quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Resposta a um comentarista anônimo

Num comentário sobre um artigo sobre o cérebro humano e a inexistência do tempo, um anônimo disse:

"De qual tempo você está falando, do psicológico ou físico?
Como você pode dizer que dois eventos são ou não simultâneos se tempo não existe? é o mesmo que dizer que dois corpos estão no mesmo lugar, mas espaço não existe...
Na minha opinião, uma teoria só é boa o bastante se é válida sempre e para tudo, sem qualquer contra exemplo, daí eu te pergunto como você explicaria a deformação espaço temporal devido à presença de um corpo massivo? Como o tempo, assim como a massa e o espaço, são compreendidos da mesma forma nas transformações de Lorentz? Por fim, como você explica o fato da teoria da relatividade inserir o tempo como mais uma dimensão da nossa existência? Ou seja, vivemos num mundo de 4 dimensões, e não de três.
Se tempo não existir, então o GPS não poderia funcionar (são nesessárias correções levando em conta a teoria da relatividade geral, por exemplo). Conclusão: trata-se no artigo acima do tempo psicológico, e não físico!" 

Aqui vão algumas considerações:
Quanto à pergunta (tempo psicológico ou físico) o que o autor se refere é o psicológico. Aquela impressão de que o tempo não passou ou a impressão de que ele voou!
Sem dúvida falar de eventos simultâneos na inexistência temporal seria uma redundância. Todos os eventos serão simultâneos havendo essa inexistência.
Sua declaração de que “uma teoria só é boa o bastante se é válida sempre e para tudo, sem qualquer contra exemplo” me leva a entender que você considera a inexistência de teorias, certo? Digo isso porque até hoje, em todos os estudos que tenho feito, todas as grandes teorias foram invalidadas mais tarde a partir do aparecimento de novas premissas ou da descoberta de novas variáveis.
Um bom exemplo é a física newtoniana que, embora estudada em todos os cursos de física em todas as escolas e universidades, já é sabidamente incorreta em muitos de seus aspectos.
Outro exemplo constantemente em mutação: as teorias de formação do universo.
“As “verdades” que obtemos como a lei da gravitação universal de Newton ou a teoria de relatividade de Einstein, apesar de brilhantes, funcionam apenas dentro de certos limites.” (pg. 25 de Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código da Natureza. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010, de Marcelo Gleiser). E todas são teorias científicas!
Exemplos de teorias que poderão sofrer mudanças: aspectos da teoria da relatividade de Einstein. João Maqueijo, por exemplo, um dos físicos de grande proeminência nas pesquisas atuais, Cientista português radicado na Inglaterra, defende a ideia da velocidade da luz variável e prova isso por meio de teorias da física teórica, mas ainda sem comprovação na física prática. E pelas teorias de Einstein a velocidade da luz é constante.
Quanto ao tempo ser considerado a quarta dimensão, isso realmente é uma prática utilizada por diversos estudiosos. Polêmico seria dar uma opinião conclusiva nesse assunto, já que a própria ciência continua com resultados diferentes, contrários e contraditórios em diversos trabalhos, sejam eles teóricos ou práticos.
Considerando o tempo uma existência, podemos considerar as dimensões em que vivemos com ela (quarta) ou sem ela. Mesmo assim não vivemos em um mundo com três dimensões. Hoje sabemos que existe a possibilidade de estarmos em um mundo de, no mínimo, nove dimensões. O desafio científico é provar essa realidade em laboratório, já que teoricamente existe essa conclusão.
Cada uma das suas outras perguntas deve servir como elemento instigador das pesquisas que concluiram por algo incompatível com elas. Mas sabemos que a ciência funciona assim. Observamos o fato. Analisamos o fato em todos os aspectos que pudermos no estágio atual da nossa tecnologia. Criamos, então, uma teoria para esse fato. O problema é quando alguns cientistas, após elaborarem uma teoria, teimam em considera-la verdadeira para sempre e para qualquer condição. Isso não existe.
Lembre que “(...) não podemos ter certeza se nossas extrapolações estão corretas – e cientistas não deveriam afirmar o contrário – até termos confirmação experimental.” (pg.24 de Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código da Natureza. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010, de Marcelo Gleiser).
O GPS funciona. É fato. Não podemos negar fatos, mas tentar entender se estamos usando uma teoria inadequada para explicá-lo. Então o GPS não parará de funcionar porque o conceito de tempo que utilizamos está errado. A maçã continua caindo da árvore e muitos estudiosos continuam sem ter dúvida nenhuma das razões que a levam para baixo! Mas muitos cientistas ainda não conseguiram entender as razões reais da existência da força da gravidade! Serão eles “burros”? Ou existe, realmente, alguma dúvida a respeito?
Não podemos abandonar uma teoria só porque ela não funciona para explicar alguns fatos. E também não podemos achar que para ser uma teoria válida precisa de comprovação prática. Até hoje a ciência usa o BOZON DE HIGGS e até hoje ninguém descobriu se ele existe mesmo!
Como disse Marcelo Gleiser: “(...) o que importa não é chegar a verdades absolutas, mas ao conhecimento.” Afinal, verdades absolutas estão longe da nossa capacidade de entendimento, mesmo que sejam bastante óbvias! E isso me faz lembrar uma aula que dei sobre humildade, em nossa escola, quando um aluno me perguntou se um cientista, com todo o seu conhecimento, pode ser humilde. Ao que eu respondi: A humildade verdadeira chega exatamente quando o conhecimento começa a se transformar em sabedoria. Enquanto estamos no início do caminho tudo, para nós, é certeza absoluta e contestamos quem nos contradiz. Quando o conhecimento começa a tomar forma é que “caímos na real” e vemos que precisamos das teorias e das conclusões, mas que temos que estar prontos para mudá-las a cada momento em que novos conceitos e novas premissas aparecem.

