ser apenas o primeiro passo antes de tentar interferir em sua formação. Esse, sim, deve ser o objetivo principal de tais estudos. Apesar de trabalhos terem sido apresentados procurando provar a imutabilidade do ser humano, temos absoluta convicção na possibilidade da modificação a qualquer momento.

 

Essa modificação já está sendo conseguida por diversos grupos que, assim como o nosso, trabalham para a reconstrução do caráter humano e do resgate dos verdadeiros valores da pessoa e da sociedade. São grupos e instituições religiosas, filosóficas, científicas e educacionais cujas contribuições já estão sendo sentidas em diversas partes do mundo.

 

A partir de 1999 diversos encontros tem sido realizado em todo o mundo na tentativa de reunir idéias que integrem os estudos do maior número possível desses pesquisadores. Isso tem contribuído para que as análises do Ser Humano fiquem cada vez mais facilitadas, principalmente daqueles que encontram-se em situação de extremos, como meninos de rua, presidiários, menores infratores etc...

 

Trabalhando em cima dessas idéias - muitas delas já publicadas em revistas especializadas e em anuários das Academias de Ciências – abriremos caminho para o entendimento da ciência da mente humana e da formação de seu conceito ético de uma forma um pouco diferente da tradicional e com excelentes resultados.

 

Sabemos que o ser humano pode ser formado por três diferentes instintos natos, que constituiria uma programação original, de fábrica. Esses instintos e o meio seriam os elementos formadores das três inteligências básicas. As múltiplas inteligências de Gardner e as características emocionais de Goleman seriam desdobramentos desses elementos básicos e fundamentais.

 

 

Os instintos são os elementos da programação original, todos de natureza completamente positiva, direcionados para:

 

1) instinto de preservação da própria vida

2) instinto de preservação da própria espécie

3) instinto de preservação da inteligência

 

As inteligências formadas a partir daí e com a influência do meio seriam:

 

1) inteligência interpretativa e racional

2) inteligência emocional

3) inteligência espiritual

 

Esses conceitos nos levam ao entendimento de que o Ser Humano, por pior que seja o comportamento e as emoções exteriorizadas, é de natureza perfeita, ou seja, sua programação original é pura e positiva. Nesse momento damos crédito a Rousseau: o homem nasce perfeito e a sociedade o corrompe.

 

A harmonia do conjunto é conseguida pela correta e balanceada formação das inteligências básicas em consonância com os três instintos natos.

 

A ética do Ser Humano e, consequentemente, da sociedade, seria produto do conjunto das três inteligências básicas, quando em harmonia com os três instintos natos.

 

A falta de harmonia, ou seja, a formação desbalanceada do conjunto, produzirá os conflitos interiores e com eles os estados de angústia e infelicidade.

 

Essa angústia e infelicidade trazem uma revolta interior. O fenômeno da projeção joga os motivos da infelicidade no outro e assim começam os comportamentos incorretos e a inversão dos valores.

 

Projetando a irritabilidade no outro e no meio, nasce a necessidade da vingança e da agressividade. O outro é o inimigo. A sociedade é negativa. O meio é intolerável. Mas, na realidade, o inimigo está dentro da pessoa e ali mesmo deve ser combatido.

 

O combate significa o desenvolvimento do amor, inicialmente por si mesmo para, a partir daí, compartilhar com o próximo e com a comunidade.

 

sábado, 20 de dezembro de 2008

Mais um "milagroso remédio" para combater "doenças imaginárias" e enriquecer laboratórios...

A Veja de 17 de dezembro traz uma reportagem de Adriana Dias Lopes, na página 100, intitulada "Arma contra um pesadelo". Esse pesadelo chama-se NARCOLEPSIA e é caracterizado pela compulsão ao sono durante o dia.

Muito boa a abordagem que Adriana Dias Lopes fez em relação ao uso da Modafinila (princípio ativo do Stavigile) para combater o sono das pessoas, principalmente quando encerra a matéria recomendando que “se você precisar ficar acordado, o melhor mesmo é recorrer ao café.”

Como se não bastasse o uso excessivo dos Prozacs, Lexotans e outros para substituir a nossa produção natural de endorfina e outros neurotransmissores, agora querem provocar a vigília por meio de mais química, com efeitos colaterais ainda desconhecidos.