sábado, 17 de abril de 2010

MUDANÇA DE ENDEREÇO

MUDEI DE ENDEREÇO:

robertoandersen.wordpress.com

quinta-feira, 15 de abril de 2010

CURSO TRANSFERIDO

TRANSFERIDO PARA O SÁBADO DIA 24/04 O CURSO DE ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO E TREINAMENTO PARENTAL DEVIDO A PREVISÃO DE FORTES CHUVAS

domingo, 11 de abril de 2010

Idade do amor, da experiência e da felicidade

"Teve um dia aí" que completei sessenta anos... Nem me lembro direito quando, mas isso é o que menos me interessa... Afinal nunca consegui me sentir inserido num rótulo restrito, seja ele faixa etária, círculo social, nacionalidade, regionalismo, meio cultural ou qualquer outro.
Quando viajo para a Inglaterra, Coréia do Sul, Estados Unidos ou qualquer outro país me sinto como se estivesse em Niterói ou em Salvador, ou seja: em casa!
Quando converso com meus empregados sinto-me como se vivesse em seu próprio meio cultural, compartilho das suas idéias, vivencio suas histórias.
Quando faço um debate com meus alunos sinto-me como se fosse da sua idade, sentindo as mesmas emoções e compartilhando os mesmos sentimentos.
Mas há momentos em que surgem as reflexões, principalmente aquelas referentes ao "passar do tempo".
É nesses momentos que minha auto-estima se eleva tanto que nem tenho como evitar e exagero da felicidade!
Há pessoas que comentam: "Eu era feliz e não sabia". Eu já digo o inverso: "Nunca fui tão feliz como agora".

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Felicidade existe?

Para quem costuma se deliciar com as palavras de Nietzsche fica fácil ligar as angústias do homem à interminável busca pelo exercício do poder.
A natureza dessa busca, segundo Nietzsche, já está inserida em cada uma das células humanas, todas sempre ávidas pelo exercício desse poder dentro de cada parte do organismo ao qual pertencem.
Da individualidade de cada uma dessas células essa ânsia é transmitida para a totalidade do corpo, sob o orquestrado domínio da mente.
E o homem busca obter a sua satisfação através do exercício do poder.
Mas o homem nem sempre percebe que o poder, sozinho, não é suficiente para trazer sua verdadeira felicidade. Essa exige a satisfação completa ou, pelo menos, o encontro do caminho da sua verdadeira satisfação.
Sem essa percepção o homem busca e alcança o poder, encontrando, com ele, satisfações pontuais que lhe trazem uma falsa sensação de felicidade.
Surge o sucesso material e financeiro; surgem amigos e amantes por conveniência; surgem paixões arrebatadoras, cujo prazer consiste apenas em estar junto do poderoso ou usufruindo de seus recursos materiais e financeiros; mas surge mais forte do que tudo isso, um vazio angustiante, maior que o vazio da falta de poder, já que agora não são encontrados, com facilidade, os seus motivos.
É esse vazio que dá ao homem a sensação de incompletude e que ele vai procurar saciar com a busca de mais poder, mais dinheiro, mais ações exibicionistas, um novo carro, uma nova amante, drogas e mais tentativas frustradas de demonstrar uma felicidade enganosa e inexistente.
Esses poderosos acreditam que o que sentem é felicidade, embora não passe de alegria temporária. Essa falsa felicidade está tão frequente em nossos dias que é comum encontrarmos pessoas que desacreditam a existência da verdadeira.
Um grande escritor, de sucesso mundial, respondeu a um repórter que "(...) felicidade não existe. Existem momentos de alegria (...)". Um doutor em filosofia conversando sobre felicidade me disse que "(...) ser feliz é acomodar-se ao sofrimento (...)". Por que tanta gente desacredita na felicidade? A razão é simples: nunca a encontraram.
Se o homem não se torna feliz pelo exercício do poder isso significa um erro de Nietzsche?
Nada disso. Nietzsche estava certo. O poder é uma necessidade desde a formação da primeira célula no embrião que se tornará um ser humano. Mas esse poder tem que estar lado a lado com outra necessidade básica do homem, que é o amor.
O poder sem o amor pode levar a neuroses, patologias psicossomáticas e até anomalias psicogênicas.
O amor sem o poder pode levar a tristezas, acomodações, decepções e estados depressivos.
O homem precisa, então, montar seu alicerce intelecto-emocional em bases sustentadas pelo poder e pelo amor, que são os elementos imprescindíveis ao exercício da verdadeira liderança.
Só com o exercício dessa verdadeira liderança o homem pode se sentir satisfeito, porque é quando estão envolvidos amor e limites no relacionamento entre pessoas.
Mas esse amor deve ser criado, primeiro, dentro de si mesmo. O processo é simples, pois, afinal, o amor está em cada um dos valores humanos como se fosse uma de suas principais células. Desenvolver cada um deles significará alimentar e fazer crescer o amor interior.

Primeira etapa - Momentos de Reflexão

Para quem ainda não pratica a meditação ou a reflexão, basta escolher um momento de seu dia para "mergulhar" dentro de si, desligando-se do mundo exterior, preferencialmente num ambiente agradável, com uma música lenta apropriada.

Segunda etapa - Resgate do Valor Humano do dia

Nesse momento procure visualizar frases ou imagens que representem o valor que você está resgatando. Procure sentir, virtualmente, o prazer de praticar esse valor e o bem que ele faz a seu estado emocional. Você pode escolher o valor observando, por exemplo, a sequência sugerida pelo IUPE, já que nesse caso até nossos alunos podem sugerir temas, frases e imagens.

Terceira etapa - Pratica do valor escolhido

Planeje pensamentos e atitudes vivenciando o valor resgatado. Coloque em prática essas ações. Cada vez que esse processo for realizado a pessoa estará aumentando a intensidade de seu amor interior e começa a estar pronto para compartilhá-lo com as pessoas e com o mundo. Lembre de vivenciar sentindo, de verdade, o prazer do exercício daquele valor.

As pessoas, ao exercitarem essa vivência, começam a irradiar a energia da felicidade. Essa energia nada mais é do que sentir o prazer de cada emoção positiva que estiver transmitindo. E esse prazer, uma vez experimentado, passa a fazer parte da vida de cada um de nós.

Felicidade, então, não é um objetivo final, mas uma forma de caminhar pela vida. Ela existe e está disponível para cada um de nós. Basta querermos!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pulseiras do sexo

Iniciado o ano escolar verifiquei que uma grande parte das meninas estava utilizando as pulseirinhas coloridas do sexo. Todas diziam a mesma coisa: "eu sei o significado, mas uso porque acho bonitinhas..."