Temos em nosso cérebro a melhor fábrica natural de antidepressivos naturais e sempre na medida certa sem qualquer efeito colateral!

Exercícios físicos freqüentes e na medida certa produzem toda a endorfina necessária ao prazer de viver , acompanhado de um verdadeiro analgésico natural.

Reflexões e meditações periódicas harmonizam as produções de todos os neurotransmissores,trazendo calma a todo o organismo.

E são exatamente essas atividades que desenvolvem em nosso cérebro o melhor conjunto anti-depressivo totalmente natural, reduzindo o stress e evitando a narcolepsia.

Fugir dos remédios e tratar nosso corpo com o respeito que ele merece afasta qualquer sintoma que possa estar sendo utilizado pelas multinacionais dos remédios para enriquecerem às custas da fraqueza emocional humana.

Os relatos que tenho recebido de dezenas de professores e psicopedagogos ligados ao nosso Instituto mostra o aparecimento, nas escolas, de um número cada vez maior de crianças e adolescentes já “rotulados” como hiperativos, disléxicos, esquizofrênicos, deficientes cognitivos e narcolépticos. O pior de tudo é que elas já chegam diagnosticadas e medicadas, fazendo uso de altas doses de remédios controlados, cujos efeitos colaterais alcançam, principalmente, a sua capacidade cognitiva.

Todas essas doenças existem de fato, mas o número de pessoas verdadeiramente acometidas é muitas vezes inferior ao número que é diagnosticado! E isso está causando um grande mal à sociedade!

Além dos constantes relatos que recebo dos professores e coordenadores que seguem o Projeto IUPE em uma série de países, recebi, eu mesmo, em nosso colégio sede, em Salvador, crianças diagnosticadas com algumas dessas anomalias e que, ao passarem pelo acompanhamento psicopedagógico não apresentaram qualquer sintoma dessas doenças! Todas apresentaram completa normalidade comportamental e algumas delas (surpreendentemente para os pais, mas não para nós) apresentaram uma capacidade cognitiva muito acima da média, podendo ser consideradas verdadeiras “superdotadas”, ou seja: aquela que apresenta uma elevada capacidade intelecto emocional integral segundo a visão de Gardner.

Exatamente por terem essa elevada capacidade cognitiva não conseguiam suportar as aulas repetitivas e desmotivantes dadas pelo professores tradicionais, que enfocam apenas o aluno normal, sem qualquer preocupação em apresentar desafios à altura dos alunos mais desenvolvidos. Devido a essa desmotivação constante eles desistem de prestar atenção as aulas e precisam ocupar o tempo levantando da carteira, jogando bolinha de papel nos colegas, correndo pela sala, irritando seus colegas e outras coisas mais... Como essas atitudes estão relacionadas nos manuais de TDAH como sintomatologia hiperativa, lá vai mais uma recomendação de Ritalina, 10mg pela manhã e 10mg pela tarde... para combater esse mal que não existe!

Casos semelhantes ocorrem com Gardenal sendo recomendado para crianças que preferem ler a jogar futebol... já que sua preferência pode ser encarada como “querendo se isolar de seus colegas...”

Agora chega mais um: o Stavigile! Para combater um mal que deveria ser encarado como conseqüência de todo um processo estressante a que nossos filhos e alunos estão sendo submetidos...

Parabéns, Adriana, por recomendar café ao invés dos produtos químicos! Melhor desconfiar mesmo dessas drogas miraculosas prometendo maravilhas e enriquecendo as multinacionais dos remédios.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Doenças X Falta de educação

Prezados amigos:

Um assunto que me preocupa é a destruição das mentes das crianças e adolescentes através da administração de medicamentos controlados em problemas simplesmente comportamentais.

As centenas de relatos que tenho recebido sobre o assunto me assustam muito! Tudo começa com os professores, coordenadores e psicopedagogos das escolas que, antes mesmo de esgotarem todas as metodologias psico-pedagógicas, encaminham os alunos para exames neurológicos com suspeita de TDAH e outras doenças...

Ora! O neurologista ou o neuro-pediatra só aprende a identificar as patologias a partir da sintomatologia apresentada e a aplicar os medicamentos adequados ao tratamento. Não cabe ao médico a aplicação de exercícios psico-pedagógicos preliminares para identificar, nesses sintomas, causas ligadas exclusivamente a má educação familiar ou a falta de dedicação individualizada do professor em sala de aula.

Assim sendo não é sua culpa a aplicação de medicamentos controlados em crianças que nunca os precisariam, podendo até serem vítimas de efeitos colaterais desastrosos com tenho encontrado com frequencia!

Cabe, sim, ao psicopedagogo na escola, essa identificação, para esgotar todas as metodologias e só encaminhar o aluno aos profissionais médicos quando houver certeza de que o problema não é simplesmente educacional.

Crianças e adolescentes com capacidade cognitiva muito acima da média e que, naturalmente, não "aguentam" ter que ficar em uma sala ouvindo o professor ensinar aquilo que já estão cansados de saber, acabam ficando ansiosos para sair da sala, jogar bolinhas de papel nos colegas, levantar toda hora etc..., sendo imediatamente "rotulados" como portadores de TDAH!

Quando esses meninos são encaminhados ao neurologista com tais sintomas acabam tendo que ser "tratados" com RITALINA, tendo início aí a destruição dessa sua capacidade cognitiva... Da mesma forma crianças e adolescentes com elevado grau de irritabilidade e agressividade em sala de aula, ou completamente isoladas do mundo à sua volta e que apenas precisariam que sua família passasse por uma psico-terapia (já que a causa está no péssimo ambiente em sua casa), acabam sendo levados a tratamentos semelhantes, como se fossem portadores de patologias psicogênicas, iniciando aí o seu processo de destruição das ligações neuronais que possibilitariam o seu sucesso intelectual futuro!

Para não "esticar muito" essa mensagem fico por aqui, informando que estou procurando divulgar para as escolas, para as famílias e para os profissionais de psicopedagogia, uma série de sugestões metodológicas, cada uma para ser aplicada pelo professor de uma disciplina, de forma que tais "anomalias comportamentais" sejam inicialmente tratadas na própria sala de aula e em casa, antes que as identifiquemos enganosamente como patologias neurológicas ou psiquiátricas!

Vou, aos poucos, divulgar algumas dessas idéias, solicitando que todos contribuam com sugestões e assim evitemos mais destruição de inteligências futuras.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Afetividade adolescente

Foi providencial o artigo de Márcio Ferrari na Nova Escola de dezembro, lembrando idéias de Winnicott sobre a brincadeira e a criatividade, num momento em que pais e professores se esquecem dessa realidade, principalmente quando essa criança já alcança a puberdade e passa a ser encarada como um quase adulto!

É primordial o afeto, o controle e o respeito durante a educação da criança, mas isso passa a ser mais importante ainda no momento em que essa criança se torna um adolescente, que é o período em que as mudanças naturais trazem conflitos dificílimos e, para piorar as coisas,  sua capacidade intelectual cai a níveis baixíssimos.

 Exatamente nesse momento os pais começam a abandoná-los, alguns com a desculpa de que eles não admitem mais controle e não gostam de muita afetividade. Mas, na realidade, eles querem e precisam tanto da afetividade como do controle, mas não têm escolha, já que a mãe perde a coragem de ouvir os segredos da filha e o pai acha que o filho, sendo homem, já sabe tudo da vida e não precisa de sua ajuda.

Professores e pais transformam esses adolescentes em adultos antes do tempo, induzindo-os a largar as brincadeiras juvenis e a pensar como eles, em família, em trabalho e em sexualidade, sem que estejam no momento certo para assumir tais responsabilidades.

A mídia enfatiza apenas o namoro e a prevaricação, abandonando qualquer referência a jogos e brincadeiras para essa idade, eliminando totalmente as opções de lazer e ludicidade. Sobram apenas os jogos nos computadores e vídeo-games, elementos que ajudam no desenvolvimento da velocidade de raciocínio, se limitado em uma hora por dia, mas que trazem danos graves e definitivos na capacidade de raciocínio futura, quando excedido esse limite.

Esses adolescentes "precocemente adultecidos" criam um "self" totalmente falso, construindo uma personalidade ansiosa e angustiada, cujas conseqüências podem ser desastrosas para eles e para seus pais. A falta da criatividade proveniente da falta de brincadeiras, jogos e diversões, somada a ausência de afetividade e controle, provoca o nascimento de distúrbios emocionais graves e a conseqüente procura por "tribos" que os acolham.