A bijuteria polêmica, hoje utilizada por grande parte das meninas, está servindo apenas para mostrar o caminho que as famílias estão apontando para suas filhas seguirem. Mais tarde, quando constatarem o erro cometido, esses pais vão culpar a todos: mídia, sociedade, televisão... mas nunca assumirão que a maior parte da culpa é deles mesmos, por terem se descuidado totalmente da educação correta, dos limites e da afetividade que evitaria toda e qualquer atitude de revolta ou de preenchimento de carências...

A bijuteria é composta de pulseiras coloridas, cada cor significando uma atitude que a menina se compromete a realizar com o rapaz que a arrebentar. Ou seja: ela nem precisa mais se preocupar em "paquerar" ninguém. Ela apenas anda com as pulseiras para que qualquer rapaz interessado arrebente aquela que significa o ato que ele deseja realizar com ela.

Como a maioria das escolas já está proibindo o uso dessas pulseiras, as meninas estão mudando as formas delas, mas sempre com os mesmos significados, ligados às suas cores.

Para os pais desavisados aqui vai o significado das "ingênuas pulseiras":

Amarelo: dar um abraço no rapaz
Laranja: dentadinha do amor
Roxa: beijo de língua
Cor-de-rosa: mostrar os seios
Vermelha: fazer lap-dance
Azul: fazer sexo oral no rapaz
Verde: chupão no pescoço
Preta: fazer sexo
Dourada: todas as opções

No "A Tarde" de quinta feira passada é apresentada a reportagem sobre uma menina de 13 anos, em Londrina, no Paraná, que, segundo o jornalista, foi estuprada por quatro rapazes, três menores e um com 18 anos.

Ela estava no ponto de ônibus usando as pulseiras quando quatro rapazes apareceram, romperam sua pulseira de cor preta ou dourada e cobraram: "Vai ter que pagar, vai ter que pagar" e, ainda segundo o jornalista, foi "constrangida" a ir a casa de um deles.

Esse é exatamente o acordo tácito que está sendo feito entre as meninas que utilizam tais pulseiras e todos os rapazes que tenham algum desejo sexual para com elas. Esses rapazes apenas cumpriram o que ela estava desejando de forma clara, a menos que ela não soubesse o significado do que estava fazendo. Mas ela mesma relatou que sempre soube o seu significado.

Segundo o delegado que acompanhou o caso, a menina foi para casa de um deles e, durante o ato sexual com dois, tentou resistir, sofrendo escoriações pelo corpo, mas isso depois de estar lá. Os meninos estão na Vara da Infância e Juventude e o que completou 18 anos está indiciado por estupro.

O termo "estuprada" está juridicamente correto, já que a lei não considera a possibilidade de uma menina com menos de quatorze anos ser a responsável pelo ato sexual, mesmo o tendo provocado. Ela é considerada legalmente ingênua... Mas o caso merece uma atenção especial, não jurídica, porque a lei é clara, mas moral. Será que os meninos são realmente culpados de algum tipo de crime (juridicamente não há dúvida) ou será que eles estão sendo levados a isso por provocações cada vez mais claras, a todo momento e em todo lugar?

Na maioria dos colégios os meninos estão sendo insistentemente provocados pelas meninas, não só com o artifício das pulseiras, mas também com outras atitudes, algumas bem claras e outras mais disfarçadas.

A necessidade dessas provocações deve-se ao fato de que a maioria dos meninos gosta e se dedica muito aos jogos, esportes, leituras, estudos e, de vez em quando, também às meninas.

No caso da maioria das meninas, temos observado que a dedicação está sendo quase que exclusivamente aos meninos...

Então, para provocar mais ainda, os meninos que resistem estão sofrendo uma espécie de bullying, sendo "tachados" de gays. Aqueles que não querem ser vistos dessa forma preferem fazer o jogo delas e levar adiante a provocação.

Nas dependências das escolas elas se sentem seguras em relação às consequências mais graves, como o ocorrido com a menina do Paraná, mas mesmo assim não deixam de usar o mesmo artifício no caminho de casa, abrindo espaço para o ocorrido em Londrina.

A Justiça de Londrina proibiu a venda e o uso de tais pulseiras e, caso haja reincidência no uso, os pais poderão ser punidos por crime, com pena de quinze dias a seis meses de detenção. Ou seja: os pais estão tão desligados de suas funções orientadoras e limitadoras que a justiça terá que puni-los para que aprendam a educar suas filhas. Que maravilha...

Eu puniria, sim, os meninos, mas para que eles aprendessem a evitar relacionamentos inseguros com meninas sem que saibam a procedência, seus costumes e seus relacionamentos anteriores, por menos idade que possa ter.

Mas puniria com muito mais dureza os pais da menina, por estarem contribuindo para a criação de mais uma futura mulher infeliz e eternamente insatisfeita. Essa futura mulher infeliz será a consequência natural desse descaso dos pais com a sua educação ou, quem sabe, a tradicional "falta de tempo" para cuidar de seus filhos... Afinal o dinheiro, o trabalho e o lazer são muito mais importantes do que "educar filhos"... Deixa essa coisa para as escolas... Afinal estamos pagando para isso... As escolas que "se virem"...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Curso de Acompanhamento Pedagógico e Treinamento Parental

Todas as informações sobre o curso estão em:

http://iupe.webnode.com/novidades/

Participe do curso de "Acompanhamento Pedagógico e Treinamento Parental", que será ministrado pelo Professor Roberto Andersen, em nove (9) encontros mensais, a partir de 20 de março de 2010, sempre das três às seis horas da tarde, na sede do IUPE em Salvador. Todos os que tiverem mais de 75% de presença receberão Certificado de Participação. Todos os temas a serem debatidos são baseados no livro "Afetividade na Educação – Psicopedagogia", de autoria do palestrante.

Inscrições por E-mail (iupe@iupe.org.br) ou pelo telefone (71) 3389-8232.

Os encontros serão sempre aos sábados, das 15 às 18 horas, nas datas abaixo especificadas:

a) Março – sábado, dia 20, das 15 às 18 horas.

b) Abril – sábado, dia 17, das 15 às 18 horas.

c) Maio – sábado, dia 15, das 15 às 18 horas.

d) Junho – sábado, dia 19, das 15 às 18 horas.

e) Julho – sábado, dia 17, das 15 às 18 horas.

f) Agosto – sábado, dia 14, das 15 às 18 horas.

g) Setembro – sábado, dia 18, das 15 às 18 horas.

h) Outubro – sábado, dia 16, das 15 às 18 horas.

i) Novembro – sábado, dia 13, das 15 às 18 horas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ciclo de debates IUPE 2010

Está iniciado o Ciclo de Debates IUPE 2010.

Como participar:

1. Sugestão de temas: Mande uma mensagem por e-mail para mim (robertoandersen@gmail.com) sugerindo temas.

2. Envio de opiniões sobre o tema: Envie sua opinião, sua crítica ou seu comentário sobre o tema entrando em nosso site (www.iupe.org.br) e clicando em FORUM.

3. Crítica, sugestão ou comentários sobre as opiniões dos debatedores: Mande também pelos mesmos canais as suas críticas, sugestões ou comentários sobre as opiniões dos debatedores.

Temas já agendados:

1º tema IUPE 2010: DEUS EXISTE?

Apresentação do tema:

Cada pessoa em nosso planeta nasce e é criado em uma cultura diferente. Mesmo em culturas semelhantes o processo de criação (educação) provoca, no educando, o surgimento de idéias próprias, sempre com base no que aprendeu e no que observa do mundo à sua volta.

Aos poucos, na medida em que esse indivíduo cresce, as pessoas vão reunindo informações que reforçam os conceitos que aprenderam ou então que trazem dúvidas para esses mesmos conceitos.

Muitas vezes esse indivíduo cria uma convicção própria sobre um determinado assunto, mas essa sua conclusão não coincide com o conceito aceito pela maioria dos integrantes de sua comunidade.

Isso, muito frequentemente, faz com que o indivíduo "anule" sua convicção, para evitar ser visto como o único diferente do grupo social a que pertence, embora, em alguns casos, estimule-o a lutar pelas suas idéias, mesmo sabendo que não são aceitas pelos demais.