Surgem, então, as drogas, a banalização da sexualidade, a revolta social e a agressividade, que são apenas algumas dessas conseqüências, fruto da busca por alguém ou algum grupo que o ampare nesse período de necessidade afetiva insatisfeita.

A solução está no oferecimento de opções prazerosas e construtivas: opções de jogos ao ar livre, preferencialmente vôlei, basquete e natação, que alongam, satisfazem a liberação de energia e acalmam; opções de jogos de mesa e tabuleiro, preferencialmente xadrez, que junta a ludicidade com o estímulo ao desenvolvimento do raciocínio lógico (hemisfério esquerdo cerebral); opções de passeios por parques, zoológicos e campos, provocando o contato com a natureza e o despertar da mentalidade social e ecológica; opções de idas a teatros, exposições de arte, apresentações de orquestras e espetáculos de dança, estimulando o hemisfério direito cerebral e facilitando a harmonia intelecto-emocional e criativa.

Tudo isso é possível e eu digo mais: é nossa obrigação, como pais e professores. Afinal ninguém, além de nós (nem governo, nem mídia, nem ninguém), está interessado em formar cidadãos verdadeiramente felizes e satisfeitos consigo mesmos e, conseqüentemente, livres de ansiedades e angústias.

Não estão interessados porque tal tipo de gente não dá o lucro consumista que o sistema necessita. Esses consomem apenas o que realmente precisam, mas nunca para compensar uma angústia sem sentido...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Libido e ludicidade (comentário baseado nos estudos da Psicopedagoga e Psicanalista Maria da Penha Rocha

O comentário que recebi da Psicanalista e Psicopedagoga Dra Maria da Penha Rocha veio levantar pontos que devem ser analisados com bastante atenção, principalmente para aqueles profissionais que, ligados à educação, perseguem verdadeiros objetivos ligados à transformação social.

Em seus estudos Penha defendeu a LIBIDO como sendo a ENERGIA VITAL mantenedora das funções orgânicas.

Quando o assunto é criança "...a palavra já nos fala de ingenuidade, brincadeira, ludicidade; um ser cuja formação fica norteada por adultos, na grande maioria com má formação e conflitos não resolvidos..." (Penha, outubro/2008)


Vejam o imenso desafio encontrado por esse pequeno ser em formação! Os responsáveis pelo direcionamento de seus caminhos estão perdidos em seus próprios caminhos, se é que alguma vez souberam que existem caminhos a definir. Muitos acham que é só deixar-se levar... embalados pela musicalidade ambiente pornorepetitiva, eliminadora de qualquer possibilidade raciocínica (sem querer enfatizar a parte cínica do raciocínio...)


Esses elementos adultos "...esqueceram ou esquecem que o adulto tem uma criança esquecida dentro de si mesmo, uma criança interior, um ser que precisa continuar se externalizando para que ele se permita ter um melhor relacionamento com os pequenos que estão sob sua responsabilidade." (Penha, idem)


O mundo exterior repleto de propagandas consumistas e inversoras dos verdadeiros valores humanos responsáveis pela construção da felicidade elimina do adulto a possibilidade dele se lembrar que um dia foi criança.


Ao impossibilitar que pense um mundo sem maldades ou sem segundas intenções (as letras das músicas estão aí para enfatizar essa manipulação negativa da mente adulta) o adulto esquece seu lado ingênuo e infantil.


E todos sabemos que "Um adulto que conhece seu lado criança, sabe lidar bem e melhor com crianças." e que "É óbvio que essa ludicidade deve acompanhar todo o desenvolvimento do ser humano." (Penha, idem)


Embora seja difícil saber exatamente onde estão os pontos básicos para o correto desenvolvimento do caráter da criança, a não ser que seja feito um estudo profundo das fases de desenvolvimento analisadas por Freud, Wallon, Erikson e outros pensadores da área, a naturalidade e o amor (lembre de incluir limites) ajudam no acerto.