Nosso tema inicial (DEUS EXISTE?), longe de ser uma tentativa de chegar a uma resposta científica, filosófica ou religiosa, é um exercício de auto análise que pretendemos estimular em cada um de nossos debatedores.

É um exercício mesmo! Tipo ginástica cerebral! Todas as opiniões são livres. Vale raciocínio por absurdo! Vale elocubração fantasiosa! Vale tudo exceto evangelização, já que não podemos, de forma alguma, interferir na fé que cada um de nós pratica, independente do debate que agora provocamos.

Entre nossos debatedores estão religiosos de todas as crenças e suas diferentes denominações, filósofos, pensadores, estudiosos do assunto, curiosos, pesquisadores e nós, participantes do Grupo IUPE de discussão, que reunimos todas essas vertentes do pensamento universal, já que na imensa maioria, somos professores ou, no mínimo, educadores, praticando o mais importante exercício intelectual do mundo, que é EDUCAR O PRÓXIMO!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Boletim IUPE 2010-001

Atenção:

1. CALENDÁRIO E HORÁRIO IUPE 2010: 

No site do IUPE (www.iupe.org.br) clicando em COLÉGIO estão publicados os HORÁRIOS e os CALENDÁRIOS IUPE 2010

2. CURSO DE TREINAMENTO CONTINUADO NO IUPE: 

Ainda no site do IUPE estão agendados os nove (9) encontros de PAIS e EDUCADORES, abertos ao público, no IUPE. Esses encontros, além de constituirem o momento de integração entre a escola, as famílias e a comunidade, será também um momento de Orientação para o Acompanhamento Pedagógico e o Treinamento Parental. Todos aqueles que comparecerem a, pelo menos, 75% dos encontros, receberão, ao final do ano letivo, um CERTIFICADO DE PARTICIPAÇÃO a título de EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA.

Os encontros serão sempre aos sábados, das 15 às 18 horas, nas datas abaixo especificadas:

a) Março - sábado, dia 20, das 15 às 18 horas.

b) Abril -  sábado, dia 17, das 15 às 18 horas.

c) Maio -  sábado, dia 15, das 15 às 18 horas.

d) Junho - sábado, dia 12, das 15 às 18 horas.

e) Julho -  sábado, dia 17, das 15 às 18 horas.

f) Agosto - sábado, dia 14, das 15 às 18 horas.

g) Setembro - sábado, dia 11, das 15 às 18 horas.

h) Outubro - sábado, dia 09, das 15 às 18 horas.

i) Novembro - sábado, dia 06, das 15 às 18 horas.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dois BRASIS completamente diferentes

"E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade."

Há, na realidade, dois Brasis! Um deles vergonhoso! O outro estimulante! Há realmente duas faces na governança do país: uma delas detestável! A outra, simplesmente, louvável! Como entender essas duas faces da mesma moeda? Como desvendar esse mistério? Vamos começar pela parte pior, que todos temos conhecimento, mas vamos também apresentar a parte boa. Cabe a cada um de nós tentar entender o que se passa, mas, antes de tudo, é nossa responsabilidade construir perspectivas de melhora permanente na nossa própria vida e contribuir sempre de forma positiva e produtiva na melhora da vida de nossa comunidade, independente de acharmos que podemos estar sozinhos nisso ou não! Nossa parte tem que ser realizada por menor que sejam os resultados, já que o exemplo pode estimular outros a fazerem o mesmo e, assim, os resultados começam a ser mais eficazes...

Há, realmente, problemas sérios em nosso país. Há problemas, inclusive, que nos deixam em estado de questionamento permanente e até de angústia política! Podemos citar, entre muitos, o farto financiamento, claro e aberto, com nosso dinheiro, de instituições que desvirtuaram completamente os seus objetivos, como o atual MST.

Há também a farta contribuição dos cofres públicos (nosso dinheiro, de novo) para centenas de ONGs criadas exclusivamente para enriquecer seus dirigentes, ONGs essas com seus reais objetivos camuflados em objetivos sociais, mas que, na realidade, apenas servem para o desvio de verbas públicas para os bolsos dos que se dizem "espertos".