Mas essa naturalidade, amor e limites só acontecem se estamos desligados de nossas possessividades, sendo pais, e de nossos orgulhos de competência, se somos professores, trazendo a criança para o primeiro plano de nossas atenções e dando a ela o amor verdadeiro que ela precisa desde o nascimento até o final da adolescência. Sim! Até o final da adolescência, porque a fase mais carente é exatamente a fase que inicia aos 12 ou 13 e só termina após o ciclo da puberdade completo!

Rousseau já dizia embora haja controposições de outros pensadores, que a
criança nasce e se desenvolve perfeita e a sociedade é que a destrói. Mais do que isso ela "...cresce e se desenvolve naturalmente sem conflitos e com integridade psicofísica, num desenvolvimento intelecto-emocional equilibrado e correto, com o foco fora da energia libidinal retirada do sexual para a energização vital, orgânica, promovendo um desenvolvimento à criança como um ser integrado e cuja consciência desperta à medida que recebe estímulos, informações e conhecimentos adequados, elaborados e passados por ensinantes pacientes, flexíveis, mas firmes: formadores de personalidades e de caráter." (Penha, idem)

Quando Penha toca nesse "ensinantes pacientes, flexíveis, mas firmes: formadores de personalidades e de caráter" eu tremo nas bases!!!!! Esse é o nosso maior desafio! Como convencer aos pais e aos professores que eles têm a obrigação de serem esses ensinantes que Penha evidencia em seu texto? Alguns até são pacientes, mas pecam pela falta de firmeza. Outros são excessivamente firmes, mas intolerantes e sem paciência. Uma parte é totalmente inflexível, com medo de estar sendo fraco ou estar demonstrando incompetência!

Mas temos a obrigação de buscar essa competência a cada dia e ajustar nossos procedimentos na medida em que descobrimos mais uma nossa falha. Exatemente por isso que a humildade deve ser o nosso ponto de partida. Ouvir muito. Procurar lembrar de nossos encontros com nossos educandos. Procurar opiniões de quem possa assistir nossas aulas. Procurar usar toda tecnologia existente para observarmos nossos defeitos.

A humildade é a base maior de todo esse caminho na direção do acerto. Sei bem disso porque necessito dela a todo momento. É comum para mim, depois de passar anos e anos estudando e pesquisando um determinado assunto muito complexo, discutindo esse assunto com outros cientistas da mesma área e chegando a conclusões que me pareceram brilhantes, encontrar uma pessoa comum, sem qualquer tipo de formação acadêmica, apenas um curioso, que me traz uma informação muito mais importante e muito mais correta do que muitas das conclusões a que eu havia chegado com meus estudos e pesquisas! Isso é fantástico quando estamos abertos ao diálogo e, principalmente quando estamos abertos a ouvir ativamente alguém.

Em um outro momento lembro-me do dia em que, depois de ter desenvolvido todo um planejamento de exercícios de valores humanos para o meu projeto educacional, alguém me apresentoou a Diane Tillman, em Nova Iorque! Ao tomar conhecimento de seu trabalho praticamente "joguei fora" tudo o que eu havia preparado e adotei suas obras, hoje utilizadas em todo o sistema IUPE, na parte de valores humanos.

Mas voltando ao comentário sob libido e ludicidade concordo completamente com Penha quando ela diz que: "o que leva as meninas manter a atenção no seu oposto, é o fato de que as informações recebidas na escola, não encontram ressonância em suas casas. Infelizmente não estou nem me referindo em seus lares, porque a maioria não considera sua casa, um lar. Um pouco de conversa com elas, nota-se que o outro lado da ponte lúdica não existe em seus lares ou nunca existiu. É como se elas, existissem em dois universos diferentes." (Penha, idem)

Essa realidade é terrível, mas é um fato! A evolução biológica está se dando mais rápida e por isso os pais estão abandonando a criança e vendo a filha como uma mulher miniatura ou é exatamente essa visão deturpada dos pais que está apressando a evolução biológica sem qualquer preparo amocional?

O desafio lançado por Penha é muito interessante: "...quantas meninas brincam ou brincaram de casinha de bonecas. (?)Quantas foram incentivadas pelos pais a buscar o seu lado lúdico naturalmente. (?)" (Penha, idem)

Comentei que Freud abandonou a fase de latência porque para ele quando não há sexo, não há interesse de estudo... uma licenciosidade psicanalítica minha, é claro, já que não posso deixar de assumir que não existe ainda maior gênio que Freud no entendimento humano!