Vez por outra surgem notícias que nos animam... Mas, de repente, caímos "na real" e constatamos mais uma falcatrua, mais um ato de pura corrupção, mas uma "enganação" social travestida de ação social...

Não comentamos apenas por ouvir dizer... Comentamos por também sentir na "própria pele" as consequências de algumas dessas irregularidades sociais. Alguns de nossos colegas de trabalho no IUPE devem lembrar do treinamento de professores realizado durante três meses, em uma determinada unidade escolar pública de um certo município. Naquela época oferecemos aos professores e à direção da escola que, após o término do período de treinamento oficial os professores teriam todo nosso apoio gratuitamente, bastando comparecer às reuniões mensais de treinamento em nossa sede.

Qual não foi nossa surpresa ao ouvir da diretora: "Roberto! Não se engane! Seu treinamento, embora tenha trazido uma verdadeira revolução nos nossos conhecimentos didáticos, foi apenas mais um treinamento para justificar a utilização de verbas públicas. Não há qualquer interesse do sistema em implantar qualquer tipo de melhoria real em nosso ensino..." O resultado é que alguns dos professores daquela escola optaram por matricular seus filhos em nossa escola...

Outra fantástica experiência veio de um profissional representante de uma instituição de fomento, da área federal, exigindo a entrega de 20% da verba destinada ao financiamento do Centro Mundial de Treinamento Continuado de Professores, para que tal verba, já praticamente aprovada, fosse liberada... Como o nome de nosso projeto é "Construção da Cultura do Caráter" não consegui ter o mesmo "desprendimento moral" que estamos vendo todos os dias na mídia. Fui obrigado a recusar a entrega da propina e, logicamente, a verba tomou outro rumo...

Mas agora vamos a parte positiva. Essa nos anima! E para essa parte eu nãopreciso escrever nada. Basta ler o discurso que Lula faria em Davos, mas que foi lido por Celso Amorim, devido a crise de hipertensão do nosso presidente:

Em repouso após passar por uma crise de hipertensão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, leu o disicurso de Lula na cerimônia de entrega do prêmio "Estadista Global". O discurso descreve os avanços obtidos pelo Brasil nos últimos anos.

Leia abaixo a íntegra do discurso.

"Minhas senhoras e meus senhores,

Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo.

Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida.

Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado.

Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.

Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial.

Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo.

O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo.

O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

Meus senhores e minhas senhoras,

O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos.

Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical.

Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.

No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos.

Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações.

Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática.

E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.

Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos.

Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu.

Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.

Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial.

Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.

O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza.

Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga.

Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte?

É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família.

Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.

Minhas senhoras e meus senhores,

O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou?

Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil.

Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta.

Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?

Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente?

Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral?

Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos.

E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora.

E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.

Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.

Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto?

Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?

Meus senhores e minhas senhoras,

Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso?

Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas.

Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia.

Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham?

Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?

O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas?

Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.

Meus senhores e minhas senhoras,

Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise.

Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre.

Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.

Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado.

Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.

O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social.

E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.

Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil.

Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.

Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão.

Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.

Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros.

Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.

Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.

As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito.

Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de "crédito consignado", que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.

Minhas senhoras e meus senhores,

Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil.

Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país.

O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora.

O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.

Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global.

A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação.

Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.

Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias.

É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar.

Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar.

Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde.

Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos.

E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Muito obrigado."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Discriminação racial: onde está meu erro?

Confesso que levei um susto imenso ao ler, agora pela manhã, o resultado do vestibular 2010 da Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Interessado que estava para verificar se um amigo havia sido deparei-me com títulos estranhíssimos por toda a página da listagem:

- optantes pelas vagas reservadas aos negros

- optantes pelas vagas reservadas aos indígenas

- não optantes pelas vagas reservadas

Ou seja: para mim estamos vivenciando uma realidade bastante semelhante à da antiga África do Sul, em pleno APARTHEID, com determinações de diferenças raciais entre todos...

A cada dia vemos mais uma demonstração dessa discriminação DETERMINADA PELO SISTEMA, em algum documento que tenhamos que preencher.

As escolas, ao preencherem a listagem de censo escolar anual são obrigadas a inserir, para cada aluno, a classificação de sua raça: brando, negro, pardo, etc...

Nosso trabalho no IUPE, desde suas fundação em 12/09/1999, tem sido a educação diferenciada para construir em cada aluno a idéia de que temos todos as mesmas potencialidades e possibilidades, independente de nossa aparência externa, cor da nossa pele, cor dos olhos, tipo de cabelos, diferença de altura, diferença de peso, tipo de cultura, preferências comportamentais e tudo o mais.

O que diferencia o resultado é a força de vontade ou a falta dela, a auto-valorização ou a auto-depreciação e nunca o fato de termos nascido em berço de ouro ou em em uma família desprovida de recursos financeiros adequados e, muito menos, por termos herdado características genéticas que nos tragam pele mais clara ou mais escura, olhos dessa ou daquela cor, cabelos desse ou daquele tipo.

Não quero entrar pelo mesmo caminho dos adeptos das "Teorias da Conspiração", mas parece mesmo existir todo um movimento para denegrir mais ainda a imagem das "ditas" minorias, para baixar cada vez mais a auto-estima de seus componentes, fazendo-os assumir uma inferioridade que não existe, assim deixando as oportunidades melhores para aqueles que já as detém, mas cujos filhos não estão sendo capazes de manter...

Nesse caso o ataque parece ser: "(...) se meu filho não consegue, vamos fazer com que os concorrentes sejam piores ainda do que ele (...)"

Esses, apesar de terem nascido em "berços de ouro", a cada dia perdem mais terreno para crianças e adolescentes provenientes de famílias de bairros pobres, já que, apesar desse movimento sutil de degradação social, jovens menos favorecidos financeiramente, entre eles muitos negros, estão tendo a oportunidade de se desenvolver de igual para igual, como resultado da educação diferenciada já adotada por muitos colégios, como a que estamos fazendo aqui no IUPE.

Sou totalmente contrário a qualquer tipo de discriminação, embora muitos tenham tentado me convencer de que esse sistema de cotas corrige a anomalia da falta de oportunidade intelectual das pessoas de baixa renda.

Será mesmo? Será que estou totalmente errado? Será que corrigir essa anomalia não teria que ser corrigindo a forma como as metodologias educacionais estão sendo aplicadas nas escolas públicas?

Posso estar muito errado, por isso mesmo que, no título do artigo, pergunto "onde está meu erro?"

Mas ainda insisto em que as oportunidades de crescimento só dependem de:

1) Da força de vontade de cada um

2) De um sistema público de ensino que realmente se preocupe mais com as pessoas que estão aplicando as metodologias, os PROFESSORES, do que com a apresentação externa das "escolas modelo" e a equipamentação das salas com TVs, monitores, lousas especiais, computadores, data-shows e tudo o mais.

3) De um sistema particular de ensino que se preocupe com cada criança e adolescente na sua individualidade, evitando os mesmo erros que coloquei no item anterior para as escolas públicas.

No momento em que os professores forem mais valorizados e mais bem preparados, o sistema estará se utilizando da maior e mais eficiente arma para reduzir as diferenças sociais, reduzir a criminalidade, aumentar a sua própria eficácia (devido a profissionais muito mais bem preparados em todos os níveis) e aumentar a própria riqueza do país.

E professores mais bem preparados poderão também ajudar na educação das famílias de seus alunos, de forma direta ou indireta, já que muitas anomalias comportamentais e até psíquicas, que impedem o crescimento de muitos alunos, são provenientes de educação familiar equivocada.

Em paralelo estará sendo eliminado qualquer vestígio de diferenças raciais ou sejam lá quais forem, já que esse tipo de educação oferece a mesma oportunidade para todos.

Mas essa minha proposta precisa de "VONTADE POLÍTICA", o que parece não estar existindo nesse país...

Mas vamos ficar de braços cruzados só reclamando? Não! É claro! Continuaremos fazendo a nossa parte com a maior eficácia possível e dentro de nossas possibilidades técnicas e financeiras, mas com muita força de vontade e muito entusiasmo!

Um dia, quem sabe, o sistema "se toca"...