Muito embora sua tia, em uma conversa íntima depois que ele se queixava do abandono de seus amigos (Jung e outros) disse-lhe: Sigmund, seu mal é você não saber entender as pessoas! Uma declaração dessas dirigida a Freud parece piada!!!! Mas a tia tinha lá suas razões...

Pesquisando a fundo as entrelinhas freudianas encontramos exatamente o que Penha alerta: "...nessa fase pode-se transformar INSTINTOS E MÁS FORMAÇÕES INFANTIS, JUSTAMENTE POR ESTAR A ENERGIA LIBIDINOSA SUSPESA." (Penha, idem)

Infelizmente, como também Penha concorda, essa fase não é mais LATENTE... A mídia consumista e incentivadora de antivalores transformou essa fase em FASE DA SENSUALIDADE, transformando momentos que deveriam estar dedicados exclusivamente ao lúdico e ao intelecto, quando a criança está em seu momento máximo de potencialidade intelectual, em momentos de sensualidade no vestir, no dançar, no expressar-se, no oferecer-se, estimulando, inclusive, a proliferação de personalidades pedófilas de oportunidade.

Na cultura bem representada por Thomas Mann em seu clássico "Morte em Veneza", transcrito para o cinema por Luchino Visconti, a paixão pedófila irresistível evidenciava um transtorno sexual bem claro no personagem, uma vez que o menino, embora muito bonito, evidenciava uma beleza infanto-juvenil transbordando de ingenuidade.

Hoje o comportamento, a forma de se vestir (ou de se despir) e as atitudes dos meninos e meninas, influenciados pela sociedade repleta de antivalores, dispensa a necessidade de um elevado grau de transtorno psíquico, estimulando o interesse sexual onde ele não deveria existir.

Nosso trabalho, então é estimular a ludicidade e apresentar todas as opções possíveis para que ocorra, naturalmente e no momento certo, o correto desenvolvimento intelecto-emocional da criança, eliminando os apelos sensualizantes que deturpam toda a construção do caráter nessa fase de latência assim como nas demais.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Crianças e sexualidade

Tenho percebido, por meio dos resultados de nossas pesquisas "in loco" (ou seja, diretamente com as crianças em sala de aula e a partir dos relatos dos professores e psicopedagogos responsáveis pelos grupos), que respeitando as fases de desenvolvimento da criança e do adolescente em função não exatamente da metodologia freudiana, mas mesclando suas observações libidinosas com as observações de Wallon e de Erikson, teremos resultados maravilhosos em termos de desenvolvimento harmônico intelecto-emocional.

Isso nos leva a perceber que nas escolas em que o lúdico é enfatizado em todas as aulas e intervalos, transformando pesquisas em prazer e, inclusive usando metodologia científica adequada aos primeiros anos escolares, provoca a criação uma mentalidade científica prazeiroza nas crianças, fazendo com que as percepções de diferenças sexuais passem a ser muito mais naturais e bem incorporadas.

Estar em estado de ludicidade traz benefícios espetaculares para a harmonia intelecto-emocional e elimina a necessidade da mente estar buscando a libido para satisfações inadequadas e de forma muito precoce.

Antes viamos nossos professores e coordenadores preocupados com a sexualização precoce das meninas, principalmente elas. Sugeri, então, aos professores de educação física, que estudassem em livros antigos, brincadeiras juvenis e de quadra etc... para ensinar em suas aulas.

De início muitas meninas não queriam por acharem bobagem. Mas na medida em que viam o prazer estampado na cara das que estavam nas brincadeiras, todas passaram a se integrar ao movimento.

Na escola do Largo do Tanque quem fez isso foi o professor Jader, a partir de um livro que a sua namorada possuia, descrevendo tais brincadeiras. O resultado foi também muito bom, embora tenhamos encerrado essa experiência devido a sua tranferência para uma escola do interior do estado.

A partir dessa atividade a atenção das meninas, que atualmente está totalmente direcionada a meninos, passasse a ter um universo mais abrangente. Também as aulas de educação sexual passaram a ser mais tranquilas e com menos ansiedades.

Outra coisa muito importante que percebemos na observação das aulas voltadas para a sexualidade em Educação Infantil foi que os meninos nas fases iniciais estão procurando respostas muito mais